quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Saramago volta a atacar a Bíblia e seu Deus - Barbet


LISBOA, Portugal (AFP) - O escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998, voltou a arremeter contra a Bíblia nesta quarta-feira, criticando sua "violência" e seu Deus, "que é uma pessoa ruim", reavivando a polêmica levantada por seus comentários por ocasião do lançamento de seu novo livro, "Caim".
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O romancista português, conhecido por suas posições de esquerda e seu gosto pela provocação, disse no domingo que a Bíblia é um "manual de maus costumes". Seu mais recente livro conta, com bastante ironia, a história de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel.

Suas declarações irritaram membros da Igreja Católica, que o acusou de ter ofendido os católicos e de fazer uma "operação publicitária".


O Prêmio Nobel, no entanto, voltou a falar nesta quarta-feira.


"O Deus da Bíblia é vingativo, rancoroso, má pessoa e não é confiável", declarou Saramago, de 86 anos.


"Na Bíblia há crueldade, incestos, violência de todo tipo, carnificinas. Isso não pode ser desmentido; mas bastou que eu o dissesse para suscitar esta polêmica", ressaltou.


"Há incompreensões, já sabemos que sim, resistências, também sabemos que sim, ódios antigos", disse Saramago, durante uma entrevista coletiva perto de Lisboa.


"Sou uma pessoa que gera anticorpos em muita gente, mas não ligo. Continuo fazendo meu trabalho".


E voltou suas baterias contra a Igreja.


"O que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que diga à pessoa que aquilo não é assim, que é preciso fazer uma interpretação simbólica, e a isto chamam exegese", estimou.


Mas, continuou, "o direito de refletir sobre isso de de todos nós", e denunciou "a intolerância das religiões organizadas".


"Às vezes dizem que sou valente. Talvez seja valente porque hoje não há Inquisição. Se houvesse, talvez não teria escrito este livro. Me apóio na liberdade de expressão para poder escrever", ponderou o escritor, que diz estar preparando um novo livro para o ano que vem sobre um tema completamente diferente.


"Espero que não seja tão polêmico. No ando atrás das polêmicas. Tenho convicções e as expresso", concluiu o autor de "Ensaio sobre a cegueira.


Lançamento da Latino-americana mundial 2010 “SALVEMO-NOS COM O PLANETA” com Dom José Maria Pires, Dom Marcelo Barros, Promotor Marcelo G - V. Caixe


Convite Latino Americana 2010.
O Grupo Solidário São Domingos e a Editora
Ave-Maria convidam para a
Celebração anual com
Dom José Maria Pires, Dom Marcelo Barros, Promotor Marcelo Goulart,
Campanha por um Brasil Livre dos Transgênicos, Escola Latino-Americana
de Agroecologia, Associação dos Quilombos do Vale do Ribeira,
a cineasta Sara Vitória... e você!
Dia 24 de outubro, sábado, às 10 horas, no SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141 – SP (próximo à estação Ana Rosa do Metrô).
Retirada de ingressos a partir das 9 horas do dia 24 de outubro
na Central de Atendimento do SESC Vila Mariana.
Será permitida a entrada até a lotação de 608 lugares.
Lançamento da
Latino-americana mundial 2010
“SALVEMO-NOS COM O PLANETA”
18a celebração anual
Dia 24 de outubro, sábado, às 10 horas, no SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141 – SP (próximo à estação Ana Rosa do Metrô).
Retirada de ingressos a partir das 9 horas do dia 24 de outubro
na Central de Atendimento do SESC Vila Mariana.
Peça a Latino-americana 2010 pelo telefone 0800 7730 456
ou acesse o site www.avemaria.com.br
Apresentação Cultural:
Sucatas Ambulantes
Convite Latino Americana 2010.indd 2 19/9/2009 10:35:17

[Carta O BERRO] SHERLOCKS ON THE ROCKS NAS DIRETAS JÁ - José Arrabal e Reinaldo Seriacopi - Vanderley Caixe


Conto com sua presença na agitada festa
de lançamento do divertido livro
SHERLOCKS ON THE ROCKS
NAS DIRETAS JÁ
[ José Arrabal e Reinaldo Seriacopi ],
publicação da Editora Manole – Selo Amarilys.
Será sábado à tarde, dia 24, desde as 15 horas,
na galeria da Avenida Paulista, 509,
Livraria Martins Fontes, pertinho
da Estação Brigadeiro do Metrô!
Traga seus amigos, mais toda a familia.
Avise a toda gente! Espalhe esta notícia!
Será festa de arromba!
Depende de você
e de quem vem contigo!

MAS...

QUE SHERLOCK

É ESSE QUE CHEGA

NESSE LIVRO ?

VALE AQUI CONTAR

UM POUCO DA AVENTURA...

...eis que de repente os mafiosos de sempre
decidem transferir a outros mafiosos
um falso trio elétrico
com pedras preciosas contrabandeadas.
Foi o que aconteceu no dia, hora e vez
do grande comício pelas Diretas-Já,
na Praça da Sé, centro de São Paulo.
Faz tempo, com certeza:
nos lembra a ficção, confirma a realidade.
Estava armado o circo do vasto pandemônio!
Mas... nem tudo é tão simples
na sátira da história, essa parafernália
cheia de mistérios, enigmas, suspeitas,
investigação plena de suspense,
humor, crime e bandidos da vida nacional
de onde não escapa nem mesmo
o cineasta Alfred Hitchcock:
Sherlocks on the rocks!


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Salvar o Planeta. É agora ou agora! - Barbet

Segundo o portal do Estadão, nesta segunda-feira, dia 19, a petição do Greenpeace cobrando do governo brasileiros metas ousadas para levar para a Convenção do Clima que acontecerá em dezembro, em Copenhage, atingiu o topo dos assuntos mais comentados referentes ao presidente Lula no Twitter. A petição, até agora, foi assinada foi assinada por quase 42 mil pessoas on line. Clique aqui para assiná-la. As assinaturas coletadas nas ruas de oito capitais brasileiras ainda estão sendo contabilizadas. Na última parcial, já eram mais de 30 mil. O número final tem tudo para ficar em torno de 40 mil.

QUEM É A IGREJA CATOLICA? - Bismarck Frota de Xerez


Recebi este texto abaixo e o repasso para provocar reflexão.
"Fidelidade à Igreja? SIM! Mas a qual delas? À da Cristandade, até Pio XII? À de João XXII e do Concílio Vaticano II, de Medellin, Puebla, Opção pelos pobres, Cebs? Ou à de João Paulo II, Opus Dei, Chiara Lubich, Bento XVI, Lefèbvre, Carismáticos, Neo-Catecumenais, Evangelização 2000, etc...? Será que estamos falando da mesma Igreja?
Será que, hoje, ainda se pode falar, teológica e historicamente de Igreja, de maneira unívoca, não ambígua ou polissêmica?"

[Carta O BERRO] Artigos e entrevistas do final de semana,sobre a conjuntura agraria e ambiental. 19 de outubro - Vanderley Caixe

O ESTADO DE S. PAULO, domingo, 18 de outubro de 2009
Um sinal verde para o campo
Políticas fundiárias que atravessem o séc. 21 terão de plantar e semear o tema da sustentabilidade]
Marcelo Pedroso Goulart* - promotor publico, em Ribeirao preto, SP

O padrão de produção agrícola hegemônico no Brasil descende da 2ª Revolução Agrícola e baseia-se no tripé latifúndio, monocultura e agroquímica. Causa graves impactos socioambientais: a redução da biodiversidade pelo desflorestamento para a implantação da monocultura, a contaminação das águas e do solo por meio do uso excessivo de agrotóxicos, o uso intensivo de água, a compactação do solo em razão do tráfego de máquinas pesadas, o assoreamento dos corpos d"água devido à erosão do solo em áreas de renovação de lavoura, o lançamento de gases tóxicos e materiais particulados na atmosfera durante a queima de pastos, de florestas e da palha da cana-de-açúcar, a pressão sobre os cerrados e as florestas tropicais decorrentes da expansão forçada da fronteira agrícola para a produção de alimentos, a superexploração do trabalho, desemprego, intensa migração nos períodos de safra, êxodo rural, aumento dos conflitos fundiários e uma urbanização caótica. Concentra a propriedade da terra, com a incorporação dos pequenos e médios imóveis rurais pela grande empresa agrícola monocultora. E, ao concentrar propriedade, também concentra renda, riqueza e poder político.

Os beneficiários desse modelo predatório de agricultura determinam a pauta dos centros de difusão ideológica, produzindo uma espécie de pensamento único para o campo. É um modelo que não se coaduna com as sociedades democráticas: por isso é preciso mudá-lo. As forças sociais progressistas exigem uma agricultura sustentável que seja ecologicamente equilibrada, economicamente viável, socialmente justa e culturalmente apropriada. O novo modelo pressupõe a diversificação de culturas, a utilização racional dos recursos naturais e a mínima produção de impactos prejudiciais ao ambiente. Deve proporcionar retornos econômicos ao produtor, amoldar-se às características históricas e culturais do povo e garantir soberania e segurança alimentar, contribuindo para a erradicação da pobreza.

A implementação desse padrão de produção agrícola passa necessariamente pela mudança da estrutura fundiária, com a desapropriação dos grandes imóveis rurais que não cumprem sua função social. Impõe, portanto, a execução de uma política de reforma agrária séria e consequente.

A base jurídica dessa política está na Constituição Federal, que proclamou o direito fundamental à propriedade, a garantir a universalização do acesso à terra. Mais: nossa Lei Maior condiciona a proteção jurídica da relação de propriedade e da posse ao cumprimento da função social. Isso quer dizer que sobre a relação de propriedade incide o interesse de proteção do sujeito-proprietário, mas também incide o interesse difuso da sociedade em obter benefícios sociais decorrentes do cumprimento da função social.

A função social do imóvel rural é constituída por elementos de natureza econômica (aproveitamento racional e adequado), ambiental (utilização adequada dos recursos naturais e preservação do meio ambiente) e social (observância das normas que regulam as relações de trabalho e exploração que favoreça o bem-estar dos trabalhadores). A relação de propriedade que tenha por objeto o imóvel rural deve garantir, no seu desenvolvimento, a observância simultânea de todos os seus elementos, sob pena de, desatendendo a um deles, descumprir a função social, deslegitimar-se politicamente e perder a proteção jurídica. Por isso, o grande imóvel rural que não está cumprindo a função social é suscetível de desapropriação para fins de reforma agrária. Ainda que a produtividade, do ponto de vista estritamente econômico, esteja presente, o imóvel rural poderá ser desapropriado se descumprido um dos demais requisitos caracterizadores da função social.

Em tempos de aquecimento global e de riscos concretos de destruição do planeta, a temática ecológica apresenta-se como fator determinante das políticas agrícola e agrária e, portanto, deve orientar com primazia a avaliação do cumprimento da função social do imóvel rural. A degradação ambiental - seja ela provocada pelo mau uso dos recursos naturais ou pela não preservação do meio ambiente - produz evidentes prejuízos ao aproveitamento racional e adequado da terra. Há, portanto, vinculação entre os elementos econômico e ambiental da função social, sendo impossível dissociá-los.

Inicia-se neste país um movimento promissor que busca as desapropriações para fins de reforma agrária dos imóveis rurais que apresentam elevado passivo ambiental. Partindo dessa premissa e no diálogo entre a luta social e atuação institucional, estão em fase de implantação, em áreas desapropriadas da região de Ribeirão Preto, SP, assentamentos de novo tipo cujas bases são construídas democraticamente entre assentados, Incra e Ministério Público e consolidadas em planos de desenvolvimento sustentável e compromissos de ajustamento de conduta que, entre outras coisas, preveem: o tratamento conjunto dos fatores econômico, sociocultural e ambiental, a organização coletiva e cooperada da produção em sistemas agroecológicos, o controle biológico de pragas e doenças, a produção orgânica de alimentos, a destinação de 35% da área total do imóvel para reserva legal, a recomposição arbórea das áreas ambientalmente protegidas e medidas protetivas da área de afloramento e recarga do Aquífero Guarani.

Uma reforma agrária determinada pelo fator ambiental é o paradigma que se apresenta para o século 21. É preciso que o governo cumpra sua parte, destinando recursos para sua efetiva implementação.



*Promotor de Justiça no Estado de São Paulo e ex-presidente do Movimento do Ministério Público Democrático

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Entrevista – Carta Capital – João Pedro Stedile/MST – 17/10



Entrevista concedida por correio eletrônico por João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST, à repórter Cynara Menezes, da Revista Carta Capital. A entrevista foi publicada editada na edição desta semana da revista. Abaixo, a versão integral das respostas.



1. Como o sr. avalia a ação do MST na fazenda Cutrale? Foi um desastre ou um sucesso?



A Cutrale comprou de um grileiro uma área que pertence à União. Havia um processo do Incra de reintegração de posse na Justiça, que ainda está em julgamento. Há na região mais de 200 mil hectares grilados por empresas, algumas das elites paulistanas. O Incra já recuperou cerca de 20 mil hectares fez assentamentos. Os companheiros de São Paulo ocuparam a fazenda para denunciar e acelerar a resolução dessa situação. A destruição dos pés de laranja foi um erro. Porque isso deu margem para que o serviço de inteligência da PM, articulado com a Globo, se demonizasse o MST. Depois que a Cutrale começou a monopolizar o comércio de laranjas em São Paulo, milhares de pequenos e médios agricultores tiveram que destruir de 1996 a 2006 cerca de 280 mil hectares de laranjais no estado. Mas a Globo e o helicóptero da PM não se importaram. Quanto às imagens de depredação e furto, é mentira! As famílias não fizeram nada daquilo. Foi uma armação entre a Policia e Cutrale depois da saída das famílias. Em seguida, chamaram a imprensa. Desafiamos organizarem uma comissão independente para investigar quem desmontou os tratores e quem entrou nas casas dos empregados.



2..O MST fala que não faz parte dos procedimentos do movimento a depredação de patrimônio, mas há três semanas depredou o prédio do INCRA em Porto Alegre... Como isso se explica?



Somos contra esse tipo de prática. E só ocorre quando tem infiltração ou é feito pelos serviços de inteligência. Ou por desespero. Lá em Porto Alegre aconteceu a mesma coisa. Os ocupantes saíram do prédio e limparam as instalações. Concentraram-se no pátio para fazer uma Assembléia. Nesse período, o serviço de inteligência da Brigada Militar fez o serviço de depredar as salas. Aí chamaram a imprensa. Chegaram a roubar um caderno de um militante, com anotações pessoais e depois entregaram para Zero Hora. A Brigada militar tem uma tradição de infiltração no movimento, que vem desde a Encruzilhada Natalino, reconhecido pelo próprio coronel Cerutti, hoje aposentado, que se orgulha de ter se infiltrado naquele acampamento.



3. O sr. não acha que, após enterrar uma tentativa de CPI há poucos dias, a ação na Cutrale não aconteceu em um momento no mínimo inconveniente para o movimento?



Os ruralistas e os que são contra a Reforma Agrária manipulariam qualquer atividade que o MST fizesse para tentar ressuscitar a CPI. Tanto é que as imagens foram gravadas pela PM uma semana antes de ir para o ar. Somente utilizaram quando havia um clima político. A CPI está na verdade no centro da disputa entre dois modelos para agricultura. E está sendo utilizada pelos reacionários ruralistas para conturbar o cenário eleitoral. Eles esperam com a CPI constranger o governo e condicionar as próximas candidaturas a não apoiar a Reforma Agrária. O deputado Caiado foi claro quando disse que o objetivo da CPI era impedir que o governo repassasse dinheiro para o MST fazer campanha para Dilma. Essa afirmação seria ridícula se não partisse de mente tão insana, que durante anos organizou a UDR para esparramar a violência no campo, em nome da defesa da propriedade e da tradição.



4. O Sr. não acha que ações como essa desfavorecem a imagem do MST?



As manipulações que são feitas pelas televisões e grandes jornais claro que afetam a imagem do Movimento. E é justamente esse o objetivo deles: tentar desmoralizar os que lutam por mudanças sociais e pela Reforma Agrária. Eles usam a imprensa para manter seus privilégios, manter a concentração da propriedade e o atual status quo. Não é por nada que, embora o Brasil seja a 9ª economia do mundo em produção de riquezas, está em 75º lugar em indicadores de condições de vida da população. É a 7ª pior sociedade em desigualdade social. Esse é o papel de uma imprensa também concentrada em sete grupos. Eles sabem que, para uma sociedade ser democrática, é necessário democratizar a terra, os meios de comunicação e o Poder Judiciário. Por isso, nos atacam tanto, assim como atacam todos que fizeram e fazem luta social no Brasil.



5. Quem apóia o MST hoje? Me parece que o movimento está com pouco suporte na sociedade atualmente, não?



O MST tem um amplo apoio dos trabalhadores e da imensa maioria da população brasileira. Tem apoio da intelectualidade esclarecida e das igrejas. Acabam de fazer um manifesto com mais de 3 mil personalidades, juristas e intelectuais em nosso apoio. A mídia e os 5% mais ricos nos odeiam. Mas isso é natural, faz parte do seu poder.



6; Quantas famílias de acampados ainda há no país?



Há em torno de 100 mil famílias acampadas em todo o país. Algumas há mais de seis anos, como essas que ocuparam a Cutrale.



7. O MST teme uma CPI ou não há o que esconder?



O MST não teme a CPI. Mas estranhamos tanta perseguição contra nós. Depois que o Lula chegou ao governo, já fizeram duas CPIs que nos investigaram. E nada comprovaram. Por que não fazem uma CPI para analisar os mais de R$ 200 milhões recebidos, por exemplo, pela entidade Alfabetização Solidária dos tucanos? Por que não fazem uma CPI para ver aonde foi R$ 1 bilhão que as entidades patronais dos latifundiários receberam nos últimos anos. Por que não analisam como são gastas as verbas publicitárias dos governos estaduais? Por que não fazem CPI para analisar as causas dos verdadeiros problemas do povo, como a violência nas cidades, a falta de escola, o baixo nível do ensino, o déficit de 10 milhões de moradias, a falta de emprego, as contas em paraísos fiscais das empresas. Por que não analisam os efeitos perversos da Lei Kandir para os estados produtores primários?



Destruir pé de laranja é crime, atirar em índio, não

Por Leonardo Sakamoto

Sempre defendi neste espaço a ocupação de terras improdutivas, irregulares ou que são usadas para a exploração da dignidade alheia como instrumento de pressão popular. Quem acha que a propriedade privada está acima de qualquer coisa, procure outro blog. Mas em um momento em que coiotes no Congresso Nacional tentam criar uma CPI contra o MST para, entre outros objetivos, barrar a atualização dos índices de produtividade (o que faria com que as terras usadas para especulação fossem desapropriadas, tendo uma melhor destinação) dar munição aos conservadores da imprensa e aos caninos-congressistas soa fora de hora e desnecessário.
Porque quem tem acesso à opinião pública não vai ficar preocupado em se debruçar sobre os crimes cometidos pela empresa em questão e sim em colocar na mesa mais uma justificativa, ainda que infundada, para criticar a luta pela reforma agrária. As imagens dos pés de laranja derrubados têm ecoado na mídia da mesma forma que as mudas de eucalipto retiradas em uma ação do MST, anos atrás, no Rio Grande do Sul. Por mais que as presenças de ambas as plantações sejam irregulares, é difícil explicar para a maioria da população que a laranja, que é comida, teve culpa na história.

Agora, considerado isso, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e o presidente do Incra, Rolf Hackbart, se disseram chocados com a “grotesca” e “injustificável” ação. Não me lembro dos dois funcionários públicos usarem os mesmos termos para tratar da situação dos guaranis kaiowás no Mato Grosso do Sul, que no último mês sofreram ataques, tiveram acampamentos incendiados e foram baleados por proprietários rurais e seus capangas na região – mais um capítulo de uma longa história de negação de direitos. O mais interessante é que o próprio Incra considera a terra grilada, luta na justiça para recuperá-la e ninguém fala nada.

Dois pesos, duas medidas. Comportamento este também compartilhado por parte da imprensa. Destruir pés de laranja é crime inafiançavel, atirar em índio, não. De repente dá até medalha.

JORNAL DO BRASIL
ENTREVISTA CONCEDIDA POR JOAO PEDRO STEDILE, COORDENAÇÃO NACIONAL DO MST
Publicada em 18/10/2009 - veja em http://www.linearclipping.com.br/conab/m_stca_detalhe_noticia.asp?cd_sistema=26&cd_noticia=911664

1- O governo deve tomar uma decisão em breve sobre os novos índices de produtividade para as grandes propriedades rurais. Que impacto a mudança pode provocar na estrutura fundiária?

O impacto é pequeno. Mesmo assim, os latifundiários, o agronegócio e a mídia conservadora não admitem que se cumpra a Lei agrária, que determina a atualização regular dos índices de produtividade. Os dados utilizados atualmente são de 1975. Por que eles têm tanto medo? Fora isso, não basta apenas atualização dos índices para fazer a Reforma Agrária. É preciso mudar o modelo agrícola e cumprir a Constituição, que determina que sejam desapropriadas as grandes áreas que não tem função social e não cumprem a lei trabalhista, agridam o ambiente e estejam abaixo da média da produtividade. O censo do IBGE concluiu que temos menos de 15 mil latifundiários com áreas maiores de 2.500 hectares, com um total de 98 milhões de hectares. É muita terra nas mãos de pouca gente, que nem mora no campo.

2- O MST está confiante numa decisão favorável à revisão dos índices, ou há o receio de que o governo recue do compromisso assumido? Como o senhor imagina que o governo vai administrar a resistência do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes?

Quando o governo fez o anúncio da atualização dos índices, já sabia da reação dos setores conservadores e da posição do ministro do agronegócio. Não é uma surpresa. Quem ganhou a eleição foi o Lula, não o ministro. Não acreditamos que o governo volte atrás. A mudança dos índices é uma reivindicação dos camponeses e dos setores progressistas da sociedade. Somente com a força do apoio popular ao governo Lula poderão ser modificados. E estamos atentos e vamos voltar às ruas para denunciar a ofensiva do latifúndio e garantir a atualização dos índices.

3- De que maneira o fato do governo oscilar politicamente entre o agronegócio e a agricultura familiar afeta as ações do MST? E como o senhor resumiria a visão que o MST tem hoje do que foram esses sete anos de governo Lula? Qual é o aspecto mais positivo e qual o mais negativo?

Infelizmente, o governo não fez a Reforma Agrária e perdemos mais uma oportunidade histórica. O censo agropecuário demonstra que aumentou a concentração de terras no Brasil, que é líder nesse vergonhoso ranking mundial. Temos famílias acampadas há seis anos. O governo é de composição de interesses, sob hegemonia dos bancos, das transnacionais e do agronegócio. A agricultura familiar e camponesa é mais eficiente, produz alimentos em menor área, gera mais empregos, embora receba menos recursos do que o agronegócio.

A repercussão da destruição de parte do lar anjal na área ocupada pela Cutrale e a conjuntura podem impor alguma mudança de tática do MST? O movimento repetiria ou manteria a decisão as ações nas mãos de quem está no local?

A repercussão foi negativa. Foi uma manipulação midiática e ideológica, a partir de uma atitude desesperada das famílias acampadas. Viver em um acampamento por anos e anos leva a uma situação limite. Há muitos vandalismos que o agronegócio e o latifúndio cometem que são consentidos pela mídia. Não podemos aceitar o vandalismo do agronegócio de usar 713 milhões de litros de venenos agrícolas por ano, que degradam o ambiente, envenenam as águas e os alimentos. Depois de diversas ocupações na fazenda da Cutrale, conseguimos denunciar que a maior empresa do setor de suco de laranja do mundo usa um artifício arcaico da grilagem de terras. Por conta do monopólio da Cutrale no comércio de suco e da imposição dos preços, agricultores que plantam laranjas foram obrigados a destruir entre 1996 a 2006 cerca de 280 mil hectares de laranjais.

A ação contribuiu para aumentar o apoio de parlamentares à CPI do MST? Como o movimento reagirá à sua possível instalação? O senhor teria algum problema para comparecer ao Congresso e prestar esclarecimentos?

Essa CPI é contra o MST. A Rede Globo forjou um escândalo contra a Reforma Agrária. As imagens foram utilizadas pela direta, pela bancada ruralista e pela mídia para desgastar o MST e forçar uma CPI que já tinha sido derrotada. Já foram criadas as CPI da Terra e das Ongs contra o nosso movimento, com investigações exaustivas sobre os temas requentados atualmente. Podemos prestar todo e qualquer esclarecimento. Já existem instituições que fazem o controle dos convênios do governo com entidades da Reforma Agrária, como o CGU, TCU e o MP. Esses parlamentares não confiam nesses órgãos? O tanto de CPI instaladas no último período levaram esse instrumento importante a uma banalização. A CPI contra o MST, por exemplo, tem motivação eleitoral. O demo Roberto Caiado, que é fundador da UDR, confessou que o verdadeiro o objetivo da CPI é comprovar que o governo repassa dinheiro para o MST fazer campanha para a Dilma. Essa afirmação é no mínimo ridícula para qualquer sujeito bem informado, se não viesse de uma mente improdutiva e reacionária como todo latifúndio.

Qual a relação que o MST mantém com as ONGs que receberam verbas do governo e são apontadas como entidades de fachada do movimento?

As entidades da Reforma Agrária atuam em assentamentos do MST e de outros movimentos sociais e sindicais, prestam serviços nas áreas de produção agrícola, assistência técnica e educação. Contratam professores e agrônomos para atuar nos assentamentos. Fazem o papel que deveria ser do Estado. O Estado foi dilapidado pelo governo FHC, que inventou essa história de convênios com Ongs. Nós sempre defendemos que o Estado retome os serviços de natureza pública, tanto nos assentamentos como em todo país. Nunca utilizamos dinheiro público para fazer ocupação de terra. Os inimigos da reforma agrária atacam essas entidades porque querem que os assentamentos dêem errado. Se estão preocupados com o dinheiro público, por que não fazem investigações sobre os recursos destinados aos empresários do sistema S, do SENAR e SESCOOP? E essas feiras de agroexposição para fazer propaganda e tantos outros utilizados sempre em beneficio do latifúndio e dos ricos? Você tem idéia de quanto o Tesouro Nacional paga por ano das diferenças de juros das renegociações de dívidas dos ruralistas? São mais de 2 bilhões de reais!

Como o senhor avalia a reação de autoridades do governo, especialmente do presidente Lula condenando e classificando o ato de "vandalismo"? Surpreendeu a maneira veemente como figuras que trabalham pela reforma agrária dentro do governo, a exemplo do ministro Guilherme Cassel e do presidente do Incra, Rolf Hackbart, criticaram a ação?

Nós também condenamos vandalismo. O presidente Lula e os ministros não tinham conhecimento da versão das famílias acampadas e do ministro de Segurança Institucional general Félix. As famílias nos disseram que não roubaram nem depredaram nada. Da saída das famílias até a entrada da imprensa, o espaço da fazenda foi preparado para produzir imagens de impacto. A direita utilizou repetidamente por meio da mídia as imagens contra a Reforma Agrária. Não vimos nunca a imprensa denunciar a grilagem nem a super-exploração que a Cutrale impõe aos agricultores. O vandalismo da violência social nas grandes cidades provocadas pelo êxodo rural parece não escandalizar a mídia. Vocês do Rio não assistem os vandalismos provocados pelas forças de repressão em despejos de famílias sem teto. A polícia de São Paulo usou trator de esteira para destruir barracos em uma favela. Isso sim é vandalismo contra o povo brasileiro.

Que análise o senhor faz do censo agropecuário do IBGE?

É um retrato da realidade agrária brasileira, uma vez que os pesquisadores vão pessoalmente a todos os estabelecimentos agrários. Os dados demonstram o que já estávamos denunciando e sentindo no dia a dia: nos últimos dez anos, houve uma brutal concentração da propriedade da terra no Brasil. As propriedades acima de mil hectares controlam nada menos que 43% de todas as terras do país. Já as propriedades com menos de 10 hectares detêm apenas 2,7% das terras. Por outro lado, comprovou que a agricultura familiar e camponesa emprega 75% da mão-de-obra e produz 75% de todos os alimentos, embora receba menos financiamento público. Demonstrou que o agronegócio é um modelo para produzir commodities, às custa da concentração de terras, do êxodo rural, do aumento da pobreza e do envenenamento dos alimentos e da nossa natureza. É um escândalo!

E da pesquisa da CNA/Ibop e sobre os assentamentos?

Foi uma pesquisinha de opinião em nove assentamentos, que não tem relevância nenhuma. É uma perda de tempo. Nos surpreende o Ibope e a imprensa gastar tempo com isso. Um estudo relevante e necessário faria a comparação da situação de uma área antes e depois da criação do assentamento, mesmo nesse quadro desfavorável para a pequena agricultura e para os assentamentos.

Qual é a realidade dos assentamentos rurais em geral, em especial daqueles que resultaram da luta organizada pelo MST? Qual a maior dificuldade enfrentada hoje pelas famílias assentadas?

Muitos assentamentos ainda enfrentam muitas dificuldades nas áreas de infra-estrutura pública e crédito para produção. No entanto, os assentados deixam de ser explorados, têm trabalho, comida e escola para os filhos. A maioria já tem uma casa própria melhor de quando eram sem-terra. A maior dificuldade é que os assentamentos sozinhos não se viabilizam, sem que haja uma prioridade para um novo modelo agrícola. Precisamos de um programa para a implantação de agroindústrias, na forma de cooperativas, para que se agregue valor e os trabalhadores aumentem a renda e dêem emprego aos jovens. É preciso construir escolas e capacitar professores em todos os níveis, para os jovens não irem para a cidade. É necessário um programa para o desenvolvimento de técnicas agroecológicas, que permitem aumentar a produtividade sem usar veneno, produzindo assim alimentos sadios e baratos para a cidade.

Entre os "presidenciáveis", quem mais agrada ao MST e seus militantes? Mais especificamente, a ministra Dilma Rousseff pode contar com o apoio do movimento em 2010? E a conjuntura política pós-Lula pode forçar alguma mudança tática do movimento?

Sempre preservamos a nossa autonomia. Os nossos militantes participam das eleições como cidadãos brasileiros. Claro que sempre votam em candidatos que sejam a favor da reforma agrária e de mudanças sociais. Nossa vontade política é impedir a volta do neoliberalismo e discutir um projeto popular de desenvolvimento para o país, que faça mudanças estruturais para resolver os problemas do povo. Infelizmente, cada vez que chega o período eleitoral, a direita se assanha e passa usar todos expedientes para tentar impedir qualquer mudança.

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Igor Felippe Santos
Assessoria de Comunicação do MST
Secretaria Nacional - SP
Tel/fax: (11) 3361-3866
Correio - imprensa@mst.org.br
Página - www.mst.org.br


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ex-promotor Igor, foragido há quase nove anos pela morte da mulher grávida é preso - terra Sem Males


A Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu, na capital, o promotor Igor Ferreira da Silva. Ele foi detido pela delegada Adanzil Limonta. Igor estava foragido desde abril de 2001, condenado por ter matado sua mulher, que estava grávida, em 1998

Dias após ter sido condenado pela morte da mulher, Patrícia Aggio Longo, Silva fugiu. O crime ocorreu na madrugada de 4 de junho de 1998, em Atibaia (60 km a norte de São Paulo).

Grávida, Patrícia foi morta com dois tiros na cabeça, dentro do carro do casal. O DNA mostrou que o filho não era do então promotor.

A delegada que realizou a prisão foi uma das que se integrou às equipes de investigação da polícia.

Silva perdeu o cargo de promotor do Ministério Público Estadual de São Paulo em janeiro de 2006. No processo, ele alegou que um assaltante havia atirado na mulher.

Ele foi denunciado por homicídio qualificado (sem chance de defesa à vítima) e por aborto e, em 18 de abril de 2001, condenado a 16 anos e quatro meses de reclusão pelo Órgão Especial do TJ de São Paulo.

VEJAM ESTA INTERPRETAÇÃO DO QUE VEM A SER O G-20 - Bismarck Frota de Xerez


"autoproclamada liderança mundial dos países do G20 (um clube de elite criado pelo G7 para desviar a atenção de seu papel e responsabilidade ao provocar a crise) de aumentar os fundos e fortalecer a função do mesmo paradigma econômico e geopolítico; pelos governos; pelas instituições financeiras internacionais e pelas empresas, cujas políticas e práticas estão no centro dessa e de outras crises".
COMENTARIO:

1) O G7 não criou o G20 basta ler jornal com olhos voltados para o PROCESSO , para a sequencia de FATOS, dentro da cronologia em que aconteceram, para constatar que o G7 enfraquecido pela crise teve que dividir o poder com os emergentes. Luta que ainda não acabou, luta que tem pauta mais ampla. Muitas outras reivindicações dos emergentes;
2) as economias emergentes não provocaram a crise;
3) as economias emergentes são CAPITALISTAS, incluindo a China comunista, de fato EMERGEM DENTRO DO PARADIGMA ECONOMICO EXISTENTE;
3) "MESMO PARADIGMA ......GEOPOLITICO" , absolutamente NÃO. Novamente basta ler jornal para constatar o que os livros de Historia sempre mostraram: a sucessão de paradigmas geopoliticos, confirmando a certeza DE QUE TUDO MUDA, os Imperios se sucedem, todo movimento historico é ONDULATORIO, não repetitivo, novos atores surgem na Historia, o proprio capitalismo ao se expandir produz sua crise, pois os consumidores se transformam em produtores, e querem ter voz e vez. INDEPENDENTE DE QUEM OS GOVERNEM. Estes novos produtores se juntam, como o fazem no G20 para defender seus interesses frente aos antigos "donos do pedaço".
A União Europeia nasceu para que não dispersassem energias em guerras entre si, e concentrassem esforços comuns contra o inimigo comum. Abriram mão das nacionalidades para enfrentarem a hegemonia do novo gigante. Isto se mede pela participação DEcrescente do gigante no Comercio Internacional. Idem a tomada de CONSCIENCIA do Japão, aindas no século XIX, determinado a ser PROTAGONISTA e não COADJUVANTE, meta alcançada ainda no meio da segunda metade do século XX.
ÑÃO DÁ PARA DIZER QUE A GEOPOLITICA PERMANECEU A MESMA DESDE 1870, QUANDO A ALEMANHA UNIFICADA, SE TORNOU PROTAGONISTA.
Hoje outros povos, outras nações, outros blocos surgem desejosos de serem PROTAGONISTA e não coadjuvantes. E é neste cenário que surgem os diversos G´s.
Assistimos a GEOPOLITICA em ação, assistemos as novas composições, arreglos, dentro do paradigma economico existente, mas os atores vão assumindo novos papeis, expressando novos anseios de seus povos. As nacionalidades vão manifestando sua existencia e INTERESSES, expressos em lutas, em plena Globalização, dentro do paradigma economico existente.
NÃO DÁ PARA AFIRMAR QUE SEJA "MESMO PARADIGMA GEOPOLTICO".
A verdade está na REALIDADE e não nas idéias que fazemos DO QUE DEVERIA SER. O QUE VIRÁ A SER é construção humana de todos os envolvidos. Todo Poder é limitado, pode se impor por um tempo, mas a propria expansão do capitalismo gera a sua crise, pois ao fazer consumidores, em algum tempo os consumidores tomam CONSCIENCIA e reivindicam novos papeis.
Começa na elite local, de sócia do introdutor dos novos hábitos de consumo, quer assumir o controle. O processo não pára, se aprofunda nos demais niveis que terão o mesmo desejo de serem protagonistas.
Este processo se aprofunda com a complexificaçao da Sociedade que se Capitaliza, que consome, que se descobre igual em capacidade ao introdutor do capitalismo em seu meio.
Também os paradigmas se transformam, pois as tecnologias são responsaveis pelas MUDANÇAS HISTORICAS.
As Tecnologias levam junto com o "saber fazer" novas ideias, novos papeis sociais. Nova divisão do trabalho.
TODO PONTO DE VISTA É A VISTA DE UM PONTO. Bastou estar em outro "ponto" quer acima, quer abaixo, quer de banda, PARA TER OUTRA VISÃO DA REALIDADE. Nossas idéias nascem do tapete que pisamos.
As filosofias são criadas e se sucedem, proclamadas por "filosofos" para retratar as mudanças, justificar as mudanças, ou para retardar as mudanças, para defender os tapetes onde pisamos.
A VERDADE É A REALIDADE, E não a vista do ponto do qual observamos a realidade.

Brown: mundo enfrentará catástrofe sem acordo climático

Londres - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, advertiu hoje que o mundo enfrentará uma "catástrofe" se não houver ação para combater o aquecimento global. "Não podemos bancar o fracasso. Caso falhemos, pagaremos um preço pesado. Para o planeta, não há plano B." Em dezembro, haverá uma conferência na Dinamarca, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), para tentar se chegar a um acordo global sobre o clima. Recentemente, os Estados Unidos advertiram que o encontro pode não resultar em um pacto para substituir o Protocolo de Kyoto.

Durante um encontro de 17 grandes países desenvolvidos e em desenvolvimento, em Londres, Brown disse que os custos de fracassar na luta contra o aquecimento global seriam maiores que o impacto das duas Guerras Mundiais. Durante o Major Economies Forum (MEF), o primeiro-ministro afirmou que um acordo em Copenhague ainda é possível.


Brown pediu que os líderes mundiais trabalhem juntos para alcançar um acordo que estabeleça metas vinculantes aos países ricos para corte de emissões, e que os mais desenvolvidos financiem o auxílio aos países mais pobres, para que eles também cooperem com o combate ao aquecimento global. As informações são da Dow Jones.

domingo, 18 de outubro de 2009

Dinamarca - Que vergonha dos chamados "Seres Humanos" - Basta! - Barbet


A crueldade com que os seres humanos (ser civilizado) matam centenas dos famosos e inteligentíssimos Golfinhos Calderon. Isso acontece ano após ano na Ilha Feroe na Dinamarca. Deste massacre participam principalmente jovens . Veja!

[Carta O BERRO] Manifestações recentes de apoio ao MST, de CESE, parlamentgares, consultor sindical,relator da ONU - Vanderley Caixe

CESE apóia MST e condena criminalização
16 de outubro de 2009
A Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE, organização não-governamental sediada em Salvador, que congrega várias igrejas evangélicas e também a Igreja Católica, divulgou nota de apoio ao MST, em defesa da revisão dos índices de produtividade e contra a criminalização dos movimentos sociais. Leia a nota:
APOIO AO MST
Em defesa da revisão dos índices de produtividade e contra a criminalização dos movimentos sociais
"Recentemente, comemoramos uma importante vitória dos movimentos sociais. Graças à adesão de entidades de defesa de direitos, intelectuais, professores, juristas, escritores, artistas e cidadãos do país e exterior, foram reunidas mais de quatro mil assinaturas para o Manifesto em Defesa da Democracia e do MST.
O documento mobilizou a sociedade para apoiar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e conseguiu impedir a instalação de uma CPI proposta pela bancada ruralista, com apoio da grande mídia, que tentava criminalizar o Movimento. Para o MST, a CPI seria uma represália à pressão que a entidade vem fazendo para a revisão dos índices de produtividade, defasados desde 1975.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito contra o MST foi arquivada por número insuficiente de assinaturas. Ao todo, 45 deputados federais desistiram de assinar a proposta protocolada por três políticos do DEM: a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), líderes da bancada ruralista no Congresso Nacional.
A CESE assinou o Manifesto e continua apoiando os trabalhadores rurais na campanha pela revisão dos índices de produtividade. Principalmente num momento como este, em que foram divulgados dados do Censo Agropecuário pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovando o que o Movimento vinha denunciando: a concentração de terras aumentou no Brasil nos últimos 10 anos!"

GRILAGEM DO LARANJAL

Segundo Eliana Rolemberg, Diretora Executiva da CESE, é impressionante como a justiça, o congresso e a mídia tratam de maneira absolutamente diferente as questões que envolvem o conflito de terras. “De um lado, vemos uma impunidade absurda no caso de assassinatos de trabalhadores rurais, de defensores dos direitos humanos e até de religiosos que defendem a reforma agrária e a posse de terras por agricultores e populações tradicionais.

Por outro, é imediato o julgamento das ações do MST, numa atitude quase generalizada de criminalizar o Movimento, sem antes descobrir as causas, apurar os fatos”, afirma Eliana, que cita o caso ocorrido na fazenda Cutrale, em São Paulo, uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, que planta laranjas para exportação em terreno ocupado irregularmente, grilando terras públicas.

Relator da ONU defende ação do MST no Brasil

AE - Agencia Estado, 17 de outubro de 2009

SÃO PAULO - O advogado belga Olivier De Schutter, relator especial da
Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Alimentação, defendeu
ontem em Brasília a estratégia do Movimento dos Sem-Terra (MST) de ocupar
terras e exigir sua destinação para a reforma agrária. "É uma forma de
chamar a atenção para o problema", disse De Schutter em entrevista
coletiva, segundo informações da Agência Brasil.



O relator também fez referências à concentração fundiária no País, que,
além de ser alta na comparação com outros países, aumentou nos últimos
anos, conforme levantamento estatístico divulgado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em setembro. "A concentração
fundiária é um problema no Brasil", apontou De Schutter.



O relator da ONU veio ao Brasil para participar de um seminário
internacional sobre direito à alimentação, organizado pelo Ministério do
Desenvolvimento Social, e para coletar dados para um estudo sobre
problemas relacionados à alimentação ao redor do mundo. Segundo suas
declarações, o acesso à terra é uma das questões centrais no debate sobre
a produção de alimentos. As informações são do jornal O Estado de S.
Paulo.


DISCURSO DA DEPUTADA IRINY LOPES (pt-es) Na CAMARA DOS DEPUTADOS

15 de outubro de 2009

A tentativa de criminalização do MST por parte de ruralistas não é recente. Uma liderança sem terra do Espírito Santo costuma dizer que para os latifundiários “pior do que pobre é pobre organizado”. Essa é a história do escravismo reprisada num moto-contínuo desde o Brasil colonial.

Os sem terra de hoje são os negros do passado (e do presente também). Os assentamentos são os quilombos que os senhores de engenho da atualidade pretendem dizimar, usando, como outrora, forças policiais, políticas, judiciárias, além do aparato midiático. Só isso justifica a última investida da CNA contra o MST, ao encomendar ao Ibope uma pesquisa deliberadamente direcionada e com amostragem frágil, para demonstrar o fracasso da reforma agrária. Nenhum pesquisador mais atento consideraria significativo generalizar a realidade de mais de oito mil assentamentos, onde vivem 870 mil famílias, em uma pesquisa feita em apenas nove assentamentos, envolvendo mil famílias. Isso significa 0,1% do total. Um dos locais escolhidos pela CNA/Ibope para o levantamento é um assentamento da década de 70, dentro do Projeto Integrado de Colonização, portanto, da ditadura militar, e que já está incorporado à região metropolitana de Recife. É curioso que tenha sido escolhido um exemplo que não pode sequer se considerado assentamento. Esse é apenas um dos fatos questionáveis nesse trabalho.

É no mínimo desonesto querer analisar a Reforma Agrária sob a ótica do capitalismo e colocar como parâmetro de produtividade o agronegócio que a CNA defende. Reforma Agrária para os sem terra, assim como para quilombolas e índios, igualmente vítimas da invasão de terras, da grilagem desmedida dos grandes negócios, não é apenas ocupação territorial. É questão de vida, de cidadania, de segurança alimentar, de cultura e história de um povo.

Em 1988, a sociedade brasileira, calada e oprimida por um regime militar que durou duas décadas, foi às ruas e exigiu que os parlamentares constituintes garantissem na lei máxima do país direitos negados há mais de 500 anos por uma elite que continua, como antes, voraz, violenta e, para ser redundante, antidemocrática. A Constituição de 88 é o retrato do que nós brasileiros consideramos o mínimo de reparação. Terras devolutas, griladas, improdutivas devem ser, necessariamente, destinadas à Reforma Agrária. Comunidades quilombolas e indígenas têm direito ao reconhecimento de suas áreas.

Em qualquer lugar do mundo lei é para ser cumprida. No Brasil, desde a invasão portuguesa, existe para ser “interpretada” e aplicada conforme o interesse de latifundiários, dos grandes projetos, da elite, com anuência do Judiciário.

Um exemplo claríssimo é o da transnacional de sucos Cutrale, em São Paulo, que a TV repetiu exaustivamente imagens de sem terra destruindo pés de laranja. A Comissão Pastoral da Terra lembra que a área faz parte de um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e que pertencem à União. “A fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada pela Sucocítrico Cutrale” há quase cinco anos, sabendo que se tratava de invasão de terra pública.

Diz a CPT: “a ação dos sem terra tinha intenção de chamar a atenção para o fato de uma terra pública ter sido grilada por uma grande empresa e pressionar o Judiciário, já que, há anos, o Incra entrou com ação para ser imitido na posse destas terras que são da União. As primeiras ocupações na região aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos. A maioria das terras, porém, ainda está nas mãos de grandes grupos econômicos”.

Quem foi criminoso nessa história: a multinacional que invadiu deliberadamente uma área pública, contando que terá uma regularização fundiária a seu favor, ou 450 famílias que aguardam há mais de 10 anos, acampadas em lonas na beira de estrada, debaixo de sol e chuva, que o governo e o Judiciário cumpram a Constituição e destinem as terras para reforma agrária?

Temos no Espírito Santo situação semelhante com a Fazenda Ipiranga, em Ponto Belo. Há nove anos, as famílias esperam acampadas pela resolução do caso. O processo já concluiu pela destinação da área para fins de reforma agrária, faltando apenas uma assinatura para conclusão. Reconhecer direitos significa efetivá-los na prática.

Os ataques do que o MST tem sido vítima nos últimos anos não é gratuito. A criminalização faz parte de uma estratégia para dizimar resistências.

O que é crime neste país, cuja lei existe para ser ignorada pelo próprio Judiciário: é 1% de todos os proprietários controlarem 46% das terras (cerca de 98 milhões de hectares), ou mantermos durante décadas 130 mil famílias brasileiras acampadas à beira da estrada, à espera de um pedaço de terra para plantar e sobreviver?

Esse parâmetro cruel e desigual faz com que o país, a despeito dos avanços sociais do governo Lula, não consiga reverter sua sina, a hereditariedade, as sesmarias de antigamente e suas violências diárias contra os pobres desse lugar.

Não são esses poucos latifundiários que colocam alimento na mesa do brasileiro. Isso, o Censo agropecuário de 2006, divulgado recentemente, revelou. A agricultura familiar (na qual se inclui assentamentos), embora ocupe apenas 24,3% da área total dos estabelecimentos agropecuários, é responsável por 40% do Valor Bruto da Produção gerado. E é ela também quem mais emprega: é responsável por 75% da mão-de-obra no campo.

O Censo nos diz ainda algo que devemos analisar com a responsabilidade que a nossa função pública exige: o Brasil é o país com maior concentração de terras do planeta. Tanta desigualdade é, por si mesma, uma violência que nós parlamentares não podemos assistir passivamente.

E aqui, evoco a memória do amigo, companheiro camponês Adão Pretto, que como deputado federal defendeu durante anos os sem terra dos ataques da imensa bancada ruralista, que queria, inclusive, classificar o MST como entidade terrorista, na CPMI da Terra.

Adão era um, mas quando defendia seu povo parecia um exército. Como se centenas de ancestrais estivessem a lhe dar força necessária para encarar a maior bancada do Congresso. Meu querido companheiro se foi nesse início de ano. Adão não está mais aqui, mas a sua luta não morreu. E é em nome dela que conclamo todos os companheiros de esquerda do Legislativo, àqueles que não toleram a injustiça, a desigualdade, que não conseguem assistir indiferentes a fome e a miséria de um povo construída pelos lucros das grandes empresas, dos latifundiários, que levantem a voz contra a criminalização dos movimentos sociais. Porque eles são maioria de direito e de fato nesse país. E é em nome deles e em memória de Adão Pretto que eu respondo aos que nos julgam distantes da luta: “presente”.



Colunas
16 de Outubro de 2009 - 0h31
Viva o MST!
João Guilherme Vargas Netto *
Vocês podem não concordar comigo, mas admiro, apoio e defendo o MST. Ou, como eles dizem, sou amigo do MST.
Em seus 25 anos de lutas, o movimento conseguiu fazer de sua plataforma- a reforma agrária e a posse da terra pelo trabalhador- um tema essencial da vida brasileira.

Na dureza das condições em que vivem milhões de camponeses, mesmo os recém-chegados nas cidades e os assentados, o MST tem conseguido desempenhar um papel civilizador que emociona quem deseja o progresso social, a democracia e o fortalecimento da sociedade brasileira como um todo.

Seus inimigos, os reacionários, os latifundiários e a grande imprensa, são cruéis e bem articulados. Por dá cá aquela palha, tentam incendiar o ambiente e isolar, derrotar, desmoralizar e destruir o MST. Às vezes apóiam-se em erros cometidos; mas na maioria dos casos escondem-se atrás dos assassinatos, das provocações e da repressão brutal.

O movimento sindical dos trabalhadores tem muito a aprender com o MST. Destaco três aspectos:

1) A constância dos objetivos- uma vez estabelecida sua pauta, o MST persegue a sua realização com várias táticas- ocupar, resistir, produzir- que se desdobram no tempo e se adaptam às condições em todas as regiões do Brasil;

2) A qualificação dos dirigentes e ativistas- o esforço permanente é o da formação, desde as crianças até famílias inteiras. As escolas do MST são exemplares e o seu sistema de ensino, baseado na mística e educação de qualidade, ultrapassa com folga as necessidades imediatas do movimento;

3) O espírito de militância- as bandeiras do MST, as mais amplas ou as mais restritas, são ardorosamente levantadas, junto com as foices, em todas as manifestações realizadas, com
constância e consciência.

O movimento sindical dos trabalhadores, com sua experiência unitária e respeitando as diferenças, deveria fazer um esforço urgente de aproximação com o MST e escutá-lo com mais atenção e assiduidade.




* É consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo



16.10.2009

MST X CUTRALE



O que é

mais chocante?



Hamilton Octavio de Souza



Na última semana, primeiro a TV Globo, depois os demais veículos da grande imprensa neoliberal, exploraram ao máximo – com sensacionalismo e forte dose de criminalização – a imagem de trabalhadores sem terra arrancando pés de laranja numa área grilada da empresa multinacional Cutrale, no município de Iaras, interior de São Paulo. Evidentemente o assunto teve grande repercussão pública e foi alvo de manifestações precipitadas e raivosas de setores da direita – muito mais por afirmação ideológica do que pela relevância dos fatos.

Pouco se falou que a terra invadida pela empresa Cutrale pertence à União, é terra pública, e que deveria ter sido usada para assentamento da reforma agrária há muitos anos, conforme projeto do INCRA, mas que foi grilada e vendida para particulares de forma ilegal. Tanto é que a área é ainda hoje objeto de inúmeras ações e pendências judiciais. O crime original – grilagem – foi ignorado pela mídia.

Portanto, a ocupação feita pelas famílias e trabalhadores rurais sem terra foi legítima e estratégica, na medida em que reafirmou a defesa do patrimônio da União e chamou a atenção das autoridades para a destinação inicial da área, que é o projeto de assentamento de famílias empenhadas em viver, trabalhar e produzir no campo. Chamou a atenção da sociedade também para a necessária e urgente plantação de alimentos, já que o Brasil tem sido obrigado a importar arroz, feijão e trigo – enquanto o agronegócio só se preocupa com produtos de exportação.

Lá mesmo em Iaras, mais de 400 famílias estão acampadas e aguardam, há anos, uma decisão da Justiça sobre aquelas terras. Se tivessem sido regularizadas pela reforma agrária, com certeza estariam rendendo alimentos mais baratos para o povo brasileiro.

O que é mais chocante: pés de laranja arrancados em protesto ou mais de 400 famílias –mulheres, velhos e crianças – vivendo em acampamentos precários?

Na pressa para criminalizar os trabalhadores sem terra pela ocupação em Iaras, a grande imprensa corporativa não fez qualquer associação com a destruição dos laranjais ocorrida nos últimos dois anos, pelos próprios produtores, especialmente no Estado de São Paulo, porque os preços impostos pelas indústrias do suco eram insuficientes para a manutenção dessas plantações. A área total de plantio da laranja foi reduzida em milhares de hectares por obra dos próprios produtores, em especial dos pequenos produtores, que preferiram migrar para outras lavouras ao invés de trabalhar de graça para o oligopólio industrial do suco de laranja.

O que é mais chocante: pés de laranja arrancados pelo protesto dos sem terra ou laranjais inteiros destruídos porque o cartel do suco inviabilizou a atividade dos produtores, desempregou os trabalhadores e provocou a elevação no preço da fruta vendida no mercado consumidor brasileiro?

Antes mesmo de investigar e apurar corretamente o que aconteceu em Iaras, antes mesmo de ouvir todos os lados envolvidos no caso da área grilada da Cutrale, como mandam as regras básicas do bom jornalismo, a imprensa corporativa deu grande destaque ao vídeo e à versão da policia estadual, a qual, todo mundo sabe, tem posição partidária, atua sempre contra os movimentos sociais (urbanos e rurais) e é conhecida por difundir versões mentirosas e distorcidas sobre os fatos, como nos episódios da Escola Base, nos assassinatos de maio de 2006 no Estado de São Paulo e, mais recentemente, no assassinato de uma jovem na favela de Heliópolis, na capital paulista.

Agora no caso de Iaras, mais uma vez a grande imprensa neoliberal conservadora aceitou sem vacilar a versão de “vandalismo” dada pela polícia e não se preocupou em checar, in loco, com as famílias de sem terra e com os trabalhadores rurais da Cutrale, a verdadeira história sobre o ocorrido. Entre fazer jornalismo e comprometer-se com a verdade, a grande imprensa corporativa preferiu ficar com a versão mais adequada aos seus interesses ideológicos. Mais uma vez essa mídia deu guarida e projeção para as posições mais atrasadas e reacionárias da sociedade brasileira, que são reconhecidamente contra a reforma agrária e contra as lutas dos movimentos sociais do campo e da cidade.

O que é mais chocante: pés de laranja arrancados pelo protesto dos sem terra, em área pública grilada por empresa multinacional ou a existência de uma imprensa e de uma polícia que mentem para defender os interesses das elites econômicas e políticas, as mesmas que impedem o Brasil de ser um país mais justo e mais igualitário, que está em 75º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU?

Você decide.



Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP.










“O TAMBOR QUE BATE AQUI ECOA NO BRASIL INTEIRO - Laerte Braga


A frase que serve de título é de Leonel Brizola e foi dita logo em seguida à sua eleição para o governo do Rio, em 1982. O governador se referia à repercussão dada pela mídia a todo e qualquer passo que viesse a tomar e isso levando em conta o temor das elites brasileiras de uma eventual eleição de Brizola, um pouco mais à frente, para a presidência da República.

O fim das ditaduras militares na América Latina foi só uma constatação do governo dos EUA que o modelo repressivo e autoritário deixava, naquele momento, de cumprir o seu papel em função de interesses norte-americanos.

Começava o processo neoliberal e arremedos de democracia poderiam se constituir em instrumentos corretos àquela etapa do processo de criação da verdade única, o neoliberalismo, o Brasil não era exceção. A morte de Tancredo, a ascensão de um político venal e medíocre como José Sarney abriam espaços para a construção de um boneco capaz de implementar a nova verdade, na verdade a velha, travestida agora de democracia.

E ao mesmo tempo, lógico, deter os avanços de forças populares. Eram reais e por isso mesmo deveriam ser neutralizados. O capitalismo dispõe hoje de duas grandes forças. Uma, o monopólio do poder militar de destruição absoluta e outra a mídia, formadora de consumidores e zumbis prontos a acreditar que quem plantar uma bananeira de hora em hora ganhará uma viagem à Disneyworld, ou o direito de participar do Big Brother.

São os dois grandes desafios das forças populares.

Por aqui construíram Collor de Mello. Um político sem qualquer escrúpulo, oriundo de elites udenistas do Nordeste brasileiro e pronto a executar o que quer que lhe fosse determinado em troca de alguns bilhões de dólares amealhados ao longo de um ou dois mandatos presidenciais. Quem tiver boa memória há de se lembrar de declarações de Collor falando em vinte anos de “um novo Brasil”. Era a reeleição, que acabou vindo com sua segunda edição, Fernando Henrique Cardoso e a mudança do regime de governo com o parlamentarismo. O pai da pátria continuaria a governar como primeiro-ministro.

A falta de estatura política e a visão estreita, medíocre, o deslumbramento de Collor acabaram por custar-lhe o mandato na avidez de todas essas características de sua personalidade doentia. O breve espaço Itamar Franco foi o suficiente para construir FHC e retomar o processo neoliberal. Quem tiver memória, vale repetir, vai se lembrar que Collor, no desespero de manter o cargo, orientado por seus controladores, chegou a convidar FHC para uma espécie de superministério e FHC respondeu que sim. Impediu-o a reação de Mário Covas e setores de seu partido para além de São Paulo (condado do grupo FIESP/DASLU).

FHC ganhou a presidência da República montado num programa que falava de “modernização”, empregos, saúde, educação, o esquema dos cinco dedos (foi proposital em alusão aos quatro dedos de Lula numa das mãos) e em cima do Plano Real, o primeiro grande passo do neoliberalismo no Brasil, o ato inicial do processo de venda do patrimônio público.

FHC cumpriu o cronograma previsto para Collor. Vendeu os setores estratégicos do Brasil, comprou a reeleição (ele e Menem na Argentina, o mesmo esquema), privatizou o Estado em todos os sentidos e transformou-se no principal porta-voz do neoliberalismo por essas bandas, hoje, constrói, com o dinheiro dos que agraciou nos “negócios” da privatização uma pirâmide que chama de “Memorial FHC, tributo à sua vocação de rainha má, ávida para que o espelho lhe diga que ninguém é mais sábio e brilhante que ele. Tem um estoque de maças envenenadas para atingir os que ousem discordar de um espelho subserviente. E como nesse processo é quase ninguém, é usado para declarações aqui e acolá, assim como quem não quer nada, seja para manter-lhe o mínimo de presença e essencialmente para cumprir o papel de “general Anselmo”.

O Rio de Janeiro começou a sofrer um processo de declínio com a transferência da capital para Brasília. Esse processo acentuou-se com a fusão imposta pelo governo Geisel. A cidade/capital que virara estado – Guanabara – incorporou ou foi incorporada pelo antigo Estado do Rio. Um jeito de evitar a característica oposicionista da antiga cidade agora estado, diluir a repercussão do tambor que batia no Rio e ecoava em todo o Brasil.

E como toda grande metrópole em qualquer lugar do mundo, uma das vitimas das políticas capitalistas que resultaram em grandes processos migratórios do campo para a cidade. O entorno do Rio passou a ser ocupado por migrantes. A eles se juntaram os que deles derivavam e a massa de desempregados e trabalhadores explorados na lógica perversa da acumulação capitalista.

O Rio, como São Paulo, como a Cidade do México, como Pequim, como New York, é uma cidade sitiada por populações excluídas do processo político, econômico e por conseqüência da ausência de políticas sociais, toda uma gama que signifique a transformação do estado capitalista num estado socialista. Não interessa às elites que essa realidade desapareça, nem de longe, pois além de tudo virou um grande negócio.

O que as elites fizeram e fazem é construir e aperfeiçoar um aparelho repressivo boçal e corrupto com o qual mantém intocados os seus privilégios. O direito por exemplo de Boninho, diretor da GLOBO e do Big Brother, de jogar água suja da janela de seu apartamento de alguns milhões de reais em mulheres que, a seu critério, sejam “vagabundas”. Ou a jovens de condomínios fechados assaltarem uma trabalhadora alegando que se tratava de uma prostituta para com alguns míseros reais comprar a droga de cada dia, no morro mais próximo.

Um diagnóstico da violência no Rio não cabe em um ou dois parágrafos, mas é por aí.

O site do UOL – UNIVERSO ON LINE – do grupo FOLHA DE SÃO PAULO, jornal partícipe da ditadura militar e do esquema de tortura na aliança empresários/militares, narra neste domingo, 18 de outubro, o drama de Regina Lúcia de Sousa, que sai de casa às 4h30m da manhã para iniciar o seu dia de trabalho. Depende de trens e o sistema não está funcionando. Pior, a Polícia está batendo e batendo duro em quem reclama.

A matéria relata que de trem em trem e de ônibus em ônibus a moça chega ao local de trabalho, na Lagoa Rodrigo de Freitas (onde existem apartamentos de seis milhões de dólares) às sete horas da manhã. Mostra que são 716 viagens diárias de trens no Rio e cerca de um milhão de passageiros.

Desde o dia oito de outubro Regina não consegue pegar o trem no horário de sair e nem no horário de voltar – 17horas –, pois o sistema não está funcionando. O resultado é que a vida de Regina virou um inferno e multiplique isso pelo milhão de trabalhadores que se valem desse tipo de transporte para ir ganhar o pão de cada dia e retornar às suas casas.

Para os traficantes isso não afeta em nada os negócios, pois os grandes compradores de drogas são os filhos das elites. E os grandes chefões do tráfico de drogas estão nos apartamentos de seis milhões de dólares, ou na presidência da Colômbia, garantido por sete bases militares dos EUA.

Para FHC isso pouco importa, em Paris, uns dias atrás, o faraó disse que a batalha contra o tráfico estava perdida e era melhor liberar o consumo de drogas.

Na terça-feira, dia 13 de outubro, a juíza Maria Isabel Gonçalves, da 6ª Vara Empresarial (já existe isso para garantia da livre empresa), determinou que a empresa crie condições seguras, a responsável pelo sistema de transporte ferroviário no Rio e Grande Rio, sob pena de multa de 100 mil reais caso a ordem seja descumprida. O promotor Carlos Andresano, da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor do Contribuinte da Capital, chamou a atenção para os péssimos serviços prestados pela empresa e que esse é o fator gerador de revolta popular.

O promotor quer que a empresa se responsabilize por todos os tipos de danos causados aos usuários, inclusive danos psicológicos. A empresa não fala nada, só vai falar quando for intimada pela Justiça e na Justiça.

O secretário Júlio Lopes, do governo, acha que está tudo certo, mas são necessários investimentos enormes para solucionar o problema e que o governo do Estado mantém um programa de fiscalização e qualificação permanente do sistema de transporte ferroviário urbano e do Grande Rio.

É uma empresa privada que presta um serviço público através de concessão. Assumiu as responsabilidades de cumprir as demandas do setor, de investir, de modernizar, de atualizar e de garantir à população o direito fundamental de transporte de boa qualidade. Recebe financiamentos públicos, a bem dizer é sustentada pelo Estado (só é privada no item lucros).

Quando FHC privatizou o Brasil a conversa fiada era essa. A iniciativa privada iria investir, jogar os recursos que o Estado não dispunha, transformar o País num paraíso tipo primeiro mundo e os poucos recursos públicos seriam investidos em saúde e educação.

Mentira. Os poucos recursos públicos, oriundos dos bolsos do cidadão que usa trem (o que compra droga nos bairros das elites sonega) são para financiar empresas que no perverso modelo neoliberal, na lógica do capitalismo, se apropriaram do Estado, aparelharam o Estado e controlam o Estado, inclusive a Polícia. Deveria estar baixando a borduna nos empresários que deixam de cumprir suas obrigações. Baixa no trabalhador e um coronel cheio de empáfia vai às tevês dizer que todas as providências estão sendo tomadas para acabar com o tráfico. Só não é a maior afirmação humorística dos últimos tempos porque é trágica.

O presidente da VALE, patrimônio público que FHC entregou aos “gringos" bateu boca com o ministro da Fazenda por conta de impostos. A empresa se acha acima do bem e do mal e está em fase de transferência de sua matriz para a Suíça. D. Lina, a amiga dos tucanos, achou a agenda que fala do seu encontro com a ministra Dilma. Já ganhou o direito de ou posar para a PLAYBOY com aquele óculos modelo menininha recatada, ou pousar na casa do BBB.

Prostituir-se não é só vender o corpo, pode ser vender a alma também.

O site do UOL não fala um só instante de crise semelhante em dias passados acontecida na capital paulista. O modelo tucano. É que recebe polpudas verbas para esconder as verdades/mazelas do grupo FIESP/DASLU, donatário de São Paulo e proprietário de um louco José Jânio Serra que ameaça o Brasil no arremate do processo neoliberal, capitalista.

Um estado falido. Mas que paga fortuna à FOLHA, distribui revistas da ABRIL (VEJA) com retratos do grande líder, vai por aí afora.

Não é um problema de trem atrasar e minha mãe ficar preocupada porque sou filho único, ou perder esse trem. É o modelo, o capitalismo. Exploração do homem pelo homem. A Regina da história do UOL não é a pobre coitada nos termos que o site mostra, é a pobre vítima de uma realidade brutal do capitalismo.

O UOL não está preocupado com a sorte de Regina, mas com a falta de Regina ao trabalho que lhe proporciona um mísero salário, mesmo que aos quarenta anos (não sei quantos tem) vai parecer ter sessenta. É que o mísero salário ajuda na compra de produtos vendidos pela imagem da “deusa Xuxa”, que vende o espetáculo de eu existo e triunfo com bolsas onde está estampada a cara da moça robô, a apresentadora.

O trem não vai andar nunca na linha, a empresa não está nem aí para Regina, para o milhão de usuários de cada dia, mas ávida do dinheiro público para “investir” no lucro e na perversidade da acumulação capitalista, porque um cretino, sem nenhum caráter como William Bonner, ou William Haack (contratado das empresas petrolíferas para dizer que o pré-sal não é tão importante assim e deve ser entregue), qualquer um deles, vai dizer que a culpa é do governo, nem importa qual seja o governo, importa que o lucro seja deles.

A tal SUPERVIA, a concessionária, pode ser a VALE noutra dimensão, as empresas de Ermírio de Moraes, quadrilheiro FIESP/DASLU que atua em quase todo o Brasil com dinheiro público, estão todos escorados num congresso repleto de bandidos/bandidas como Tasso Jereissati (lucrou milhões na privatização do setor de telefonia), Artur Virgílio, José Sarney, Kátia Abreu, ou numa justiça onde pontifica Gilmar Mendes.

Já o cidadão comum tranque as janelas, as portas, cerre tudo, apague as luzes, a Polícia está nas ruas procurando e não achando os traficantes. É que eles estão lá na Lagoa, por exemplo, onde a Regina tem que chegar para trabalhar de acompanhante.

É esse o tambor que ecoa em todo o País. A indignação da GLOBO e suas preocupações com o trabalhador tem outro viés. Do governo do Rio, tem outra lógica (cessam as contribuições num ano pré-eleitoral) e vai por aí afora.

Um espetáculo e tanto, cheio de coadjuvantes sem cara, sem sombra e sustentando o memorial de um faraó podre. E sua corte de ávidos devassos a soldo do capitalismo em sua versão neoliberal. Aquela que dá o dinheiro do trabalhador para a GENERAL MOTORS e um monte de bancos/banqueiros em vias de falir, tudo para salvar o mundo.

A culpa é do Irã. Ou de Zelaya.


PARE E PENSE!


Hazte oír para frenar el cambio climático !
Lleva tu voz hasta los líderes mundiales en la COP15 la conferencia sobre el cambio climático más importante de los últimos diez años.
Ahora que los países buscan un acuerdo sobre cómo proteger el mundo, nosotros queremos tus puntos de vista.

sábado, 17 de outubro de 2009

TERROR NO RIO - Sobe para 12 o número de mortos na guerra entre polícia e traficantes no Rio - Barbet


Doze pessoas morreram, sendo dois policiais militares e dez traficantes, na zona norte do Rio de Janeiro neste sábado (17) durante um confronto entre a polícia e o tráfico. Os PMs estavam em um helicóptero que foi derrubado por traficantes por volta das 10h20, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Outros dois PMs ficaram feridos. A reportagem da TV Record informou que outros três mortos seriam trabalhadores. Como três suspeitos de atirarem no helicóptero foram presos, os bandidos incendiaram oito ônibus em pontos diferentes da cidade. O helicóptero caiu durante intensa troca de tiros no morro dos Macacos, em Vila Isabel, que acontecia desde o final da noite de sexta-feira (16). A Polícia Civil do Rio tem informações de que pelo menos cem homens de uma facção criminosa invadiram o morro durante esta madrugada.

SÁBADO DE TERROR O CARIOCA PEDE SOCORRO - Barbet



A Prefeitura do Rio confirmou que pelo menos oito ônibus foram incendiados. A Rio Ônibus, empresa responsável pela circulação dos ônibus municipais, informou que cinco veículos foram queimados no bairro Jacaré, dois no Riachuelo e outro na Mangueira. O prejuízo foi de cerca de R$ 2 milhões. A empresa que teve mais veículos queimados foi a Braso Lisboa. A circulação de todos os outros ônibus da empresa foi interrompida.
O tiroteio atingiu também a rede elétrica e um curto-circuito, provocou um incêndio em uma sala de aula da Escola Municipal Assis Chateaubriand, na rua Visconde de Santa Isabel, perto do acesso à favela. Segundo bombeiros que estiveram no local, as chamas destruíram somente a sala e ninguém ficou ferido.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decretou prontidão geral no fim da manhã deste sábado (17) na capital fluminense. Isso significa que todos os policiais militares que atuam na cidade e que estiverem de folga devem se apresentar em seus batalhões para ficar à disposição dos comandantes.

Frente contra o Golpe pressiona pelo retorno de Zelaya - Vanderley Caixe

As negociações da mesa de diálogo em Honduras seguem sem conclusão. O prazo dado por Manuel Zelaya para sua restituição no país terminaria à meia-noite de ontem (15), mas o mandatário constitucional resolveu estendê-lo até hoje. As organizações e movimentos sociais contra o golpe seguem em resistência. A Frente Nacional de Resistência contra o Golpe, por exemplo, realizará, hoje, mais uma marcha em Tegucigalpa contra o governo de fato.

Ontem, em coletiva de imprensa, Victor Meza, membro da Comissão do Presidente Zelaya, disse que as negociações continuam até hoje. "O diálogo não acabou, a mesa segue funcionando... ontem [quarta-feira, 14] havia um texto em consenso, mas não é um acordo, é uma matéria-prima para chegar a um acordo", afirmou.


De acordo com ele, as duas partes se ocupam na busca de uma saída definitiva ao conflito e, para isto, trabalham a favor do Acordo de San José. "Eu diria que o diálogo está avançado em 95 por cento", acredita.

Segundo Meza, as conversas seguem até hoje porque Zelaya e Micheletti fizeram algumas observações ao texto que entrou em consenso. "Se não se consegue uma saída pacífica à crise, será a ingovernabilidade e a desobediência social e ninguém quer isso", comentou.

Mayra Mejía, também da Comissão de Zelaya, confirmou a ampliação do prazo dado pelo mandatário constitucional até hoje. "esperamos ter a decisão final. A outra parte pediu mais tempo, mas amanhã [hoje] se chegará a uma decisão final. Se temos dado tanto tempo para negociar, então dar um pouco mais de tempo é bom, se é pela paz", acrescentou.

A opinião de que há esforços de ambas as partes para conseguir uma saída à crise, no entanto, não é compartilhada com todos. A Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, por exemplo, divulgou, ontem, um comunicado em que afirmam que o governo de fato não tem vontade política de acordar os pontos do acordo.

"Observamos a falta de vontade política da parte dos golpistas para acordar o ponto antes mencionado [a restituição de Zelaya] ao aplicar táticas dilatórias pretendendo que a restituição do presidente Zelaya dependa da decisão de outras entidades estatais como o Congresso Nacional ou a Suprema Corte de Justiça", comentou.

No comunicado, a Frente afirma ainda que o governo de Micheletti mantém o Estado de Sítio e se nega a derrogá-lo. "As atitudes apontadas deixam claro que os golpistas pretendem ficar no poder utilizando a farsa eleitoral de 29 de novembro como meio de legitimação dos candidatos e candidatas golpistas; estratégia que está condenada ao fracasso porque o povo hondurenho em resistência não vai permitir", esperam




[Carta O BERRO] NOTA -MST - Esclarecimento sobre a ocupação do MST em Iara... Vanderley Caixe

NOTA
Esclarecimento sobre a ocupação do MST em Iaras (SP)
Cutrale usa terras griladas em São Paulo
Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja, que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou o censo agropecuário do IBGE.
A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS) entre outras. Nossa ação não é contra as laranjas, mas contra a Cutrale. Infelizmente, as influencias da empresa na imprensa nacional, manipulou o protesto dos ocupantes, para esconder a verdadeira situaçao. A mesma imprensa esqueceu de comentar que usando os metodos mais escusos possiveis a CUTRALE se transformou numa empresa que monopoliza todo comercio de laranjas do estado de são paulo. E que superexplora os agricultores dela dependentes.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A Cutrale também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São Paulo, 1.600 famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias.

Direção Estadual do MST-SP

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Igor Felippe Santos
Assessoria de Comunicação do MST
Secretaria Nacional - SP
Tel/fax: (11) 3361-3866
Correio - imprensa@mst.org.br
Página - www.mst.org.br

[Carta O BERRO] "O Que Será?", nos dias 20 e 21 de Outubro, às 20h no Teatr... - Vanderley Caixe

Queridos amigos,
Estrearei no teatro com meu primeiro musical, "O Que Será?", nos dias 20 e 21 de Outubro, às 20h no Teatro Funarte Cacilda Becker, R$20,00 (inteira)
Além de dança e muita música Buarquiana, mergulharemos com a dramaturgia nas 3 Obras do Chico Buarque: " A Ópera do Malandro", "Calabar" e "Gota d'Água".
A minha personagem na dramaturgia - propriamente dita - é a Bárbara de "Calabar". Mas não se resume neste papel, apenas. Teremos uma interação muito curiosa entre os atores-personagens, finalizando com unidade cênica bastante interessante. É preciso "ver para crer"! Risos... Até ,mesmo para criticar...
**Gostaria muitíssimo de tê-los nestes dias, prestigiando a nossa arte, e também, do carinho dos amigos para tornar mais intimista a minha apresentação.
Seguem o programa, cartaz e filipeta do espetáculo. A apresentação desta (filipeta), dá direito a 50% de desconto no valor integral do ingresso.
Um beijo muito carinhosos a todos,
Maria Ana Caixe
PS: Aguardem, que em Novembro terei mais novidades!! Uma peça política, combativa, memorável para aqueles que viveram, se engajaram nos idos anos de 68, com a famosa Revolução de 68 - com reflexos no mundo inteiro - bem como a truculência e barbárie da Ditadura Brasileira...Mas, principalmente para as novas gerações que não viveram, mas gostariam de entender e se aproximar de um período rico, forte e corajoso da juventude daquela época. E, quicá, revoltar-se com a passividade que a ditadura e o neoliberalismo amorteceram a nova juventude. Vem aí, "À Prova de Fogo"! Em breve, maiores detalhes.
"Nossa memória é nossa coerência,nossa razão, nosso sentimento. Sem ela, não somos nada."
LUIZ BUÑUEL

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

HORÁRIO DE VERÃO COMEÇA DIA 18 DE OUTUBRO (DOMINGO) - Barbet


O horário de verão deste ano começará à 0h do dia 18 de outubro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, segundo informou o Ministério de Minas e Energia. O horário de verão deve terminar à 0h do dia 21 de fevereiro de 2010.

Os moradores dos Estados que integram as regiões afetadas pela mudança no horário devem adiantar os relógios em uma hora.
O horário de verão é adotado nesta época como uma medida para economizar energia. Nesse período, os dias têm maior duração e a luminosidade natural do Sol pode ser melhor aproveitada.

Desde o ano passado, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu datas fixas para o início e término do horário de verão no país. Antes, anualmente, era publicado um decreto para definir o período da mudança.

De acordo com o decreto, em todos os anos a mudança no horário ocorrerá no terceiro domingo de outubro e terminará no terceiro domingo de fevereiro. Se a data coincidir com o domingo de Carnaval, o final do horário de verão é transferido para o próximo domingo.


Ajude o Senador Eduardo Suplicy, a Barbet e o Ir Alberto a transformar a nossa idolatrada pátria brasileira em uma Terra Sem Males

Mande um e-mail para o seu senador www.senado.gov.br e outro para o seu deputado federal www.camara.gov.br solicitando seus empenhos na alocação de recursos no Orçamento Geral da União de 2.011 para implementação da Lei Federal nº 10.835/2004, Lei Eduardo Suplicy, pela qual todo brasiliero maior de 25 anos passa a ter direito de receber do Tesouro Nacional uma RENDA MINIMA mensal, capaz de lhe satisfazer as necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, vestuário, educação e lazer.

A partir de 2011, uma vez implementada esta Lei, não teremos mais sem teto, sem terra, sem alimentos, sem saúde, sem escola, sem vestuário. Mulher nenhuma precisará vender o corpo para comprar alimentos para o filho faminto e a violência será reduzida a níveis toleráveis . As penitenciárias, por falta de condenados, gradualmente serão transformadas em escolas. O trabalho da polícia e da justiça criminal terá um redução no mínimo de 95%, em razão da baixa criminalidade do país.
Os indios das nações galibis, palikurs e yanomanis viveram durante doze mil anos sem cometer um único pecado contra Deus ou um único crime contra a sociedade. Seus terrítórios eram TERRAS SEM MALES.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

[Carta O BERRO] Convite para o lançamento do livro " FOME DE LIBERDADE" . Dia 15 de outubro - em Brasília - Vanderley Caixe






Pessoal,
Lançamento do livro do Perly , no Carpe Diem, em Brasilia

OS JOGADORES DE HONDURAS – O SENADOR SUPLICY - MARADONA - Laerte Braga

Vários jogadores da seleção hondurenha de futebol, classificada para a Copa do Mundo de 2010 na vitória contra a vizinha equipe de El Salvador, recusaram-se a participar da festa oficial do governo golpista de Roberto Michelleti e o capitão Amado Guevara, declarou-se em resistência aos trambiqueiros que deram o golpe.

Eduardo Suplicy definitivamente não contribui em nada para melhorar a imagem do Senado, se imagina que essa palhaçada de cartão vermelho para José Sarney e agora cueca vermelha para um programa humorístico de tevê, vai acabar com todas as trapalhadas dos senhores senadores.

Junta-se aos trapalhões. Não mete a mão no bolso de ninguém, mas... Acho que Paulo Francis estava certo ao dizer que o ínclito parlamentar não conseguia andar e falar ao mesmo tempo.

Senado é um trem absolutamente desnecessário. Não somos uma Federação como pretendem alguns, somos uma república federativa e mesmo assim muito mais na intenção que na prática.

Senadores, em tese, representam os estados que constituem a Federação que não existe.

Dizer que Suplicy fez uma palhaçada seria insultar palhaços. É como Barack Obama usurpando funções responsáveis e importantes de um garçom. Transformando a Casa Branca numa cervejaria, com direito a salsa todas as terças-feiras.

Amado Guevara é o capitão da equipe hondurenha de futebol. O direito de disputar a Copa do Mundo no próximo ano na África do Sul foi conquistado em campo, dentro das regras e com muita luta e empenho.

Roberto Michelleti é um mafioso de extrema-direita, ligado a grupos sionistas e republicanos dos EUA, que junto com militares e elites de seu país deu um golpe de estado depondo o presidente constitucional que queria saber se o povo desejava ou não uma assembléia nacional constituinte.

Acuado por todos os lados em seu país, fora dele, Michelleti imaginou transformar a alegria dos hondurenhos em jogada de propaganda para seu governo de bandidos (latifundiários, empresários, banqueiros, militares – o comandante militar já cumpriu pena por chefiar quadrilha de ladrões de automóveis de luxo).

Amado Guevara disse não. Recusou-se ao papel que outros ditadores em tempos idos representaram em seus países (Brasil e Argentina no período dos governos ditatoriais de militares).

O capitão de Honduras declarou-se na resistência contra o golpe e a favor da volta de Zelaya, presidente constitucional do país ao governo.

Papelão o do senador Suplicy. Acho até que num ato de bondade deveria ser submetido a exame de sanidade mental para que se poupe o Legislativo de desgaste maior. Já bastam José Sarney. Kátia Abreu, Tasso Jereissati, Artur Virgilio, etc, etc, além do pastel Eduardo Azeredo.

Está aí uma boa dupla. Suplicy e Azeredo. Um faz a música num lado, outro a letra noutro lado e quando cantam o “a” vira “aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa”, não fecha a melodia com a letra.

É o de menos, hoje qualquer coisa emplaca na SOM LIVRE, é da GLOBO e a GLOBO adora essas macaquices com perdão dos macacos.

Diego Maradona na entrevista coletiva em que disse cobras e lagartos da mídia em seu país, num dado momento, cortou a fala de um “periodista” que usou a palavra processo para tentar mostrar e perguntar a dinâmica da seleção argentina. Maradona falou assim – “processo não. É uma expressão que me lembra a época de Videla e não foi uma boa época” –. Jorge Videla foi um assassino, estuprador, travestido de general que des/governou a Argentina em tempos de “patriotismo canalha”.

Pelé, um dos brancos bem sucedidos desse País disse que ficou satisfeito com a classificação da Argentina. “É mais gostoso ganhar deles na Copa”. Como tem mania de tocar violão e atacar de compositor, bem que podia juntar-se a dupla Suplicy e Azeredo, virava um trio. Mas como sugeriu Romário de boca fechada. “Se Pelé fosse mudo seria um gênio total”. Ao contrário, o norte-americano do Kosmos, em tempos idos disse que “o povo brasileiro não está preparado para votar”. Levou uma grana para falar isso.

Deus salve as criancinhas pobres do Brasil. Mas, enfim, existe Amado Guevara, o esporte não é feito só de Pelé. Existe Muhamad Ali.

É como diz o salmo da igreja (putz! Perdão) de Edir Macedo – “Edir Macedo é o meu pastor e nada me sobrará”. Que nem tucanos e democratas.

E vem aí o BBB edição 2010. Quem sabe Suplicy?


Veneno no meu prato não! - Barbet

Quem acompanhou o protesto do Greenpeace contra a liberação do arroz transgênico (15/10), na transmissão ao vivo pelo blog ou viu a ação pela mídia, nem imagina o que se passava nos corredores do Ministério da Ciência e Tecnologia (onde foi realizada a manifestação). O presidente da CTNBio bem que tentou passar uma imagem de calma. Depois que os primeiros ativistas já estavam no palco com a fantasia da Dilma e com duas faixas, o próprio presidente da CTNBio, Walter Colli, deu ordens para que os ativistas vestidos de macacão amarelo entrassem na sala de reunião.
petição online

A idéia era desqualificar a nossa manifestação. Colli chegou a comentar: vocês já fizeram o protesto, a mídia já registrou, agora podem ir embora para não atrapalhar a reunião. No início, os membros da comissão estavam até achando divertido. Riram, tiraram foto com a “Dilma” e fizeram piadinhas.

O que eles não contavam é que a gente não estava lá para brincadeira. Nossos ativistas suportaram um calor de quase 30ºC dentro de macacões sintéticos, usados para evitar contaminação, sem contar a voluntária que estava com a máscara da Dilma, de mais de três quilos, ainda cheirando a tinta. Meio desconcertado, mas insistindo na aparência de “nada está acontecendo”, primeiro Colli chamou a segurança. Depois, a polícia militar. E, por último, a Polícia Federal. Eles nada podiam fazer, já que não estávamos infringindo nenhuma lei. Nesse meio tempo, ele ainda chamou a atenção dos juristas que estavam na reunião e nada faziam.

Enquanto isso, as cenas mais inusitadas rolavam nos “bastidores”. Alguns membros da CTNBio tentavam destratar nossos ativistas dizendo que eles não tinham estudo, eram vagabundos ou muito jovens. Já funcionárias do Ministério da Ciência e Tecnologia parabenizavam a equipe e pediam uma das faixas usadas no protesto para guardar de recordação. Outra tentava convencer os ativistas a ficarem em um lugar que não incomodasse: no fundo da sala, por exemplo. Didaticamente, tivemos de explicar que a essência de qualquer protesto é, afinal, incomodar.

Foi difícil, exigiu resistência, paciência, estratégia, organização. Foram mais de duas horas acompanhando a reunião. Mas valeu a pena! A votação do arroz transgênico foi adiada.

Você também pode ajudar o Greenpeace a barrar esse absurdo. Participe da nossa cyberação, uma petição online em que a gente pede à ministra Dilma (virtual futura candidata do governo à Presidência, é bom lembrar) que não deixe o arroz nosso de cada dia virar transgênico.