Terça-Feira, 21/04/2009, 09:15h
No período de 15 a 20 de abril, a Polícia Civil do Pará desencadeou a operação “Rio das Roças II”, através da Diretoria de Polícia Especializada (DPE). No último dia de operação, ontem, foram apreendidos, nas cidades de São Domingos do Capim e Concórdia do Pará, 200 mil pés de maconha “in natura”.Quarenta homens participaram da operação que foi considerada positiva.
“O balanço é positivo porque conseguimos tirar de circulação 200 mil pés de maconha. Temos trabalhado bastante para diminuir o número de plantações da droga”, afirmou o delegado Aurélio Paiva, que esteve à frente da ação.
“Tivemos dificuldade de chegar ao local, principalmente porque era uma área de reserva indígena e o acesso só é possível de helicóptero”, acrescentou o delegado.
PRISÃO
Segundo o delegado, ninguém foi preso, pois quando ouviram o barulho do helicóptero os responsáveis pelas plantações devem ter fugido rapidamente. A operação terminou ontem e foi coordenada pelos delegados Aurélio Paiva, da Divisão de Repressão a Crimes Organizados (DRCO), e Rilmar Firmino, com bases em Nova Esperança do Piriá, Mãe do Rio e Concórdia.
Como a quantidade da droga apreendida era grande,parte dela foi queimada e a outra parte trazida para Belém em quatro carros da Polícia Civil. “Essa apreensão que trouxemos é para amostragem”,disse o delegado. (Diário do Pará)
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Azelene Kaingáng - sou do povo Indígena Kaingáng do Brasil - por Terra Sem Males

A V edição da Cúpula das Américas ocorreu entre 17 e 19 de Abril em Trinidad e Tobago. acabando de vez com as tentativas do governo dos EUA em criar a ALCA - Área de Livre Comércio das Américas. Ao mesmo tempo...
ocorreu também uma reunião de líderes indígenas das Américas promovida pela OEA, na cidade do Panamá. foi eleita para representar essas lideranças numa breve fala perante os ministros de Relações Exteriores.
Vejamos o belo discurso:
"V Cúpula das Américas
Trinidad e Tobago, 17-19 de abril
Bom dia, me chamo Azelene Kaingáng e sou do povo Indígena Kaingáng do Brasil.
Estou neste diálogo com os Ministros de Relações Exteriores dos Estados membros da OEA, nesta 5ª Cúpula das Américas, representando os mais de 100 líderes Indígenas que acabam de participar da III Cúpula dos Líderes Indígenas das Américas, ocorrida no Panamá de 14 a 15 de abril de 2009.
Nós, Povos Indígenas das Américas, sabemos da necessidade de se combater a extrema pobreza que afeta os Países onde vivemos através de projetos de desenvolvimento. Mas também sabemos e afirmamos que isso não deve ocorrer à custa e em detrimento dos direitos humanos e fundamentais dos Povos Indígenas das Américas.
Que o desenvolvimento que se leva a cabo em nossos países em nome da segurança energética e outras questões consideradas de relevante interesse público devem contemplar, reconhecer e respeitar as diferenças e especificidades dos nossos Povos, porque se assim não o for, como não o tem sido, a pobreza que nos afeta é ainda maior, porque é uma pobreza que nos marginaliza, que nos discrimina e que nos exclui dos processos de desenvolvimento interno.
A consolidação plena e efetiva dos Direitos dos Povos Indígenas das Américas está condicionada a implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas adotada em 2007 e da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, órgão das Nações Unidas, dos quais a ampla maioria dos Países Americanos são signatários.
Sabemos também que um dos pontos de maior resistência dos Estados membros da OEA em relação à implementação dos direitos indígenas é questão da consulta e do consentimento prévio, livre e informado, na implantação de mega-projetos que afetam nossas culturas e formas de vida. Recomendamos que os Estados concebam o direito ao consentimento prévio, livre e informado não apenas como uma consulta para ouvir um “sim” ou um “não” em relação a determinado empreendimento, mas como uma oportunidade de estabelecer um diálogo definitivo entre Povos Indígenas e os Estados nacionais, em condições de equidade e igualdade, onde as partes coloquem sobre a mesa suas reais preocupações num diálogo franco e transparente, onde o respeito e a democracia sejam os condutores das decisões que favoreçam ambas as partes.
Se as relações turbulentas que os Estados têm levado a cabo com os Povos Indígenas podem ser chamadas de democrática, então é necessária uma mudança de conceitos, é necessária a radicalização da democracia entendida sob o conceito do consenso, porque a que Vocês praticam não tem alcançado os nossos Povos.
É urgente, necessário e inadiável um diálogo aberto e de boa fé entre os Povos Indígenas das Américas e os Estados membros da OEA.
Muito Obrigada".
Azelene Kaingang
terça-feira, 21 de abril de 2009
Belem do Pará - Cidade mais linda do Mundo!
Finalmente alguém pra nos orgulhar! - Candido Rangel Fernandez


"PARA QUE O MAL PERDURE É PRECISO QUE OS HOMENS DE BEM NÃO FAÇAM NADA..."
Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância
de sete agentes federais fortemente armados.
Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. 'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'
Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara
de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.
Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.
Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. 'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.' No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado. Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.' É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarr otado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.'
Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.
Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. 'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança. '
ESTE MERECE NOSSOS APLAUSOS!
POR ACASO A MÍDIA NOTICIOU ESSA BRAVURA QUE O BRASIL PRECISA SABER?
POR FAVOR, FAÇA A SUA PARTE! DIVULGUE O MÁXIMO QUE PUDER!!!
O CIRCO DA PILANTRAGEM - Laerte Braga

Kalanag foi um mágico que se apresentou no Brasil lá pelos idos de 1960. Como, ninguém nunca soube, mas descia do palco até a platéia com uma jarra d’água e mandava o espectador escolher a bebida preferida. Vinho, uísque, cerveja, da tal jarra saia tudo. Se levarmos em conta que os mágicos àquela época dispunham de poucos recursos tecnológicos, aquele negócio de jogos de luzes, máquinas que engolem pessoas, esses aparatos todos dos mágicos de hoje, Kalanag era de fato um prodígio.
Circos ainda ocupam um espaço importante tanto na lembrança dos que assistiram aos velhos grandes circos do passado, como os que hoje têm o privilégio de observar uma arte – falo de tudo o que o circo traz -. Aquela armação de lona sobrevive em muitas cidades do interior do País. Hoje, uma nova roupagem recheada de salamaleques dos tempos atuais, levou o circo para dentro dos ginásios, das grandes áreas de espetáculos e numa certa forma preservou e preserva as características do espetáculo circense.
Águas dançantes apareceram no Rio de Janeiro no final da década de 50 e o show aconteceu no Maracanãzinho como ponto culminante de um dos grandes circos norte-americanos em seguida a trapezistas, palhaços, mágicos, equilibristas, toda a troupe.
Foi uma semana antes da célebre luta entre Archie Moore e o brasileiro Luisão, mas essa é outra história.
A descaracterização da palavra circo, transformada, entre outros sinônimos, em local de pilantragem, de maracutaia aconteceu por conta de se emprestar à pilantragem e às maracutaias o epíteto de um grande circo, com mágicas com dinheiro público, trapaças nos negócios de governo, grandes palhaçadas de políticos, toda essa sorte de ilusionismo do chamado mundo real.
Num tem o palhaço, esse o de verdade, sério, que bate a carteira do parceiro e fica olhando para o alto como se não fosse com ele enquanto o parceiro, desesperado percebe que ficou liso, sem carteira? É por aí, o político tipo Temer, Sarney, bate a carteira do distinto cidadão/ã e fica falando em moralidade, se bobear ainda vai buscar ajudar a achar o culpado, quase sempre o MST.
Os palhaços não têm culpa disso. Eram agentes de diversão da garotada e até de adultos. Nem os mágicos que no máximo serravam uma bela mulher e depois a reconstruíam sem um único dano, sem uma única cicatriz.
O circo de Brasília, por exemplo, não tem nada a ver com o Circo de Moscou. E nem com as lonas remendadas que povoam as cidades do interior brasileiro. Ali, nessas cidades, crianças e adultos ainda são capazes de gargalhadas quando o palhaço tropeça e daquelas interjeições de espanto quando o mágico faz sumir um carro em pleno palco substituindo-o ou por um elenco de mulheres, ou por pássaros coloridos que saem voando dentro dos limites da lona.
E haja pipoca. Muitos conservam a orquestra – bem menor hoje dado aos custos – indispensável ao toque de atenção, de suspense, no prenúncio do salto mortal.
O circo de Brasília tem a batuta de três dos mais espertos “mágicos” da política brasileira. O presidente do Senado, José Sarney. O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer e o presidente do Supremo Tribunal Federal – atual STF DANTAS INCORPORATION LTD – o “ministro Gilmar Mendes.
Sarney, proprietário dos estados/fazenda Maranhão e Amapá seja talvez o mais completo exemplo de Zelig da história da política brasileira. Em 1º de abril de 1964, governador do Maranhão, soltou um manifesto na parte da manhã apoiando o governo constitucional de João Goulart e outro à tarde, aderindo ao golpe militar. Virou capacho de confiança dos governos da ditadura. Acabou presidente da República no episódio da construção da candidatura Tancredo Neves e da morte do mineiro, eleito presidente em 1984.
Estendeu seus domínios ao Amapá onde foi eleito senador. Controla com mão de ferro o Maranhão e lembra aqueles ditadores da América Central que imaginavam se perpetuar colocando seus nomes em avenidas, ou de seus pais, seus filhos, seus tios, seus sobrinhos, suas amantes, toda a família no espírito do padre Patrick Payton, o tal da “Marcha com Deus pela Liberdade”. O dinheiro do padre Payton vinha da CIA, o de Sarney vem do bolso do cidadão/ã brasileiro. No Maranhão tudo é Sarney.
Michel Temer saiu da casca de jurista e constitucionalista para virar político, deputado em vários mandatos e uma interpretação para cada caso, não importa que seja diversa da anterior, desde que os interesses dos que representa sejam mantidos.
É ponta de lança de FHC e José Serra no PMDB. O maior partido do País, curiosamente sem cara, sem rosto, um amontoado de queromeu, onde ainda pontificam figuras sérias do porte de Roberto Requião governador do Paraná.
Sarney controla boa parte dos tribunais superiores, muitos dos ministros foram indicados por ele próprio quando presidente da República. Descobriu agora, depois de vários mandatos de senador, que a chamada Câmara Alta – de “altos negócios – tem um número exorbitante de diretores, paga assessores que não trabalham e nem moram em Brasília – caso da filha de FHC – e aquinhoa a todos com horas extras nos estranhos desvãos dos grandes “negócios”, ou grandes “mágicas” do Circo Brasília.
Temer está atolado até a alma nos esquemas de uso indevido de passagens por deputados. É interessante explicar esse negócio de cota de passagens. Cada deputado tem direito a um determinado número de passagens aéreas por mês e num dado tempo, uma passagem para a cidade do Rio de Janeiro. Essas passagens têm como escopo permitir que os ilustres parlamentares tenham transporte para suas bases eleitorais, seus estados de origem e lá possam auscultar o cidadão/ã eleitor.
Isso é mais ou menos como o cara que pula do centésimo andar. Até o qüinquagésimo tudo bem, só um ventinho extra e aquela sensação de velocidade maior, um frio na barriga. Ou seja, até aí, nada demais.
Essas passagens, no entanto, e a passagem para o Rio (com a transferência da capital para Brasília, o espírito da coisa era manter por determinado período as passagens para a antiga capital – Rio -, até que os deputados se ajustassem a Brasília, ou seja, uma cota a ser extinta depois de determinado tempo. Não foi) não sofrem nenhum tipo de controle. O deputado pode usá-las a seu bel prazer já que não são nominais ao deputado.
Vai daí que o paladino da moral e dos bons costumes Michel Temer, que vai mandar investigar o uso indevido de passagens, admitiu, como admitiu Fernando Gabeira (misto de tucano com verde), que também cedeu passagens a familiares para viagens de passeio, de lazer.
Querer que o distinto cidadão cá embaixo, a distinta cidadã acredite que as passagens são entregues aos deputados sem limitação de uso, ou limitadas ao seu fim, repito, querer que se acredite que é para facilitar e desburocratizar, é imaginar que o cidadão seja como de fato afirma William Bonner – outro paladino da mentira – idiota perfeito, pronto e acabado e vá imaginar que o carro que estava no centro do palco sumiu de verdade. Não existe mais. Pelo menos até constatar que no próximo espetáculo, na sessão seguinte lá vai estar pronto para sumir outra vez.
As passagens são repassadas a deputados para que usem da forma que bem entenderem e não existe controle algum, porque deliberadamente querem que seja assim, permitindo que o uso dessas passagens, pagas com recursos públicos, cumpram uma função política e familiar.
O excesso de diretores no Senado não é algo que devesse espantar o presidente da Casa, José Sarney, pois quando senador no seu primeiro mandato, sua filha Roseana era assessora de seu gabinete, aliás, desde os tempos em que o pai era deputado e conhece bem a “mecânica” da coisa.
Soa mais ou menos como aquele princípio da lógica. Se azul é azul, azul não é verde. Então é azul. Se são capazes de montar um arcabouço que chamam de representação dos estados da Federação (Senado) e popular (Câmara dos Deputados) dessa maneira, é porque representam tudo menos os estados e muito menos ainda o popular.
São um estamento, parte fora do todo que forma a sociedade civil organizada, o mundo institucional e fazem desse mundo um mundo de privilégios que se estende para além das passagens.
Para interesses de grandes empresas que financiam senadores como Gérson Camata. Pilantra que vem ludibriando os capixabas faz tempo. De latifundiários, de banqueiros, de toda a casta que se convencionou chamar de elite política e econômica e tem sua raiz, sua base, no estado de São Paulo, no complexo FIESP/DASLU. Não é por outra que os índices de aproveitamento da educação básica em São Paulo não atingiram as metas mínimas. Claro. Não estão interessados nisso. O problema é manter o controle dos “negócios” e dar um jeito de enfiar o pilantra do José Serra na presidência da República.
Aí, como são os donos dos “negócios”, controlam a mídia podre, corrupta e venal como FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, GLOBO, ESTADO DE SÃO PAULO, etc. A culpa toda é da ministra Dilma Roussef que tem uma ficha policial dos tempos da resistência à ditadura militar.
A ditadura hoje é desses caras. Só mudou isso. Trabalho escravo tem às pencas no Brasil.
A REDE BANDEIRANTES – televisão – está incitando agricultores a desobedecer a lei que busca proteger os mananciais de água, pois essa lei contraria interesses de grandes grupos econômicos do latifúndio, banqueiros que financiam o latifúndio. E olha que a BANDEIRANTES é uma “redinha”. Se o trapezista cair se esborracha no chão. Mas quer a sua fatia, como quis também e levou à época da ditadura. Se Serra doou milhões para a EDITORA ABRIL, assinando revistas em troca de apoio, porque não dar um pouco para a BANDEIRANTES? São baratos, algo assim com uns três por cento do que pagam a GLOBO. E se chorar fica por menos
O terceiro nessa trindade de pilantras é Gilmar Mendes, presidente do STF DANTAS INCORPORATION LTD. Corrupto de carteirinha, tucano de coração, corpo e alma, ocupa a presidência do que deveria ser a corte suprema do País para transformá-la em instrumento de garantia de todo esse mundo podre e irreal que acaba sendo o real.
Temer, Gabeira, Camata, são como aqueles pistoleiros da máfia que quando erram são executados para não comprometer o todo, o chefe, o chefão, no caso os chefões. Um ou outro pode até sobreviver, caso de Temer. Se cismar de reagir e abrir a boca leva de roldão a lona do circo e promove uma grande confusão e nem é disso. Esperto demais para isso. Sabe que o bom cabrito não berra, vai fazer acordo no escurinho da lona, depois do horário das sessões do circo.
E como a Polícia Federal está trocando os comandos para que Dantas e seus iguais não sejam mais importunados, a turma está respirando mais aliviada.
O circo da pilantragem é no duro mesmo um circo de tragédias e essas tragédias se abatem sobre o povo brasileiro que segundo o imortal João Ubaldo Ribeiro ainda é o culpado de tudo.
Não são como aquelas tragédias que Vicente Celestino cantava em circos do passado.
“Tornei-me um ébrio/na bebida busco esquecer/aquela ingrata que um dia...
Era casado com Ester de Abreu uma das mais belas cantoras da música brasileira. E portuguesa de nascimento. Fiel até o ultimo momento.
Tem nada a ver com Michel Temer, Sarney, Gabeira, Gilmar Mendes, etc, etc.
Ah! Cesare Battisti continua preso. E os pistoleiro de Dantas andaram dando tiros em trabalhadores rurais sem terra no Pará.
Tudo em nome do progresso, da geração de empregos, do Brasil grande.
O deles. Os ingressos para os espetáculos desse circo estão demasiadamente caros é preciso buscar o circo de verdade.
Outra coisa. Esses caras têm mania de quando apertados achar um bode expiatório. O senador Gérson Camata, da bancada Álvaro Dias, sócio de Aécio Neves, quando apertado, diz que as FARCs e o MST estão armando guerrilha no interior de Minas e do Espírito Santo.
Vai ver os guerrilheiros e os sem terra estão viajando com passagens cedidas por deputados e senadores.
E William Bonner, síntese do pilantra na comunicação, está lá para assustar todos os “homer simpson” na hora dos JORNAL NACIONAL. O maior produto vendido pelos donos do Brasil aos incautos que ainda acham que esses circos são reais,. Não têm a ver com Arrelia ou Pimentinha, palhaços de muito caráter e seriedade.
A corrupção é só uma conseqüência do modelo político e econômico. Esse é o fato gerador. Esses são os donos do circo, os FIESP/DASLU. Aquele que o mágico Stak, o chefão da máfia, transforma assinaturas de camelôs paulistas em assinaturas de todos os trabalhadores brasileiros. Isso enquanto os fiscais não chegam para baixar a borduna.
Rede Globo e Daniel Dantas: um caso de polícia-osvaldo costa - Nós Por Cá

Rede Globo e Daniel Dantas:
um caso de polícia
Não se trata de cobertura dos fatos, se trata de um ataque à consciência dos telespectadores.
Na noite de 19 de abril o programa de variedades Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma suposta reportagem sobre um conflito ocorrido numa fazenda do Pará, envolvendo “seguranças” (o termo procura revestir de legalidade a ação de jagunços) da fazenda do banqueiro Daniel Dantas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Só pude descobrir que se tratava de propriedade do banqueiro processado por inúmeros crimes e protegido por Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após ter vasculhado algumas páginas na internet em busca de meu direito de escutar o outro lado da notícia, a versão dos fatos dos sem terra, pois na reportagem eles aparecem como invasores, baderneiros, seqüestradores da equipe de reportagem da Rede Globo, assassinos em potencial, e ao final, corpos de militantes aparecem baleados no chão, agonizantes, sangrando, sem nenhum socorro, e a reportagem não fornece nenhuma informação sobre o estado de saúde das vítimas.
Sem ter acesso às causas do conflito, e a nenhum dos dois lados envolvidos, o telespectador se vê impelido a acompanhar o julgamento que o narrador da reportagem e a câmera nos sugere. No caso, tendemos a concordar com a punição dada aos desordeiros: “que sangrem até morrer!”, ou “quem mandou brincar com fogo?!” podem ser algumas das bárbaras conclusões inevitáveis a que os telespectadores serão levados à chegar.
Nós, em nossas casas, consumidores do que a televisão aberta nos apresenta, não temos direito ao juízo crítico, porque o protocolo básico das regras do jornalismo não é mais cumprido. Nós somos atacados em nosso direito de receber informações e emitir julgamentos, nós somos saqueados por emissoras privadas que mobilizam nosso sentimento de medo, ódio e desprezo, para em seguida nos exigir sorrisos com a próxima reportagem.
Como um exercício de manutenção da capacidade de reflexão, precisamos nominar esse tipo de ataque fascista com os termos que ele exige. A ilusão de verdade deve ser desmontada, a suposta neutralidade deve ser desmascarada, caso a caso, na medida de nossas forças.
Seguem questionamentos à reportagem, com o intuito de expor o arbítrio de classe da Rede Globo, para que esse texto possa endossar a documentação que denuncia a irregularidade das emissoras privadas e protesta contra a manutenção de concessões públicas para empresas que não cumprem com as leis do setor.
1º) Por que a Globo protege Dantas? Por que a emissora não tornou evidente que as terras pleiteadas pelo MST para Reforma Agrária são de Daniel Dantas? Qual o grau de envolvimento da emissora nas manobras ilícitas do banqueiro?
2°) Por que o MST não foi escutado na reportagem? Quais os motivos do movimento para decidir ocupar aquela fazenda?
3°) As imagens contradizem os fatos. A câmera da equipe de reportagem aparece sempre posicionada atrás dos seguranças da fazenda, e nunca à frente dos sem terra.
E vejam informação da Agência Estado: “A polícia de Redenção informou a Puty [Cláudio Puty, chefe da Casa Civil do governo do Pará] não ter havido cárcere privado de jornalistas e funcionários da Agropecuária Santa Bárbara, pertencente ao grupo do banqueiro Daniel Dantas e que tem 13 fazendas invadidas e ocupadas pelo MST. Os jornalistas, porém, negam a versão da polícia e garantem que ficaram no meio do tiroteio entre o MST e seguranças da fazenda” (http://br.noticias.yahoo.com/s/19042009/25/manchetes-pm-desarmar-mst-segurancas-no.html). Quer dizer, nem mesmo os grandes jornais conservadores estão fazendo coro com a cobertura extremamente parcial da Rede Globo.
4°) Ocorreu um tiroteio mesmo? Só aparecem os jagunços da fazenda atirando, e com armas de calibre pesado. E a imagem dos feridos mostra os sem terra baleados e um jagunço de pé, com pano na cabeça, possivelmente contendo sangramento de ferimento não causado por arma de fogo, dado o estado de saúde do homem.
5º) Por que os feridos não são tratados com o mesmo direito à humanidade que as vítimas de classe média da violência urbana? Eles não têm nomes? O que aconteceu com eles? Algum morreu? Quem prestou socorro? Em que hospital estão? Por que essas informações básicas foram omitidas?
6°) Por que mostrar como um troféu a agonia de seres humanos sangrando no chão, sem nenhum socorro?
Osvaldo da Costa
osvaldodacosta@gmail.com
RUMO A TERRA SEM MALES - Ir. Alberto
ESTÁ NA PAUTA DE JULGAMENTO - STF DEVERÁ CONFIRMAR 178 TERRITORIOS INDIGENAS.
O Brasil tem atualmente 600 territórios que abrigam 227 povos, com um total de 480 mil pessoas.
Estas terras representam 13% do território nacional ou 109,6 milhões de hecatares .A maioria das terras indígenas - 109 milhões estão localizadas na Âmazonia Legal No restante do Brasil a população indigena é reduzidissima, o que prova o holocausto praticado pelo colonizador português e pelo fazendeiro brasileiro.
Há no Pará em torno de vinte mil indios , que se dividem em 45 etinias. As maiores são os Mundurucus e os Kaiapós. Fazendeiros e Madereiros ocupam irregularmente as terras indigenas sob o olhar complacente das autoridades da república
A Constituição Federal assegura a alfabetização dos indios nas duas linguas - lingua nativa e português.
Falta vontade política para formar professores indígenas das linguas nativas. E ai as crianças são alfabetizadas exclusivamente no português , o que os descaracteriza. É triste chegar-se em uma tribo indigena e saber que o nome do Cacique é Jose ou do Pajé, João. As crianças e jovens deixam de falar sua lingua de raiz por não ter professores especializados que a ensinem as crianças. .
É preciso que os cristãos de todas as denominações saibam e respeitem o Deus dos povos indigenas, o Grande Espirito, que é o mesmo Deus do Homem Branco adorado nas suas várias denominações de Deus de Israel , da Babilonia, de Roma, da Grecia , do Egito etc.
Portanto vamos deixar os indigenas adorarem o Grande Espirito, que os tem protegido e guardado por doze mil anos
Para o indio seu territorio, sua lingua e sua religião fazem parte de sua identidade. Sem eles, ele não sobrevive, ele morre e com ele toda uma nação.
É preciso lutarmos para que o Supremo Tribunal Federal julgue com a necessária brevidade os 178 processos demarcatórios que estão em sua pauta. Com certeza os indios vencerão e teremos muito breve o ressurgimento das cinzas de mais 178 TERRAS SEM MALES
O Grande Espírito se comunicava diretamente com seus filhos através do farfalhar das folhas das árvores, do zumbir das abelhas, do cachoar da águia, do chilrear das andorinhas, do assobiar da anta, do piar do anum, do bigornear da araponga, do chalrar da arara , do gorjear do azulão, do gemer do bacurau, do trissar do beija flor, do estridular do bem-te-vi, do zoar do bezouro, do grunhir do caititu, do guinchar do rato, do trilar do canário, do assobiar da capivara, do gloterar da cegonha, do estridular da cigarra, do grocitar do condor, do guinchar do coelho, do chirrear da coruja, do gorjear da cotovia , do bramir do jacaré, do bufar da cutia, grasnar da ema, do piar do falcão, do ziziar do gafanhoto, do gralhar do gaio, do pipilar da gaivota, do cantar do galo, do guinchar do gambá, do gazear da garça, do miar do gato, do guinchar do gavião, do trinar da graúna, tritrinar do grilo, do gazear do guará, do piar do inhambu, do gritar do jaburu, do arruar do javali, do grasnar do jacu, do gecar do lagarto, do guinchar da lebre, do assobiar da lontra, do cuinchar do maçado, do grassitar do marreco, do zinir da mosca, do trissar do morcego,do miar da onça pintada, do assobiar da paca, do charlar do papagaio, do soluçar da patativa, do grassita do pato, do pupilar do pavão, do roncar dos peixes, do grasnar do pelicano, do cacarejar do do perdigão, do gorgolejar do peru, do estridular do picapau, do dobrar do pintassilgo, do arrular dos pombos, da uivar da raposa, do gorjear do rouxinol, do cantar do uirapuru, do modular do sabiá, do coachar do sapo, do cacarejar do siriema, do chalrar do tucano, do rebramar do veado, do zumbir do vento contra os montes, do barulho das águas nas cachoeiras, do calor do sol, do brilhar do luar, do frescor da madrugada, da beleza das donzelas, do vigor dos guerreiros e da sabedoria dos anciãos.
Ele, diferentemente do Deus do Homem Branco, não precisava de intermediários - livros sagrados, profetas, sacerdotes e igrejas - para expressar sua Vontade a seus filhos.
O Grande Espírito é um Deus da Paz. Ele nunca foi a frente de algum exercito em guerra contra nações vizinhas, até porque ele é contra a guerra .Ele é um Deus da Vida .
Pensemos nisto
Ir Alberto
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Índio Ficou Esperto
"Não é mais aquele negócio de espelho por ouro. Índio ficou esperto e na Bolívia, por exemplo, elegeu o presidente da República"
Laerte Braga
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Laerte Braga
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Indígenas querem agilidade na demarcação de terras - Terra Sem Males
As comunidades indígenas residentes em território brasileiro não têm muito que comemorar, principalmente no que diz respeito às demarcações de terras indígenas. Apesar da vitória alcançada com a demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol (em Roraima), obtida no Supremo Tribunal Federal, os indígenas ainda reclamam da demora na identificação e demarcação de seus territórios.
LANÇAMENTO DOSSIÊ DITADURA - Vanderley Caixe

MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS NO BRASIL (1964-1985)
25 DE ABRIL, ÀS 10,30
ESTAÇÃO PINACOTECA - MEMORIAL DA RESISTÊNCIA
Lançamento do livro :
DOSSIÊ DITADURA :Mortos e desaparecidos Políticosno Brasil (1964 - 1985)
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos (org.)
Local : Estação Pinacotéca - Memorial da Resistência
Largo General Osório , 66 - 5º andar
Bairro da Lúz - São Paulo - Capital
Debate : Mortos e Desaparecidos Políticos: Luta pela Verdade e Justiça no Brasil.
Participantes : Fábio Konder Comparato - jurista
Márcio Seligman-Silva - professor
Janaína de Almeida Teles - historiadora
Mundo - Pintora iraniana será enforcada Hoje - Ir Alberto

Wálter Fanganiello Maierovitch
Delara Darabi tinha 17 anos de idade quando foi presa no Irã. Foi acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 anos de idade.
Respondeu, também, por furto na casa da prima morta e por manter relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain de 19 anos de idade: no Irã, sexo só com o casamento e a adúltera recebe pena capital.
Hoje, Delara Darabi está com 23 anos. Continua presa desde os crimes consumados em 2005. Na segunda-feira, 20, será enforcada por ter sido considerada autora da punhalada, com intenção de matar.
Pelo furto e intimidade com o namorado, cumpriu pena de 3 anos de cadeia. Recebeu, em público, 50 chicotadas pelo furto e mais 20 pelas relações amorosas com o namorado.
Delara Darabi nega ter matado a prima. Ela disse que confessou quando presa para “salvar” o namorado da pena de morte. Frisou que imaginava, pelos seus 17 anos, que não seria condenada à morte. Errou nos cálculos pois a responsabilidade criminal no estado teocrático do Irã começa aos 15 anos de idade para homens e 9 anos para as do sexo feminino.
O crime de homicídio, frise-se, consumou-se em 2005 e a sentença condenatória à pena de morte foi confirmada pela Corte Suprema em 2007.
A única chance legal para Delara Darabi seria a família da vítima, — sua prima –, aceitar uma indenização em dinheiro. O pai da condenada já fez a oferta, mas não houve aceitação. O genitor da vítima pretende renovar a proposta até o último momento, ou seja, até antes de o cadafalso se abrir e a filha ficar pendurada.
Segundo o advogado e as organizações internacionais de defesa de direitos humanos ficou provado nos autos, por laudo pericial oficial e único, que Delara Darabi é inocente. Para os peritos, o golpe de punhal foi desferido por uma pessoa destra. Darabi é canhota.
PANO RÁPIDO. Depois da China, o Irã é o país que mais condena e executa penas capitais.
No dia 18 de dezembro de 2007, — e ainda em face do impacto causado pela morte por enforcamento de Saddam Hussein–, houve Assembléia Geral da ONU para aprovar uma suspensão (moratória) das penas capitais. Dos estados-membros da ONU, 104 votaram a favor, incluído o Brasil. Ocorreram 29 abstenções. Votaram contra a moratória 54 países, dentre eles o Irã, a China e os EUA.
Segundo a Human Rights, o Irã, em 2008, enforcou oito menores de 18 anos de idade. Neste 2009, um menor já foi executado. No chamado corredor-da-morte, aguardam 150 menores de 18 anos de idade.
Para Delara Darabi, que pinta quadros na cadeia e se tornou uma pintora conhecida internacionalmente, só resta a pressão internacional por clemência ou a família da vítima aceitar uma indenização.
Vamos torcer por ela, pois pena de morte é inaceitável.
Delara Darabi tinha 17 anos de idade quando foi presa no Irã. Foi acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 anos de idade.
Respondeu, também, por furto na casa da prima morta e por manter relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain de 19 anos de idade: no Irã, sexo só com o casamento e a adúltera recebe pena capital.
Hoje, Delara Darabi está com 23 anos. Continua presa desde os crimes consumados em 2005. Na segunda-feira, 20, será enforcada por ter sido considerada autora da punhalada, com intenção de matar.
Pelo furto e intimidade com o namorado, cumpriu pena de 3 anos de cadeia. Recebeu, em público, 50 chicotadas pelo furto e mais 20 pelas relações amorosas com o namorado.
Delara Darabi nega ter matado a prima. Ela disse que confessou quando presa para “salvar” o namorado da pena de morte. Frisou que imaginava, pelos seus 17 anos, que não seria condenada à morte. Errou nos cálculos pois a responsabilidade criminal no estado teocrático do Irã começa aos 15 anos de idade para homens e 9 anos para as do sexo feminino.
O crime de homicídio, frise-se, consumou-se em 2005 e a sentença condenatória à pena de morte foi confirmada pela Corte Suprema em 2007.
A única chance legal para Delara Darabi seria a família da vítima, — sua prima –, aceitar uma indenização em dinheiro. O pai da condenada já fez a oferta, mas não houve aceitação. O genitor da vítima pretende renovar a proposta até o último momento, ou seja, até antes de o cadafalso se abrir e a filha ficar pendurada.
Segundo o advogado e as organizações internacionais de defesa de direitos humanos ficou provado nos autos, por laudo pericial oficial e único, que Delara Darabi é inocente. Para os peritos, o golpe de punhal foi desferido por uma pessoa destra. Darabi é canhota.
PANO RÁPIDO. Depois da China, o Irã é o país que mais condena e executa penas capitais.
No dia 18 de dezembro de 2007, — e ainda em face do impacto causado pela morte por enforcamento de Saddam Hussein–, houve Assembléia Geral da ONU para aprovar uma suspensão (moratória) das penas capitais. Dos estados-membros da ONU, 104 votaram a favor, incluído o Brasil. Ocorreram 29 abstenções. Votaram contra a moratória 54 países, dentre eles o Irã, a China e os EUA.
Segundo a Human Rights, o Irã, em 2008, enforcou oito menores de 18 anos de idade. Neste 2009, um menor já foi executado. No chamado corredor-da-morte, aguardam 150 menores de 18 anos de idade.
Para Delara Darabi, que pinta quadros na cadeia e se tornou uma pintora conhecida internacionalmente, só resta a pressão internacional por clemência ou a família da vítima aceitar uma indenização.
Vamos torcer por ela, pois pena de morte é inaceitável.
REDE GRUMIN DE MULHERES INDÍGENAS - Por Vanderley Caixe

I Sarau das Poéticas Indígenas
Promoção: CASA DAS ROSAS
Realizado em Dia 19 de abril.
A idéia do I Sarau das Poéticas Indígenas foi reunir índios, escritores indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena.
REGIÃO NORDESTE
1. Apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé Fragoso.
Sobre o povo Pataxó: Os Pataxó são o povo que travou o primeiro contato com os portugueses na região de Porto Seguro há 509 anos. Sua trajetória é admirável e demonstra grande adaptabilidade frente às adversidades, capacidade de união em prol de seus direitos e resistência cultural. Hoje, com parte de suas terras reconquistadas, fala-se de uma ressurgência Pataxó, na qual índios idosos e jovens buscam resgatar sua cultura ancestral e reviver sua língua nativa.
Sobre os índios que se apresentam: Manoel Santana é um contador de histórias Pataxó da Aldeia Boca da Mata, próximo à cidade de Itamarajú no Sul da Bahia. Segundo o antropólogo Guga Sampaio é “um proseador desinibido, eloqüente e imaginativo”. Zé Fragoso é cacique da aldeia e escritor indígena da Aldeia Tibá, no Prado, Sul da Bahia.
2. Apresentação do índio Pankararu de São Paulo Bino Pankararu
Sobre o índio: Bino Pankararu é uma liderança dos índios Pankararu que vivem no Real Parque, São Paulo, e cumpre função religiosa em sua cultura. Nascido na Aldeia Brejo dos Padres em Pernambuco, ele é um dos muitos índios imigrantes que vieram para a metrópole num pau de arara fugindo da seca, das invasões de suas terras, em busca de novas alternativas de vida.
3. Apresentação e leitura da escritora indígena Eliane Potiguara*
Sobre a escritora: Indicada em 2005 para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo), Eliane é escritora, autora de METADE CARA, METADE MÁSCARA (Global Editora), professora e ativista indígena. É remanescente Potiguara, coordenadora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas / Rede de Comunicação Indígena,organização que ganhou o Prêmio Cidadania Internacional da Comunidade Bahai/IRÃ e diretora do INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual). Sites: www.elianepotiguara.org.br e www.grumin.org.br.
4. Leitura da poeta Graça Graúna, de Pernambuco
Sobre a poeta: Graça é descendente dos índios Potiguara do Rio Grande do Norte e escritora de ensaios, crônicas e poemas. Atualmente, reside em dois lugares: no litoral e no agreste pernambucano. É graduada, tem especialização, mestrado e doutorado em Letras, tendo dedicado-se aos temas de mitos indígenas na literatura infantil e literatura indígena contemporânea no Brasil. Tem vários livros publicados, o mais recente chama-se Tear da Palavra, de 2007. Mantém um blogue.
REGIÃO NORTE
1. Apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo
Sobre os índios Marubo: Os Maurbo vivem no Vale do Rio Javari, próximos à fronteira do Amazonas com o Peru. Algumas de suas aldeias são ainda isoladas, enquanto outras vêm sofrendo interferência da população regional. Têm uma vasta tradição oral identificada por antropólogos. Seus “saitis”, narrativas míticas cantadas, que tratam da formação do cosmos, chamam a atenção pelo seu valor poético.
Sobre o antropólogo: Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional (UFRJ). Especialista em etnologia e tradições orais ameríndias, vem realizando pesquisas junto aos Marubo do Vale do Javari (AM) desde 2004. É também co-editor da revista literária Azougue e colaborador da Companhia Livre da Cooperativa Paulista de Teatro. Atualmente, é pós-doutorando no Departamento de Letras da Universidade
de São Paulo.
2. Apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá de São Paulo
Sobre os índios Baniwa: Os Baniwa são índios do Amazonas que vivem no Alto Rio Negro, tendo como ponto de apoio a cidade de São Gabriel da Cachoeira, cidade brasileira com maior população indígena. A arte Baniwa, particularmente sua cestaria, é conhecida internacionalmente.
Sobre o índio que se apresenta: Eurico Baniwa nasceu na aldeia Baniwa do Rio Içna, do Alto Rio Negro. Formou-se em Filosofia em Manaus, trabalhou com saúde e educação entre os índios Ianomami. Desde 2004 está em SP, aonde estuda Direito e atua no IDET (Instituto das Tradições Indígenas).
Sobre os índios Mura: Os Mura são índios do Amazonas. Contatados nos Século XVIII por uma missão jesuítica que visava se assentar às margens do Rio Madeira e pelo sistema colonial do Grão Pará, os Mura registram longa convivência com a sociedade nacional, história marcada pela escravidão no período colonial e o trabalho semi-escravo para os patrões que monopolizavam o extrativismo da castanha-do-pará na área indígena. Em 1996 a FUNAI deu início à demarcação de suas terras. O povo Mura vive hoje em fraternidade, na margem do Rio Madeira, em harmonia com a mãe terra, cultivando a tradição milenar.
Sobre a índia que se apresenta: Juju Mura nasceu no Amazonas, na comunidade Manaquiri, e veio para São Paulo em 2001 para realizar seus estudos. Formou-se em pedagogia na FAAC, fez docência de ensino superior, é professora e divulga a cultura indígena em Cotia-SP.
3. A declamadora Tatiana Fraga lê obras dos poetas Joaquim Sousândrade e Raul Bopp
Sobre o poeta Joaquim Sousândrade: Joaquim Sousândrade foi um poeta maranhense que viveu no Século XIX que recorreu ao multilinguismo para incorporar o elemento indígena amazônico ao seu poema épico O Guesa Errante (1874). Morreu em São Luis, na miséria e sendo considerado louco. Sua obra veio ser reconhecida por Haroldo de Campos na década de 60.
Sobre o poeta Raul Bopp: Raul Bopp, nasceu no Rio Grande do Sul viveu no início do Século XX. Formado em direito, viajou o Brasil e escreveu sua obra prima, Cobra Norato, sobre a Amazônia. Integrou o grupo paulista do modernismo, cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez parte.
Sobre a declamadora: Tatiana Fraga é poeta e coordenadora de arte da Casa das Rosas.
4. Leitura da escritora Deborah Goldemberg
Sobre a escritora: Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia e é escritora. Tem diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em coletâneas e jornais. É atuante no movimento literário paulistano e curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Seu primeiro livro, Ressurgência Icamiaba, é uma novela baseada na lenda amazônica das guerreiras Icamiabas, uma neo-lenda multiétnica e transbrasileira. Mantém o blog literário ressurgenciaicamiaba.blogspot.com
SUL E SUDESTE DO PAÍS
Introdução geral aos índios do Sul/Sudeste: Os índios Guarani são naturais do Sul e Sudeste do Brasil, vivendo ao longo do litoral desde o Sul de São Paulo até Santa Catarina. Havia um caminho chamado Pearibu, que os ligava ao Paraguai, aonde viviam seus parentes. Com o avanço da escravidão portuguesa, eles recuaram mais para o Oeste, concentrando-se no Paraguai (Benedito Prezia, 2001). A experiência das Missões Jesuíticas do Século XVII, reduções cristãs criadas nas fronteiras do Brasil com a Argentina e Paraguai, deram margem à uma troca cultural inusitada, pois a arte e a música eram ali altamente valorizadas. Após a destruição das missões, muitos índios foram trazidos para São Paulo como escravos, influindo na cultura mestiça. No início do Século XIX, famílias Guarani começaram a voltar para São Paulo e hoje há três comunidades estabelecidas com cerca de 800 índios vivendo nelas. O Guarani é a língua indígena mais falada no Brasil, com 50 mil falantes. Há 4 dialetos: kaiowá, nhandeva, m’bya e tupi-guarani. No Paraguai, cerca de 3 milhões de pessoas falam o guarani paraguaio.
1. Apresentação dos índios Guarani Nhandeva
Sobre a índia: Poty Porã é professora indígena, estudou na PUC e na Universidade de São Paulo.
Sobre o índio: William Macena é uma liderança indígena e monitor do CECI, Centro Educacional de Cultura Indígena de São Paulo.
2. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe
Sobre o escritor: Olívio Jekupe escreve poesia desde os 15 anos, cursou filosofia na PUC Paraná e na USP. É escritor de diversos livros indígenas e é muito requisitado para palestras sobre a temática, inclusive fora do Brasil. Atualmente vive na Aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo, com sua esposa e quatro filhos.
3. A declamadora Nicole Cristófalo lê o escritor José de Alencar e o poeta Gonçalves Dias.
Sobre o poeta: Gonçalves Dias, 1823-1864 é considerado o poeta nacional por excelência, tendo conseguido dar vida ao tema do índio na poesia brasileira.
Sobre o escritor: José de Alencar, nascido em Fortaleza, viveu o Brasil Imperial do Século XIX no Rio de Janeiro e é o grande nome da prosa romântica brasileira. Sua obra tem uma forte linha indigenista que inclui alguns de seus romances mais famosos, tal como O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1870).
Sobre a declamadora: Nicole Cristofalo é poeta, estudante de Letras da Universidade de São Paulo e colaboradora da revista literária Zunái. Desenvolve uma pesquisa sobre o poeta argentino Oliverio Girondo.
4. O declamador João Pedro Ribeiro relembra o modernismo brasileiro, em parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus.
Sobre o poeta modernista: Oswald de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. É de sua autoria o Manifesto Antropofágico de 1928, que criticava o academicismo da arte brasileira e buscava valorizar a cultura brasileira.
Sobre o poeta modernista: Mário de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. Pesquisador de etnografia e folclore, seu romance Macunaíma reelabora temas da mitologia indígena com visões folclóricas da Amazônia e do resto do Brasil; é considerado uma das obras capitais da narrativa brasileira no Século XX e o fundamento de uma nova linguagem literária.
Sobre o declamador: João Pedro Ribeiro é descendente de índios Kaingang do Rio Grande do Sul e italianos. Atualmente, cursa lingüística na Faculdade de Letras da USP, escreve e é um grande entusiasta da literatura indígena. Os poetas Caco Pontes e Berimba de Jesus do movimento maloqueirista participarão da declamação.
5. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción
Sobre o escritor: Douglas Diegues é escritor, vive na fronteira do Brasil com o Paraguai e escreve numa linguagem que ele auto-denominou como Portunhol Selvagem, misto de português, espanhol e Guarani, inspirada na linguagem que é de fato falada no contexto intercultural do território em que vive. Tem diversos livros publicados, inclusive uma coletânea de poesias Guarani M’Bya, e mantém um blog.
6. Leitura do poeta Pedro Tostes
Sobre o poeta: Pedro Tostes nasceu no Rio de Janeiro e é poeta do movimento paulistano de “Poesia Maloqueirista” Segundo Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, professor da FFLCH-USP, “Os maloqueristas são originais assim: um negro, um branco e um índio; mas não são as três raças tristes, nem pretendem afastar as contribuições da cultura Holandesa no Brasil.” Mantém um blog.
7. O declamador indígena Emerson de Oliveira Souza lê um texto do Pajé Florêncio Portillo de 1993.
Sobre o declamador indígena: Emerson de Oliveira Souza é um índio Guarani Nhandeva, residente em São Paulo.
Sobre o pajé: Pajé Florêncio Portillo é do povo Avá Guarani, ou Guarani Nhandeva. O texto Para Deus somos Todos Iguais foi uma apresentação oral dele para os participantes fizeram no Encontro Nacional de Lideranças Indígenas, em Benjamin Aceval, Paraguai. Diante da diversidade étnica, havida naquele encontro, o pajé Florencio fez uma reflexão sobre a diversidade, que deve encontrar uma unidade em Deus, pai de todos.
Sobre o texto: A tradução do guarani para o espanhol foi feita pelo paraguaio Eri Daniel Rojas e a versão portuguesa foi feita por Benedito Prezia, antropólogo e escritor de diversos livros sobre povos indígenas.
Crédito das fotos: Dede Fedrizzi, fotógrafo, e Alikrim Pataxó, modelo.
Sobre o fotógrafo: Dede Fedrizzi já viveu na Espanha, Grécia, Suiça, Alemanha e os Estados Unidos. Hoje, passa a maior parte do tempo em São Paulo, Brasil. É mestre em Artes Plásticas, pela Universidade de Nova Iorque e tem fotografado publicidade e moda em todo o planeta. www.dedefedrizzi.com
Sobre o modelo: Alikrim Pataxó, reside na Aldeia Olho do Boi, Caraíva, Bahia.
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* Escritora, professora e ativista indígena coordenadora do GRUMIN e Diretora do INBRAPI
· www.grumin.org.br
· www.elianepotiguara.org.br
· www.inbrapi.org.br
Depois da Raposa - Ir. Alberto

O histórico julgamento que manteve a demarcação de forma contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, área de 1,7 milhão de hectares em Roraima, foi apenas o primeiro sobre o reconhecimento de posses indígenas a ser decidido neste ano pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Agência Brasil - 19/04/2009
Ainda em 2009, deverão ser julgadas no plenário da Corte ações sobre a legalidade de títulos de propriedade de imóveis rurais concedidos em área ocupada por índios Kaingang, no Rio Grande do Sul, e na reserva indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, na Bahia.
Em setembro do ano passado, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo referente à Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, no sul da Bahia, que tramita na Justiça há 25 anos. Na área de 54 mil hectares, favorável ao cultivo de cacau, vivem aproximadamente 4,5 mil índios Pataxó Hã-Hã-Hãe e fazendeiros que obtiveram títulos de posse do governo do estado —após já ter sido feita a demarcação como terra indígena pela União, nos anos 30 do século passado..
Antes da suspensão do julgamento pelo pedido de vista, o relator, ministro Eros Grau, votou pela declaração da nulidade de todos os títulos de posse emitidos pelo governo da Bahia aos fazendeiros da área.
Grau citou que tais títulos não teriam validade porque foram expedidos depois da Constituição de 1967, que consagrou as terras ocupadas pelos índios como bens da União, com usufruto exclusivo deles. “A baixa demografia indígena em determinados períodos, na região, não impede o reconhecimento do caráter permanente da posse dos índios”, disse.
O relator ainda acrescentou que, se em algum momento, os índios não estiveram na região foi pelo fato de terem sido expulsos por fazendeiros.
Os Pataxó alegam que “parentes” foram vítimas de assassinatos, sequestros, invasões e ameaças desde que os fazendeiros obtiveram títulos de posse na área.
O processo que trata da disputa por terras entre fazendeiros e índios Kaingang no Rio Grande do Sul voltará ao plenário com um voto-vista da ministra Cármen Lúcia. A ação foi ajuizada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), que pede a declaração de nulidade dos títulos de propriedade de imóveis rurais concedidos pelo governo gaúcho na região em que vivem os índios.
O julgamento da causa começou em maio de 2002 e o relator, ministro Ilmar Galvão (hoje aposentado), votou pela nulidade dos títulos.
O ministro do STF Carlos Ayres Britto que relatou o processo da Raposa Serra Sol crê que a decisão da Corte há um mês, no último dia 19 de março, vai nortear futuros pronunciamentos em causas semelhantes. “Ela vai balizar não por mérito próprio, porque não foi inovação de conteúdo, mas uma reafirmação do que já está na Constituição Federal”, afirmou Britto.
Entre as 19 condições definidas pelo STF no caso Raposa Serra do Sol, uma delas ressalta ser vedada a ampliação da terra indígena já demarcada. Apenas nesta questão, Ayres Britto foi voto vencido, mas ele não descarta que a Corte reveja futuramente este entendimento. Em alguns estados brasileiros, como Mato Grosso do Sul, estudos para novas demarcações estão em curso para garantir a adequada sobrevivência da população indígena..
Britto avalia que o STF consolidou uma posição importante para a reafirmação dos direitos dos povos indígenas no Brasil. “Foi o reconhecimento da dignidade dos índios, de que não há cultura étnica superior ou inferior a outra. A aculturação tem que ser um soma, algo que se ganha, e não algo que se perde. Isso coloca o Brasil na vanguarda mundial da questão indígena.”
A Agência Brasil tentou ouvir dirigentes da Funai sobre as pendências judiciais em relação à demarcação de terras indígenas, mas não conseguiu contatá-los. No STF, há cerca de 170 processos em tramitação referentes a variados assuntos indígenas.
Mundo - OBAMA E A CÚPULA DAS AMÉRICAS por Laerte Braga

O documento final da Cúpula das Américas realizada em Trinidad Tobago é o reflexo das dificuldades da política vaselina do presidente Barak Obama, dos Estados Unidos.
O documento final da Cúpula das Américas realizada em Trinidad Tobago é o reflexo das dificuldades da política vaselina do presidente Barak Obama, dos Estados Unidos. A tentativa de resgatar o controle norte-americano sobre a América Latina, perdido nos desvarios do presidente terrorista George Bush. Novo ídolo da mídia, Obama insiste no mesmo erro da maioria dos governantes supostamente bem intencionados de seu país. Tenta tratar a questão como se fosse problema de caixa. Anunciou a liberação de 100 milhões de dólares para essa parte do mundo. Equivale a mais ou menos 0,28% de todo o dinheiro dado a bancos quebrados na tal crise gerada exatamente pelo sistema financeiro dos EUA e de países da Comunidade Européia.
América Latina continua a não valer nada para os EUA em termos de integração das Américas num plano político e econômico de respeito e compreensão da realidade de cada país latino-americano.
Obama quer gestos de Cuba para prosseguir no diálogo com o governo daquele país. Lula foi claro ao dizer que o norte-americano não deve esperar nenhum gesto do governo cubano, mas deve prosseguir nas conversações, já que o bloqueio contra Cuba foi uma decisão dos EUA e é condenado por todos os governantes da América Latina. Puro exercício de prepotência.
Mais ou menos como alguém dar um tapa em alguém e esperar que o esbofeteado peça desculpas. Isso é que Obama propõe.
Como o mundo hoje é de espetáculos, a impressão que o norte-americano passa é que está ganhando tempo nesses primeiros meses de governo, até achar uma alternativa que lhe permita superar dificuldades internas e colocar em prática políticas efetivas. Em relação a América Latina e ao mundo de um modo geral, passam pela compreensão de uma nova realidade que não passa nem pela vaselina, nem pela areia de Bush.
Não basta o sorriso de Hilary Clinton e nem a “magia” do primeiro negro presidente dos EUA. Pelé também é negro e nem por isso significa ou significou algum avanço na luta dos negros brasileiros e do mundo, à medida que um dia declarou pomposamente que “o povo brasileiro não está preparado para votar”. E como disse Romário, “Pelé seria um gênio completo se fosse mudo.”
Obama não tem a menor percepção da realidade venezuelana sob o governo Chávez, a não ser aquela que lhe passa CIA, que é a mesma que a agência passava ao presidente Bush. E assim a da Nicarágua, a de El Salvador, a da Bolívia, do Equador, do Paraguai, muito menos da brasileira. É só ficar atento ao noticiário da principal rede de comunicação brasileira, a GLOBO, para verificar que a linguagem continua a mesma.
Terrorista para lá, ditador para cá e coisa e tal.
Como a história do “piratas” da Somália. Não existem. Mas cidadãos somalis indignados com a pesca predatória e a utilização de seu litoral, de suas águas territoriais para as grandes nações despejarem lixo nuclear, lixo industrial, lixo hospitalar, como se a Somália fosse lixo.
Falar em gestos voltados para os direitos humanos é ridículo para um país que nos oito anos de Bush violou sistemática e deliberadamente todos os direitos de iraquianos, afegãos, colombianos, de povos africanos, asiáticos, que tentou golpes na Venezuela, na Bolívia, que seqüestrou e construiu prisões secretas, usou e usa navios como prisões sem amparo legal, no país de Guantánamo, centro de terror e tortura.
E cobrar atitudes assim do governo terrorista de Israel?
Uma coisa é o governo, outra coisa é o poder. Obama é o presidente dos EUA. O poder nos EUA não. Basta ler as declarações do presidente sobre a situação no Oriente Médio. Continua sendo parceiro do genocídio praticado por Israel contra o povo palestino. Não mudou nada. Submete-se ao lobby sionista tranquilamente, como antes, no período eleitoral, foi lá e disse que estava às ordens dos senhores.
Como vai tocando o barco Obama dá a sensação de ser um produto que breve estará jogado no canto das prateleiras do supermercado mundial de shows e espetáculos. As mágicas têm um limite. As piruetas para chamar atenção da platéia têm um ponto máximo, se tentar ousar numa espécie de vôo estilizado cai e se esborracha.
Precisa, primeiro, perceber a realidade do mundo nos dias atuais e historicamente compreender que o império norte-americano começou o período de declínio. Obama talvez seja o último César com coroa de louros. E depois dele administradores de massa falida.
O que sua política para a América Latina mostra é isso. Não sabe por onde começar e nem por onde terminar. Quem prestar atenção na foto em que o presidente da Venezuela aparece entregando um livro de Eduardo Galeano ao norte-americano vai perceber que se há sinceridade na expressão de Chávez, há pose de estrela no rosto de Obama.
Corre o risco de acabar numa dessas séries que a tevê dos EUA exporta para o resto do mundo.
Em Trinidad Tobago encontrou uma América Latina diferente. A despeito dos presidentes do Peru, Colômbia e Chile ainda em posição de quatro, o resto dos líderes latinos se mostrou coeso e disposto a um novo tipo de diálogo com o antigo dono.
Não é mais aquele negócio de espelho por ouro. Índio ficou esperto e na Bolívia, por exemplo, elegeu o presidente da República.
É ridículo quando o presidente dos EUA fala que a Venezuela e Cuba devem mostrar mais que palavras, devem mostrar atos.
O que o presidente dos Estados Unidos pensa que é, ou quem pensa que é? O dono que quer enquadrar governos legítimos? Como se para viver seja necessária a aprovação de Washington?
Barak Obama corre o risco de terminar todo esse show debaixo de vaias, pois de sua cartola não estão saindo os coelhos que achou que tivesse.
A sensação que causa é que é só casca. Uma grande jogada de marketing. Parece tucano.
O presidente que pretendia revolucionar o mundo e criar uma nova era, o jovem que foi criado pela avô, negro, de origem muçulmana, não vai a uma conferência da ONU em Genebra sobre racismo. O tom do encontro não agrada ao estado terrorista de Israel e Obama não quer cair em desgraça junto aos sionistas.
Obama pelo andar da carruagem ainda chega ao milésimo gol pedindo pelas criancinhas pobres do mundo. E acaba anunciando o creme dental colgate. O desespero disso é que quem paga o cachê é Homer Simpson.
A Cúpula das Américas deveria ter sido um mea culpa de Obama pelas políticas seculares dos norte-americanos em relação à América Latina. Foi apenas um exercício de arrogância, show de estrela de Hollywood.
Bush gostava de vestir o blusão de couro dos aviadores e fingir que pilotava aviões de guerra – fugiu do serviço militar –. Já Obama é outro departamento. É “luzes, câmeras, ação”. Como vai ser a montagem e a edição do filme não sei. As cenas gravadas até agora dão a sensação que na hora agá Rambo vai ressurgir impávido e colossal, a única linguagem real dos Estados Unidos para o que chama de democracia e direitos humanos.
Ah! O cara ressuscitou a conversa de ALCA. Olho vivo, vão apostar tudo na eleição de José Serra. É um funcionário exemplar e o Brasil é de extrema importância para o show de Obama.
Beiju com moqueado - refeição muito comum nas comunidades indígenas brasileiras - Barbet

Ingredientes
- 100g de goma de mandioca peneirada
- 1 peixe pequeno de sua preferência
- pimenta a gosto
- sal a gosto
Modo de fazer
Coloque a goma em uma panela e leve a panela ao fogo para fazer o beiju. Asse o peixe para fazer o moqueado misturando-o com bastante pimenta e um pouco de sal (os índios socam o tempero em um pilão). O moqueado é o recheio do beiju.
domingo, 19 de abril de 2009
Semana do Índio iniciou com manifestações culturais e de protesto
No Diário da Amazónia: "A Semana dos Povos Indígenas foi aberta com uma solenidade realizada na Câmara Municipal de Cacoal na manhã desta segunda-feira
e teve a presença de autoridades, o prefeito Franco Vialeto, vereadores, lideranças indígenas e representantes de várias etnias, totalizando mais de 200 participantes. A realização do evento foi uma iniciativa dos vereadores Penha Simão e Toninho Masioli, como uma forma de homenagear e discutir questões importantes sobre saúde, direitos e cultura indígena. De acordo com a vereadora, os indígenas são muitas vezes pouco assistidos pelo poder público, e as políticas que poderiam favorecê-los geralmente não são cumpridas. “Estamos debatendo políticas públicas, e promovendo a igualdade para os povos indígenas, que nós sabemos que na maioria das vezes não são cumpridas”, disse."
e teve a presença de autoridades, o prefeito Franco Vialeto, vereadores, lideranças indígenas e representantes de várias etnias, totalizando mais de 200 participantes. A realização do evento foi uma iniciativa dos vereadores Penha Simão e Toninho Masioli, como uma forma de homenagear e discutir questões importantes sobre saúde, direitos e cultura indígena. De acordo com a vereadora, os indígenas são muitas vezes pouco assistidos pelo poder público, e as políticas que poderiam favorecê-los geralmente não são cumpridas. “Estamos debatendo políticas públicas, e promovendo a igualdade para os povos indígenas, que nós sabemos que na maioria das vezes não são cumpridas”, disse."
Funai e Ministérios avaliam Território da Cidadania Indígena do Rio Negro

Em missão de reconhecimento das reais necessidades da população, agentes dos Ministérios de Minas e Energia, da Saúde, do Desenvolvimento Agrário e da Funai realizaram visita técnica às comunidades indígenas do Alto Rio Negro, na tarde desta terça-feira (14).
Os representantes do Governo foram acompanhados por um membro indígena do Colegiado Territorial do Território da Cidadania Indígena do Rio Negro – AM, que abrange uma área de quase 296 mil Km² e é composto pelos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. A população total do território é de 79.435 habitantes e nele estão inseridas 11 terras indígenas.
As informações obtidas durante a visita servirão de subsídio para a Oficina do Colegiado Territorial, de 15 a 17 de abril, na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira. Sob coordenação da Funai, a Oficina pretende avaliar a Matriz de Ações no Território da Cidadania Indígena do Rio Negro no ano de 2008, discutir as prioridades nos Planos e Programas em curso na região e, ao final, propor ações integradas de infra-estrutura, gestão territorial, saúde, saneamento, desenvolvimento social, educação, cultura e organização sustentável da produção. A Prefeitura Municipal de São Gabriel da Cachoeira e a Fundação dos Povos Indígenas do Amazonas (FEPI) também participam das atividades da Oficina, a partir da tarde do dia 15.
Rio Negro
O Governo Federal lançou em 2008 o Programa Territórios da Cidadania, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e universalizar programas básicos de cidadania, por meio de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável, em ações integradas com estados e municípios. No Território da Cidadania Indígena do Rio Negro foram executadas 49 ações de 13 Ministérios no ano de 2008, com a aplicação de R$ 14,5 milhões. A Funai executou R$ 416,5 mil com ações de registro civil de nascimento, construção e reestruturação de casas de cultura indígenas e identificação, regularização e demarcação de terras indígenas em 2008.
Pontos de Cultura atenderão 150 comunidades indígenas até 2010
Como forma de garantir a documentação, divulgação e a valorização da diversidade cultural brasileira a Fundação Nacional do Índio e o Ministério da Cultura anunciaram, ontem (16), no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, a implantação 150 Pontos de Cultura Indígenas. Na primeira etapa serão beneficiadas 30 comunidades indígenas da região amazônica e prevê o investimento de R$ 6,4 milhões em cinco estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso Rondônia e Roraima.
Os outros 60 Pontos de Cultura serão implantados até o fim de 2009, e os 60 restantes até 2010. “Essa é uma ação inédita, que irá potencializar a autonomia e independência das comunidades indígenas”, avaliou o presidente substituto da Funai, Aloysio Guapindaia.
O processo de seleção dos Pontos de Cultura serão discutidos e elaborados de acordo com a realidade de cada etnia, diferente do processo que vem sendo adotado pelo MinC, por meio de edital público para os não-índio.
A adequação dos espaços físicos, a instalação dos equipamentos, a utilização de conexão via satélite e a implantação do kit multimídia é visto como um grande desafio pelo MinC e Funai. “Essa tecnologia garantirá o desenvolvimento sustentável das comunidades que serão beneficiadas,” destacou o Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, Américo Córdula.
Mário Vilela
Os 30 primeiros Pontos de Cultura serão divididos em três pólos: Alto Rio Juruá (Marechal Thaumaturgo – AC), Alto e Médio Rio Negro (São Gabriel da Cachoeira - AM) e Escola dos Professores Indígenas (Rio Branco - AC). As primeiras atividades serão as Rodas de Conversa, principal estratégia da Rede Povos da Floresta para mobilizar, apresentar e validar as iniciativas pensadas junto às lideranças indígenas envolvidas. Após essas atividades junto às comunidades será realizado a adequação do espaço físico e a instalação de equipamentos. A próxima etapa será a capacitação para inclusão digital e audiovisual, em parceria com o Ponto de Cultura Vídeo nas Aldeias, de Olinda. “Essa iniciativa trará visibilidade das ações culturais dos Povos Indígenas e permitirá uma comunicação entre nós e com o mundo inteiro” ressaltou índio Ailton Krenak.
Os outros 60 Pontos de Cultura serão implantados até o fim de 2009, e os 60 restantes até 2010. “Essa é uma ação inédita, que irá potencializar a autonomia e independência das comunidades indígenas”, avaliou o presidente substituto da Funai, Aloysio Guapindaia.
O processo de seleção dos Pontos de Cultura serão discutidos e elaborados de acordo com a realidade de cada etnia, diferente do processo que vem sendo adotado pelo MinC, por meio de edital público para os não-índio.
A adequação dos espaços físicos, a instalação dos equipamentos, a utilização de conexão via satélite e a implantação do kit multimídia é visto como um grande desafio pelo MinC e Funai. “Essa tecnologia garantirá o desenvolvimento sustentável das comunidades que serão beneficiadas,” destacou o Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, Américo Córdula.
Mário Vilela
Os 30 primeiros Pontos de Cultura serão divididos em três pólos: Alto Rio Juruá (Marechal Thaumaturgo – AC), Alto e Médio Rio Negro (São Gabriel da Cachoeira - AM) e Escola dos Professores Indígenas (Rio Branco - AC). As primeiras atividades serão as Rodas de Conversa, principal estratégia da Rede Povos da Floresta para mobilizar, apresentar e validar as iniciativas pensadas junto às lideranças indígenas envolvidas. Após essas atividades junto às comunidades será realizado a adequação do espaço físico e a instalação de equipamentos. A próxima etapa será a capacitação para inclusão digital e audiovisual, em parceria com o Ponto de Cultura Vídeo nas Aldeias, de Olinda. “Essa iniciativa trará visibilidade das ações culturais dos Povos Indígenas e permitirá uma comunicação entre nós e com o mundo inteiro” ressaltou índio Ailton Krenak.
sábado, 18 de abril de 2009
Menina Ianomâmi continua no hospital

Continua no hospital mesmo contra a vontade da tribo e da Funai...
Atendendo pedido do Ministério Público do Amazonas, a Vara da Infância e Juventude de Manaus determinou ontem que uma menina ianomâmi com hidrocefalia, pneumonia e tuberculose continue sendo tratada no Hospital Infantil Dr. Fajardo, contra a vontade da própria tribo e da Funai (Fundação Nacional do Índio).
Os índios e a Funai defendem que a criança --de um 1 ano e 6 meses-- volte à sua aldeia, mesmo sem a alta do hospital. Para os índios, a menina deve ser tratada pela medicina indígena e pela medicina convencional.
A direção do hospital diz que a menina, que está respondendo ao tratamento, pode morrer se isso acontecer. A aldeia fica 639 km ao norte de Manaus.
A mãe da criança recebeu da Funai, na segunda-feira, autorização para remover a menina do hospital com apoio da ONG Secoya (Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami), conveniada da Funasa (Fundação Nacional de Saúde).
Mas, no despacho de ontem, um mandado de intimação, a juíza Carla Reis determinou que a direção do hospital mantenha a criança internada até que ela obtenha alta. O MP foi provocado pelo Conselho Tutelar da Zona Rural de Manaus.
Na terça-feira, dois índios ianomâmis tentaram retirar a criança da enfermaria, segundo a Polícia Federal.
Em nota à imprensa, o administrador da Funai em Manaus, Edgar Fernandes Rodrigues, afirma que em uma maloca ianomâmi as atividades domésticas competem à mulher e que, se ela gerar um filho deficiente, é permitido o infanticídio.
"Gerar um filho defeituoso, que não terá serventia [...], é um grave 'pecado', pois este não poderá cumprir o 'seu destino ancestral", diz a nota.
Rodrigues afirma que a"Funai respeita e acata a decisão da mãe da criança ianomâmi de interromper o tratamento médico de sua filha e levá-la para maloca. Perderemos uma vida, sim, mas temos a certeza de que outra será gerada."
Em entrevista ontem, no entanto, integrantes da ONG Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia), que defendem a remoção da menina do hospital, disseram que não vai haver infanticídio. Segundo eles, as seguidas internações da criança agravaram seu estado de saúde e ela deveria voltar à aldeia, onde seria tratada também por enfermeiros capacitados.
Há uma semana, a mãe da criança arrancou os soros pelos quais a menina se alimenta e tentou impedir que as enfermeiras fizessem o atendimento, diz a direção do hospital. A mãe foi retirada do prédio.
Hidrocefalia
A hidrocefalia é causada pelo aumento anormal do volume de liquor no cérebro, o que pode provocar pressão dele contra o crânio. O quadro pode ser causado por doenças como a tuberculose. O tratamento exige a retirada do líquido do cérebro com o auxílio de uma válvula que transporta o excesso para a região do abdômen ou por meio de um endoscópio.
A neurocirurgiã pediátrica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Nelci Collange afirma que a maioria dos casos envolve crianças e que a demora do tratamento pode provocar um estado de coma. Realizado a tempo, a expectativa de vida não é afetada e a pessoa pode chegar à vida adulta.
Fonte: Folha Online UOL
A bebê ianomâmi deficiente, deve ser entregue aos pais?
A internação de uma índia da etnia ianomâmi em um hospital de Manaus está criando uma crise institucional no Amazonas. Os pais da criança querem retirá-la do hospital e levá-la para a aldeia. Nesta quinta-feira (16), porém, a Justiça Estadual concedeu uma ordem para que a menina, vítima de hidrocefalia (condição na qual há líquido cérebro-espinhal em excesso ao redor do cérebro e da medula espinhal), permaneça no hospital até ter alta. De outro lado, a Fundação Nacional do Índio (Funai) ameaça recorrer da decisão para garantir os direitos dos pais da menina. E em meio a tudo isso está o Conselho Tutelar, que teme que a criança seja sacrificada pelos pais quando retornar à aldeia, como parte de um ritual da etnia.
A criança chegou ao hospital levada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da ONG Serviço e Cooperação com o povo Yanomami (Secoya), que faz serviço de atendimento em saúde para os índios desta etnia.
A crise em torno da menina começou no início desta semana. Na última terça-feira (14), os pais da pequena ianomâmi de um ano e meio de idade foram ao Hospital Infantil Drº Fajardo, em Manaus, para tentar retirá-la do local. Ela está internada desde março com hidrocefalia, pneumonia, tuberculose e desnutrição.
A direção do hospital acionou o Conselho Tutelar que, diante das suspeitas de que a criança seria sacrificada por ser portadora de deficiência física, acionou o Ministério Público Estadual (MPE) pedindo a permanência da criança no hospital. Nesta quinta-feira (16), a juíza Carla Reis, da 2º Vara da Infância e da Juventude, concedeu pedido de providências ordenando que a menina fique onde está até que seu quadro clínico seja considerado satisfatório.
A decisão causou indignação do administrador regional da Funai em Manaus, Edgar Fernandes. "Ela (Justiça Estadual) não tem prerrogativa para julgar esse caso. Questões envolvendo índios têm de ser resolvidas na Justiça Federal. Vamos recorrer ao MPF (Ministério Público Federal) para interceder a favor da família", disse Edgar.
Para a diretora do hospital, Glória Chíxaro, o estado clínico da menina é estável, mas a interrupção de seu tratamento pode leva-la à morte. "O quadro dela, hoje, é estável, mas se for retirada do hospital, seu tratamento será seriamente comprometido e ela pode morrer na aldeia", disse completando que a menina será submetida a uma cirurgia para drenar o líquido de sua cabeça.
Edgar Fernandes discorda do entendimento da diretora e diz que o desejo dos pais da menina de levá-la para sua aldeia é legítimo e amparado pela Constituição Federal. "Os povos indígenas têm direito às suas próprias crenças. Os pais da menina não acreditam mais na medicina ocidental e querem que ela tenha os seus últimos dias na aldeia", explicou.
Para Fábio Menezes, conselheiro tutelar que acompanha o caso, retirar a menina do hospital é sentencia-la à morte. "Na cultura deles, quem tem deficiências deve ser sacrificado. Eles já disseram à Funai que irão fazer isso. A própria Funai já admitiu que isso pode acontecer", disse Menezes.
Ainda de acordo com o documento, para evitar o transtorno de ter um integrante deficiente na aldeia, quando a criança nasce, a mãe realiza um cuidadoso exame e se constatar que a mesma é portadora de deformidade, a mesma é 'descartada'.
Fábio Menezes diz que, apesar da decisão da Justiça Estadual, vai tentar impedir que ela seja levada de volta à aldeia. "Vou tentar uma reanálise do caso. Ela não pode voltar pra lá", disse.
Para o antropólogo Ademir Ramos, o caso mostra, de forma emblemática, o choque entre as culturas indígenas e a ocidental. "O não índio não está discutindo hoje a eutanásia? Essa é uma questão já resolvida para os ianomâmis. Eles precisam de gente saudável na aldeia. Uma criança com deficiência gera uma série de transtornos aos integrantes da tribo", disse o antropólogo.
A juíza Carla Reis defendeu sua decisão ordenando a manutenção da menina no hospital. "Eu estou analisando apenas o fato de ela se tratar de uma criança. Não entrei no mérito de ela ser indígena ou não. Pra mim, ela é apenas uma criança", disse.
A magistrada admite, porém, que a Funai tem argumentos para recorrer de sua decisão. "Se eles quiserem, podem argumentar que a Justiça Estadual não tem autoridade para decidir em casos envolvendo índios. Vai depender deles", disse.
Uma reunião entre Conselho Tutelar, Funai e o Ministério Público Federal (MPF) está sendo realizada na noite desta quinta-feira. O MPF ainda não se manifestou sobre o caso
A criança chegou ao hospital levada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da ONG Serviço e Cooperação com o povo Yanomami (Secoya), que faz serviço de atendimento em saúde para os índios desta etnia.
A crise em torno da menina começou no início desta semana. Na última terça-feira (14), os pais da pequena ianomâmi de um ano e meio de idade foram ao Hospital Infantil Drº Fajardo, em Manaus, para tentar retirá-la do local. Ela está internada desde março com hidrocefalia, pneumonia, tuberculose e desnutrição.
A direção do hospital acionou o Conselho Tutelar que, diante das suspeitas de que a criança seria sacrificada por ser portadora de deficiência física, acionou o Ministério Público Estadual (MPE) pedindo a permanência da criança no hospital. Nesta quinta-feira (16), a juíza Carla Reis, da 2º Vara da Infância e da Juventude, concedeu pedido de providências ordenando que a menina fique onde está até que seu quadro clínico seja considerado satisfatório.
A decisão causou indignação do administrador regional da Funai em Manaus, Edgar Fernandes. "Ela (Justiça Estadual) não tem prerrogativa para julgar esse caso. Questões envolvendo índios têm de ser resolvidas na Justiça Federal. Vamos recorrer ao MPF (Ministério Público Federal) para interceder a favor da família", disse Edgar.
Para a diretora do hospital, Glória Chíxaro, o estado clínico da menina é estável, mas a interrupção de seu tratamento pode leva-la à morte. "O quadro dela, hoje, é estável, mas se for retirada do hospital, seu tratamento será seriamente comprometido e ela pode morrer na aldeia", disse completando que a menina será submetida a uma cirurgia para drenar o líquido de sua cabeça.
Edgar Fernandes discorda do entendimento da diretora e diz que o desejo dos pais da menina de levá-la para sua aldeia é legítimo e amparado pela Constituição Federal. "Os povos indígenas têm direito às suas próprias crenças. Os pais da menina não acreditam mais na medicina ocidental e querem que ela tenha os seus últimos dias na aldeia", explicou.
Para Fábio Menezes, conselheiro tutelar que acompanha o caso, retirar a menina do hospital é sentencia-la à morte. "Na cultura deles, quem tem deficiências deve ser sacrificado. Eles já disseram à Funai que irão fazer isso. A própria Funai já admitiu que isso pode acontecer", disse Menezes.
Ainda de acordo com o documento, para evitar o transtorno de ter um integrante deficiente na aldeia, quando a criança nasce, a mãe realiza um cuidadoso exame e se constatar que a mesma é portadora de deformidade, a mesma é 'descartada'.
Fábio Menezes diz que, apesar da decisão da Justiça Estadual, vai tentar impedir que ela seja levada de volta à aldeia. "Vou tentar uma reanálise do caso. Ela não pode voltar pra lá", disse.
Para o antropólogo Ademir Ramos, o caso mostra, de forma emblemática, o choque entre as culturas indígenas e a ocidental. "O não índio não está discutindo hoje a eutanásia? Essa é uma questão já resolvida para os ianomâmis. Eles precisam de gente saudável na aldeia. Uma criança com deficiência gera uma série de transtornos aos integrantes da tribo", disse o antropólogo.
A juíza Carla Reis defendeu sua decisão ordenando a manutenção da menina no hospital. "Eu estou analisando apenas o fato de ela se tratar de uma criança. Não entrei no mérito de ela ser indígena ou não. Pra mim, ela é apenas uma criança", disse.
A magistrada admite, porém, que a Funai tem argumentos para recorrer de sua decisão. "Se eles quiserem, podem argumentar que a Justiça Estadual não tem autoridade para decidir em casos envolvendo índios. Vai depender deles", disse.
Uma reunião entre Conselho Tutelar, Funai e o Ministério Público Federal (MPF) está sendo realizada na noite desta quinta-feira. O MPF ainda não se manifestou sobre o caso
sexta-feira, 17 de abril de 2009
A CULPA É DO ELEITOR/CIDADÃO – SERÁ? - Laerte Braga
Há algum tempo o escritor e “imortal” João Ubaldo Ribeiro escreveu um artigo publicado no jornal O GLOBO – o escritor publica semanalmente artigos naquele jornal – falando sobre corrupção e dando ênfase à necessidade de mudança de comportamento do cidadão comum. Segundo o autor, essa pequena corrupção, digamos assim, do dia a dia, tipo furar fila, não devolver um eventual troco a mais, seria a razão da grande corrupção. A de Daniel Dantas, por exemplo.
A rigor, a cultura da corrupção nas mínimas coisas, o que se convencionou chamar de “Lei do Gérson”, na malfadada propaganda que o extraordinário jogador fez em tempos bem idos de determinada marca de cigarros.
Nessa medida o deputado Edmar Moreira, um exemplo, seria produto dessa cultura. O senador José Sarney e família seriam resultantes dessa característica. FHC teria passado o trator, como passou, por cima do Brasil e dos brasileiros, com o consentimento tácito do eleitor/cidadão. Nem reagiu e ainda votou.
A atriz Regina Duarte,poucos dias antes da eleição de Lula em 2002, amiga íntima de FHC, instigada pelo então presidente e por seu candidato José Serra, disse à imprensa que tinha medo da eleição de Lula e os riscos, segundo ela, que a democracia poderia vir correr se a vitória do petista se confirmasse.
Um típico apelo eleitoral ao medo do eleitor/cidadão, pelo menos determinada parcela. Pretendeu somar o seu prestígio de atriz de novelas da maior rede de televisão do País, a GLOBO num momento de desespero da candidatura Serra, o jogo do abafa, um minuto para o fim do segundo tempo.
João Ubaldo Ribeiro não estava explicitamente querendo justificar ou livrar a cara de Daniel Dantas, mas estava explicando Daniel Dantas e à época de seu artigo, o chamado “mensalão”, levando em conta que deputados, senadores, os detentores de mandatos eleitorais seriam o resultado do voto do eleitor/cidadão, logo, nada se poderia fazer sem mudanças no comportamento aqui embaixo.
Trata-se de um autor de romances extraordinários. Falo de João Ubaldo Ribeiro. Não lhe confere, no entanto, a condição de oráculo absoluto dos brasileiros. João Ubaldo Ribeiro falou num determinado momento o que sistematicamente falam alguns ao longo dos tempos e com um significado perverso – o de transferir ao cidadão comum o peso da responsabilidade por tantas mazelas em nossa História.
Trotsky dizia que “as massas estão sempre à frente dos dirigentes”. Entre nós Brizola costumava dizer que o “povo vota certo”, que o problema não está no povo, mas no modelo político e econômico que acaba por transformar o certo em errado, ou então em coisa nenhuma. Que na prática é coisa deles, os donos.
Nas eleições de 1970, em plena ditadura militar, o número de votos válidos foi menor que o de brancos e nulos. Já um sinal do descontentamento com o regime militar e que se tornaria explícito nas eleições de 1974, quando partido de oposição obteve uma vitória estrondosa nas eleições legislativas.
FHC atropelou a tudo e todos no projeto de privatização do País, implantação do modelo neoliberal comprando deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição. O primeiro a falar em reeleição foi Collor de Mello. Foi após ser eleito presidente da República em 1989. Falou em reeleição, um mandato e em parlamentarismo a seguir, num projeto de poder de 20 anos. Ia transformar o carro brasileiro que chamou de carroça em carro de verdade. E nem brasileiro é, continua a não ser. O carro ou Collor, tanto faz.
Com o fracasso de Collor, FHC passou a ser o homem de Wall Street para a condução dos “negócios” e a reeleição veio goela abaixo do brasileiro, do cidadão eleitor, fato tornado público, pelo todo poderoso Sérgio Motta, uma espécie de primeiro-ministro de FHC e homem chave na compra dos votos da reeleição.
O segundo mandato de FHC foi obtido depois de manobras as mais variadas para evitar uma disputa eleitoral que colocasse os objetivos em risco (caso da candidatura Itamar Franco pelo PMDB, abortada a tapas e muito dinheiro) e o presidente acabou reeleito com menos de um terço dos votos do eleitorado dito válido.
Em se tratando de democracia, a legitimação da fraude, da impostura e da ilegitimidade. Guardadas as devidas proporções, a reeleição de FHC foi o 1968 da tal democracia. O golpe dentro do golpe do neoliberalismo.
É claro que há uma parcela de responsabilidade do cidadão/eleitor em todo esse processo, mas é mínima diante da realidade. O modelo de sociedade que foi construído no pós-guerra fria (o fim da União Soviética). A chamada globalização. O neoliberalismo, a entronização do deus mercado. Já havia sido eliminado o “diabo” comunista, a URSS e se tornava necessária, rapidamente, a construção da nova sé, agora em New York, em Wall Street.
O povo brasileiro só entrou nesses arranjos todos para pagar as contas.
Era preciso substituir as legiões que tangidas iam pelas ruas gritando “Deus, pátria e família”, por consumidores frenéticos e desvairados na busca do tênis da moda, nos corpos esculpidos em academias, a partir das mentes dominadas por um impressionante poder da mídia concentrada em poucas mãos. As mãos dos sacerdotes do modelo. William Bonner é uma espécie de arcebispo.
A “sociedade do espetáculo” na magistral definição de Guy Débort. A da fama instantânea e com 15 minutos de duração, a visão sarcástica e precisa de Andy Wahrol. O clássico um “dia você aparece na GLOBO, nem que seja ameaçando pular do alto de um prédio qualquer de 20 ou 30 andares”, na ironia de Darcy Ribeiro.
O grande desafio hoje é o da comunicação. Da “fábrica” de robôs em série. Da fantástica capacidade de transformar a irrealidade em realidade e fazer com que se aceite o anormal como normal.
Você é chicoteado e explorado de todas as formas possíveis, mas sorri e assenta-se à mesa do algoz num almoço ou jantar com todos os alaridos de quem vive a normalidade anormal dos dias atuais, sem se dar conta que é apenas uma rês tangida e moída em todo esse processo.
É a percepção clara desse fenômeno que faz com o governador de São Paulo José Serra seja favorito às eleições presidenciais de 2010. Corrupto notório, ligado a grupos mafiosos de seu estado (o mais rico e poderoso da Federação), controlado por grupos internacionais, mas favorito.
Quando se pergunta a um típico cidadão/eleitor a razão de ser da preferência por Serra ele explica sem explicar. “É para mudar”. Mas admite que se tivesse chance preferia um terceiro mandato para Lula. Mudar o que então? Ou vagas explicações sobre “o presidente precisa ser um gerente”, como se o País fosse uma agência bancária, ou uma revendedora de automóveis.
A absoluta falta de formação mínima nos fundamentos míseros da participação popular. Mas a totalidade preenchida pelos BBB da vida e a preocupação em saber que a televisão está funcionando a contento e os comerciais estão garantidos. E toda engrenagem montada para vender esse aparato, o modelo, para fazer crer que um sujeito sem nenhum princípio ou caráter como José Serra venha a ser um “bom gerente”.
Se espremer um pouco e buscar informações do cidadão/eleitor sobre o governo de Serra em São Paulo, ele não tem a menor idéia. Foi lhe plantado um chip para que simplesmente aceite José Serra como sendo o melhor.
É só uma repetição piorada de FHC. É só uma retomada do processo de venda e entrega do Brasil.
É de fato um gerente. Mas dos “homi”, dos lá de fora.
O desafio da comunicação passa pela tarefa hercúlea de formação e conscientização popular. Quando ACM Neto, vocação de títere e coronel político, espinafra um senador como Heráclito Fortes por ter permitido a votação de um projeto que proíbe a políticos serem detentores de concessões de emissoras de rádio e tevê, ele está apenas defendendo interesses político e econômicos do que representa. É dono de rádios e tevês em seu estado. E o mais importante, sabe o peso da comunicação no processo de perpetuação desse modelo.
Vende as notícias ao seu feitio, ao feitio de seus interesses. Molda as massas segundo suas conveniências. Cria a imagem do coronel bonzinho que substitui o chicote pelas cestas básicas. Forma legiões de zumbis que se acreditam cidadãos. Que se vestem e comem do que os doadores de sua campanha eleitoral querem que seja vestido e comido.
É um modelo que se replica por todo o País.
É preciso apagar a memória e a mídia cumpre esse papel com perfeição. É preciso desqualificar os eventuais opositores e a mídia se presta a esse papel com perfeição. É só olhar o que está acontecendo com o delegado Protógenes Queiroz. Prendeu um banqueiro e ele o juiz que condenou o criminoso correm riscos. O banqueiro não. Tem o controle do Congresso, da dita suprema corte e encurralou o presidente da República. Só corrupção? A corrupção é conseqüência disso. O banqueiro que é amigo e parceiro do favorito José Serra, tem mais de mil concessões para explorar o subsolo brasileiro. Quer dizer, vender, entregar.
São os “negócios”.
E aqui embaixo, o pobre coitado, responsabilizado por todos os males que afligem o Brasil não tem a menor idéia que o sapato que usa e segundo a tevê é a moda suprema – aquele negócio de uniforme, todo mundo com o mesmo sapato na rua – é produto de trabalho escravo na Índia. Ou na Indonésia. Ou no Timor. Ou no Brasil.
É isso aí, patriotismo acendrado com havaianas nos pés. Chega com a bandeirinha do Brasil para inflar o peito de cada um de um orgulho nacional que é gerido e comandado pelos de fora.
Se der zebra para eles, Ermírio de Moraes, que é amigo do peito de Serra, como de FHC vai correndo no BNDES, pega o dinheiro do FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR e vende uma parte do seu banco para o governo. E depois sai desmatando de forma inconseqüente, matando sob o manto da lei e garantido pelas instituições e pela mídia. Gera progresso, traz “empregos”.
Furar fila a gente resolve por aqui mesmo. Uns gritos e uns xingamentos sadios, o furão volta logo para o devido lugar. Furar o bloqueio da mídia, principal braço do poder para a dominação, esse é o desafio.
Enquanto existir quem acredite que a FOLHA DE SÃO PAULO ou VEJA sejam veículos de comunicação e não jornal e revista de propaganda e venda a serviço dos donos, de gente como Dantas, vai ser difícil romper essa barreira e vai continuar sendo fácil atribuir a culpa ao eleitor/cidadão.
É inclusive uma forma de amesquinhar cada vez mais o eleitor/cidadão. “Vê tudo isso? O culpado é você com seu voto”. Como castigo trabalha o dobro, ou perde o emprego, ou aceita as regras do jogo e prega no vidro traseiro do carro aquela velha e surrada frase “hei de vencer”.
É dessa forma que é possível transformar um pilantra de alto coturno como José Serra em favorito nas eleições presidenciais de 2010. Mais ou menos o Brasil se lasca de vez se esse favoritismo se confirmar.
Uma das manchetes do portal G1 – GLOBO – quarta-feira, dia 15 de abril, lido por milhões de pessoas, é que Juliana Paes confirma o seu bom humor rindo com um amigo enquanto se preparava para embarcar num vôo no Aeroporto Santos Dumont. Sorria, seja bem humorado.
Outra, era a de fiscais – boçais – de uma empresa que presta serviços ao governo do estado do Rio, a SUPER-VIA. Cuida dos trens urbanos. Os ditos fiscais, em meio um problema no desembarque de passageiros – a manada – chicotearam, chutaram, cuspiram em trabalhadores e trabalhadoras, às 6h20m. Recebem do governo para prestar um serviço público, em contratos fraudados para todos ganharem, inclusive os do governo estadual e a culpa é dos moradores das favelas. Vai daí, Sérgio Cabral enche o Rio de muros para evitar que os pobres desçam dos morros e “contaminem” os iluminados.
É a tal tolerância zero. Quem não aceita o grilhão e sorri à mesa com o algoz se dana. E ainda leva a culpa.
Uma das preocupações da Constituição de 1988 foi a de devolver ao Município o papel de célula básica no edifício institucional. Autonomia no que diz respeito à cidade. As grandes empresas hoje se valem de armadilhas contidas na lei para varrer do mapa as cidades e por extensão o cidadão. As contradições jurídicas que retiram do cidadão/eleitor o direito de decidir sobre questões de extrema importância, caso do meio-ambiente.
É nesse cipoal todo que Serra vai galgando os degraus da “empresa” para ser o “gerente.”
O cidadão/eleitor é só um cordeiro que se imagina inserido no processo quando consegue comprar nas Casas Bahia pelo milagre do crédito e dos juros extorsivos. Que imagina um dia virar sub-gerente.
O modelo é esse. Ração de “progresso” e tecnologia para o gáudio dos donos.
Vem em pacotes de troque a vida pelo medo e ande pelas ruas sem brilho e sem luz, mas cumpra os seus deveres. Aceite o algoz, junte-se a ele e imagine-se gente. É o que fazem.
E ainda acham quem nos transforme a todos em culpados. Aí, chame o Edir. Falo do Macedo, ele ajuda e está sempre disposto a um torneio qualquer de sinuca e uma bola a mais é sempre uma bola a mais. Zumbi do mundo real. O ideal é o sorriso Juliana Paes. Passeie com ele e pronto.
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