Barack Obama cumpriu o ritual, obedeceu às tradições e publicamente perdoou o peru Coragem. A ave colocada sobre uma espécie de mesa nos jardins da Cervejaria Casa Branca comportou-se à altura do momento e, quieta, recebeu o perdão presidencial.
É que amanhã é dia Ação de Graças, feriado nos Estados Unidos e milhões de perus serão servidos durante o almoço dos norte-americanos. Como o presidente Lincoln determinou que o peru fosse perdoado numa sugestão que norte-americanos deveriam se perdoar, todos os presidentes seguintes fizeram o mesmo.
A bem da verdade a intenção de Lincoln não logrou o resultado pretendido. A guerra civil – Guerra da Secessão – explodiu e os Estados Unidos continuam até hoje em guerra contra quem se lhe desafie ou contrarie seus interesses.
Vale registrar que caso Coragem, o peru perdoado, não tivesse um comportamento correto, um outro peru, reserva, estava pronto para substituí-lo e receber o perdão de Obama.
Coragem e o reserva viajam agora para a Califórnia em vôo especial e lá vão passar num local com características de hotel cinco estrelas, o resto de seus dias.
Amanhã outros milhões estarão sendo servidos às mesas norte-americanas. Dentro do território dos EUA, para os soldados espalhados pelo mundo nas bases e países ocupados e a democracia estará salva. O perdão mais uma vez fica como registro das intenções pacíficas, democráticas e cristãs deste maravilhoso país, onde as pessoas invadem escolas, escritórios, bases militares, matam colegas, e Obama, como todos, roga a proteção divina para que possam continuar garantindo a segurança mundial.
Na África, um exemplo, o maior, milhões morrem de fome e talvez nem saibam o que seja peru. No máximo galinha d”Angola.
Obama manifestou indignação com o fato de ter sido morta por apedrejamento uma cidadã da Somália, acusada de adultério. Criticou o atraso dessas tradições (são boçais sim, indiferente do aspecto e características culturais). Na França a cada dois dias morre uma mulher vítima de violência doméstica, via de regra praticada pelo marido. O governo está criando uma pulseira e um sistema para socorro imediato a essas vítimas.
Esse é outro tipo de boçalidade. É civilizado.
O governo golpista de Honduras distribuiu instruções sobre a votação de domingo quando querem eleger na marra um novo presidente. É simples de entender. O povo não está convocado a votar, isso é eufemismo. Ou vota ou leva porrete. Claro está que a ausência será vista como ação rebelde, terrorista, contra os que salvaram o país de Zelaya e garantiram os “negócios” da banana e do tráfico para os empresários, banqueiros, além da base militar dos EUA onde se treinam militares latino-americanos para golpes militares em seus países.
A ordem é simples. Baixar o porrete.
Nesse caso Obama não perdoou o povo hondurenho. Acobertou os golpistas.
Se pensarmos bem são cidadãos hondurenhos, não são perus norte-americanos. Há uma enorme diferença entre uns e outros. As democráticas instruções do governo golpista podem ser lidas na íntegra em com direito a timbre, chancela oficial e tudo.
http://hondurasurgente.blogspot.com/2009/11/golpistas-e-torturadores-ameacam-quem.html
Significa dizer que hondurenhos não têm seu dia de peru. Ou por outra, de peru Coragem, mas sim de almoço para norte-americanos e seus sequazes militares e golpistas de um modo geral.
Outro que tem tomado bordoada por todos os lados é o presidente do Irã, Mahamoud Ahmadinejad. O iraniano em momento algum disse que o Holocausto não existiu e foi inventado por Israel. Essa afirmação foi colocada em sua boca pela mídia cristã, democrática e ocidental para melhor atender à fome de perus palestinos dos insaciáveis sionistas de Israel.
O que Ahmadinejad disse foi simples. Israel usa o Holocausto como pretexto para o genocídio que pratica contra o povo palestino e que no Holocausto não morreram só judeus, mas homossexuais, ciganos, negros e adversários de Hitler. E disse algo que soou terrível às lideranças terroristas de Tel Aviv. Que muitos judeus (banqueiros), aderiram ao regime nazista, foram beneficiados por Hitler e alguns se tornaram colaboradores diretos do regime, do Reich.
Foi aí que aprenderam a como tratar palestinos.
Muito pior ainda, que esses judeus que aderiram a Hitler sequer tomaram conhecimento do sofrimento dos judeus prisioneiros em campo de concentração, voltaram as costas a essas pessoas e que o papa Pio XII, nazista de carteirinha, como Bento XVI, num acordo com Hitler, entregou judeus para salvar o Vaticano e suas riquezas.
É muita verdade de uma vez só para mentirosos contumazes e aí precisam do socorro da gravata de William Bonner.
Corre o boato que Obama é negro e viveu na África em condições miseráveis. Só boatos, isso é produção de Hollywood. Obama é branco da gema e se bobear ariano puro.
Por coincidência ou não, o peru Coragem, perdoado pelo presidente, é branco como neve.
Geyse Arruda, a moça do vestido curto, hostilizada por colegas e expulsa (depois expulsão revogada) pela direção da Universidade Bandeirantes (empresa que vende diplomas), desistiu de continuar seu curso, disse que vai prestar alguns vestibulares ano que vem e escolher o que for o melhor curso. Não conseguiu segurar a barra e está vivendo seus quinze minutos de glória e fama.
Num desses programas de tevê que pululam por aí no formato terror disfarçado de comédia e critica, não conseguiu responder a perguntas simples, assim do tipo dois e dois são quatro. Caiu de quatro.
Tudo bem, nada disso invalida a irracionalidade dos colegas e da UNIBAN, como é conhecida a Universidade, mas serve de sugestão. Que tal por exemplo sabatinar a apresentadora Maria Beltrão sobre cada um dos assuntos que trata no seu programa “ponto I”, ou qualquer coisa assim? Mas sem o teleprompter e o diretor.
Será que a moça tem idéia do papel que cumpre, toda sorridente, crítica e vai por aí afora?
Tem não, aposto, deve imaginar que tal e qual naquela propaganda os japoneses provavelmente inventaram a roda.
Esse perdão presidencial do peru lembra, nunca é demais, a história do judeu prisioneiro num campo de concentração que ao saber da morte do cachorro do comandante prontificou-se a substituí-lo fazendo melhor o papel que o cão fazia, ou cumpria. O general comandante pensou e aceitou. Ao final, quando o campo foi libertado pelas forças aliadas ele simplesmente não conseguia ser outra coisa que não cachorro.
Cair de quatro dá é nisso.
Obama deveria ter chamado Bento XVI para coadjuvar o perdão.
sábado, 28 de novembro de 2009
O PERDÃO DO PERU - Laerte Braga
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Uma Carta para Lula - Barbet
Nosso trabalho de mobilização pelo clima tem sido um desafio e tanto. Explicar para a população nas ruas temas como as consequências das mudanças do clima, a reunião da ONU em Copenhague ou o impacto de cada um de nós no aquecimento global é um trabalho que exige paciência, dedicação e muito compromisso.
Mas, durante nosso trabalho somos presenteados com momentos de esperança e inspiração, como a carta para o presidente Lula escrita pela aluna Luise, do Colégio Auxiliadora de Manaus. Além de pedir ao nosso presidente que zele pelo futuro das gerações, Luise fez um desenho de um mundo melhor - onde países, cidades, continentes, ONGs e pessoas estão juntos, determinados a lutar por um planeta sustentável.
Veja a carta
Ajude-nos a estender o banner gigante pelo Clima - Barbet
Faltam apenas 12 dias para a Conferência do Clima em Copenhague. Ainda dá tempo de você, com o Greenpeace, enviar o recado para o presidente Lula levar metas ambiciosas de redução de emissão de gases de efeito estufa, fundamentais para o controle climático. O Greenpeace e a população brasileira levarão essa demanda na forma de um gigantesco banner para Brasília - e precisamos de sua ajuda para que ele vire realidade. Contribua com R$ 15 para a compra de um quadradinho deste banner, que levará o seu nome na internet. Quer saber como? Clique aqui
Leia Mais…O ENCANTO DOS ORIXÁS segundo Leonardo Boff via Flávio Perri - Bismarck Frota de Xerez
Adital - 23/11/2009
Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.
O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.
O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento incessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso país criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteísmo, mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.
A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.
Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Álvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.
Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, "os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores".
Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.
[Autor de Meditação da Luz. O caminho da simplicidade. Vozes 2009].
* Teólogo, filósofo e escritor
MINHAS DESCULPAS HOMER SIMPSON – ABÓBORA É BONNER E OS “ELEITORES DAS GRAVATAS” - Laerte Braga
Um desses amigos que você guarda no coração a vida inteira, não importa quanto tempo fique sem vê-lo, no caso até porque amizade é cimentada também por ser pai de duas lindas pequetitas, me alerta para o “twitter” de William Bonner.
Lá o robô coloca todos os dias a cor do terno que vai usar à noite no JORNAL NACIONAL e pede sugestões sobre a gravata. Perto de 250 mil abóboras sugerem um monte de combinações. Não raro o robô, claro a equipe, manda a pergunta “quem quer um bom dia responda eu”. Chovem as respostas, os “eus”.
Homer Simpson me perdoe tê-lo comparado a esse monte de abóboras. No máximo você bebe cerveja (mas, por favor não beba as da cervejaria Casa Branca) e assiste umas partidas de futebol (também gosto e hoje me ufano de ser tricolor). Não perca tempo com “twitter” dizendo que quer um bom dia, o tal “eu” e, a bem da verdade, a série onde você é o personagem principal, resta sendo uma crítica bem humorada e inteligente ao american way life.
E eu, fosse você como nós, sugeriria um processo numa corte distrital contra Bonner por tê-lo comparado aos abóboras que dizem “eu”.
Bonner não é a bem dizer um abóbora. É um mau caráter só isso. Um sujeito que se presta ao papel de mentir sem piscar os olhos e faturar em cima exatamente desse monte de abóboras, além, lógico, do que lhe pagam os patrões, os donos.
Eu cheguei, arrependido e chateado de ter comparado plantações de abóboras humanas (humanas?) a pensar em Aldous Huxley e seu conceito que enxerga o ser humano, pelo menos dito assim, como escravo de seus desejos e morto na ausência de valores imateriais e perenes.
Tenho certeza agora que está certa a OMS (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE) quando afirma que a depressão será a segunda maior causa de morte a partir do ano 2020, superada só pelas doenças cárdio/vasculares, que não deixam de ser parte desse processo.
Em caso de crise existencial corra ao “twitter” de Bonner, escolha a cor da gravata e proclame “eu”. Não precisa colocar o nome porque não existe esse eu como indivíduo, ser, sujeito de si próprio, tão somente uma abóbora transgênica. Se a crise persistir corra a um shopping e se não tiver jeito, espere a dose da noite, a edição do JORNAL NACIONAL.
Imagino que abóboras do “eu” iam entrar em desespero suicida se lessem Hegel, olhe o contrário de Marx, ou vice versa é mais correto dizer assim, que ”a consciência de si existe em si e para si quando e porque ela existe em si, e para si diante de uma outra consciência de si, isto é, ela só existe como ser reconhecido”.
Gilbert Bécaud, Et maintenant”, num dado momento, “dans le miroir ... Joguem os espelhos fora, quer dizer, deixem apenas os de FHC e Bonner, do contrário vão viver de que?
JORNAL NACIONAL é uma ficção? Um programa de entretenimento? Que tal sortear ou rifar as gravatas de Bonner para instituições de caridade? Com direito a autógrafo. Boninho, o tal que gosta de jogar água suja em “vadias” (que nem os caras do condomínio que assaltaram uma doméstica porque negra e parecia vadia), levar gravatas para o BBB e promover uma tarde de “quem quer um bom dia”.
Respostas pela net e por telefones celulares de qualquer operadora a um custo de tanto, mais comissões, lógico e impostos.
Milhões de abóboras com certeza. Num sei o que é pior se o aleluia de Edir Macedo ou o “eu” do pastor Bonner.
É um espetáculo, onde as pistas têm ranhuras como convém aos mais modernos aeroportos e onde o dinheiro, os “negócios” ficam sendo “a vida do que está morto se movendo em si mesma”, Hegel mais uma vez.
Não sei se você vai entender Homer, mas de qualquer forma, desculpe. Conhece Gabel? Estabelece que essa correlação entre ideologia do espetáculo e a esquizofrenia andam de mãos dadas.
Estão lá no “twitter” do Bonner, num monte de “eus”.
A “falha da faculdade do encontro”. Um fato alucinatório, a falsa consciência do encontro, a “ilusão do encontro”. E aí Debort – “numa sociedade que ninguém consegue se reconhecido pelos outros, cada individuo torna-se incapaz de reconhecer sua própria realidade. A ideologia está em casa; a separação construiu seu próprio mundo”.
“O espetáculo é a imagem do espelho”, o “pagamento dos limites do eu e do mundo do esmagamento do eu”.
E por fim, tudo isso é pedido de desculpas a você Homer, até por ter acreditado em Obama, “a necessidade anormal de representação compensa aqui o sentimento torturante de estar à margem da existência”.
“Eu”
Não precisa se preocupar com nada disso, beba sua cerveja, veja seu futebol, mas por favor, não assista ao tal JORNAL NACIONAL, do contrário você perde o que de idiota íntegro.
Começa a escolher cor de gravata e a gritar “eu”.
Vou mudar, trocar o número do telefone, vou olhar o mar, de repente me deu uma baita vontade de ouvir Chopin, Bécaud canta tudo isso.
Desculpe Homer Simpson, Bonner no duro é mau caráter, abóboras não têm nada a ver com você que tem nome e identidade e ainda usa crachá. Abóboras gritam ávidos apenas “eu”, sem saber que estão mortos.
Nem tente entender essas coisas, muito menos vá atrás de mescalina para encontrar as “portas da percepção”. Conforme-se com o admirável mundo novo”
E quando encontrar Bonner, faça como um dos seus fez, ou você mesmo, não me lembro, fez com Pelé. Logo em seguida ao anúncio das verdades sobre colgate, coloque sobre a mesa o monte de dinheiro/ração.
Pronto, está feito o serviço. Aí é só esvaziar e guardar na caixa até o bom dia seguinte.
Aposto que Bonner usa aquele spray que você coloca no carro e a mulher do caixa do pedágio larga tudo para segui-lo vida que segue. Ou aquele que “é tão inteligente quanto você” e a aproximação de “humanos” solta aromas da natureza. Não adianta ficar fazendo papagaiadas à frente do dito, ele é bem mais inteligente tenha a certeza, vai liberar aromas a cada trinta minutos ou a um toque.
No banheiro então! Diga apenas “eu”. É um monte com cara e cheiro de Bonner.
Muito cuidado com Arnaldo Jabor e Miriam Leitão, o Butantã ainda não conseguiu um antiofídico capaz de eliminar o veneno, é fatal. São anencéfalos e propagam a doença.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
QUE TAL ESCOLHER AS NOTÍCIAS AO INVÉS DA GRAVATA? - Laerte Braga
Toda essa badalação em torno do apresentador do JORNAL NACIONAL William Bonner tem como pretexto os 40 anos do noticiário e como razão de ser a constante perda de audiência, conseqüência de outra perda, a da credibilidade.
Como a prática da GLOBO é mentir em função de interesses que representa e formar no batalhão de veículos que procura moldar a opinião pública a esses interesses, resolveram transformar Bonner numa espécie de princípio, meio e fim da notícia, da verdade, daí o lançamento de livro, conferências compradas em universidade públicas e privadas e presença em programas dos vários canais da rede, até chegar ao ridículo de permitir que o telespectador escolha a gravata a ser usada na edição do dia do porta-voz oficial de Washington e Wall Street.
Entre nós, o esquema FIESP/DASLU e PSDB/DEM.
A própria forma como Bonner tem sido conduzido aos vários eventos mostra o conceito do jornalista e da rede sobre a vítima, a que vai ser bombardeada com todo aquele conjunto de mentiras e distorções de cada dia, tanto no JORNAL NACIONAL, como nos demais noticiários da rede.
O jornalista lembra um candidato a deputado federal em Minas, ao da graça de 1970. O cidadão incapaz de pensar decorou um discurso e a todos os lugares que chegava começava “quis o destino...”
Quis o destino que os brasileiros sejam vistos como um bando de Homer Simpson, um tipo abóbora e Bonner possa mentir sem a menor preocupação de vir a ser desmentido pelos fatos, à medida que uma dose de passividade tomou conta de boa parte da população, aquela que Nixon chamava de “maioria silenciosa”.
Que tal se um dia Bonner deixasse os telespectadores escolherem as notícias da noite? Ao invés da gravata.
Na greve dos professores mineiros em 1979 uma professora virou-se para um deputado e perguntou a ele se tinha noção do preço do pãozinho de sal. Não tinha a menor idéia. Foram dadas três chances ao deputado para acertar e em nenhuma delas o parlamentar passou perto.
Não consigo entender bem esse negócio de bonecos e bonecas infláveis, a não ser pelo lado da solidão produzida em massa pelo capitalismo.
Mas não tenho dúvidas que Bonner é um deles. Não pelo lado da solidão que em si significa a necessidade do outro, mas do absoluto vazio de quem acha que no dia agá vai ressuscitar dentre os mortos e ascender aos céus sob aplausos, transmissão direta com direção de Boninho (BBB), comentários de Miriam Leitão (vão morrer milhões no Brasil de gripe suína e a economia vai para o brejo) e toda aquela corte na qual não deixará de estar presente Xuxa e sua filha Sacha.
Se estiver chovendo vão dar um jeito de arrumar uma lona imensa para que os milhares de fãs possam despedir-se do ídolo. O discurso vai de Bial cercado de BBs e ex-BBs falando sobre heroísmo.
Alexandre Garcia vai estar presente autografando exemplares antigos de ELE e ELA.
Um minuto de silêncio na bolsa, nos estádios e a dançarina Gilmar Mendes vai mandar constar de ata o pesar de toda a boate.
Por onde o cortejo for passar terão sido feita ranhuras para evitar aquaplanagens.
O monte de seguranças em torno da gravata e seu adereço, Bonner, é para evitar que um terrorista chegue com um alfinete e flim, faça um furo. Deve ser esse o barulho do furo, flim.
O canal GNT – GRUPO GLOBO – no horário da madrugada, naqueles programas que mostra os novos tempos, os novos costumes, trouxe uma ilha na Venezuela para onde vão algumas mulheres comuns e lá recebem homens sem qualquer restrição a qualquer tipo de “negócio”, digamos assim.
Segundo o apresentador as moças vão para a tal ilha tentar ganhar um dinheiro para pagar universidades, pagar tratamento dentário, ajudar no sustento da família e envergonhadas voltam para suas casas com um bolo de notas, o que resta, segundo uma delas, compensando as vergonhas enfrentadas.
Na democracia cristã e ocidental aqui mesmo, no Nordeste, é possível comprar uma virgem de 12 anos por algo em torno de 200 reais e direto com os próprios país. Na Inglaterra uma jovem negociou sua virgindade por alguns milhões de libras e outra abandonou o marido depois de receber proposta financeira excelente de um banqueiro por contrato de casamento de dois anos, renováveis por mais dois.
No programa do canal GNT, o fundo era um discurso do presidente venezuelano Hugo Chávez. No Iraque, assim que as tropas derrubaram o regime de Saddam Hussein os comandantes militares norte-americanos chegaram a conclusão que a melhor forma de começar a diminuir a resistência popular a invasão era a farta distribuição de filmes pornográficos e a presença ao vivo de algumas atrizes especialistas no assunto.
Na avaliação desses comandantes militares não haveria Islã que agüentasse.
Tentavam fazer refletir apenas a sociedade capitalista. Podre, desumana, perversa e vazia.
É só um alfinete e flim.
A Venezuela é um dos países latino-americanos onde o analfabetismo foi plenamente erradicado, a saúde pública é de boa qualidade e a educação acessível a todos os venezuelanos entre outras coisas. Por isso é preciso dizer o contrário. Nos EUA 90 milhões de norte-americanos não dispõem de qualquer forma de assistência de saúde e por isso Obama (o branco disfarçado de negro) está lutando por um novo programa governamental para diminuir essa característica de barbárie da sociedade onde se mata em bases militares, em escolas, em escritórios, etc. Terra onde Barbra Bush, mulher do primeiro George e mãe do segundo, afirma que refugiados do furacão Katrina estão vivendo melhor nos acampamentos que em suas casas (destruídas), pois pelo “menos comem três vezes ao dia”. Piedosa senhora.
As gravatas e seu manequim William Bonner são objeto e boneco repulsivos, disformes, retratos de um mundo perverso e injusto onde se pretende uma verdade única, a do espetáculo, que permite às elites cada vez mais acumular e agregar capital nas novas formas de escravidão.
Bonner não deita e dorme. Guardam a gravata e a figura repugnante é esvaziada, dobrada e guardada numa caixa até começar a mentira do dia seguinte.
Próspero e Fiel Conselhos bíblicos para administração de finanças pessoais - Próspero e Fiel
Próspero e Fiel é um livro sobre administração de finanças pessoais com base em textos da bíblia, parábolas da cultura judaica e orientações de economistas da atualidade. Além dos textos bíblicos, o livro aborda assuntos como: Em todo trabalho há proveito, dívidas (Evitar e sair), cartão de crédito, cheque especial, como as pessoas de sucesso financeiro fazem para aumentar seu patrimônio, o tempo, por que definir uma meta já é meio caminho andado, vontade, motivação, determinação, parábolas judaicas sobre o dinheiro e muito mais. Você trabalha somente para alimentar o sistema financeiro? Pagando dívidas e mais dívidas? As empresas obrigam e o mercado também exige que o trabalhador tenha uma graduação e por conta disso muitos estão cada vez mais se endividando. O que realmente você deseja para sua vida financeira? Saiba que muitos aspectos e projetos da sua vida dependem das suas finanças. Se você deseja ter uma vida financeira equilibrada certamente precisará conferir esta obra.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Café com o Presidente - Paz no Oriente Médio - Audio do Presidente Lula - Barbet
QUEM NÃO QUER A PAZ? ESTA É A GRANDE INDAGAÇÃO.
Alô, alô, presidente aqui é a Barbet!
Nas próximas semanas, a população de Recife, Manaus, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Rio de Janeiro será incentivada a pedir ao presidente Lula que se comprometa em Copenhague com o desmatamento zero, a proteção dos oceanos e o incentivo às energias renováveis.
Como? O Greenpeace colocará um “orelhão itinerante” nas ruas dessas cidades. Na semana passada a atividade foi realizada em São Paulo e Salvador. Confira a programação.
A capital dinamarquesa Copenhague sediará, entre os dias 7 a 18 de dezembro, a reunião da ONU onde será definido o acordo que limitará as emissões de gases de efeito estufa de todos os países, depois de 2012, quando expira o protocolo de Kyoto.
Além do Desmatamento Zero até 2015, o Greenpeace defende que, até 2020, pelo menos 25% da eletricidade do país seja gerada a partir de fontes renováveis de energia como vento, sol, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. O investimento nesta área criaria 300 mil novos empregos diretos no país nesse período, e 600 mil até 2030.
Além disso, propõe que o governo brasileiro transforme pelo menos 30% do território costeiro-marinho do Brasil em áreas protegidas até 2020. Os oceanos são importantes reguladores climáticos, pois absorvem o CO2 – principal gás do efeito estufa – da atmosfera. Mantê-los saudáveis é essencial para garantir a continuidade desse serviço ambiental.
[Carta O BERRO] Sobre Resistência e Grades - Vanderley Caixe
Dia 24 de novembro às 19,30 hs
no auditório Meira junior - Teatro Pedro II - Ribeirão Preto
Sobre Resistência e Grades
Livro de Maurice Politi conta a história da greve de fome realizada pelos presos políticos em 1972
Por Rui Veiga
A violência de Estado contra o cidadão brasileiro, preconizada dentro do espírito da Doutrina de Segurança Nacional, constituiu-se em prática cotidiana dos Governos Ditatoriais Cívis-Militares instalados no Brasil em 1964, processo aprofundado após a promulgação do AI - 5 em dezembro de 1968. Mais que isso, pôs nua a falácia dos principais argumentos de que em nosso país as questões políticas sempre se resolveram através do diálogo.
Uma das facetas repressoras do mencionado estado ditatorial, que sempre tratou questões políticas e sociais lançando mão do polinômio: forças armadas, polícia, aparatos paramilitares e burocracia, está representada no agora lançado livro de Maurice Politi: “Resistência Atrás das Grades” (publicação conjunta do Núcleo de Preservação da Memória Política - Núcleo Memória) e da Editora Plena, São Paulo, 208 páginas + capas, R$ 25,00).
Esse livro conta um episódio pouco conhecido da resistência à ditadura militar, fato este ocorrido no ano de 1972. Apesar do longo tempo decorrido desde então, a obra de Politi está muito distante de ser uma peça meramente histórica e conivente com o senso comum da índole pacífica da luta política neste país. E, muito menos se coloca como um mosaico de reflexões revanchistas ou saudosista sobre aquele passado. Principalmente, porque este texto revela ao leitor uma forma de luta sucedida dentro das prisões do regime militar, que tinha como foco a contestação a repressão política do estado ditatorial.
O episódio - reitera-se – é praticamente desconhecido para a maioria do público. Trata-se de uma batalha política contra um Estado, cujos alicerces se assentavam na tortura, na prisão e na morte de cidadãos, que se recusavam a compartilhar com a natureza violenta e ditatorial e se calar diante da opressão. Sistema que se implantara em nosso país em 1964 e aprofundou-se (expressão cunhada pelo então ministro da fazenda senhor Delfim Netto em seu voto a favor da implantação do AI – 5 em 13 de dezembro de 1968).
A greve de fome, peça central deste livro, deflagrou-se de surpresa nos idos de 72 entre os presos políticos de São Paulo, de forma muito bem organizada. Inclusive, talvez seja a primeira forma de luta conjunta utilizada contra a ditadura nas prisões naqueles tempos. Essa ação foi fruto da ação de um grupo grande de presos políticos condenados a longas penas, que estiveram até então confinados no Presídio Tiradentes em São Paulo (uma das muitas masmorras da Ditadura Militar) e foram transferidos para outra prisão.
O gesto extremo de protesto se deu em função da política consciente do regime militar em separar os presos considerados “recuperáveis” daqueles que a ditadura achava que eram “terroristas e sem perspectiva de recuperação para a “sociedade” a terem sua transferência à Penitenciária Regional de Presidente Venceslau, situada no extremo oeste do Estado, a 700 km da capital. Alguns dos seis presos transladados* permaneceram em Presidente Venceslau até 1976.
“Resistência Atrás das Grades” resgata com precisão de um arqueólogo, fatos históricos que, embora presentes nas mentes de muitos brasileiros, sistematicamente foram varridos e esquecidos nestes quase 40 anos transcorridos desde 1972. Período no qual a pasteurização cultural trazida pela onda da modernidade conservadora produto da globalização tentou – sem sucesso – apagar todos os sinais das lutas de resistência aos governos militares do conhecimento das gerações posteriores, que não viveram aqueles tempos.
À época dos fatos narrados no livro, o autor, um jovem militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que havia sido torturado no Dops e na OBAN em São Paulo, estava preso e condenado a dez anos de prisão. O texto construído na obra é uma peça de história viva e supera e muito a grande maioria dos escritos, que abordam a temática sobre o período pós AI – 5. Essa superação se dá em conseqüência da forma da narrativa e de seu conteúdo, que combina o lado político e os vieses emocional e humano de uma luta contra a repressão ditatorial vigente durante o Governo Médici (1969-1974).
O livro não possui um texto rebuscado, repleto de figuras de linguagem e, tampouco, estará ao gosto de alguns críticos literários (ditos isentos!!??), que em sua sanha diária de apagar as memórias políticas dos anos de então, prestam notórios serviços à desinformação e à alienação deste público brasileiro, ansioso em conhecer sua história política recente.
“Resistência Atrás das Grades” está escrito em um texto direto, totalmente baseado no depoimento direto de um jovem militante prisioneiro e, igualmente, se baseia solidamente sobre documentos da época – alguns destes inéditos e preciosos para a reconstituição daquele momento - recolhidos em diversos arquivos históricos consultados pelo autor. A estrutura narrativa é retirada do próprio manuscrito redigido por Maurice Politi ainda no calor do embate e abrange o período, que se inicia com a eclosão do movimento grevista: 12 de maio de 1972 até seu encerramento em 11 de julho do mesmo ano. Em 9 de junho, os seis presos foram transferidos presídios indo de São Paulo para o Interior. Contém também algumas páginas complementares de escritos da época, porém já quando a greve se encerrara, após os presos que lá se encontravam haverem sido integrados à população carcerária comum.
O que apaixona em “Resistência Atrás das Grades” é seu caráter documental elaborado sem preocupações com estilo e linguagem, mas preocupado primordialmente em registrar o momento da luta, seu calor e os fatos que se sucediam. Consiste em um texto sem qualquer outra preocupação que não a de deixar um testemunho dos acontecimentos dentro dos cárceres paulistas durante a ditadura militar. Inclusive, pelo fato do autor (e os demais participantes do movimento) naquele período não ter qualquer certeza sobre seu futuro e sua própria vida, porque a contestação ao governo militar em muitas outras ocasiões assassinara e torturara centenas de brasileiros.
Desse modo, temos na obra muito mais que uma preocupação literária ou historicista. No contexto desenvolvido, sente-se uma narrativa, que procura testemunhar na voz de um ator, o próprio Politi, em primeira pessoa, os passos de uma luta política, que apesar de todas as condições desfavoráveis a seus participantes, resultou felizmente vitoriosa.
A escrita do autor naquele período, talvez em uma mescla de impulsividade com a necessidade do registro momentâneo revela-se igualmente um documento histórico imprescindível para pesquisadores, estudiosos e cidadãos, que queiram conhecer as entranhas de uma ditadura, que se julgou por um tempo onipresente e onisciente.
O texto reflete os sentimentos fortes, as emoções e os naturais receios sobre as conseqüências que os presos rebelados poderiam sofrer nas mãos dos seus carcereiros: juízes militares (como o sinistro Nelson Machado Guimarães); militares e policiais torturadores; guardas de prisão e médicos coniventes com o sistema carcerário vigente. Não se pode esquecer a presença de uma imprensa praticamente cúmplice da Ditadura. Aliás, esta em seu afã de defender a opressão instaurada reproduzia periodicamente em suas páginas, matérias, informes publicitários e artigos criminalizando os revoltosos e os opositores ao regime.
Neste último aspecto, o livro de Politi apresenta também um caráter testemunhal da sociedade política (no sentido a esta oferecido por Antonio Gramsci em seu renomado escrito intitulado “Cadernos do Cárcere”). A versão e a óptica áulica sobre a ditadura por parte da imprensa pode ser constatada em edito reproduzido e estampado integralmente no livro de Políti à página 181, em editorial do jornal da Ditabranda (perdão leitores, quero dizer da Folha de S. Paulo), que “demonstrava” a inexistência de presos políticos no país de Médici, de Delfim Netto, do banqueiro Gastão Bueno Vidigal, de Fleury, de Ustra** e outros do mesmo nível. Escrevia assim àquela época (30 de junho de 1972) o jornal dos senhores Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho (também dois dos aliados de primeira hora do Golpe Militar de 1964):
“Ninguém neste país ignora também haver, ainda que tão minoritário, que inexpressivo, um pensamento contrário ao Governo e à Revolução...”. Os termos governo e revolução eram eufemismos pelos quais os adeptos da ditadura camuflavam o caráter repressivo do Governo Médici.
Felizmente a bem da verdade, da história e para os nossos tempos, o livro de Politi desmente na prática tal assertiva tão conforme com os paradigmas dos arautos daquele Poder.
* Os sete presos que seriam transferidos eram: Frei Fernando de Britto, Frei Yves do Amaral Lesbaupin, Frei Carlos Alberto Libânio (o Frei Betto), Mário Bugliani, Vanderlei Caixe, Manoel Porfírio de Souza e Maurice Politi. A ordem de transferência foi assinada pelo juiz Nelson da Silva Machado Guimarães da II Auditoria Militar de São Paulo em 7 de junho de 1972. Mário Bugliani por estar muito doente teve sua transferência comutada.
**Refere-se ao militar comandante da Operação Bandeirante em São Paulo, Major Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais torturadores do período repressivo.
Rui Veiga é jornalista e crítico literário
TERRORISTAS/SIONISTAS CONTRATAM ESCOLA DE SAMBA CONTRA AHMADNEJAD - Laerte Braga
Grupos empresariais e banqueiros sionistas (judeus) contrataram passistas de escolas de samba do Rio de Janeiro para manifestações em Ipanema, contra a visita do presidente do Irã Mahamoud Ahmadnejad ao Brasil. O presidente do Irã chega nesta segunda-feira a convite do governo brasileiro.
A manifestação terrorista/sionistas falou em direitos humanos. Milhares de palestinos foram mortos por terroristas de Israel desde 1948 em ações criminosas condenadas por organizações internacionais de direitos humanos, pela ONU. Essas violações persistem e o governo de Israel mantém hoje um muro que separa palestinos de judeus, em terras palestinas, onde tomou conta de água palestina em nome do lucro, do terrorismo sionista e da barbárie que é marca registrada do Estado de Israel.
A contratação de sambistas, passistas, baianas, a realização do protesto em Ipanema mostra o que pensam e como enxergam o Brasil os terroristas de Tel Aviv.
Israel falar em direitos humanos é mais ou menos como Beira-mar dizer que não tem nada a ver com o tráfico de drogas.
Há uma clara tentativa de pautar a política externa brasileira pelo consórcio terrorista EUA/ISRAEL. O general Shimon Peres, presidente de Israel e notório assassino de palestinos, esteve há dias no País em visita não programada, mas insinuada, na tentativa de esvaziar o impacto da visita do presidente do Irã e buscar apoio junto a organizações internacionais que atuam no País (PSDB, FIESP/DASLU, DEM, PPS, etc).
Peres, com apoio da mídia estrangeira que opera no Brasil, organizações GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO, REDE BANDEIRANTES, etc, etc, chegou a dar palpites na questão do pré-sal, sugerindo que o Brasil entregue essa riqueza a grupos estrangeiros (sionistas, naturalmente, são os principais acionistas da Cervejaria Casa Branca).
Agentes do MOSSAD, principal braço do terrorismo de Israel agem à larga no Sul do Brasil, onde existe uma grande colônia palestina e árabe de um modo geral. E o quinto maior reservatório subterrâneo de água doce, o Aqüífero Guarani. Estão interessados na pilhagem dessa água, como fizeram na Palestina.
Mahamoud Ahmadnejad é um professor universitário, foi eleito e reeleito presidente do Irã pelo voto direto do povo iraniano, enfrentou e venceu uma tentativa de golpe montada pelos EUA e por Israel e é fácil entender as razões que levam o reich sionista a tentar isolar o Irã do resto do mundo.
A perspectiva de um equilíbrio militar e econômico no Oriente Médio começa a colocar em risco as políticas expansionistas e brutais de Israel ao longo desses anos.
Boçalidade é o que caracteriza a ação de Israel em relação aos palestinos. Apropriação da água de territórios da Palestina, destruição de casas, de estruturas capazes de assegurar a sobrevivência do povo palestino (indústria, comércio), numa ação contínua, planejada e com apoio dos governos norte-americanos.
Prisões indiscriminadas, tortura, estupro de mulheres palestinas, o repertório que aprenderam com Hitler.O único acordo de paz ou tentativa de tal, firmado no governo do presidente Clinton, entre Yasser Arafat e o então primeiro ministro de Israel o general Ytzak Rabin terminou com o assassinato de Rabin por um fanático sionista e abriu caminho para a ascensão de um dos mais perversos e sanguinários líderes dos últimos tempos, o general Ariel Sharon, responsável pelos massacres de Sabra e Chatila, onde até os rebanhos foram mortos e degolados na sanha criminosa do sionismo.
De lá para cá Israel em momento algum disfarçou suas políticas terroristas. Há uma clara tentativa de criminalizar desde países que buscam resistir à barbárie do capitalismo norte-americano ou do nazi/sionismo, a movimentos populares como o MST no Brasil, tudo desembocando na percepção que nosso País tornando-se senhor do seu destino passa a influir de maneira decisiva no contexto político, econômico e militar em todo o mundo e isso não interessa nem a norte-americanos e nem a sionistas.
Ao contratar passistas e integrantes de uma escola de samba para tentar despertar a atenção das pessoas e criar um clima de repúdio à visita de um presidente de um país amigo, organizações sionistas brasileiras agem de forma descarada e nivelam o povo brasileiro por baixo, mais ou menos como aquele negócio de escolher a gravata de Willian Bonner para as mentiras do dia no JORNAL NACIONAL (nacional deles).
Qualquer dia vão escolher a cueca, a meia, enquanto torturam, matam, roubam e permanecem impunes.
Existem mais de 50 decisões da ONU condenando Israel por violações de direitos humanos (não conhecem isso, sionistas são inumanos) e nenhuma delas é acatada ou respeitada. O respaldo da Cervejaria Casa Branca ao governo terrorista de Tel Aviv é pleno e absoluto.
O Holocausto, uma realidade a que foram submetidos judeus, ciganos, homossexuais, negros, é hoje uma realidade imposta ao povo palestino pelos sionistas, pelo estado terrorista de Israel, sem diferença alguma.
A decisão do governo brasileiro de receber o presidente do Irã diz respeito ao Brasil e não a Israel, ou a norte-americanos.
Como disse o presidente Chávez é hora de começar a discutir a Quinta Internacional como forma de organizar em todo o mundo a resistência às hordas de bestas feras dos EUA e de Israel.
Ressuscitaram a suástica.
A FÁBRICA DE MENTIRAS - Laerte Braga
Para tentar entender a complexa quadrilha que conhecemos como grande mídia é necessário estabelecer as relações de cada um desses veículos de comunicação, sejam as redes de tevê, as rádios ou os jornais e as revistas.
A legislação brasileira não proíbe que um grupo empresarial detenha o controle de emissoras de tevê, de rádios, jornais e revistas a um só tempo. Ao contrário da legislação norte-americana que dispõe, inclusive, de mecanismos para evitar monopólio de audiência em redes de tevê, com a preocupação, em tese, de controle da opinião pública. No Brasil isso permite a concentração de mídias e, óbvio, uma interferência maior junto a opinião pública, a rigor um monopólio, mesmo que tevês e rádios sejam concessões de serviços públicos. À falta de legislação específica, atendem a interesses privados.
Entre nós jornal televisivo vira farsa e espetáculo quando o apresentador do principal deles, o de maior audiência, vai a um programa num canal de tevê por satélite, do mesmo grupo e “permite” que os telespectadores definam a gravata que vai usar à noite, quando da apresentação do show. O pressuposto da participação. Você decide a roupa e ele decide que verdade interessa a quem paga a gravata.
Tancredo Neves todas as vezes que queria enrolar (no bom sentido) Ulisses Guimarães sobre assuntos que entendia de risco para o antigo MDB, isso no período da ditadura, dizia a Ulisses que o fato havia sido noticiado ou no THE GLOBE (a versão editada no Brasil sob o título O GLOBO, ou no JORNAL DO BRASIL, então os dois maiores diários impressos do País.
Sabia que Ulisses lia apenas a FOLHA DE SÃO PAULO e o ESTADO DE SÃO PAULO. Era o suficiente para alcançar seus objetivos. Tanto um quanto outro eram, como são, jornais regionais, com algum alcance nacional (a FOLHA chegou a ser um jornal de ponta em todo o Brasil, hoje não é mais).
O fim do império de Assis Chateaubriand, DIÁRIOS E EMISSORAS ASSOCIADOS, começou com a ascensão da REDE GLOBO DE TELEVISÃO, pouco antes da queda do presidente Goulart. Seja pelos altos investimentos de grupos estrangeiros nas empresas de Roberto Marinho, já dentro do esquema de golpes militares que se estenderiam mais tarde a toda a América Latina, seja pelas características de Chatô, bem definidas por Fernando Moraes num livro do mesmo nome, onde descreve e conta a vida da primeira versão cabocla de Cidadão Kane brasileiro.
A entrada em cena da EDITORA ABRIL se deu a partir da revista REALIDADE, mensal. “O CRUZEIRO” (semanal, edição em três línguas e cinco milhões de exemplares a cada uma das edições) estava indo ladeira abaixo e MANCHETE e MUNDO ILUSTRADO, outras duas revistas de circulação mais ou menos nacional, além de ALTEROSA, restrita a Minas Gerais, não conseguiam ou não conseguiram decolar, limitaram-se a determinados espaços.
O GRUPO ABRIL deliberadamente tratou de temas considerados tabus à época e vendeu através de REALIDADE, a imagem de revista progressista, independente. Chegou a ser retirada das bancas em algumas oportunidades, como quando apresentou uma pesquisa sobre a conduta sexual do jovem brasileiro, isso no final da década de 60, algo então impensável num País governado por generais que se escoravam na tradição, na Pátria, na família. Mas a moda deles e com o lucro para eles.
O tema, comportamento sexual dos jovens, aparentemente polêmico, era uma época de profundas mudanças nos costumes, servia a conquistar público mais tarde a ser iludido nas mentiras de Diogo Mainardi.
Em 1974, com a vitória do MDB em dezessete estados da Federação nas eleições para o Senado, o presidente Ernesto Geisel percebeu que era necessário estabelecer algo mais que censura prévia nos veículos de comunicação. Era preciso modificar todo o processo de comunicação, rádio e televisão principalmente, quebrando redes regionais e unificando a linguagem a ser vendida aos brasileiros, logo, o modo de ser, a idéia, o como vestir, como comer e como ser patriota.
A GLOBO foi o principal agente desse processo. O avanço foi muito além daquele negócio de mudar a legislação eleitoral e transformar o que se pretendia fosse um debate democrático, numa exposição ridícula de retratinhos e currículos.
Começa aí a ganhar vulto o que já vinha sendo desenhado desde o golpe de 1964. Um Brasil que pensa igual, onde os valores culturais de cada região eram violentados e substituídos pela cultura de massas vendida pela GLOBO.
Se alguém tiver dúvidas sobre o caráter da GLOBO, do grupo GLOBO num organismo de uma nação como o Brasil, não tenha dúvida que é um câncer. Que corrói as entranhas do ser, dos sentimentos nacionais, da cultura brasileira e nos transforma a todos em objetos diante de um mundo que desce ladeira abaixo num processo de autofagia a que chamam progresso.
Existem GLOBOS espalhadas por todos os cantos do mundo.
Um bobalhão ávido de sucesso e a veicular mentiras como o faz William Bonner diariamente, esse tipo de figura desprezível existe também em vários cantos e pior, costumam se levar a sério. É padrão estabelecido pelos senhores.
Os antigos donos de grandes impérios de comunicação em seus países, hoje aumentaram o espectro Kane, são senhores de impérios mundiais.
Vendem o modelo político e econômico, vendem o capitalismo. No prodígio da tecnologia você compra um relógio a dez reais num camelô em qualquer rua de qualquer cidade e pode se gabar que a peça tal foi fabricada em Taiwan, a outra na Índia, uma terceira na Indonésia e todo o conjunto foi montado em Manaus.
Essa forma de ser, esse modo de produção, é também o fim da referência do trabalhador consigo e seu trabalho, mesmo na velha e presente luta de classes.
A mídia no Brasil hoje trabalha dentro do esquema do neoliberalismo, da chamada nova ordem econômica (nascida com o fim da União Soviética), vende a idéia que a notícia será ou terá maior importância se William Bonner estiver usando a gravata que você escolhe através de uma eleição democrática, ou por telefone (dando ganho às operadoras), ou pela net, acessando o portal do grupo.
Nessa medida e levando em conta a natureza do capitalismo nos dias atuais, as principais quadrilhas que operam a economia estabeleceram um modus vivendi bem semelhante, ou melhor, semelhante ao das máfias clássicas e criaram regras para manter o controle.
Tudo se baseia no pressuposto que estamos vivendo num estado de direito, onde a ordem democrática é garantida por instituições sólidas e sérias, assim como o STF presidido por uma “dançarina”, o ministro Gilmar Mendes.
A mídia entra aí nesse esquema escorada na aparente seriedade, ou na forma de alerta que faz aos brasileiros para manter intocados os privilégios, os feudos e preservar essa nova Idade Média, a da tecnologia, do fantástico mundo dos robôs, das bonecas e bonecos infláveis, da dança do Faustão. E até aos 43 anos, depois, vai para o almoxarifado de bonecas imprestáveis ao consumo e ao imaginário das pessoas.
E uma grande plantação de abóboras que Bonner chama de Homer Simpson, ávidos de esganarem os Nardoni, sem se perceberem esganados em cada palavra da senadora Kátia Abreu, ou cada crise histérica do governador paulista José Jânio Serra, ou cada cheirada do governador de Minas Aécio Neves, tudo enquanto FHC constrói sua pirâmide e o mundo toma conhecimento que o faraó se deixou seduzir por uma bela cozinheira e lá estão, cozinheira e filho funcionários do Senado Federal.
Mas o grande culpado, o vilão, neste momento no Brasil, é Cesare Battisti. Daniel Dantas é um empreendedor que gera empregos e progresso, Protógenes Queiroz um delegado que teima em atrapalhar tudo com essa mania de não saber distinguir ladrões de galinhas de ladrões de cofres públicos e na abalizada opinião de Dona Miriam Leitão o Brasil não tem competência para cuidar do pré-sal, deveria entregar logo e cuidar de organizar a tabela do próximo campeonato ou voltar suas atenções para a edição do BBB de 2010.
É uma nova categoria, os BB e os ex-BB.
A mídia no Brasil é a soma de umas poucas e fechadas máfias. Controlam o País inteiro, informam o que bem entendem e quando o cordeiro cisma de beber água abaixo do local onde o lobo bebe, coloca a boca no trombone reclamando liberdade de imprensa.
Com gravata escolhida democraticamente pelos telespectadores o apresentador do JORNAL NACIONAL diz sem qualquer escrúpulo, ou peso na consciência que a queda do avião da TAM aconteceu por não existirem ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas, cujas obras foram feitas às pressas com finalidade eleitoral.
No meio do caminho surge uma pedra, o reverso e do reverso se descobre que a manutenção é precária, o avião no dia anterior já apresentara problemas num pouso, aí VEJA socorre e transfere a culpa de tudo para o piloto.
Ou com gravata democrática ou não, decide o dito apresentador, que mais importante que o acidente com um avião da GOL é um dossiê falso comprado a um delegado corrupto, tudo montado, para tentar influir no resultado das eleições.
Só nessa gravatada toda somamos pelo menos 300 mortos. E o governo passa a ser culpado. Culpado do mau caratismo da empresa, a TAM, da morosidade e corrupção de alguns setores da justiça nos processos das famílias das vítimas.
Em vias de ir à falência, em 2002, a GLOBO pegou 250 milhões de dólares do BNDES numa das mais torpes chantagens da história da política e das comunicações no Brasil. Jogou Roseana Sarney para o alto nas pesquisas do IBOPE, montadas evidente, para oferecer ao prejudicado imediato, José Jânio Serra a solução, os tais 250 milhões de dólares e a cabeça de Roseana.
E assim em cada estado brasileiro, ou alguém acha que Aécio ganha loas do ESTADO DE MINAS, um dos últimos sobreviventes dos DIÁRIOS E EMISSORAS ASSOCIADOS, por conta dos seus olhos, ou porque tem bons contatos na direção da empresa. É só pegar as contas do governo mineiro e ver quanto se gasta em publicidade direta e indireta e fazer o mesmo com o paulista, nas milhares de assinaturas de revistas da EDITORA ABRIL.
RBS no Sul, jornais estaduais no Norte e Nordeste e os coadjuvantes (estão perdendo espaços, leitores, tiragens bem menores, mas ainda assim perigosos) FOLHA DE SÃO PAULO, ESTADO DE SÃO PAULO, etc, etc. O ESTADO DE SÃO PAULO ainda tem um atenuante, acredita que o Brasil é governado por Pedro II e a escravidão não foi abolida. Não saiu do século XIX. Tem medo de chegar ao XX, que dirá ao XXI, até em termos de conservadorismo.
O jornal FOLHA DE SÃO PAULO edição de 20 de novembro, traz um suposto inquérito existente na Polícia Federal, já desmentido, que liga Cesare Battisti a atividades terroristas no Brasil. Nessa mania de mentir sempre que se torna necessário socorrer uma das máfias, ou abrir espaços para notícias mentirosas, faz pouco tempo que o jornal forjou uma ficha criminal da ministra Dilma Rousssef, desmentida pelo onbudsman da empresa.
Quem ganhou? O onbudsman perdeu, lógico. A verdade não interessa. Esse negócio de onbudsman é igual infográfico, você começa lá do começo e quando chega no fim não tem noção de coisa alguma, exatamente o objetivo desse jornalismo de mentiras, confusões deliberadas.
A decisão de cinco dançarinas do STF entendendo que o Brasil deve entregar Cesare Battisti ao governo da Itália acabou prejudicada quando uma delas entendeu que essa decisão em instância final pertencia ao presidente da República. Como pertence. Imagine a reação da estrela da companhia de danças Gilmar Mendes. Entre outras coisas perde a chance de acrescentar à sua coleção de medalhas a ordem do macarrão. Berlusconi costuma entregá-la em festas nos seus palácios, onde sobram mastros para exibição de dotes artísticos tanto de dançarinas como de que tais.
A campanha para pressionar Lula começa com as declarações da velha cafetina José Sarney, antes alvejado por essa mesma mídia e ganha fôlego, abre o cenário hoje, na tal inquérito que a FOLHA menciona.
Mais ou menos como se um monte de chefes mafiosos decidissem eliminar um perigo, um inimigo, um intocável, se agrupassem num determinado lugar e ficassem aguardando uma senha. Tipo assim, “garotas de Berlusconi”. “filhos de FHC” (não que isso importe, o problema é outro, é esconder e tentar criticar adversários com esse tipo de argumento).
Aí começa o tiroteio.
Será que alguém faz idéia do número de jornalistas demitidos ao longo da história por terem se mantido íntegros? Não precisa ir longe, no ESTADO DE MINAS, em Belo Horizonte, a pedido de Aécio ou da irmã querida do governador? Ou em São Paulo, a pedido de José Jânio Serra?
De profissionais humilhados por se recusarem a mentir?
Bonner não está nesse meio. É mentiroso por vocação, aceita e cumpre o papel e ainda deixa que você, que ele chama de Homer Simpson, trata como abóbora, escolha a gravata do dia.
E um monte deles. Jabor, Miriam Leitão, Alexandre Garcia, Délia Ortiz, Lúcia Hippolito, Eliane Catanhede, todo um exército de pistoleiros à disposição de Capones de maior ou menor porte, seja Marinho, seja Frias, seja Mesquita, seja Civita.
A grande mídia não é uma fábrica de chocolates como no filme. É uma fábrica de mentiras, montadas na estrutura de uma sociedade de espetáculos em que somos aqueles que entramos com as cabeças cobertas por abóboras nas receitas da especialista em flora e fauna Ana Maria Braga, a conservada senhora em formal e que nos brinda com um louro mecânico sempre pronto para salvá-la de cada mancada, cada barbárie.
A mídia é isso. Um braço de interesses maiores.
E Cesare Battisti é só um bode expiatório dessa gente.
Jorge Risquet – A África é uma dívida histórica - Vanderley Caixe
Fazia um calor sufocante no solar onde viviam Jorge, os pais e quatro irmãos - outros três já tinham morrido de doenças infantis hoje já desaparecidas em Cuba e perfeitamente curáveis - em Havana. A grande casa tinha 24 quartos e em cada um deles, sem banheiro, vivia uma família. Era gente demais, todos muito pobres, a maioria trabalhadores de diversos ofícios, alguns informais. O pai de Jorge trabalhava numa “tabaquera”, empresa de fabricação do charuto cubano. Mas foi essa babel que possibilitou ao menino de 11 anos começar a vida de professor, ganhando, inclusive, o suficiente para pagar o quarto onde morava a família toda. “Nós estávamos sempre nos mudando porque meus pais não conseguiam pagar os aluguéis”. Então, para ajudar nas despesas Jorge e a irmã improvisaram uma lousa no pequeno quarto onde viviam e ensinavam os demais garotos do solar que não podiam ir à escola, porque era longe e eles não tinha sequer um sapato para usar. Cobravam alguns trocados, mas com isso garantiam o aluguel. O menino era Jorge Risquet Valdés, que mais tarde veio a ser um dos organizadores da educação na guerrilha cubana e um dos comandantes da campanha de Cuba na África, nos anos 60. Naqueles dias, ele, que era um dos melhores alunos da escola fundamental, já estava apto para passar ao ensino médio. Mas, para estudar na Cuba pré-revolucionária, era preciso ter dinheiro. Sem chance, ele, então com 13 anos, foi buscar os cursos oferecidos gratuitamente pela Juventude Revolucionária Cubana.
Apesar da pouca idade Jorge não era um analfabeto político. Os pais, trabalhadores do tabaco, tinham profunda consciência de classe. É que em Cuba, na produção de charuto era assim: as pessoas ficavam ali, enrolando as folhas, no mais completo silêncio. Por conta disso, os trabalhadores inventaram um bom jeito de se instruir e ficar por dentro da literatura revolucionária. Faziam uma “vaquinha” e contratavam um leitor, alguém que ficava ali, lendo, enquanto todos trabalhavam. “O leitor trazia uma lista de títulos e os trabalhadores escolhiam. Liam Gorki, Vitor Hugo, Cervantes Martí, Tolstoi e muitos outros”.
Pois foi por conta destas leituras que a família Risquet sempre esteve em dia com os temas do mundo. O irmão mais velho de Jorge, inclusive, alistou-se para ir à Espanha lutar contra a ditadura de Franco. Cerca de mil cubanos foram. Então, durante a segunda guerra e o horror nazista, Jorge já estava envolvido até os dentes na organização da juventude revolucionária. Quando em 1944 funda-se em Cuba a Juventude Socialista, Jorge está lá e toma para si a tarefa de organizar os jovens num grande bairro de Havana. No ano seguinte, durante o Congresso Nacional Constituinte da Juventude, ele, com 15 anos, é eleito membro do Comitê Central.
Aos 16 anos de idade Jorge comanda o jornal quinzenal “Mella”, que levava o nome de um grande comunista cubano, e ali ficou até os 20 anos. “Os trabalhadores cubanos sempre foram muito politizados. Para se ter uma idéia, quando Lênin morreu, as tabaqueiras pararam em sua homenagem, e nas guerras de independência do século XIX entregavam dinheiro – um dia de salário por semana – para comprar armas, tarefa que realizava o partido Revolucionário Cubano, fundado por José Martí, para preparar a terceira e última guerra de independência de Cuba. Em 1951, quando acontece o golpe de estado que eleva Batista ao poder, Jorge é um dos que se manifesta contra pelo rádio, na região de Matanzas onde encabeçava a Juventude Socialista e a polícia o persegue. Meses mais tarde vai para o exterior como representante da Juventude Socialista cubana na Federação Mundial da Juventude Democrática. Nesta função ele circula pela América Latina, Europa central e Leste europeu.
É em 1952, em Viena, na Conferência Mundial pelos Direitos da Juventude que Jorge conhece o jovem Raul Castro, então com 21 anos e representando a delegação cubana no evento. Dali eles atravessam a cortina de ferro e seguem para Bucareste, onde iriam organizar o Comitê Preparatório do Festival Mundial da Juventude. Lá ficam de dezembro de 52 a abril de 53. Raul segue para Paris de onde embarca para Cuba com dois guatemaltecos. Mas, o fato de os dois companheiros terem desembarcado cheios de livros “subversivos” fez com todos acabassem presos. Os guatemaltecos logo saíram por intervenção da embaixada do seu país, ainda sob o comando de Jacob Arbenz. Mas Raul ficou. Foi um brilhante jovem advogado quem entrou com um habeas corpus que tirou Raul da cadeia pouco menos de um mês do ataque ao quartel Moncada, que desataria a revolução cubana. O advogado bom de conversa era Fidel Castro. “Por pouco Raul não perde a ação de Moncada”.
Quando acontece Moncada Risquet está Bucareste, justamente nos dias do IV Festival Mundial e já começa a articular uma campanha internacional pela libertação dos prisioneiros, afinal Raul era um membro da juventude e organizador do festival. Foi por aqueles dias de organização de campanhas e festivais que Jorge conhece, em Bucareste, o jovem estudante de medicina Agostinho Neto que mais tarde viria a ser uma das mais importantes lideranças de libertação da África negra. Junto com ele, freqüentando os alojamentos latino-americanos – embora representassem Portugal – iam também a Marcelino dos Santos.
Em 1954 Jorge embarca para Guatemala, onde ia organizar um festival regional de apoio ao processo revolucionário, mas o golpe e a queda de Jacob Arbenz, impede que o mesmo aconteça. É naqueles dias que Risquet conhece Che Guevara, então vivendo no país. “A ditadura na Guatemala foi uma das mais ferozes. Foram 30 anos matando gente, mais de duzentos mil mortos”. Risquet logo sai da Guatemala em setembro de volta para Europa e Che segue para o México, onde encontraria Fidel.
Nos primeiros meses de 1955 Jorge veio para o Brasil, onde tentou organizar um encontro de estudantes no Rio de Janeiro, mas foi espinafrado por Carlos Lacerda. Foi Jânio Quadro, então governador de São Paulo, quem permitiu o festival, que acabou sendo bem pequeno, mas cumprindo com os objetivos.
A guerrilha em Cuba
Todo este trabalho organizativo na juventude comunista desde os 13 anos de idade acabou sendo a porta de entrada de Jorge Risquet para a atuação na luta que se forjava em Cuba. No ano de 1955 ele volta para a ilha clandestinamente e passa a comandar a Juventude de Havana. Por conta de sua atuação acaba preso em dezembro de 56 e chega a ser dado como desaparecido. Nestes dias é brutalmente torturado, tendo as unhas arrancadas, mas não lhe arrancam qualquer informação. Quando consegue sair, volta a atuar clandestinamente organizando a juventude. Depois sai de Cuba, disfarçado, para organizar reuniões com os partidos comunistas no México, Caribe e Venezuela. “A idéia era dar a conhecer sobre Fidel, quem ele era, o que pretendia, e buscar apoio para a luta em Cuba”.
Quando a guerrilha é instalada na Sierra Maestra, logo começa a expandir-se para outras regiões do país. Raul funda então a “segunda frente” e manda buscar Risquet para coordenar a criação de uma Escola de formação. A proposta era tornar os rebeldes sujeitos conscientes sobre contra o quê estavam lutando. “A gente trabalhava no sentido de fazer compreender que o combate era contra o imperialismo. E, naqueles dias, sob o comando da “segunda frente” tínhamos mais de 11 mil quilômetros quadrados de território liberado. As escolas proliferaram”..
Jorge Risquet fez-se então o primeiro formador político do exército rebelde no Oriente e quando a revolução triunfou ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura do Exército do Oriente publicando revistas e preparando quadros para o governo revolucionário. E assim foi até 1965, organizando, na região oriental, o novo Partido Unido da Revolução, hoje chamado Partido Comunista. Mas, no mês de junho, ele recebe um chamado de Fidel. Diz o comandante que Che Guevara está no Congo, ajudando na luta por libertação, e que precisa de mais uma coluna de combatentes por lá. É quando começa a se formar o batalhão Patrício Lumumba, que seria comandado por Risquet.
A gesta africana
Enquanto Cuba encerrava a luta heróica contra a ditadura de Batista, lá do outro lado do mundo outro povo vivia a tarefa de se libertar das colônias européias. Em 1960, o Congo belga logrou sua independência sob o comando de um jovem negro, Patrice Lumumba. Mas, pouco depois de ser eleito primeiro-ministro e iniciar uma mudança radical no país em busca de melhorias para o povo, Lumumba foi preso, torturado e assassinado depois de um golpe de estado promovido com a ajuda da CIA, dos Estados Unidos. Também em 60 a França concede a independência ao outro lado do Congo, chamado de Congo francês. Mas quem fica na presidência é um vassalo, Folbert Youlou, que governa com mão de ferro até 1963, quando com revolta popular, o governo cai e acontecem eleições. Massemba Debat é eleito presidente. No lado belga, os partidários de Lumumba seguiam lutando contra a ditadura e os acontecimentos na parte francesa acendem esperanças de verdadeira libertação, até então não acontecida.
Em 1964, a região era um caldeirão explosivo. Mercenários brancos chegavam ao Congo belga com o apoio dos Estados Unidos e regressa ao poder Moises Tshombe, um conhecido anticomunista que ajudara na captura e no assassinato de Patrice Lumumba. É quando o governo do Congo francês pede ajuda a Cuba para que mande alguém capaz de treinar o exército local, uma vez que se aproximava a possibilidade de uma guerra entre os dois Congos.
Quem vai à África, em janeiro de 1965 é o próprio Che Guevara, que se encontra com Debat e com o então presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, Agostinho Neto, para ouvir dos dois comandantes como estava a situação. Assim, em abril do mesmo ano, Che retorna com um pelotão de 14 soldados cubanos – que semanas depois seriam 120 - chamado de Coluna Um, e entra na África pela Tanzânia. A proposta é treinar os lumumbistas e também os combatentes da Frente de Libertação de Moçambique. Meses depois, era a vez de embarcar para África a Coluna Dois, esta dirigida por Jorge Risquet, com mais 250 homens. “Nós fomos ajudar militarmente na integridade territorial, na luta contra o colonialismo, contra o racismo, contra o apartheid. Era uma obrigação histórica visto que daquele continente saíram mais de um milhão e 300 mil homens e mulheres, levados para Cuba como escravos. Em Cuba, estávamos começando a organizar nossa própria casa, mas não podíamos deixar de ajudar”.
Poucos anos depois da vitória cubana, o internacionalismo já aparecia como uma marca do novo governo. E foi muito em função desta participação de Cuba nas lutas de libertação africana que o processo revolucionário naquele continente cresceu.. Desde aqueles dias dos anos 60, 380 mil soldados cubanos passaram pela África, além de 100 mil outros colaboradores nas áreas da saúde e educação e outras. Dois mil e setenta e sete cubanos caíram em combate no solo africano e são considerados heróis nacionais. “Nós, em Cuba, não damos o que nos sobra. Compartilhamos o que temos, e assim foi com a África.” Também neste período, mais de 35 mil jovens africanos foram a Cuba estudar, sem qualquer custo. “Nossa contribuição também se dá na formação e assim vamos caminhando junto com a África que está a 10 mil quilômetros de Cuba, mas também está no nosso sangue”.
Jorge Risquet lembra que o internacionalismo é algo que faz parte da consciência do cubano, e não é coisa que ocorre só depois da revolução dos anos 50. Martí já ensinara que “pátria es humanidad”. Por conta disso vão-se encontrar cubanos lutando com Lincoln, pela libertação dos Estados Unidos, com Benito Juarez, pela libertação do México, com Simón Bolívar. “Na guerra do Vietnã mais de 400 mil cubanos se inscreveram, por livre vontade, para lutar junto ao povo daquele país. Só não foram porque os vietnamitas não quiseram. O internacionalismo é uma razão ética e política. Se nós em Cuba logramos ter assistência médica perfeita e educação de altíssima qualidade, por exemplo, é nosso dever levar isso aos irmãos que ainda não têm”.
A participação cubana na África se estendeu do Congo para Angola, onde também foram treinar jovens soldados e ajudar Agostinho Neto na luta contra o domínio português e os mercenários. Depois, nos anos 70, lá estavam outra vez os cubanos, sob o comando de Risquet, com instrutores militares, médicos e professores. “Passado meio século, a gente vê que Cuba esteve esse tempo todo na solidariedade com a África, desde o golpe contra Argélia em 1963, quando mandamos para lá todas as armas apreendida dos estadunidenses durante a fracassada invasão de Playa Girón, e retornamos com 100 crianças órfãs de guerra. Estivemos peleando com o fuzil na mão, mas também com a presença civil de médicos, professores e engenheiros”.
A Cuba de hoje
O povo cubano segue fielmente a lição de Martí, e considera toda humanidade como pátria. Por isso se desdobra em levar seus avanços na ciência e na educação para aqueles que ainda não lograram as vitórias que Cuba já conquistou. Atualmente existem 27 mil cubanos na Venezuela, e outros milhares espalhados por vários países, principalmente no campo da saúde. Seguem três mil em Angola, sendo que 900 são médicos, fazendo a diferença. Não foi à toa que Jorge Risquet recebeu a grata surpresa de ouvir, no auditório da Universidade Federal em Santa Catarina, o depoimento de dois angolanos sobre como haviam sido operados por médicos cubanos e alfabetizados por professores, também de Cuba.
Desde a revolução de 59, mais de 100 mil estudantes de vários países de África, América Latina e Ásia fizeram sua graduação em Cuba, todos com bolsa integral. “Quando tivemos um tempo bem ruim (a partir de 1991 com o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista da Europa) nós perguntamos a eles se queriam ficar e dividir a pobreza conosco. Nunca os abandonamos”. Risquet conta que dos 55 países africanos, 54 têm relações com Cuba. Em Havana existem 20 embaixadas de países africanos e Cuba está em 30 deles. Todos estes países sempre votaram contra o bloqueio criminoso que os Estados Unidos tem contra Cuba e há comitês de apoio a Cuba em quase todos os países africanos. A Namíbia, recentemente, enviou dois milhões de dólares em ajuda a Cuba e até o Timor Leste ajudou, depois da passagem de um furacão. “A África sabe o tanto que Cuba lutou pela sua libertação e reconhece isso. Na Etiópia existe um monumento ao soldado cubano e na África do Sul, num outro monumento que recorda os mortos das lutas libertadoras, estão gravados os nomes dos 2.077 cubanos que deram seu sangue pela pátria africana. Outro dia, na Namíbia, o presidente Raul Castro foi recebido pelo povo, que cantava Guantamera (em espanhol). Isso mostra o quanto África ama Cuba”.
Jorge Risquet, que foi o homem de Cuba em toda a campanha militar africana tem agora 79 anos de idade. Desde aqueles dias em que dava aula para os meninos pobres do solar, onde vivia em um quarto apertado, já se vão 68 anos. É tempo demais. Mas, o garoto que correu o mundo a organizar a juventude comunista, que comandou batalhões na grande África, que fundou escolas e jornais, que foi Ministro do Trabalho, Deputado e Membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, (desde sua criação há 44 anos) segue tão animado quanto naqueles dias gloriosos dos anos 60. Diariamente ele sai cedinho de casa e vai para o trabalho, no gabinete do presidente Raul Castro. É que há tantas coisas ainda para conquistar. Ele olha para a América Latina e vê tantas mudanças, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, os povos em luta. E se emociona. “Cuba esteve um tempo sozinha por aqui, mas resistiu. Cuba resistiu a Bush. E vamos seguir acreditando na capacidade do povo de se organizar e conquistar sua liberdade. Veja a América Latina agora, nunca se viu um movimento como este. Mas, sabemos que o inimigo atua, o imperialismo tem planos e pode haver retrocesso. Aí está Honduras, a IV Frota, as sete bases militares ianques na Colômbia. Há que ver o perigo, mas há também que ser otimistas. Cada país, com seu povo, há de encontrar o rumo seguro para uma vida soberana”.
Dia 24 de novembro às 19,30 no Espaço Meira Junior - Café Filosófico .RIBEIRÃO PRETO Lançamento do livro "Resistência...Vanderley Caixe
Caros companheiros, no dia 24 de novembro às 19,30 horas, no Café Filosófico do auditório Meira Junior, o nosso companheiro Maurici Politi estará lançando o livro "Resistência atrás das
grades" e palestrando junto com Ivan Seixas o período da Ditadura e a resistência mesmo nas prisões.
A presença de vocês é muito importante.
Abraço.
Vanderley
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
[Carta O BERRO] "Berlusconi transformou Battisti em um troféu político" e "Legislação dá a Lula poder de negar extradição de Battisti." - V. Caixe

“Berlusconi transformou Battisti em um troféu político”
Em entrevista à Carta Maior, o advogado de Cesare Battisti, Luis Roberto Barroso, manifesta confiança na decisão do presidente da República contra a extradição de seu cliente. Na sua avaliação, o presidente tem bons fundamentos jurídicos para negar a extradição, entre eles, a existência de um ambiente político fortemente desfavorável a Battisti na Itália. Barroso critica a transformação de Battisti, pelo governo Berlusconi, em um troféu político. "No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer", afirma o advogado.
Marco Aurélio Weissheimer
O advogado de Cesare Battisti, Luis Roberto Barroso, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidirá pela não extradição de seu cliente para a Itália. Professor de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Barroso diz que o presidente tem bons fundamentos jurídicos para negar a extradição, entre eles, a existência de um ambiente político fortemente desfavorável a Battisti na Itália.
Em entrevista à Carta Maior o advogado afirma que o governo Berlusconi transformou Battisti em um troféu político. “No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer. É quase inacreditável a quantidade de energia política que a Itália tem investido nisso, contratando advogados e ex-ministros do Supremo e obtendo imensos espaços na mídia. Está na hora de viverem a vida olhando de frente”.
Carta Maior: Qual a sua avaliação sobre o resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal?
Luis Roberto Barroso: No julgamento retomado ontem (18), quando a votação estava 4 a 4, a defesa postulou que o presidente do STF proclamasse o empate como resultado final. Mas o presidente decidiu proclamar seu voto no sentido de que, embora a motivação dos crimes atribuídos a Battisti fosse política, haveria uma predominância dos aspectos de crime comum, votando assim pela extradição. Na minha opinião, foi um atípico voto de minerva que, tradicionalmente, é favorável à defesa.
Em seguida, houve uma discussão sobre se a palavra final deveria ser do próprio STF ou do presidente da República. Aí, novamente o tribunal se dividiu, vencendo por 5 a 4 a tese de que a decisão final cabe ao chefe do Executivo.
Cabe observar que o tratado existente entre o Brasil e a Itália em matéria de extradição permite que o presidente da República decida pela não extradição por uma série de fundamentos, incluindo aí a existência de um ambiente político fortemente desfavorável. Portanto, existem mecanismos jurídicos próprios para o presidente da República ratificar a decisão de seu governo e não entregar Battisti a Itália.
A tese moral central da defesa é que Cesare Battisti não participou de nenhum daqueles homicídios de que é acusado e que ele havia sido julgado e absolvido em um primeiro julgamento. Somente em um segundo julgamento, quando se evadiu da Itália, ele foi condenado, sem defesa, com base na delação premiada feita com acusados pelos crimes.
O que mais impressiona um observador atento e imparcial é que, passados mais de 30 anos, a Itália não consegue fazer o acerto de contas com seu passado e olhar para a frente. É quase inacreditável a quantidade de energia política que a Itália tem investido nisso, contratando advogados e ex-ministros do Supremo e obtendo imensos espaços na mídia. Está na hora de viverem a vida olhando de frente.
Carta Maior: Na sua avaliação, a que se deve essa dificuldade de fazer um acerto de contas com o passado?
Luis Roberto Barroso: O governo Berlusconi transformou Battisti em um troféu político. No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer. O que mais impressiona, mas nem tanto, é a posição da esquerda italiana. Esses movimentos armados atrasaram a chegada da esquerda tradicional ao poder. E ela não perdoa isso.
Battisti viveu quase 14 anos na França, com uma vida produtiva como escritor publicado pelas principais editoras. Ele recebeu abrigo político com base na Doutrina Miterrand, que acolhia ativistas de esquerda que tivessem abandonado a luta armada. Em 1991, a França recusou um pedido de extradição. Somente em 2004, com a chegada de Chirac ao poder, é que o pedido de extradição foi renovado e Berlusconi transformou o caso em uma bandeira política.
No Brasil já se concedeu anistia de longa data a militantes de um lado e de outro do espectro político. Estamos vivendo a vida numa sociedade pacificada e que olha para o futuro. É muito ruim viver a vida com rancor do passado.
Tudo o que disse, no entanto, abre exceção para respeitar, de maneira muito sincera e solidária, aqueles que sofreram perdas ou que foram vítimas da violência. A violência é sempre um mau momento no processo civilizatório. Mas não se deve vive a vida em busca de uma vingança da história.
Carta Maior: Qual sua expectativa sobre a decisão que deverá ser tomada pelo presidente da República? Há um prazo determinado para essa decisão?
Luis Roberto Barroso: O presidente da República não tem um prazo legal definido. A expectativa da defesa é que o presidente Lula, a quem foi atribuído o papel de fazer uma valoração política da questão, reitere a decisão de Estado que tomou. Há inúmeros fundamentos jurídicos que podem embasar a decisão do presidente. Quem conhece a trajetória do presidente Lula dificilmente verá nela o perfil para “entregar alguém”.
Carta Maior: Como Battisti recebeu a decisão do STF? Ele pretende continuar a greve de fome?
Luis Roberto Barroso: Vou visitá-lo agora e ainda não sei. A greve de fome foi uma decisão pessoal dele, da qual não fui consultado ou comunicado. Se tivesse me ouvido, teria dito para não fazer. Mas respeito as condições psicológicas adversas de um homem que está sendo perseguido politicamente há muitos anos e que, neste momento, está preso no país que o acolheu.
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Legislação dá a Lula poder de negar extradição de Battisti.
Comentário de Giovanni : Diante das afirmações do ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, em relação à pessoa de Cesare Battisti, como confiarmos em um tratamento justo, imparcial e humano a ser dispensado ao preso político italiano Cesare Battisti, caso venha a ser extraditado para a Itália???
Outro detalhe: Quando as autoridades brasileiras solicitaram a extradição do quadrilheiro e mafioso italiano Cacciola, qual foi a reação do governo italiano?
Simplesmente negou-a! Não interessa se ele é italiano ou não. O fato é que Cacciola e seus comparsas como Daniel Dantas , estes sim, são delinquentes comuns, causaram grandes prejuizos ao Brasil.
Outro detalhe: Cesare Battisti tem filhos brasileiros.
Além disso, Cesare Battisti é preso político, como o reconheceram 4 ministros do SupremoTribunal Federal do Brasil.
Quanto à Cacciola e seu bando, incluindo o bandido brasileiro Daniel Dantas, a única política que conhecem e sabem praticar com maestria é de roubar e praticar outros atos de vigarice e trampolinagem contra o país.
A título de refrescar a memória da direita tupiniquim, o Brasil concedeu asilo político aos ditadores torturadores e assassinos, general Strossner( Paraguai) e general Oviedo ( Bolívia).
Portanto,liberdade para o preso político italiano Cesare Battisti, JÁ!!!
Ciao,
Giovanni
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O tratado de extradição entre Brasil e Itália permite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva negar a entrega do ex-ativista italiano Cesare Battisti ao seu país de origem, basta demonstrar que ele poderá correr o risco de ser submetido a "atos de perseguição e discriminação por motivo de opinião política", o que de fato acontece. O tratado foi assinado em Roma em 1989 e ratificado pelo Congresso em 1993.
O entendimento representa uma derrota do relator do caso, ministro Cezar Peluso, do presidente do tribunal, Gilmar Mendes, e de Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie, para os quais o tratado obrigaria Lula a respeitar a decisão do STF. Eles argumentaram que nunca na história do Brasil um presidente da República deixou de extraditar alguém após decisão neste sentido do Supremo Tribunal Federal. Mas também não mostraram em quais circunstâncias isso aconteceu.
Por 5 votos a 4, porém, o STF afirmou que cabe a Lula a decisão final do caso. Como existe um tratado bilateral sobre processo de extradição assinado com a Itália ele deverá ser observado, segundo afirmaram alguns ministros ontem. Esse tratado afirma que o presidente pode "recusar" a entrega de um extraditando, mas essa recusa deve ser "motivada", ou seja, justificada.
Em seu artigo 3º, o tratado aponta sete opções para "casos de recusa de extradição". Apenas uma delas cabe ao caso de Cesare Battisti, que diz: "se a parte requerida tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição e discriminação por motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política, condição social ou pessoal; ou que sua situação possa ser agravada por um dos elementos antes mencionados".
Concordância
A discussão sobre o tema esquentou ao final da sessão de ontem, que terminou depois das 20h. Os ministros que optaram por deixar o presidente Lula livre para decidir foram Cármen Lúcia, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello. Eles argumentaram que a competência de manter as relações internacionais entre os países, segundo a Constituição Federal, é do presidente da República e não do STF e por isso, Lula pode fazer o que bem entender, até mesmo desrespeitar o tratado. A discussão ocorreu porque os ministros vencidos argumentaram que o Supremo deveria já na decisão de ontem afirmar que Lula precisa necessariamente cumprir o tratado e as leis que tratam sobre o tema.
Os cinco ministros que saíram vencedores, porém, argumentavam que não cabe ao tribunal dizer isso neste momento a Lula. "O Judiciário aparece como um rito de passagem, uma passagem necessária como um rito. O processo extraditório começa e termina no Executivo", disse Carlos Ayres Britto.
Segundo Cármen Lúcia, o presidente da República tem respaldo constitucional para fechar a questão. "O governo poderá entregar o extraditando e o governo não é o Supremo. Ainda que o extraditando responda a outro processo ou esteja condenado por outra infração, a competência da entrega, em última instancia, é do presidente da República", disse.
A decisão dos ministros do STF segue a posição do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que defendeu que Lula, como chefe de Estado e de governo, seria responsável pela condução das relações internacionais brasileiras e, portanto, teria o direito de escolher se envia ou não Battisti para a Itália. "Eu não posso prever se o presidente vai ou não vai cumprir o tratado, porque isso não está em jogo", afirmou Eros Grau. "O que estamos dizendo é que Lula não precisa seguir o que disse o Supremo", disse Marco Aurélio Mello.
Até mesmo a ministra Ellen Gracie, que votou pela imediata extradição, argumentou a favor do presidente. "É criar uma polêmica onde ela não há. O que se procura agora é criar uma situação de constrangimento de ordem política ao presidente da República", afirmou Ellen Gracie.
Defesa espera apoio de Lula
A defesa de Battisti espera que o presidente Lula mantenha o italiano no Brasil. Segundo o advogado Luís Roberto Barroso, o presidente não deve seguir o entendimento do STF devido ao tratamento que o ex-ativista deve ser submetido na Itália.
"Acho que diante de um tribunal dividido, diante das circunstâncias pessoais pelas quais esse homem [Battisti] vai ser submetido na Itália onde o ministro da Defesa [Ignazio La Russa] declarou sem reservas que se pudesse iria torturá-lo, quero confiar que o presidente da República vai decidir no sentido de não entregar Cesare [Battisti]. Não corresponde ao perfil do presidente Lula entregar uma pessoa a outro país para cumprir pena nessas condições, depois de um julgamento à revelia", afirmou Barroso.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Dançarinas e Juristas - Laerte Braga
“Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas. Portanto, antes de pretender nos dar lições de Direito, o ministro da Justiça faria bem se pensasse nisso não uma, mas mil vezes”. A afirmação foi feita pelo deputado italiano Ettore Pirovano, da Liga Norte, partido de extrema direita Referia-se à decisão do ministro da Justiça Tarso Genro de conceder a Cesare Battisti o status de refugiado político.
Um dos pontos chaves da plataforma do partido desse deputado é a divisão da Itália. O norte, mais rico e o sul, mais pobre.
A primeira dançarina que o embaixador italiano contratou no Brasil foi Gilmar Mendes, funcionário de Daniel Dantas e posto por conta da irresponsabilidade do chamado estado democrático, na função de presidente do que deveria ser a corte suprema de justiça.
Michele Valensise ao retornar ao Brasil, havia sido chamado pelo governo (governo ou filme pornô?) de Sílvio Berlusconi em atitude de protesto contra a decisão de Tarso Genro, visitou Gilmar Mendes. Como convém a esse tipo de “visita”, entrou pela porta dos fundos do camarim da dançarina preferida de Daniel Dantas.
Levou flores, perfumes e uma garrafa de bom vinho italiano com certeza. E outros mimos, lógico, dançarinas como Gilmar adoram aquele negócio de dançar agarradas a um mastro (epa!) e ir juntando os dólares que são jogados pela platéia. Guardam estrategicamente no sutiã ou na parte debaixo, digamos assim, pudicamente, do modelo duas peças que usam.
Daí a somar outras dançarinas e complicar a situação tentando subverter a constituição, não foi tão difícil assim. As luzes e neon italianos, naturalmente tudo acrescido de presunto de Parma e queijos os mais variados, fizeram com que todos terminassem no reservado do gabinete e uma grande farsa fosse montada para justificar aquela noite de excessos e libações.
Lembra as casas de banho dos imperadores romanos.
Desde os dois habeas corpus concedidos a Daniel Dantas, a impunidade em torno de suas negociatas com o tal instituto que montou para vender diplomas, empregar outras dançarinas, inclusive supostos repórteres de tevê (da GLOBO lógico, Eraldo Pereira e receber verbas públicas em convênios fajutos, Gilmar se acha a primeira dançarina da companhia e acredita que suas curvas lhe dão o direito de submeter o Brasil ao regime podre e fétido do tucanato DEMocrata. É muito silicone.
Boa parte de culpa nesse strip tease é do governo Lula que aceitou passivo as falsas denúncias feitas pela mídia corrompida (VEJA) no caso de gravações inexistentes no gabinete da dançarina em epígrafe, desmontando um trabalho extraordinário do delegado Protógenes Queiroz e por extensão, todo um processo posto em marcha na Polícia Federal contra esse tipo de prostituição, a pior de todas.
A frase do deputado Ettore Pirovano, por exemplo, jamais foi citada pela REDE GLOBO, ou qualquer veículo do grupo, sabidamente uma agência estrangeira em ação no País.
Em contrapartida William Bonner, porta-voz da boate BBB, uma espécie de conglomerado FIESP/DASLU, PSDB, DEM, latifundiários, grandes empresários e banqueiros, compareceu ao programa de Maria Beltrão para discorrer sobre como mentir e formar Homer Simpsons em série, abóboras, permitindo que os telespectadores escolhessem a cor da gravata que a ser usada na edição do JORNAL NACIONAL (NACIONAL deles, nunca é demais lembrar).
Você escolhe a gravata de Bonner, especialistas tecem comentários em torno das gravatas oferecidas como opção e Bonner fala as mentiras de todo o dia, secundado por figuras como Miriam Leitão, engravatado e enfarpelado pelo próprio “abóbora”. O falecido Jô Soares costumava dizer quando vivo que “homem de gravata eu respeito”. Deve ser por aí.
Cesare Battisti é só o bode expiatório de um processo bem mais amplo. A face visível de um jogo sórdido transformado em espetáculo, como convém aos dias atuais. Gilmar no mastro principal, tudo a média luz e Cezar Peluzo em performances de acrobacia jurídico/dançarina.
Não contavam com Marco Aurélio Mello no tipo batida policial desmontando toda a jogatina e toda a prostituição que rolava na aparente agência funerária, quer dizer, corte suprema.
Nem por isso Gilmar se deu por vencido. Já anunciou que o caso pode ter novos desdobramentos, ou seja, mantém a disposição de continuar dançando e se for o caso ir tirando os adereços até a nudez total, sem o menor constrangimento, está lá para isso.
Na Vila Mimosa tem mais respeito, é proibido cuspir no chão, que dirá travestir-se de ministro do que deveria ser uma corte suprema.
O presidente da República só tem uma opção. Conceder o status de refugiado a Battisti, ou se for o caso, até de exilado, já que demonstrado à larga que por trás de todo esse tango Fernando Henrique Cardoso andou na cozinha e colocou a cozinheira no Senado em troca do silêncio.
Do contrário deixa claro que foi seduzido pela dançarina Gilmar Mendes e a bota vai lhe ser aplicada da forma mais vergonhosa possível, como tacão fascista, no lugar mais humilhante já imaginado.
A sentença que condenou Battisti na Itália usa trinta e quatro vezes, o ministro Marco Aurélio citou isso em seu voto, a expressão “crime político”. A presença acintosa do embaixador da Itália na primeira mesa do salão principal da boate fere a soberania brasileira, tanto quanto a declaração estúpida do deputado Ettore Pirovano.
As declarações do presidente do Senado José Sarney “recomendando” a Lula que cumpra a decisão do STF fazem jus a uma velha mundana, já desdentada e ornada por bigodes imorais, que montou praça na política e vendeu tudo o que podia, como se deixou comprar todas as vezes que a relação custo despesa lhe era favorável.
Existem determinados momentos na vida que ou você passa batido e nem olha para o lado, do contrário vira estátua de sal. Não é o dilema de Lula.
É só ser Lula, nada além disso.
A empreiteira responsável pela parte que desabou do Rodoanel em São Paulo, obra superfaturada e contribuinte da caixinha tucana, havia sido desqualificada de mentirinha no primeiro lance da licitação. Associou-se a uma das ganhadoras e segundo um engenheiro disse hoje, empregado da firma, não usou sequer material de segunda, mas de quinta. Não vai dar na GLOBO.
O destaque vai ser a gravata de Bonner. E a culpa é da falta de ranhuras nas pistas do aeroporto de Congonhas.
Dizer que as instituições ditas democráticas estão virando um circo é ser injusto com o circo e os que ali trabalham. Um prostíbulo, é faltar com respeito a mulheres que são pegas em condições desfavoráveis de trabalho.
Mas dizer que está uma bagunça não ofende ninguém. E que a boate da dançarina Gilmar Mendes está fora de qualquer padrão que se possa imaginar como mínimo de justificativa, é só estar constatando uma realidade.
Cinco dançarinas e quatro ministros.
Velhos tempos de Adauto Lúcio Cardoso, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Vitor Nunes Leal, Ribeiro da Costa, Aliomar Baleeiros, Bilac Pinto que, a despeito de estarem à esquerda ou à direita sabiam que o STF não é lugar para dançarinas com todo respeito e toda reverencia a todas as dançarinas.
Só se espera que Lula não caia no conto dessas sereias falsificadas e com perfume italiano de quinta categoria.
Pela dignidade do Brasil.
Quem sabe na próxima Gilmar não permite aos brasileiros escolher a cor do biquíni a ser usado no show?
E antes que me esqueça, o novo filho de FHC também virou empregado do Senado.
Quem sabe?
CESARE BATTISTI – A DECISÃO DO STF - Laerte Braga
O ministro presidente do STF DANTAS INCORPORATION LTD Gilmar Mendes tentou tudo para que a extradição de Cesare Battisti se transformasse em decisão final irrecorrível, ou imutável. Afastar do presidente da República o que é competência do Executivo. O voto do ministro Cezar Peluzo revelou a profunda transformação sofrida pelo antigo advogado de presos políticos em São Paulo, hoje empregado de Gilmar no tal instituto de estudos superiores de direito, tal e qual um jornalista da GLOBO.
Brasília é algo mais que a capital do Brasil. É uma cidade onde atuam máfias das mais variadas espécies e comprometidas com os mais diversos esquemas. No caso em tela a máfia de Gilmar aposta em criar complicações para Lula e favorecer o caminho de José Jânio Serra nas eleições de 2010.
Em toda a história do Judiciário brasileiro não há registro de um ministro da chamada suprema corte que tenha levado esse poder a um nível de desmoralização inaceitável para padrões que se supõem democráticos.
Lula não tem o que pensar, tampouco no tratado de extradição existente entre o Brasil e a Itália. Quando o ministro da Justiça Tarso Genro assinou o ato que concede refúgio a Battisti já sabia desse tratado e não teve dúvidas em conceder ao italiano essa condição. Refugiado.
A ação do governo italiano foi ofensiva à soberania nacional, as declarações de um deputado sobre o caráter dos juristas brasileiros, naturalmente, se basearam no comportamento e no jeito de ser de Gilmar Mendes. Dançarina.
Julgou todos por Gilmar ou por Peluzo. Ou por Ellen Gracie.
Não há registro também de um STF tão parco em reputação ilibada e notório saber jurídico, termos constitucionais. Foram salvos pelos ministros contrários à extradição e pelo voto do ministro Marco Aurélio Melo. Ao prolatar esse voto não só historiou o fato, levantando todo o caráter dúbio do pedido, como encontrou em trinta e quatro oportunidades a expressão “crime político” na sentença da justiça italiana que condenou Battisti.
Ao ver o ministro Cezar Peluzo tentar explicar o inexplicável a sensação que fica é que à frente do ministro havia um espelho que só ele enxergava e que refletia sua consciência. Daí os jeitos e trejeitos nervosos, irritados.
Foi uma pantomima todo o espetáculo.
O presidente Lula não tem, ao contrário de Peluzo, de explicar coisa alguma. Tem que exercer o poder que lhe cabe por direito e referendar o ato do seu ministro da Justiça, determinando que Cesare seja solto.
O que está em jogo para Gilmar e todo o conjunto orquestrado pela grande mídia, tucanos e DEMocratas é a sucessão presidencial. A jornalista Eliane Catanhede, tucana de plantão na FOLHA DE SÃO PAULO (que emprestava seus veículos para o torturador Sérgio Fleury “atropelar” seus presos) fala em “pepinão” nas mãos de Lula.
Engano. O pepino, tentou criá-lo Gilmar Mendes.
Há uma clara tentativa, desde o primeiro momento, de ferir a soberania do País ao buscar retirar do presidente da República direito líquido e certo de decidir sobre a matéria.
A palavra final agora é de Lula e ou se afirma como presidente real, de fato, mantém e preserva a soberania nacional ou cai de quatro e joga por terra todos esses anos de história.
Catanhede é parte dessa máfia. Aplicar a Battisti a classificação de “terrorista” é outro capítulo vendido pela grande e prostituída mídia brasileira, a serviço de interesses estrangeiros e de olho em objetivos muito além da concessão ou não da extradição de Cesare Battisti.
É vergonhoso para um País como o Brasil que o presidente daquilo que chamam de suprema corte seja um desqualificado em todos os sentidos como Gilmar Mendes.
A Lula o que é de Lula. E de Lula o que os brasileiros comprometidos com a democracia em seu sentido pleno esperam. Battisti é um refugiado político e pronto.
Todo o processo montado contra ele na Itália mostra e caracteriza isso como bem o demonstrou o ministro Marco Aurélio Melo, como se forja e se estrutura no instituto da “delação premiada”, uma farsa com o acusado ausente, julgado à revelia.
É fácil jogar a culpa a quilômetros de distância.
É fácil ignorar a realidade política do mundo à época da luta armada na Itália (e em vários países europeus) usando um preso político, agora refugiado – espera-se – em função de interesses subalternos, menores, de bandos de políticos corruptos e apátridas travestidos de magistrados.
Cesare Battisti resta sendo um símbolo não de uma época, mas de um processo político que há que se impor num Brasil onde se manifesta com um vigor impressionante a luta de classes e as elites tentam fazer valer todos os nuances e requintes de farofada jurídica escorada em quadrilhas que tentam se apoderar do País.
O que se espera de Lula agora é só isso. Que seja o presidente de um País soberano, livre, senhor do seu destino e não de uma colônia intimidada e ameaçada por um embaixador (o italiano) que entra pela porta dos fundos, e representa um governo fascista na essência.
Não há um piso ensaboado para que Lula escorregue. Há uma travessia a ser feita para superar uma vergonhosa tentativa, essa sim, de fazê-lo escorregar na repugnante baba da corrupção de elites apátridas e escoradas numa figura sinistra e repulsiva como Gilmar Mendes.
A decisão do STF abre as portas para essa travessia. Não é hora de acordos ou de achegos.
Ou é o presidente quem decide e assim referenda o ato do seu ministro da Justiça, ou é apenas uma figura menor nesse processo.
Espera-se que seja o presidente.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Supremo decide que Lula vai dar palavra final sobre Battisti - Barbet
A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira (18) que a palavra final sobre a extradição do ex-militante Cesare Battisti caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com a decisão favorável do Supremo pela extradição, que por 5 votos a 4 resolveu atender ao pedido do governo da Itália, será Lula quem vai decidir se entrega ou não o ex-ativista italiano.
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Os artigos de Mino Carta e Walter Maierovitch, contra o refúgio a Cesare Battisti, ferem a tradição da revista que os publica. Como textos jornalísticos, são desinformados e omissos. Politicamente, sugerem que todos podem rever suas posições – exceto os revolucionários italianos dos anos 1970
Giuseppe Cocco
(06/02/2009)
No Brasil, as vivas polêmicas suscitadas pelo caso Cesare Battisti foram e são atravessadas por dois grandes vieses. Obviamente, um deles tem origem na Itália. O outro, só um pouco menos óbvio, é fato da conjuntura política brasileira.
A violenta reação da classe política italiana à decisão brasileira de conceder “refúgio” a Battisti tem dois determinantes. O primeiro diz respeito à composição fortemente reacionária do atual Executivo, presidido por Silvio Berlusconi. Se o berlusconiano ministro do exterior, Franco Frattini, chamou de volta o embaixador, foram os pós-fascistas a ameaçar com a suspensão do amistoso de futebol entre Brasil e Itália; e um deputado da "Lega Nord" a declarar que o Brasil é conhecido por suas dançarinas e não por seus juristas.
O segundo determinante diz respeito à composição da classe política italiana, considerada em conjunto. Apesar de seu pouco peso (o regime italiano é parlamentar, e quem “manda” é o primeiro-ministro), até o presidente italiano, o pós-comunista Giorgio Napolitano, protestou veementemente e de maneira deselegante, em carta aberta ao presidente brasileiro.
A cobertura da grande mídia brasileira não traz nenhuma novidade. Quando se trata de Bolívia e Equador, ela prega firmeza e critica a postura conciliatória do governo brasileiro. Quando se trata de Itália, ela repercute (e dá legitimidade) à pressão italiana, sem nenhuma preocupação com a firmeza “nacional” que prega nos outros casos. A elite é isso mesmo: “forte com os fracos e fraca com os fortes”!
Mas, há uma segunda vertente de críticas à decisão brasileira no caso Battisti: trata-se das colunas de Mino Carta, o editor-proprietário de Carta Capital,e de um magistrado, ex-chefe da repressão ao narcotráfico (sob FHC) que publica colunas no mesmo semanário. Na realidade, a atitude de Mino e Walter Maierovitch flerta com a histeria da direita anti-Lula e mancha a postura de independência editorial que Carta Capital ostentar. Há dois traços específicos nessa segunda vertente.
Em primeiro lugar, Mino Carta e Walter Maierovitch pretendem-se inseridos no cenário político brasileiro nacional, no campo progressista, até de centro-esquerda. Em segundo lugar, ambos apresentam-se como profundos conhecedores da realidade italiana — sabe-se lá se por suas origens familiares, ou por algum outro critério pessoal indecifrável. E é assim que se lê, na Cartado Mino (de 28 de janeiro de 2009 ) que “o ministro Tarso Genro expõe ignorância em relação à história recente da Itália”.
Por que esse tratamento desigual, em artigo de jornalista tão bem informado? Será que Mino não sabia como resolver a incongruência dessa unanimidade entre “comunistas” e “fascistas”? O jornalista omitiu um fato que atrapalhava sua coreografia
As colunas desses dois autores atacam a decisão de Tarso com argumentações supostamente mais rigorosas no plano histórico, jurídico e político. Muitos, na esquerda, ficaram perplexos com o que leram essa semana. fato é que aqui se viu uma interpretação reacionária à brasileira do balé reacionário encenado por praticamente toda a classe política italiana. Em outro site, Walter chega a formulações de bem baixo nível, que deixamos que o leitor avalie: “Caso Battisti: Tarso Genro protagoniza tragicomédia e vai do masturbador a Bobbio”.
Mas em italiano existe uma frase bem adequada ao paradoxo aparente dessa situação: non tutto il male vien per nuocere –nem todo o mal vem (só) para o mal! A postura dos dois colunistas nesse caso é uma boa ocasião para ver, por um lado, que, nesse caso, seu jornalismo não é tão independente como eles desejariam que fosse; por outro, que eles são incapazes de apreender as dimensões políticas dos processo sociais e de seus conflitos.
Grosso modo, Mino mobiliza três argumentos.
Um, geral, que diz muito sobre sua visão dos problemas do Brasil: trata-se de um país que deve firmar-se em nível internacional – ou seja, ser sério, nos termos dos palpiteiros que decidem sobre "níveis de risco".
Assim, para Mino, o que pensa The Economistconstituiria alguma espécie de Magna Carta – ou seja uma Carta Capital... decisão sobre Battisti é ruim, diz ele, também porque The Economistnão gostou. Para Mino o Brasil ainda seria uma criança que “vive em estado de ignorância”.
O segundo argumento mobiliza um método jornalístico estranho. Afirmando-se como especialista dos detalhes da vida política italiana e de sua história, Mino elogia a carta aberta enviada a Lula pelo presidente italiano – o “comunista” (diz ele) Giorgio Napolitano. Mino não chama de pós ou de ex-comunistas os membros do Partido Democrático (para onde convergiram os ex-membros do PDS (antes Partido Comunista Italiano) e os ex-membros da Democrazia Cristiana, DC). Tudo bem: até aí, nada de grave.
Mas logo depois, Mino fala de uma outra carta, dessa vez enviada pelo presidente da Camera dei Deputati , Gianfranco Fini, a seu homólogo Arlindo Chinaglia. Ora, no Brasil, todo mundo sabe que Chinaglia é do PT. Mas ninguém sabe de que partido é Fini. Se usamos o mesmo critério pelo qual Mino apresentou Napolitano ("comunista"), Fini tem de ser apresentado como "fascista": é dirigente do partido (MSI) criado pelos sobreviventes do regime mussoliniano no imediato pós-guerra. Partido que, recentemente, se transformou em "Alleanza Nazionale". Diante disso, o que pensar?
Por que esse tratamento desigual, em artigo de jornalista tão bem informado? Será que Mino não sabia como resolver a incongruência dessa unanimidade entre “comunistas” e “fascistas”? O nariz de Pinocchio não cresceu. O jornalista não escreveu uma mentira.
Simplesmente omitiu o fato que atrapalhava sua coreografia. E isso depois de anunciar que, “como recomendaria Hannah Arendt, vamos à verdade factual”(sic). Ou ignorância da situação italiana, ou por ter-se atrapalhado com tantos malabarismos jornalísticos, Mino surrupia ao leitor um elemento importante: o drama da classe política italiana está justamente no fato de que comunistas e fascistas têm idêntica opinião sobre os anos 1970, sobre o Brasil de hoje e sobre várias outras coisas. Pobre Hannah Arendt, condenada à revelia a nos ensinar esse tipo de “verdade”.
Ninguém aqui pretende mobilizar Gramsci em prol de Battisti. Mas o que pensaria o filósofo sobre o apoio dos ex-comunistas italianos às guerras do Afeganistão e do Kosovo; ou sobre direita e esquerda italianas estarem hoje unidas numa furiosa discriminação dos imigrantes?
A “verdade” que Mino noticia nada é além da “verdade” de todos os ex-comunistas e ex-fascistas que negam aos militantes revolucionários dos anos 1970 a possibilidade de, hoje, quase 40 anos depois, serem diferentes do que foram. Por que tantos são hoje “pós”... e os militantes revolucionários daquela época não podem ser?
Por que, em outro parágrafo, falar do fato de que o advogado de Battisti defende também Dantas, e não lembrar que o mesmo advogado defendeu também o MST? MST que assinou manifesto em favor de Battisti e ocupa oito páginas do mesmo número do semanário? Por que quando fala do Tortura Nunca Mais pelo avesso que haveria na Itália, não citar o detalhe de que o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro apoiou a decisão do Ministro Tarso?
No mesmo numero do semanário, Walter começa sua coluna falando de Gramsci morto na prisão, por mãos dos fascistas. Não faz a pergunta indispensável: o que pensaria o pobre Gramsci, se visse uma situação na qual pós-comunistas e pós-fascistas andam juntinhos?
Não: ninguém aqui pretende mobilizar Gramsci em prol de Battisti. Mas haveria boa coluna a escrever, sim, sobre o que pensaria Gramsci a respeito de dois votos dos ex-comunistas italianos: a favor da guerra do Afeganistão e da guerra Kosovo. E o que pensaria ele sobre direita e esquerda italianas estarem hoje unidas numa furiosa discriminação dos imigrantes estrangeiros? E sobre a imposição das bases militares dos EUA em Vicenza, algo que a população daquela cidade rejeitou em plebiscito legal (e estamos falando de 2008!) e que direita e esquerda italianas aprovaram? E o que pensaria Gramsci sobre o ex-comunista Walter Veltroni, líder do “Partido Democratico”, que, quando prefeito de Roma, ante um fato de delinqüência sexual praticado por um grupo de imigrantes romenos, clamou por punição coletiva, étnica, para todos os “roms” (quer dizer, todos os ciganos)?
Mino e Walter falam da volta do “Febeapá do Lalau” e se pretendem conhecedores finos da realidade italiana. Walter nos explica que as leis especiais de repressão da luta armada não eram “de exceção” mas de “emergência” – sutileza equivalente ao requinte busheano de chamar a tortura praticada em Guantanamo de “novos métodos de interrogatório”. E então vem Mino e nos diz que “a Itália (...) não alterou uma única, escassa vírgula da sua Constituição para combater o terrorismo”.
Difícil supor que Mino não saiba que a Constituição italiana co-habitou por muito tempo não apenas com a máfia e a corrupção, mas, sobretudo, com o "Códice Rocco" – que leva o nome do jurista fascista que o redigiu durante o período mussoliniano. Assim também, as relações entre Estado e Igreja continuaram sob o marco do também mussoliniano “concordato”, sem que a Constituição representasse obstáculo a qualquer daquelas legislações fascistas. Até a discriminação atual dos imigrantes é constitucional.
A Itália inteira sabe: a explosão de Piazza Fontana, em 1969, foi o primeiro de uma série de atentados cometidos por fascistas ou agentes de Estado ligados à Gladio (uma organização paralela à OTAN), como parte da strategia della tensione
Walter afirma-se profundo conhecedor da vida política italiana e escreve: پg[na Itália] o terror começou em dezembro de 1969 com a explosão de Piazza Fontanaپh. Não. A Itália inteira sabe que esse atentado, conhecido como strage di Stato (massacre praticado pelo Estado), está na base da chamada strategia della tensione – uma série de atentados (nos trens, em manifestação em Brescia, na estação de trens de Bologna) cometidos por fascistas ou agentes do Estado ligados a uma organização paralela da OTAN, chamada "Gladio", dirigida por Licio Gelli entre outros.
O que fez a Itália supostamente democrática dos anos 1970 – a Itália do tão elogiado presidente Pertini – para salvar as centenas de italianos e milhares de descendentes de italianos que eram torturados e exterminados na Argentina? Será que a seleção nacional italiana se recusou a jogar o mundial argentino por causa disso? Será que Walter sabe nos dar alguma resposta?
A Itália dos anos 1960 e dos anos 1970 era assim: políticos da Democrazia Cristianamisturados com mafiosos, generais golpistas, logiasmaçônicas, bancos do Vaticano e bombas cegas destinadas a ameaçar o movimento operário e estudantil. Afirmação política que chegou à imortalidade na peça de teatro “Morte acidental de um anarquista” de Dario Fo, Pêmio Nobel literatura. É essa verdade política nossos dançarinos optaram por não revelar a seus leitores.
O primeiro ato violento (armado) da esquerda foi – em 1972 – o homicídio do Delegado Calabresi, acusado de ter defenestrado o anarquista Pinelli para acusar o movimento desse horror. O intelectual Adriano Sofri, na época dirigente do grupo "Lotta Continua" (que tinha 20 mil militantes e publicou ao longo da década um jornal quotidiano do mesmo nome), está pagando, com longos anos de prisão, uma condenação por responsabilidade moral nesse assassinato. E isso não é político? E Feltrinelli, editor, homem de esquerda e amigo pessoal de Fidel Castro, que morreu também em 1972, tentando sabotar uma torre de energia para tentar acordar os grupos de resistência contra as ameaças fascistas? Feltrinelli foi criminoso comum?
Essa verdade política estava na rua, nas manifestações de milhões de italianos ao longo de toda a década. O Estado italiano nunca desvelou as conspirações e cumplicidades que o ligaram à estratégia da desestabilização strategia della tensione. Aliás... por que os ministros italianos fascistas não mandam chamar de volta o embaixador italiano no Japão, para conseguir prender, afinal, um dos acusados por vários atentados?
Mino e Walter não lembram do clima daqueles anos? O golpe militar contra Allende (em 1973), o esmagamento da revolta dos estudantes gregos pelos tanques não teria tido, para eles, nenhum impacto nos movimentos de toda a Europa? Não eram pequenos grupos. Eram manifestações oceânicas, sistemáticas e repetidas, manifestações de rua que diziam: Grecia, Chile: mai piú senza fucile[Grécia, Chile, nunca mais sem fuzil]. O próprio compromisso histórico não foi, pelo menos em parte, fruto do veto norte-americano à chegada ao poder do Partido Comunista Italiano? Para não falar de Ustica: será que Mino e Walter ouviram falar de Ustica?
Se sim, como justificam que o Estado italiano tenha acobertado todos os elementos que indicavam que o avião foi derrubado por um míssil, em acidente que matou 81 pessoas? Por que a Itália nunca chamou o embaixador dos Estados Unidos, quando Washington retirou clandestinamente de território italiano os pilotos militares que derrubaram a cabine de um teleférico (“bondinho”), matando 20 italianos? Por que não se romperam relações diplomáticas com os Estados Unidos quando norte-americanos metralharam um carro do serviço secreto italiano, cujos ocupantes participavam de uma operação de libertação de uma refém em Bagdá, matando um agente italiano e ferindo a refém?
Para além de seus graves erros políticos, na Itália como no mundo todo, o ciclo revolucionário da década de 1970 está presente – inclusive nos governos democráticos de América do Sul. A decisão do ministro Tarso é uma dessas dinâmicas radicalmente democráticas
Por que as mortes ligadas a Battisti seriam mais pesadas de todas as outras? Não é problema de justiça, ainda menos de moral. Trata-se afirmar uma razão de Estado.
A Itália quer afirmar sua razão de Estado como a única, para que ninguém ouse mais contestá-la. Mino e Walter dançam por essa música.
Chegamos assim à terceira argumentação. Mino e Walter tentam demonstrar tecnicamente que Battisti seria delinquente comum. Usando magistralmente os relatórios de polícia (que, diga-se de passagem, denominava-se na época"polícia política"; passando depois a ser designada por uma sigla, DIGOS), Mino e Walter dizem que Battisti teria sido recrutado pelas organizações armadas, depois de ter sido preso por crimes comuns.
Aí, Mino e Walter têm de se decidir, uma coisa ou outra: se na Itália daquela época não havia crimes políticos... quando ter-se-ia dado a mágica de se transformar o crime de Battisti, de crime comum em crime político? Por que os relatórios de polícia tanto se empenhariam para estabelecer o momento e a forma de sua “politização”?
O fato é que Mino e Walter estão constrangidos numa visão da história que – por mais crítica que por vezes seja à histeria anti-Lula da elite brasileira, não tem nenhuma dimensão política. Além disso, tampouco têm capacidade de apreender o papel constituinte das lutas sociais, inclusive quando são violentas.
Será preciso lembrar a Constituição dos Estados Unidos que prevê o direito à revolta contra o poder constituído? Thomas Jefferson, agora, mais um perigoso terrorista?
Bem mais recentemente, em seu discurso sobre a questão do racismo, o atual presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, não reivindicou explicitamente as lutas dos negros, inclusive das revoltas violentas? Não tentou a direita republicana usar contra ele sua relação com um antigo militante dos weathermen(movimento de guerrilha contra a guerra do Vietnam)?
Battisti – e, com ele centenas de milhares de jovens operários, estudantes, desempregados na Itália dos 1970 – participou de um movimento revolucionário, que atacava as bases do sistema de acumulação capitalista e alimentou, até meados dos anos 1970, um processo de libertação que a normalização pós-comunista e pós-fascista ainda não zerou.
Sim, os operários italianos lutavam contra a ordem fabril e contestavam a constituição italiana “fundada sobre o trabalho” — ou seja, sobre a exploração do trabalho. Sim, os novos movimentos contestavam a sociedade disciplinar como um todo e construíram a base da abolição dos hospitais psiquiátricos, das lutas pela democratização das prisões, contra o serviço militar autoritário, pela universalização do acesso horizontal ao ensino superior, pela habitação popular e a gratuidade dos serviços. Essas lutas conquistaram o direito ao divórcio, os direitos das mulheres ao aborto e até as vitórias do Partido Comunista nas eleições municipais de 1975.
Depois, as mesmas lutas foram derrotadas pela espiral dos massacres perpetrados pelo Estado e das respostas armadas que militarizavam o movimento. A repressão desse movimento, pela qual optou a esquerda institucional (por meio do “compromisso histórico”, ou seja, a conciliação com o histórico partido de poder, a Democrazia Cristiana), não significou apenas a derrota do movimento: significou a derrota da própria esquerda.
Um ano depois da grande operação política de repressão do dia 7 de abril de 1979, a Fiat demitiu dezenas de milhares de operários e embarcou na contra-revolução neoliberal que se tornaria hegemônica mundialmente. Resultado: a esquerda institucional italiana não existe mais!
Os pobres que lutam todos os dias – renovando os princípios éticos, ou constituintes, dos direitos e do direito – entendem muito bem que, para além do graves erros políticos da década de 1970, na Itália como no mundo todo, aquele ciclo revolucionário está presente. Inclusive, e sobretudo, nos governos democráticos de América do Sul, nas dinâmicas de radicalização democrática que os atravessam. A decisão do ministro Tarso é uma dessas dinâmicas radicalmente democráticas.




















































