segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mundo - Pintora iraniana será enforcada Hoje - Ir Alberto


Wálter Fanganiello Maierovitch
Delara Darabi tinha 17 anos de idade quando foi presa no Irã. Foi acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 anos de idade.

Respondeu, também, por furto na casa da prima morta e por manter relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain de 19 anos de idade: no Irã, sexo só com o casamento e a adúltera recebe pena capital.

Hoje, Delara Darabi está com 23 anos. Continua presa desde os crimes consumados em 2005. Na segunda-feira, 20, será enforcada por ter sido considerada autora da punhalada, com intenção de matar.

Pelo furto e intimidade com o namorado, cumpriu pena de 3 anos de cadeia. Recebeu, em público, 50 chicotadas pelo furto e mais 20 pelas relações amorosas com o namorado.

Delara Darabi nega ter matado a prima. Ela disse que confessou quando presa para “salvar” o namorado da pena de morte. Frisou que imaginava, pelos seus 17 anos, que não seria condenada à morte. Errou nos cálculos pois a responsabilidade criminal no estado teocrático do Irã começa aos 15 anos de idade para homens e 9 anos para as do sexo feminino.

O crime de homicídio, frise-se, consumou-se em 2005 e a sentença condenatória à pena de morte foi confirmada pela Corte Suprema em 2007.

A única chance legal para Delara Darabi seria a família da vítima, — sua prima –, aceitar uma indenização em dinheiro. O pai da condenada já fez a oferta, mas não houve aceitação. O genitor da vítima pretende renovar a proposta até o último momento, ou seja, até antes de o cadafalso se abrir e a filha ficar pendurada.

Segundo o advogado e as organizações internacionais de defesa de direitos humanos ficou provado nos autos, por laudo pericial oficial e único, que Delara Darabi é inocente. Para os peritos, o golpe de punhal foi desferido por uma pessoa destra. Darabi é canhota.

PANO RÁPIDO. Depois da China, o Irã é o país que mais condena e executa penas capitais.

No dia 18 de dezembro de 2007, — e ainda em face do impacto causado pela morte por enforcamento de Saddam Hussein–, houve Assembléia Geral da ONU para aprovar uma suspensão (moratória) das penas capitais. Dos estados-membros da ONU, 104 votaram a favor, incluído o Brasil. Ocorreram 29 abstenções. Votaram contra a moratória 54 países, dentre eles o Irã, a China e os EUA.

Segundo a Human Rights, o Irã, em 2008, enforcou oito menores de 18 anos de idade. Neste 2009, um menor já foi executado. No chamado corredor-da-morte, aguardam 150 menores de 18 anos de idade.

Para Delara Darabi, que pinta quadros na cadeia e se tornou uma pintora conhecida internacionalmente, só resta a pressão internacional por clemência ou a família da vítima aceitar uma indenização.

Vamos torcer por ela, pois pena de morte é inaceitável.


REDE GRUMIN DE MULHERES INDÍGENAS - Por Vanderley Caixe


I Sarau das Poéticas Indígenas

Promoção: CASA DAS ROSAS
Realizado em Dia 19 de abril.


A idéia do I Sarau das Poéticas Indígenas foi reunir índios, escritores indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena.
REGIÃO NORDESTE

1. Apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé Fragoso.

Sobre o povo Pataxó: Os Pataxó são o povo que travou o primeiro contato com os portugueses na região de Porto Seguro há 509 anos. Sua trajetória é admirável e demonstra grande adaptabilidade frente às adversidades, capacidade de união em prol de seus direitos e resistência cultural. Hoje, com parte de suas terras reconquistadas, fala-se de uma ressurgência Pataxó, na qual índios idosos e jovens buscam resgatar sua cultura ancestral e reviver sua língua nativa.

Sobre os índios que se apresentam: Manoel Santana é um contador de histórias Pataxó da Aldeia Boca da Mata, próximo à cidade de Itamarajú no Sul da Bahia. Segundo o antropólogo Guga Sampaio é “um proseador desinibido, eloqüente e imaginativo”. Zé Fragoso é cacique da aldeia e escritor indígena da Aldeia Tibá, no Prado, Sul da Bahia.

2. Apresentação do índio Pankararu de São Paulo Bino Pankararu

Sobre o índio: Bino Pankararu é uma liderança dos índios Pankararu que vivem no Real Parque, São Paulo, e cumpre função religiosa em sua cultura. Nascido na Aldeia Brejo dos Padres em Pernambuco, ele é um dos muitos índios imigrantes que vieram para a metrópole num pau de arara fugindo da seca, das invasões de suas terras, em busca de novas alternativas de vida.

3. Apresentação e leitura da escritora indígena Eliane Potiguara*

Sobre a escritora: Indicada em 2005 para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo), Eliane é escritora, autora de METADE CARA, METADE MÁSCARA (Global Editora), professora e ativista indígena. É remanescente Potiguara, coordenadora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas / Rede de Comunicação Indígena,organização que ganhou o Prêmio Cidadania Internacional da Comunidade Bahai/IRÃ e diretora do INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual). Sites: www.elianepotiguara.org.br e www.grumin.org.br.

4. Leitura da poeta Graça Graúna, de Pernambuco

Sobre a poeta: Graça é descendente dos índios Potiguara do Rio Grande do Norte e escritora de ensaios, crônicas e poemas. Atualmente, reside em dois lugares: no litoral e no agreste pernambucano. É graduada, tem especialização, mestrado e doutorado em Letras, tendo dedicado-se aos temas de mitos indígenas na literatura infantil e literatura indígena contemporânea no Brasil. Tem vários livros publicados, o mais recente chama-se Tear da Palavra, de 2007. Mantém um blogue.



REGIÃO NORTE



1. Apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo

Sobre os índios Marubo: Os Maurbo vivem no Vale do Rio Javari, próximos à fronteira do Amazonas com o Peru. Algumas de suas aldeias são ainda isoladas, enquanto outras vêm sofrendo interferência da população regional. Têm uma vasta tradição oral identificada por antropólogos. Seus “saitis”, narrativas míticas cantadas, que tratam da formação do cosmos, chamam a atenção pelo seu valor poético.

Sobre o antropólogo: Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional (UFRJ). Especialista em etnologia e tradições orais ameríndias, vem realizando pesquisas junto aos Marubo do Vale do Javari (AM) desde 2004. É também co-editor da revista literária Azougue e colaborador da Companhia Livre da Cooperativa Paulista de Teatro. Atualmente, é pós-doutorando no Departamento de Letras da Universidade
de São Paulo.

2. Apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá de São Paulo

Sobre os índios Baniwa: Os Baniwa são índios do Amazonas que vivem no Alto Rio Negro, tendo como ponto de apoio a cidade de São Gabriel da Cachoeira, cidade brasileira com maior população indígena. A arte Baniwa, particularmente sua cestaria, é conhecida internacionalmente.

Sobre o índio que se apresenta: Eurico Baniwa nasceu na aldeia Baniwa do Rio Içna, do Alto Rio Negro. Formou-se em Filosofia em Manaus, trabalhou com saúde e educação entre os índios Ianomami. Desde 2004 está em SP, aonde estuda Direito e atua no IDET (Instituto das Tradições Indígenas).

Sobre os índios Mura: Os Mura são índios do Amazonas. Contatados nos Século XVIII por uma missão jesuítica que visava se assentar às margens do Rio Madeira e pelo sistema colonial do Grão Pará, os Mura registram longa convivência com a sociedade nacional, história marcada pela escravidão no período colonial e o trabalho semi-escravo para os patrões que monopolizavam o extrativismo da castanha-do-pará na área indígena. Em 1996 a FUNAI deu início à demarcação de suas terras. O povo Mura vive hoje em fraternidade, na margem do Rio Madeira, em harmonia com a mãe terra, cultivando a tradição milenar.

Sobre a índia que se apresenta: Juju Mura nasceu no Amazonas, na comunidade Manaquiri, e veio para São Paulo em 2001 para realizar seus estudos. Formou-se em pedagogia na FAAC, fez docência de ensino superior, é professora e divulga a cultura indígena em Cotia-SP.

3. A declamadora Tatiana Fraga lê obras dos poetas Joaquim Sousândrade e Raul Bopp

Sobre o poeta Joaquim Sousândrade: Joaquim Sousândrade foi um poeta maranhense que viveu no Século XIX que recorreu ao multilinguismo para incorporar o elemento indígena amazônico ao seu poema épico O Guesa Errante (1874). Morreu em São Luis, na miséria e sendo considerado louco. Sua obra veio ser reconhecida por Haroldo de Campos na década de 60.

Sobre o poeta Raul Bopp: Raul Bopp, nasceu no Rio Grande do Sul viveu no início do Século XX. Formado em direito, viajou o Brasil e escreveu sua obra prima, Cobra Norato, sobre a Amazônia. Integrou o grupo paulista do modernismo, cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez parte.

Sobre a declamadora: Tatiana Fraga é poeta e coordenadora de arte da Casa das Rosas.

4. Leitura da escritora Deborah Goldemberg

Sobre a escritora: Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia e é escritora. Tem diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em coletâneas e jornais. É atuante no movimento literário paulistano e curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Seu primeiro livro, Ressurgência Icamiaba, é uma novela baseada na lenda amazônica das guerreiras Icamiabas, uma neo-lenda multiétnica e transbrasileira. Mantém o blog literário ressurgenciaicamiaba.blogspot.com

SUL E SUDESTE DO PAÍS

Introdução geral aos índios do Sul/Sudeste: Os índios Guarani são naturais do Sul e Sudeste do Brasil, vivendo ao longo do litoral desde o Sul de São Paulo até Santa Catarina. Havia um caminho chamado Pearibu, que os ligava ao Paraguai, aonde viviam seus parentes. Com o avanço da escravidão portuguesa, eles recuaram mais para o Oeste, concentrando-se no Paraguai (Benedito Prezia, 2001). A experiência das Missões Jesuíticas do Século XVII, reduções cristãs criadas nas fronteiras do Brasil com a Argentina e Paraguai, deram margem à uma troca cultural inusitada, pois a arte e a música eram ali altamente valorizadas. Após a destruição das missões, muitos índios foram trazidos para São Paulo como escravos, influindo na cultura mestiça. No início do Século XIX, famílias Guarani começaram a voltar para São Paulo e hoje há três comunidades estabelecidas com cerca de 800 índios vivendo nelas. O Guarani é a língua indígena mais falada no Brasil, com 50 mil falantes. Há 4 dialetos: kaiowá, nhandeva, m’bya e tupi-guarani. No Paraguai, cerca de 3 milhões de pessoas falam o guarani paraguaio.

1. Apresentação dos índios Guarani Nhandeva

Sobre a índia: Poty Porã é professora indígena, estudou na PUC e na Universidade de São Paulo.

Sobre o índio: William Macena é uma liderança indígena e monitor do CECI, Centro Educacional de Cultura Indígena de São Paulo.

2. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe

Sobre o escritor: Olívio Jekupe escreve poesia desde os 15 anos, cursou filosofia na PUC Paraná e na USP. É escritor de diversos livros indígenas e é muito requisitado para palestras sobre a temática, inclusive fora do Brasil. Atualmente vive na Aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo, com sua esposa e quatro filhos.

3. A declamadora Nicole Cristófalo lê o escritor José de Alencar e o poeta Gonçalves Dias.

Sobre o poeta: Gonçalves Dias, 1823-1864 é considerado o poeta nacional por excelência, tendo conseguido dar vida ao tema do índio na poesia brasileira.

Sobre o escritor: José de Alencar, nascido em Fortaleza, viveu o Brasil Imperial do Século XIX no Rio de Janeiro e é o grande nome da prosa romântica brasileira. Sua obra tem uma forte linha indigenista que inclui alguns de seus romances mais famosos, tal como O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1870).

Sobre a declamadora: Nicole Cristofalo é poeta, estudante de Letras da Universidade de São Paulo e colaboradora da revista literária Zunái. Desenvolve uma pesquisa sobre o poeta argentino Oliverio Girondo.

4. O declamador João Pedro Ribeiro relembra o modernismo brasileiro, em parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus.

Sobre o poeta modernista: Oswald de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. É de sua autoria o Manifesto Antropofágico de 1928, que criticava o academicismo da arte brasileira e buscava valorizar a cultura brasileira.

Sobre o poeta modernista: Mário de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. Pesquisador de etnografia e folclore, seu romance Macunaíma reelabora temas da mitologia indígena com visões folclóricas da Amazônia e do resto do Brasil; é considerado uma das obras capitais da narrativa brasileira no Século XX e o fundamento de uma nova linguagem literária.

Sobre o declamador: João Pedro Ribeiro é descendente de índios Kaingang do Rio Grande do Sul e italianos. Atualmente, cursa lingüística na Faculdade de Letras da USP, escreve e é um grande entusiasta da literatura indígena. Os poetas Caco Pontes e Berimba de Jesus do movimento maloqueirista participarão da declamação.

5. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción

Sobre o escritor: Douglas Diegues é escritor, vive na fronteira do Brasil com o Paraguai e escreve numa linguagem que ele auto-denominou como Portunhol Selvagem, misto de português, espanhol e Guarani, inspirada na linguagem que é de fato falada no contexto intercultural do território em que vive. Tem diversos livros publicados, inclusive uma coletânea de poesias Guarani M’Bya, e mantém um blog.

6. Leitura do poeta Pedro Tostes

Sobre o poeta: Pedro Tostes nasceu no Rio de Janeiro e é poeta do movimento paulistano de “Poesia Maloqueirista” Segundo Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, professor da FFLCH-USP, “Os maloqueristas são originais assim: um negro, um branco e um índio; mas não são as três raças tristes, nem pretendem afastar as contribuições da cultura Holandesa no Brasil.” Mantém um blog.

7. O declamador indígena Emerson de Oliveira Souza lê um texto do Pajé Florêncio Portillo de 1993.

Sobre o declamador indígena: Emerson de Oliveira Souza é um índio Guarani Nhandeva, residente em São Paulo.

Sobre o pajé: Pajé Florêncio Portillo é do povo Avá Guarani, ou Guarani Nhandeva. O texto Para Deus somos Todos Iguais foi uma apresentação oral dele para os participantes fizeram no Encontro Nacional de Lideranças Indígenas, em Benjamin Aceval, Paraguai. Diante da diversidade étnica, havida naquele encontro, o pajé Florencio fez uma reflexão sobre a diversidade, que deve encontrar uma unidade em Deus, pai de todos.

Sobre o texto: A tradução do guarani para o espanhol foi feita pelo paraguaio Eri Daniel Rojas e a versão portuguesa foi feita por Benedito Prezia, antropólogo e escritor de diversos livros sobre povos indígenas.

Crédito das fotos: Dede Fedrizzi, fotógrafo, e Alikrim Pataxó, modelo.

Sobre o fotógrafo: Dede Fedrizzi já viveu na Espanha, Grécia, Suiça, Alemanha e os Estados Unidos. Hoje, passa a maior parte do tempo em São Paulo, Brasil. É mestre em Artes Plásticas, pela Universidade de Nova Iorque e tem fotografado publicidade e moda em todo o planeta. www.dedefedrizzi.com

Sobre o modelo: Alikrim Pataxó, reside na Aldeia Olho do Boi, Caraíva, Bahia.



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* Escritora, professora e ativista indígena coordenadora do GRUMIN e Diretora do INBRAPI



· www.grumin.org.br

· www.elianepotiguara.org.br

· www.inbrapi.org.br






Depois da Raposa - Ir. Alberto



O histórico julgamento que manteve a demarcação de forma contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, área de 1,7 milhão de hectares em Roraima, foi apenas o primeiro sobre o reconhecimento de posses indígenas a ser decidido neste ano pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Agência Brasil - 19/04/2009
Ainda em 2009, deverão ser julgadas no plenário da Corte ações sobre a legalidade de títulos de propriedade de imóveis rurais concedidos em área ocupada por índios Kaingang, no Rio Grande do Sul, e na reserva indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, na Bahia.
Em setembro do ano passado, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo referente à Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, no sul da Bahia, que tramita na Justiça há 25 anos. Na área de 54 mil hectares, favorável ao cultivo de cacau, vivem aproximadamente 4,5 mil índios Pataxó Hã-Hã-Hãe e fazendeiros que obtiveram títulos de posse do governo do estado —após já ter sido feita a demarcação como terra indígena pela União, nos anos 30 do século passado..
Antes da suspensão do julgamento pelo pedido de vista, o relator, ministro Eros Grau, votou pela declaração da nulidade de todos os títulos de posse emitidos pelo governo da Bahia aos fazendeiros da área.
Grau citou que tais títulos não teriam validade porque foram expedidos depois da Constituição de 1967, que consagrou as terras ocupadas pelos índios como bens da União, com usufruto exclusivo deles. “A baixa demografia indígena em determinados períodos, na região, não impede o reconhecimento do caráter permanente da posse dos índios”, disse.
O relator ainda acrescentou que, se em algum momento, os índios não estiveram na região foi pelo fato de terem sido expulsos por fazendeiros.
Os Pataxó alegam que “parentes” foram vítimas de assassinatos, sequestros, invasões e ameaças desde que os fazendeiros obtiveram títulos de posse na área.
O processo que trata da disputa por terras entre fazendeiros e índios Kaingang no Rio Grande do Sul voltará ao plenário com um voto-vista da ministra Cármen Lúcia. A ação foi ajuizada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), que pede a declaração de nulidade dos títulos de propriedade de imóveis rurais concedidos pelo governo gaúcho na região em que vivem os índios.
O julgamento da causa começou em maio de 2002 e o relator, ministro Ilmar Galvão (hoje aposentado), votou pela nulidade dos títulos.
O ministro do STF Carlos Ayres Britto que relatou o processo da Raposa Serra Sol crê que a decisão da Corte há um mês, no último dia 19 de março, vai nortear futuros pronunciamentos em causas semelhantes. “Ela vai balizar não por mérito próprio, porque não foi inovação de conteúdo, mas uma reafirmação do que já está na Constituição Federal”, afirmou Britto.
Entre as 19 condições definidas pelo STF no caso Raposa Serra do Sol, uma delas ressalta ser vedada a ampliação da terra indígena já demarcada. Apenas nesta questão, Ayres Britto foi voto vencido, mas ele não descarta que a Corte reveja futuramente este entendimento. Em alguns estados brasileiros, como Mato Grosso do Sul, estudos para novas demarcações estão em curso para garantir a adequada sobrevivência da população indígena..
Britto avalia que o STF consolidou uma posição importante para a reafirmação dos direitos dos povos indígenas no Brasil. “Foi o reconhecimento da dignidade dos índios, de que não há cultura étnica superior ou inferior a outra. A aculturação tem que ser um soma, algo que se ganha, e não algo que se perde. Isso coloca o Brasil na vanguarda mundial da questão indígena.”
A Agência Brasil tentou ouvir dirigentes da Funai sobre as pendências judiciais em relação à demarcação de terras indígenas, mas não conseguiu contatá-los. No STF, há cerca de 170 processos em tramitação referentes a variados assuntos indígenas.

Mundo - OBAMA E A CÚPULA DAS AMÉRICAS por Laerte Braga


O documento final da Cúpula das Américas realizada em Trinidad Tobago é o reflexo das dificuldades da política vaselina do presidente Barak Obama, dos Estados Unidos.


O documento final da Cúpula das Américas realizada em Trinidad Tobago é o reflexo das dificuldades da política vaselina do presidente Barak Obama, dos Estados Unidos. A tentativa de resgatar o controle norte-americano sobre a América Latina, perdido nos desvarios do presidente terrorista George Bush. Novo ídolo da mídia, Obama insiste no mesmo erro da maioria dos governantes supostamente bem intencionados de seu país. Tenta tratar a questão como se fosse problema de caixa. Anunciou a liberação de 100 milhões de dólares para essa parte do mundo. Equivale a mais ou menos 0,28% de todo o dinheiro dado a bancos quebrados na tal crise gerada exatamente pelo sistema financeiro dos EUA e de países da Comunidade Européia.

América Latina continua a não valer nada para os EUA em termos de integração das Américas num plano político e econômico de respeito e compreensão da realidade de cada país latino-americano.

Obama quer gestos de Cuba para prosseguir no diálogo com o governo daquele país. Lula foi claro ao dizer que o norte-americano não deve esperar nenhum gesto do governo cubano, mas deve prosseguir nas conversações, já que o bloqueio contra Cuba foi uma decisão dos EUA e é condenado por todos os governantes da América Latina. Puro exercício de prepotência.

Mais ou menos como alguém dar um tapa em alguém e esperar que o esbofeteado peça desculpas. Isso é que Obama propõe.

Como o mundo hoje é de espetáculos, a impressão que o norte-americano passa é que está ganhando tempo nesses primeiros meses de governo, até achar uma alternativa que lhe permita superar dificuldades internas e colocar em prática políticas efetivas. Em relação a América Latina e ao mundo de um modo geral, passam pela compreensão de uma nova realidade que não passa nem pela vaselina, nem pela areia de Bush.

Não basta o sorriso de Hilary Clinton e nem a “magia” do primeiro negro presidente dos EUA. Pelé também é negro e nem por isso significa ou significou algum avanço na luta dos negros brasileiros e do mundo, à medida que um dia declarou pomposamente que “o povo brasileiro não está preparado para votar”. E como disse Romário, “Pelé seria um gênio completo se fosse mudo.”

Obama não tem a menor percepção da realidade venezuelana sob o governo Chávez, a não ser aquela que lhe passa CIA, que é a mesma que a agência passava ao presidente Bush. E assim a da Nicarágua, a de El Salvador, a da Bolívia, do Equador, do Paraguai, muito menos da brasileira. É só ficar atento ao noticiário da principal rede de comunicação brasileira, a GLOBO, para verificar que a linguagem continua a mesma.

Terrorista para lá, ditador para cá e coisa e tal.

Como a história do “piratas” da Somália. Não existem. Mas cidadãos somalis indignados com a pesca predatória e a utilização de seu litoral, de suas águas territoriais para as grandes nações despejarem lixo nuclear, lixo industrial, lixo hospitalar, como se a Somália fosse lixo.

Falar em gestos voltados para os direitos humanos é ridículo para um país que nos oito anos de Bush violou sistemática e deliberadamente todos os direitos de iraquianos, afegãos, colombianos, de povos africanos, asiáticos, que tentou golpes na Venezuela, na Bolívia, que seqüestrou e construiu prisões secretas, usou e usa navios como prisões sem amparo legal, no país de Guantánamo, centro de terror e tortura.

E cobrar atitudes assim do governo terrorista de Israel?

Uma coisa é o governo, outra coisa é o poder. Obama é o presidente dos EUA. O poder nos EUA não. Basta ler as declarações do presidente sobre a situação no Oriente Médio. Continua sendo parceiro do genocídio praticado por Israel contra o povo palestino. Não mudou nada. Submete-se ao lobby sionista tranquilamente, como antes, no período eleitoral, foi lá e disse que estava às ordens dos senhores.

Como vai tocando o barco Obama dá a sensação de ser um produto que breve estará jogado no canto das prateleiras do supermercado mundial de shows e espetáculos. As mágicas têm um limite. As piruetas para chamar atenção da platéia têm um ponto máximo, se tentar ousar numa espécie de vôo estilizado cai e se esborracha.

Precisa, primeiro, perceber a realidade do mundo nos dias atuais e historicamente compreender que o império norte-americano começou o período de declínio. Obama talvez seja o último César com coroa de louros. E depois dele administradores de massa falida.

O que sua política para a América Latina mostra é isso. Não sabe por onde começar e nem por onde terminar. Quem prestar atenção na foto em que o presidente da Venezuela aparece entregando um livro de Eduardo Galeano ao norte-americano vai perceber que se há sinceridade na expressão de Chávez, há pose de estrela no rosto de Obama.

Corre o risco de acabar numa dessas séries que a tevê dos EUA exporta para o resto do mundo.

Em Trinidad Tobago encontrou uma América Latina diferente. A despeito dos presidentes do Peru, Colômbia e Chile ainda em posição de quatro, o resto dos líderes latinos se mostrou coeso e disposto a um novo tipo de diálogo com o antigo dono.

Não é mais aquele negócio de espelho por ouro. Índio ficou esperto e na Bolívia, por exemplo, elegeu o presidente da República.

É ridículo quando o presidente dos EUA fala que a Venezuela e Cuba devem mostrar mais que palavras, devem mostrar atos.

O que o presidente dos Estados Unidos pensa que é, ou quem pensa que é? O dono que quer enquadrar governos legítimos? Como se para viver seja necessária a aprovação de Washington?

Barak Obama corre o risco de terminar todo esse show debaixo de vaias, pois de sua cartola não estão saindo os coelhos que achou que tivesse.

A sensação que causa é que é só casca. Uma grande jogada de marketing. Parece tucano.

O presidente que pretendia revolucionar o mundo e criar uma nova era, o jovem que foi criado pela avô, negro, de origem muçulmana, não vai a uma conferência da ONU em Genebra sobre racismo. O tom do encontro não agrada ao estado terrorista de Israel e Obama não quer cair em desgraça junto aos sionistas.

Obama pelo andar da carruagem ainda chega ao milésimo gol pedindo pelas criancinhas pobres do mundo. E acaba anunciando o creme dental colgate. O desespero disso é que quem paga o cachê é Homer Simpson.

A Cúpula das Américas deveria ter sido um mea culpa de Obama pelas políticas seculares dos norte-americanos em relação à América Latina. Foi apenas um exercício de arrogância, show de estrela de Hollywood.

Bush gostava de vestir o blusão de couro dos aviadores e fingir que pilotava aviões de guerra – fugiu do serviço militar –. Já Obama é outro departamento. É “luzes, câmeras, ação”. Como vai ser a montagem e a edição do filme não sei. As cenas gravadas até agora dão a sensação que na hora agá Rambo vai ressurgir impávido e colossal, a única linguagem real dos Estados Unidos para o que chama de democracia e direitos humanos.

Ah! O cara ressuscitou a conversa de ALCA. Olho vivo, vão apostar tudo na eleição de José Serra. É um funcionário exemplar e o Brasil é de extrema importância para o show de Obama.

Beiju com moqueado - refeição muito comum nas comunidades indígenas brasileiras - Barbet


Ingredientes
- 100g de goma de mandioca peneirada
- 1 peixe pequeno de sua preferência
- pimenta a gosto
- sal a gosto

Modo de fazer
Coloque a goma em uma panela e leve a panela ao fogo para fazer o beiju. Asse o peixe para fazer o moqueado misturando-o com bastante pimenta e um pouco de sal (os índios socam o tempero em um pilão). O moqueado é o recheio do beiju.


domingo, 19 de abril de 2009

Semana do Índio iniciou com manifestações culturais e de protesto

No Diário da Amazónia: "A Semana dos Povos Indígenas foi aberta com uma solenidade realizada na Câmara Municipal de Cacoal na manhã desta segunda-feira
e teve a presença de autoridades, o prefeito Franco Vialeto, vereadores, lideranças indígenas e representantes de várias etnias, totalizando mais de 200 participantes. A realização do evento foi uma iniciativa dos vereadores Penha Simão e Toninho Masioli, como uma forma de homenagear e discutir questões importantes sobre saúde, direitos e cultura indígena. De acordo com a vereadora, os indígenas são muitas vezes pouco assistidos pelo poder público, e as políticas que poderiam favorecê-los geralmente não são cumpridas. “Estamos debatendo políticas públicas, e promovendo a igualdade para os povos indígenas, que nós sabemos que na maioria das vezes não são cumpridas”, disse."

Funai e Ministérios avaliam Território da Cidadania Indígena do Rio Negro


Em missão de reconhecimento das reais necessidades da população, agentes dos Ministérios de Minas e Energia, da Saúde, do Desenvolvimento Agrário e da Funai realizaram visita técnica às comunidades indígenas do Alto Rio Negro, na tarde desta terça-feira (14).

Os representantes do Governo foram acompanhados por um membro indígena do Colegiado Territorial do Território da Cidadania Indígena do Rio Negro – AM, que abrange uma área de quase 296 mil Km² e é composto pelos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. A população total do território é de 79.435 habitantes e nele estão inseridas 11 terras indígenas.

As informações obtidas durante a visita servirão de subsídio para a Oficina do Colegiado Territorial, de 15 a 17 de abril, na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira. Sob coordenação da Funai, a Oficina pretende avaliar a Matriz de Ações no Território da Cidadania Indígena do Rio Negro no ano de 2008, discutir as prioridades nos Planos e Programas em curso na região e, ao final, propor ações integradas de infra-estrutura, gestão territorial, saúde, saneamento, desenvolvimento social, educação, cultura e organização sustentável da produção. A Prefeitura Municipal de São Gabriel da Cachoeira e a Fundação dos Povos Indígenas do Amazonas (FEPI) também participam das atividades da Oficina, a partir da tarde do dia 15.

Rio Negro


O Governo Federal lançou em 2008 o Programa Territórios da Cidadania, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e universalizar programas básicos de cidadania, por meio de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável, em ações integradas com estados e municípios. No Território da Cidadania Indígena do Rio Negro foram executadas 49 ações de 13 Ministérios no ano de 2008, com a aplicação de R$ 14,5 milhões. A Funai executou R$ 416,5 mil com ações de registro civil de nascimento, construção e reestruturação de casas de cultura indígenas e identificação, regularização e demarcação de terras indígenas em 2008.

Pontos de Cultura atenderão 150 comunidades indígenas até 2010

Como forma de garantir a documentação, divulgação e a valorização da diversidade cultural brasileira a Fundação Nacional do Índio e o Ministério da Cultura anunciaram, ontem (16), no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, a implantação 150 Pontos de Cultura Indígenas. Na primeira etapa serão beneficiadas 30 comunidades indígenas da região amazônica e prevê o investimento de R$ 6,4 milhões em cinco estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso Rondônia e Roraima.

Os outros 60 Pontos de Cultura serão implantados até o fim de 2009, e os 60 restantes até 2010. “Essa é uma ação inédita, que irá potencializar a autonomia e independência das comunidades indígenas”, avaliou o presidente substituto da Funai, Aloysio Guapindaia.

O processo de seleção dos Pontos de Cultura serão discutidos e elaborados de acordo com a realidade de cada etnia, diferente do processo que vem sendo adotado pelo MinC, por meio de edital público para os não-índio.

A adequação dos espaços físicos, a instalação dos equipamentos, a utilização de conexão via satélite e a implantação do kit multimídia é visto como um grande desafio pelo MinC e Funai. “Essa tecnologia garantirá o desenvolvimento sustentável das comunidades que serão beneficiadas,” destacou o Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, Américo Córdula.

Mário Vilela
Os 30 primeiros Pontos de Cultura serão divididos em três pólos: Alto Rio Juruá (Marechal Thaumaturgo – AC), Alto e Médio Rio Negro (São Gabriel da Cachoeira - AM) e Escola dos Professores Indígenas (Rio Branco - AC). As primeiras atividades serão as Rodas de Conversa, principal estratégia da Rede Povos da Floresta para mobilizar, apresentar e validar as iniciativas pensadas junto às lideranças indígenas envolvidas. Após essas atividades junto às comunidades será realizado a adequação do espaço físico e a instalação de equipamentos. A próxima etapa será a capacitação para inclusão digital e audiovisual, em parceria com o Ponto de Cultura Vídeo nas Aldeias, de Olinda. “Essa iniciativa trará visibilidade das ações culturais dos Povos Indígenas e permitirá uma comunicação entre nós e com o mundo inteiro” ressaltou índio Ailton Krenak.



sábado, 18 de abril de 2009

Menina Ianomâmi continua no hospital


Continua no hospital mesmo contra a vontade da tribo e da Funai...

Atendendo pedido do Ministério Público do Amazonas, a Vara da Infância e Juventude de Manaus determinou ontem que uma menina ianomâmi com hidrocefalia, pneumonia e tuberculose continue sendo tratada no Hospital Infantil Dr. Fajardo, contra a vontade da própria tribo e da Funai (Fundação Nacional do Índio).
Os índios e a Funai defendem que a criança --de um 1 ano e 6 meses-- volte à sua aldeia, mesmo sem a alta do hospital. Para os índios, a menina deve ser tratada pela medicina indígena e pela medicina convencional.
A direção do hospital diz que a menina, que está respondendo ao tratamento, pode morrer se isso acontecer. A aldeia fica 639 km ao norte de Manaus.
A mãe da criança recebeu da Funai, na segunda-feira, autorização para remover a menina do hospital com apoio da ONG Secoya (Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami), conveniada da Funasa (Fundação Nacional de Saúde).
Mas, no despacho de ontem, um mandado de intimação, a juíza Carla Reis determinou que a direção do hospital mantenha a criança internada até que ela obtenha alta. O MP foi provocado pelo Conselho Tutelar da Zona Rural de Manaus.
Na terça-feira, dois índios ianomâmis tentaram retirar a criança da enfermaria, segundo a Polícia Federal.
Em nota à imprensa, o administrador da Funai em Manaus, Edgar Fernandes Rodrigues, afirma que em uma maloca ianomâmi as atividades domésticas competem à mulher e que, se ela gerar um filho deficiente, é permitido o infanticídio.
"Gerar um filho defeituoso, que não terá serventia [...], é um grave 'pecado', pois este não poderá cumprir o 'seu destino ancestral", diz a nota.
Rodrigues afirma que a"Funai respeita e acata a decisão da mãe da criança ianomâmi de interromper o tratamento médico de sua filha e levá-la para maloca. Perderemos uma vida, sim, mas temos a certeza de que outra será gerada."
Em entrevista ontem, no entanto, integrantes da ONG Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia), que defendem a remoção da menina do hospital, disseram que não vai haver infanticídio. Segundo eles, as seguidas internações da criança agravaram seu estado de saúde e ela deveria voltar à aldeia, onde seria tratada também por enfermeiros capacitados.
Há uma semana, a mãe da criança arrancou os soros pelos quais a menina se alimenta e tentou impedir que as enfermeiras fizessem o atendimento, diz a direção do hospital. A mãe foi retirada do prédio.
Hidrocefalia

A hidrocefalia é causada pelo aumento anormal do volume de liquor no cérebro, o que pode provocar pressão dele contra o crânio. O quadro pode ser causado por doenças como a tuberculose. O tratamento exige a retirada do líquido do cérebro com o auxílio de uma válvula que transporta o excesso para a região do abdômen ou por meio de um endoscópio.
A neurocirurgiã pediátrica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Nelci Collange afirma que a maioria dos casos envolve crianças e que a demora do tratamento pode provocar um estado de coma. Realizado a tempo, a expectativa de vida não é afetada e a pessoa pode chegar à vida adulta.



Fonte: Folha Online UOL

A bebê ianomâmi deficiente, deve ser entregue aos pais?

A internação de uma índia da etnia ianomâmi em um hospital de Manaus está criando uma crise institucional no Amazonas. Os pais da criança querem retirá-la do hospital e levá-la para a aldeia. Nesta quinta-feira (16), porém, a Justiça Estadual concedeu uma ordem para que a menina, vítima de hidrocefalia (condição na qual há líquido cérebro-espinhal em excesso ao redor do cérebro e da medula espinhal), permaneça no hospital até ter alta. De outro lado, a Fundação Nacional do Índio (Funai) ameaça recorrer da decisão para garantir os direitos dos pais da menina. E em meio a tudo isso está o Conselho Tutelar, que teme que a criança seja sacrificada pelos pais quando retornar à aldeia, como parte de um ritual da etnia.

A criança chegou ao hospital levada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da ONG Serviço e Cooperação com o povo Yanomami (Secoya), que faz serviço de atendimento em saúde para os índios desta etnia.

A crise em torno da menina começou no início desta semana. Na última terça-feira (14), os pais da pequena ianomâmi de um ano e meio de idade foram ao Hospital Infantil Drº Fajardo, em Manaus, para tentar retirá-la do local. Ela está internada desde março com hidrocefalia, pneumonia, tuberculose e desnutrição.


A direção do hospital acionou o Conselho Tutelar que, diante das suspeitas de que a criança seria sacrificada por ser portadora de deficiência física, acionou o Ministério Público Estadual (MPE) pedindo a permanência da criança no hospital. Nesta quinta-feira (16), a juíza Carla Reis, da 2º Vara da Infância e da Juventude, concedeu pedido de providências ordenando que a menina fique onde está até que seu quadro clínico seja considerado satisfatório.

A decisão causou indignação do administrador regional da Funai em Manaus, Edgar Fernandes. "Ela (Justiça Estadual) não tem prerrogativa para julgar esse caso. Questões envolvendo índios têm de ser resolvidas na Justiça Federal. Vamos recorrer ao MPF (Ministério Público Federal) para interceder a favor da família", disse Edgar.

Para a diretora do hospital, Glória Chíxaro, o estado clínico da menina é estável, mas a interrupção de seu tratamento pode leva-la à morte. "O quadro dela, hoje, é estável, mas se for retirada do hospital, seu tratamento será seriamente comprometido e ela pode morrer na aldeia", disse completando que a menina será submetida a uma cirurgia para drenar o líquido de sua cabeça.

Edgar Fernandes discorda do entendimento da diretora e diz que o desejo dos pais da menina de levá-la para sua aldeia é legítimo e amparado pela Constituição Federal. "Os povos indígenas têm direito às suas próprias crenças. Os pais da menina não acreditam mais na medicina ocidental e querem que ela tenha os seus últimos dias na aldeia", explicou.

Para Fábio Menezes, conselheiro tutelar que acompanha o caso, retirar a menina do hospital é sentencia-la à morte. "Na cultura deles, quem tem deficiências deve ser sacrificado. Eles já disseram à Funai que irão fazer isso. A própria Funai já admitiu que isso pode acontecer", disse Menezes.

Ainda de acordo com o documento, para evitar o transtorno de ter um integrante deficiente na aldeia, quando a criança nasce, a mãe realiza um cuidadoso exame e se constatar que a mesma é portadora de deformidade, a mesma é 'descartada'.

Fábio Menezes diz que, apesar da decisão da Justiça Estadual, vai tentar impedir que ela seja levada de volta à aldeia. "Vou tentar uma reanálise do caso. Ela não pode voltar pra lá", disse.

Para o antropólogo Ademir Ramos, o caso mostra, de forma emblemática, o choque entre as culturas indígenas e a ocidental. "O não índio não está discutindo hoje a eutanásia? Essa é uma questão já resolvida para os ianomâmis. Eles precisam de gente saudável na aldeia. Uma criança com deficiência gera uma série de transtornos aos integrantes da tribo", disse o antropólogo.

A juíza Carla Reis defendeu sua decisão ordenando a manutenção da menina no hospital. "Eu estou analisando apenas o fato de ela se tratar de uma criança. Não entrei no mérito de ela ser indígena ou não. Pra mim, ela é apenas uma criança", disse.

A magistrada admite, porém, que a Funai tem argumentos para recorrer de sua decisão. "Se eles quiserem, podem argumentar que a Justiça Estadual não tem autoridade para decidir em casos envolvendo índios. Vai depender deles", disse.

Uma reunião entre Conselho Tutelar, Funai e o Ministério Público Federal (MPF) está sendo realizada na noite desta quinta-feira. O MPF ainda não se manifestou sobre o caso

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A CULPA É DO ELEITOR/CIDADÃO – SERÁ? - Laerte Braga


Há algum tempo o escritor e “imortal” João Ubaldo Ribeiro escreveu um artigo publicado no jornal O GLOBO – o escritor publica semanalmente artigos naquele jornal – falando sobre corrupção e dando ênfase à necessidade de mudança de comportamento do cidadão comum. Segundo o autor, essa pequena corrupção, digamos assim, do dia a dia, tipo furar fila, não devolver um eventual troco a mais, seria a razão da grande corrupção. A de Daniel Dantas, por exemplo.

A rigor, a cultura da corrupção nas mínimas coisas, o que se convencionou chamar de “Lei do Gérson”, na malfadada propaganda que o extraordinário jogador fez em tempos bem idos de determinada marca de cigarros.



Nessa medida o deputado Edmar Moreira, um exemplo, seria produto dessa cultura. O senador José Sarney e família seriam resultantes dessa característica. FHC teria passado o trator, como passou, por cima do Brasil e dos brasileiros, com o consentimento tácito do eleitor/cidadão. Nem reagiu e ainda votou.



A atriz Regina Duarte,poucos dias antes da eleição de Lula em 2002, amiga íntima de FHC, instigada pelo então presidente e por seu candidato José Serra, disse à imprensa que tinha medo da eleição de Lula e os riscos, segundo ela, que a democracia poderia vir correr se a vitória do petista se confirmasse.



Um típico apelo eleitoral ao medo do eleitor/cidadão, pelo menos determinada parcela. Pretendeu somar o seu prestígio de atriz de novelas da maior rede de televisão do País, a GLOBO num momento de desespero da candidatura Serra, o jogo do abafa, um minuto para o fim do segundo tempo.



João Ubaldo Ribeiro não estava explicitamente querendo justificar ou livrar a cara de Daniel Dantas, mas estava explicando Daniel Dantas e à época de seu artigo, o chamado “mensalão”, levando em conta que deputados, senadores, os detentores de mandatos eleitorais seriam o resultado do voto do eleitor/cidadão, logo, nada se poderia fazer sem mudanças no comportamento aqui embaixo.



Trata-se de um autor de romances extraordinários. Falo de João Ubaldo Ribeiro. Não lhe confere, no entanto, a condição de oráculo absoluto dos brasileiros. João Ubaldo Ribeiro falou num determinado momento o que sistematicamente falam alguns ao longo dos tempos e com um significado perverso – o de transferir ao cidadão comum o peso da responsabilidade por tantas mazelas em nossa História.



Trotsky dizia que “as massas estão sempre à frente dos dirigentes”. Entre nós Brizola costumava dizer que o “povo vota certo”, que o problema não está no povo, mas no modelo político e econômico que acaba por transformar o certo em errado, ou então em coisa nenhuma. Que na prática é coisa deles, os donos.



Nas eleições de 1970, em plena ditadura militar, o número de votos válidos foi menor que o de brancos e nulos. Já um sinal do descontentamento com o regime militar e que se tornaria explícito nas eleições de 1974, quando partido de oposição obteve uma vitória estrondosa nas eleições legislativas.



FHC atropelou a tudo e todos no projeto de privatização do País, implantação do modelo neoliberal comprando deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição. O primeiro a falar em reeleição foi Collor de Mello. Foi após ser eleito presidente da República em 1989. Falou em reeleição, um mandato e em parlamentarismo a seguir, num projeto de poder de 20 anos. Ia transformar o carro brasileiro que chamou de carroça em carro de verdade. E nem brasileiro é, continua a não ser. O carro ou Collor, tanto faz.



Com o fracasso de Collor, FHC passou a ser o homem de Wall Street para a condução dos “negócios” e a reeleição veio goela abaixo do brasileiro, do cidadão eleitor, fato tornado público, pelo todo poderoso Sérgio Motta, uma espécie de primeiro-ministro de FHC e homem chave na compra dos votos da reeleição.



O segundo mandato de FHC foi obtido depois de manobras as mais variadas para evitar uma disputa eleitoral que colocasse os objetivos em risco (caso da candidatura Itamar Franco pelo PMDB, abortada a tapas e muito dinheiro) e o presidente acabou reeleito com menos de um terço dos votos do eleitorado dito válido.



Em se tratando de democracia, a legitimação da fraude, da impostura e da ilegitimidade. Guardadas as devidas proporções, a reeleição de FHC foi o 1968 da tal democracia. O golpe dentro do golpe do neoliberalismo.



É claro que há uma parcela de responsabilidade do cidadão/eleitor em todo esse processo, mas é mínima diante da realidade. O modelo de sociedade que foi construído no pós-guerra fria (o fim da União Soviética). A chamada globalização. O neoliberalismo, a entronização do deus mercado. Já havia sido eliminado o “diabo” comunista, a URSS e se tornava necessária, rapidamente, a construção da nova sé, agora em New York, em Wall Street.



O povo brasileiro só entrou nesses arranjos todos para pagar as contas.



Era preciso substituir as legiões que tangidas iam pelas ruas gritando “Deus, pátria e família”, por consumidores frenéticos e desvairados na busca do tênis da moda, nos corpos esculpidos em academias, a partir das mentes dominadas por um impressionante poder da mídia concentrada em poucas mãos. As mãos dos sacerdotes do modelo. William Bonner é uma espécie de arcebispo.



A “sociedade do espetáculo” na magistral definição de Guy Débort. A da fama instantânea e com 15 minutos de duração, a visão sarcástica e precisa de Andy Wahrol. O clássico um “dia você aparece na GLOBO, nem que seja ameaçando pular do alto de um prédio qualquer de 20 ou 30 andares”, na ironia de Darcy Ribeiro.



O grande desafio hoje é o da comunicação. Da “fábrica” de robôs em série. Da fantástica capacidade de transformar a irrealidade em realidade e fazer com que se aceite o anormal como normal.



Você é chicoteado e explorado de todas as formas possíveis, mas sorri e assenta-se à mesa do algoz num almoço ou jantar com todos os alaridos de quem vive a normalidade anormal dos dias atuais, sem se dar conta que é apenas uma rês tangida e moída em todo esse processo.



É a percepção clara desse fenômeno que faz com o governador de São Paulo José Serra seja favorito às eleições presidenciais de 2010. Corrupto notório, ligado a grupos mafiosos de seu estado (o mais rico e poderoso da Federação), controlado por grupos internacionais, mas favorito.



Quando se pergunta a um típico cidadão/eleitor a razão de ser da preferência por Serra ele explica sem explicar. “É para mudar”. Mas admite que se tivesse chance preferia um terceiro mandato para Lula. Mudar o que então? Ou vagas explicações sobre “o presidente precisa ser um gerente”, como se o País fosse uma agência bancária, ou uma revendedora de automóveis.



A absoluta falta de formação mínima nos fundamentos míseros da participação popular. Mas a totalidade preenchida pelos BBB da vida e a preocupação em saber que a televisão está funcionando a contento e os comerciais estão garantidos. E toda engrenagem montada para vender esse aparato, o modelo, para fazer crer que um sujeito sem nenhum princípio ou caráter como José Serra venha a ser um “bom gerente”.



Se espremer um pouco e buscar informações do cidadão/eleitor sobre o governo de Serra em São Paulo, ele não tem a menor idéia. Foi lhe plantado um chip para que simplesmente aceite José Serra como sendo o melhor.



É só uma repetição piorada de FHC. É só uma retomada do processo de venda e entrega do Brasil.



É de fato um gerente. Mas dos “homi”, dos lá de fora.



O desafio da comunicação passa pela tarefa hercúlea de formação e conscientização popular. Quando ACM Neto, vocação de títere e coronel político, espinafra um senador como Heráclito Fortes por ter permitido a votação de um projeto que proíbe a políticos serem detentores de concessões de emissoras de rádio e tevê, ele está apenas defendendo interesses político e econômicos do que representa. É dono de rádios e tevês em seu estado. E o mais importante, sabe o peso da comunicação no processo de perpetuação desse modelo.



Vende as notícias ao seu feitio, ao feitio de seus interesses. Molda as massas segundo suas conveniências. Cria a imagem do coronel bonzinho que substitui o chicote pelas cestas básicas. Forma legiões de zumbis que se acreditam cidadãos. Que se vestem e comem do que os doadores de sua campanha eleitoral querem que seja vestido e comido.



É um modelo que se replica por todo o País.



É preciso apagar a memória e a mídia cumpre esse papel com perfeição. É preciso desqualificar os eventuais opositores e a mídia se presta a esse papel com perfeição. É só olhar o que está acontecendo com o delegado Protógenes Queiroz. Prendeu um banqueiro e ele o juiz que condenou o criminoso correm riscos. O banqueiro não. Tem o controle do Congresso, da dita suprema corte e encurralou o presidente da República. Só corrupção? A corrupção é conseqüência disso. O banqueiro que é amigo e parceiro do favorito José Serra, tem mais de mil concessões para explorar o subsolo brasileiro. Quer dizer, vender, entregar.



São os “negócios”.



E aqui embaixo, o pobre coitado, responsabilizado por todos os males que afligem o Brasil não tem a menor idéia que o sapato que usa e segundo a tevê é a moda suprema – aquele negócio de uniforme, todo mundo com o mesmo sapato na rua – é produto de trabalho escravo na Índia. Ou na Indonésia. Ou no Timor. Ou no Brasil.



É isso aí, patriotismo acendrado com havaianas nos pés. Chega com a bandeirinha do Brasil para inflar o peito de cada um de um orgulho nacional que é gerido e comandado pelos de fora.



Se der zebra para eles, Ermírio de Moraes, que é amigo do peito de Serra, como de FHC vai correndo no BNDES, pega o dinheiro do FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR e vende uma parte do seu banco para o governo. E depois sai desmatando de forma inconseqüente, matando sob o manto da lei e garantido pelas instituições e pela mídia. Gera progresso, traz “empregos”.



Furar fila a gente resolve por aqui mesmo. Uns gritos e uns xingamentos sadios, o furão volta logo para o devido lugar. Furar o bloqueio da mídia, principal braço do poder para a dominação, esse é o desafio.



Enquanto existir quem acredite que a FOLHA DE SÃO PAULO ou VEJA sejam veículos de comunicação e não jornal e revista de propaganda e venda a serviço dos donos, de gente como Dantas, vai ser difícil romper essa barreira e vai continuar sendo fácil atribuir a culpa ao eleitor/cidadão.



É inclusive uma forma de amesquinhar cada vez mais o eleitor/cidadão. “Vê tudo isso? O culpado é você com seu voto”. Como castigo trabalha o dobro, ou perde o emprego, ou aceita as regras do jogo e prega no vidro traseiro do carro aquela velha e surrada frase “hei de vencer”.



É dessa forma que é possível transformar um pilantra de alto coturno como José Serra em favorito nas eleições presidenciais de 2010. Mais ou menos o Brasil se lasca de vez se esse favoritismo se confirmar.



Uma das manchetes do portal G1 – GLOBO – quarta-feira, dia 15 de abril, lido por milhões de pessoas, é que Juliana Paes confirma o seu bom humor rindo com um amigo enquanto se preparava para embarcar num vôo no Aeroporto Santos Dumont. Sorria, seja bem humorado.



Outra, era a de fiscais – boçais – de uma empresa que presta serviços ao governo do estado do Rio, a SUPER-VIA. Cuida dos trens urbanos. Os ditos fiscais, em meio um problema no desembarque de passageiros – a manada – chicotearam, chutaram, cuspiram em trabalhadores e trabalhadoras, às 6h20m. Recebem do governo para prestar um serviço público, em contratos fraudados para todos ganharem, inclusive os do governo estadual e a culpa é dos moradores das favelas. Vai daí, Sérgio Cabral enche o Rio de muros para evitar que os pobres desçam dos morros e “contaminem” os iluminados.



É a tal tolerância zero. Quem não aceita o grilhão e sorri à mesa com o algoz se dana. E ainda leva a culpa.



Uma das preocupações da Constituição de 1988 foi a de devolver ao Município o papel de célula básica no edifício institucional. Autonomia no que diz respeito à cidade. As grandes empresas hoje se valem de armadilhas contidas na lei para varrer do mapa as cidades e por extensão o cidadão. As contradições jurídicas que retiram do cidadão/eleitor o direito de decidir sobre questões de extrema importância, caso do meio-ambiente.



É nesse cipoal todo que Serra vai galgando os degraus da “empresa” para ser o “gerente.”



O cidadão/eleitor é só um cordeiro que se imagina inserido no processo quando consegue comprar nas Casas Bahia pelo milagre do crédito e dos juros extorsivos. Que imagina um dia virar sub-gerente.



O modelo é esse. Ração de “progresso” e tecnologia para o gáudio dos donos.



Vem em pacotes de troque a vida pelo medo e ande pelas ruas sem brilho e sem luz, mas cumpra os seus deveres. Aceite o algoz, junte-se a ele e imagine-se gente. É o que fazem.



E ainda acham quem nos transforme a todos em culpados. Aí, chame o Edir. Falo do Macedo, ele ajuda e está sempre disposto a um torneio qualquer de sinuca e uma bola a mais é sempre uma bola a mais. Zumbi do mundo real. O ideal é o sorriso Juliana Paes. Passeie com ele e pronto.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

POEMA DA AMAZÔNIA - Regina Eenas Martins


Em meio ao seu verde, o fogo arde queimando o nosso pulmão. Os pássaros perdem seus galhos, em desespero voam sem rumo na imensidão. Os animais correm em círculos, perdidos na fumaça da morte certa.

Os gritos das aves, dos animais, das plantas... Não são ouvidas pelos homens do poder sem visão... Que não reconhecem o ciclo da natureza que tenta em desespero... Limpar o ar que sujamos com nossos carros, nossas indústrias... Quebrando o ciclo da água, reduzindo as chuvas... Até chegar as grandes cidades, nos nossos campos que na seca matarão os gados... A abundancia das frutas brasileiras desaparecerão das nossas mesas. Haverá dor naqueles que por muitas vezes jogaram as frutas no lixo... E lágrimas rolarão sobre os olhos daqueles que a colhiam para comer... Sentindo-nos impotentes, perguntaremos a nós mesmos: O que fizemos com a nossa Amazônia? O que não fizemos por ela...

Amazônia poderá ter a maior enchente - Vera Padilha

O diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil, Agamenon Dantas, afirmou que o sistema hidrográfico dos rios Negro e Solimões, em Manaus, poderá sofrer a maior inundação desde 1953, quando houve uma cheia histórica recorde, que influenciou diretamente toda a bacia amazônica.

Naquela época, o nível do rio chegou a 29,69 cm. A previsão para este ano é que chegue a 29,68 cm no mês de junho, quando tradicionalmente ocorre o pico da cheia.

Dantas fez o alerta durante audiência pública realizada pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados. A previsão é feita em três fases, primeiramente com 75 dias de antecedência, em março, que indica 70% de chance de acerto, depois com 60 dias (que será feita no final de abril) com 87% de probabilidade de acerto e, por fim, com 30 dias de antecedência, o que garante acerto de 95%.

De acordo com Dantas, atualmente o nível dos rios está em 28,10 cm, 16 cm superior ao mês de abril de 1953. A média diária para este período é de um aumento de 2 cm diários do nível dos rios, mas apenas hoje o nível subiu 6 cm. O cálculo é realizado através da apuração pluviométrica em cerca de 300 estações distribuídas pela chamada Amazônia Ocidental.

"É importante que que estes dados sejam divulgados com antecedência. Caso se confirmem as enchentes, será necessário uma preparação de todo o Estado, principalmente porque temos a previsão de permanência da cheia por cerca de 60 dias", destacou Dantas.

Agência Brasil

quarta-feira, 15 de abril de 2009


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Paises e religiões só são atrasados porque assim querem os seus dirigentes - A Corarem de dizer - Ir Alberto


Paises e religiões só são atrasados porque assim querem os seus dirigentes. Não há interesse para o grupo dominante deixar o atraso.


Exemplo nº 01 : O Congo é uma das nações mais ricas em recursos naturais do mundo. No entanto uma guerra civil inferniza esta nação há mais de quarenta anos, desde que os belgas lhe concederam independência. Ao tempo do dominio belga, o Congo era um paraiso terrestre. Não havia fome. Não havia crimes.

No caso do governo do Congo aprovar e COLOCAR EM VIGOR a Lei da Renda Minima, a guerra cessará. A pobreza acabará. E o Congo será alçado a condição de nação de primeiro mundo A fome acabará, as crianças voltarão para as escolas, os doentes terão hospitais e medicamentos.

Exemplo nº 02 -As religiões israelita e protestante, em razão de acreditarem na sola scriptura, são as duas religiões monoteistas mais atrasadas do mundo no momento.

Se , contudo, seus dirigentes resolverem revogar a solascriptura , permitindo o aperfeiçomaneto de suas legislações , elas serão alçadas a condição de religiões adiantadas.

Toda religião que adota e confere a um livro o status de Palavra de Deus e a homens status de profetas de Deus , é uma religião atrasada. Basta revogar estes institutos para se modernizarem

Exemplo nº 03 - os silvícolas brasileiros da amazônia viveram durante doze mil anos sem cometer um unico pecado contra Deus e um unico crime contra o semelhante. Viviam em um Paraiso Terrestre, em Terras Sem Males

Isto se deveu ao fato de que eles nunca emprestaram a nenhum Livro o status de Palavra de Deus e nunca acreditaram que um homem fosse intermediário ( profeta) de Deus entre eles.

A religião dos silvícolas pregava que o Deus de Todas as Nações falava com eles quando desejasse, e para tanto usava o farfalhar das folhas das árvores, o miado das onças , o canto dos passaros , o calor do sol, o brilho das estrelas, o barulho do atrito do corpo dos peixes com a água, o sibilar do vento contra a montanha, a beleza das donzelas, o vigor dos guerreiros, a sabedoria dos anciãos . Em todas as criaturas Deus deixava escrito sua Vontade, seu Desejo. E eles compreendiam muito bem.

Por isto esta religião sempre foi a mais adiantada do mundo.

Ir alberto


terça-feira, 14 de abril de 2009

RELIGIÕES ATRASADAS E ADIANTADAS - Ir Alberto



O homem complica o que é simples. Qualquer pais atrasado pode alçar a condição de pais adiantado. Basta que seu Parlamento aprove a Lei da Renda Minima.

Se deu certo para a Suécia, Noruega, Islândia, Suiça, Finlândia, Dinamarca, Alaska, Canadá com certeza dará certo para todos os paises que seguirem este exemplo

O Brasil já deu seu primeiro passo nesse sentido aprovando a Lei 10.835/2004 , fruto do projeto de lei do Senador Eduardo Suplicy

Para que o Brasil seja elevado a nação de primeiro mundo basta uma providência simples :

alocar recursos no Orçamento da União de 2010. Só isto nada mais O resto acontecerá por consequência.

O mesmo se aplica as religiões. As religiões atrasadas são aquelas que possuem legislação ultrapassada. Religiões adiantadas são aquelas que tem legislação atualizada

A religião judaica é a mais atrasada das religiões abrahamicas, já que adota o instituto da solascriptura , que proibe a atualização de sua legislação.

As religiões protestantes solascripturistas também são atrasadas porque adotam a sola scriptura.

Lutero, sem o saber e querer, ao criar a sua sola scritptura, condenou as religiões protestantes ao atraso.

A religião catolica romana tem uma legislação mais adiantada do que a judia e as protestantes solascripturistas , já que não adota a solascriptura

Das religiões de comunhão catolica a mais adiantada é a Catolica Carismatica já que sua legislação foi atualizada no ano de 2004

E já precisa de uma nova atualização.

As duas religiões mais adiantadas do mundo são a espirita e a dos indios galibis . A primeira porque admite revisão constante de suas leis e a segunda porque simplesmente não tem lei escrita a seguir . Os galibis são governados pela vontade de Deus que a manifesta no farfalhar das folhas das árvores, no miado da onça pintada, no canto do uirapuru, no barulho do atrito do corpo dos peixes com a água, na beleza do luar, no calor do sol , no sibilar do vento contra a montanha
Gostaria de ouvir a opinião dos colegas de lista sobre este tema de grande importância para a humanidade, já que as religiões tem importante papel na construção das Terras Sem Males

Pensemos nisto,

Ir Alberto



PAISES ATRASADOS E ADIANTADOS - Ir Alberto

Os paises adiantados são aqueles que conseguiram superar os problemas de alimentação, saúde, educação, habitação e lazer.

Estão nesta categoria os paises escandinavos , o Canadá e o Estado do Alaska

Todos estes paises tem uma coisa em comum - Aprovaram a Lei da Renda Minima, segundo a qual todos cidadão com mais de dezoito anos ou estrangeiro que more no pais há cinco anos, tem direito de receber do Tesouro Nacional uma renda minima capaz de suprir as necessidades básicas acima citada. Estes paises são autênticas Terras Sem Males

O Senador Eduardo Suplicy acredita em Terra Sem Males. E tanto acreditou que lutou , colocou toda sua força e prestigio na tramitação do seu projeto de lei que a instituia em nosso pais

No dia que o Presidente da Republica sancionou a referida Lei, que tomou o numero 10.835 /2004 , o Senador beijou a testa do Presidente e disse que o Brasil deixava para trás
seus problemas básicos. Dali para a frente não teriamos mais :

meninos de rua ;
desempregados ;
sem tetos;
sem terras;
sem saúde;
sem escola;
famintos;
aviões do trafego
A violência seria reduzida aos níveis do paises do primeiro mundo

Mas a lei da renda minima até hoje não pegou no Brasil .

Ajudem a tornar realidade esta lei enviando um e-mail para o seu deputado federal ou senador e autoridades da área econômica para que aloquem no Orçamento da União/2010 recursos para implementá-la



Pensemos nisto

Ir alberto

visite o site:
http://www.igrejacatolicacarismatica..org.br/
Na paz do Senhor!

domingo, 12 de abril de 2009

Martinha (bororo) e Juliana (terena) na Fazenda Campo Novo.


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Cuicuros do Xingu - Foto: Renato Nicolai


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A Coragem de Dizer - Ir Alberto


De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus.. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco.
( trecho da carta que o Grande Chefe Seattle enviou ao Presidente dos Estados Unidos da América em 1865 , referente a proposta de compra do seu território)

O dia 19 de abril de 2009 deve ser considerado o DIA DA LIBERTAÇÃO DOS INDIOS BRASILEIROS, pois foi nesta data que o Poder Judiciário Brasileiro reconheceu o direito dos indios yanomanis de continuarema a habitar suas terras, as mesmas que o Grande Espírito, o Deus de Todas as Nações, das nações do homem selvagem e do homem civilizado, dos homens de todas religiões, lhes deu há doze mil anos atrás.

Pensemos nisto

Ir alberto
A coragem de dizer


Lei vai permitir punição a índios que cometem crimes - Ir Alberto

Uma mudança na legislação bancada pelo governo permitirá que a Justiça puna os índios que cometem crimes com o mesmo rigor com que são julgados os demais brasileiros.
O texto do novo estatuto dos povos indígenas, que substituirá a legislação de 1973, será fechado no fim deste mês e define que os índios não são inimputáveis e têm plena capacidade para compreender o significado de seus atos. Para condená-los, a Justiça precisará avaliar se o ato praticado está de acordo com os usos e costumes da comunidade indígena a que pertence e se o índio tinha consciência de que cometia uma ilegalidade.
O novo texto corrige uma incongruência da legislação brasileira. O estatuto dos povos indígenas, que vigora desde 1973, diz que o índio é inimputável, ou seja, que não pode ser punido por seus atos porque não teria condições de saber o que é certo ou errado. A Constituição de 1988, por outro lado, diz que os indígenas podem ir à Justiça defender seus interesses. Poderiam, portanto, ser punidos também por seus atos. A divergência entre as normas criou situações antagônicas no Judiciário. Em alguns casos, os índios ficavam impunes; em outros, mesmo sem a perfeita noção de que haviam cometido um crime, eram julgados com o mesmo rigor que o não-índio.
Para evitar decisões que se choquem, o novo texto exigirá a produção de um laudo antropológico que determinará até que ponto aquele índio sabe que a conduta praticada é criminosa e para investigar se o ato está ou não de acordo com os valores culturais de seu povo. Essas informações serão consideradas pelo juiz na hora de dar o veredicto. Se o ato praticado for ao encontro de seus valores culturais e costumes da comunidade a que pertence, o índio não será punido. Caso contrário, será julgado como qualquer brasileiro. Além disso, a Justiça poderá livrar o índio que já tiver sido punido por sua comunidade. De acordo com o texto, que precisa ser aprovado pelo Congresso, cabe somente aos juízes federais decidir sobre as disputas que envolverem direitos indígenas. A proposta pode tirar da Funai a incumbência de defender os índios perante o Judiciário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Ir. Alberto

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A lenda do uirapuru é interessante. Escute e música e leia- Barbet


Um Jovem guerreiro estava apaixonado pela filha do cacique de sua tribo, homem poderoso e violento, mas não alimentava a menor esperança de um dia tomá-la como esposa.Por isso contentava-se em admirar de longe a figura de sua amada. Essa situação foi se prolongando, o jovem índio ficando cada vez mais desesperançado em conseguir atender os anseios de seu coração, até que um dia, não suportando mais tanta dor, pediu a Tupã que o transformasse em passarinho...

Penalizado com a situação do rapaz, o deus indígena concordou em atendê-lo, fazendo com que assumisse a forma de um pequeno pássaro, de plumagem colorida, cabeça vermelha, fronte e garganta amareladas e as coxas brancas, que à noite cantava enternecido para a sua amada, pousado na árvore mais próxima à sua cabana. Porém, quem percebeu o canto maravilhoso não foi a jovem índia, mas sim o seu pai, que ficou tão fascinado com o passarinho, que passou a perseguí-lo pela floresta, pretendendo prendê-lo. E nessa ânsia afastou-se tanto da aldeia que acabou perdido na mata e nunca mais conseguiu retornar. Naquela mesma noite o Uirapuru voltou a cantar para a sua amada na esperança que ela finalmente o ouça e o receba, quebrando assim o encanto.
Lindo mesmo!
beijos da Barbet

19 DE ABRIL/ DIA DO ÍNDIO - Ir Alberto

Indio fala Tupi-Guarani (Musica de Anna Ly) by Yara Brasil



Indio no Brasil nao eh eh respeitado! Vamos nos preocupar com eles, o homen branco ja levou tudo que nois tinham, e hoje o que restou, eh soh a dor... De volta as raizes! Vamos respeitar nossa Cul...

E eu que sou uma pessoa de cor? - Por Bruno Clemente

A Bíblia é Humana - por Cristiano Fádel

A Bíblia é uma construção histórica dos homens, coerente com o tempo de cada escritor e/0u tradutor.

Não conheço os detalhes do processo de construção dos textos bíblicos e suas possíveis adulterações, mas posso comentar de formar ampla a construção e o desenvolvimento do conhecimento humano. A mãe das invenções é a necessidade, já disseram alguns. No entanto, somente isto não basta. As invenções surgem por necessidade mas o seu aperfeiçoamento atende também à capacidade criativa do ser humano, que avança sempre em seus questionamentos, percebendo novas nuances da mesma necessidade ou novas necessidades.
A evolução humana atinge desde o campo mental até o corpo físico. Tudo evolui, inclusive a natureza. O Espiritismo demonstra que mesmo a natureza inanimada, o reino mineral, também tem o seu processo evolutivo.
O homem observa, apreende, questiona, elabora reflexões, desenvolve conceitos. Tudo isso se condiciona a cada etapa do conhecimento humano, também histórico, além de obedecer à etapa de desenvolvimento de cada cultura, cada povo.
Esse é o contexto que devemos entender a escrita dos textos bíblicos. Cada homem que parou para escrever, traduzir ou reescrever os textos da "Escritura Sagrada", colocou ali a sua herança cultural, como definem alguns autores mais afeitos ao marxismo. Ou seja, o escritor fez um texto através do filtro de sua compreensão.
Assim, não podemos condená-lo abertamente, nem também aceitar suas idéias, sem as devidas reservas. O escritor bíblico atendeu à sua fé e às suas necessidades de momento. Para compreendê-lo, temos que analisá-lo como um sujeito histórico. A prática de ler a Bíblia como uma verdade inconteste, retira a historicidade e temporalidade inerentes a cada escritor. O mesmo podemos afirmar sobre os tradutores, que, presumivelmente, apenas transfeririam o texto de um idioma a outro. As pesquisas demonstram que além das transformações de conceitos próprias de cada idioma, o tradutor imbute o seu entendimento pessoal. Isso demonstra o texto bíblico como uma composição literária, produto da compreensão e das intenções humanas sobre a construção de um contexto teológico, que deveria servir de base à posteridade.
Assim, questionando se a Bíblia é a palavra de Deus, podemos responder em duas direções: sim, pois se trata de uma manifestação do conhecimento humano, que reflete a criação divina na naturea; não, se a encararmos como verdade universal, incoerente com a sua real natureza de livro obtido da capacidade cognitiva do homem e seu tempo.

Abraços
Cristiano Fádel

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Maikóvski, No caminho com...Barbet


"Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói, assim me aproximo de ti, Maiakóvski.

Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro com um poeta soviético.
Lendo teus versos, aprendi a ter coragem. Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo,arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheia ao terror. Os humildes baixam a cerviz; e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto a ousadia me afogueia as faces e eu fantasio um levante; mas amanhã, diante do juiz, talvez meus lábios calem a verdade como um foco de germes capaz de me destruir.
Vamos ao campo e não os vemos ao nosso lado, no plantio.
Mas ao tempo da colheita lá estão e acabam por roubar até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso defender nossos lares mas se nos rebelamos contra a opressão é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo, por temor aceito a condição de falso democrata e rotulo meus gestos com a palavra liberdade, procurando, num só sorriso,esconder minha dor diante de meus superiores.
Mas dentro de mim, com a potência de um milhão de Vozes, o coração grita.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Uma droga barata, mas de tarja preta...Cassio Lopes




Na falta da fé e de conhecer o poder da oração, veja o que vai ganhando espaço...
Rivotril: por que o medicamento é o segundo mais vendido no país?
Uma droga barata, mas de tarja preta, contra a ansiedade vende mais do que os tradicionais Tylenol e Hipoglós.




PALIATIVO
Ecleide em seu quarto, em Santo André. Ela sofre de insônia e sentia-se melhor antes de abandonar a psicoterapia.“Parei por relaxo”, diz. Hoje, só dorme com Rivotril
Alguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade – tarja preta, vendido apenas com retenção de receita – se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o velho Rivotril, que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o ranking dos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica. Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar.
O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país – vende menos que anticoncepcionais, analgésicos, antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países.
A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina. Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades, castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram “assustador” – e que depõe frontalmente contra a imagem de “nação feliz” que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar.
O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receita de Rivotril. “Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro”, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Mas ele pode mascarar quadros mais graves.” O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. “Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum”, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro. “Mas o atendimento é tão precário que nem se nota a diferença..”
O terceiro fator que contribui para a venda de Rivotril é o que o psicanalista Plínio Montagna chama de “glamorização do ato de medicar-se”. No passado havia preconceito contra os remédios psiquiátricos. Recentemente, houve uma guinada cultural e eles passaram a ser vistos como resposta a todos os problemas da existência. Os médicos (sobretudo os que não são psiquiatras) receitam remédios psiquiátricos com total desenvoltura. Da parte dos pacientes, também existe a expectativa de que isso aconteça.Todos têm pressa.
“Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam”, diz Montagna, que é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Questões existenciais são tratadas como sintomas médico-psiquiátricos, com a colaboração de “uma avassaladora quantidade de dólares” gastos em publicidade pela indústria farmacêutica. “É frequente eu receber para tratamento pacientes com dosagens excessivas de medicação ou coquetéis de diversas substâncias, sem que os aspectos psicológicos tenham sido levados em consideração”, afirma o psicanalista, que também é formado em psiquiatria.
Por trás da precariedade do sistema de saúde e do modismo da medicação, existe a crescente incapacidade das pessoas – e dos médicos – em conviver com um dos sentimentos mais enraizados da psique humana, a ansiedade. Ela está lá desde os primórdios do homem, associada a temores e ameaças indefiníveis. Embora desagradável, é um dos motores da existência. Faz parte da nossa constituição evolutiva. “Ela é um estado de alerta, um estímulo para produzir. O contrário da ansiedade é a apatia”, diz o psicanalista Eduardo Boralli Rocha. Totalmente diferente dessa ansiedade benigna é a combinação explosiva de urgência, competição e sentimento de exclusão que caracteriza o nosso tempo.
“As pessoas sentem que em algum lugar está havendo uma festa para a qual elas não foram convidadas e têm de correr atrás”, diz Boralli. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, dizia que a ansiedade era o sintoma de algo que não estava bem resolvido interiormente. Ele diferenciava entre a ansiedade produzida por uma situação externa real e aquela imaginada ou brutalmente amplificada por nossos medos interiores. A primeira não deveria ser medicada, mas ela tornou-se tão presente, tão avassaladora, que é isso que tem sido feito, em larga escala.

Carmen, em sua casa em Porto Alegre. Ela sofre de transtorno bipolar e toma Rivotril há cinco anos. Tentou parar, mas teve uma crise de abstinência. “Estou conformada em depender do remédio para sempre”, diz
Um exemplo está na coleção de propagandas de ansiolíticos acumulada pelo professor Elisaldo Carlini, coordenador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo. São folhetos promocionais que os laboratórios deixam nos consultórios médicos. Um deles mostra uma mulher com um largo sorriso depois de tomar um remédio que corrigiu a ansiedade gerada por três bilhetes recebidos ao mesmo tempo: um do marido, avisando que chegará tarde para o jantar; outro do filho, dizendo que vai trazer o time de basquete para o lanche; e o terceiro da empregada, avisando que faltou ao trabalho porque foi a um posto de saúde. “Viver dá ansiedade, mas criou-se a cultura de que problemas cotidianos devem ser enfrentados com remédios”, diz Carlini. “As mulheres, principalmente, aprendem que precisam ser magrinhas e calminhas.”
Quando indicado segundo os melhores critérios, o Rivotril pode ser bastante útil no tratamento da ansiedade generalizada. O paciente vive angustiado, preocupado, nervoso. Dorme mal, não se concentra e se irrita por qualquer coisa. Sozinho, no entanto, o remédio não resolve o problema. O tratamento depende também do uso de outros recursos, como antidepressivos, psicoterapia e atividade física. O mesmo vale para o tratamento de outros transtornos, como síndrome do pânico, fobias e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Enquanto os antidepressivos demoram cerca de duas semanas para começar a agir, o Rivotril age rápido, assim como outros ansiolíticos (Lexotan, Valium, Frontal etc.). A função desses remédios é ser uma ponte temporária até o início da ação dos antidepressivos. Ou um apoio. A síndrome do pânico, por exemplo, é tratada com antidepressivos. Quando o paciente enfrenta situações que podem provocar recaídas, é comum que o médico recomende que tenha o Rivotril sempre à mão.
Esses remédios, no entanto, não devem ser usados por muito tempo e sem rigoroso acompanhamento médico. Eles podem causar dependência. Há pessoas que desenvolvem dependência em cinco anos. Outras se viciam em menos de 30 dias. Podem ocorrer crises de abstinência com a interrupção da droga. Os sintomas mais comuns são insônia, irritabilidade excessiva e tremores. Não há dose segura contra o vício. “Rivotril não deve ser remédio de uso contínuo. Deve ser reservado para as crises agudas e usado por no máximo seis semanas”, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., coordenador do Projeto de Saúde Mental da Mulher do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Na prática, muitos pacientes recebem a receita de Rivotril e passam meses sem ser vistos por um médico. Quando voltam a consultar um profissional de qualquer especialidade, dizem que o anterior receitou o remédio e se sentiram bem. Acabam saindo do consultório com uma nova receita.
A professora gaúcha Carmen Paula Pinto, de 40 anos, toma Rivotril há cinco, como parte do tratamento de transtorno bipolar. Reclama de efeitos colaterais como sonolência e boca seca. Mas o que mais a incomoda é o enfraquecimento da memória. “Quando leio um livro, muitas vezes tenho de voltar à mesma frase, ao mesmo parágrafo. Uma vez até cheguei a esquecer o que havia almoçado”, diz. Há três anos, decidiu parar de tomar o remédio por conta própria. Sentiu sintomas de abstinência, como tontura e falta de equilíbrio. Depois de alguns meses, decidiu voltar ao remédio. “Estou conformada em ter de depender do remédio por um bom tempo ou até para sempre.”
Carmen é acompanhada por um psiquiatra e compra o remédio de acordo com a orientação dele. Uma parcela dos consumidores chega ao remédio por meio de outros expedientes. “Muita gente consegue adquirir ansiolítico pela internet ou compra receitas em consultórios de quinta categoria”, afirma Rennó Jr. Em uma das pesquisas coordenadas por Elisaldo Carlini, do Cebrid, descobriu-se que um único médico fez mais de 7 mil prescrições de ansiolítico por ano. Houve casos também de falsificação dos receituários. As receitas que ficavam retidas nas farmácias continham o mesmo número de série ou o CRM de médicos mortos ou inexistentes. Formas ilícitas de acesso ao remédio alimentam o uso recreativo de Rivotril. Ele virou um clássico nas baladas entre jovens que o misturam com ecstasy ou álcool. Há várias comunidades no site de relacionamento Orkut criadas por usuários dessa combinação. O Rivotril potencializa a função do álcool. Em doses excessivas, a mistura pode levar ao coma. Há outro tipo de uso, associado ao ecstasy e à cocaína, drogas que deixam as pessoas ansiosas. Elas tomam Rivotril para tentar neutralizar esse efeito. Segundo os especialistas, não adianta.
Por trás do crescimento das vendas do Rivotril há uma história de marketing que merece ser contada. Até 1999, o remédio era promovido entre os médicos apenas como um anticonvulsivante. Era um mercado restrito. Nos últimos anos, surgiram estudos que comprovaram que ele funcionava contra a ansiedade. O fabricante passou a divulgar essa aplicação entre psiquiatras, cardiologistas, neurologistas, geriatras etc. “O sucesso do Rivotril é decorrência do aumento dos casos de transtornos psiquiátricos e do perfil único do nosso produto: ele é seguro, eficaz e muito barato”, diz Carlos Simões, gerente da área de produtos de neurociência e dermatologia da Roche. “E o baixo preço protege o produto.” O Rivotril é 600% mais barato que o seu principal concorrente, o Frontal, da Pfizer. Outra característica ajuda a explicar por que ele vende tanto. É o único de sua categoria disponível também na apresentação sublingual – gotas que agem rápido se colocadas embaixo da língua.
Na casa da aposentada Ecleide Moreira Rodrigues, de 60 anos, não pode faltar Rivotril. Ele é usado com duas finalidades distintas: o filho de Ecleide sofre de epilepsia e não fica sem o remédio. Há um ano, ela também virou adepta do medicamento. Não consegue dormir sem ele. Descobriu que a causa da insônia era estresse e depressão. Chegou a fazer psicoterapia e percebeu que passou a dormir melhor.. Mas parou antes de receber alta. “Por relaxo”, diz ela. Em casos como o de Ecleide, a psicoterapia pode dar ótimos resultados. Mas não costuma ser um percurso fácil. Para vencer a ansiedade não basta recorrer a umas gotinhas de Rivotril a cada crise. É preciso reorganizar a vida.

Os riscos da tranquilidade em comprimidos
Os efeitos dos ansiolíticos mais vendidos, conhecidos como benzodiazepínicos
O QUE ELES FAZEM
Inibem algumas funções do sistema nervoso, causando relaxamento muscular, sonolência e diminuição da ansiedade
PARA QUE SERVEM
Estimulam a ação de um ácido (conhecido como gaba) no cérebro. Ele inibe a ativação de áreas relacionadas ao medo e à ansiedade
QUANDO DEVEM SER USADOS
Com outros remédios, são indicados para tratar vários transtornos mentais. Não são recomendados para aplacar tensões do cotidiano
QUAIS SÃO OS EFEITOS COLATERAIS
Sonolência excessiva e diminuição da coordenação motora. Podem ocorrer dificuldades no processo da aprendizagem e da memorização
CAUSAM DEPENDÊNCIA?
Sim. Algumas pessoas desenvolvem dependência em cinco anos. Outras se viciam em menos de 30 dias. Podem ocorrer crises de abstinência
COMO EVITAR A DEPENDÊNCIA
Não há dose segura contra o vício. Quanto menor a dose, menor a probabilidade de o paciente

REVISTA ÉPOCA - 19/02/2009

assio Lopes