Mt 2, 1-12
“Ajoelharam-se diante dele e lhe prestaram homenagem”
Uma das grandes festas do Ciclo de Natal - a Manifestação do Senhor (“Epifania” em grego), onde comemoramos o fato de que Jesus foi manifestado não somente ao seu próprio povo, mas a todos os povos, representados pelos Magos do Oriente. Além da sua grande popularidade folclórica, a festa celebra uma grande verdade da fé - que a salvação em Jesus é destinada a todos os povos, sem distinção de raça, cor ou religião. Retomando a grande intuição do profeta Isaías, celebramos hoje a salvação universal em Jesus.
O texto de hoje é altamente simbólico - usa uma técnica da literatura judaica chamada “midrash”, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las. Assim, Mateus quer ensinar algo sobre Jesus, usando figuras e símbolos tirados de diversos textos do Antigo Testamento. Por exemplo:
Vêm os magos (nem três, nem reis, segundo o texto!) buscando o Rei dos Judeus. Esses magos nos lembram dos magos que enfrentavam e foram derrotados por Moisés (Êx 7, 11.22; 8, 3.14-15; 9,11) e acabaram reconhecendo o poder de Deus nas maravilhas feitas por Ele.
A estrela é sinal da vinda do Messias, prevista na profecia de Balaão (Nm 24, 17).
O menino nasce em Belém, segundo a profecia de Miquéias (Mq 5, 1).
Os presentes lembram as profecias de Isaías sobre os estrangeiros que viriam a Jerusalém trazendo presentes para Deus (Is 49, 23; 60,5; também Sl 72, 10-11).
Herodes é o novo Faraó, que também massacra os filhos do povo de Deus (Êx 1, 8.16).
O texto chama a atenção pelas reações diferentes diante do acontecido. Os que deveriam reconhecer o Messias - pois são versados nas escrituras - ficam alarmados, pois para eles, opressores do povo através do abuso da religião e da política, Jesus e a sua mensagem constituem uma ameaça. Outros, pagãos do oriente, buscando sem ter certeza, arriscam muito para descobrir o verdadeiro Deus, e entregam-lhe presentes, sinais da partilha que será característica do Reino que Jesus veio pregar.
Hoje em dia, verificam-se as mesmas reações diante de Jesus e do seu Evangelho. Muitos querem reduzir os eventos religiosos a algo folclórico com shows e cantos, mas que de forma alguma deve questionar a nossa sociedade e os seus valores. Para outros, o menino na estrebaria é um sinal do novo projeto de Deus, o mundo fraterno, onde todos as pessoas de boa vontade têm que se unir, seja qual for a sua raça, nação, gênero ou religião, para construir a fraternidade que Deus quer.
Jesus não precisa de presentes, mas sim do nosso esforço na vivência do seu Reino. Não paremos numa explicação sentimental dos eventos das narrativas da Infância de Jesus, mas procuremos penetrar no seu sentido mais profundo. Pois, na prática, temos que optar, ou pela a vivência religiosa vazia, como a de Herodes e dos Sumos Sacerdotes, ou pela mensagem libertadora do Menino de Belém, que convoca a todos, representados pelos magos, para a construção do mundo de paz, fraternidade e justiça, pois Jesus veio para que “todos tenham a vida e a tenham plenamente.” (Jo 10, 10).
A festa de hoje é altamente missionária, pois é a manifestação de Jesus às nações. É uma boa oportunidade para retomarmos os apelos do Documento de Aparecida, que conclama à uma missão renovada, onde todos os cristãos saem dos limites das suas comunidades de fé, para levar o Evangelho especialmente aos mais afastados. Temos muito a caminhar ainda, mas o início foi feito, para que cheguemos a um Brasil não somente de batizados, mas de discípulos-missionários.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Tabu no Brasil, aborto é menos restrito na maioria dos países - Vanderley - Revista
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Status legal do aborto no mundo. Clique aqui para mais informações (em inglês). Veja as restrições legais ao aborto em cada país
Fonte: Center for Reproductive Rights (EUA), dados de 2009; na Espanha, a legislação foi alterada em 2010
Estamos em um país sul-americano colonizado por europeus católicos. Nação que sofreu com uma ditadura sangrenta e só anos depois, com a democracia já instaurada, assistiu aos generais responsáveis por dizimar a esquerda armada serem julgados e condenados. Em seguida, e não sem grande polêmica, seu Senado aprovou o casamento gay. Agora, a próxima pauta em discussão é a descriminalização do aborto.
O país colonizado a que se refere o parágrafo não é o Brasil. Diz respeito à Argentina. Nesse mesmo mês de outubro de 2010, enquanto nossos vizinhos iniciam um debate com chances reais de legalizar interrupções voluntárias de gravidez (IVG), assistimos aqui ao oposto, com a perseguição a quem defende tal posicionamento. Que o digam os candidatos à Presidência do Brasil José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), cujas campanhas buscam dissociá-los de qualquer ação pró-aborto. Afinal, qual a explicação para tamanha discrepância, em países tão próximos, geográfica e historicamente?
"Durante os últimos anos, e devido principalmente ao trabalho incansável do movimento de mulheres, a opinião pública mudou", analisou a advogada argentina Susana Chiarotti, co-autora do livro Realidades y coyunturas del aborto - entre el derecho y la necesidad (Realidades e conjunturas do aborto - entre o direito e a necessidade, sem tradução para o português), que cita o Brasil como um exemplo de retrocesso.
O caso narrado é episódio em 2004, quando, durante quatro meses, foi possível realizar abortos de fetos anencéfalos, ou seja, que não tiveram a formação neurológica correta e não conseguiriam sobreviver fora do útero. A autorização foi possível graças a uma ação ajuizada naquele ano pela CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde), que alegou ofensa à dignidade humana da mãe, prevista no artigo 5º da Constituição Federal. Na ocasião, o STF (Supremo Tribunal Federal) brasileiro entendeu que era preciso antes validar o mérito do instrumento utilizado pela CNTS, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, o que ocorreu em 2005. Desde então, a ação aguarda julgamento do Supremo.
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Se aprovar a descriminalização do aborto sem pressupostos, a Argentina se somará a outros 56 países do mundo que adotam essa prática – variável a depender do tempo limite de gestação para realizar a prática. Além deles, 37 nações admitem IVGs por motivos econômicos ou de saúde mental e mais 36 aceitam a interrupção para preservar a saúde física da mulher, de uma maneira mais ampla – grupo ao qual os argentinos já fazem parte, com destaque para a legislação da província de Buenos Aires.
No caso de Estados Unidos, México e Austrália, a legislação nacional dá ampla liberdade para o aborto, mas os estados da federação podem limitá-lo ou até mesmo proibi-lo. No total, são 93 Estados que, de forma menos restritiva, descriminalizaram o aborto, de acordo com os dados da associação Reproductive Rights. Algo em torno de 74,3% da população mundial.
Do outro lado dessa conta está o Brasil e outros 67 países que proíbem completamente a prática ou abrem uma exceção bastante limitada, como em caso de risco extremo para a vida da mãe e de estupro. Estes somam 25,7% dos habitantes do planeta, a maioria na África, América Latina e no mundo islâmico.
"Especialmente nos países da América Latina há uma influência muito forte do catolicismo Existe um movimento conservador em torno dos temas dos direitos reprodutivos e o Brasil não fica atrás. Temos uma bancada de parlamentares que se diz em defesa da vida, mas só estanca o debate e tenta retroceder naqueles pontos onde o aborto já foi aprovado, ou seja, em caso de estupro e risco de vida", afirmou Rosângela Dualib, da associação Católicas pelo Direito de Decidir, que atua na Europa e na América.
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Novas perspectivas
Entre os que recentemente modificaram a legislação favoravelmente ao aborto está a Espanha. Desde fevereiro deste ano, o país, de forte tradição católica, mas laico, autoriza a interrupção da gravidez até a 14ª semana, sem qualquer restrição, e até a 22ª condicionada à risco à vida da gestante ou má formação fetal. A grande novidade, porém, ficou por conta da permissão de jovens entre 16 e 18 anos, consideradas menores de idade, a interromperem voluntariamente a gravidez sem consentimento dos pais. O ponto foi um dos mais ressaltados nos protestos contrários à aprovação da lei.
No vizinho e igualmente devoto Portugal, a alteração ocorreu há três anos, referendada por plebiscito popular em que a descriminalização do aborto obteve 59% de aprovação. A diferença para a Espanha ficou justamente na notificação parental de adolescentes, ainda obrigatória. Apenas entre 2008 e 2009, cerca de 39 mil abortos foram feitos legalmente no país.
A lei portuguesa se assemelha também a de outro país próximo onde o aborto já é uma realidade há quase cinco décadas: a França. Em ambos, há um tempo mínimo obrigatório para refletir sobre a decisão a partir do atendimento inicial dado à mulher pelo sistema público de saúde. Quem optar por interromper uma gravidez recebe apoio psicológico e social para lidar com a situação.
Associado a isso está a disseminação de políticas de planejamento familiar e prevenção de gravidez, que recebem bastante ênfase (e verbas) na Europa. De acordo com Anne Daguerre, pesquisadora associada da Sciences Po, em Paris, "a Holanda é o melhor exemplo de uma política empreendedora em matéria de educação sexual e acesso aos contraceptivos: 75% das holandesas de 15 a 44 anos utilizam algum método moderno para evitar a gravidez. Como consequência, a taxa de abortos no país é uma das mais reduzidas da Europa: oito em cada mil gestações. As IVGs são praticadas em clínicas especializadas, por médicos altamente qualificados. E o atendimento conta com a cobertura integral de uma empresa pública de seguros."
De fato, uma pesquisa feita em 2007 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) demonstra que nos países onde o aborto é permitido por lei, o número de procedimentos tende a cair – com exceção de Cuba e do Vietnã, onde o acesso a métodos contraceptivos é bastante restrito. "A prática tem mostrado que, nos países onde o aborto é legalizado, há um crescimento inicial, pela demanda reprimida, e depois isso se estabiliza e há uma diminuição subsequente. Isso porque as mulheres que passaram por um aborto já saem dos sistemas de saúde com um método contraceptivo adequado, escolhido a partir das informações que recebeu nessas instituições", afirmou Rosângela Dualib.
Segundo ela, esses dados vão contra discurso propagado recentemente no Brasil, que tende a ver a interrupção voluntária da gravidez como uma forma de prevenção, e não de remediar uma situação indesejada. "Nenhuma mulher passa incólume física e psicologicamente por uma experiência dessas. Dizer que as mulheres vão eleger isso como método contraceptivo é uma falácia. A taxa tende a diminuir", completou.
Nos cálculos do SUS (Sistema Único de Saúde), cerca de um milhão de abortos inseguros são realizados anualmente no Brasil; uma em cada cinco mulheres já teria recorrido à prática ao menos uma vez em sua vida, sendo a maioria delas casada, com mais de 18 anos e identificada com alguma religião. Uma realidade que bate à porta de todos.
[Carta O BERRO] Battisti sabe muito sobre a Operação GLADIO. E pode decidir contar ao mundo. - Vanderley - Revista
A estratégia da tensão
O terrorismo não reinvindicado da NATO
por Silvia Cattori
Daniele Ganser, professor de história contemporânea na universidade de Basileia e presidente da ASPO-Suíça, publicou um livro de referência sobre os "Exércitos secretos da NATO" . Segundo ele os Estados Unidos organizaram na Europa Ocidental durante 50 anos atentados que atribuíram mentirosamente à esquerda e à extrema esquerda para as desacreditar aos olhos dos eleitores. Esta estratégia continua hoje em dia para criar o temor do Islão e justificar as guerras do petróleo.
Silvia Cattori: A sua obra consagrada aos exércitos secretos da NATO [1] explica o que é a estratégia da tensão [2] e o grande perigo dos terrorismos bandeira-falsa [3] . O livro mostra-nos como a NATO durante a Guerra Fria – em coordenação com os serviços de informação dos países europeus ocidentais e com o Pentágono – serviu-se de exércitos secretos, recrutou espiões nos meios da extrema direita e organizou actos terroristas que foram atribuídos à extrema esquerda. Sabendo isso, podemo-nos interrogar sobre o que se possa passar hoje em dia sem nós o sabermos.
Daniele Ganser: É muito importante compreender o que a estratégia da tensão realmente é e como funcionou durante esse período. Isso poder-nos-á ajudar a esclarecer o presente e a ver melhor em que medida ela está hoje em dia ainda em funcionamento. Pouca gente sabe o que a expressão estratégia da tensão significa. Por isso é importante falar dela e explicar o que significa. É uma táctica que consiste em cometer atentados criminosos com as próprias mãos e atribuí-los a um outro qualquer. A palavra tensão refere-se à tensão emocional, àquilo que cria um sentimento de medo. A palavra estratégia refere-se ao que alimenta o medo das pessoas em relação a um certo grupo. As estruturas secretas da NATO eram equipadas, financiadas e treinadas pela CIA, em coordenação com o MI6 (os serviços secretos britânicos) para combater as forças armadas da União Soviética em caso de guerra, mas também, segundo as informações de que hoje se dispõe, para cometer atentados terroristas em diversos países [4] . Foi assim que, nos anos 70, os serviços secretos italianos utilizaram exércitos secretos para cometerem atentados terroristas com o fim de provocar o medo na população e depois acusar os comunistas de terem sido os autores. Foi isto numa altura em que o Partido Comunista tinha um poder legislativo importante no Parlamento. A estratégia de tensão tivera por fim desacreditá-lo e enfraquecê-lo, para impedí-lo de poder chegar ao poder executivo.
Silvia Cattori: Saber o que significa é uma coisa. Mas continua a ser difícil acreditar que os nossos governos tenham podido deixar a NATO, os serviços de informação europeus ocidentais e a CIA ameaçar a segurança dos seus próprios cidadãos!
Daniele Ganser: A NATO estava no coração dessa rede clandestina ligada ao terror; o Clandestine Planning Committee (CPC) e o Allied Clandestine Committee (ACC), que estão hoje perfeitamente identificados, eram subestruturas clandestinas da Aliança Atlântica. Agora, ainda que tudo isso seja já bem conhecido, continua a ser difícil saber quem fazia o quê. Não há documentos que mostrem quem comandava, quem organizava a estratégia da tensão, como a NATO, os serviços de informação europeus ocidentais, a CIA, o MI6 e os terroristas recrutados nos meios da extrema direita distribuíam os papéis. A única certeza que temos é que havia, no interior dessas estruturas clandestinas, elementos que utilizaram a estratégia da tensão. Os terroristas de extrema direita explicaram nas suas deposições que foram os serviços secretos e a NATO que os haviam apoiado nessa guerra clandestina. Mas quando se pede explicações a membros da CIA ou da NATO - coisa que fiz durante vários anos - limitam-se a dizer que talvez possa ter havido alguns elementos criminosos que tenham escapado ao seu controlo.
Silvia Cattori: Esses exércitos secretos estavam activos em todos os países europeus ocidentais?
Daniel Ganser: Com as minhas pesquisas consegui provar que esses exércitos secretos existiam, não apenas em Itália, mas em toda a Europa Ocidental: na França, na Bélgica, nos Países Baixos, na Noruega, na Dinamarca, na Suécia, na Finlândia, na Turquia, na Espanha, em Portugal, na Áustria, no Luxemburgo, na Alemanha. Ao princípio pensava-se que houvesse uma estrutura de guerrilha única e que, portanto, todos esses exércitos tivessem participado na estratégia de tensão, logo em atentados terroristas. Ora, é importante saber que nem todos esses exércitos secretos participaram em atentados e compreender o que os diferenciava, porque eles tinham duas actividades distintas. O que parece hoje claro é que as estruturas clandestinas da NATO, no conjunto chamadas Stay Behind [5] , estavam concebidas à partida para levar a cabo guerrilhas em caso de ocupação da Europa Ocidental por parte da União Soviética. Os Estados Unidos diziam que essas redes de guerrilha eram necessárias para colmatar a impreparação em que se encontraram os países invadidos pela Alemanha.
Um certo número de países que sofreram a ocupação alemã, como a Noruega, queriam tirar lições da sua incapacidade demonstrada de resistir ao ocupante e disseram a si próprios que, em caso de nova ocupação, deveriam estar mais bem preparados e ter um exército secreto como segunda opção, se porventura o exército clássico ficasse desfeito. Havia nesses exércitos secretos gente honesta, patriotas sinceros que queriam simplesmente defender o seu país em caso de ocupação.
Silvia Cattori: Se bem compreendo, esses Stay Behind cujo objectivo inicial era preparar-se para a eventualidade duma invasão soviética foram desviados dele para combater a esquerda. Custa a perceber porque razão os partidos de esquerda não investigaram, não denunciaram esses desvios mais cedo?
Daniele Ganser: Se se tomar o caso da Itália, parece que, de cada vez que o Partido Comunista interpelou o governo pedindo explicações sobre o exército secreto que operava no país com o nome de código Gladio [6] , nunca teve resposta sob o pretexto de secredo de Estado. Não é senão em 1990 que Giulio Andreotti [7] reconheceu a existência do Gladio e das suas ligações com a NATO, a CIA e o MI6 [8] . É nessa época também que o juiz Felice Casson conseguiu provar que o verdadeiro autor do atentado de Peteano em 1972, que abalou toda a Itália e que fora até então atribuído a militantes da extrema esquerda, era de facto Vincenzo Vinciguerra, próximo do Ordine Nuovo, um grupo de extrema direita. Vinciguerra confessou haver cometido o atentado de Peteano com a ajuda dos serviços secretos italianos. Vinciguerra falou também da existência desse exército secreto Gladio e explicou como, durante a Guerra Fria, esses atentados clandestinos causaram a morte de mulheres e crianças [9] . Afirmou também que esse exército secreto, controlado pela NATO, tinha ramificações por toda a Europa. Quando apareceu essa informação houve uma crise política em Itália. E é graças às investigações do juiz Felice Casson que se tem hoje conhecimento dos exércitos secretos da NATO.
Na Alemanha quando os socialistas do SPD souberam, em 1990, que existia no seu país - como em todos os outros países europeus - um exército secreto, e que essa estrutura estava ligada aos serviços secretos alemães, bradaram escândalo aos quatro ventos e acusaram o partido democrata-cristão (CDU). Este reagiu dizendo: se nos acusais, vamos a público dizer como vós também, com Willy Brandt, participastes na conspiração. Coincidiu isto com as primeiras eleições na Alemanha reunificada, que o SPD esperava ganhar. Os dirigentes do SPD compreenderam que isso não seria um bom tema eleitoral e acabaram por dar a entender que, no fim de contas, esses exércitos secretos eram justificáveis.
No Parlamento Europeu, em Novembro de 1990, levantaram-se vozes dizendo que não se podia tolerar a existência de exércitos clandestinos, nem deixar por explicar os actos de terror cuja verdadeira origem não era clara e que era necessário investigar. O Parlamento Europeu protestou na altura por escrito junto da NATO e do presidente George Bush senior. Mas nada foi feito.
Só na Itália, Suíça e Bélgica foram levados a cabo inquéritos públicos, e só nestes países se pôs um pouco de ordem neste assunto e se publicou relatórios sobre os exércitos secretos.
Silvia Cattori: E hoje em dia? Esses exércitos clandestinos estarão ainda activos? Haverá estruturas nacionais secretas que escapem ao controlo dos Estados?
Daniele Ganser: Para um historiador é difícil de responder a essa questão. Não se dispõe dum relatório oficial país por país. Nas minhas obras analiso factos que posso provar.
Em relação à Itália, existe um relatório que afirma que o exército secreto Gladio foi suprimido. Sobre a existência do exército secreto P26 na Suíça, houve, em Novembro de 1990, semelhante relatório do Parlamento. Assim, os exércitos clandestinos que armazenaram explosivos em esconderijos um pouco por toda a Suiça foram dissolvidos.
Mas nos outros países não se fez nada. Em França quando o presidente François Mitterrand afirmou que tudo isso pertencia ao passado, soube-se logo a seguir que essas estruturas secretas continuavam activas com a afirmação de Giulio Andreotti que o presidente francês mentia: "Diz o senhor que os exércitos secretos já não existem; ora, aquando da reunião secreta no Outono de 1990, vós também franceses estáveis presentes; não diga portanto que já não existem". Mitterrand ficou bastante zangado com Andreotti pois, após esta revelação, foi obrigado a rectificar a sua declaração. Mais tarde, o antigo chefe dos serviços secretos franceses, o almirante Pierre Lacoste, confirmou que esses exércitos secretos existiam também em França e que a França estivera também implicada em atentados terroristas [10] .
É portanto difícil dizer se tudo isso está acabado. E, ainda que as estruturas Gladio tenham sido dissolvidas, pode-se sem dúvida ter criado outras, continuando-se a servir desta técnica da estratégia da tensão e das bandeiras-falsas.
Silvia Cattori: Pode-se pensar que, após a derrocada da URSS, os Estados Unidos e a NATO tenham continuado a aplicar a estratégia da tensão e as bandeiras-falsas em outras frentes?
Daniele Ganser: As minhas pesquisas concentraram-se sobre o período da Guerra Fria na Europa. Mas sabe-se que, em outros sítios, houve bandeiras-falsas cuja responsabilidade provou-se ter sido dos Estados Unidos. Um exemplo: os atentados em 1953 no Irão, no princípio atribuídos aos comunistas iranianos. Ora ficou comprovado que a CIA e o MI6 se serviram de agentes provocadores para orquestrar a queda o governo de Mohamed Mossadegh. Isto no quadro da guerra pelo controlo do petróleo. Outro exemplo: os atentados no Egipto em 1954 que ao princípio se atribuía aos muçulmanos. Ficou mais tarde provado, naquilo que se chama o caso Lavon [11] , que foram agentes da Mossad os autores. Neste caso tratou-se de Israel conseguir que as tropas britânicas não saíssem do Egipto para garantir a segurança de Israel. Assim, temos exemplos históricos que mostram qe a estratégia da tensão e as falsas-bandeiras foram utilizadas pelos EUA, Grã Bretanha e Israel. É preciso continuarmos as pesquisas nestas áreas porque, na sua história, outros países utilizaram também a mesma estratégia.
Silvia Cattori: Estas estruturas clandestinas da NATO, criadas depois da Segunda Guerra Mundial por iniciativa dos Estados Unidos para dotar os países europeus duma guerrilha capaz de resistir a uma invasão soviética, no fim de contas não serviram para mais nada que levar cabo acções criminosas contra os cidadãos europeus! Tudo leva a crer que os Estados Unidos tinham afinal outros objectivos.
Daniele Ganser: Tem razão em levantar essa questão. Os Estados Unidos estavam interessados no controlo político. Esse controlo político é um elemento essencial da estratégia de Washington e Londres. O general Geraldo Serravalle, chefe do Gladio, a rede italiana do Stay Behind, dá um exemplo disso no seu livro. Ele conta que compreendeu que os Estados Unidos não estavam interessados na preparação dessa guerrilha em caso de invasão soviética quando viu que, o que interessava aos agentes da CIA que assistiam aos exercícios de treino do exército secreto que ele dirigia, era assegurar que esse exército funcionasse de modo a controlar as acções dos militantes comunistas. O medo deles era a subida ao poder dos comunistas em países como a Grécia, a Itália ou a França. Era portanto para isso que servia a estratégia da tensão: orientar e influenciar a política de certos países da Europa Ocidental.
Silvia Cattori: Disse que o elemento emocional é um factor importante na estratégia da tensão. Portanto, o terror, cuja origem é ainda vaporosa e incerta, e o medo que ele provoca, servem para manipular a opinião. Ontem ateava-se o medo do comunismo; hoje não se ateia o medo do Islão?
Daniele Ganser: Sim, há um paralelo bem claro. Como preparação da guerra contra o Iraque disse-se que Sadam Hussein possuía armas biológicas, que havia um elo entre o Iraque e os atentados de 11 de Setembro, ou que havia um elo entre o Iraque e os terroristas da Al Qaida. Mas nada disso era verdade. Com essas mentiras pretendia-se fazer crer ao mundo que os muçulmanos queriam estender o terrorismo por todo o lado e que essa guerra era necessária para combater o terror. Ora, a verdadeira razão da guerra é o controlo dos recursos energéticos. A geologia determinou que as riquezas em gás e petróleo se concentrem nos países muçulmanos. Quem os queira açambarcar tem de se esconder atrás deste género de manipulações.
Eles não podem dizer às pessoas que já não há muito mais petróleo, e que o máximo da produção global – o "peak oil" [12] – dar-se-á provavelmente antes de 2020; nem que é preciso ir buscá-lo ao Iraque; porque isso seria dizerem que é necessário matar crianças por petróleo. E têm razões para não quererem dizer tal coisa. Também não podem dizer às pessoas que no Mar Cáspio há reservas enormes e que têm planos para construir um oleoduto até ao Oceano Índico, e que, como não se pode passar pelo Irão ao sul, nem pela Rússia ao norte, será necessário passar por leste, pelo Turquemenistão e pelo Afeganistão, e que é portanto necessário controlar esses países. Por isso se qualifica os muçulmanos de "terroristas". Não são senão grandes mentiras, mas se forem repetidas vezes sem conta, as pessoas acabarão por crer nelas e na utilidade das guerras antimuçulmanas; assim como esquecerão que há muitas formas de terrorismo, e que a violência não é uma especialidade apenas muçulmana.
Silvia Cattori: Em suma, essas estruturas clandestinas poderiam ter sido dissolvidas, mas a estratégia da tensão pode ter continuado?
Daniele Ganser: Exacto. Pode-se ter dissolvido essas estruturas mas formado outras novas. É preciso explicar como são a táctica e a manipulação na estratégia da tensão. Nada disso é legal. Mas para os Estados é mais fácil manipular as pessoas que dizer-lhes que se está tentando deitar mão ao petróleo alheio. De qualquer modo, nem todos os atentados provêem da estratégia da tensão. Mas é difícil saber quais são os manipulados e quais não são. Mesmo quem saiba que um certo número de atentados são manipulados por Estados para desacreditar um inimigo político, esbarra contra um obstáculo psicológico. Após um atentado as pessoas têm medo, estão confusas. É muito difícil ter ideia que a estratégia da tensão, a estratégia da bandeira-falsa, é uma realidade. É mais fácil aceitar a manipulação e dizer a si próprio: "Há trinta anos que me mantenho informado e nunca ouvi falar de exércitos criminosos nenhuns. Os muçulmanos atacam-nos, e é por isso que os combatemos."
Silvia Cattori: Desde 2001 a União Europeia instaurou medidas antiterroristas. Mais tarde tornou-se evidente que essas medidas permitiram à CIA raptar pessoas e transportá-las para sítios secretos para as torturar. Os Estados europeus não se tornaram um pouco reféns da sua submissão aos Estados Unidos?
Daniele Ganser: Os Estados europeus tiveram uma atitude bastante fraca em relação aos Estados Unidos após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Depois de terem afirmado que as prisões secretas eram ilegais, deixaram de intervir. E o mesmo fizeram com os prisioneiros de Guantânamo. Na Europa levantaram-se vozes afirmando: "Não se pode privar os prisioneiros de defesa e de advogado." Mas quando Madame Angela Merkel levantou esta questão, os Estados Unidos deixaram claramente entender que a Alemanha estava de certo modo implicada no Iraque e que os seus serviços secretos haviam contribuído para a preparação dessa guerra e que portanto deveriam manter-se calados.
Silvia Cattori: Em tal contexto, com tantas zonas de sombra, que segurança traz a NATO aos povos que se presume proteger, permitindo desta maneira aos serviços secretos manipular?
Daniele Ganser: Em relação aos atentados terroristas manipulados pelos exércitos secretos da rede Gladio durante a Guerra Fria é preciso determinar com clareza qual foi a implicação real da NATO neles e saber o que realmente se passou. Trataram-se de actos isolados ou organizados secretamente pela NATO? Até hoje a NATO tem sempre recusado falar da estratégia da tensão e do terrorismo durante a Guerra Fria. A NATO rechaça qualquer questão relativa ao Gladio.
Hoje em dia a NATO é usada como um exército ofensivo, mas não foi para isso que a organização foi criada. Foi activada dessa maneira no dia 12 de Setembro de 2001, imediatamente após os atentados em Nova Iorque. Os dirigentes da NATO afirmam que a razão da sua participação na guerra contra os afegãos é combater o terrorismo. Ora a NATO está em risco de perder essa guerra. Haverá então uma grande crise, debates; o que virá a permitir saber se a NATO conduz, tal como diz, uma guerra contra o terrorismo, ou se se encontra numa situação análoga à que se encontrava durante a Guerra Fria com o exército secreto Gladio, onde tinha uma ligação ela própria com o terror. Os próximos anos dirão se a NATO age para além da missão para que foi fundada: defender os países europeus e os Estados Unidos em caso de invasão soviética, evento que nunca se deu. A NATO não foi fundada para se apoderar do petróleo e do gás dos países muçulmanos.
Silvia Cattori: Percebe-se porque Israel, a quem interessa aumentar os conflitos nos países árabes e muçulmanos, encoraja os Estados Unidos nesse sentido. Mas que interesse possa ser o dos Estados europeus em enviar tropas para guerras decididas pelo Pentágono, como no Afeganistão, por exemplo?
Daniele Ganser: Penso que a Europa esteja confusa. Os Estados Unidos são presentemente os senhores da força e os Europeus têm tendência a pensar que o melhor a fazer é colaborar com o mais forte. Mas é bom pensar um pouco melhor. Os parlamentares europeus cedem facilmente à pressão dos Estados Unidos, os quais reclamam continuamente tropas para esta ou aquela frente. Quanto mais os países europeus cederem, tanto mais se submeterão, e tanto mais se confrontarão com problemas cada vez maiores. No Afeganistão, os alemães e os britânicos estão sob o comando do exército americano. Estrategicamente não é uma posição do interesse desses países. Recentemente os Estados Unidos mandaram os alemães dispor as suas tropas também no sul do Afeganistão em zonas onde as batalhas são mais duras. Se os alemães aceitarem, arriscam-se a serem massacrados pelas forças afegãs, que rejeitam a presença de qualquer ocupante que seja. A Alemanha deveria, com toda a seriedade, perguntar-se se não deveria retirar os seus 3000 soldados do Afeganistão. Mas, para os alemães, desobedecer às ordens dos Estados Unidos, de quem são um pouco como vassalos, é um passo difícil a dar.
Silvia Cattori: Que sabem as autoridades que nos governam hoje em dia da estratégia da tensão? Continuarão a permitir aos fazedores de guerras fomentarem golpes de Estado, raptarem e torturarem pessoas, sem nada fazer? Têm as autoridades ainda os meios necessários de os impedir de levar a cabo tais crimes?
Daniele Ganser: Não sei. Como historiador, observo, tomo notas. Como conselheiro político, afirmo sempre que há que não ceder a manipulações cujo ideia é criar o medo e a fazer crer que os "terroristas" são sempre os muçulmanos; afirmo que se trata duma luta pelos recursos energéticos; que é preciso encontrar formas de sobreviver à penúria energética sem ser no sentido da militirização. Não se pode resolver os problemas de tal jeito; assim só se agravam.
Silvia Cattori: Ao observar a diabolização dos árabes e dos muçulmanos na perspectiva do conflito israelo-palestiniano, diz-se que não tem nada a ver com o petróleo.
Daniele Ganser: Sim, nesse caso, sim. Mas na perspectiva dos Estados Unidos trata-se de facto de controlar as reservas energéticas do bloco euroasiático que se situa na "elipse estratégica" que vai do Azerbaijão, passando pelo Turquemenistão e o Cazaquistão até à Arábia Saudita, o Iraque, o Kuwait e o Golfo Pérsico. É precisamente aí, nessa região, onde se desenrola toda a pretensa guerra "contra o terrorismo", que se concentram as mais importantes reservas de petróleo e gás. Na minha opinião, tudo isto não é mais do que um jogo geoestratégico no qual a União Europeia não pode senão perder. Porque se os Estados Unidos chegam a controlar esses recursos, e com o agravamento da crise energética, aí estarão eles a dizer: "Quereis gás?, quereis petróleo? Pois sim, mas em troca nós queremos isto e aquilo." Os Estados Unidos não darão de graça petróleo e gás aos países europeus. Pouca gente sabe que o "peak oil", o máximo de produção, já foi atingido no Mar do Norte, e que, consequentemente, a produção de petróleo na Europa - a produção da Noruega e da Grã Bretanha - está em declínio.
No dia em que as pessoas se derem conta que estas guerras "contra o terrorismo" são manipulação, e que as acusações contra os muçulmanos são em parte propaganda, ficarão bastante surpreendidas. Os Estados europeus têm que acordar e compreender por fim como funciona a estratégia da tensão. E têm que aprender também a dizer não aos Estados Unidos. Além disso, nos Estados Unidos também há muita gente que não quer esta militarização nas relações internacionais.
Silvia Cattori: Fez também pesquisas sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 e assinou um livro [13] em conjunto com outros intelectuais que se preocupam com as incoerências e as contradições na versão oficial dos eventos e nas conclusões da comissão de inquérito mandatada pelo senhor Bush. Não teme vir a ser acusado de "teoria da conspiração"?
Daniele Ganser: Os meus estudantes e outras pessoas têm-me perguntado se esta "guerra contra o terrorismo" está de facto relacionada com o petróleo e o gás e se os atentados de 11 de Setembro foram de facto manipulados, ou é uma coincidência que os muçulmanos de Ossama bin Laden tenham atacado exactamente na altura em que os países ocidentais começavam a perceber uma crise do petróleo? Comecei portanto a interessar-me pelo que se escreveu sobre o 11 de Setembro e a estudar também o relatório oficial apresentado em Junho de 2004. Quando se mergulha neste assunto, uma pessoa apercebe-se de imediato que há um grande debate planetário à volta do que realmente se passou em 11 de Setembro de 2001. A informação que se tem não é muito precisa. Uma pessoa começa-se logo por perguntar porque razão, num relatório de 600 páginas, nem sequer está mencionada a derrocada da terceira torre que ocorreu nesse mesmo dia. A comissão não se refere senão à derrocada das duas torres, as "Twin Towers". No entanto, há uma terceira torre de 170 metros de altura que se esbarrondou: a chamada WTC7. No caso dessa torre, fala-se dum pequeno incêndio. Falei com professores que conheciam bem a estrutura desses edifícios; os quais afirmam que um pequeno incêndio, em tal caso, não poderia nunca destruir uma estrutura daquelas dimensões. A história oficial sobre o 11 de Setembro e as conclusões da comissão não são credíveis. Tal ausência de clareza põe os investigadores numa situação muito difícil. Reina também a confusão sobre o que de facto se terá passado no Pentágono. Nas fotografias que se tem é muito difícil ver um avião e não se consegue perceber como é que um avião teria atingido o edifício.
Silvia Cattori: O Parlamento da Venezuela pediu aos Estados Unidos mais explicações sobre a origem dos atentados. Não deveria este ser um exemplo a seguir?
Daniele Ganser: Há muitas incertezas sobre o 11 de Setembro. Os parlamentares, os académicos, os cidadãos podem pedir contas sobre os que realmente se passou. Penso que é importante continuarmos a questionar-nos sobre o assunto. É um evento que ninguém consegue esquecer; cada um de nós lembra-se onde estava naquele momento preciso. É incrível que, cinco anos mais tarde, não se tenha ainda clarificado a questão.
Silvia Cattori: Dir-se-ia que tudo se passa como se as instituições não quisessem pôr em causa a versão oficial. Ter-se-iam deixado manipular pela desinformação organizada e pelos estrategas da tensão e pelas bandeiras-falsas?
Daniele Ganser: É-se manipulável quando se tem medo: medo de perder o seu trabalho, medo de perder o respeito das pessoas que se ama. Não se consegue sair desta espiral de violência e de terror se se deixar tomar pelo medo. É normal ter medo, mas é preciso falar abertamente desse medo e das manipulações que o geram. Ninguém poderá escapar às suas consequências. E isso é tão mais grave quanto os responsáveis políticos agem frequentemente sob o efeito do medo. É preciso encontrar força para dizer: "Sim, tenho medo de saber que estas mentiras causam sofrimento nas pessoas; sim, tenho medo de pensar que não há mais petróleo; sim, tenho medo de pensar que o terrorismo de que se fala é consequência de manipulações, mas não me vou deixar intimidar."
Silvia Cattori: Até que ponto países como a Suiça participam, neste momento, na estratégia da tensão?
Daniele Ganser: Penso que não haja estratégia da tensão na Suiça. Este país não sofre atentados terroristas. Mas, a verdade é que, na Suiça como em outras partes, os políticos que temem os Estados Unidos e a sua força têm tendência a dizer-se: são bons amigos, não temos interesse em batermo-nos contra eles.
Silvia Cattori: Essa maneira de pensar e de cobrir as mentiras que decorrem a estratégia da tensão não os torna um pouco cúmplices dos crimes de que ela é a responsável? A começar pelos jornalistas e pelos partidos políticos?
Daniele Ganser: Pessoalmente penso que toda a gente – jornalistas, académicos, políticos – devem de reflectir sobre as implicações da estratégia da tensão e das bandeiras-falsas. Estamos perante, é verdade, diante de fenómenos que escapam a qualquer compreensão. Por isso, de cada vez que há um atentado terrorista, é preciso questionarmo-nos e procurar descortinar o que ele esconde. E isso não será senão quando se admita oficialmente que as bandeiras-falsas são uma realidade, e que se possa fazer uma lista das bandeiras-falsas ao longo da história e pôrmo-nos de acordo sobre o que se deverá fazer.
A procura da paz é o tema que me interessa. É importante abrir o debate sobre a estratégia da tensão e tomar nota que se trata dum fenómeno bem real. Porque, enquanto se recusar a reconhecer a sua existência, não se poderá agir. Por isso é tão importante explicar o que significa realmente a estratégia da tensão. E, uma vez compreendido, não se deixar tomar pelo medo e pelo ódio contra um grupo. É preciso dizer que não é apenas um país que está implicado nisto; que são só os Estados Unidos, a Itália, Israel ou os iranianos, mas isto sucede em todo o lado, se bem que certos países participem mais intensamente que outros. O que é preciso é compreender, sem acusar tal ou tal país ou tal ou tal pessoa. O medo e o ódio não ajudam a avançar mas sim paralisam o debate. Vejo muitas acusações contra os Estados Unidos, contra Israel, contra a Grã Bretanha, ou alternativamente contra o Irão ou a Síria. A procura da paz ensina-nos que não nos devemos basear em acusações baseadas no nacionalismo, e que não é preciso nem ódio nem medo; que o mais importante é explicar. E essa compreensão será benéfica para todos nós.
Silvia Cattori: Porque é que o seu livro consagrado aos exércitos secretos da NATO, publicado em inglês, traduzido em italiano, em turco, em esloveno e, em breve, em grego, não foi publicado em francês?
Daniele Ganser: Ainda não encontrei editor em França. Se algum editor estiver interessado em publicar o meu livro, é com muito gosto que o verei traduzido em francês.
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Silvia Cattori
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[1] Nato’s secret Armies : Terrorism in Western Europe por Daniele Ganser, prefácio de John Prados. Ed. Frank Cass, 2005. ISBN 07146850032005
[2] Foi depois do atentado na Piazza Fontana em Milão em 1969 que a expressão estratégia da tensão foi ouvida pela primeira vez.
[3] False flag operations (operações bandeira-falsa) é a expressão usada para designar as acções terroristas cometidas secretamente por governos ou organizações e de modo que pareça terem sido cometidas por outros.
[4] " Stay-behind : les réseaux d’ingérence américains " por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 20 de Agosto de 2001.
[5] Stay behind (o que significa : ficar atrás em caso de invasão soviética) é o nome dado às estruturas clandestinas treinadas para levaram a cabo um guerra de guerrilhas.
[6] Gladio designa o conjunto dos exércitos secretos europeus que estavam sob a direcção da CIA.
[7] Presidente do Conselho de Ministros, membro da democracia cristã.
[8] "Rapport Andreotti sur l’Opération Gladio" documento de 26 de Fevereiro de 1991, Biblioteca da Rede Voltaire.
[9] "1980 : carnage à Bologne, 85 morts" , Rede Voltaire, 12 de Março de 2004.
[10] "La France autorise l’action des services US sur son territoire" por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 8 de Março de 2004.
[11] Affaire Lavon, do nome do ministro da Defesa israelense que teve que se demitir quando a Mossad foi desmascarada como tendo tido parte nesses actos criminosos.
[12] Ver : "Odeurs de pétrole à la Maison-Blanche" , Rede Voltaire, 14 de Dezembro de 2001. "Les ombres du rapport Cheney" por Arthur Lepic, 30 de Março de 2004. "Le déplacement du pouvoir pétrolier" por Arthur Lepic, 10 de Maio de 2004. "Dick Cheney, le pic pétrolier et le compte à rebours final" por Kjell Aleklett, 9 de Março de 2005. "L’adaptation économique à la raréfaction du pétrole" por Thierry Meyssan, 9 de Junho de 2005.
[13] 9/11 American Empire: Intellectual speaks out, sob a direcção de David Ray Griffin, Olive Branch Press, 2006
O terrorismo não reinvindicado da NATO
por Silvia Cattori
Daniele Ganser, professor de história contemporânea na universidade de Basileia e presidente da ASPO-Suíça, publicou um livro de referência sobre os "Exércitos secretos da NATO" . Segundo ele os Estados Unidos organizaram na Europa Ocidental durante 50 anos atentados que atribuíram mentirosamente à esquerda e à extrema esquerda para as desacreditar aos olhos dos eleitores. Esta estratégia continua hoje em dia para criar o temor do Islão e justificar as guerras do petróleo.
Silvia Cattori: A sua obra consagrada aos exércitos secretos da NATO [1] explica o que é a estratégia da tensão [2] e o grande perigo dos terrorismos bandeira-falsa [3] . O livro mostra-nos como a NATO durante a Guerra Fria – em coordenação com os serviços de informação dos países europeus ocidentais e com o Pentágono – serviu-se de exércitos secretos, recrutou espiões nos meios da extrema direita e organizou actos terroristas que foram atribuídos à extrema esquerda. Sabendo isso, podemo-nos interrogar sobre o que se possa passar hoje em dia sem nós o sabermos.
Daniele Ganser: É muito importante compreender o que a estratégia da tensão realmente é e como funcionou durante esse período. Isso poder-nos-á ajudar a esclarecer o presente e a ver melhor em que medida ela está hoje em dia ainda em funcionamento. Pouca gente sabe o que a expressão estratégia da tensão significa. Por isso é importante falar dela e explicar o que significa. É uma táctica que consiste em cometer atentados criminosos com as próprias mãos e atribuí-los a um outro qualquer. A palavra tensão refere-se à tensão emocional, àquilo que cria um sentimento de medo. A palavra estratégia refere-se ao que alimenta o medo das pessoas em relação a um certo grupo. As estruturas secretas da NATO eram equipadas, financiadas e treinadas pela CIA, em coordenação com o MI6 (os serviços secretos britânicos) para combater as forças armadas da União Soviética em caso de guerra, mas também, segundo as informações de que hoje se dispõe, para cometer atentados terroristas em diversos países [4] . Foi assim que, nos anos 70, os serviços secretos italianos utilizaram exércitos secretos para cometerem atentados terroristas com o fim de provocar o medo na população e depois acusar os comunistas de terem sido os autores. Foi isto numa altura em que o Partido Comunista tinha um poder legislativo importante no Parlamento. A estratégia de tensão tivera por fim desacreditá-lo e enfraquecê-lo, para impedí-lo de poder chegar ao poder executivo.
Silvia Cattori: Saber o que significa é uma coisa. Mas continua a ser difícil acreditar que os nossos governos tenham podido deixar a NATO, os serviços de informação europeus ocidentais e a CIA ameaçar a segurança dos seus próprios cidadãos!
Daniele Ganser: A NATO estava no coração dessa rede clandestina ligada ao terror; o Clandestine Planning Committee (CPC) e o Allied Clandestine Committee (ACC), que estão hoje perfeitamente identificados, eram subestruturas clandestinas da Aliança Atlântica. Agora, ainda que tudo isso seja já bem conhecido, continua a ser difícil saber quem fazia o quê. Não há documentos que mostrem quem comandava, quem organizava a estratégia da tensão, como a NATO, os serviços de informação europeus ocidentais, a CIA, o MI6 e os terroristas recrutados nos meios da extrema direita distribuíam os papéis. A única certeza que temos é que havia, no interior dessas estruturas clandestinas, elementos que utilizaram a estratégia da tensão. Os terroristas de extrema direita explicaram nas suas deposições que foram os serviços secretos e a NATO que os haviam apoiado nessa guerra clandestina. Mas quando se pede explicações a membros da CIA ou da NATO - coisa que fiz durante vários anos - limitam-se a dizer que talvez possa ter havido alguns elementos criminosos que tenham escapado ao seu controlo.
Silvia Cattori: Esses exércitos secretos estavam activos em todos os países europeus ocidentais?
Daniel Ganser: Com as minhas pesquisas consegui provar que esses exércitos secretos existiam, não apenas em Itália, mas em toda a Europa Ocidental: na França, na Bélgica, nos Países Baixos, na Noruega, na Dinamarca, na Suécia, na Finlândia, na Turquia, na Espanha, em Portugal, na Áustria, no Luxemburgo, na Alemanha. Ao princípio pensava-se que houvesse uma estrutura de guerrilha única e que, portanto, todos esses exércitos tivessem participado na estratégia de tensão, logo em atentados terroristas. Ora, é importante saber que nem todos esses exércitos secretos participaram em atentados e compreender o que os diferenciava, porque eles tinham duas actividades distintas. O que parece hoje claro é que as estruturas clandestinas da NATO, no conjunto chamadas Stay Behind [5] , estavam concebidas à partida para levar a cabo guerrilhas em caso de ocupação da Europa Ocidental por parte da União Soviética. Os Estados Unidos diziam que essas redes de guerrilha eram necessárias para colmatar a impreparação em que se encontraram os países invadidos pela Alemanha.
Um certo número de países que sofreram a ocupação alemã, como a Noruega, queriam tirar lições da sua incapacidade demonstrada de resistir ao ocupante e disseram a si próprios que, em caso de nova ocupação, deveriam estar mais bem preparados e ter um exército secreto como segunda opção, se porventura o exército clássico ficasse desfeito. Havia nesses exércitos secretos gente honesta, patriotas sinceros que queriam simplesmente defender o seu país em caso de ocupação.
Silvia Cattori: Se bem compreendo, esses Stay Behind cujo objectivo inicial era preparar-se para a eventualidade duma invasão soviética foram desviados dele para combater a esquerda. Custa a perceber porque razão os partidos de esquerda não investigaram, não denunciaram esses desvios mais cedo?
Daniele Ganser: Se se tomar o caso da Itália, parece que, de cada vez que o Partido Comunista interpelou o governo pedindo explicações sobre o exército secreto que operava no país com o nome de código Gladio [6] , nunca teve resposta sob o pretexto de secredo de Estado. Não é senão em 1990 que Giulio Andreotti [7] reconheceu a existência do Gladio e das suas ligações com a NATO, a CIA e o MI6 [8] . É nessa época também que o juiz Felice Casson conseguiu provar que o verdadeiro autor do atentado de Peteano em 1972, que abalou toda a Itália e que fora até então atribuído a militantes da extrema esquerda, era de facto Vincenzo Vinciguerra, próximo do Ordine Nuovo, um grupo de extrema direita. Vinciguerra confessou haver cometido o atentado de Peteano com a ajuda dos serviços secretos italianos. Vinciguerra falou também da existência desse exército secreto Gladio e explicou como, durante a Guerra Fria, esses atentados clandestinos causaram a morte de mulheres e crianças [9] . Afirmou também que esse exército secreto, controlado pela NATO, tinha ramificações por toda a Europa. Quando apareceu essa informação houve uma crise política em Itália. E é graças às investigações do juiz Felice Casson que se tem hoje conhecimento dos exércitos secretos da NATO.
Na Alemanha quando os socialistas do SPD souberam, em 1990, que existia no seu país - como em todos os outros países europeus - um exército secreto, e que essa estrutura estava ligada aos serviços secretos alemães, bradaram escândalo aos quatro ventos e acusaram o partido democrata-cristão (CDU). Este reagiu dizendo: se nos acusais, vamos a público dizer como vós também, com Willy Brandt, participastes na conspiração. Coincidiu isto com as primeiras eleições na Alemanha reunificada, que o SPD esperava ganhar. Os dirigentes do SPD compreenderam que isso não seria um bom tema eleitoral e acabaram por dar a entender que, no fim de contas, esses exércitos secretos eram justificáveis.
No Parlamento Europeu, em Novembro de 1990, levantaram-se vozes dizendo que não se podia tolerar a existência de exércitos clandestinos, nem deixar por explicar os actos de terror cuja verdadeira origem não era clara e que era necessário investigar. O Parlamento Europeu protestou na altura por escrito junto da NATO e do presidente George Bush senior. Mas nada foi feito.
Só na Itália, Suíça e Bélgica foram levados a cabo inquéritos públicos, e só nestes países se pôs um pouco de ordem neste assunto e se publicou relatórios sobre os exércitos secretos.
Silvia Cattori: E hoje em dia? Esses exércitos clandestinos estarão ainda activos? Haverá estruturas nacionais secretas que escapem ao controlo dos Estados?
Daniele Ganser: Para um historiador é difícil de responder a essa questão. Não se dispõe dum relatório oficial país por país. Nas minhas obras analiso factos que posso provar.
Em relação à Itália, existe um relatório que afirma que o exército secreto Gladio foi suprimido. Sobre a existência do exército secreto P26 na Suíça, houve, em Novembro de 1990, semelhante relatório do Parlamento. Assim, os exércitos clandestinos que armazenaram explosivos em esconderijos um pouco por toda a Suiça foram dissolvidos.
Mas nos outros países não se fez nada. Em França quando o presidente François Mitterrand afirmou que tudo isso pertencia ao passado, soube-se logo a seguir que essas estruturas secretas continuavam activas com a afirmação de Giulio Andreotti que o presidente francês mentia: "Diz o senhor que os exércitos secretos já não existem; ora, aquando da reunião secreta no Outono de 1990, vós também franceses estáveis presentes; não diga portanto que já não existem". Mitterrand ficou bastante zangado com Andreotti pois, após esta revelação, foi obrigado a rectificar a sua declaração. Mais tarde, o antigo chefe dos serviços secretos franceses, o almirante Pierre Lacoste, confirmou que esses exércitos secretos existiam também em França e que a França estivera também implicada em atentados terroristas [10] .
É portanto difícil dizer se tudo isso está acabado. E, ainda que as estruturas Gladio tenham sido dissolvidas, pode-se sem dúvida ter criado outras, continuando-se a servir desta técnica da estratégia da tensão e das bandeiras-falsas.
Silvia Cattori: Pode-se pensar que, após a derrocada da URSS, os Estados Unidos e a NATO tenham continuado a aplicar a estratégia da tensão e as bandeiras-falsas em outras frentes?
Daniele Ganser: As minhas pesquisas concentraram-se sobre o período da Guerra Fria na Europa. Mas sabe-se que, em outros sítios, houve bandeiras-falsas cuja responsabilidade provou-se ter sido dos Estados Unidos. Um exemplo: os atentados em 1953 no Irão, no princípio atribuídos aos comunistas iranianos. Ora ficou comprovado que a CIA e o MI6 se serviram de agentes provocadores para orquestrar a queda o governo de Mohamed Mossadegh. Isto no quadro da guerra pelo controlo do petróleo. Outro exemplo: os atentados no Egipto em 1954 que ao princípio se atribuía aos muçulmanos. Ficou mais tarde provado, naquilo que se chama o caso Lavon [11] , que foram agentes da Mossad os autores. Neste caso tratou-se de Israel conseguir que as tropas britânicas não saíssem do Egipto para garantir a segurança de Israel. Assim, temos exemplos históricos que mostram qe a estratégia da tensão e as falsas-bandeiras foram utilizadas pelos EUA, Grã Bretanha e Israel. É preciso continuarmos as pesquisas nestas áreas porque, na sua história, outros países utilizaram também a mesma estratégia.
Silvia Cattori: Estas estruturas clandestinas da NATO, criadas depois da Segunda Guerra Mundial por iniciativa dos Estados Unidos para dotar os países europeus duma guerrilha capaz de resistir a uma invasão soviética, no fim de contas não serviram para mais nada que levar cabo acções criminosas contra os cidadãos europeus! Tudo leva a crer que os Estados Unidos tinham afinal outros objectivos.
Daniele Ganser: Tem razão em levantar essa questão. Os Estados Unidos estavam interessados no controlo político. Esse controlo político é um elemento essencial da estratégia de Washington e Londres. O general Geraldo Serravalle, chefe do Gladio, a rede italiana do Stay Behind, dá um exemplo disso no seu livro. Ele conta que compreendeu que os Estados Unidos não estavam interessados na preparação dessa guerrilha em caso de invasão soviética quando viu que, o que interessava aos agentes da CIA que assistiam aos exercícios de treino do exército secreto que ele dirigia, era assegurar que esse exército funcionasse de modo a controlar as acções dos militantes comunistas. O medo deles era a subida ao poder dos comunistas em países como a Grécia, a Itália ou a França. Era portanto para isso que servia a estratégia da tensão: orientar e influenciar a política de certos países da Europa Ocidental.
Silvia Cattori: Disse que o elemento emocional é um factor importante na estratégia da tensão. Portanto, o terror, cuja origem é ainda vaporosa e incerta, e o medo que ele provoca, servem para manipular a opinião. Ontem ateava-se o medo do comunismo; hoje não se ateia o medo do Islão?
Daniele Ganser: Sim, há um paralelo bem claro. Como preparação da guerra contra o Iraque disse-se que Sadam Hussein possuía armas biológicas, que havia um elo entre o Iraque e os atentados de 11 de Setembro, ou que havia um elo entre o Iraque e os terroristas da Al Qaida. Mas nada disso era verdade. Com essas mentiras pretendia-se fazer crer ao mundo que os muçulmanos queriam estender o terrorismo por todo o lado e que essa guerra era necessária para combater o terror. Ora, a verdadeira razão da guerra é o controlo dos recursos energéticos. A geologia determinou que as riquezas em gás e petróleo se concentrem nos países muçulmanos. Quem os queira açambarcar tem de se esconder atrás deste género de manipulações.
Eles não podem dizer às pessoas que já não há muito mais petróleo, e que o máximo da produção global – o "peak oil" [12] – dar-se-á provavelmente antes de 2020; nem que é preciso ir buscá-lo ao Iraque; porque isso seria dizerem que é necessário matar crianças por petróleo. E têm razões para não quererem dizer tal coisa. Também não podem dizer às pessoas que no Mar Cáspio há reservas enormes e que têm planos para construir um oleoduto até ao Oceano Índico, e que, como não se pode passar pelo Irão ao sul, nem pela Rússia ao norte, será necessário passar por leste, pelo Turquemenistão e pelo Afeganistão, e que é portanto necessário controlar esses países. Por isso se qualifica os muçulmanos de "terroristas". Não são senão grandes mentiras, mas se forem repetidas vezes sem conta, as pessoas acabarão por crer nelas e na utilidade das guerras antimuçulmanas; assim como esquecerão que há muitas formas de terrorismo, e que a violência não é uma especialidade apenas muçulmana.
Silvia Cattori: Em suma, essas estruturas clandestinas poderiam ter sido dissolvidas, mas a estratégia da tensão pode ter continuado?
Daniele Ganser: Exacto. Pode-se ter dissolvido essas estruturas mas formado outras novas. É preciso explicar como são a táctica e a manipulação na estratégia da tensão. Nada disso é legal. Mas para os Estados é mais fácil manipular as pessoas que dizer-lhes que se está tentando deitar mão ao petróleo alheio. De qualquer modo, nem todos os atentados provêem da estratégia da tensão. Mas é difícil saber quais são os manipulados e quais não são. Mesmo quem saiba que um certo número de atentados são manipulados por Estados para desacreditar um inimigo político, esbarra contra um obstáculo psicológico. Após um atentado as pessoas têm medo, estão confusas. É muito difícil ter ideia que a estratégia da tensão, a estratégia da bandeira-falsa, é uma realidade. É mais fácil aceitar a manipulação e dizer a si próprio: "Há trinta anos que me mantenho informado e nunca ouvi falar de exércitos criminosos nenhuns. Os muçulmanos atacam-nos, e é por isso que os combatemos."
Silvia Cattori: Desde 2001 a União Europeia instaurou medidas antiterroristas. Mais tarde tornou-se evidente que essas medidas permitiram à CIA raptar pessoas e transportá-las para sítios secretos para as torturar. Os Estados europeus não se tornaram um pouco reféns da sua submissão aos Estados Unidos?
Daniele Ganser: Os Estados europeus tiveram uma atitude bastante fraca em relação aos Estados Unidos após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Depois de terem afirmado que as prisões secretas eram ilegais, deixaram de intervir. E o mesmo fizeram com os prisioneiros de Guantânamo. Na Europa levantaram-se vozes afirmando: "Não se pode privar os prisioneiros de defesa e de advogado." Mas quando Madame Angela Merkel levantou esta questão, os Estados Unidos deixaram claramente entender que a Alemanha estava de certo modo implicada no Iraque e que os seus serviços secretos haviam contribuído para a preparação dessa guerra e que portanto deveriam manter-se calados.
Silvia Cattori: Em tal contexto, com tantas zonas de sombra, que segurança traz a NATO aos povos que se presume proteger, permitindo desta maneira aos serviços secretos manipular?
Daniele Ganser: Em relação aos atentados terroristas manipulados pelos exércitos secretos da rede Gladio durante a Guerra Fria é preciso determinar com clareza qual foi a implicação real da NATO neles e saber o que realmente se passou. Trataram-se de actos isolados ou organizados secretamente pela NATO? Até hoje a NATO tem sempre recusado falar da estratégia da tensão e do terrorismo durante a Guerra Fria. A NATO rechaça qualquer questão relativa ao Gladio.
Hoje em dia a NATO é usada como um exército ofensivo, mas não foi para isso que a organização foi criada. Foi activada dessa maneira no dia 12 de Setembro de 2001, imediatamente após os atentados em Nova Iorque. Os dirigentes da NATO afirmam que a razão da sua participação na guerra contra os afegãos é combater o terrorismo. Ora a NATO está em risco de perder essa guerra. Haverá então uma grande crise, debates; o que virá a permitir saber se a NATO conduz, tal como diz, uma guerra contra o terrorismo, ou se se encontra numa situação análoga à que se encontrava durante a Guerra Fria com o exército secreto Gladio, onde tinha uma ligação ela própria com o terror. Os próximos anos dirão se a NATO age para além da missão para que foi fundada: defender os países europeus e os Estados Unidos em caso de invasão soviética, evento que nunca se deu. A NATO não foi fundada para se apoderar do petróleo e do gás dos países muçulmanos.
Silvia Cattori: Percebe-se porque Israel, a quem interessa aumentar os conflitos nos países árabes e muçulmanos, encoraja os Estados Unidos nesse sentido. Mas que interesse possa ser o dos Estados europeus em enviar tropas para guerras decididas pelo Pentágono, como no Afeganistão, por exemplo?
Daniele Ganser: Penso que a Europa esteja confusa. Os Estados Unidos são presentemente os senhores da força e os Europeus têm tendência a pensar que o melhor a fazer é colaborar com o mais forte. Mas é bom pensar um pouco melhor. Os parlamentares europeus cedem facilmente à pressão dos Estados Unidos, os quais reclamam continuamente tropas para esta ou aquela frente. Quanto mais os países europeus cederem, tanto mais se submeterão, e tanto mais se confrontarão com problemas cada vez maiores. No Afeganistão, os alemães e os britânicos estão sob o comando do exército americano. Estrategicamente não é uma posição do interesse desses países. Recentemente os Estados Unidos mandaram os alemães dispor as suas tropas também no sul do Afeganistão em zonas onde as batalhas são mais duras. Se os alemães aceitarem, arriscam-se a serem massacrados pelas forças afegãs, que rejeitam a presença de qualquer ocupante que seja. A Alemanha deveria, com toda a seriedade, perguntar-se se não deveria retirar os seus 3000 soldados do Afeganistão. Mas, para os alemães, desobedecer às ordens dos Estados Unidos, de quem são um pouco como vassalos, é um passo difícil a dar.
Silvia Cattori: Que sabem as autoridades que nos governam hoje em dia da estratégia da tensão? Continuarão a permitir aos fazedores de guerras fomentarem golpes de Estado, raptarem e torturarem pessoas, sem nada fazer? Têm as autoridades ainda os meios necessários de os impedir de levar a cabo tais crimes?
Daniele Ganser: Não sei. Como historiador, observo, tomo notas. Como conselheiro político, afirmo sempre que há que não ceder a manipulações cujo ideia é criar o medo e a fazer crer que os "terroristas" são sempre os muçulmanos; afirmo que se trata duma luta pelos recursos energéticos; que é preciso encontrar formas de sobreviver à penúria energética sem ser no sentido da militirização. Não se pode resolver os problemas de tal jeito; assim só se agravam.
Silvia Cattori: Ao observar a diabolização dos árabes e dos muçulmanos na perspectiva do conflito israelo-palestiniano, diz-se que não tem nada a ver com o petróleo.
Daniele Ganser: Sim, nesse caso, sim. Mas na perspectiva dos Estados Unidos trata-se de facto de controlar as reservas energéticas do bloco euroasiático que se situa na "elipse estratégica" que vai do Azerbaijão, passando pelo Turquemenistão e o Cazaquistão até à Arábia Saudita, o Iraque, o Kuwait e o Golfo Pérsico. É precisamente aí, nessa região, onde se desenrola toda a pretensa guerra "contra o terrorismo", que se concentram as mais importantes reservas de petróleo e gás. Na minha opinião, tudo isto não é mais do que um jogo geoestratégico no qual a União Europeia não pode senão perder. Porque se os Estados Unidos chegam a controlar esses recursos, e com o agravamento da crise energética, aí estarão eles a dizer: "Quereis gás?, quereis petróleo? Pois sim, mas em troca nós queremos isto e aquilo." Os Estados Unidos não darão de graça petróleo e gás aos países europeus. Pouca gente sabe que o "peak oil", o máximo de produção, já foi atingido no Mar do Norte, e que, consequentemente, a produção de petróleo na Europa - a produção da Noruega e da Grã Bretanha - está em declínio.
No dia em que as pessoas se derem conta que estas guerras "contra o terrorismo" são manipulação, e que as acusações contra os muçulmanos são em parte propaganda, ficarão bastante surpreendidas. Os Estados europeus têm que acordar e compreender por fim como funciona a estratégia da tensão. E têm que aprender também a dizer não aos Estados Unidos. Além disso, nos Estados Unidos também há muita gente que não quer esta militarização nas relações internacionais.
Silvia Cattori: Fez também pesquisas sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 e assinou um livro [13] em conjunto com outros intelectuais que se preocupam com as incoerências e as contradições na versão oficial dos eventos e nas conclusões da comissão de inquérito mandatada pelo senhor Bush. Não teme vir a ser acusado de "teoria da conspiração"?
Daniele Ganser: Os meus estudantes e outras pessoas têm-me perguntado se esta "guerra contra o terrorismo" está de facto relacionada com o petróleo e o gás e se os atentados de 11 de Setembro foram de facto manipulados, ou é uma coincidência que os muçulmanos de Ossama bin Laden tenham atacado exactamente na altura em que os países ocidentais começavam a perceber uma crise do petróleo? Comecei portanto a interessar-me pelo que se escreveu sobre o 11 de Setembro e a estudar também o relatório oficial apresentado em Junho de 2004. Quando se mergulha neste assunto, uma pessoa apercebe-se de imediato que há um grande debate planetário à volta do que realmente se passou em 11 de Setembro de 2001. A informação que se tem não é muito precisa. Uma pessoa começa-se logo por perguntar porque razão, num relatório de 600 páginas, nem sequer está mencionada a derrocada da terceira torre que ocorreu nesse mesmo dia. A comissão não se refere senão à derrocada das duas torres, as "Twin Towers". No entanto, há uma terceira torre de 170 metros de altura que se esbarrondou: a chamada WTC7. No caso dessa torre, fala-se dum pequeno incêndio. Falei com professores que conheciam bem a estrutura desses edifícios; os quais afirmam que um pequeno incêndio, em tal caso, não poderia nunca destruir uma estrutura daquelas dimensões. A história oficial sobre o 11 de Setembro e as conclusões da comissão não são credíveis. Tal ausência de clareza põe os investigadores numa situação muito difícil. Reina também a confusão sobre o que de facto se terá passado no Pentágono. Nas fotografias que se tem é muito difícil ver um avião e não se consegue perceber como é que um avião teria atingido o edifício.
Silvia Cattori: O Parlamento da Venezuela pediu aos Estados Unidos mais explicações sobre a origem dos atentados. Não deveria este ser um exemplo a seguir?
Daniele Ganser: Há muitas incertezas sobre o 11 de Setembro. Os parlamentares, os académicos, os cidadãos podem pedir contas sobre os que realmente se passou. Penso que é importante continuarmos a questionar-nos sobre o assunto. É um evento que ninguém consegue esquecer; cada um de nós lembra-se onde estava naquele momento preciso. É incrível que, cinco anos mais tarde, não se tenha ainda clarificado a questão.
Silvia Cattori: Dir-se-ia que tudo se passa como se as instituições não quisessem pôr em causa a versão oficial. Ter-se-iam deixado manipular pela desinformação organizada e pelos estrategas da tensão e pelas bandeiras-falsas?
Daniele Ganser: É-se manipulável quando se tem medo: medo de perder o seu trabalho, medo de perder o respeito das pessoas que se ama. Não se consegue sair desta espiral de violência e de terror se se deixar tomar pelo medo. É normal ter medo, mas é preciso falar abertamente desse medo e das manipulações que o geram. Ninguém poderá escapar às suas consequências. E isso é tão mais grave quanto os responsáveis políticos agem frequentemente sob o efeito do medo. É preciso encontrar força para dizer: "Sim, tenho medo de saber que estas mentiras causam sofrimento nas pessoas; sim, tenho medo de pensar que não há mais petróleo; sim, tenho medo de pensar que o terrorismo de que se fala é consequência de manipulações, mas não me vou deixar intimidar."
Silvia Cattori: Até que ponto países como a Suiça participam, neste momento, na estratégia da tensão?
Daniele Ganser: Penso que não haja estratégia da tensão na Suiça. Este país não sofre atentados terroristas. Mas, a verdade é que, na Suiça como em outras partes, os políticos que temem os Estados Unidos e a sua força têm tendência a dizer-se: são bons amigos, não temos interesse em batermo-nos contra eles.
Silvia Cattori: Essa maneira de pensar e de cobrir as mentiras que decorrem a estratégia da tensão não os torna um pouco cúmplices dos crimes de que ela é a responsável? A começar pelos jornalistas e pelos partidos políticos?
Daniele Ganser: Pessoalmente penso que toda a gente – jornalistas, académicos, políticos – devem de reflectir sobre as implicações da estratégia da tensão e das bandeiras-falsas. Estamos perante, é verdade, diante de fenómenos que escapam a qualquer compreensão. Por isso, de cada vez que há um atentado terrorista, é preciso questionarmo-nos e procurar descortinar o que ele esconde. E isso não será senão quando se admita oficialmente que as bandeiras-falsas são uma realidade, e que se possa fazer uma lista das bandeiras-falsas ao longo da história e pôrmo-nos de acordo sobre o que se deverá fazer.
A procura da paz é o tema que me interessa. É importante abrir o debate sobre a estratégia da tensão e tomar nota que se trata dum fenómeno bem real. Porque, enquanto se recusar a reconhecer a sua existência, não se poderá agir. Por isso é tão importante explicar o que significa realmente a estratégia da tensão. E, uma vez compreendido, não se deixar tomar pelo medo e pelo ódio contra um grupo. É preciso dizer que não é apenas um país que está implicado nisto; que são só os Estados Unidos, a Itália, Israel ou os iranianos, mas isto sucede em todo o lado, se bem que certos países participem mais intensamente que outros. O que é preciso é compreender, sem acusar tal ou tal país ou tal ou tal pessoa. O medo e o ódio não ajudam a avançar mas sim paralisam o debate. Vejo muitas acusações contra os Estados Unidos, contra Israel, contra a Grã Bretanha, ou alternativamente contra o Irão ou a Síria. A procura da paz ensina-nos que não nos devemos basear em acusações baseadas no nacionalismo, e que não é preciso nem ódio nem medo; que o mais importante é explicar. E essa compreensão será benéfica para todos nós.
Silvia Cattori: Porque é que o seu livro consagrado aos exércitos secretos da NATO, publicado em inglês, traduzido em italiano, em turco, em esloveno e, em breve, em grego, não foi publicado em francês?
Daniele Ganser: Ainda não encontrei editor em França. Se algum editor estiver interessado em publicar o meu livro, é com muito gosto que o verei traduzido em francês.
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Silvia Cattori
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[1] Nato’s secret Armies : Terrorism in Western Europe por Daniele Ganser, prefácio de John Prados. Ed. Frank Cass, 2005. ISBN 07146850032005
[2] Foi depois do atentado na Piazza Fontana em Milão em 1969 que a expressão estratégia da tensão foi ouvida pela primeira vez.
[3] False flag operations (operações bandeira-falsa) é a expressão usada para designar as acções terroristas cometidas secretamente por governos ou organizações e de modo que pareça terem sido cometidas por outros.
[4] " Stay-behind : les réseaux d’ingérence américains " por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 20 de Agosto de 2001.
[5] Stay behind (o que significa : ficar atrás em caso de invasão soviética) é o nome dado às estruturas clandestinas treinadas para levaram a cabo um guerra de guerrilhas.
[6] Gladio designa o conjunto dos exércitos secretos europeus que estavam sob a direcção da CIA.
[7] Presidente do Conselho de Ministros, membro da democracia cristã.
[8] "Rapport Andreotti sur l’Opération Gladio" documento de 26 de Fevereiro de 1991, Biblioteca da Rede Voltaire.
[9] "1980 : carnage à Bologne, 85 morts" , Rede Voltaire, 12 de Março de 2004.
[10] "La France autorise l’action des services US sur son territoire" por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 8 de Março de 2004.
[11] Affaire Lavon, do nome do ministro da Defesa israelense que teve que se demitir quando a Mossad foi desmascarada como tendo tido parte nesses actos criminosos.
[12] Ver : "Odeurs de pétrole à la Maison-Blanche" , Rede Voltaire, 14 de Dezembro de 2001. "Les ombres du rapport Cheney" por Arthur Lepic, 30 de Março de 2004. "Le déplacement du pouvoir pétrolier" por Arthur Lepic, 10 de Maio de 2004. "Dick Cheney, le pic pétrolier et le compte à rebours final" por Kjell Aleklett, 9 de Março de 2005. "L’adaptation économique à la raréfaction du pétrole" por Thierry Meyssan, 9 de Junho de 2005.
[13] 9/11 American Empire: Intellectual speaks out, sob a direcção de David Ray Griffin, Olive Branch Press, 2006
BIG BROTHER, O EMPREGADO DO MÊS - por Laerte Braga.
O programa é uma praga criada me parece que na Holanda, ou na Bélgica e já levou presidente a uma de suas casas, em suas várias versões. O narcotraficante Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, em plena campanha para a sua reeleição, visitou os heróis encarcerados no prostíbulo versão colombiana.
Acredito que o diretor da versão brasileira, a décima primeira, Boninho, deve convocar entrevista coletiva e rede nacional de rádio e tevê para anunciar os participantes dessa edição. Boninho é aquele que junto com alguns amigos e de um apartamento em Copacabana, decidia quem era ou não vadia. As “vadias” eram aquinhoadas com água suja e outras coisas semelhantes.
Os gritos “que loucura meu Deus”, vinham da senhora Narcisa Tamborindeguy, figura acima do bem e do mal e que, a despeito de alguns acharem que é ficção, existe de fato. Faz par com Luciana Jimenez. Mostram que é possível viver sem cérebro.
Bob Woodward, um dos que trouxe a público o chamado escândalo de Watergate, custou a presidência de Richard Nixon, disse neste início de semana que Barack Obama não “manda nada”. Que quem governa são as grandes empresas associadas ao Pentágono e que o sonho dos militares quando passam para a reserva e integrarem quadros de executivos dessas empresas.Lembra a ditadura de 1964 no Brasil. Milico torturador ia para a reserva e virava diretor de multinacional.
Obama, o cervejeiro
Vai continuar servindo cerveja na Casa Branca e tentar, por mais quatro anos, cantar Angelina Jolie. Nas primeiras investidas recebeu sonoras negativas.
A revista ELLE, em sua edição de dezembro, traz na capa a atriz indiana Aishwarya Rai Bachchan. Com um detalhe. Para merecer semelhante ”honraria” sua pele foi branqueada para se tornar palatável aos leitores europeus. De tão pálida que ficou, ariana, corre o risco de não ser reconhecida por seus fãs.
Chocada, a moça, que também é ex-miss mundo, estuda a possibilidade de processar a revista por racismo.
Essa prática nas colônias norte-americanas da Europa Ocidental é comum. A mesma revista já clareou a pele de Gabourey Sidbe, indicada ao Oscar de melhor atriz por seu desempenho no filme PRECIOUS. Todos bebem esses ensinamentos no Manual de Goebells.
Acredito que, sensibilizada com esse problema e na tentativa de encontrar uma solução para a não presença de mulheres não brancas nas principais publicações femininas européias (nas colônias norte-americanas, imensas bases militares, cheias de ogivas nucleares, Freud explicaria, ou explica), a norte-americana Jerramy Fine, com 33 anos de idade, criou uma escola para formar princesas.
O sonho da moça era conhecer o príncipe Peter Phillips, filho mais velho da princesa Anne, por sua vez filha mais nova da rainha Elizabeth II (da principal colônia norte-americana naquela parte do mundo, a Grã Bretanha), dar um nó no rapaz e virar princesa.
Chegou a conhecer o dito cujo, não conseguiu atingir seu intento e resolveu ao custo de sete mil dólares preparar jovens de todo o mundo para se formar princesas. O público preferido da “educadora” tem entre oito e onze anos de idade. A procura é grande.
No Brasil ela tirava isso de letra. Rainha da bateria, rainha da laje, rainha da melancia, do melão, princesa da pizza, sem falar no pessoal FIESP/DASLU, metade comendador de coisa nenhuma e outra metade em eterna curvatura aos donos na esperança de um diploma de barão. Pelo menos de barão.
Uma das preocupações da secretária de Estado Hillary Clinton era orientar seus embaixadores no Brasil e em outros países a traçarem perfis de funcionários, ministros e eventuais pessoas influentes junto ao governo Lula para efeito de negociações. Identificar amigos (Jobim, Gilmar Mendes, FHC, Serra, etc), tanto quanto inimigos (Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães) e assim descobrir como chegar ao deputado Cláudio Vacarezza, líder do PT e transformá-lo em homem da MONSANTO, ou a Aldo Rebelo e vestir-lhe a faixa de príncipe do desmatamento, ao lado da rainha da moto serra, a senadora Kátia Abreu.
São os documentos do WikiLeaks, não deixam pedra sobre pedra. Mostram que por baixo do diploma de barão escondem-se marginais, lixos fétidos da política, ou figuras de extraordinário valor (caso de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães).
A Polícia Federal revelou que não houve escuta durante a Operação Satiagraha no gabinete de Gilmar Mendes como denunciou o próprio ministro e fez coro a revista VEJA, porta-voz da imundície no País. E agora, como é que fica?
Pura armação de um bando de desqualificados (que ainda empregam jornalistas da GLOBO) para manter em liberdade o assaltante Daniel Dantas e condenar o delegado Protógenes Queiroz.
A imprensa não aceita críticas, mesmo quando mente (e mente sempre), como disse o presidente Lula.
Fez menção ao acidente com o avião da TAM. William Bonner teve um ataque histérico durante a edição do JORNAL NACIONAL para denunciar a falta de ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas. Chegou a ir lá naquela palhaçada de mostrar a pista. Aí, de repente, descobrem que um monte de grandes aeroportos no mundo também não têm ranhuras em suas pistas e que a empresa (anunciante da GLOBO) não tinha, ela sim, manutenção devida e obrigatória. Criminosos.
No fim, a culpa foi do piloto.
Chacrinha era bem mais engraçado, até porque original. - “Quem quer bacalhau?” - E pronto arremessava um pedaço de bacalhau para a platéia.
Engraçado é que o BIG BROTHER no Brasil começou com Sílvio Santos. Aí a GLOBO foi lá, comprou os direitos e pronto.
Milhões comparecem ao Coliseu contemporâneo, televisão, trocam o polegar pelo celular e decidem a execução de um dos heróis ou heroínas.
Imagino que o esquema de segurança vá ser reforçado nesta edição para evitar que Susana Vieira apareça na “casa” e tome conta do pedaço.
Já imaginaram a dupla Susana e Hebe no BIG BROTHER?
Esse dói menos que aquele de Jerry Lewis que resolveu ficar livre da mulher e acabou perpassado por um peixe espada, numa mesa de cirurgia, mas feliz da vida.
O que dói de verdade é que enquanto Obama, que não manda nada, canta Angelina Jolie, centenas morrem nas guerras estúpidas do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. E o culpado é Julian Assange.“Crimes sexuais”.
O conglomerado anunciou que tão cedo não vai poder fechar o campo de concentração de Guantánamo. Não tem vazão para os presos “y otras cositas más”.
Já é possível adquirir bacalhau produzido na China e em criadouros, depois de competentemente roubados no litoral da Noruega. É mais barato, bem mais barato e o gosto se assemelha, de fato, ao original.
Para norte-americanos não deve fazer a menor diferença. Num país onde executam condenados a morte com injeção de remédios destinados a sacrificar animais tudo é possível, desde o povo quase que absolutamente acreditando que na hora agá o Superman aparece e salva a pátria amada, os valores da “liberdade” e ainda por cima usa catchup em sanduíche e consegue dizer que o dito é de frango, ou peixe, ou de carne bovina.
Marlene Dietrich, espécie de mulher em extinção, costumava dizer que “catchup é coisa de americano. Se você coloca na comida não come nada, come apenas catchup”.
Ou como Fellini. “Pizza com requeijão e frango é coisa de americano, é tudo menos pizza”.
Descobriram, finalmente, que Obama não manda nada. A afirmação está no livro Obama’s War – A Guerra de Obama, edição Simon & Shuster, New York, 2010.
Valeu o seguinte comentário de Michael Moore.
“O título de comandante-em-chefe que o presidente Obama ostenta é tão cerimonioso como o de empregado-do-mês do Burger King aqui do bairro”.
A torcida para que Lula abandone a política - por Luiz Carlos Azenha
Eles não descansam nunca. Primeiro, lá atrás, bem antes da eleição, eles diziam assim: Lula não fez nada, apenas não mexeu no governo Fernando Henrique que, para todos os efeitos, continua. Ou: Lula teve sorte, pegou uma conjuntura internacional favorável e apenas surfou nela (pré-crise econômica mundial). Mas os argumentos para desmerecer Lula e seu governo não pararam por aí. Lula não redistribuiu renda, apenas “transferiu” renda do governo para os mais pobres (este é o favorito da esquerda que a direita ama).
Depois que Lula escolheu Dilma, os argumentos passaram a ser: quem é este poste? O poste não dá conta. O poste não vence eleição. Vejam o caso do Chile, o poder de transferência de votos de Lula é limitado.
Com Dilma eleita, mudou o disco: não existe governo Dilma, Lula dá muito palpite, Lula está indicando ministro, ainda não ouvimos a voz de Dilma.
Com Dilma empossada, agora o disco é: Lula não consegue deixar o palácio, Lula não consegue se aposentar, Lula quer voltar em 2014. O objetivo, neste momento, é óbvio: tirar Lula do jogo político para enfraquecer Dilma.
Se um presidente fracassado como FHC continua na política, por que Lula se aposentaria?
Depois que Lula escolheu Dilma, os argumentos passaram a ser: quem é este poste? O poste não dá conta. O poste não vence eleição. Vejam o caso do Chile, o poder de transferência de votos de Lula é limitado.
Com Dilma eleita, mudou o disco: não existe governo Dilma, Lula dá muito palpite, Lula está indicando ministro, ainda não ouvimos a voz de Dilma.
Com Dilma empossada, agora o disco é: Lula não consegue deixar o palácio, Lula não consegue se aposentar, Lula quer voltar em 2014. O objetivo, neste momento, é óbvio: tirar Lula do jogo político para enfraquecer Dilma.
Se um presidente fracassado como FHC continua na política, por que Lula se aposentaria?
domingo, 2 de janeiro de 2011
Dilma escolhe seus 37 ministros.Veja a lista completa - Barbet
Primeiro escalão do governo tem 28 homens e nove mulheres.
Com a indicação da deputada Iriny Lopes (PT-ES) para a Secretaria de Políticas para as Mulheres e do deputado eleito Afonso Florence (PT-BA) para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, anunciadas nesta quarta-feira (22), a presidente eleita, Dilma Rousseff, completa a composição dos 37 ministérios que assumem o governo do país a partir de 1º de janeiro.
Ao comentar as indicações, Dilma lembrou que a orientação é que os assessores diretos trabalhem pelo cumprimento do programa de governo de promoção do desenvolvimento com distribuição de renda e demais metas de progresso social, assegurando a melhoria de vida de todos os brasileiros.
São nove mulheres e 28 homens. O PT aparece como legenda com mais indicados, 18 no total – quase metade. As personalidades sem partido vêm a seguir, com oito. O PMDB surge como aliado do partido de Dilma com mais prestígio, já que acumula seis cargos, enquanto PCdoB, PDT, PP, PR e PSB ficam com um representante cada no primeiro escalão do governo.
Lista completa
Com a indicação da deputada Iriny Lopes (PT-ES) para a Secretaria de Políticas para as Mulheres e do deputado eleito Afonso Florence (PT-BA) para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, anunciadas nesta quarta-feira (22), a presidente eleita, Dilma Rousseff, completa a composição dos 37 ministérios que assumem o governo do país a partir de 1º de janeiro.
Ao comentar as indicações, Dilma lembrou que a orientação é que os assessores diretos trabalhem pelo cumprimento do programa de governo de promoção do desenvolvimento com distribuição de renda e demais metas de progresso social, assegurando a melhoria de vida de todos os brasileiros.
São nove mulheres e 28 homens. O PT aparece como legenda com mais indicados, 18 no total – quase metade. As personalidades sem partido vêm a seguir, com oito. O PMDB surge como aliado do partido de Dilma com mais prestígio, já que acumula seis cargos, enquanto PCdoB, PDT, PP, PR e PSB ficam com um representante cada no primeiro escalão do governo.
Lista completa
| Pasta | Ministro(a) | Partido |
| Advocacia Geral da União | Luís Inácio Lucena Adams | Sem partido |
| Agricultura | Wagner Rossi | PMDB |
| Banco Central | Alexandre Tombini | Sem partido |
| Casa Civil | Antonio Palocci | PT |
| Chefia de Gabinete | Gilles Azevedo | PT |
| Cidades | Mário Negromonte | PP |
| Ciência e Tecnologia | Aloizio Mercadante | PT |
| Comunicações | Paulo Bernardo | PT |
| Controladoria Geral da União | Jorge Hage | Sem partido |
| Cultura | Ana de Hollanda | Sem partido |
| Defesa | Nelson Jobim | PMDB* |
| Desenvolvimento Agrário | Afonso Florence | PT |
| Desenvolvimento Social | Tereza Campelo | PT |
| Desenvolvimento, Indústria e Comércio | Fernando Pimentel | PT |
| Direitos Humanos | Maria do Rosário | PT |
| Educação | Fernando Haddad | PT |
| Esporte | Orlando Silva | CdoB |
| Fazenda | Guido Mantega | PT |
| Gabinete da Segurança Institucional | José Elito Carvalho Siqueira | Sem partido |
| Igualdade Racial | Luiza Bairros | PT |
| Justiça | José Eduardo Cardozo | PT |
| Meio Ambiente | Izabella Teixeira | Sem partido |
| Minas e Energia | Edison Lobão | PMDB |
| Pesca | Ideli Salvatti | PT |
| Planejamento | Miriam Belchior | PT |
| Previdência | Garibaldi Alves | PMDB |
| Relações Exteriores | Antonio Patriota | Sem partido |
| Saúde | Alexandre Padilha | PT |
| Secretaria das Mulheres | Iriny Lopes | PT |
| Secretaria de Assuntos Estratégicos | Moreira Franco | PMDB |
| Secretaria de Comunicação Social | Helena Chagas | Sem partido |
| Secretaria de Relações Institucionais | Luiz Sérgio | PT |
| Secretaria Especial dos Portos | Leônidas Cristino | PSB |
| Secretaria-Geral | Gilberto Carvalho | PT |
| Trabalho e Emprego | Carlos Lupi | PDT |
| Transportes | Alfredo Nascimento | PR |
| Turismo | Pedro Novais | PMDB |
Neste sábado (1), Dilma Rousseff fez seu primeiro pronunciamento como presidente do Brasil, no Congresso Nacional. Ela se emocionou e citou o fato de ser a primeira mulher a assumir o cargo mais alto do poder executivo do país. Falou sobre os feitos do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, de desafios e suas metas de governo - Barbet
sábado, 1 de janeiro de 2011
"estava pronto para sair’, afirma Alencar sobre posse - BBT
Em entrevista a jornalistas no quarto que ocupa no décimo primeiro andar do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, o vice-presidente José Alencar disse que, se dependesse dele, iria à posse da presidente Dilma Rousseff, em Brasília, neste sábado (1º).
“Sei que estou em condições (de ir para a posse). Só que há algo que poderia acontecer”, afirmou. De terno e gravata, sorridente e com a voz fraca, Alencar disse que a opinião da esposa pesou na decisão de não viajar à capital federal. “Hoje, minha mulher falou que eu não poderia contrariar os médicos.”
O vice -presidente afirmou considerar a entrevista uma espécie de substituto da posse. “Estava pronto para sair”, disse, apesar de não estar em condições de caminhar. O mineiro de 79 anos afirmou que, se dependesse dele, iria a Brasília mesmo de cadeira de rodas.
Depois de passar a faixa para a Dilma em Brasília, o presidente Lula deverá visitar Alencar ainda hoje no hospital.
“Sei que estou em condições (de ir para a posse). Só que há algo que poderia acontecer”, afirmou. De terno e gravata, sorridente e com a voz fraca, Alencar disse que a opinião da esposa pesou na decisão de não viajar à capital federal. “Hoje, minha mulher falou que eu não poderia contrariar os médicos.”
O vice -presidente afirmou considerar a entrevista uma espécie de substituto da posse. “Estava pronto para sair”, disse, apesar de não estar em condições de caminhar. O mineiro de 79 anos afirmou que, se dependesse dele, iria a Brasília mesmo de cadeira de rodas.
Depois de passar a faixa para a Dilma em Brasília, o presidente Lula deverá visitar Alencar ainda hoje no hospital.
Governador Sérgio Cabral toma posse no Rio - Barbet
O governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tomou posse na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj
O governador reeleito do Rio, Sérgio Cabral, lembrou Tim Lopes ao ser empossado para o seu segundo mandato neste sábado (1º). Emocionado na tribuna do Palácio Tiradentes, o governador lembrou que quando era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) homenageou o jornalista, morto por traficantes do Complexo do Alemão em 2002, colocando o nome de Tim na sala de imprensa da casa.
Cabral afirmou que a segurança pública é um dos pilares de seu governo, que permite ao Estado trabalhar nas outras áreas. Após citar o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, e a colaboração das forças armadas e do governo federal para as ações de novembro no Alemão e no Complexo da Penha, o governador afirmou o compromisso de continuar e intensificar as tomadas de comunidades. Confira abaixo o discurso na íntegra de Cabral:
Minha querida mulher, Adriana; meus filhos; meus pais; meus irmãos; minha família; querido Vice-Governador, Luiz Fernando Pezão, meu companheiro; Maria Lúcia, sua mulher; seus filhos; meu querido Presidente da Assembleia, Deputado Jorge Picciani; querido Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Luis Zveiter; querido Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; querido Senador da República Francisco Dornelles; querido Procurador Geral de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes; Senador Régis Fitchner e Inês; Senador Lindberg Farias; não sei se o Senador Marcelo Crivella está presente, deixo um abraço para ele - querido amigo; querido Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Vereador Jorge Felippe; queridos Deputados e Deputadas Estaduais do mandato que se encerra ao final de janeiro; queridos Deputadas e Deputados que começam uma nova legislatura em 1º de fevereiro; autoridades federais aqui presentes, que cumprimento na pessoa do querido General Adriano, Comandante Militar do Leste; minhas amigas; meus amigos; Secretárias e Secretários de Estado; presidentes de empresas; autarquias; Subsecretários; companheiras e companheiros desta jornada de quatro anos de Governo.
Cumprimento a todos na pessoa de um querido amigo, que fico muito feliz de vê-lo aqui, que foi uma pessoa muito importante para que chegássemos a este momento, meu amigo Joaquim Levy, que veio de São Paulo para minha posse (Palmas); querido Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, José Maurício Nolasco; querido Presidente eleito do Tribunal de Contas do Estado, Conselheiro Jonas Lopes; querido Conselheiro Aloísio Neves; desembargadores aqui presentes, na pessoa do grande amigo Desembargador Pinheiro.
É um prazer muito grande estar aqui vivendo esse momento tão importante para mim, para o companheiro Pezão e para a nossa equipe. E eu não poderia deixar de agradecer muito, profundamente, à duas pessoas que foram leais, independentes e companheiras nessa jornada árdua, e ao mesmo tempo prazerosa, de governar o Estado do Rio de Janeiro. Quero muito agradecer ao Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Jorge Picciani, por tudo que V.Exa., com estatura e magnanimidade soube se conduzir à frente do parlamento que eu também tive a honra de presidir.
Ao querido destemido, corajoso, justo, Presidente do Tribunal de Justiça, Luiz Zveiter, o meu muito obrigado. Quero agradecer a um querido amigo, Prefeito da Cidade mais bonita do planeta, Eduardo Paes. E na figura dele agradecer a todos os prefeitos aqui presentes. Quero agradecer muito a presença dos meus queridos prefeitos. Muito obrigado.
Quero dizer às amigas e aos amigos, às companheiras e companheiros, que é muito bom estarmos aqui neste dia, Primeiro de Janeiro de 2011, iniciando um mandato. E não falo com nenhum pingo de vaidade, mas falo como cidadão do meu Estado; da honra que eu e Pezão temos de termos sido reeleitos pela população do nosso Estado, no primeiro turno; de termos, nesses quatro anos, ter podido virar a página de um Estado, em que eu aqui nesta tribuna, Presidente, há quatro anos, assumia o nosso primeiro mandato com o Rio de Janeiro em pânico; com o Rio de Janeiro assustado. Com o Rio de Janeiro com vítimas, mais de 50 vítimas do terror. E, Sr. Presidente, Sras. e Srs. deputados, companheiras e companheiros, Mariano, Mário, Alan, como é bom, ao entrar no plenário Barbosa Lima Sobrinho, olhar à direita e verificar que, naquela ocasião, como Presidente da Assembleia Legislativa, diante de um fato estarrecedor, homenageávamos um grande brasileiro pela sua morte cruel e, hoje, eu poder dizer à sua família e ao Brasil que a memória de Tim Lopes foi honrada; que a Sala de Imprensa que tem o nome de Tim Lopes, que o Colégio Estadual que tem o nome de Tim Lopes, a memória de Tim Lopes foi honrada.
Quero, ao iniciar este mandato, dizer da minha forte emoção ao agradecer ao maior brasileiro, ao maior Presidente da República da nossa história, Luiz Inácio Lula da Silva, que diante do Brasil, naquele dia, declarava a sua solidariedade, declarava a sua indignação, há quatro anos, na tarde do dia 1º de janeiro de 2007, e reafirmava compromissos assumidos no segundo turno da campanha eleitoral, que o Rio de Janeiro não estaria só, de que, como Presidente da República, retomaria a dignidade, a importância que o Rio de Janeiro tanto merecia.
O Presidente Lula estendeu a mão ao povo do Rio de Janeiro, em cada dia destes quatro anos, em cada momento destes quatro anos.
Vejo aqui os representantes das Forças Armadas do Ministério da Defesa marcando um momento histórico na história do Brasil e do Rio de Janeiro, e faltavam, naquela ocasião, menos de 60 dias, praticamente 30 dias para o encerramento do mandato do Presidente. E o Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Prefeitos, com o mesmo vigor, com o mesmo entusiasmo do primeiro dia de Governo tomava decisão que o Ministro Nelson Jobim, com enorme competência, traduzia e materializava a solidariedade do Ministério da Defesa das Forças Armadas ao povo do Rio de Janeiro.
Esse mesmo Presidente da República que durante uma campanha que parecia impossível, uma campanha que parecia fadada mais uma vez a um fracasso ocorrido por duas vezes anteriormente, esse mesmo Presidente da República abraçou o ideal, o sonho olímpico, e se dedicou a esta causa, a esta campanha da mesma maneira que fez o povo brasileiro acreditar em si mesmo.
Hoje, senhoras e senhores empresários aqui presentes, presidentes de instituições empresariais, presidentes de instituições de trabalhadores, meus caros Deputados e Deputadas, falo a vocês, Prefeito Eduardo Paes, com a marca dos Jogos Olímpicos de 2016 no peito, graças a isso foi que nós conseguimos retornar ao Rio de Janeiro. Não há como governar um Estado com 16 milhões de habitantes, eu diria que não há como governar nenhuma instituição pública, nenhuma cidade, nenhum estado, nenhum país, se não acreditarmos em parceria; e eu vejo, diante de mim aqui, exatamente o que ocorreu nesses quatro anos: parceria.
O Governo do Estado não tem recursos suficientes para todos os desejos, ambições e sonhos do povo do Estado do Rio de Janeiro. Cada prefeito aqui, do Prefeito Eduardo Paes ao Prefeito de Rio das Flores, ao Prefeito de Varre e Sai, nenhum Prefeito é capaz de sozinho realizar os sonhos dos habitantes da sua cidade, nem mesmo o Presidente da República, sozinho é capaz de realizar o sonho de um País se não tiver a parceria dos Governos Estaduais e das Prefeituras; e foi o que nós construímos nesse Estado.
Nós construímos nesse Estado, Sr. Presidente, uma equipe, uma equipe de trabalho, uma equipe unida, uma equipe competente, a começar pela minha felicidade de ter tido, nessa primeira jornada e de ter nessa segunda jornada, o melhor Prefeito da história do Estado do Rio de Janeiro, o Luiz Fernando Pezão. Diz o Presidente Lula, já disse em praça pública, que não há no Brasil um governador que tenha dito o privilégio de ter uma pessoa como o Luiz Fernando Pezão ao seu lado, como Vice-Governador. E juntos, todos os dias, nós construímos esse sonho, com as nossas equipes.
Senhoras e Senhores, hoje, olhando o dia 01 de janeiro de 2007, General Adriano, não era apenas o povo do Rio de Janeiro, não era apenas o temor da violência do terror que assustava o povo do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro, General Adriano, vivia situações em que eu afirmava aqui dessa tribuna, inadmissíveis para o Estado da grandeza do Rio de Janeiro. Vivia situações humilhantes.
Senhoras e Senhores Deputados, hoje, os servidores do nosso Estado recebem os seus salários juntos com seus contracheques no primeiro e no segundo dias úteis do mês subsequente. Vejo aqui o decano Átila Nunes e ele sabe durante quantos anos que isso não foi possível, durante quantos anos os servidores do Estado receberam os seus contracheques, Deputado Gerson Bergher, no décimo quinto, no décimo oitavo, dia do mês subsequente, como se fosse normal num Estado como o Rio de Janeiro, Procurador Cláudio Lopes, viver uma situação dessas.
O Estado do Rio de Janeiro não podia se acostumar ao fato que durante 17, 18 anos, não havia concurso para auditor da receita estadual. O Estado do Rio de Janeiro não podia se acostumar com o fato de que uma companhia como a Cedae dar um prejuízo de 30 milhões de Reais por mês. O Rio de Janeiro não podia se acostumar ao fato de que o 13º salário dos seus servidores era pago no ano seguinte. O Rio de Janeiro não podia se acostumar com fato de que suas pensionistas, ou pensionistas homens companheiros e companheiras de trabalhadores que serviram ao nosso Estado, não tinham seus salários reajustados e nós, em 4 anos, depois de minguados 3500 revisões do governo anterior, revisamos 52 mil pensões e hoje não há nenhuma pensão aguardando revisão no Estado do Rio de Janeiro.
Isso, Srs. Deputados, é gestão, é time, é apoio do Tribunal de Justiça, é apoio do Parlamento, e aqui eu quero homenagear o líder do governo, meu amigo Deputado Paulo Melo, e agradecer ao Deputado Paulo Melo toda dedicação ao nosso governo nesses quatro anos.
Senhoras e senhores, nós temos a obrigação de lembrar esses fatos. Nós temos a obrigação de lembrá-los porque nós conseguimos nos respeitar para nos fazermos respeitados. Quando o Presidente Lula estendeu a mão para o Rio de Janeiro, isso seria traduzido em parceria. E parceria demanda reciprocidade, recursos. Como fazê-lo, se não tínhamos recursos? Tivemos que nos reorganizar orçamentária e financeiramente. O Deputado Edson Albertassi conhece o processo muito de perto, porque, como Presidente da Comissão de Orçamento, ele acompanhou a reorganização financeira do Estado. Não foi uma tarefa fácil. Não dá para implementar qualquer política pública se o Estado não tiver reorganizado.
Nós reorganizamos o Estado. O Estado tem suas contas em dia, os servidores recebem em dia, os fornecedores recebem em dia. Ninguém liga para o governador para saber quando vai receber. Entra na tela da Secretaria de Fazenda e verifica quando vai receber. Tem dia certo, mudou a cultura do Estado. E nós então pudemos pedir ao Presidente apoio com reciprocidade.
Quando nós olhamos o tamanho dos investimentos no Complexo de Manguinhos, na Rocinha, no Complexo do Alemão, no Preventório, no Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, mas de um bilhão e meio de reais já executados: 50% do Governo Federal, 50% do Governo Estadual.
No ano de 2010, tivemos R$ 7 bilhões de investimentos do Governo do Estado em todas as áreas, em todas as frentes. O Estado, no dia 30 de março desse ano recebeu pela primeira vez, Senhoras e Senhores Cônsules aqui presentes, meu caro Ângelo Jóia aqui presente, pela primeira vez recebeu, um Estado Sul-Americano, o reconhecimento de uma agência de risco, a Standard & Poor¿s deu ao Rio de Janeiro o grau de investimento, o investiment grade, na mesma classificação dada à Petrobras, à Vale e ao governo brasileiro. E agora, recentemente, a cidade do Rio de Janeiro também ganhou o grau de investimento. Isso, no mundo dos investidores, no mundo financeiro, no mundo da credibilidade das finanças públicas e privadas, vale muito!
As coisas não acontecem por acaso. Nós acreditamos no Rio de Janeiro, acreditamos que era possível mudar a política do Estado do Rio de Janeiro, e fizemos isso com trabalho, com processo, com disciplina. Foi muito honroso, nessa campanha, elegermos - uma honra para o Brasil - a companheira Dilma Roussef, primeira mulher Presidente da República do Brasil.
A Presidente Dilma conhece o nosso trabalho. Por isso, pedi ao povo do Estado do Rio de Janeiro ¿ e fomos às ruas para isto - o apoio à companheira Dilma, porque ela trabalhou ao nosso lado. Diante do Comitê Olímpico Internacional ele assumiu e subscreveu os compromissos do nosso Estado, do Município e do Governo Federal com as autoridades olímpicas.
Dilma toma posse hoje e o Rio está tranquilo; o Rio está confiante. A Presidente Dilma, durante a campanha, fazia referências às políticas públicas do nosso Estado. Isso foi uma grande honra: ouvir o Presidente Lula e a Presidente Dilma fazendo referências à gestão do nosso Estado. Seja na Segurança, seja na Saúde, seja no desenvolvimento ou no PAC. Temos que comemorar isso. À meia-noite foi o momento dos fogos.
Já estamos no dia 1º, mas temos que comemorar. Não foi uma conquista minha. Foi uma conquista do povo do Estado do Rio de Janeiro. Nós nos demos ao respeito. Certamente, o Ministério da Defesa, as Forças Armadas e o Presidente Lula deram o aval a esta parceria no momento crítico em que nós vivíamos; que os marginais tentavam desestabilizar as nossas conquistas. Certamente, o Governo Federal deu as mãos ao Estado do Rio de Janeiro, porque nós nos respeitamos; porque colocamos um homem de bem à frente da Secretaria de Segurança Pública; porque nós despolitizamos a Polícia do Rio de Janeiro; porque o Governador e nenhum outro político influenciam na escolha de um delegado titular; de um comandante de Batalhão; na promoção por mérito de um cabo, de um sargento ou de um tenente. Nós nos demos ao respeito.
Por isso fomos pedir-lhe auxílio e apoio; porque nós nos respeitamos e o Brasil passou a nos respeitar. Vamos prosseguir neste caminho. Recentemente fui inaugurar uma unidade de Pronto Atendimento 24 horas em Buenos Aires com o meu companheiro Cortes. Vamos continuar aprofundando e investindo cada vez mais na saúde pública. Vamos investir cada vez mais no Programa de Aceleração do Crescimento - PAC das comunidades - em parceria com o Governo Federal.
Vamos continuar investindo no nosso interior, com o Programa Somando Forças; um programa que investiu mais de 400 milhões de reais em parcerias com os prefeitos de cada cidade. O Estado entra com 95% dos recursos e a cidade com 5% de contrapartida.
Vamos continuar investindo nas nossas estradas. Não há estado forte sem interior forte. Vamos continuar pavimentando como nunca se pavimentou neste Estado. Vamos pavimentar, junto com os prefeitos, toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Não é possível que o povo de São Gonçalo; que o povo de Itaboraí; que o povo da Baixada ainda pise na lama; ainda respire a poeira.
Vamos prosseguir no nosso trabalho, porque é uma verdadeira revolução silenciosa o bilhete único intermunicipal. Hoje não há um cidadão que tenha prejuízo na contratação para o emprego porque mora numa cidade da Região Metropolitana. As vinte cidades da Região Metropolitana têm hoje o bilhete único intermunicipal. Há pessoas, Sras. Deputadas e Srs. Deputados - e os senhores conhecem muito bem a vida como ela é - que economizam oito, dez, doze reais por dia, graças ao bilhete único intermunicipal. O Rio de Janeiro alcançou, no mês de novembro, pela primeira vez na história, nunca antes na história do Rio de Janeiro, nós tivemos o primeiro lugar na geração de Emprego e Renda no Brasil, em números absolutos.
Lelis, Rodolfo, Alqueres, nós temos uma agenda de investimentos extraordinária, não é, Júlio? São bilhões e bilhões de reais - Presidente Picciani, Presidente Zveiter - em todo o Estado, de Norte a Sul, em energia, infraestrutura, siderurgia, cultura, entretenimentos, serviços; são mais de 100 bilhões de dólares para os próximos quatro anos. Quero reafirmar, Sr. Presidente, Srs. Deputados, que o Rio de Janeiro é um Estado absolutamente leal ao Brasil, absolutamente consciente dos seus deveres perante a Nação. Acreditamos na distribuição de renda regional; acreditamos que todo o Brasil deva crescer, mas não vamos, em hipótese alguma, respeitando os nossos deveres, abrir mão dos nossos direitos.
Quero agradecer ao povo do Rio de Janeiro e a esta Casa, que foram para as ruas comigo dizer não à covardia dos royalties do pré-sal. O Rio de Janeiro não tolera injustiça com nenhum dos 27 Estados da Federação. Quero aqui, mais uma vez, agradecer a palavra do Presidente Lula, honrada recentemente, vetando um descalabro e um desrespeito não com o Rio de Janeiro, mas com a nação, e reafirmar a minha confiança na palavra e no compromisso da Presidente Dilma Rousseff.
Quero dizer às Sras. e Srs. que avançamos muito em todas as áreas. Avançamos muito no ensino profissionalizante, formando essa mão de obra necessária para essa geração de empregos que estamos vivendo. Avançamos na Educação, mas não o suficiente. Depois de mais de dez anos sem receber um reajuste sequer, o magistério passou a receber reajustes todos os anos, e um programa de recuperação salarial. Depois de décadas de abandono das unidades escolares, reformamos escolas, demos dignidade à sala de aula, tiramos o Rio de Janeiro do século XIX, em algumas situações, Sr. Presidente. Incluímos uma política tecnológica para que o gap da formação dos professores e os alunos pudessem ter o auxílio e a ferramenta da tecnologia, mas Educação demanda políticas e planejamento de médio e longo prazo.
Quero assumir o compromisso com essa Casa; quero assumir o compromisso com o povo do Estado do Rio de Janeiro de que, em 2014, o Estado do Rio de Janeiro estará entre os cinco melhores Estados do IDEB no Brasil.
Este é um compromisso meu com o povo do Estado do Rio de Janeiro. Quero dizer a V.Exas. que temos muitos temas pela frente, temos muitos desafios pela frente, na área dos Transportes, da Agricultura, do Meio Ambiente, do Saneamento, da Infraestrutura, da Saúde, da Educação, do calendário fantástico que conquistamos de eventos, investimentos. Mas tudo isso perde peso e importância enquanto nós tivermos um bairro, uma comunidade dominada pelo poder paralelo. Por isso, reafirmo aqui, diante das senhoras e senhores, que em 2014 não haverá uma comunidade, um bairro do nosso Estado dominado pelo poder paralelo, seja miliciano, seja traficante.
Viva o Rio de Janeiro! Um feliz 2011 para todos! Muito obrigado. Obrigado ao povo do Rio de Janeiro pela confiança. Muito obrigado! Que Deus nos abençoe!
O governador reeleito do Rio, Sérgio Cabral, lembrou Tim Lopes ao ser empossado para o seu segundo mandato neste sábado (1º). Emocionado na tribuna do Palácio Tiradentes, o governador lembrou que quando era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) homenageou o jornalista, morto por traficantes do Complexo do Alemão em 2002, colocando o nome de Tim na sala de imprensa da casa.
Cabral afirmou que a segurança pública é um dos pilares de seu governo, que permite ao Estado trabalhar nas outras áreas. Após citar o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, e a colaboração das forças armadas e do governo federal para as ações de novembro no Alemão e no Complexo da Penha, o governador afirmou o compromisso de continuar e intensificar as tomadas de comunidades. Confira abaixo o discurso na íntegra de Cabral:
Minha querida mulher, Adriana; meus filhos; meus pais; meus irmãos; minha família; querido Vice-Governador, Luiz Fernando Pezão, meu companheiro; Maria Lúcia, sua mulher; seus filhos; meu querido Presidente da Assembleia, Deputado Jorge Picciani; querido Presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Luis Zveiter; querido Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; querido Senador da República Francisco Dornelles; querido Procurador Geral de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes; Senador Régis Fitchner e Inês; Senador Lindberg Farias; não sei se o Senador Marcelo Crivella está presente, deixo um abraço para ele - querido amigo; querido Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Vereador Jorge Felippe; queridos Deputados e Deputadas Estaduais do mandato que se encerra ao final de janeiro; queridos Deputadas e Deputados que começam uma nova legislatura em 1º de fevereiro; autoridades federais aqui presentes, que cumprimento na pessoa do querido General Adriano, Comandante Militar do Leste; minhas amigas; meus amigos; Secretárias e Secretários de Estado; presidentes de empresas; autarquias; Subsecretários; companheiras e companheiros desta jornada de quatro anos de Governo.
Cumprimento a todos na pessoa de um querido amigo, que fico muito feliz de vê-lo aqui, que foi uma pessoa muito importante para que chegássemos a este momento, meu amigo Joaquim Levy, que veio de São Paulo para minha posse (Palmas); querido Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, José Maurício Nolasco; querido Presidente eleito do Tribunal de Contas do Estado, Conselheiro Jonas Lopes; querido Conselheiro Aloísio Neves; desembargadores aqui presentes, na pessoa do grande amigo Desembargador Pinheiro.
É um prazer muito grande estar aqui vivendo esse momento tão importante para mim, para o companheiro Pezão e para a nossa equipe. E eu não poderia deixar de agradecer muito, profundamente, à duas pessoas que foram leais, independentes e companheiras nessa jornada árdua, e ao mesmo tempo prazerosa, de governar o Estado do Rio de Janeiro. Quero muito agradecer ao Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Jorge Picciani, por tudo que V.Exa., com estatura e magnanimidade soube se conduzir à frente do parlamento que eu também tive a honra de presidir.
Ao querido destemido, corajoso, justo, Presidente do Tribunal de Justiça, Luiz Zveiter, o meu muito obrigado. Quero agradecer a um querido amigo, Prefeito da Cidade mais bonita do planeta, Eduardo Paes. E na figura dele agradecer a todos os prefeitos aqui presentes. Quero agradecer muito a presença dos meus queridos prefeitos. Muito obrigado.
Quero dizer às amigas e aos amigos, às companheiras e companheiros, que é muito bom estarmos aqui neste dia, Primeiro de Janeiro de 2011, iniciando um mandato. E não falo com nenhum pingo de vaidade, mas falo como cidadão do meu Estado; da honra que eu e Pezão temos de termos sido reeleitos pela população do nosso Estado, no primeiro turno; de termos, nesses quatro anos, ter podido virar a página de um Estado, em que eu aqui nesta tribuna, Presidente, há quatro anos, assumia o nosso primeiro mandato com o Rio de Janeiro em pânico; com o Rio de Janeiro assustado. Com o Rio de Janeiro com vítimas, mais de 50 vítimas do terror. E, Sr. Presidente, Sras. e Srs. deputados, companheiras e companheiros, Mariano, Mário, Alan, como é bom, ao entrar no plenário Barbosa Lima Sobrinho, olhar à direita e verificar que, naquela ocasião, como Presidente da Assembleia Legislativa, diante de um fato estarrecedor, homenageávamos um grande brasileiro pela sua morte cruel e, hoje, eu poder dizer à sua família e ao Brasil que a memória de Tim Lopes foi honrada; que a Sala de Imprensa que tem o nome de Tim Lopes, que o Colégio Estadual que tem o nome de Tim Lopes, a memória de Tim Lopes foi honrada.
Quero, ao iniciar este mandato, dizer da minha forte emoção ao agradecer ao maior brasileiro, ao maior Presidente da República da nossa história, Luiz Inácio Lula da Silva, que diante do Brasil, naquele dia, declarava a sua solidariedade, declarava a sua indignação, há quatro anos, na tarde do dia 1º de janeiro de 2007, e reafirmava compromissos assumidos no segundo turno da campanha eleitoral, que o Rio de Janeiro não estaria só, de que, como Presidente da República, retomaria a dignidade, a importância que o Rio de Janeiro tanto merecia.
O Presidente Lula estendeu a mão ao povo do Rio de Janeiro, em cada dia destes quatro anos, em cada momento destes quatro anos.
Vejo aqui os representantes das Forças Armadas do Ministério da Defesa marcando um momento histórico na história do Brasil e do Rio de Janeiro, e faltavam, naquela ocasião, menos de 60 dias, praticamente 30 dias para o encerramento do mandato do Presidente. E o Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sras. e Srs. Prefeitos, com o mesmo vigor, com o mesmo entusiasmo do primeiro dia de Governo tomava decisão que o Ministro Nelson Jobim, com enorme competência, traduzia e materializava a solidariedade do Ministério da Defesa das Forças Armadas ao povo do Rio de Janeiro.
Esse mesmo Presidente da República que durante uma campanha que parecia impossível, uma campanha que parecia fadada mais uma vez a um fracasso ocorrido por duas vezes anteriormente, esse mesmo Presidente da República abraçou o ideal, o sonho olímpico, e se dedicou a esta causa, a esta campanha da mesma maneira que fez o povo brasileiro acreditar em si mesmo.
Hoje, senhoras e senhores empresários aqui presentes, presidentes de instituições empresariais, presidentes de instituições de trabalhadores, meus caros Deputados e Deputadas, falo a vocês, Prefeito Eduardo Paes, com a marca dos Jogos Olímpicos de 2016 no peito, graças a isso foi que nós conseguimos retornar ao Rio de Janeiro. Não há como governar um Estado com 16 milhões de habitantes, eu diria que não há como governar nenhuma instituição pública, nenhuma cidade, nenhum estado, nenhum país, se não acreditarmos em parceria; e eu vejo, diante de mim aqui, exatamente o que ocorreu nesses quatro anos: parceria.
O Governo do Estado não tem recursos suficientes para todos os desejos, ambições e sonhos do povo do Estado do Rio de Janeiro. Cada prefeito aqui, do Prefeito Eduardo Paes ao Prefeito de Rio das Flores, ao Prefeito de Varre e Sai, nenhum Prefeito é capaz de sozinho realizar os sonhos dos habitantes da sua cidade, nem mesmo o Presidente da República, sozinho é capaz de realizar o sonho de um País se não tiver a parceria dos Governos Estaduais e das Prefeituras; e foi o que nós construímos nesse Estado.
Nós construímos nesse Estado, Sr. Presidente, uma equipe, uma equipe de trabalho, uma equipe unida, uma equipe competente, a começar pela minha felicidade de ter tido, nessa primeira jornada e de ter nessa segunda jornada, o melhor Prefeito da história do Estado do Rio de Janeiro, o Luiz Fernando Pezão. Diz o Presidente Lula, já disse em praça pública, que não há no Brasil um governador que tenha dito o privilégio de ter uma pessoa como o Luiz Fernando Pezão ao seu lado, como Vice-Governador. E juntos, todos os dias, nós construímos esse sonho, com as nossas equipes.
Senhoras e Senhores, hoje, olhando o dia 01 de janeiro de 2007, General Adriano, não era apenas o povo do Rio de Janeiro, não era apenas o temor da violência do terror que assustava o povo do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro, General Adriano, vivia situações em que eu afirmava aqui dessa tribuna, inadmissíveis para o Estado da grandeza do Rio de Janeiro. Vivia situações humilhantes.
Senhoras e Senhores Deputados, hoje, os servidores do nosso Estado recebem os seus salários juntos com seus contracheques no primeiro e no segundo dias úteis do mês subsequente. Vejo aqui o decano Átila Nunes e ele sabe durante quantos anos que isso não foi possível, durante quantos anos os servidores do Estado receberam os seus contracheques, Deputado Gerson Bergher, no décimo quinto, no décimo oitavo, dia do mês subsequente, como se fosse normal num Estado como o Rio de Janeiro, Procurador Cláudio Lopes, viver uma situação dessas.
O Estado do Rio de Janeiro não podia se acostumar ao fato que durante 17, 18 anos, não havia concurso para auditor da receita estadual. O Estado do Rio de Janeiro não podia se acostumar com o fato de que uma companhia como a Cedae dar um prejuízo de 30 milhões de Reais por mês. O Rio de Janeiro não podia se acostumar ao fato de que o 13º salário dos seus servidores era pago no ano seguinte. O Rio de Janeiro não podia se acostumar com fato de que suas pensionistas, ou pensionistas homens companheiros e companheiras de trabalhadores que serviram ao nosso Estado, não tinham seus salários reajustados e nós, em 4 anos, depois de minguados 3500 revisões do governo anterior, revisamos 52 mil pensões e hoje não há nenhuma pensão aguardando revisão no Estado do Rio de Janeiro.
Isso, Srs. Deputados, é gestão, é time, é apoio do Tribunal de Justiça, é apoio do Parlamento, e aqui eu quero homenagear o líder do governo, meu amigo Deputado Paulo Melo, e agradecer ao Deputado Paulo Melo toda dedicação ao nosso governo nesses quatro anos.
Senhoras e senhores, nós temos a obrigação de lembrar esses fatos. Nós temos a obrigação de lembrá-los porque nós conseguimos nos respeitar para nos fazermos respeitados. Quando o Presidente Lula estendeu a mão para o Rio de Janeiro, isso seria traduzido em parceria. E parceria demanda reciprocidade, recursos. Como fazê-lo, se não tínhamos recursos? Tivemos que nos reorganizar orçamentária e financeiramente. O Deputado Edson Albertassi conhece o processo muito de perto, porque, como Presidente da Comissão de Orçamento, ele acompanhou a reorganização financeira do Estado. Não foi uma tarefa fácil. Não dá para implementar qualquer política pública se o Estado não tiver reorganizado.
Nós reorganizamos o Estado. O Estado tem suas contas em dia, os servidores recebem em dia, os fornecedores recebem em dia. Ninguém liga para o governador para saber quando vai receber. Entra na tela da Secretaria de Fazenda e verifica quando vai receber. Tem dia certo, mudou a cultura do Estado. E nós então pudemos pedir ao Presidente apoio com reciprocidade.
Quando nós olhamos o tamanho dos investimentos no Complexo de Manguinhos, na Rocinha, no Complexo do Alemão, no Preventório, no Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, mas de um bilhão e meio de reais já executados: 50% do Governo Federal, 50% do Governo Estadual.
No ano de 2010, tivemos R$ 7 bilhões de investimentos do Governo do Estado em todas as áreas, em todas as frentes. O Estado, no dia 30 de março desse ano recebeu pela primeira vez, Senhoras e Senhores Cônsules aqui presentes, meu caro Ângelo Jóia aqui presente, pela primeira vez recebeu, um Estado Sul-Americano, o reconhecimento de uma agência de risco, a Standard & Poor¿s deu ao Rio de Janeiro o grau de investimento, o investiment grade, na mesma classificação dada à Petrobras, à Vale e ao governo brasileiro. E agora, recentemente, a cidade do Rio de Janeiro também ganhou o grau de investimento. Isso, no mundo dos investidores, no mundo financeiro, no mundo da credibilidade das finanças públicas e privadas, vale muito!
As coisas não acontecem por acaso. Nós acreditamos no Rio de Janeiro, acreditamos que era possível mudar a política do Estado do Rio de Janeiro, e fizemos isso com trabalho, com processo, com disciplina. Foi muito honroso, nessa campanha, elegermos - uma honra para o Brasil - a companheira Dilma Roussef, primeira mulher Presidente da República do Brasil.
A Presidente Dilma conhece o nosso trabalho. Por isso, pedi ao povo do Estado do Rio de Janeiro ¿ e fomos às ruas para isto - o apoio à companheira Dilma, porque ela trabalhou ao nosso lado. Diante do Comitê Olímpico Internacional ele assumiu e subscreveu os compromissos do nosso Estado, do Município e do Governo Federal com as autoridades olímpicas.
Dilma toma posse hoje e o Rio está tranquilo; o Rio está confiante. A Presidente Dilma, durante a campanha, fazia referências às políticas públicas do nosso Estado. Isso foi uma grande honra: ouvir o Presidente Lula e a Presidente Dilma fazendo referências à gestão do nosso Estado. Seja na Segurança, seja na Saúde, seja no desenvolvimento ou no PAC. Temos que comemorar isso. À meia-noite foi o momento dos fogos.
Já estamos no dia 1º, mas temos que comemorar. Não foi uma conquista minha. Foi uma conquista do povo do Estado do Rio de Janeiro. Nós nos demos ao respeito. Certamente, o Ministério da Defesa, as Forças Armadas e o Presidente Lula deram o aval a esta parceria no momento crítico em que nós vivíamos; que os marginais tentavam desestabilizar as nossas conquistas. Certamente, o Governo Federal deu as mãos ao Estado do Rio de Janeiro, porque nós nos respeitamos; porque colocamos um homem de bem à frente da Secretaria de Segurança Pública; porque nós despolitizamos a Polícia do Rio de Janeiro; porque o Governador e nenhum outro político influenciam na escolha de um delegado titular; de um comandante de Batalhão; na promoção por mérito de um cabo, de um sargento ou de um tenente. Nós nos demos ao respeito.
Por isso fomos pedir-lhe auxílio e apoio; porque nós nos respeitamos e o Brasil passou a nos respeitar. Vamos prosseguir neste caminho. Recentemente fui inaugurar uma unidade de Pronto Atendimento 24 horas em Buenos Aires com o meu companheiro Cortes. Vamos continuar aprofundando e investindo cada vez mais na saúde pública. Vamos investir cada vez mais no Programa de Aceleração do Crescimento - PAC das comunidades - em parceria com o Governo Federal.
Vamos continuar investindo no nosso interior, com o Programa Somando Forças; um programa que investiu mais de 400 milhões de reais em parcerias com os prefeitos de cada cidade. O Estado entra com 95% dos recursos e a cidade com 5% de contrapartida.
Vamos continuar investindo nas nossas estradas. Não há estado forte sem interior forte. Vamos continuar pavimentando como nunca se pavimentou neste Estado. Vamos pavimentar, junto com os prefeitos, toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Não é possível que o povo de São Gonçalo; que o povo de Itaboraí; que o povo da Baixada ainda pise na lama; ainda respire a poeira.
Vamos prosseguir no nosso trabalho, porque é uma verdadeira revolução silenciosa o bilhete único intermunicipal. Hoje não há um cidadão que tenha prejuízo na contratação para o emprego porque mora numa cidade da Região Metropolitana. As vinte cidades da Região Metropolitana têm hoje o bilhete único intermunicipal. Há pessoas, Sras. Deputadas e Srs. Deputados - e os senhores conhecem muito bem a vida como ela é - que economizam oito, dez, doze reais por dia, graças ao bilhete único intermunicipal. O Rio de Janeiro alcançou, no mês de novembro, pela primeira vez na história, nunca antes na história do Rio de Janeiro, nós tivemos o primeiro lugar na geração de Emprego e Renda no Brasil, em números absolutos.
Lelis, Rodolfo, Alqueres, nós temos uma agenda de investimentos extraordinária, não é, Júlio? São bilhões e bilhões de reais - Presidente Picciani, Presidente Zveiter - em todo o Estado, de Norte a Sul, em energia, infraestrutura, siderurgia, cultura, entretenimentos, serviços; são mais de 100 bilhões de dólares para os próximos quatro anos. Quero reafirmar, Sr. Presidente, Srs. Deputados, que o Rio de Janeiro é um Estado absolutamente leal ao Brasil, absolutamente consciente dos seus deveres perante a Nação. Acreditamos na distribuição de renda regional; acreditamos que todo o Brasil deva crescer, mas não vamos, em hipótese alguma, respeitando os nossos deveres, abrir mão dos nossos direitos.
Quero agradecer ao povo do Rio de Janeiro e a esta Casa, que foram para as ruas comigo dizer não à covardia dos royalties do pré-sal. O Rio de Janeiro não tolera injustiça com nenhum dos 27 Estados da Federação. Quero aqui, mais uma vez, agradecer a palavra do Presidente Lula, honrada recentemente, vetando um descalabro e um desrespeito não com o Rio de Janeiro, mas com a nação, e reafirmar a minha confiança na palavra e no compromisso da Presidente Dilma Rousseff.
Quero dizer às Sras. e Srs. que avançamos muito em todas as áreas. Avançamos muito no ensino profissionalizante, formando essa mão de obra necessária para essa geração de empregos que estamos vivendo. Avançamos na Educação, mas não o suficiente. Depois de mais de dez anos sem receber um reajuste sequer, o magistério passou a receber reajustes todos os anos, e um programa de recuperação salarial. Depois de décadas de abandono das unidades escolares, reformamos escolas, demos dignidade à sala de aula, tiramos o Rio de Janeiro do século XIX, em algumas situações, Sr. Presidente. Incluímos uma política tecnológica para que o gap da formação dos professores e os alunos pudessem ter o auxílio e a ferramenta da tecnologia, mas Educação demanda políticas e planejamento de médio e longo prazo.
Quero assumir o compromisso com essa Casa; quero assumir o compromisso com o povo do Estado do Rio de Janeiro de que, em 2014, o Estado do Rio de Janeiro estará entre os cinco melhores Estados do IDEB no Brasil.
Este é um compromisso meu com o povo do Estado do Rio de Janeiro. Quero dizer a V.Exas. que temos muitos temas pela frente, temos muitos desafios pela frente, na área dos Transportes, da Agricultura, do Meio Ambiente, do Saneamento, da Infraestrutura, da Saúde, da Educação, do calendário fantástico que conquistamos de eventos, investimentos. Mas tudo isso perde peso e importância enquanto nós tivermos um bairro, uma comunidade dominada pelo poder paralelo. Por isso, reafirmo aqui, diante das senhoras e senhores, que em 2014 não haverá uma comunidade, um bairro do nosso Estado dominado pelo poder paralelo, seja miliciano, seja traficante.
Viva o Rio de Janeiro! Um feliz 2011 para todos! Muito obrigado. Obrigado ao povo do Rio de Janeiro pela confiança. Muito obrigado! Que Deus nos abençoe!
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