Naquele 4 de novembro de 1780, com o corpo de Arriaga balançando atrás de si, Túpac Amaru, descendente da linhagem imperial dos incas, declarou que não existiam mais impostos e que os escravos estavam livres. “Foi o início de uma rebelião que se espalharia pelos Andes e chegaria até os altiplanos bolivianos”,
Túpac Amaru, o filho do sol
No fim do século 18, Túpac Amaru liderou a maior rebelião indígena da América, que incendiou o coração dos Andes e inspirou revolucionários como Bolívar e Che Guevara
por Alessandro Meiguins
O mundo amanheceu ao contrário naquele dia em Tinta, um pequeno povoado no sul do vice-reino do Peru. Acostumada a ser explorada e maltratada pelas tropas do mandachuva local, o espanhol Antonio Arriaga, a população mal conseguia acreditar que era ele quem dava seus últimos suspiros, pendurado pelo pescoço na ponta de uma corda, em plena praça central do vilarejo. Ao seu lado, comandando a execução, estava José Gabriel Túpac Amaru. Vestido para a guerra, com o tradicional ornamento inca em forma de um sol dourado no peito, convocava aos berros índios, mestiços e negros para lutar contra a dominação espanhola. Naquele 4 de novembro de 1780, com o corpo de Arriaga balançando atrás de si, Túpac Amaru, descendente da linhagem imperial dos incas, declarou que não existiam mais impostos e que os escravos estavam livres. “Foi o início de uma rebelião que se espalharia pelos Andes e chegaria até os altiplanos bolivianos”, diz Julio Vera del Carpio, historiador da Casa da Cultura Peruana, em São Paulo. Quase 300 anos depois de os espanhóis desembarcarem na América, o filho do sol estava de volta.
Os espanhóis desembarcaram na América em 1492 ávidos por encontrar riquezas que financiassem seus navios, suas armas e sua nobreza. Quando chegaram ao Peru, em 1527, e descobriram as minas de prata da região, não perderam tempo. Reuniram um exército sob o comando de Francisco Pizarro e trataram de eliminar todo aquele que pudesse afastá-los de seu objetivo. Por “todo aquele” entenda-se os incas, que habitavam desde as cordilheiras no Peru até os altiplanos bolivianos. Em 1532, os espanhóis iniciaram uma conquista rápida e implacável. Com a vantagem das armas de fogo e do duro aço espanhol, submeteram os guerreiros indígenas e suas lanças de cobre. Pizarro conquistou Cusco, a capital inca, e capturou e executou Atahualpa, seu imperador. Em seguida nomeou um novo ocupante para o trono: Manco Inca Yupanqui. Pouco tempo depois, no entanto, Manco Inca percebeu que estava sendo usado pelos espanhóis e fugiu de Cusco, iniciando uma revolta. A aventura durou pouco: os espanhóis mataram Manco Inca e seus sucessores. O último foco de resistência foi derrotado em 1572, com o enforcamento do derradeiro imperador inca, o primeiro Túpac Amaru (foram vários “Túpacs”). Foi o ponto final na civilização inca na América do Sul, “que ocupou um território maior que o do Império Romano”, diz Antonio Núnez Jiménez, no livro Nuestra América. A partir desse momento, seus mais de 3 milhões de habitantes tinham um novo senhor.
A primeira coisa que os novos donos do pedaço fizeram foi estabelecer a “mita” – o trabalho forçado nas minas de prata e mercúrio. “Os índios eram convocados pelos espanhóis, arrastados a pé através dos vales montanhosos e muitos morriam exauridos no caminho”, diz Carpio. “Quando chegavam, tinham um breve descanso e, um ou dois dias depois, entravam nos estreitos buracos na terra em busca dos metais. Poucos sobreviviam por muito tempo às longas jornadas de trabalho, que chegavam a uma semana inteira dentro das minas, sem direito a alimentos ou descanso.” A Igreja teve papel especial nessa história. Extremamente religiosos, os incas foram levados a crer que o rei da Espanha substituíra seu imperador no lugar reservado ao representante divino na Terra. Servir ao rei era como trabalhar para o próprio Deus-sol e ao morrer nas minas de prata estavam salvando suas almas do inferno.
Segundo Carpio, nas províncias os corregedores (espécie de prefeitos) tinham toda a liberdade para matar quantos índios fossem necessários para que a extração de prata continuasse a todo vapor. No entanto, em 200 anos de dominação, os espanhóis não eliminaram completamente as lideranças indígenas. Pelo contrário, parte do controle sobre a população era feita com o consentimento e apoio desses líderes – chamados de curacas, descendentes da nobreza inca. Convertidos ao catolicismo, muitos, inclusive, recrutavam membros das tribos para o trabalho forçado nas minas.
Descendente do primeiro Túpac, José Gabriel Túpac Amaru era um dos líderes que discordavam dessa prática. Curaca de Pampamarca, Tungasuca e Surimana, morava na província de Tinta, a 100 quilômetros de Cusco. Túpac herdou de sua família 70 pares de mulas, com as quais transportava mercadorias através dos Andes. No meio daquela região montanhosa, ter um par de mulas era como ter um caminhão. Túpac era próspero, respeitado e bem relacionado. Insatisfeito com o que via na região, defendia junto às autoridades espanholas uma reforma no sistema colonial. Aos tribunais de Lima encaminhara um pedido oficial em que pediu a eliminação do cargo do corregedor, substituindo-o por prefeitos eleitos nas províncias e povoados, e o fim da mita. Nada conseguiu. Aos poucos, passou a espalhar a idéia de rebelião. Em uma carta aberta à população, dizia que os corregedores faziam do sangue dos peruanos “sustento para sua vaidade”. Conseguiu a simpatia e apoio de alguns curacas, que se dispuseram a lutar.
Tinta foi apenas o primeiro alvo da revolta. Após matar Arriaga, Túpac e seus homens percorreram povoados e vilas da região, prendendo e enforcando as autoridades espanholas que encontravam. Ficavam com seu dinheiro e armas e distribuíam seus bens entre a população. Túpac nomeou chefes locais e conseguiu que milhares de pessoas aderissem à sua tropa. Aterrorizado com a rapidez com que a revolta se espalhava, o bispo de Cusco, Juan Manuel de Moscoso y Peralta, enviou 1 500 soldados para eliminar o rebelde. Em 18 de novembro, no povoado de Sangarara, entre Cusco e Tinta, Túpac enfrentou o exército do rei com 6 mil homens sob seu comando. Em menos de um dia o inca cercou os soldados do bispo. Depois de intensos combates, o último grupo de espanhóis se refugiou na igreja do povoado, esperando que o indígena poupasse o local sagrado. Túpac não quis saber: invadiu a igreja e matou todos. Em represália, Moscoso y Peralta excomungou Túpac Amaru e seus seguidores. Essa era a maior desonra que alguém poderia sofrer na época. Tanto para católicos quanto para indígenas, a excomunhão significava que a pessoa estava distante de Deus. O efeito da punição logo se fez sentir. “Por conta disso, numerosos adeptos da causa tupamarista abandonaram suas fileiras ou deixaram de nelas ingressar”, afirma Kátia Baggio, historiadora da Universidade Federal de Minas Gerais.
Túpac se preparou para invadir Cusco. A estratégia era tomar Puno, que ficava entre Cusco e Potosí, para depois avançar sobre a capital. No entanto, após os eventos em Sangarara, o vice-rei do Peru, Agustín de Jáuregui, resolveu pedir auxílio à Espanha. Se as tropas do rei Carlos III chegassem ao Peru, a rebelião não teria chance, por isso o inca adiantou seus planos. Cusco era uma verdadeira fortaleza. Cercada de grandes muralhas de pedra, a antiga capital do império inca tinha uma rígida planificação urbana em forma quadriculada, cujo desenho lembrava a forma de um puma. As tropas da cidade partiram em direção aos rebeldes, para conter sua chegada, enquanto mais soldados preparavam a defesa. Muitos curacas católicos, junto com suas tribos, se mostraram fiéis à Igreja e ao rei da Espanha, e ajudaram os europeus a montar uma estratégia para conter os rebeldes. O clima de agitação e expectativa diante da iminente invasão levou a cidade ao caos.
Em 28 de dezembro de 1780, Túpac chegou ao limite norte de Cusco, uma região chamada Cerro Picchu. Seguiam com ele mais de 40 mil homens, embora poucos estivessem armados e preparados para a luta. Seus planos contavam com um ataque vindo do nordeste, por Diego Cristóbal, irmão de Túpac, e com a adesão da população indígena local. Em 2 de janeiro de 1781 os combates começaram. Por dias as tropas do vice-rei, cerca de 12 mil homens, conseguiram manter os invasores afastados da cidade, tempo suficiente para receberem um reforço de 8 mil homens, seis canhões e 3 mil fuzis vindos de Lima. Os rebeldes, ao contrário, viram seus planos falharem. Diego Cristóbal não conseguiu ultrapassar as defesas espanholas do rio Urubamba e recuou. O policiamento ostensivo nas ruas de Cusco reprimiu qualquer tentativa local de sublevação. Em 8 de janeiro, Túpac fez uma tentativa desesperada e atacou a cidade com força total. A violenta batalha durou cerca de sete horas, mas as defesas se mantiveram praticamente intactas e os realistas tiveram poucas baixas.
Túpac desistiu do cerco e se aquartelou em Tinta. Em março, com o reforço de 17 mil soldados espanhóis, as tropas do vice-rei resolveram sufocar de vez a rebelião. Em 5 de abril, os espanhóis infligiram uma gigantesca derrota às tropas tupamaristas. Depois de um dia de combates, ofereceram perdão àqueles que abandonassem Túpac e se unissem a eles. No dia seguinte, cercaram o exército rebelde e conseguiram outra grande vitória, graças a informações entregues por traidores do exército inca. Os rebeldes se dispersaram e fugiram da cidade, mas Túpac e seus colaboradores mais próximos foram presos em um emboscada preparada por seus próprios partidários. Apenas uma pequena parte do exército rebelde conseguiu se refugiar nas montanhas. Na mesma semana, para comemorar sua vitória, os espanhóis enforcaram 70 curacas rebeldes na mesma praça onde o corregedor Arriaga perecera.
Túpac e sua família foram levados a Cusco, onde foram torturados para que dessem informações sobre os demais líderes rebeldes, como Diego Cristóbal, que conseguira fugir. “Diz a tradição que, sem ter como se comunicar com seus companheiros, Túpac escreveu uma carta com seu próprio sangue, em um pedaço de suas vestes, convocando todos para a luta, mas a mensagem acabou interceptada pelos espanhóis”, diz o antropólogo Rodrigo Montoya, da Universidade San Marcos, em Lima. Após 35 dias de torturas, em 18 de maio de 1871 Tupac foi levado para receber sua sentença em praça pública, no centro de Cusco: esquartejamento. Antes que a pena fosse aplicada, no entanto, Túpac assistiu ao enforcamento de seus homens rebeldes. Depois, dois filhos seus, Hipólito e Fernando, junto com Micaela, sua mulher, tiveram suas línguas cortadas, antes de serem executados. Enfim chegou sua vez. “Seus braços e pernas foram atados a quatro cavalos, que foram incitados a correrem cada um para uma direção”, diz Carpio. “Depois do insucesso de várias tentativas, os espanhóis desistiram do esquartejamento e cortaram a cabeça do inca.”
A rebelião no Alto Peru, no entanto, não acabou aí. Prosseguiu em duas frentes. Sob a liderança de Túpac Catari, cujo verdadeiro nome era Julián Apasa, e que adotou o apelido em alusão a Túpac Amaru e Tomás Catari, outro líder revolucionário morto pelos espanhóis na Bolívia, a revolta chegou a La Paz. Catari cercou a cidade em março de 1781, com mais de 10 mil homens, e fez um violento ataque em que mais de 10 mil morreram – sendo 8 mil indígenas. Após 109 dias de sítio as tropas realistas furaram o cerco. Catari voltou a atacar em agosto, mas foi derrotado e preso. Em 31 de novembro de 1781 foi executado.
A segunda onda de resistência se deu na região montanhosa em torno de Cusco, onde Diego Cristóbal continuou comandando o então reduzido exército de Túpac. Em maio de 1781, ele chegou a sitiar Puno, mas não a invadiu. Focos de conflito continuaram até 1782, quando Diego Cristóbal assinou um tratado de paz com os espanhóis. Apesar disso, depois de uma ameaça de levante em 1783, Diego e 120 supostos envolvidos acabaram executados.
Nos anos que se seguiram, os colonizadores exerceram uma forte repressão à cultura incaica e qualquer ornamento da nobreza inca foi proibido. “Falar o nome de Túpac Amaru em público virou um insulto aos espanhóis, um ato de rebeldia. A perseguição, no entanto, só aumentou o mito que se criou em torno dele e fez com que seus lendários feitos influenciassem gerações de revolucionários americanos, de Bolívar a Che Guevara”, diz Montoya. O poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), em um verso de 1970, recordou Túpac “Como um sol vencido/ uma luz desaparecida.../ Túpac germina na terra americana”.
O cerco a cusco
As forças de Túpac Amaruenfrentaram os espanhóis no localchamado de "cabeça do puma"
1. Chegada
Em 28 de dezembro,Túpac acampa com 40 mil homens ao nordeste de Cerro Picchu
2. Cerco
As tropas de Túpac se posicionam ao norte. É dia 2 de janeiro de 1781
3. 1º ataque
Túpac ataca pela Quebrada de Cayra, mas 12 mil soldados o detêm
4. 2º ataque
A segunda tentativa de conquista da cidade foi elo Cerro Pukin, ao sul
5. 3º ataque
Túpac luta durante sete horas contra os próprios índios e retira seu exército
Todos os Túpacs
O ideal de uma Américaunida contra os invasores inspirou até cantores de rap
O PRIMEIRO TÚPAC
Após a queda de Atahualpa e de Cusco, outros líderes incas se fizeram imperadores e resistiram por 40 anos à dominação espanhola. Túpac Amaru foi o último deles. Em 1572, após um massacre de mensageiros do vice-rei do Peru, mortos por homens de Túpac, os espanhóis iniciaram uma caçada ao imperador. Uma força de 250 homens partiu em direção a Vilcabamba, cidade de Túpac, destruindo altares e fortalezas incas que encontraram no caminho. Em Vilcabamba, incendiaram a cidade e prenderam seu líder, para depois executá-lo em Cusco, no mesmo local onde seu descendente, José Gabriel Túpac Amaru, seria executado mais de 200 anos depois.
MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TÚPAC AMARU – MRTA
Fundado em 1984, a organização peruana começou suas atividades de guerrilha em 1986. Contra o governo de Alan García, o MRTA promoveu seqüestros, assassinatos e atentados a bomba nas regiões de San Martín e Juanji. Em dezembro de 1996, 14 membros invadiram a residência do embaixador japonês em Lima, fazendo centenas de reféns por quase quatro meses. Em abril do ano seguinte, tropas militares tomaram a residência, libertaram os reféns e mataram todos os terroristas.
OS TUPAMAROS
O grupo surgiu em 1968 e atuou com bastante impacto na cena política uruguaia até 1972, quando inúmeras ações do governo ditatorial militar exterminaram muitos de seus integrantes. O grupo Inspirou inúmeras guerrilhas na Europa. No filme Estado de Sítio (1972), o cineasta grego Costa-Gavras mostrou a ação mais famosa dos tupamaros, o seqüestro e morte do agente da CIA Dan Mitrione, que treinou torturadores durante a ditadura no Uruguai.
OS TUPAMAROS
O grupo surgiu em 1968 e atuou com bastante impacto na cena política uruguaia até 1972, quando inúmeras ações do governo ditatorial militar exterminaram muitos de seus integrantes. O grupo Inspirou inúmeras guerrilhas na Europa. No filme Estado de Sítio (1972), o cineasta grego Costa-Gavras mostrou a ação mais famosa dos tupamaros, o seqüestro e morte do agente da CIA Dan Mitrione, que treinou torturadores durante a ditadura no Uruguai.
TUPAC AMARU SHAKUR (“2PAC”)
Rapper americano nascido no Bronx, bairro de Nova York, nos Estados Unidos, em junho de 1971. Tupac Amaru Shakur teve uma infância difícil morando em abrigos e cortiços. Seu pai, com quem nunca teve contato, era ligado aos Panteras Negras – grupo político de afirmação dos negros americanos. Aos 15 anos, vivendo em Baltimore, começou a compor. Aos 20 anos, participava de guangues e já havia passado oito meses na prisão. Em 1990 lançou seu primeiro disco e em 1992 estreou em carreira solo com o álbum 2Pacalypse Now. Suas letras tinham um tom político desafiador. Como em “Panther Power”, do álbum The Lost Tapes, em que diz:
"O sonho americano não foi feito para mim/ Lady Liberty é uma hipócrita, ela mentiu para mim/Me prometeu liberdade, educação, igualdade/ Não me deu nada além de escravidão/ Tempo de mudar o governo, agora é o poder da Pantera".
Shakur foi assassinado em 1997, baleado diversas vezes no peito depois de uma discussão.
Saiba mais
Livros
La Rebelión de Túpac Amaru, Boleslao Lewin, Instituto Cubano del Libro, 1972 - Maior análise sobre Túpac Amaru, o livro esmiúça o papel dos participantes dos eventos revolucionários
Túpac Amaru y sus Compañeros, Juan Jose Vega, Municipalidad del Qosqo, 1995 - Mostra o cenário da vida de Túpac e como era o dia-a-dia na cidade de Cusco
A Rebelião de Tupac Amaru, Kátia Gerab e Maria Angélica Campos Resende, Brasiliense, 1987 - Um panorama detalhado da revolução inca
Nuestra América, Antonio Núñez Jiménez, Editorial Pueblo Y Educación, 1990 - Conta, com riqueza de detalhes, a história geral da América Latina
=====================================================================
CANTO CORAL A TUPAC AMARU
La Rebelión de Tupac Amaru y Micaela Bastidas
Capitán Eloy Villacrez
Primer grito de Independencia en América del Sur, 04 de noviembre de 1780. Homenaje a los combatientes que se sacrificaron para que el Imperio Incaico renaciera. Al ser aplastada la rebelión, quedó el INKARI como símbolo de que pensamiento solidario y gregario del incanato está vigente en nuestro país.
CANTO CORAL A TUPAC AMARU
Lo harán volar con dinamita.
En masa, lo cargarán, lo arrastrarán.
A golpes le llenarán de pólvora la boca,
lo volarán: ¡Y no podrán matarlo!
-
Le pondrán de cabeza.
Arrancarán sus deseos, sus dientes y sus gritos.
Lo patearán a toda furia.
Luego lo sangrarán. Y no podrán matarlo!
-
Coronarán con sangre su cabeza;
sus pómulos, con golpes.
Y con clavos, sus costillas.
Le harán morder el polvo.
Lo golpearán: ¡Y no podrán matarlo!
-Le sacarán los sueños y los ojos.
Querrán descuartizarlo grito a grito.
Lo escupirán.
Y a golpe de matanza lo clavarán:
¡y no podrán matarlo!
-
Lo pondrán en el centro de la plaza,
boca arriba, mirando al infinito.
Le amarrarán los miembros.
A la mala tirarán:¡Y no podrán matarlo!
-
Querrán volarlo y no podrán volarlo.
Querrán romperlo y no podrán romperlo.
Querrán matarlo y no podrán matarlo.
-Querrán descuartizarlo, triturarlo,
mancharlo, pisotearlo, desalmarlo.
Querrán volarlo y no podrán volarlo.
-Querrán romperlo y no podrán romperlo.
Querrán matarlo y no podrán matarlo
Cartaoberro mailing list
Cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br
http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro
sábado, 6 de novembro de 2010
[Carta O BERRO] "Sitios de Memoria en América Latina" portal - Vanderley - Revista
Lanzamiento portal "Sitios de Memoria en América Latina"
Las instituciones de América Latina que integramos la Coalición Internacional de Sitios de Conciencia anunciamos el lanzamiento del portal Sitios de Memoria en América Latina un nuevo espacio de diálogo y difusión de nuestra historia continental.
Este portal, al cual se accede desde http://www.memoriaabierta.org.ar/redlatinoamericana/, reúne la información sobre el trabajo que realizamos las 27 instituciones que conformamos la Red Latinoamericana de Sitios de Conciencia. Incluye un Catálogo de materiales, muestras y publicaciones desarrolladas por los miembros de la red y una Agenda colectiva que difunde actividades vinculadas al trabajo por la memoria en la región. Éste calendario puede ser incluido en cualquier página web o blog, contribuyendo a ampliar la visibilidad de nuestro trabajo a nivel regional.
Creemos que este portal es un interesante recurso para:·dar a conocer las consecuencias que han tenido y siguen teniendo los crímenes de lesa humanidad cometidos contra nuestras comunidades por diferentes administraciones gubernamentales, como plataforma privilegiada desde la cual será posible difundir las innumerables propuestas y esfuerzos desplegados por organizaciones de derechos humanos, sobrevivientes y familiares de las víctimas del terrorismo de Estado en pos de hacer realidad los ideales de memoria, verdad y justicia.
El portal es llevado adelante por las siguientes instituciones:
* Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos de Paine (Santiago de Chile - Chile)
* Archivo Histórico de la Policía Nacional (Ciudad de Guatemala -Guatemala)
* Archivo Provincial de la Memoria (Provincia de Córdoba - Argentina)
* Asociación Caminos de la Memoria (Lima – Perú)
* Asociación Paz y Esperanza (Ayacucho - Perú)
* Casa por la Memoria y la Cultura Popular (Mendoza - Argentina)
* Centro Cultural por la Memoria (Trelew- Argentina)
* Centro Cultural y Museo de la Memoria - MUME (Montevideo - Uruguay)
* Centro de Derecho Humanos Fray Bartolomé de las Casas (Chiapas- México)
* Centro de Investigaciones Regionales de MesoAmérica (Guatemala)
* Comisión de homenaje a las víctimas de los CCD El Vesubio y Protobanco (Provincia de Buenos Aires – Argentina)
* Corporación Parque por la Paz Villa Grimaldi (Santiago de Chile - Chile)
* Dirección de Derechos Humanos de la Municipalidad de Morón (Provincia de Buenos Aires – Argentina)
* Dirección de Verdad, Justicia y Reparación - Defensoría del Pueblo (Asunción - Paraguay)
* Estadio Nacional (Santiago de Chile - Chile)
* FLASCO (Quito- Ecuador)
* Instituto de Diálogo y Propuestas (Lima – Perú)
* Memoria Abierta (Ciudad de Buenos Aires - Argentina)
* Memorial Da Resistencia (San Pablo – Brasil)
* Movimiento Ciudadano Para que no se Repita (Perú)
* Museo de la Memoria de Rosario (Provincia de Santa Fe - Argentina)
* Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (Santiago de Chile -Chile)
* Museo de la Palabra y la Imagen (San Salvador – El Salvador)
* Museo de las Memorias: Dictaduras y Derechos Humanos (Asunción - Paraguay)
* Museo Memorial de la Resistencia Dominicana (Santo Domingo – República Dominicana)
* Nucleo da preservacao da memoria politica (San Pablo – Brasil)
* Sociedad Civil Las Abejas (Chiapas- México
********************************
"Los pueblos no tienen los gobiernos que se merecen; tienen el gobierno que se les parece". André Malraux
____________________________________________________________
Dr. Antonio Escobar Ohmstede
CIESAS-D.F. (México)
Juárez 87, Col. Tlalpan, Del. Tlalpan, México, D.F., cp. 14000
Tel. (55) 54873600
Las instituciones de América Latina que integramos la Coalición Internacional de Sitios de Conciencia anunciamos el lanzamiento del portal Sitios de Memoria en América Latina un nuevo espacio de diálogo y difusión de nuestra historia continental.
Este portal, al cual se accede desde http://www.memoriaabierta.org.ar/redlatinoamericana/, reúne la información sobre el trabajo que realizamos las 27 instituciones que conformamos la Red Latinoamericana de Sitios de Conciencia. Incluye un Catálogo de materiales, muestras y publicaciones desarrolladas por los miembros de la red y una Agenda colectiva que difunde actividades vinculadas al trabajo por la memoria en la región. Éste calendario puede ser incluido en cualquier página web o blog, contribuyendo a ampliar la visibilidad de nuestro trabajo a nivel regional.
Creemos que este portal es un interesante recurso para:·dar a conocer las consecuencias que han tenido y siguen teniendo los crímenes de lesa humanidad cometidos contra nuestras comunidades por diferentes administraciones gubernamentales, como plataforma privilegiada desde la cual será posible difundir las innumerables propuestas y esfuerzos desplegados por organizaciones de derechos humanos, sobrevivientes y familiares de las víctimas del terrorismo de Estado en pos de hacer realidad los ideales de memoria, verdad y justicia.
El portal es llevado adelante por las siguientes instituciones:
* Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos de Paine (Santiago de Chile - Chile)
* Archivo Histórico de la Policía Nacional (Ciudad de Guatemala -Guatemala)
* Archivo Provincial de la Memoria (Provincia de Córdoba - Argentina)
* Asociación Caminos de la Memoria (Lima – Perú)
* Asociación Paz y Esperanza (Ayacucho - Perú)
* Casa por la Memoria y la Cultura Popular (Mendoza - Argentina)
* Centro Cultural por la Memoria (Trelew- Argentina)
* Centro Cultural y Museo de la Memoria - MUME (Montevideo - Uruguay)
* Centro de Derecho Humanos Fray Bartolomé de las Casas (Chiapas- México)
* Centro de Investigaciones Regionales de MesoAmérica (Guatemala)
* Comisión de homenaje a las víctimas de los CCD El Vesubio y Protobanco (Provincia de Buenos Aires – Argentina)
* Corporación Parque por la Paz Villa Grimaldi (Santiago de Chile - Chile)
* Dirección de Derechos Humanos de la Municipalidad de Morón (Provincia de Buenos Aires – Argentina)
* Dirección de Verdad, Justicia y Reparación - Defensoría del Pueblo (Asunción - Paraguay)
* Estadio Nacional (Santiago de Chile - Chile)
* FLASCO (Quito- Ecuador)
* Instituto de Diálogo y Propuestas (Lima – Perú)
* Memoria Abierta (Ciudad de Buenos Aires - Argentina)
* Memorial Da Resistencia (San Pablo – Brasil)
* Movimiento Ciudadano Para que no se Repita (Perú)
* Museo de la Memoria de Rosario (Provincia de Santa Fe - Argentina)
* Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (Santiago de Chile -Chile)
* Museo de la Palabra y la Imagen (San Salvador – El Salvador)
* Museo de las Memorias: Dictaduras y Derechos Humanos (Asunción - Paraguay)
* Museo Memorial de la Resistencia Dominicana (Santo Domingo – República Dominicana)
* Nucleo da preservacao da memoria politica (San Pablo – Brasil)
* Sociedad Civil Las Abejas (Chiapas- México
********************************
"Los pueblos no tienen los gobiernos que se merecen; tienen el gobierno que se les parece". André Malraux
____________________________________________________________
Dr. Antonio Escobar Ohmstede
CIESAS-D.F. (México)
Juárez 87, Col. Tlalpan, Del. Tlalpan, México, D.F., cp. 14000
Tel. (55) 54873600
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Ministério Público quer aproximação com Dilma - Nós por Cá
Depois de longo período em que o relacionamento com setores do governo Lula e sua base aliada no Congresso em diversas oportunidades foi crítico, o Ministério Público vê na gestão da presidente eleita Dilma Rousseff oportunidade para uma convivência amistosa. Dos dois lados surgiram manifestações que revelam interesse em uma aproximação e uma etapa sem tensões.
Ontem, a Associação dos Membros do Ministério Público (Conamp) - entidade que abriga 14 mil integrantes - enviou carta à petista congratulando-a "em razão da retumbante vitória nas urnas".
O documento é subscrito por César Mattar Jr., presidente da entidade. Em nome de sua classe ele destaca que os promotores estão certos de que Dilma "prestigiará os órgãos externos de controle, muito particularmente o Ministério Público, instituição inarredável ao estado democrático de direito e às metas sociais de vosso governo".
"Não estamos fazendo cobranças, esse não é o momento. Até porque ela (Dilma) já estendeu a mão", anotou Mattar Jr. "Importante é que haja um canal de diálogo. O mínimo que se pode esperar é que ela defenda o fortalecimento das instituições, não só o Ministério Público como as polícias, por meio de um novo pacto republicano. O País espera que essa onda de corrupção seja banida de uma vez por todas."
Compromisso. Em seu primeiro pronunciamento, após ser proclamada vencedora, domingo à noite, Dilma declarou que não terá tolerância com o "erro e o malfeito" na administração e que dará respaldo aos órgãos de fiscalização e de controle. A Constituição confere ao Ministério Público papel de guardião da democracia e fiscal da lei. A ele cabe investigar corrupção e improbidade.
No auge do mensalão e do caso Santo André - investigação sobre desvios na gestão do prefeito Celso Daniel (PT), assassinado em 2002 -, o então deputado José Dirceu, homem forte do Planalto, pediu controles para a promotoria. No Congresso, multiplicam-se retaliações de parlamentares do núcleo de apoio ao Planalto por meio de projetos que impõem restrições aos promotores e os acusam de abusos e viés político em sua conduta.
Três projetos, em particular, incomodam demais os promotores: o que assegura foro privilegiado a políticos e gestores públicos acusados com base na Lei da Improbidade; o que penaliza o Ministério Público em ações temerárias; e o que tira da categoria o poder de investigação no âmbito criminal. Os promotores querem Dilma como aliada para convencer deputados e senadores a barrarem tais iniciativas. Eles anotam que alguns parlamentares que integravam a frente anti-Ministério Público não se reelegeram.
"Vamos fazer um levantamento de todos esses projetos e pedir para o governo verificar", disse o promotor José Carlos Cosenzo, ex-presidente da Conamp. "Esperamos uma interlocução com o Ministério da Justiça para cuidar do que é interesse de cada instituição e evitar confrontos. O fortalecimento do Ministério Público significa preservar os princípios que aí estão, evitar que esse mundo de projetos de interesses localizados não avancem, para o bem da instituição e do próprio governo."
A reaproximação vem sendo articulada diretamente com José Eduardo Martins Cardozo, coordenador da campanha de Dilma. "José Eduardo sempre foi muito sensato, muito justo", disse Mattar Jr. "Em todos os momentos que tivemos dificuldades, notadamente quando fomos ameaçados com a lei da mordaça, aquela que tentou calar o Ministério Público, o José Eduardo abriu as portas."
O líder dos promotores propõe "acabar com o período de caça às bruxas". "Problemas existem no Congresso, notadamente ligados à corrupção, e também dentro do Ministério Público, denúncias de excessos. Mas tudo isso deve ser tratado de forma pontual, não pode atingir as instituições e a legitimidade que a sociedade lhes entregou." AgÊncia Estado
Ontem, a Associação dos Membros do Ministério Público (Conamp) - entidade que abriga 14 mil integrantes - enviou carta à petista congratulando-a "em razão da retumbante vitória nas urnas".
O documento é subscrito por César Mattar Jr., presidente da entidade. Em nome de sua classe ele destaca que os promotores estão certos de que Dilma "prestigiará os órgãos externos de controle, muito particularmente o Ministério Público, instituição inarredável ao estado democrático de direito e às metas sociais de vosso governo".
"Não estamos fazendo cobranças, esse não é o momento. Até porque ela (Dilma) já estendeu a mão", anotou Mattar Jr. "Importante é que haja um canal de diálogo. O mínimo que se pode esperar é que ela defenda o fortalecimento das instituições, não só o Ministério Público como as polícias, por meio de um novo pacto republicano. O País espera que essa onda de corrupção seja banida de uma vez por todas."
Compromisso. Em seu primeiro pronunciamento, após ser proclamada vencedora, domingo à noite, Dilma declarou que não terá tolerância com o "erro e o malfeito" na administração e que dará respaldo aos órgãos de fiscalização e de controle. A Constituição confere ao Ministério Público papel de guardião da democracia e fiscal da lei. A ele cabe investigar corrupção e improbidade.
No auge do mensalão e do caso Santo André - investigação sobre desvios na gestão do prefeito Celso Daniel (PT), assassinado em 2002 -, o então deputado José Dirceu, homem forte do Planalto, pediu controles para a promotoria. No Congresso, multiplicam-se retaliações de parlamentares do núcleo de apoio ao Planalto por meio de projetos que impõem restrições aos promotores e os acusam de abusos e viés político em sua conduta.
Três projetos, em particular, incomodam demais os promotores: o que assegura foro privilegiado a políticos e gestores públicos acusados com base na Lei da Improbidade; o que penaliza o Ministério Público em ações temerárias; e o que tira da categoria o poder de investigação no âmbito criminal. Os promotores querem Dilma como aliada para convencer deputados e senadores a barrarem tais iniciativas. Eles anotam que alguns parlamentares que integravam a frente anti-Ministério Público não se reelegeram.
"Vamos fazer um levantamento de todos esses projetos e pedir para o governo verificar", disse o promotor José Carlos Cosenzo, ex-presidente da Conamp. "Esperamos uma interlocução com o Ministério da Justiça para cuidar do que é interesse de cada instituição e evitar confrontos. O fortalecimento do Ministério Público significa preservar os princípios que aí estão, evitar que esse mundo de projetos de interesses localizados não avancem, para o bem da instituição e do próprio governo."
A reaproximação vem sendo articulada diretamente com José Eduardo Martins Cardozo, coordenador da campanha de Dilma. "José Eduardo sempre foi muito sensato, muito justo", disse Mattar Jr. "Em todos os momentos que tivemos dificuldades, notadamente quando fomos ameaçados com a lei da mordaça, aquela que tentou calar o Ministério Público, o José Eduardo abriu as portas."
O líder dos promotores propõe "acabar com o período de caça às bruxas". "Problemas existem no Congresso, notadamente ligados à corrupção, e também dentro do Ministério Público, denúncias de excessos. Mas tudo isso deve ser tratado de forma pontual, não pode atingir as instituições e a legitimidade que a sociedade lhes entregou." AgÊncia Estado
ONDE ENTRA O BRASIL NESSA HISTÓRIA TODA? - Laerte Braga
Se deixar por conta do governo sionista de Israel a Bíblia vai ter que vendida em saco plástico opaco e para maiores de dezoito anos. É que o rabino Ari Shvat, especialista da HALACHA, a lei judaica estrita, encontrou razões no Velho Testamento para justificar que espiãs do MOSSAD (serviço secreto de Israel) seduzam inimigos em busca de informações vitais à segurança nacional.Na hipótese das agentes serem casadas o rabino recomenda que seus maridos se divorciem antes de cada missão e tornem a se casar depois de completada a dita missão.
A julgar pelo estudo do rabino como se trata do povo eleito, Deus não se sentirá ofendido com esse tipo de comportamento. O estudo foi publicado originalmente na revista TEHUMIN do INSTITUTO TZOMET DE GOUSH ETZION, situado numa colônia situada em região palestina ocupada na Cisjordânia.
O sionismo e toda a farsa democrática israelense até prova em contrário só conhece, em se tratando de Bíblia, aquela parte do pessoal negociando no templo. Não sei se o estudo desce a detalhes sobre o uso da sedução em nome da segurança nacional, explicitando o que se pode ou não fazer em nome do Estado de Israel.
Sakineh Astiani pode ser executada a qualquer momento por decisão do judiciário iraniano. É acusada de crime de “adultério” e homicídio. Por interferência do governo brasileiro e organizações internacionais de direitos humanos não foi apedrejada como determina a lei islâmica em relação a mulheres “adúlteras”. A sua transferência para uma prisão específica para condenados a morte sugere que a execução esteja próxima.
Adultério ser crime já é, em si, uma barbaridade. E o era no Brasil até bem pouco tempo. Pena de morte é outra.
Em prisões norte-americanas perto de mil e duzentos presos aguardam a execução. São condenados a morte. Uma das últimas execuções foi a de uma mulher considerada incapaz mentalmente pelos médicos. O crime a ela imputado foi o de planejar o assassinato do marido e contratar os executores. Para os médicos que a examinaram ela não teria condições mentais para elaborar um crime como o que lhe foi imputado.
Seu último pedido como condenada foi um prato de frango frito com fritas e outros “adereços”, além de um refrigerante. Morreu na modalidade “injeção letal”.
Documentos secretos do governo dos EUA revelados pelo site WIKILEAKS afirmam que soldados norte-americanos mataram iraquianos por “esporte”, torturavam e estupravam presos no Iraque e continuam a praticar toda essa sorte de boçalidade no Afeganistão.
Um dos lemas, digamos assim, mais conhecidos nos EUA é IN GOOD WE TRUST. E coronel Dave Lapan, do Departamento de Defesa admite que o site dispõe de muitos outros documentos secretos.
A atitude concreta do governo dos EUA foi fazer um apelo ao diretor do site para que não divulgue mais documentos e em seguida outro apelo à mídia para que não publique esses documentos, pois colocam em risco “soldados norte-americanos em operações pela paz”.
No Brasil, por exemplo, a GLOBO atende de imediato esse tipo de apelo. Dá uma notícia chinfrim para não dizer que não falou e depois some com o resto.
O jornal THE WASHINGTON POST – para quem não se lembra, que abrigou toda a apuração do escândalo de WATERGATE que resultou na renúncia de NIXON, noticiou que diante do fracasso do governo Obama para tirar o país da grave crise que gera desemprego e coloca milhões de norte-americanos na linha da pobreza, morando em tendas, trailers, etc, ou na rua mesmo, a guerra com o Irã seria uma saída.
A notícia foi reproduzida no Brasil pelo jornal ESTADO DE SÃO PAULO.
Mais ou menos assim, “se a mão invisível do mercado é insuficiente para tirar americanos da crise, talvez tenha chegado a hora dos EUA usarem seu punho contra o Irã e sair do buraco”. Sugestão de David Broder que explica que desde 1929 “guerras são para crises nos EUA”.
“Se as tensões crescerem, a economia melhorará”
A derrota de Barack Obama, que se imagina presidente daquele país – hoje é uma corporação, um conglomerado, EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A - é apenas a retomada das políticas terroristas de Bush, anunciadas com antecedência de dois anos (as eleições presidenciais serão em 2012).
Por aqui a GLOBO separa o Brasil num mapa em que os estados onde a candidata Dilma Roussef venceu aparecem em vermelho e aqueles em que o candidato José Serra venceu em azul. Ou seja, a sugestão de um Brasil limpo como o céu, o de Serra e tinto de sangue, o de Dilma.
Uma espécie de vários brasis e um preconceito que ressurge contra os nordestinos e os do norte. A idéia exposta por uma jovem num site em São Paulo é que nordestinos são um peso para os que de fato “trabalham”.
A besteira dita pela moça, que vai enfrentar processo movido pela OAB, me trouxe à lembrança uma frase do marechal Teixeira Lott. “Acabem com os sargentos e acaba o Exército nacional”.
Milhões de migrantes nordestinos sustentam a riqueza FIESP/DASLU.
E dificilmente haverá povo mais fraterno e solidário que os nordestinos. “Antes de tudo um forte”, nas palavras de Euclides da Cunha, que antes de escrever OS SERTÕES, registre-se, era engenheiro e militar.
O Brasil de Dilma vai ter que mostrar uma face única. Latino-americana. Buscar internamente as mudanças necessárias a que o Brasil dê saltos como nos últimos oito anos, mas dentro de parâmetros que joguem no lixo as elites privilegiadas que ainda se imaginam senhoras de escravos.
Esgotou-se a política de “consertacion” como gostam de dizer os argentinos. Não há acordos possíveis para postergar transformações indispensáveis. A reforma agrária por exemplo. A reforma política.
E isso não se dará sem ampla participação dos movimentos populares, sindical e canais de formação e conscientização. De discussão aberta e sem medo sobre a mídia privada e seus interesses, os interesses que representa.
A frase de David Broder “se as tensões crescerem, a economia melhorará”, vale para as elites brasileiras. Latifúndio principalmente. Num momento em que sofrem uma derrota histórica com a vitória de Dilma dois fatores despontam. A afirmação de um caminho e os avanços consequentes, o desafio imposto a Dilma para liquidar esse caráter preconceituoso daqueles que se escondem no tal do patriotismo como refúgio para a canalhice.
E Dilma, mesmo sendo consequência de Lula, não é Lula. É outra parte da História que começa.
É um ponto capital que precisa ser entendido de imediato.
E é aí que o Brasil entra nessa história toda de agentes prostitutas do MOSSAD (com perdão das prostitutas), crime de “adultério”, pena de morte, nem falei das barbaridades cometidas pelo exército da Colômbia contra crianças, Afeganistão, Iraque, Ira, etc e tal.
O nome é um só. A barbárie aí é o capitalismo. O tal deus mercado, o que disfarça o trabalho do rabino.
[Carta O BERRO] Solidariedade aos vencidos - Vanderley - Revista
Nunca é ético tripudiar sobre o vencido. Nas vitórias, recomenda-se uma certa condescendência com quem perdeu. Por isso, para aqueles de coração aberto, ofereço aqui algumas sugestões de votos de solidariedade para com os derrotados, neste momento em que estão lambendo suas feridas.
Em primeiro lugar , pode-se escolher a solidariedade com o tucano vencido , porque é fácil imaginar a dor de cabeça que o forte impacto de uma bolinha de papel lhe deve ter causado, moral e fisicamente; ou o arrependimento que deve estar sentindo por não ter deixado a outro (um mineiro, talvez) a ingrata missão de opor-se a um projeto de aprovação popular. A solidaridade ao candidato pode e deve estender-se a muita gente próxima a ele, que deve ter passado noites insones , ao longo do período eleitoral, imaginando a candidata vencedora a executar criancinhas em praça pública, em cerimônias de aborto coletivo...
Igualmente humanitária seria a posição de solidariedade que se dirigisse para os políticos vencidos na derrota dos tucanos. Ela poderia destinar-se, por exemplo, a uma série de ex-senadores (tucanos ou agregados) , a maioria deles do Norte ou Nordeste, caciques que, de repente, se descobriram sem tribos, e que, até agora, não devem estar entendendo como conseguiram perder as eleições depois de tentar destruir, sem tréguas, a figura de um presidente com 82% de aplauso do povo.
Um voto especial, nesse âmbito, pode ir, seguramente, para o Sr. César Maia, que, na voz das urnas, encontrou ressonância equivalente às vozes que vemos diuturnamente ecoar na “Cidade da Música”, elefante branco que marcou a sua gestão na Prefeitura carioca...
Outra que merece essa mão estendida é a mídia corporativa desse país, esse poderosíssimo poder de fazer cabeças, mas injustamente não levada em consideração no pleito presidencial pela maioria dos eleitores, apesar dos esforços éticos e aéticos , factuais ou ficcionais, que levou a efeito para tentar eleger o candidato que perdeu. E, nesse caso específico, a solidariedade deve abranger os valentes profissionais que compõem essa mídia, entre eles alguns comentaristas políticos e economistas de nomeada,”especialistas” que devem até agora estar se interrogando sobre como, onde e por quê erraram, já que fizeram certinho o dever de casa (ou melhor, o dever “da casa” onde trabalham)... Deve ser horrível fazer jornalismo em um país em que as pessoas se atrevem a ter juízo próprio...
Por falar nisso, não se deve esquecer uma possível solidariedade aos leitores que escrevem cartas nessas publicações midiáticas – em sua esmagadora maioria, legitimos representantes de uma elite que, raivosa, a julgar pela forma como se manifesta, tem imensa dificuldade em conviver bem com a melhor repartição do pão que sobra em fartas mesas, com o maior movimento de gente nos aeroportos, com a maior presença de “estranhos” nas universidades, enfim, com a felicidade melhor distribuída...Imagino como estejam tristes pelo fato de não ter sido ainda desta vez que se reinstaurou entre nós o nirvana dos privilegiados...
Também há a possibilidade de se ser solidário a algumas entidades religiosas (instituições ou seitas, não importa) que, não se pode negar, cumpriram direitinho – embora sem êxito, no final das contas (que pena!) - o seu papel de aterrorizar os eleitores com assuntos que não deveriam ter composto o cardápio eleitoral. Um destaque especial pode ser conferido ao Papa, que fez todo o esforço possível para que o obscurantismo prevalecesse , mas que não encontrou, entre os seus fiéis, tanta devoção à causa quanto julgava, apesar das recomendadas lavagens cerebrais eclesiásticas.
Há ainda a solidariedade aos verdes – cuja “onda”, afinal de contas, acabou por não gerar mais que uns gatos pingados no Congresso - e aos de outras colorações que, por não terem uma posição firmada sobre coisa alguma, encontraram grande dificuldade para se manterem em cima de muros, em posição desconfortável que, quem sabe, ainda lhes poderá trazer, no futuro, outros problemas de desvio na coluna ideológica. Aqui excluo, em nome da verdade, o Sr Fernando Gabeira, que, embora verde, jamais se omitiu e deixou claríssima sua posição de aproximação retrógrada com a turma da direita
Pode ser que, tocados por essa onda de solidariedade, alguns desses derrotados venham a experimentar uma crise de consciência ou uma correção de rumos. Não sou muito otimista quanto a isso. A julgar pelo tom da “saudação” do candidato derrotado no discurso que se seguiu à proclamação dos resultados, penso que Dilma e as forças vitoriosas não devem desprezar as potencialidades venenosamente vingativas desse pessoal. E devem, desde já, prevenir-se com o antídoto infalível – porque já testado e comprovado - da continuidade dos projetos de redenção social como tônica do Govern
Em primeiro lugar , pode-se escolher a solidariedade com o tucano vencido , porque é fácil imaginar a dor de cabeça que o forte impacto de uma bolinha de papel lhe deve ter causado, moral e fisicamente; ou o arrependimento que deve estar sentindo por não ter deixado a outro (um mineiro, talvez) a ingrata missão de opor-se a um projeto de aprovação popular. A solidaridade ao candidato pode e deve estender-se a muita gente próxima a ele, que deve ter passado noites insones , ao longo do período eleitoral, imaginando a candidata vencedora a executar criancinhas em praça pública, em cerimônias de aborto coletivo...
Igualmente humanitária seria a posição de solidariedade que se dirigisse para os políticos vencidos na derrota dos tucanos. Ela poderia destinar-se, por exemplo, a uma série de ex-senadores (tucanos ou agregados) , a maioria deles do Norte ou Nordeste, caciques que, de repente, se descobriram sem tribos, e que, até agora, não devem estar entendendo como conseguiram perder as eleições depois de tentar destruir, sem tréguas, a figura de um presidente com 82% de aplauso do povo.
Um voto especial, nesse âmbito, pode ir, seguramente, para o Sr. César Maia, que, na voz das urnas, encontrou ressonância equivalente às vozes que vemos diuturnamente ecoar na “Cidade da Música”, elefante branco que marcou a sua gestão na Prefeitura carioca...
Outra que merece essa mão estendida é a mídia corporativa desse país, esse poderosíssimo poder de fazer cabeças, mas injustamente não levada em consideração no pleito presidencial pela maioria dos eleitores, apesar dos esforços éticos e aéticos , factuais ou ficcionais, que levou a efeito para tentar eleger o candidato que perdeu. E, nesse caso específico, a solidariedade deve abranger os valentes profissionais que compõem essa mídia, entre eles alguns comentaristas políticos e economistas de nomeada,”especialistas” que devem até agora estar se interrogando sobre como, onde e por quê erraram, já que fizeram certinho o dever de casa (ou melhor, o dever “da casa” onde trabalham)... Deve ser horrível fazer jornalismo em um país em que as pessoas se atrevem a ter juízo próprio...
Por falar nisso, não se deve esquecer uma possível solidariedade aos leitores que escrevem cartas nessas publicações midiáticas – em sua esmagadora maioria, legitimos representantes de uma elite que, raivosa, a julgar pela forma como se manifesta, tem imensa dificuldade em conviver bem com a melhor repartição do pão que sobra em fartas mesas, com o maior movimento de gente nos aeroportos, com a maior presença de “estranhos” nas universidades, enfim, com a felicidade melhor distribuída...Imagino como estejam tristes pelo fato de não ter sido ainda desta vez que se reinstaurou entre nós o nirvana dos privilegiados...
Também há a possibilidade de se ser solidário a algumas entidades religiosas (instituições ou seitas, não importa) que, não se pode negar, cumpriram direitinho – embora sem êxito, no final das contas (que pena!) - o seu papel de aterrorizar os eleitores com assuntos que não deveriam ter composto o cardápio eleitoral. Um destaque especial pode ser conferido ao Papa, que fez todo o esforço possível para que o obscurantismo prevalecesse , mas que não encontrou, entre os seus fiéis, tanta devoção à causa quanto julgava, apesar das recomendadas lavagens cerebrais eclesiásticas.
Há ainda a solidariedade aos verdes – cuja “onda”, afinal de contas, acabou por não gerar mais que uns gatos pingados no Congresso - e aos de outras colorações que, por não terem uma posição firmada sobre coisa alguma, encontraram grande dificuldade para se manterem em cima de muros, em posição desconfortável que, quem sabe, ainda lhes poderá trazer, no futuro, outros problemas de desvio na coluna ideológica. Aqui excluo, em nome da verdade, o Sr Fernando Gabeira, que, embora verde, jamais se omitiu e deixou claríssima sua posição de aproximação retrógrada com a turma da direita
Pode ser que, tocados por essa onda de solidariedade, alguns desses derrotados venham a experimentar uma crise de consciência ou uma correção de rumos. Não sou muito otimista quanto a isso. A julgar pelo tom da “saudação” do candidato derrotado no discurso que se seguiu à proclamação dos resultados, penso que Dilma e as forças vitoriosas não devem desprezar as potencialidades venenosamente vingativas desse pessoal. E devem, desde já, prevenir-se com o antídoto infalível – porque já testado e comprovado - da continuidade dos projetos de redenção social como tônica do Govern
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
QUAL A "ALTURA" DE ZAQUEU, PERSONAGEM DE LUCAS 19,1-10 - bismarck frota xerez
Primeia pergunta
Por que ZAQUEU só aparece no Evangelho de Lucas?
Lucas conta que Zaqueu é o Chefe dos Cobradores de Impostos em Jericó. E rico. (Lc 19,1-2).
"Ele (Zaqueu) procurava ver Jesus". Lc 19,3.
CONTEXTO: Lucas escreve seu Evangelho para suas comunidades.
INTENÇÃO: Lucas escreve para que suas comunidades se vejam em Zaqueu, alguém que procura Jesus.
Zaqueu não conseguia ver Jesus porque era baixinho.
Embora Lucas não seja semita, conta uma história semítica. Os semitas contam usando simbolos.
QUAL A ALTURA DE ZAQUEU? 1,50-1,55 m?
Esta "altura" é moral.
Zaqueu é um ladrão, a SERVIÇO do Império Romano e do Templo.
(o cristianismo surge como seita judaica, em oposição ao Templo, Jesus dirá que chegará o tempo que Deus será adorado em verdade e em espirito).
No versiculo seguinte (v.4) Lucas descreve o PROCESSO DE CONVERSÃO.
Lucas descreve o procedimento daqueles que buscam "ver" Jesus.
"Zaqueu correu à frente e subiu num sicômoro (arvore semelhante a figueira) para ver Jesus que devia passar por ali".
Lucas usa o simbolo: figueira. A figueira simboliza Israel.
Povo escolhido para acolher o Messias que "devia passar por ali".
PORÉM
Lucas no versiculo seguinte, 5, repete a teologia da Bíblia Hebraica: é Deus quem nos escolhe. É Deus quem toma iniciativa.
"Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: 'Zaqueu,desce depressa!"
As comunidades cristãs eram constituidas de judeus e não judeus.
Imagine o efeito desta narração de Lucas sobre um judeu-cristão:
"Zaqueu, desce depressa!" Desce de onde? Da árvore ou do que a figueira simboliza?
Os ouvintes de Lucas estão fora da Judeia, estão longe, mas ouvem a história do Messias dos judeus.
Para ver Jesus não precisa subir na árvore simbolo do Povo de Israel.
Contijnua Lucas sua narração:
"Hoje eu devo ficar na tua casa". (Lc 19,5).
O FATO HISTORICO: Jesus se dirigindo a Jerusalém, passando por Jericó, e reafirmando NA PRÁTICA, A SUA MISSÃO DE MESSIAS.
Está na continuação da narração de Lucas:
"com efeito , o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Lc 19,10.
Esta é a conclusão de Lucas para suas comunidades, é a mesma para nós seguidores de Jesus HOJE.
31o domingo do tempo comum: NOSSA MISSÃO HOJE É PROURAR O QUE , ESTRUTURAS E PESSOAS, QUE ESTÃO LONGE DOS CRITÉRIOS DO REINO DE DEUS.
E SALVÁ-LOS SIGNIFICA, PARA NÓS HOJE, século XXI, RESTAURÁ-LOS SEGUNDO OS CRITÉRIOS DO REINO DE DEUS.
Imaginem o FATO HISTÓRICO, Jesus se hospeda na casa dos ladrões oficiais, daquele tempo. Vistos pelos que se julgavam melhores, os cumpridores da Lei, como "baixos", sem ética, sem moral, sem principios.
Em linguagem religiosa: pecadores.
Os oprimidos incorporam em sua auto-estima, a estima que os opressores têm por eles.
Conta Lucas, 19,7, "ao ver isso, (Jesus ir se hospedar em casa de Zaqueu), todos começaram a murmurar, dizendo: ' "foi hospedar-se na casa de um pecador".
O Apostolo Paulo desacatará a hipocrisia do Apostolo Pedro, como está descrita em Gálatas 2,11-14. CONFIRA.
O pecador Zaqueu (roubava na cobrança dos impostos que iam para o Tesouro do Império Romano e para o tesouro do Templo de Jerusalém), por isso ficou rico, faz questão de anotar o evangelista Lucas, ficou feliz com a INCLUSÃO SOCIAL que Jesus promove dele ao dizer para todo o público de moralistas: "Hoje devo ficar em sua casa" Lc 19,5.
Lucas conta este momento da História de Zaqueu, também de RUPTURA DE PARADIGMA RELIGIOSO usando outro simbolo: "Zaqueu pôs-se de pé....."
Extraio do livro CORPO TERRITÓRIO DO SAGRADO, do Ministro Catolico Evaristo Eduardo de Miranda, Edições Loyola, 2000:
"Os pés , nos assentam no chão, permitem a postura vertical, a marcha e são dos mais importantes lugares simbólicos do corpo humano. Objeto de tantos mitos, os pés são o lugar de contato entre o homem e a terra, ponto de partida para a verticalização, elevação e ascensão".
Embora Lucas não fosse judeu, aprendeu com seu amigo judeu, Paulo, os significados dos simbolos usados pelos judeus. E os usa para escrever seu evangelho.
Descreve a ação da GRAÇA em Zaqueu ao nos contar que Zaqueu "pôs-se de pé".
De pé, atitude de prontidão, "ponto de partida para a verticalização, elevação e ascensão".
Lucas descreve a CONVERSÃO de Zaqueu.
Conversão na biblia não é aceitar um catecismo com seus dogmas.
É OLHAR PARA SI , RECONHECER-SE PECADOR, ARREPENDER-SE, MUDAR DE "MARCHA" , daí "pôr-se de pé", mudar DE CAMINHAR, DE PROCEDER, É REPARAR AS INJUSTIÇAS.
Tudo isso Lucas descreve na fala de Zaqueu:
"Senhor, a metade dos meus bens darei aos pobres, e se prejudiquei alguém, vou devolver quatro vezes mais".
Jesus confirma a conversaõ, escreve Luca:
"Jesus lhe disse: "Hoje aconteceu a salvação para esta casa", porque também este é um filho de Abraão". Lc 19, 9.
Jesus reafirma a doutrina de que Deus não quer senão "corações contritos", que pratiquem a JUSTIÇA.
CONCLUI JESUS SEU DISCURSO:
"COM EFEITO, O FILHO DO HOMEM VEIO PROCURAR E SALVAR O QUE ESTAVA PERDIDO".
Por que ZAQUEU só aparece no Evangelho de Lucas?
Lucas conta que Zaqueu é o Chefe dos Cobradores de Impostos em Jericó. E rico. (Lc 19,1-2).
"Ele (Zaqueu) procurava ver Jesus". Lc 19,3.
CONTEXTO: Lucas escreve seu Evangelho para suas comunidades.
INTENÇÃO: Lucas escreve para que suas comunidades se vejam em Zaqueu, alguém que procura Jesus.
Zaqueu não conseguia ver Jesus porque era baixinho.
Embora Lucas não seja semita, conta uma história semítica. Os semitas contam usando simbolos.
QUAL A ALTURA DE ZAQUEU? 1,50-1,55 m?
Esta "altura" é moral.
Zaqueu é um ladrão, a SERVIÇO do Império Romano e do Templo.
(o cristianismo surge como seita judaica, em oposição ao Templo, Jesus dirá que chegará o tempo que Deus será adorado em verdade e em espirito).
No versiculo seguinte (v.4) Lucas descreve o PROCESSO DE CONVERSÃO.
Lucas descreve o procedimento daqueles que buscam "ver" Jesus.
"Zaqueu correu à frente e subiu num sicômoro (arvore semelhante a figueira) para ver Jesus que devia passar por ali".
Lucas usa o simbolo: figueira. A figueira simboliza Israel.
Povo escolhido para acolher o Messias que "devia passar por ali".
PORÉM
Lucas no versiculo seguinte, 5, repete a teologia da Bíblia Hebraica: é Deus quem nos escolhe. É Deus quem toma iniciativa.
"Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: 'Zaqueu,desce depressa!"
As comunidades cristãs eram constituidas de judeus e não judeus.
Imagine o efeito desta narração de Lucas sobre um judeu-cristão:
"Zaqueu, desce depressa!" Desce de onde? Da árvore ou do que a figueira simboliza?
Os ouvintes de Lucas estão fora da Judeia, estão longe, mas ouvem a história do Messias dos judeus.
Para ver Jesus não precisa subir na árvore simbolo do Povo de Israel.
Contijnua Lucas sua narração:
"Hoje eu devo ficar na tua casa". (Lc 19,5).
O FATO HISTORICO: Jesus se dirigindo a Jerusalém, passando por Jericó, e reafirmando NA PRÁTICA, A SUA MISSÃO DE MESSIAS.
Está na continuação da narração de Lucas:
"com efeito , o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Lc 19,10.
Esta é a conclusão de Lucas para suas comunidades, é a mesma para nós seguidores de Jesus HOJE.
31o domingo do tempo comum: NOSSA MISSÃO HOJE É PROURAR O QUE , ESTRUTURAS E PESSOAS, QUE ESTÃO LONGE DOS CRITÉRIOS DO REINO DE DEUS.
E SALVÁ-LOS SIGNIFICA, PARA NÓS HOJE, século XXI, RESTAURÁ-LOS SEGUNDO OS CRITÉRIOS DO REINO DE DEUS.
Imaginem o FATO HISTÓRICO, Jesus se hospeda na casa dos ladrões oficiais, daquele tempo. Vistos pelos que se julgavam melhores, os cumpridores da Lei, como "baixos", sem ética, sem moral, sem principios.
Em linguagem religiosa: pecadores.
Os oprimidos incorporam em sua auto-estima, a estima que os opressores têm por eles.
Conta Lucas, 19,7, "ao ver isso, (Jesus ir se hospedar em casa de Zaqueu), todos começaram a murmurar, dizendo: ' "foi hospedar-se na casa de um pecador".
O Apostolo Paulo desacatará a hipocrisia do Apostolo Pedro, como está descrita em Gálatas 2,11-14. CONFIRA.
O pecador Zaqueu (roubava na cobrança dos impostos que iam para o Tesouro do Império Romano e para o tesouro do Templo de Jerusalém), por isso ficou rico, faz questão de anotar o evangelista Lucas, ficou feliz com a INCLUSÃO SOCIAL que Jesus promove dele ao dizer para todo o público de moralistas: "Hoje devo ficar em sua casa" Lc 19,5.
Lucas conta este momento da História de Zaqueu, também de RUPTURA DE PARADIGMA RELIGIOSO usando outro simbolo: "Zaqueu pôs-se de pé....."
Extraio do livro CORPO TERRITÓRIO DO SAGRADO, do Ministro Catolico Evaristo Eduardo de Miranda, Edições Loyola, 2000:
"Os pés , nos assentam no chão, permitem a postura vertical, a marcha e são dos mais importantes lugares simbólicos do corpo humano. Objeto de tantos mitos, os pés são o lugar de contato entre o homem e a terra, ponto de partida para a verticalização, elevação e ascensão".
Embora Lucas não fosse judeu, aprendeu com seu amigo judeu, Paulo, os significados dos simbolos usados pelos judeus. E os usa para escrever seu evangelho.
Descreve a ação da GRAÇA em Zaqueu ao nos contar que Zaqueu "pôs-se de pé".
De pé, atitude de prontidão, "ponto de partida para a verticalização, elevação e ascensão".
Lucas descreve a CONVERSÃO de Zaqueu.
Conversão na biblia não é aceitar um catecismo com seus dogmas.
É OLHAR PARA SI , RECONHECER-SE PECADOR, ARREPENDER-SE, MUDAR DE "MARCHA" , daí "pôr-se de pé", mudar DE CAMINHAR, DE PROCEDER, É REPARAR AS INJUSTIÇAS.
Tudo isso Lucas descreve na fala de Zaqueu:
"Senhor, a metade dos meus bens darei aos pobres, e se prejudiquei alguém, vou devolver quatro vezes mais".
Jesus confirma a conversaõ, escreve Luca:
"Jesus lhe disse: "Hoje aconteceu a salvação para esta casa", porque também este é um filho de Abraão". Lc 19, 9.
Jesus reafirma a doutrina de que Deus não quer senão "corações contritos", que pratiquem a JUSTIÇA.
CONCLUI JESUS SEU DISCURSO:
"COM EFEITO, O FILHO DO HOMEM VEIO PROCURAR E SALVAR O QUE ESTAVA PERDIDO".
[Carta O BERRO] Carta Maior ´artigo de Izaías Almada " Bem-vinda, presidente Dilma Rousseff" - Vanderley - Revista
Bem que o Brasil do atraso tentou, o Brasil da calúnia, da infâmia, da subserviência, o Brasil que perdeu a noção da História e da realidade em que vive e da realidade que o cerca. Não adiantou o cidadão e candidato José Serra e a oposição que representa construírem uma estratégia eleitoral torpe, baseada no ódio, na intolerância e no preconceito, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que parte de sua acertada estratégia política está cumprida ao eleger sua candidata e sucessora.
Vitória da perspicácia, da sensibilidade no trato das coisas políticas, da coragem pessoal em confrontar, à sua maneira, a oligarquia que deixou o governo em 2002. E o fez com paciência e tentativas de diálogo e – sobretudo – com o conhecimento do seu povo. É preciso reconhecer: haja sociologia para explicar 83% de aprovação popular a um governo no Brasil. Já disse alguém que a política é a arte do possível. Para muitos, infelizmente, ainda é difícil entender isso. À direita e à esquerda.
Ontem, 31 de outubro de 2010, venceu o Brasil que quer continuar mudando, que busca alternativas para se tornar um país mais soberano e menos injusto. Venceu o povo brasileiro mais sofrido e humilde. Venceu novamente a esperança. Ou, para os menos otimistas, a possibilidade de se continuar tendo esperança. E ouso dizer também que, mais do que o Brasil, venceu a nova América Latina de Chávez, Morales, Correa, Lugo, Cristina e Nestor, Castro, Funes, Mujica e Ortega.
Os miasmas da intolerância e de um fascismo travestido de faniquitos democráticos não muito bem explicados em manifestos e editoriais jornalísticos, em telejornais e revistas de final de semana, em violência e profanação religiosa, em tentativa de manipulação da opinião do eleitor, nos últimos três meses, ou se quisermos, nos últimos oito anos, não foram suficientes para desviar milhões de eleitores brasileiros da rota de um desejo sincero de ver o Brasil mais justo, mais independente e de olhos postos no futuro e não no passado.
Retomando a História interrompida com a morte de Getúlio Vargas e traumatizada pelo golpe civil/militar de 1964, que derrubou um governo eleito democraticamente, a vitória de Dilma Roussef faz uma ponte com nosso passado ainda recente e relança as bases de um protagonismo popular para o futuro, fazendo o país voltar ao leito democrático de onde foi retirado pela força de tanques e baionetas apoiados pelo Departamento de Estado norte americano, esse mesmo Estado que continua a insistir com sua política de desestabilizar governos eleitos democraticamente, como a Venezuela de Chávez, a Bolívia de Evo Morales, a Honduras de Manuel Zelaya ou o Equador de Rafael Correa. E que, com certeza, não dará tréguas ao governo de Dilma Roussef. É bom que não nos esqueçamos disto no calor e na alegria da vitória.
No vácuo da repressão policial/militar da ditadura, com a sua falta de garantias democráticas plenas, instalou-se também no Brasil, em anos mais recentes, a ditadura do poder econômico, impondo-se entre nós o pensamento e a prática hegemônica neoliberal, assumida por uma social democracia encantada com a possibilidade de chegar ao poder político, como de fato chegou, com a chamada redemocratização do país na metade dos anos oitenta. E com o sonho de lá permanecer por pelo menos 20 anos, no dizer de alguns de seus caciques, começando com a imoral compra de votos para a reeleição do seu até então maior ideólogo, Fernando Henrique Cardoso, o presidente das privatarias e traidor do povo brasileiro. Essa prática política encantou àqueles que olharam o país e a História com o binóculo posto ao contrário.
Nesses últimos cinquenta anos de História, tanto uma, a ditadura, quanto o outro, o poder econômico imposto pelo Consenso de Washington, tiveram a seu lado aquele que pode ser considerado o mais forte aliado do mundo contemporâneo: a força do quarto poder, a mídia. Jornais, rádios, televisões, revistas, em grande parte subsidiados ideologicamente por pensadores e acadêmicos de dentro e de fora do país, fizeram de seus editoriais e matérias jornalísticas a apologia diária do paraíso para o capital transnacional, com seus deslumbrados e submissos defensores internos, ao mesmo tempo em que combatiam e dilapidavam as garantias e a defesa dos direitos dos trabalhadores através do arrocho salarial, da terceirização de serviços, do aumento do desemprego, do desestí mulo às reivindicações de inúmeras categorias profissionais, da privatização de empresas nacionais estratégicas, agindo contra os interesses nacionais, da criminalização dos movimentos sociais, mantendo intacto – de certa maneira – o arcabouço repressivo ditatorial com um inquestionável conservadorismo na sua prática política.
Tudo isso sustentado por uma democracia e uma Constituição, aquela que melhor se pode arranjar em 1988, a tal Constituição Cidadã, um imenso tratado com quase quinhentos artigos, tamanho o número de interesses a serem contemplados e acomodados, e que ainda assim, na prática, vem sendo solapada e substituída no dia a dia por um mecanismo anacrônico denominado Medida Provisória, que sempre poderá agradar ou desagradar a gregos e troianos, conforme os interesses de momento e o grupo que estiver no poder político.
Em verdade, passamos a viver a partir da segunda metade dos anos 80 um arremedo de democracia. Dá para o gasto, é claro, pois sempre podemos encher a boca e dizer que vivemos num país democrático, e sob vários aspectos isso é verdade, muito embora os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com as honrosas exceções de sempre, se deixaram ou ainda se deixam escorregar tentadoramente por caminhos tortuosos, para dizer o menos, quando fica bastante evidente a verdadeira luta de classes no país.
A recente campanha eleitoral deixou à mostra como muitos brasileiros entendem a democracia: um regime de privilégios que é preciso manter a ferro e fogo, sempre e quando para isso se use tais “privilégios” para arrasar o adversário, assassinar sua reputação, atribuindo-lhe as piores qualidades morais e profissionais. São os democratas de fins de semana, dos almoços dominicais com a família. Hipocrisia que a campanha do candidato José Serra mostrou à perfeição.
Nesse quadro político e institucional, os homens que queriam governar “por 20 anos” descuidaram-se e o sentimento de mudanças que permeava partidos de esquerda e movimentos sociais desde o período ditatorial, soube se movimentar, mesmo com suas divergências, contradições e até defecções, criando condições para que o país buscasse alternativas para o sufoco neoliberal.
Incrédulos com a vitória do metalúrgico semi-analfabeto em 2002, os serviçais e bajuladores da “Casa Grande”, fiéis leitores da cartilha econômica do neoliberalismo, apostaram suas fichas no fracasso e na incompetência do operário, sem jamais esconder o seu preconceito de classe e seu espírito impatriótico. À medida que o tempo avançou e o fracasso esperado do governo Lula não vinha, os órgãos de comunicação social foram mais uma vez acionados com bastante virulência no ano de 2005, pois nova derrota eleitoral seria o início do desastre.
De nada adiantou a campanha moralista naquela altura, curiosamente liderada por alguns dos políticos mais imorais e corruptos do país, alguns deles felizmente defenestrados nas recentes eleições, ou as CPIs policialescas instaladas nas duas casas do Congresso Nacional, onde a pregação intolerante contra o Partido dos Trabalhadores e a esquerda de um modo geral chegou a ser defendida com o chamamento à eliminação “dessa gente” da política brasileira. Bravatas, arrogância e intolerância substituíam os discursos políticos daquilo que se poderia esperar de uma oposição minimamente civilizada, se é que se pode chamar de civilizados um grande número de dilapidadores do patrimônio nacional em beneficio próprio.
Acuado, o governo soube esperar a hora do contra ataque. E o fez no seu segundo mandato, aprofundando as suas políticas sociais e de infraestrutura econômica. Lula se reelegeu em 2006 e chega a 2010, no final do seu governo, com um índice de popularidade “nunca visto antes na história desse país”. E mais: sai o operário e entra uma mulher. Impensável no Brasil de dez anos atrás.
O desafio que tem pela frente a presidente Dilma Roussef é enorme, a começar pela guerra diária que lhe imporá a vetusta oligarquia brasileira e sua velha mídia incompetente, desonesta e oportunista.
Mas, guerra é guerra e o povo, atento e organizado, sempre que chamado, irá se manifestar através de sindicatos, dos movimentos sociais, das entidades estudantis e dos partidos políticos comprometidos com a soberania do país e das suas conquistas sociais, fazendo avançar essas conquistas. E também através de uma nova mídia que se forma pela internet ou – o que espera o país – ver alguns jornais, revistas e televisões tendo que se ajustar a um novo marco regulatório para a comunicação social, tornando-a verdadeiramente democrática.
De hoje em diante toda atenção é pouca, porque o conservadorismo, agora efetivamente de mãos dadas com o emergente fascismo tupiniquim não irá descansar. E essa é uma união mais do que perigosa. Alguém já disse que para onde pender o Brasil, deverá pender a América Latina. Não deixemos que a vitória nos faça esquecer que o inimigo é forte e continuará sua insidiosa luta no dia a dia das calúnias, das mentiras, dos factóides, tentando minar a confiança do povo no seu novo governo.
Felicidades, presidente Dilma Roussef! Seja bem-vinda.
(*) Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).
[Carta O BERRO] Dos porões do Dops para a Presidência por Rui Martins -Vanderley - Revista
Dilma Rousseff foi resistente contra a ditadura militar e foi uma das jovens presas no Dops.
Extraordinária revanche que, ao mesmo tempo, reforça o conceito de ser preciso lutar, mesmo quando se é minoria e parece ser perdida a causa. Qual dos carrascos e dos militares do Golpe de 64 poderia imaginar, naqueles passados fim dos anos 60, que uma das jovens recolhidas a uma das celas do Dops seria eleita, mais de 40 anos depois, presidenta do Brasil ?
Diante de situações como essa, se fortalece a convição da necessidade de se lutar mesmo quando tudo parece ser contra nós e quando se é uma reduzida minoria. Graças ao meu amigo e colega Alípio Freire, imponente e carismática figura, visitei, durante minha viagem a São Paulo, dois lugares que me religaram à época da luta contra a ditadura militar – os arquivos onde estão guardados os documentos relacionados com os perseguidos, presos, torturados e mesmo assassinados no Dops, depois chamado de Deops, mas sempre um instrumento cruel da repressão. E a seguir, na praça General Osório, junto à antiga Estação da Luz, os lugares onde funcionavam parte dos mecanismos da repressão, hoje transformados no Memorial da Resistência.
Cubículos onde se acumulavam os jovens resistentes à ditadura, onde eram torturados, recebiam verdadeiras lavagens de porcos como refeições e apodreciam sem direito à luz solar, coisa permitida reduzidas vezes e apenas por restritos minutos. Coincidentemente, ali estavam no começo de outubro, data de minha visita, numerosos cinegrafistas dos diversos canais da televisão brasileira.
E por que ? Para mandarem ao ar, logo após confirmada a vitória de Dilma Rousseff, documentos filmados da cela onde esteve presa, quando militante contra a ditadura militar brasileira. A vitória não saiu, como se esperava, no primeiro turno, e tudo vai ser levado à televisão brasileira neste domingo do segundo turno.
Não faltarão, sem dúvida, as informações truncadas, pelas quais ouvi um jovem me dizer, ter sido Dilma assaltante de bancos, mas tinha recebido informação incompleta, pois não lhe tinham explicado ser essa a maneira, na época, de se atacar o sistema militar e obter fundos para manter a resistência aos ditadores.
Estranho país esse meu Brasil, onde por guerrinhas políticas se procura denegrir a imagem de seus heróis do passado. Os covardes de ontem, que compuseram, colaboraram ou se aproveitaram da ditadura tentam agora minimizar o valor de todos quantos expuseram suas vidas em luta pela liberdade e pela democracia dos dias de hoje.
Dilma Rousseff não é apenas a primeira mulher brasileira eleita presidenta (e isso já é estraordinário num país tido como de machistas), é mais que isso, é uma das lutadoras naqueles escuros anos de chumbo. Anos em que, militares teleguiados pelos EUA destruíram a cultura construída nas nossas universidades, a pretexto de evitar o marxismo, mas na verdade para manter a desigualdade social e a semi-escravidão de grande parte da população, da qual só agora vamos saindo.
Dilma foi uma resistente, vinda das hostes de um outro herói, Leonel Brizola. Sua eleição é o coroamento do longo caminho das batalhas sociais em favor do povo e da liberdade, que são por uma melhor repartição do pão e por uma melhor remuneração do trabalho da maioria da população.
Depois de quase quinhentos anos de um Brasil governado sempre pelas mesmas famílias, pelas mesmas oligarquias, houve a ascenção de um filho do povo. A Casa Grande perdeu para os habitantes da Senzala e um Brasil mais justo vai surgindo, mesmo diante de numerosas tentativas para se devolver o poder aos seus antigos detentores. Oito anos, tantas vezes conturbados pelas dificuldades de se governar com um Parlamento viciado na corrupção, é um tempo curto demais para se contrapor aos quase 500 da elite branca e rica brasileira, disposta tantas vezes a vender e a ceder nossas riquezas em troca de vantagens pessoais.
Dilma Rousseff, a corajosa mulher dos anos 60, que viveu três anos nas escuras celas do Dops, por afrontar os militares – nisso sobrepujando tantos homens, dispostos por covardia a se submeter aos fardados – é hoje a garantia de um novo governo em favor do povo e não em favor dos ricos e suas oligarquias.
O Brasil é exemplo de democracia na América Latina, mostra um enorme avanço tecnológico ao ser capaz de apurar rapidamente as eleições que, nos EUA, demoram um mês em meio a trapaças de toda espécie.
A derrota de Serra sela o fim de um época. Por um bom tempo, poderemos ter a certeza da manutenção dos verdadeiros representantes do povo no poder, mesmo sob a pressão do cartel da imprensa da direita, que confunde liberdade de expressão com manipulação e engôdo do povo com seus telejornais supérfluos, suas telenovelas modificadoras da nossa cultura e com sua máquina de informação implantada por todo o país sem contrapartida, numa verdadeira ditadura latente e invisível mas eficaz.
Dilma, a resistente de ontem é a nossa presidenta de hoje, numa extraordinária revanche aos golpistas, torturadores e assassinos do passado, ainda saudosos dos anos em que enterraram aqueles anos ricos em cultura e manifestação popular. Os tempos mudaram, graças aos resistentes, o Brasil se transformou, graças aos anos Lula numa potência mundial, que Dilma, representante das mulheres brasileiras, tantas vezes oprimidas e obrigadas a ficar na cozinha, vai continuar.
PS. Graças aos arquivos do tempo da ditadura, pude também me reencontrar, naqueles idos de 1967-68, ao lado de Mario Martins, no Teatro Paramout, secretariando o Encontro com a Liberdade, ao lado dos resistentes da época. A história de um país não se faz num dia, ela é o resultado de anos de lutas e, no caso do Brasil, a satisfação dos dias de hoje é saber que a Casa Grande está sendo transformada em Casa do Povo.
PS-2. A partir de amanhã e até o dia 9, os emigrantes poderão eleger seus representantes num Conselho junto ao Itamaraty, apenas figurativo, mas que poderá ser um trampolim a uma Secretaria de Estado dos Emigrantes. Na América do Norte, são candidatos apoiados pelos Estado do Emigrante, Josivaldo Rodrigues e Veronique Ballot; na América do Sul, Fernanda Balli; na Ásia/África Alberto Ésper e, na Europa, Rui Martins. Para votar ir ao site www.brasileirosnomundo.mre.gov.br , onde estão todas as informações.
Rui Martins,
correspondente em Genebra, líder emigrante, jornalista e escritor.
Extraordinária revanche que, ao mesmo tempo, reforça o conceito de ser preciso lutar, mesmo quando se é minoria e parece ser perdida a causa. Qual dos carrascos e dos militares do Golpe de 64 poderia imaginar, naqueles passados fim dos anos 60, que uma das jovens recolhidas a uma das celas do Dops seria eleita, mais de 40 anos depois, presidenta do Brasil ?
Diante de situações como essa, se fortalece a convição da necessidade de se lutar mesmo quando tudo parece ser contra nós e quando se é uma reduzida minoria. Graças ao meu amigo e colega Alípio Freire, imponente e carismática figura, visitei, durante minha viagem a São Paulo, dois lugares que me religaram à época da luta contra a ditadura militar – os arquivos onde estão guardados os documentos relacionados com os perseguidos, presos, torturados e mesmo assassinados no Dops, depois chamado de Deops, mas sempre um instrumento cruel da repressão. E a seguir, na praça General Osório, junto à antiga Estação da Luz, os lugares onde funcionavam parte dos mecanismos da repressão, hoje transformados no Memorial da Resistência.
Cubículos onde se acumulavam os jovens resistentes à ditadura, onde eram torturados, recebiam verdadeiras lavagens de porcos como refeições e apodreciam sem direito à luz solar, coisa permitida reduzidas vezes e apenas por restritos minutos. Coincidentemente, ali estavam no começo de outubro, data de minha visita, numerosos cinegrafistas dos diversos canais da televisão brasileira.
E por que ? Para mandarem ao ar, logo após confirmada a vitória de Dilma Rousseff, documentos filmados da cela onde esteve presa, quando militante contra a ditadura militar brasileira. A vitória não saiu, como se esperava, no primeiro turno, e tudo vai ser levado à televisão brasileira neste domingo do segundo turno.
Não faltarão, sem dúvida, as informações truncadas, pelas quais ouvi um jovem me dizer, ter sido Dilma assaltante de bancos, mas tinha recebido informação incompleta, pois não lhe tinham explicado ser essa a maneira, na época, de se atacar o sistema militar e obter fundos para manter a resistência aos ditadores.
Estranho país esse meu Brasil, onde por guerrinhas políticas se procura denegrir a imagem de seus heróis do passado. Os covardes de ontem, que compuseram, colaboraram ou se aproveitaram da ditadura tentam agora minimizar o valor de todos quantos expuseram suas vidas em luta pela liberdade e pela democracia dos dias de hoje.
Dilma Rousseff não é apenas a primeira mulher brasileira eleita presidenta (e isso já é estraordinário num país tido como de machistas), é mais que isso, é uma das lutadoras naqueles escuros anos de chumbo. Anos em que, militares teleguiados pelos EUA destruíram a cultura construída nas nossas universidades, a pretexto de evitar o marxismo, mas na verdade para manter a desigualdade social e a semi-escravidão de grande parte da população, da qual só agora vamos saindo.
Dilma foi uma resistente, vinda das hostes de um outro herói, Leonel Brizola. Sua eleição é o coroamento do longo caminho das batalhas sociais em favor do povo e da liberdade, que são por uma melhor repartição do pão e por uma melhor remuneração do trabalho da maioria da população.
Depois de quase quinhentos anos de um Brasil governado sempre pelas mesmas famílias, pelas mesmas oligarquias, houve a ascenção de um filho do povo. A Casa Grande perdeu para os habitantes da Senzala e um Brasil mais justo vai surgindo, mesmo diante de numerosas tentativas para se devolver o poder aos seus antigos detentores. Oito anos, tantas vezes conturbados pelas dificuldades de se governar com um Parlamento viciado na corrupção, é um tempo curto demais para se contrapor aos quase 500 da elite branca e rica brasileira, disposta tantas vezes a vender e a ceder nossas riquezas em troca de vantagens pessoais.
Dilma Rousseff, a corajosa mulher dos anos 60, que viveu três anos nas escuras celas do Dops, por afrontar os militares – nisso sobrepujando tantos homens, dispostos por covardia a se submeter aos fardados – é hoje a garantia de um novo governo em favor do povo e não em favor dos ricos e suas oligarquias.
O Brasil é exemplo de democracia na América Latina, mostra um enorme avanço tecnológico ao ser capaz de apurar rapidamente as eleições que, nos EUA, demoram um mês em meio a trapaças de toda espécie.
A derrota de Serra sela o fim de um época. Por um bom tempo, poderemos ter a certeza da manutenção dos verdadeiros representantes do povo no poder, mesmo sob a pressão do cartel da imprensa da direita, que confunde liberdade de expressão com manipulação e engôdo do povo com seus telejornais supérfluos, suas telenovelas modificadoras da nossa cultura e com sua máquina de informação implantada por todo o país sem contrapartida, numa verdadeira ditadura latente e invisível mas eficaz.
Dilma, a resistente de ontem é a nossa presidenta de hoje, numa extraordinária revanche aos golpistas, torturadores e assassinos do passado, ainda saudosos dos anos em que enterraram aqueles anos ricos em cultura e manifestação popular. Os tempos mudaram, graças aos resistentes, o Brasil se transformou, graças aos anos Lula numa potência mundial, que Dilma, representante das mulheres brasileiras, tantas vezes oprimidas e obrigadas a ficar na cozinha, vai continuar.
PS. Graças aos arquivos do tempo da ditadura, pude também me reencontrar, naqueles idos de 1967-68, ao lado de Mario Martins, no Teatro Paramout, secretariando o Encontro com a Liberdade, ao lado dos resistentes da época. A história de um país não se faz num dia, ela é o resultado de anos de lutas e, no caso do Brasil, a satisfação dos dias de hoje é saber que a Casa Grande está sendo transformada em Casa do Povo.
PS-2. A partir de amanhã e até o dia 9, os emigrantes poderão eleger seus representantes num Conselho junto ao Itamaraty, apenas figurativo, mas que poderá ser um trampolim a uma Secretaria de Estado dos Emigrantes. Na América do Norte, são candidatos apoiados pelos Estado do Emigrante, Josivaldo Rodrigues e Veronique Ballot; na América do Sul, Fernanda Balli; na Ásia/África Alberto Ésper e, na Europa, Rui Martins. Para votar ir ao site www.brasileirosnomundo.mre.gov.br , onde estão todas as informações.
Rui Martins,
correspondente em Genebra, líder emigrante, jornalista e escritor.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
OS DESAFIOS DE DILMA - O BRASIL E A ORDEM MUNDIAL - LAERTE BRAGA
As perspectivas de derrota eleitoral do Partido Democrata e por extensão do governo do presidente Barack Obama, há dois anos das eleições presidenciais nos EUA, são uma dificuldade de monta para a presidente eleita do Brasil Dilma Roussef. Não que Obama signifique alguma coisa, mas pelo que Republicanos representam numa escala de gradação do terrorismo político, econômico e militar dos EUA.
Se antes dos oito anos de Lula éramos figurantes no contexto da chamada Nova Ordem Mundial, hoje somos protagonistas dessa ordem. E a América Latina é decisiva em todo esse processo.
Mais que nunca vale a frase do ex-presidente Richard Nixon dita em plena ditadura militar, ao buscar encontrar justificativa para as notícias de sistemáticas violações de direitos humanos pelo regime dos generais. “É uma pena, mas o Médice é um bom aliado e para onde inclinar-se o Brasil, inclina-se a América Latina”.
Quer queiramos ou não o atoleiro que George Bush meteu o seu país diz respeito ao Brasil, ao mundo inteiro. A presença de governos independentes de Washington no continente político latino-americanos é um momento histórico de afirmação, mas pode vir a ser de queda.
A economia mundial globalizada faz com que um espirro no pólo norte seja sentido em qualquer canto do mundo, que dirá no Brasil, um país com dimensões continentais e agora, com um caminho aberto para um processo de integração latino-americana numa fase aguda.
Dilma Roussef vai enfrentar de saída duas frentes de combate. Impedir que a crise econômica mundial (ainda forte e viva) afete esses anos Lula de prosperidade e segurança. Os olhos postos do grande irmão do norte sobre o Brasil e a importância, para eles, de domar essa onça que surge com um vigor impressionante.
Uma eventual vitória republicana em 2012 vai significar que à frente de uma situação de declínio a boçalidade suba de tom nos EUA.
Isso sinaliza para mais que a integração latino-americana. Ultrapassa esses limites e se estende a partes outras do mundo numa luta que se ainda não deixou claros esses contornos, é de sobrevivência das nações independentes ou que se pretendem assim.
No aspecto interno Dilma vai sofrer a feroz oposição das forças de extrema-direita (se mostraram com todas as garras nessa campanha eleitoral), aliadas incondicionais desse contexto internacional e subordinadas a interesses de nações que mais e mais vão se tornando grandes conglomerados empresariais. É o caso dos EUA.
É indiscutível que tem estatura para esse desafio, mas não é Lula e vai ter que construir seu próprio caminho, abrir sua picada em mata fechada e afirmar-se como líder desse espaço fundamental para o Brasil e imediatamente a América Latina.
Em todo o processo de destruição levado a cabo pelos EUA nos últimos anos, mesmo no período Clinton, onde a ALCA –ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – era a palavra de ordem para essa parte do mundo, se olharmos o resto do mundo, são poucos os países que conseguiram preservar-se intactos ou escapar incólumes do desvario neoliberal.
A morte de Néstor Kirchnner é outro complicador. O futuro da Argentina, país essencial para e como o Brasil para a América Latina, é incerto.
As cunhas do neoliberalismo e da estupidez militar dos EUA já estão plantadas por aqui. Colômbia e Chile.
Os desafios das elites econômicas no Brasil, latifundiários, banqueiros e grandes empresários tem um componente complicado. São forças de natureza golpista, agarradas a privilégios, o que significa que reformas são indispensáveis para que se possa mexer na infra-estrutura política e econômica do Pais, abrindo perspectivas para uma independência completa e real, consumando o processo iniciado no governo Lula.
Dilma vai ter que enfrentar essa batalha para além dos caminhos tradicionais da política brasileira.
Vai ter que lutá-la nas ruas ampliando os canais de participação popular e alcançar através dessas forças os objetivos que os brasileiros que a elegeram sonham e desejam.
A própria configuração de sua vitória mostra isso. Perdeu as eleições em estados onde predomina o agro-negócio e onde são fortes as elites de extrema-direita. Tem a seu desfavor a mídia privada que tece loas à liberdade de expressão para garantir o controle do processo que é alienante e o domínio de poucas famílias num modelo em que curiosamente essa liberdade de expressão tem mão única.
As eleições mostraram sem disfarces essa face perversa do modelo.
São desafios que combinam políticas de fortalecimento da integração latino-americana, de ampliação dos mercados brasileiros com nações de outras partes, modelo pacientemente construído pelo governo Lula através do chanceler Celso Amorim – um dos grandes brasileiros de sua geração e da história de nossa diplomacia – com a preservação dos níveis de crescimento econômico e políticas sociais que permitam as reformas necessárias a que essa infra-estrutura perversa que ainda habita entre nós, possa se transformar de fato num governo popular.
Onde o cidadão fale, onde o povo seja o principal ator.
É como matar uma onça por dia. Os adversários são fortes, já mostraram não ter escrúpulos e deixaram claros os seus interesses e objetivos.
De saída a política externa traz desafios que têm largos reflexos na política, na economia e no social. Enfrentar a ação golpista dos EUA via Colômbia e Chile contra Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai e o esforço que farão para recuperar a Argentina.
Não aceitar as imposições quanto ao Irã, opor-se às políticas terroristas no Afeganistão, no Iraque e na Palestina, ampliar a integração com países de língua portuguesa e buscar formas de relacionamento com países da Comunidade Européia (uma espécie de protetorado dos EUA) que impliquem em equilíbrio político e econômico sem concessões que não resultem de consenso que possam beneficiar a ambos.
Se os governos da maioria dos países da Europa subordinam-se aos EUA, os povos das nações européias começam a perceber a armadilha travestida para além da economia, seja em cerco militar, ou em reformas neoliberais.
Ampliar as relações com a Rússia, estabelecer premissas novas para com a China, enfim, afirmar-se como potência mundial que, a permanecerem os números, em breve terá ultrapassado Itália, França e estará nos calcanhares de um semi falido Reino Unido.
A vitória de Dilma tem esse sentido, esse significado. E a certa altura com certeza irá passar por um momento de união nacional das forças progressistas em torno dessas questões básicas (vai ser necessária a maturidade dessas forças), sob pena de nada do que foi conquistado valer.
Nossos adversários internos e externos jogam o jogo em estreito acordo e com objetivos bem claros.
Dilma não vai encontrar e nem pode pensar em tratar o governo como um clube de inimigos e amigos cordiais. É só olhar as dificuldades enfrentadas por Lula e perceber que a dimensão de estadista do atual presidente se deveu, entre erros e acertos, à coragem de resistir.
E uma resistência que o Brasil excluído percebeu com clareza tal que elegeu Dilma.
Se os primeiros passos foram dados, os próximos serão em terreno bem mais pantanoso, pois os inimigos do Brasil sabem que um descuido e vamos ao chão.
Abraçar os movimentos populares, reciclar o caráter corporativo de boa parte do movimento sindical, evitar aparelhamentos pelegos, abrir as portas do processo à participação popular.
Trazer ao debate temas como o monopólio da informação (decisivo) e não se deixar encantar pelo canto do jogo institucional montado sobre estruturas que atendem apenas aos interesses dos donos.
Aprofundar a reforma agrária é de tal ordem importante, diz respeito à própria soberania nacional em vários campos.
Se Dilma tem dimensão para isso? Claro que tem, vai ter que mostrá-la em cada dia de seu governo.
Existem momentos que enfrentar desafios se torna questão de sobrevivência. Esse é um deles. O nível da campanha eleitoral mostrou que é assim.
Se antes dos oito anos de Lula éramos figurantes no contexto da chamada Nova Ordem Mundial, hoje somos protagonistas dessa ordem. E a América Latina é decisiva em todo esse processo.
Mais que nunca vale a frase do ex-presidente Richard Nixon dita em plena ditadura militar, ao buscar encontrar justificativa para as notícias de sistemáticas violações de direitos humanos pelo regime dos generais. “É uma pena, mas o Médice é um bom aliado e para onde inclinar-se o Brasil, inclina-se a América Latina”.
Quer queiramos ou não o atoleiro que George Bush meteu o seu país diz respeito ao Brasil, ao mundo inteiro. A presença de governos independentes de Washington no continente político latino-americanos é um momento histórico de afirmação, mas pode vir a ser de queda.
A economia mundial globalizada faz com que um espirro no pólo norte seja sentido em qualquer canto do mundo, que dirá no Brasil, um país com dimensões continentais e agora, com um caminho aberto para um processo de integração latino-americana numa fase aguda.
Dilma Roussef vai enfrentar de saída duas frentes de combate. Impedir que a crise econômica mundial (ainda forte e viva) afete esses anos Lula de prosperidade e segurança. Os olhos postos do grande irmão do norte sobre o Brasil e a importância, para eles, de domar essa onça que surge com um vigor impressionante.
Uma eventual vitória republicana em 2012 vai significar que à frente de uma situação de declínio a boçalidade suba de tom nos EUA.
Isso sinaliza para mais que a integração latino-americana. Ultrapassa esses limites e se estende a partes outras do mundo numa luta que se ainda não deixou claros esses contornos, é de sobrevivência das nações independentes ou que se pretendem assim.
No aspecto interno Dilma vai sofrer a feroz oposição das forças de extrema-direita (se mostraram com todas as garras nessa campanha eleitoral), aliadas incondicionais desse contexto internacional e subordinadas a interesses de nações que mais e mais vão se tornando grandes conglomerados empresariais. É o caso dos EUA.
É indiscutível que tem estatura para esse desafio, mas não é Lula e vai ter que construir seu próprio caminho, abrir sua picada em mata fechada e afirmar-se como líder desse espaço fundamental para o Brasil e imediatamente a América Latina.
Em todo o processo de destruição levado a cabo pelos EUA nos últimos anos, mesmo no período Clinton, onde a ALCA –ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – era a palavra de ordem para essa parte do mundo, se olharmos o resto do mundo, são poucos os países que conseguiram preservar-se intactos ou escapar incólumes do desvario neoliberal.
A morte de Néstor Kirchnner é outro complicador. O futuro da Argentina, país essencial para e como o Brasil para a América Latina, é incerto.
As cunhas do neoliberalismo e da estupidez militar dos EUA já estão plantadas por aqui. Colômbia e Chile.
Os desafios das elites econômicas no Brasil, latifundiários, banqueiros e grandes empresários tem um componente complicado. São forças de natureza golpista, agarradas a privilégios, o que significa que reformas são indispensáveis para que se possa mexer na infra-estrutura política e econômica do Pais, abrindo perspectivas para uma independência completa e real, consumando o processo iniciado no governo Lula.
Dilma vai ter que enfrentar essa batalha para além dos caminhos tradicionais da política brasileira.
Vai ter que lutá-la nas ruas ampliando os canais de participação popular e alcançar através dessas forças os objetivos que os brasileiros que a elegeram sonham e desejam.
A própria configuração de sua vitória mostra isso. Perdeu as eleições em estados onde predomina o agro-negócio e onde são fortes as elites de extrema-direita. Tem a seu desfavor a mídia privada que tece loas à liberdade de expressão para garantir o controle do processo que é alienante e o domínio de poucas famílias num modelo em que curiosamente essa liberdade de expressão tem mão única.
As eleições mostraram sem disfarces essa face perversa do modelo.
São desafios que combinam políticas de fortalecimento da integração latino-americana, de ampliação dos mercados brasileiros com nações de outras partes, modelo pacientemente construído pelo governo Lula através do chanceler Celso Amorim – um dos grandes brasileiros de sua geração e da história de nossa diplomacia – com a preservação dos níveis de crescimento econômico e políticas sociais que permitam as reformas necessárias a que essa infra-estrutura perversa que ainda habita entre nós, possa se transformar de fato num governo popular.
Onde o cidadão fale, onde o povo seja o principal ator.
É como matar uma onça por dia. Os adversários são fortes, já mostraram não ter escrúpulos e deixaram claros os seus interesses e objetivos.
De saída a política externa traz desafios que têm largos reflexos na política, na economia e no social. Enfrentar a ação golpista dos EUA via Colômbia e Chile contra Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai e o esforço que farão para recuperar a Argentina.
Não aceitar as imposições quanto ao Irã, opor-se às políticas terroristas no Afeganistão, no Iraque e na Palestina, ampliar a integração com países de língua portuguesa e buscar formas de relacionamento com países da Comunidade Européia (uma espécie de protetorado dos EUA) que impliquem em equilíbrio político e econômico sem concessões que não resultem de consenso que possam beneficiar a ambos.
Se os governos da maioria dos países da Europa subordinam-se aos EUA, os povos das nações européias começam a perceber a armadilha travestida para além da economia, seja em cerco militar, ou em reformas neoliberais.
Ampliar as relações com a Rússia, estabelecer premissas novas para com a China, enfim, afirmar-se como potência mundial que, a permanecerem os números, em breve terá ultrapassado Itália, França e estará nos calcanhares de um semi falido Reino Unido.
A vitória de Dilma tem esse sentido, esse significado. E a certa altura com certeza irá passar por um momento de união nacional das forças progressistas em torno dessas questões básicas (vai ser necessária a maturidade dessas forças), sob pena de nada do que foi conquistado valer.
Nossos adversários internos e externos jogam o jogo em estreito acordo e com objetivos bem claros.
Dilma não vai encontrar e nem pode pensar em tratar o governo como um clube de inimigos e amigos cordiais. É só olhar as dificuldades enfrentadas por Lula e perceber que a dimensão de estadista do atual presidente se deveu, entre erros e acertos, à coragem de resistir.
E uma resistência que o Brasil excluído percebeu com clareza tal que elegeu Dilma.
Se os primeiros passos foram dados, os próximos serão em terreno bem mais pantanoso, pois os inimigos do Brasil sabem que um descuido e vamos ao chão.
Abraçar os movimentos populares, reciclar o caráter corporativo de boa parte do movimento sindical, evitar aparelhamentos pelegos, abrir as portas do processo à participação popular.
Trazer ao debate temas como o monopólio da informação (decisivo) e não se deixar encantar pelo canto do jogo institucional montado sobre estruturas que atendem apenas aos interesses dos donos.
Aprofundar a reforma agrária é de tal ordem importante, diz respeito à própria soberania nacional em vários campos.
Se Dilma tem dimensão para isso? Claro que tem, vai ter que mostrá-la em cada dia de seu governo.
Existem momentos que enfrentar desafios se torna questão de sobrevivência. Esse é um deles. O nível da campanha eleitoral mostrou que é assim.
SERRA TERRORISTA À VISTA - Todo Cuidado é Pouco - Fiquemos atentos - Barbet
A mente maquiavélica dos perdedores desta eleição democraticamente realizada não vai longe. Esta estratégia de fazer terrorismo barato com vídeos dessa qualidade mas de fundo completamente falso não funcionarão para mais de 50 milhões de brasileiros. Para uns 40 e poucos milhões pode funcionar.
La mandataria electa se comprometió eliminar la miseria:Dilma Rousseff, primera mujer que logra la Presidencia de Brasil
El presidente venezolano Hugo Chávez envió una felicitación y un beso a la brasileña Dilma Rousseff por su victoria en las elecciones presidenciales de Brasil. "Bienvenida al club" dijo Chávez durante su programa dominical de radio y televisión ¡Aló Presidente! una vez que se anunció la victoria de Rousseff.
Chávez pidió también un fuerte aplauso para el actual presidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva, del que la nueva gobernante es correligionaria.
Chávez pidió también un fuerte aplauso para el actual presidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva, del que la nueva gobernante es correligionaria.
CNN (Estados Unidos) – A rede norte-americana destacou no título da reportagem a promessa de Dilma, classificada como braço direito do presidente Lula, de erradicar a pobreza no Brasil até o fim de seu mandato. A CNN ainda elogia o método de votação no Brasil e cita o teste da identificação biométrica feito nesta eleição pela Justiça Eleitoral.
The New York Times (Estados Unidos) – O jornal norte-americano destacou que, ao escolher Dilma como presidente, o povo brasileiro votou em um governo de continuidade, tanto nas políticas econômicas como sociais criadas por Lula. De acordo com a reportagem, a petista eleita deverá assumir desafios que ainda afetam ao Brasil, assim como o combate aos problemas na educação, além de melhorias nas áreas de saúde e saneamento básico.
Diário de Notícias (Portugal) – “Sim, a mulher pode”. É assim que está intitulada a matéria no jornal português, que destacou a trajetória de Dilma, desde o tempo em que foi guerrilheira até o momento em que se tornou a primeira presidente do Brasil. A reportagem ainda informa que Marina Silva, candidata do PV que conquistou 20 milhões de votos no primeiro turno, deu os parabéns à futura presidente e desejou a ela boa sorte.
El País (Espanha) – O jornal destaca em sua página de internet que Dilma é a herdeira política de Lula e informa que o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, enviou uma mensagem para a presidente eleita, sugerindo para que ambos países “sigam trabalhando para manter a magnífica relação”. Segundo El País, Zapatero desejou a Dilma “os melhores desejos de êxito” durante seu primeiro mandato de governo.
El Mundo (Espanha) – O diário evidenciou o discurso de Dilma e intitulou a reportagem com a frase: “Saberei honrar o legado de Lula”. O periódico explica que, dez meses antes das eleições, o candidato tucano José Serra tinha ampla vantagem sobre Dilma, mas que o cenário se inverteu graças à popularidade de Lula. Ao final da reportagem, El Mundo cita a forte abstenção de votos registrada nesta eleição.
Clarín (Argentina) – O jornal argentino destacou que Dilma votou “confiante” neste domingo e classificou a vitória da petista como “um grande triunfo”. A reportagem ainda relata que militantes do partido receberam a notícia “com gritos e ovação”. O períodico atribuiu a vitória de Dilma ao “popular presidente Lula, que se envolveu totalmente na campanha e que colocou à disposição da candidata seu prestígio e sua unidade política”.
Wall Street Journal (Estados Unidos) – O jornal de economia norte-americano informa que a vitória de Dilma nestas eleições “foi selada pela prosperidade econômica e ampla popularidade de seu antecessor e mentor, o presidente Lula”. A reportagem ainda detalha o discurso da petista após sua vitória, dizendo que, “contendo as lágrimas, Dilma elogiou Lula e prometeu bater à sua porta quando necessário para obter conselhos”.
Dilma vai consolidar relação Brasil-Irã, diz Ahmadinejad - Barbet
Os laços entre o Irã e o Brasil floresceram durante os governos de Lula, culminando em maio com a visita do mandatário brasileiro a Teerã, onde Brasil, Turquia e Irã assinaram um acordo que tinha como objetivo superar o impasse sobre o controverso programa nuclear da República Islâmica. As informações são da Dow Jones.
Cavaco Silva felicita Dilma Roussef - Nós Por Cá
Eleições no Brasil
"Tendo acabado de tomar conhecimento da vitória de vossa excelência nas eleições para a Presidência da República do Brasil, quero apresentar-lhe, em meu nome e em nome do povo português, as mais calorosas felicitações e os desejos do maior sucesso no exercício das altas funções que o Povo brasileiro lhe confiou”, refere Cavaco Silva.
Na mensagem, o chefe do Estado português afirma estar certo de que o mandato de Dilma Roussef constituirá uma renovada oportunidade de aprofundamento” do relacionamento e da “concertação estratégica” entre os dois países.
Cavaco Silva formula ainda votos de “continuada prosperidade e progresso” do povo brasileiro e afirma esperar receber Dilma Roussef brevemente em Portugal.
Cavaco Silva felicita Dilma Roussef e espera aprofundamento das relações entre os dois países
O Presidente da República, Cavaco Silva, felicitou hoje Dilma Roussef pela sua eleição à Presidência do Brasil, afirmando estar certo de que constituirá uma “renovada oportunidade” para o aprofundamento das relações entre os dois países."Tendo acabado de tomar conhecimento da vitória de vossa excelência nas eleições para a Presidência da República do Brasil, quero apresentar-lhe, em meu nome e em nome do povo português, as mais calorosas felicitações e os desejos do maior sucesso no exercício das altas funções que o Povo brasileiro lhe confiou”, refere Cavaco Silva.
Na mensagem, o chefe do Estado português afirma estar certo de que o mandato de Dilma Roussef constituirá uma renovada oportunidade de aprofundamento” do relacionamento e da “concertação estratégica” entre os dois países.
Cavaco Silva formula ainda votos de “continuada prosperidade e progresso” do povo brasileiro e afirma esperar receber Dilma Roussef brevemente em Portugal.
Brésil : Dilma Rousseff remporte la présidentielle - Nós Por Cá
A l'étranger, le président français Nicolas Sarkozy a été le premier à la féliciter, soulignant que sa victoire "témoigne de la reconnaissance du peuple brésilien pour le travail considérable qu'elle a accompli avec le président Lula pour faire du Brésil un pays moderne et plus juste". Le chef de file de la gauche radicale en Amérique latine, le président vénézuélien Hugo Chavez, a lui aussi salué la victoire de la candidate du Parti des travailleurs, disant qu'il allait "envoyer un baiser à sa chère Dilma".
Aos amigos - TerraSemales
A equipe de jornalistas do Blog Terrasemales, agradece a todos os seguidores da blogosfera pelo apoio sincero e incessante em mais esta importante empreitada que foi a eleição da nossa Querida Presidente Dilma Rousseff ferramenta indispensável para a continuidade e implantação de novas medidas no sentido da evolução começada há oito anos pelo sábio presidente Lula, reconhecido mundialmente como figura ímpar num mundo desacostumado à sinceridade e determinação, fazendo do Brasil um país muito melhor dirigido irremediavelmente à evolução sustentável. Parabéns aos colegas pelo excelente trabalho de cobertura. Conseguimos e com isso o Brasil também.
[Carta O BERRO] CAROS AMIGAS E AMIGOS. ESTE FOI O MEU ULTIMO EMAIL ANTES DAS ELEIÇÕES,OU AO FINAL DELA - Vanderley - Revista
CAROS AMIGOS E AMIGAS
ESTE É O MEU ULTIMO EMAIL ANTES DAS ELEIÇÕES,OU AO FINAL DELA.
MAIS UMA VEZ QUERO PEDIR O VOTO E O APOIO DE VOCES A DILMA PRESIDENTE POR CONSIDERAR A MELHOR OPÇÃO QUE TEMOS PARA ESTE PAÍS JÁ QUE O OUTRO CANDIDATO REPRESENTA UM RETROCESSO LIGADO AS PRIVATIZAÇÕES, PRATICAS DESONESTAS, ARBITRARIAS E MANIPULADORAS COMO É PROPRIO DO CANDIDATO SERRA DO PSDB-DEM.
TENHO CERTEZA QUE DILMA PRESIDENTE IRÁ SE VALER DA GRANDE MAIORIA PARLAMENTAR QUE TEM E DO GRANDE APOIO POPULAR PARA FAZER AS REFORMAS QUE NECESSITAMOS COMO A POLITICA, TRIBUTARIA E AGRARIA ALEM DE MUITAS OUTRAS NA EDUCAÇÃO, SAUDE E CULTURA.
NÃO VOU ENTRAR EM NUMEROS DO GOVERNO LULA PORQUE TODOS SABEMOS O QUE VEM ACONTECENDO DE BOM NESSES ULTIMOS 8 ANOS E ISSO É FATO.
DEVEMOS SEGUIR PARTICIPANDO ATIVAMENTE DA VIDA POLITICA NACIONAL NÃO SO VOTANDO, MAS FISCALIZANDO E FAZENDO PROPOSTAS. PARTICIPAR PARA ENRIQUECER O DEBATE.
ESPERO E DESEJO CONTAR COM O APOIO DE TODOS VOCES A DILMA PRESIDENTE.
VOTE 13 PELO BRASIL DE TODAS AS RAÇAS, TODOS OS CREDOS, TODAS AS ETNIAS, PELA LIBERDADE CONQUISTADA E PELO BEM ESTAR DE TODOS NOS BRASILEIROS DE BEM.
COM DILMA SEGUIREMOS MUDANDO ESTE PAÍS PARA MELHOR. PARA O BEM DE TODOS NOS.
OBRIGADO PELA ATENÇÃO, AMIZADE E APOIO A TODOS MEUS + DE 700.000 COMPANHEIRAS (OS).
AGORA PEÇO O APOIO AO BRASIL COM DILMA PRESIDENTE. BOA ELEIÇÃO A TODOS.
MANDEM NOTICIAS.
VANDERLEY CAIXE
AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES PÓS ELEITORAIS - Laerte Braga
Um dos comentários de desvairados “observadores” e “analistas” da REDE GLOBO, a principal rede de tevê do Brasil, tangenciou para além da dor de cotovelo, a linha fronteiriça entre a razão e a loucura.
O dito “comentarista” falou em “ditadura nos moldes da China”.
Num clima de velório com a derrota de José FHC Serra o principal veículo da mídia privada no Pais, tanto em seu canal aberto, como no canal fechado GLOBONEWS, mostrou o desconforto de jornalistas e “analistas” preocupados em falsear a verdade, cobrindo com o chantili do espetáculo com o aparato tecnológico para diminuir o impacto das besteiras ditas.
O importante não são nem os números, nem os resultados, mas todo aquele show tipo águas dançantes que aparece na telinha para embevecer o telespectador e achar que William Waack quer alguma coisa diferente das políticas colonizadoras de grupos internacionais. Ou faz idéia do que seja de fato liberdade de expressão.
Deve pensar que é montagem a la Ali Kamel/William Bonner para bolinha de papel virar rolo de fita adesiva e terminar em tomografia.
É a síntese do estado de espírito da mídia privada no Brasil. Não houve uma única discussão séria, só o chororô e o trololó serrista derrotados nas urnas com uma diferença de 13,06%.
É difícil entender e explicar como essa mídia sobrevive nesse nível de mediocridade.
O lance – GLOBONEWS – de um carro entrando na garagem da presidente eleita do Brasil e depois saindo para uma pequena manobra é antológico, entra para o festival de besteiras dessa mídia.
“Entrou para pegar a Dilma. Ah! Está saindo. Ah! é uma simples manobra”.
À falta do que falar, por faltar a capacidade de pensar, dá no que dá.
Parece “compromisso de alto nível” do patético senador mineiro Itamar Franco. Toda vez que faz um acordo político implicando em futuras nomeações de seus parceiros, pouco mais de meia dúzia, o ex-presidente usa a expressão “compromisso de alto nível”. Vai daí que quando perde a turma fica desempregada e as vantagens vão para o espaço.
O que ele fez certa feita com o senador Albano Franco no Senado é o exemplo pronto e acabado de política rastaqüera. Albano nomearia companheiros de Itamar para seu gabinete – eram senadores os dois – e Itamar os de companheiros de Albano, assim o fisiologismo não daria na pinta. Albano nomeou e Itamar não, furou na hora agá. Mas quase acabou prefeito de Aracaju passando por Niterói.
Para compensar nomeou Léa Franco, mulher de Albano para um ministério em seu governo.
Há quem diga que já esteja usando babador.
São vários os aspectos a serem considerados neste momento imediatamente após a eleição de Dilma. O primeiro deles é que tucanos tinham a certeza que perderiam. FHC no sábado declarou que “fiz tudo o que Serra pediu”. Foi a confissão não só da derrota, como o lamento de quem se acha criador do céu e da terra e quis deixar implícito que poderia ter feito mais e aí, quem sabe (só na cabeça dele) mudar o resultado.
Trabalha com ficção política.
Um dado que escapou à maioria dos jornalistas e deve ser observado nas próximas eleições pelo tucanato. Quando forem tomar aulas de princípios religiosos e fé devem arranjar professores competentes. D. Luís Gonzaga Bergonzini, OPUS DEI, esqueceu de dizer ao ateu José FHC Serra que quando se pega a imagem de Nossa Senhora o beijo é aos pés da imagem e não na boca. O JORNAL NACIONAL de sábado, em plena decadência desde a montagem do rolo de fita adesiva, deixou escapar essa falha.
D. Bergonzini entende de “negócios”, conspiração, panfletos falsos, essas coisas assim, de fé católica não sabe nada.
O senador eleito Aécio Neves leva para casa uma lição. Havia dito no auge de sua revolta contra os expedientes usados por José FHC Serra para afastá-lo da disputa presidencial dentro do seu partido, que o “primeiro compromisso é com Minas e os mineiros”.
Saiu Minas afora e ainda apareceu no Rio, onde reside, tentando arrastar José FHC Serra. O resultado das eleições no seu estado mostrou que os mineiros não lhe deram um cheque em branco. Foi o contrário. A derrota de José FHC Serra em Minas foi acachapante considerando que Aécio entende que o estado é uma espécie de latifúndio.
Numa dessas rodas de apostas comuns em quase todas as cidades brasileiras é difícil quem queira apostar num futuro político para Marina da Silva. O máximo que concedem é aceitar a eleição para vereadora em Rio Branco, Acre. Embrulhada num papel verde de vários matizes, a moça termina a eleição como a grande derrotada do segundo turno.
Não influenciou coisa alguma, ficou em cima do muro, tentou colocar-se na posição de vestal e termina solitária num canto sem bem saber o que fazer.
A banda podre de seu partido foi para José FHC Serra e outra banda para Dilma. Pelo que tem dito Marina imagina que vá descer dos céus cercada de anjos do GREENPACE e ONGs que financiaram sua campanha para evitar a catástrofe.
Qual não sei. Deve ser a própria.
O futuro de José FHC Serra? O tucano não deve correr o risco de vir a ser candidato a prefeito de São Paulo sabendo que, outra vez, não vai terminar o mandato. A despeito de ser um Jânio abstêmio não pensa em pendurar as chuteiras e sonha ser candidato em 2014. Se não abre a Copa do Mundo vai tentar ser o presidente das Olimpíadas.
Em todo caso vai poder assistir aos jogos do Palmeiras nas últimas rodadas do campeonato brasileiro em paz e sossegado.
É muito difícil ressurgir entre os mortos políticos. Sai dessa eleição com a imagem de cínico, de político mentiroso, capaz de qualquer coisa para se eleger. E essas características não são novidade. Mas são comuns agora a boa parte dos brasileiros.
Pior é Índio da Costa, o vice. Sem mandato, vai ter que dar outro golpe do baú para segurar até as próximas eleições. Esse com certeza vai tentar ser candidato a vereador na cidade do Rio de Janeiro sonhando vir a ser o próximo governador do estado.
Dilma Roussef pega uma parada duríssima. A oposição vai querer de todas as formas possíveis, com a cumplicidade da tal mídia privada, criar um clima golpista no País. E acentuar cada vez mais a divisão entre o Brasil dos chamados ricos e o Brasil dos chamados pobres. Provocar o confronto pela via do preconceito, como historicamente tem sido feito.
De uma mudança ficamos livres. O nome do País continuará a ser grafado com “s” e não com “z” – BRAZIL –, o sonho dourado dos defensores da PETROBRAX, idéia de FHC para privatizar a empresa petrolífera.
Outras mudanças, no entanto, precisam ser feitas. E não é necessariamente cassar o mandato de Tiririca. Pior que Tiririca, se é que Tiririca é pior, é Weslian Roriz. Dose de leão varrida do mapa pelo eleitor de Brasília.
A turma do “compromisso de alto nível” de Itamar Franco vai ter que se contentar com vagas no governo de Antônio Anastasia, o fantoche de Aécio. E olhe lá.
E se não conseguir ser vizinho de Sarney, vai ser difícil trocar de cozinheira.
O dito “comentarista” falou em “ditadura nos moldes da China”.
Num clima de velório com a derrota de José FHC Serra o principal veículo da mídia privada no Pais, tanto em seu canal aberto, como no canal fechado GLOBONEWS, mostrou o desconforto de jornalistas e “analistas” preocupados em falsear a verdade, cobrindo com o chantili do espetáculo com o aparato tecnológico para diminuir o impacto das besteiras ditas.
O importante não são nem os números, nem os resultados, mas todo aquele show tipo águas dançantes que aparece na telinha para embevecer o telespectador e achar que William Waack quer alguma coisa diferente das políticas colonizadoras de grupos internacionais. Ou faz idéia do que seja de fato liberdade de expressão.
Deve pensar que é montagem a la Ali Kamel/William Bonner para bolinha de papel virar rolo de fita adesiva e terminar em tomografia.
É a síntese do estado de espírito da mídia privada no Brasil. Não houve uma única discussão séria, só o chororô e o trololó serrista derrotados nas urnas com uma diferença de 13,06%.
É difícil entender e explicar como essa mídia sobrevive nesse nível de mediocridade.
O lance – GLOBONEWS – de um carro entrando na garagem da presidente eleita do Brasil e depois saindo para uma pequena manobra é antológico, entra para o festival de besteiras dessa mídia.
“Entrou para pegar a Dilma. Ah! Está saindo. Ah! é uma simples manobra”.
À falta do que falar, por faltar a capacidade de pensar, dá no que dá.
Parece “compromisso de alto nível” do patético senador mineiro Itamar Franco. Toda vez que faz um acordo político implicando em futuras nomeações de seus parceiros, pouco mais de meia dúzia, o ex-presidente usa a expressão “compromisso de alto nível”. Vai daí que quando perde a turma fica desempregada e as vantagens vão para o espaço.
O que ele fez certa feita com o senador Albano Franco no Senado é o exemplo pronto e acabado de política rastaqüera. Albano nomearia companheiros de Itamar para seu gabinete – eram senadores os dois – e Itamar os de companheiros de Albano, assim o fisiologismo não daria na pinta. Albano nomeou e Itamar não, furou na hora agá. Mas quase acabou prefeito de Aracaju passando por Niterói.
Para compensar nomeou Léa Franco, mulher de Albano para um ministério em seu governo.
Há quem diga que já esteja usando babador.
São vários os aspectos a serem considerados neste momento imediatamente após a eleição de Dilma. O primeiro deles é que tucanos tinham a certeza que perderiam. FHC no sábado declarou que “fiz tudo o que Serra pediu”. Foi a confissão não só da derrota, como o lamento de quem se acha criador do céu e da terra e quis deixar implícito que poderia ter feito mais e aí, quem sabe (só na cabeça dele) mudar o resultado.
Trabalha com ficção política.
Um dado que escapou à maioria dos jornalistas e deve ser observado nas próximas eleições pelo tucanato. Quando forem tomar aulas de princípios religiosos e fé devem arranjar professores competentes. D. Luís Gonzaga Bergonzini, OPUS DEI, esqueceu de dizer ao ateu José FHC Serra que quando se pega a imagem de Nossa Senhora o beijo é aos pés da imagem e não na boca. O JORNAL NACIONAL de sábado, em plena decadência desde a montagem do rolo de fita adesiva, deixou escapar essa falha.
D. Bergonzini entende de “negócios”, conspiração, panfletos falsos, essas coisas assim, de fé católica não sabe nada.
O senador eleito Aécio Neves leva para casa uma lição. Havia dito no auge de sua revolta contra os expedientes usados por José FHC Serra para afastá-lo da disputa presidencial dentro do seu partido, que o “primeiro compromisso é com Minas e os mineiros”.
Saiu Minas afora e ainda apareceu no Rio, onde reside, tentando arrastar José FHC Serra. O resultado das eleições no seu estado mostrou que os mineiros não lhe deram um cheque em branco. Foi o contrário. A derrota de José FHC Serra em Minas foi acachapante considerando que Aécio entende que o estado é uma espécie de latifúndio.
Numa dessas rodas de apostas comuns em quase todas as cidades brasileiras é difícil quem queira apostar num futuro político para Marina da Silva. O máximo que concedem é aceitar a eleição para vereadora em Rio Branco, Acre. Embrulhada num papel verde de vários matizes, a moça termina a eleição como a grande derrotada do segundo turno.
Não influenciou coisa alguma, ficou em cima do muro, tentou colocar-se na posição de vestal e termina solitária num canto sem bem saber o que fazer.
A banda podre de seu partido foi para José FHC Serra e outra banda para Dilma. Pelo que tem dito Marina imagina que vá descer dos céus cercada de anjos do GREENPACE e ONGs que financiaram sua campanha para evitar a catástrofe.
Qual não sei. Deve ser a própria.
O futuro de José FHC Serra? O tucano não deve correr o risco de vir a ser candidato a prefeito de São Paulo sabendo que, outra vez, não vai terminar o mandato. A despeito de ser um Jânio abstêmio não pensa em pendurar as chuteiras e sonha ser candidato em 2014. Se não abre a Copa do Mundo vai tentar ser o presidente das Olimpíadas.
Em todo caso vai poder assistir aos jogos do Palmeiras nas últimas rodadas do campeonato brasileiro em paz e sossegado.
É muito difícil ressurgir entre os mortos políticos. Sai dessa eleição com a imagem de cínico, de político mentiroso, capaz de qualquer coisa para se eleger. E essas características não são novidade. Mas são comuns agora a boa parte dos brasileiros.
Pior é Índio da Costa, o vice. Sem mandato, vai ter que dar outro golpe do baú para segurar até as próximas eleições. Esse com certeza vai tentar ser candidato a vereador na cidade do Rio de Janeiro sonhando vir a ser o próximo governador do estado.
Dilma Roussef pega uma parada duríssima. A oposição vai querer de todas as formas possíveis, com a cumplicidade da tal mídia privada, criar um clima golpista no País. E acentuar cada vez mais a divisão entre o Brasil dos chamados ricos e o Brasil dos chamados pobres. Provocar o confronto pela via do preconceito, como historicamente tem sido feito.
De uma mudança ficamos livres. O nome do País continuará a ser grafado com “s” e não com “z” – BRAZIL –, o sonho dourado dos defensores da PETROBRAX, idéia de FHC para privatizar a empresa petrolífera.
Outras mudanças, no entanto, precisam ser feitas. E não é necessariamente cassar o mandato de Tiririca. Pior que Tiririca, se é que Tiririca é pior, é Weslian Roriz. Dose de leão varrida do mapa pelo eleitor de Brasília.
A turma do “compromisso de alto nível” de Itamar Franco vai ter que se contentar com vagas no governo de Antônio Anastasia, o fantoche de Aécio. E olhe lá.
E se não conseguir ser vizinho de Sarney, vai ser difícil trocar de cozinheira.
Assinar:
Postagens (Atom)