segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A operação Capa Preta desmontou uma quadrilha de milicianos que atuava no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, desde 2007 - Barbet

A operação Capa Preta desmontou uma quadrilha de milicianos que atuava no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, desde 2007. Ela é formada por dois vereadores, sendo um deles um policial militar reformado, 13 policiais militares, quatro ex-PMs, um comissário de Polícia Civil, um sargento do Exército, um sargento da Marinha e um ex-fuzileiro naval.


Outras duas pessoas foram presas em flagrante com munição e armas com numeração raspada e de procedência irregular, segundo o delegado Alexandre Capote, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Dos 34 mandados de prisão, policiais da Draco já prenderam na manhã desta terça-feira (21) 25 pessoas. Outras nove ainda são procuradas. Na ação, também foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão, inclusive em gabinetes dos vereadores envolvidos da Câmara municipal de Caxias.
A prisão dos suspeitos de pertencer à milícia foi considerada um marco pelo subsecretário operacional da Polícia Civil Rodrigo Oliveira. Não só pelo fato de o grupo ser bem estruturado e agir desde 2007, mas principalmente por mostrar que não há diferença entre milicianos e traficantes.
“Já sabíamos disso, mas agora temos a prova de que eles são todos iguais. São todos bandidos, agem única e exclusivamente visando o lucro. E tudo isso ocorreu num momento muito oportuno para mostrar que não estamos atacando somente o tráfico. As outras áreas de atuação não estão desguarnecidas”, disse o subsecretário.
Gravações mostram negociação de armas
Segundo a polícia, o grupo de milicianos preso nesta manhã negociava armas com traficantes do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio.
“Fui no Complexo do Alemão. Aí eu fui, mas não deu certo, para pegar um dinheiro lá. O dono de lá não estava”, diz um homem numa das gravações feitas pela polícia com autorização da Justiça. Em outro trecho, o suspeito fala sobre a venda de armas na região: “É o dono mesmo do tráfico. A polícia vendeu munição e fuzil”. As vozes, segundo a polícia, são de integrantes da quadrilha.
“Estávamos acompanhando um volume enorme de homicídios na região. O Ministério Público já tinha percebido essa articulação na área e começamos uma investigação”, contou o delegado da Draco, que afirma que esta não é a primeira vez que a polícia vê indícios de uma parceria criminosa entre traficantes e milicianos.
Segundo o delegado Capote, as gravações mostram que a negociação entre traficantes e milicianos era frequente. Numa única transação, grupo de Caxias chegou a receber R$ 70 mil pelas armas vendidas.
“Agora, vamos investigar toda a documentação apreendida para tentarmos identificar que tipo de armas eram vendidas, se elas eram roubadas de forças militares, adquiridas de pessoas que já morreram ou compradas ilegalmente. Também queremos saber se era armamento leve ou pesado”, disse Capote.
Organização da quadrilha.
Segundo a polícia, a quadrilha é chefiada por dois vereadores e o filho de um deles. Um dos vereadores estava em casa, quando os agentes chegaram. O filho dele, um policial militar recém-formado, também foi preso no local.
Em Gramacho, também em Caxias, os agentes foram na casa de outro filho do vereador, também preso na ação. De acordo com as investigações, o outro político também tinha posição de chefia na organização criminosa, que, de acordo com a polícia, é a milícia mais antiga da região e atua em oito bairros da cidade.
Além da venda de armas, o grupo é acusado de homicídios, torturas, ameaças, exploração de moradores e de instalar sinais clandestinos de internet e TV a cabo. Os acusados negam os crimes. “É muito comum que eles não confessem. São pessoas bem instruídas, policiais, parlamentares…”, explica o delegado Alexandre Capote, que também participou da ação.
Os presos vão responder por formação de quadrilha armada, que tem pena de até 12 anos de prisão. Os três líderes do grupo vão responder também por extorsão, cuja pena varia de 4 a dez anos de prisão.

Internado, Alencar passa bem e se alimenta normalmente em hospital - Barbet



O vice-presidente José Alencar passa bem e se alimenta normalmente, mas continua internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, ainda não há previsão de alta e um novo boletim médico só deve ser divulgado se houver mudança no quadro. A situação de Alencar é estável, mas ainda delicada.
Neste domingo (26), em rápida conversa com a imprensa, o médico Raul Cutait, integrante da equipe que acompanha Alencar, disse que ele não precisou receber transfusões de sangue ontem. Alencar foi internado na semana passada devido a uma grave hemorragia na região abdominal.
O sangramento, provavelmente causado por um tumor, foi controlado com medicamentos. Alencar, de 79 anos, luta contra o câncer há mais de uma década.
O vice-presidente tem manifestado o desejo de participar da cerimônia de posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, no dia 1º em Brasília. Os médicos afirmam, porém, que só vão liberá-lo se seu quadro clínico for considerado satisfatório.
Ontem, Alencar recebeu a visita do ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com o ministro, o vice-presidente está bem e falou sobre economia.
- Ele está bem, se recuperando de um trauma muito grande, foi uma hemorragia muito forte. A recuperação está indo muito bem, na minha opinião. Ele falou de economia, e disse que estamos bem, no caminho certo.
Mantega contou também que Alencar se queixou a ele dos juros altos e voltou a manifestar o desejo de participar da posse de Dilma.
- Não conversei com os médicos, mas acho que ele estará lá [no dia da posse]. Ele quer terminar a missão dele como vice-presidente. Aliás, foi um grande vice-presidente, muito importante e ativo para o país. Pela lucidez e articulação das palavras, acho que ele tem condições de cumprir essa missão.
Nesta segunda-feira (27), José Alencar completa um mês sem quimioterapia contra câncer no abdômen.

Arquivado o caso da bolinha de papel de Serra - Barbet

O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o arquivamento de interpelação feita pelo médico Jacob Kligerman contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O médico queria que Lula explicasse por que chamou de "farsa" o episódio em que o então candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi atingido por um objeto semelhante a uma bobina de adesivo, em um tumulto entre militantes do PSDB e do PT durante a campanha eleitoral no Rio de Janeiro, em outubro.
As primeiras imagens na TV mostraram apenas uma bolinha de papel atingindo o candidato tucano, que chegou a passar por exames médicos. Nos dias seguintes ao tumulto, Lula e Serra trocaram acusações sobre o episódio. O presidente chegou a comparar o episódio ao do goleiro Rojas (da seleção do Chile, que fingiu ter sido atingido por um rojão no gramado do Maracanã, no jogo contra o Brasil que valia classificação para a Copa do Mundo), que foi uma mentira, além de cobrar de Serra desculpas ao povo brasileiro.
Em resposta, Serra afirmou ter sido atingido, de fato, por outros objetos. Além disso, retrucou que, se alguém devia desculpas, era Lula, por ter qualificado o episódio como uma farsa e por incentivar a violência.

domingo, 26 de dezembro de 2010

“QUER ESTUPRAR, ESTUPRA, MAS NÃO PRECISA MATAR” - Laerte Braga

A advogada Naomi Wolf escreveu e publicou um texto de suma importância para que se possa entender o caso Julian Assange, acusado de crimes sexuais na Suécia. Especialista no assunto trabalhou em vários países do mundo com mulheres estupradas, vítimas de tráfico de mulheres e não hesita em acusar a INTERPOL e os governos da GRÃ BRETANHA e SUÉCIA (colônias norte-americanas na Europa) de farsa e “ofensa à mulher”. “Teatro”.
O artigo foi publicado originalmente no HUFFINGTON POST, em 24 dezembro e traduzido no Brasil pelo blog ESQUERDA NET.
Naomi começa com uma pergunta.
“Como sei que o tratamento dado pelo Interpol, Inglaterra e Suécia a Julian Assange é uma forma de fazer teatro?”
E a resposta.
“Porque sei o que acontece em acusações de violação contra homens que não atrapalham governos poderosos”.
Especialista no assunto Naomi afirma que “que só aqueles que entre nós passaram anos trabalhando com sobreviventes de violação e agressão sexual por esse mundo afora conhecem a resposta legal padrão a acusações de crimes sexuais, compreendem totalmente como essa situação é um profundo e mesmo enojante insulto aos sobreviventes de violação e agressão sexual em todo o mundo. O que quero dizer é isto: os homens praticamente nunca são tratados da maneira que Assange está a ser tratado face acusações de crimes sexuais”.
Naomi não diz, mas por outro lado, ao contrário de mulheres vítimas de violência sexual, estupro, agressões, as duas suecas que se dizem molestadas por Assange estão em estado de êxtase ao contrário das milhões de mulheres submetidas a essa barbárie mundo afora. Em estado de êxtase com os quinze minutos de fama e os bolsos forrados pelo “capital norte-americano” para montar a farsa, o teatro.
Um dos pontos mais interessantes e reveladores do artigo de Naomi é que mulheres vitimas de violência sexual (qualquer que seja), são vistas na maioria dos casos com desdém e a primeira reação policial ou de autoridades é suspeitar de denúncia infundada, tratadas como desdém, mesmo em países ditos civilizados.
O quadro melhorou e muito, mas ainda assim a mulher vítima de violência sexual em um sem número de países, ou localidades onde predomina o conservadorismo ou o fundamentalismo religioso, essas mulheres são isoladas como se contaminadas estivessem com alguma doença contagiosa. Ou vistas, pior, como prostitutas, ou mulheres fáceis.
A autora do artigo começou a trabalhar como advogada num centro inglês de vítimas de violência sexual quando tinha ainda 20 anos de idade. Trabalhou num abrigo para mulheres vítimas de violência nos Estados Unidos, “onde a violência sexual fazia muitas vezes parte dos padrões de abuso”.
Viajou mundo afora fazendo relatos de sobreviventes de agressão sexual e entrevistando-as em países diversos como Serra Leoa, Marrocos, Noruega, Holanda, Israel, Jordânia, território ocupados da Palestina, Bósnia, Croácia, Inglaterra, Irlanda e Estados Unidos.
Registrou relatos em primeira mão de dezenas de meninas adolescentes raptadas sob a mira de armas e mantidas como escravas sexuais em Serra Leoa durante a guerra civil. Eram atadas a árvores e a estacas no solo e violadas por “dúzias de soldados uma a uma. Muitas delas tinham apenas doze ou treze anos. Os seus violadores estão em liberdade”.
Encontrou uma menina de 15 anos que arriscou a vida para fugir de seu captor no meio da noite e levando o bebê que resultou de sua violação por centenas de homens. Caminhou da Libéria, a um campo de refugiados em Serra Leoa, vivendo de raízes do mato, perdendo sangue e descalça. “O seu violador, cujo nome ela conhece, está em liberdade”.
Generais – estou escrevendo generais – a todos os níveis “instigaram esta agressão sexual duma geração de meninas por todo o país. Os seus nomes são conhecidos e estão em liberdade”. Em Serra Leoa a autora colheu documentos de vitimas violadas por objetos contundentes e afiados que provocavam rasgões e lesões vaginais que geram fistulas vaginais que podem ser constatadas por qualquer trabalhador de saúde da região, onde a assistência médica não está disponível.
“Essas mulheres que foram violadas deste modo freqüentemente sofrem com corrimentos constantes e mal odorosos por infecções que podiam ser tratadas com antibióticos de baixo custo, estivesse ele disponível. Por causa das lesões são evitadas pelas comunidades e rejeitadas pelos maridos, os violadores estão em liberdade”.
“Mulheres e meninas são drogadas, raptadas e traficadas às dezenas de milhares para a indústria sexual na Tailândia e pela Europa Oriental afora. São mantidas como prisioneiras virtuais por proxenetas”.
Entrevistadas essas mulheres afirmam que “esses raptores e violadores de mulheres são bem conhecidos das autoridades locais e até nacionais, mas esses homens nunca são alvos de acusações. Esses violadores estão em liberdade”.
Aquelas que se dispõem a testemunhar em casos de violação na Índia e no Paquistão foram sujeitas a homicídios de honra e a ataques com ácidos. Os seus violadores quase nunca sofreram acusações, quase nunca são condenados. Há o caso de um playboy indiano, narrado pela autora do artigo, óbvio, nascido em berço de ouro que foi acusado de violar uma empregada de forma violenta e que estava disposta a testemunhar contra ele. O caso foi encoberto nos mais altos níveis da polícia e o estuprador em liberdade.
Foi assim na Bósnia, é assim em Israel, no Marrocos, na Síria, na Arábia Saudita, rigorosamente em países de todo o mundo.
As duas suecas que acusam Assange estão exultantes e felizes por “terem sofrido violência sexual” do fundador do WIKILEAKS Passados alguns anos é possível que venham a ser capas de revistas, páginas centrais da PLAYBOY, freqüentadoras do Big Brother de seus países (a praga existe em quase todo o mundo).
Na Suécia, país de origem das moças, Naomi mostra que as vítimas de violência sexual raramente conseguem justiça. Na Suécia e na Inglaterra, duas importantes colônias européias dos EUA, transformadas em grandes bases militares.
Eis o que afirma Naomi Wolf.
“E que tal alguns casos mais típicos, perto de nós? Nos países ocidentais como a Inglaterra e a Suécia, que estão se unindo para manter Assange sem fiança, se efetivamente se entrevistar mulheres que trabalham em centros de emergência para casos de violação, ouvir-se-á isto: é incrivelmente difícil conseguir-se uma condenação por um crime sexual, ou mesmo uma audiência séria. Os trabalhadores em centros de emergência para casos de violação na Inglaterra e na Suécia dirão que há atrasos enormes no trabalho com mulheres violadas durante anos por pais e padrastos – que não conseguem que se faça justiça. As mulheres violadas por grupos de homens jovens e bêbados, atiradas da parte de trás dos carros para fora, ou abandonadas depois da violação em grupo, num beco, - não conseguem que se faça justiça. As mulheres violadas por conhecidos não conseguem uma audiência séria”.
E mais.
“Nos EUA ouvi falar em dúzias de mulheres jovens que foram drogadas e violadas em cidades universitárias pelo país afora. Há quase inevitavelmente um encobrimento pela universidade – que é garantido se os seus violadores forem atletas destacados na universidade, ou abastados – e os seus violadores estão em liberdade. Se se chegar a inquérito policial, ele raramente vai muito longe”.
E sobre o caso Assange.
“Por outras palavras: nunca em vinte e três anos de relatos e apoio a vítimas de violência sexual pelo mundo afora alguma vez eu ouvi falar dum caso dum homem procurado por duas nações e mantido preso em isolamento sem fiança antes de ser interrogado – para qualquer alegada violação, mesmo ou mais brutal ou mais fácil de provar”
E o aspecto decisivo nesse caso.
“Quanto a um caso que implica o tipo de ambigüidades e complexidades das queixas dessas pretensas vítimas – sexo que começou consensualmente e que alegadamente se tornou não consensual quanto à discussão surgiu em volta dum preservativo – por favor, encontre-se em qualquer parte do mundo outro homem hoje na prisão sem fiança por alguma acusação que se lhe compare”.
Naomi Wolf, autora de um grande êxito editorial ‘THE ENDE OF AMERICA: LETTER OF WARNING TO A YOUNG PATRIOT”, conclui seu artigo afirmando que
“Não é o Estado a abraçar o feminismo. É o Estado a afrontar, agredir o feminismo”.
Vida privada e vida pública não se misturam, ou não devem se misturar exceto quando a privada interfere na pública. Aí deixa de ser privada e passa a ser pública. Os últimos documentos liberados pelo WIKILEAKS mostram que governantes de alguns países solicitaram a DEA – DEPARTAMENTO ANTIDROGAS DOS EUA – auxílio para escuta e no pretexto de combater a droga, promoviam a escuta de inimigos políticos para usar o material como chantagem.
Hilary Clinton anunciou que vai deixar o Departamento de Estado do governo dos EUA ao final do mandato de Barack Obama e abandonar a vida pública. Sequer disputar a cadeira de senadora por New York. Num animal político, como a definem, isso é surpreendente.
No duro mesmo, nessa farsa toda que o WIKILEAKS mostra, Hilary deonstra que tem inteiro conhecimento que tanto ela como Bil, o seu marido, usaram a Casa Branca para grandes “negócios” donde saíram milionários e que esses negócios muitas vezes passaram pela cama dele, pelo salão oval e pela cama dela.
No Brasil mesmo, FHC teve gravados seus encontros amorosos com uma figura da sociedade de BH e que mais tarde resultou na venda da TELEMIG para a TELEMAR, hoje OI, como no prêmio a Pimenta da Veiga, o Ministério das Comunicações, em retribuição aos serviços prestados por figuras femininas diretamente ligadas a ele.
É a vida privada se misturando à vida pública e lesando o País.
Assange é vítima tanto desse medo de figuras como Hilary, como de governos terroristas como os do EUA, de Israel, ou de colônias como Inglaterra, Suécia, Itália.
Quer algo mais pornográfico que Silvio Berlusconi e suas festas com prostitutas?
O parlamento italiano o manteve no cargo.
O medo dessas figuras passa por aí também.
Os estupros praticados por soldados norte-americanos contra prisioneiros de guerra, as torturas, são reflexo da ordem moral e cristã dessas democracias fajutas. Ou pelo filho do diretor da RBS (GLOBO no sul do País) e mantido em silêncio pela tal “liberdade de expressão” da mídia privada corrupta e podre. Está solto também.
A escola Paulo Maluf, agraciado pela Justiça Eleitoral com o atestado de ficha limpa.
“QUER ESTUPRAR, ESTUPRA, MAS NÃO PRECISA MATAR”, a sabedoria pilantra do deputado paulista, cretina, típica de elites.
É cinismo absoluto da “sociedade do espetáculo”, o terrorismo real e de muitas faces do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMOS S/A.

[Carta O BERRO] Crise atual e sofrimento humano , de Leonardo Boff - Vanderley - Revista

Estou enviando artigo de final de ano: um balanço sombrio do sofrimento humano causado pela atual crise.
Esperançoso 2011.
Lboff
"O balanço que faço de 2010 vai ser diferente. Enfatizo um dado pouco referido nas análises: o imenso sofrimento humano, a desestruturação subjetiva especialmente dos assalariados, devido à reorganização econômico-financeira mundial.
Há muito que se operou a “grande transformação”(Polaniy), colocando a economia como o eixo articulador de toda a vida social, subordinando a política e anulando a ética. Quando a economia entra em crise, como sucede atualmente, tudo é sacrificado para salvá-la. Penalisa-se toda a sociedade como na Grécia, na Irlanda, em Portugal, na Espanha e mesmo dos USA em nome do saneamento da economia. O que deveria ser meio, transforma-se num fim em si mesmo.
Colocado em situação de crise, o sistema neoliberal tende a radicalizar sua lógica e a explorar mais ainda a força de trabalho. Ao invés de mudar de rumo, faz mais do mesmo, colocando pesada cruz sobre as costas dos trabalhadores. Não se trata daquilo relativamente já estudado do “assédio moral”, vale dizer, das humilhações persistentes e prolongadas de trabalhadores e trabalhadoras para subordiná-los, amedrontá-los e, por fim, levá-los a deixar o trabalho. O sofrimento agora é mais generalizado e difuso afetando, ora mais ora menos, o conjunto dos países centrais. Trata-se de uma espécie de “mal-estar da globalização” em processo de erosão humanística.
Ele se expressa por grave depressão coletiva, destruição do horizonte da esperança, perda da alegria de viver, vontade de sumir do mapa e até, em muitos, de tirar a própria vida. Por causa da crise, as empresas e seus gestores levam a competitividade até a um limite extremo, estipulam metas quase inalcançáveis, infundindo nos trabalhadores, angústias, medo e, não raro, síndrome de pânico. Cobra-se tudo deles: entrega incondicional e plena disponibilidade, dilacerando sua subjetividade e destruindo as relações familiares. Estima-se que no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas sofram este tipo de depressão, ligada às sobrecargas do trabalho.
A pesquisadora Margarida Barreto, médica especialista em saúde do trabalho, observou que no ano passado, numa pequisa ouvindo 400 pessoas, que cerca de um quarto delas teve idéias suicidas por causa da excessiva cobrança no trabalho. Continua ela: “é preciso ver a tentativa de tirar a própria vida como uma grande denúncia às condições de trabalho impostas pelo neoliberalismo nas últimas décadas”. Especialmente são afetados os bancários do setor financeiro, altamente especulativo e orientado para a maximalização dos lucros. Uma pesquisa de 2009 feita pelo professor Marcelo Augusto Finazzi Santos, da Universidade de Brasília, apurou que entre 1996 a 2005, a cada 20 dias, um bancário se suicidava, por causa das pressões por metas, excesso de tarefas e pavor do desemprego. Os gestores atuais mostram-se insensíveis ao sofrimento de seus funcionários, acrescentando-lhes ainda mais sofrimento.
A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de três mil pessoas se suicidam diariamente, muitas delas por causa da abusiva pressão do trabalho. O Le Monde Diplomatique de novembro do corrente ano, denunciou que entre os motivos das greves de outubro na França, se achava também o protesto contra o acelerado ritmo de trabalho imposto pelas fábricas causando nervosismo, irritabilidade e ansiedade. Relançou-se a frase de 1968 que rezava:”metrô, trabalho, cama”, atualizando-a agora como “metrô, trabalho, túmulo”. Quer dizer, doenças letais ou o suicídio como efeito da superexploração capitalista.
Nas análises que se fazem da atual crise, importa incorporar este dado perverso que é o oceano de sofrimento que está sendo imposto à população, sobretudo, aos pobres, no propósito de salvar o sistema econômico, controlado por poucas forças, extremamente fortes, mas desumanas e sem piedade. Uma razão a mais para superá-lo historicamente, além de condená-lo moralmente. Nessa direção caminha a consciência ética da humanidade, bem representada nas várias realizações do Forum Social Mundial entre outras".
Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-Cuidar da vida:como evitar o fim do mundo, Record 2010.

sábado, 25 de dezembro de 2010

[Carta O BERRO] AUTO DE NATAL por Pedro Osmar - Vanderley - Revista

Auto de Natal
Pedro Osmar
25/12/2010
Vocês conhecem Jesus cristo
Aquele que nasceu na manjedoura
De um acampamento palestino
De um assentamento do MST
Conviveu com os pobres,
Os fracos, desesperados e suicidas
E viveu toda a sua vida
Correndo sério risco?

Pois ele está aqui, agora, entre nós
Para mais uma vivencia sobre sua palavra e luz
Humanista, humanitária, humanizadora
Com seu olhar atento, atencioso, acalentador
Na construção de tantos bairros libertos
E suas populações libertas da miséria.

Ali, olhem ele alí, agora, no meio do povo
Povo de cristo em armas
Orando e lutando
Por este mundo melhor.

Cristo Che Guevara
Cristo Fidel, Camilo Cienfuegos
Cristo Manoel Fiel Filho
Cristo Lamarca, Marighela,
Gregório Bezerra
E Prestes
Cristo Heleniras, Violetas, Marias da Penha
Cristo filho do povo
Em armas, pela justiça e cidadania
Um cristo em armas

Pela paz de um socialismo democrático.

Cristo filho das multidões em passeata
Esperançosas
Cristo filho do povo do Brasil
Que se organiza para a liberdade
E a democracia
Cristo que prega pela paz
Nos desertos do capitalismo
Mas uma paz sem miséria
Uma paz sem lixo político
Em baixo do tapete.

E nunca esqueçam:
O cristo que somos
O cristo do povo
O cristo que mora nas ruas
Que pede esmolas e mendiga nosso amor
O cristo das comunidades em festa
O cristo das comunidades em guerra
Contra suas misérias e calamidades
É o mesmo cristo que habita
Em cada um de nós
Nossa consciência e sentimentos
De mundo sadio.

Cristo de vida livre
Vida que olha para o horizonte e vê
E constrói o seu futuro
Pelas armas da inteligência
Contra as ditaduras da impunidade
E da burrice.

Um cristo do futuro
Para o presente
E não um cristo do passado
Pregado numa cruz
De ignorâncias
E brutalidades.

Um cristo dos direitos humanos
Cristo de um povo atento
Mesmo errante
Povo que se achou no meio de suas lutas
Um povo de luta
Contra suas misérias, vaidades, hipocrisias
E calamidades sociais.

Venham, venham ver
O cristo que voltou!
O cristo resistente que, em verdade
Nunca saiu daquí
Nunca nos abandonou
Nunca morreu
Nunca se evaporou.

O cristo que somos
É o mesmo cristo luminoso
Que nos orienta nas preces de socialismo
Preces de democracia socialista
Democracia humanista
Para uma melhor compreensão de ser
Ser uma sociedade em mudança
Em grandes transformações humanistas
Para uma melhor condição de vida
Em comum.

É este o cristo que se apresenta
É o cristo que estamos aprendendo
A cada dia
O mesmo cristo solidário
Que nos ama e abraça
Naquelas horas em que nos perdemos
E nos achamos, em nossas lutas
Pela dignidade de nossa sobrevivência.

Um cristo das lutas!
Um cristo soldado na guerra
Contra todas as nossas misérias
Um cristo em vida
Provocando as belezas do bem
Nas pessoas que pensam e agem
Pelo bem.

Este é o seu reino:
Um cristo sem igrejas
Sem templos, seitas, bolsa de valores
Do livre comércio da fé
Um cristo das ruas
Amigo das Marias Nuas
Sem propriedade de ninguém.

Cristo homem
Cristo mulher
Cristo criança
Cristo idoso.

O mesmo cristo que deu a luz
À nossa consciência
E que junto com seu povo
Busca a luz perdida da fé na luta
No túnel das misérias fabricadas.

É este o cristo que se apresenta.
É o cristo que estamos aprendendo.
Cristo somos todos nós!
Negros e brancos
Índios e ciganos
Palestinos e judeus
Comunistas e socialistas
De povos em fé
Na sua busca pela liberdade
Na construção das democracias
Necessárias.

Cristo pobre
Cristo miserável
Morando, vivendo e morrendo
Nas favelas do mundo
Faminto, subnutrido
Desempregado e sem teto
Indignado com as balas perdidas
Que recebe como presente de aniversário
Todo santo dia.

Este é o cristo que sobrou
Dos monturos da fé
Nossa fé do que resta
De um amor que está enjaulado
Entregue aos cães raivosos do capitalismo
Cães dos donos do planeta
Cães da brutalidade cruel
Dos que não amam mais
O seu semelhante.

É este o Jesus Cristo
Que nós conquistamos para voar
E que assumimos
E que somos ele todo dia,
Em luta pela liberdade.

Um cristo em revolta
Um cristo revoltado
Um cristo palestino
Um pobre cristo menino
Sem pão, sem terra
E sem liberdade.

É este o Cristo que nos ensinaram
E que levamos com o nosso coração aberto
Para nossas vidas famintas
Nossas famílias aflitas
Nossa esperança em luta
Contra todas as injustiças
Deste mundo de meu deus.

***

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Último Pronunciamento do Presidente Lula (23/12/2010) - Barbet

[Carta O BERRO] MILITARES BRASILEIROS E A “AJUDA” DOS EUA - Vanderley - Revista


A maioria esmagadora dos militares brasileiros se abespinha quando se fala em direitos humanos e ainda mais em trazer a público os arquivos da barbárie que governou o País desde o golpe de 1964 e até a posse de José Sarney.
Vinte e cinco anos após o fim da ditadura militar os golpistas, torturadores e assassinos da ditadura continuam impunes blindados por uma lei de anistia que, na prática, só garante a eles.
E vinte e cinco anos após o golpe conduzido pelo general norte-americano Vernon Walters e o embaixador Lincoln Gordon, armado e orquestrado por Washington, nos quartéis se lê uma ordem do dia em que se glorifica o que chamam de “revolução”, a todo primeiro de abril, data bem apropriada, aliás.
Mais uma fornada de documentos secretos vazados pelo site WikiLeaks mostra que militares brasileiros recebiam uma “ajuda de custo” para treinar junto com militares norte-americanos.
Patriotismo é isso.
O governo dos EUA, mostram os novos documentos do WikiLeaks, reagiu junto ao Ministério das Relações Exteriores às exigências negadas de impunidade para todos os cidadãos norte-americanos que cometessem crimes durante exercícios militares feitos em comum com o Brasil e no Brasil.
Excluí-los, eventuais criminosos, das sanções do Tribunal Penal Internacional de Haia, o objetivo principal.
A tradição diplomática determina que um crime cometido por um militar estrangeiro num próprio do seu país será processado em seu país após um processo rápido de extradição, às vezes sem necessidade desse tipo de procedimento, só registro.
Os EUA queriam imunidade para qualquer tipo de crime em qualquer lugar. Admitindo que um militar norte-americano numa manobra, num exercício conjunto, numa hora de lazer, assaltasse ou matasse alguém, fora de serviço, estaria também imune à lei brasileira.
Ou seja, o direito de fazer o que bem entender.
Isso colocou em rota de colisão o Ministério da Defesa (controlado por Washington, os comandantes militares (batem continência para Washington) e o Ministério das Relações Exteriores que não aceitava essa anistia prévia para criminosos norte-americanos, claro, na hipótese de um crime.
Anos de pressão sobre o governo brasileiro para garantir esse tipo de impunidade. O governo dos EUA não reconhece o tribunal e a então senadora Hillary Clinton, atual secretária de Estado, discursando na Casa disse que os militares de seu país não poderiam ser julgados em outros países por crimes que viessem a cometer, pelo simples fato que os Estados Unidos têm responsabilidades no mundo inteiro.
Por responsabilidades entenda-se o direito de invadir, saquear, prender, torturar, matar, criar campos de concentração, coisas do gênero.
“Os Estados Unidos têm responsabilidades globais que criam circunstâncias únicas”, foi o que disse Hillary.
Países que não aceitaram as pressões norte-americanas perderam a ajuda e a tal “assistência econômica” norte-americana.
No caso do Brasil diante da recusa do Ministério das Relações Exteriores o Ministério da Defesa (braço do Pentágono) teve que tratar de buscar outras plagas para treinamento.
E embora setores do Itamaraty tentassem uma solução negociada para atender ao “patriotismo” dos nossos militares, em 28 de abril de 2005 o embaixador Antônio Guerreiro disse ao secretário assistente para Não Proliferação de Armas, Stephen G. Radmaker que o Brasil não aceitava os termos norte-americanos. Segundo o embaixador dos EUA aqui, presidente de honra do esquema FIESP/DASLU, John Danilovich, “Guerreiro, educadamente, mas inequivocamente falou que o Brasil não assinaria um acordo sobre o artigo 98 com os EUA”.
Bandido norte-americano responderia perante as leis brasileiras por crime cometido no Brasil. Foi o que Guerreiro disse em linguagem diplomática. O Ministério da Defesa que dizem ser do Brasil, prometeu aos norte-americanos que iria fazer apelos ao Ministério das Relações Exteriores, o ministro é Celso Amorim, para ceder.
Ao final, segundo relato do embaixador dos EUA, “os militares brasileiros (brasileiros?) perderam a parada.
O Brasil reconhece o princípio da extraterritorialidade de embarcações e aviões militares, explica um documento do Itamaraty, mas fora disso os crimes cometidos por militares estrangeiros no Brasil serão processados segundo a lei brasileira. O governo do Brasil, através do Ministério das Relações Exteriores afirmou à época que “as cortes brasileiras têm jurisdição sobre crimes cometidos fora do exercício militar determinado. Neste último caso, as cortes brasileiras agirão independentemente de quaisquer consultas entre os dois governos baseando-se nos princípios constitucionais que estabelecem a independência de poderes.
E manifesta a irritação do Ministério com as pressões dos EUA e do tal Ministério da Defesa que dizem ser do Brasil. “Finalmente o Ministério expressa à embaixada que as comunicações sobre esse assunto, para que sejam consideradas oficiais, devem ser direcionadas ao Itamaraty, a autoridade com responsabilidades apropriadas e o órgão que gerencia privilégios e imunidades a oficiais estrangeiros que visitam o País”.
Está explicada a permanência do agente norte-americano Nelson Jobim no Ministério da Defesa dito do Brasil e a saída de Celso Amorim do Ministério das Relações Exteriores.
O governo Dilma antes de começar dá sinais que vai tirar os sapatos para a revista no aeroporto de New York.
Os militares brasileiros, em sua imensa maioria, ficaram decepcionados por não terem mais os brinquedinhos de guerra, diferentes daquele negócio de medalha por bom comportamento.
http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/12/militares-brasileiros-e-ajuda-dos-eua.html

Ex-ditador argentino Jorge Videla é condenado à prisão perpétua - BBT


SACO DE GATOS - A TAL "REPÚBLICA SINDICALISTA" - Laerte Braga

A história do movimento sindical em todo o mundo é um dos capítulos mais importantes da luta dos trabalhadores num plano maior da própria história, a da civilização humana.
Foi um momento agudo da luta de classes. Revelador da natureza perversa e sórdida do capitalismo. Avanços e conquistas recheados de mortes de mártires dos trabalhadores.
As forças de direita têm o hábito de usar o termo “república sindicalista” para tentar caracterizar uma espécie de ditadura gerida por sindicatos e em detrimento do que chamam de “democracia” (câmaras de tortura, de estupros, de assassinatos, etc).
Na frustrada tentativa de golpe contra o presidente Hugo Chávez em 2002 o líder do sindicato dos petroleiros da Venezuela apoiou o golpe. As mudanças feitas por Chávez na estatal venezuelana de petróleo acabaram com privilégios da categoria e transformaram a PEDVESA num instrumento de conquista de todos os trabalhadores daquele país.
O que aconteceu terça-feira, 21 de dezembro, em Vitória, antigo e extinto estado do Espírito Santo (latifúndio SAMARCO/VALE/CST) foi um exemplo pronto e acabado do sindicalismo corrupto, pelego e cúmplice das classes dominantes.
Falo da assembléia convocada pelo sindicato dos professores para tratar de um precatório devido pelo governo do Estado desde 1990 e referente a um direito da categoria – trimestralidade – não respeitado pelo governo.
O antigo e extinto Espírito Santo é governado por um chefe de quadrilha sem entranhas e respeito pelo que quer que seja, Paulo Hartung. Uma espécie de Calígula contemporâneo.
O sindicato dos professores é cúmplice da farsa montada pelo governo em torno do precatório.
Segundo os sindicalistas e o próprio governo os documentos do precatório sumiram num acidente de trânsito, numa ponte que liga Camburi a Praia do Canto. Caíram no mar. Um pequeno detalhe. Nas grossas marmeladas do governo e seus cúmplices no movimento sindical o precatório foi de fato pago ao advogado do sindicato, de nome Alexandre e a alguns sindicalistas corruptos, naturalmente, todos da chamada base do PT – em tese Partido dos Trabalhadores -.
Os professores, neca de pitibiriba, ficaram e estão a ver navios.
Na terça-feira, pressionados, os dirigentes sindicais convocaram uma assembléia de professores beneficiários do precatório, dos herdeiros daqueles que já faleceram e tentaram armar uma farsa digna de qualquer comédia de Cantinflas. Uma baita confusão que não dá em nada. E Cantinflas era bom de verdade, o sindicato e seus diretores não, são os bandidos do filme.
Convocaram a reunião para um hotel em Vitória, três andares de escadas – a maioria dos professores credores têm mais de 60 anos, muitos já sem condições de deslocamento normal – e a conversa era fazer uma fichinha para uma ação coletiva visando restaurar o que sumiu – e já foi pago a bandidos –, ou seja, fingir que estão preocupados com a categoria além dos privilégios que detêm.
Perto de três mil professores acorreram ao local, um grande tumulto, muitos se machucaram, foram pisados e segundo os diretores do sindicato (chamados de ladrões não reagiram, tentaram desqualificar os críticos para não entrar no mérito do fato de serem de fato bandidos) o motivo era a tal fichinha para a tal ação coletiva, do que já foi decidido, é ganho de causa e já foi pago a um advogado e diretores do sindicato que não repassaram aos seus legítimos donos.
O sindicato dos professores do antigo e extinto estado do Espírito Santo não é uma exceção entre sindicatos controlados por petistas e por outros partidos também. Boa parte do sindicalismo brasileiro hoje está em mãos dessa gente. Deixou de ser instrumento de luta da classe trabalhadora e virou instrumento de enriquecimento de seus diretores.
Ou aparelhamento de partidos políticos presumidamente de esquerda, supostamente comprometidos com a luta popular.
A tal “república sindicalista”, longe de ser uma ameaça à “democracia” de gorilas e que tais, é cúmplice dessa forma de ser das elites políticas e econômicas num modelo falido e que, neste momento sobrevive por conta do carisma de um presidente, Lula.
Qualquer governador padrão Paulo Hartung, bandido lato senso, compra boa parte de diretores de sindicatos. Exceções? Claro, sempre as há. Mas não é o caso dos diretores do sindicato dos professores do antigo e extinto estado do Espírito Santo.
As explicações sobre a farsa foram inúmeras. Houve confusão entre o que a tevê noticiou, o que a rádio noticiou, foi o que disseram, daí os tumultos, enfim, nada que pudesse significar culpa de dirigentes sindicais corruptos. Acabou a culpa sendo dos professores.
No dia seguinte o jornal GAZETA, do grupo GLOBO (lógico né), disse que tudo correu bem, que os objetivos foram alcançados apesar de alguma confusão e que os professores iriam receber (sabe Deus quando, depois da tal ação a ser proposta à Justiça).
Só faltou dizer que houve um erro histórico naquele negócio dos reis magos visitando Cristo na manjedoura. Lá estariam, além dos três, os diretores do sindicato levando a bandeira petista para o Salvador.
Sobre o sumiço, as marmeladas do governador Paulo Hartung, diretores e advogado nada.
O simples fato de afirmar que o processo sumiu é criminoso, mostra o mau caratismo dos diretores. Documentos vários foram apresentados por pessoas que lá estavam mostrando a existência de tudo o que estava sendo dito como real e o sindicato negava.
Sem argumentos, enrolados na mentira, os diretores preferiram rotular os críticos como “são de oposição”. Ou seja, rotulam e não respondem às acusações. É um jeito antigo que bandidos têm de escapar de situações complicadas.
Como vai ficar não sei. Considerando a natureza do crime, considerando as ligações perigosas das autoridades do estado, o caso deveria ser objeto de investigação da Polícia Federal. E às claras, de maneira transparente. Para que não pairem dúvidas que os diretores do sindicato dos professores do antigo Espírito Santo são cúmplices de um ato de corrupção, muitos beneficiados diretamente e o governador do Estado é só uma versão branca de Beira-mar no poder.
Os professores, os milhares que lá foram, as vítimas de uma farsa, de uma grande mentira.
Existem até documentos do Conselho Nacional de Justiça sobre o tal processo que “sumiu”.
Sumiu o dinheiro público devido aos professores e seus herdeiros, encheram-se os bolsos dos bandidos sindicais.
É por aí a história. E o que vem, no plano para enrolar mais ainda, é de arrepiar.
Essa balela de “república sindicalista” é isso. Aparelhamento de sindicatos de trabalhadores por cúmplices das elites políticas e econômicas e transformação desses instrumentos de luta em associados da classe dominante.

AS PERSPECTIVAS DE DILMA ROUSSEF - Laerte Braga

Se levarmos em conta os fatos que têm sido mostrados todos os dias em documentos vazados pelo site WIKILEAKS, Dilma Roussef começa sua caminhada em janeiro como um acrobata que faz aquelas travessias fantásticas pelos Alpes, quilômetros acima do nível do chão.
Não há como imaginar que um governo possa ser diferente de um exercício de equilibrismo quanto entre seus ministros tem figuras como Moreira Franco e Nelson Jobim, isso para ficar em dois. E ambos em ministérios estratégicos, ambos, comprovadamente corruptos e comprometidos com interesses de potência e grupos estrangeiros.
Há um risco que Dilma corre e de saída vai precisar mostrar que está à altura do desafio. O de ser capaz de se equilibrar sem concessões a esse tipo de bandido travestido de político. Dilma não é Lula e até que ponto vai conseguir não sei, só depois dos primeiros momentos do seu governo vai ser possível avaliar.
O fato torna-se mais preocupante ainda quando afasta figuras respeitadas mundialmente como Samuel Pinheiro Guimarães e Celso Amorim de ministérios chaves e nomeia para as Relações Exteriores um diplomata que em sua primeira declaração critica o voto do País sobre o Irã. Antônio Patriota está no governo Lula há oito anos e agora manifesta essa posição.
De fazer inveja a qualquer camaleão.
O que talvez Dilma não tenha entendido é que foi eleita presidente em função de Lula. Do contrário nem vereadora em Porto Alegre, ou Belo Horizonte. E em função de Lula significa dizer das políticas do atual governo nesses oito anos do presidente.
Em tese poderíamos dizer um programa, estratégias e táticas montadas em cada momento, de cada dificuldade. Segurou-se em seu carisma, nos avanços obtidos em políticas sociais, na estabilidade econômico/financeira (sem mudanças em relação às políticas neoliberais), acima de tudo na política externa que foi capaz de transformar o Brasil de um gigante adormecido numa voz influente e decisiva em todo o mundo.
Dilma foi escolhida e eleita para isso. Não quer dizer que tenha que ser tutelada ou fantoche de Lula, mas deve e tem o dever de mostrar um compromisso expresso com essa postura. E perceber, aí sim, a possibilidade de avanços concretos e efetivos já que os anos de turbulência passaram e os brasileiros foram claros na sua opção.
O “capitalismo a brasileira”, invenção de Lula na perfeita definição de Ivan Pinheiro, pode e deve começar a ser transformado em avanços na direção do socialismo. É fundamental compreender que o confronto com as forças conservadoras é inevitável, hoje ou amanhã e quando mais tarde acontecer, maiores serão as chances de sermos engolidos.
O PT não é um partido de caráter revolucionário, “diferente” como se dizia, tampouco uma vestal. É só um PMDB ou um PSDB diferente (sem aspas) no jogo do clube de amigos e inimigos cordiais preocupado em manter cargos, sinecuras, ocupar espaços na máquina estatal, nada além disso. As principais lideranças petistas hoje nem sabem mais a história e a gênese do partido.
O movimento popular e a parte não contaminada do movimento sindical, formas de participação popular serão essenciais. E nisso o debate da comunicação é decisivo.
Os mais recentes documentos do WIKILEAKS mostram a preocupação e as pressões do governo dos EUA sobre o Brasil na questão iraniana. Os norte-americanos não gostam da política de Amorim em relação ao Irã. Não se trata da questão nuclear, qualquer leigo sabe que o Irã está se preparando para construir armas nucleares e o caráter dessas armas, ali, é defensivo, diante da barbárie dos EUA e de Israel (milhões de iranianos morreram na guerra contra o Iraque, montada, orquestrada e dirigida por Washington.)
A política externa brasileira dificultou ações terroristas tanto dos EUA quanto de Israel na região. A maior potência do mundo estava acostumada com a submissão brasileira no governo de FHC (até sapato o chanceler tirava no aeroporto de New York para submeter-se a revista).
Imaginar que dois sacripantas como Nelson Jobim (o WIKILEAKS já mostrou suas ligações com os norte-americanos) e Moreira Franco vão se preocupar com o Brasil é acreditar na conversão do diabo.
Como Dilma vai lidar com isso é uma incógnita. Como vai lidar com os apetites de PT, PMDB e outros menores para cargos na máquina estatal é outro problema.
O risco de tornar-se presa fácil de forças conservadoras e jogar por terra todos os motivos que a transformaram em presidente é grande.
O fim do governo Lula, respeitado no mundo inteiro, vai fazer com que norte-americanos aumentem o som e o tom das pressões sobre o governo brasileiro para um alinhamento incondicional. Se isso acontecer o retrocesso será sem tamanho, levando em conta que o próprio governo Lula funcionou em compartimentos estanques administrados na prodigiosa capacidade de equilibrismo do presidente.
E tudo isso sem levar em conta que as forças armadas brasileiras em sua absoluta maioria bate continência para Washington e essa maioria esta louca para o restabelecimento da “ajuda por fora”, para treinamento com os brinquedinhos que lá se tornam imprestáveis e aqui ajudam a silenciar consciências.
O desafio da integração latino-americana, um processo que se iniciou a partir do presidente Chávez da Venezuela e hoje tem a força de uma realidade da qual não se pode fugir sob pena de voltarmos a ser a velha AMÉRICA LATRINA, ou nos transformamos num México separado dos enviados divinos por um muro.
É só olhar a Europa Ocidental. Um amontoado de ex-grandes impérios transformados em colônias e bases militares de um monstrengo chamado OTAN (ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE), pretexto para a ocupação imperial norte-americana.
Ou alguém ainda acredita que o primeiro-ministro britânico, ou a chanceler da Alemanha acorda e reza a Papai do Céu? Agradece a Obama mais um dia e pronto.
Nem falo de Berlusconi. Qualquer crítica feita na Itália a Tiririca seria desqualificada na figura do próprio primeiro-ministro.
Apostar única e exclusivamente nas políticas sociais, sem transformá-las em alavancas de transformações no modelo, ampliando o processo de reforma agrária e na estabilidade econômica é o mesmo que não sair do lugar e permitir espaços que os grupos conservadores vão ocupar e preparar para a reconquista do poder.
Aécio está aí prontinho para isso.
O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza é autor de um projeto de lei redigido pela advogada da multinacional MONSANTO. Libera o uso da tecnologia “terminator” – que é proibida em todo o mundo e condenada pela ONU – para atender a interesses dos agronegócio.
O veneno nosso de cada dia naquela conversa fiada de feijão/soja/arroz/milho do tamanho de uma abóbora.
Como Dilma vai lidar com isso? A proposta revoga a lei de Biossegurança, do governo Lula e introduz a tecnologia da dependência absoluta. A semente que germina uma só vez, a semente estéril. A dependência alimentar plena e absoluta e com recheio de veneno.
Uma das tecnologias a “terminator” é considerada ameaça a diversidade de cultivos e a soberania alimentar desde 1998. ONU, Convenção de Biodiversidade recomendam que países não usem essas sementes, nem as comercializem. O Brasil em 2006 manteve a decisão de não fazê-lo e naturalmente a MONSANTO financiou a campanha de Vaccarezza, como qualquer VALE financia latifundiários padrão Kátia Abreu no afã de destruir o Pantanal a Amazônia, colocar o Brasil na Idade Média.
Vaccarezza é um escárnio. O projeto foi redigido pela advogada Patrícia Fukuma, da MONSANTO e soa como fatura do financiamento da campanha do deputado petista. Nem escondem isso nos documentos constantes do PL 5575/2009. Vaccareza diz que conversou com ela, mas “não tem nenhuma relação”. Aprendeu a arte da cretinice depressa. É óbvio, essa pressa é proporcional ao aumento da conta bancária.
Como é que Dilma vai lidar com esse tipo de gente formando a base do governo?
Não são perspectivas positivas. Os primeiros momentos, com certeza, serão de festas. Os segundos, terceiros, vão depender da presidente honrar os compromissos de campanha no mínimo e buscar avanços no curso do próprio processo conseqüência das conquistas do governo Lula, tanto quanto rejeitando as concessões do atual presidente.
Do contrário se Sarney vier a morrer no meio do caminho mumificam e o mantém na presidência do Senado, ou exumam ACM.

[Carta O BERRO] Bispo de Limoeiro do Norte recusa homenagem doSenado = Vanderley - Revista

Dom Edmilson disse que a comenda hoje não representa a pessoa do cearense que foi Dom Helder Câmara
FOTO: AG. SENADO
22/12/2010
Em protesto contra o reajuste de 61,8% concedido a deputados e senadores, o bispo não quis receber comenda
Brasília - Uma solenidade de entrega de comenda no Senado terminou em constrangimento para os parlamentares que estavam em plenário. Em protesto contra o reajuste de 61,8% concedido a deputados e senadores na semana passada, o bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson Cruz, recusou-se a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara.
Em discurso, ele destacou a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar as filas dos hospitais da rede pública. "Não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta".
Dom Manuel da Cruz lamentou que o Congresso tenha aprovado reajuste para seus próprios salários, da ordem de 61,8%, com efeito cascata nos vencimentos de outras autoridades, "enquanto os trabalhadores do transporte coletivo de Fortaleza mal conseguiram 6% de aumento em recente luta por elevação salarial", disse. O bispo mencionou também as aposentadorias reduzidas, o salário mínimo que cresce em "ritmo de lesmas".
Comenda
Ao recusar a comenda, o bispo foi taxativo: "A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la".
Nesse momento, quando a sessão era presidida por Inácio Arruda (PCdoB-CE), autor da homenagem, o público aplaudiu a decisão.
Após a recusa formal, o bispo cearense acrescentou que "ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho".
Ele acrescentou que o reajuste dos parlamentares deve guardar sempre "a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria".
Dom Edmilson Cruz afirmou que assumia a postura com humildade, sem a pretensão de dar lições a pessoas tão competentes e tão boas".
Diante da situação criada, o senador José Nery (Psol-PA) cumprimentou o bispo pela atitude considerada "coerente" com o que pensa.
"Entendemos o gesto, o grito e a exigência de dom Edmilson Cruz que, em sua fala, diz que veio aqui, mas recusará a comenda Dom Helder Câmara. Também exige que o Congresso Nacional reavalie a decisão que tomou em relação ao salário de seus parlamentares", acrescentou o senador paraense.
Protesto
O protesto contra o reajuste dos parlamentares não se resumiu, no entanto, à manifestação do bispo. Cerca de 130 estudantes secundaristas e universitários de Brasília foram barrados na entrada principal do Congresso quando preparavam-se para protestar contra a decisão tomada na semana passada pelos parlamentares.
A intenção do grupo era circular pelas instalações das duas Casas empunhando cartazes com críticas ao aumento. No entanto, por decisão das polícias legislativas, eles não foram autorizados a entrar.
Fique por dentro
Discurso
"O aumento de 61,6% dos parlamentares a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isso não acontece. O que acontece, é um atentado contra os direitos humanos do nosso povo... A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos só me resta uma atitude: recusá-la".

[Carta O BERRO] *Em documentário de 1971, ativistas nacionais mostram como era a repressão na ditadura* = Vanderley - Revista


*Em documentário de 1971, ativistas nacionais mostram como era a repressão
na ditadura*
(Trechos de "Brazil: a report on torture":* *
*Evandro Éboli*
Quarenta anos depois, contundentes imagens de como se dava a tortura aplicada pela ditadura e desconhecidas no Brasil chegam timidamente ao país. No documentário "Brazil, a report on torture" ("Brasil, o relato de uma tortura"), parte do grupo de 70 ativistas da luta armada que foram trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971, relata e encena práticas como pau de arara, choque elétrico, espancamento e afogamento.
O objetivo era denunciar no exterior o que ocorria nos porões da ditadura
brasileira. O filme foi realizado em 1971, em Santiago, no Chile, para onde os brasileiros foram banidos. O documentário foi uma iniciativa dos cineastas americanos Haskel Wexler e Saul Landau, que estavam no Chile para produzir material sobre o presidente Salvador Allende e souberam da presença dos brasileiros. Quase todos os guerrilheiros que deram depoimentos não assistiram ao filme até hoje. Dois deles se suicidaram alguns anos depois: Frei Tito e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, uma das mais próximas amigas da presidente eleita, Dilma Rousseff, no período da Var-Palmares, no início da década de 70. Nas imagens, os ativistas simulam vários tipos de tortura, como uma pessoa tendo seu corpo esticado, com pés e mãos amarrados entre dois carros. Simulam a "mesa de operação": sem roupa, ou só de cueca, o torturado deita
na mesa, tem os braços e pernas amarrados nas extremidades e sofre pressão na espinha. Uma barra de ferro, no alto, tem um barbante amarrado aos testículos. A pessoa era obrigada a ficar por duas ou três horas na posição, suportando o peso do corpo com as mãos e braços. O GLOBO enviou cópia a alguns dos protagonistas, que somente agora tiveram acesso ao documentário e relembraram o depoimento.Jean Marc Van der Weid, hoje diretor de uma ONG de agricultura alternativa, defendeu a luta armada no filme como única maneira de o povo chegar ao poder no Brasil ditatorial: — Nunca tinha visto. Era um filme de denúncia contra a ditadura e produto de um momento inteiramente diferente de hoje. Não me lembrava nem do que falei. A ideia da luta armada era generalizada em quase todas as organizações de esquerda — disse Jean Marc, que era presidente da UNE quando foi preso e atuou na Ação Popular (AP).
OBS: *Brazil, a Report on Torture* é um documentário que foi produzido em 1971 com a colaboração do cineasta norte-americano Haskell Wexler, contando com depoimentos de brasileiros torturados e que se exilaram no Chile. O
filme foi rodado com a colaboração de Saul Landau e Haskell Wexler.

[Carta O BERRO] NINGUÉM PARA A CORÉIA livro de Cláudio Guerra. - Vanderley - Revista

Além do dom de brilhante escritor, Cláudio Guerra é ideologicamente um autentico comunista. E quando digo isso, falo – e o que ele narra neste livro -, dos comunistas de antigamente. Uma vez ouvi dizer e concordei plenamente,”não se faz mais comunistas como antigamente.”
Cláudio Guerra descreve a luta desses comunistas numa cidade do Rio Grande do Norte, após a guerra, a cassação de Luiz Carlos Prestes e seus companheiros, deputado e vereadores eleitos.
Conta das reuniões, da rigorosa clandestinidade e ainda das tarefas a realizar, entre todas a luta pela paz (não iremos para a Coréia), pelo petróleo, no aniversário de Prestes, na luta pela legalidade.
Tudo isso num confronto com a elite empresarial, o Juiz, o papel da igreja anti comunista, o delegado de polícia e os milicos e as torturas e os assassinatos.
E mais, você vai conhecer o Partido e os militantes: o companheirismo: a solidariedade: a disciplina: a honra de não falar na tortura: a estrutura precária , mas eficiente para realizar as tarefas: as pichações, a panfletagem clandestina e as passeatas de surpresa e os confrontos.
Uma história real contada pelas mãos hábeis de Cláudio Guerra.
Sem exagero, na visão micro numa cidade de Natal, faz um paralelo aos Subterrâneos da Liberdade de Jorge Amado . É a minha opinião.
Vanderley Caixe

Argentina julga ex-ditador Jorge Rafael Videla por crimes cometidos na ditadura - Vanderley - Revista

Primeiro presidente da ditadura militar da Argentina, o ex-general Jorge Rafael Videla, 84, foi condenado à prisão perpétua, pelo Tribunal Oral Federal de Córdoba.

[Carta O BERRO] Presidente do tribunal diz que juízes brasileiros têm de acatar condenação ao País por violações de direitos humanos - Vanderley - Revista

Presidente do tribunal diz que juízes brasileiros têm de acatar condenação ao País por violações de direitos humanos
19 de dezembro de 2010 | 0h 00
- O Estado de S.Paulo
Os juízes brasileiros têm obrigação de acatar e cumprir a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que nesta semana condenou o Brasil por violações de direitos humanos no episódio da guerrilha do Araguaia, 40 anos atrás. Essa é a opinião do chileno Felipe González, presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos - a instituição que inicialmente recebeu a denúncia dos familiares dos mortos e desaparecidos na guerrilha e depois a encaminhou à corte.
Em entrevista ao Estado, González, que é professor de direito constitucional, observou que a principal tarefa do Brasil no momento é remover todos os obstáculos que impeçam o cumprimento da sentença, com a determinação para que os fatos sejam apurados e os responsáveis pelos crimes, punidos. O passo inicial, acredita o professor, seria a revogação da Lei da Anistia, de 1979, que impede o julgamento de agentes do Estado acusados de violações de direitos humanos.
Pela interpretação jurídica em vigor no País, esses agentes teriam sido beneficiados pela lei, originalmente destinada apenas aos opositores do regime que viviam no exílio, estavam presos ou impedidos de exercer seus direitos políticos. Mas, segundo González, a lei não tem nenhuma validade porque viola princípios da Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.
"Quando uma lei de anistia beneficia autores de crimes contra a humanidade, como a tortura e o desaparecimento forçado, entra em confronto com a Convenção Americana", diz ele. "O Brasil sabe disso, porque há uma jurisprudência bem fundamentada no sistema interamericano em relação a crimes contra a humanidade. As leis de anistia na Argentina e no Uruguai foram suspensas pela Corte Interamericana porque contrariavam o pacto internacional de San José, na Costa Rica."
Soberania. Em relação ao argumento apresentado por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a sentença viola o sistema jurídico e a soberania do País, González observa: "Não é invasão de soberania porque foi o Brasil que, voluntariamente, assumiu obrigações em nível internacional ao ratificar a Convenção Americana e ao reconhecer a jurisdição da corte em matéria contenciosa. Foi o Brasil que entregou essa faculdade à Corte Interamericana."
O presidente da Comissão de Direitos Humanos também observa que as reações iniciais às decisões da corte são frequentemente de recusa e contestação. Em quase todos os casos, porém, as resistências acabam vencidas.
"O sistema internacional não emprega elementos de coação, mas vai manter o caso aberto até que o Brasil cumpra a sentença", explica. "Periodicamente serão solicitados informes e relatórios e o processo pode demorar anos. Por outro lado, a assembleia da OEA também recebe comunicados anuais sobre os países que não cumprem as sentenças. Com o correr do tempo, as decisões acabam sendo cumpridas. As Cortes Supremas da Argentina, do Chile e da Colômbia mudaram suas jurisprudências."
Para González, a reação do Brasil é observada com atenção, em decorrência de sua crescente projeção internacional.
"O Brasil daria um magnífico exemplo e fortaleceria sua imagem se acatasse as determinações", diz ele. "Do ponto de vista interno, não se trata apenas de um confronto com o passado. O cumprimento da sentença fortaleceria a democracia, mostrando que não existem cidadãos de primeira e de segunda categoria e que todos os crimes, não importa quem pratique, são investigados e os culpados, punidos." / R.A.

[Carta O BERRO] Análise : Para onde vai a Europa? - Vanderley - Revista

A resposta à crise proposta pelos mercados (desregulamentação do mercado de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações) é cada vez mais voraz. A União Europeia necessita de outra estratégia. Estamos assistindo a uma verdadeira guerra dos mercados contra os Estados. O que estamos vendo é uma contrarrevolução social “thatchero-reaganiana”. A questão é saber se as sociedades europeias vão aceitar isso. A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político. O artigo é de Sami Nair.
Sami Nair
Depois da Grécia, a Irlanda. E depois, provavelmente, Portugal. Na sequência, não sabemos. O que é certo é que vários países estão ameaçados pelos mercados. A Espanha já está sob a alça da mira. Mas com o devido respeito pelos demais, o caso da Espanha é diferente. Trata-se da quarta economia da Europa (12% do PIB europeu) e é um peso pesado da política europeia. A dívida espanhola é três vezes superior à grega, seu déficit está, há dois anos, em torno de 10% do PIB, e o desemprego, que atinge todas as faixas de idade, está acima dos 20%. Se a Espanha recorrer ao fundo de resgate europeu, isso abriria também, de maneira inevitável, o caminho para ações especulativas contra Itália e França, o que significaria um giro decisivo para a Europa.
O paradoxo é que a estratégia europeia de saída da crise mundial (desregulamentação do mercado de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações) mostra os mercados cada vez mais vorazes. Daqui em diante, eles querem tudo. Essa estratégia, fundamentalmente recessiva, provoca um aumento legítimo das reivindicações sociais e políticas e dá lugar a perguntas que começam a ser formuladas espontaneamente pelas opiniões públicas. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, expressa assim esse estado de ânimo: “Para Atenas, Madri ou Lisboa, se colocará seriamente a questão de saber se interessa continuar o plano de austeridade imposto pelo FMI e por Bruxelas, ou se, ao contrário, é melhor a voltar a serem donos de suas políticas monetárias” (Le Monde, 23-24 de maio de 2010).
Ainda não chegamos a esse ponto, mas se não mudarmos as regras do jogo, a divisão da zona euro se tornará uma hipótese séria. Pois está claro que não poderemos resolver esta crise somente com medidas restritivas que atingem as populações mais expostas (classes médias e populares), e menos ainda com medidas técnicas vinculantes como as apoiadas por Alemanha e França para ativar o fundo de resgate. O presidente do Banco Central alemão, Axel Weber, deu a entender, durante uma visita recente a Paris, que os 750 bilhões de euros deveriam ser de todo modo aumentados se a Espanha recorresse ao fundo. Isso não deve ter agradado muito ao ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble, que, em uma entrevista ao Der Spiegel (08/11/2010), informou: durante a fase crítica, prolongação da vida dos créditos; se isso não bastar, os investidores privados deverão aceitar uma depreciação de seus empréstimos em troca de garantias para o restante. Isso é o mesmo que agitar a capa vermelha diante dos investidores privados.
Estes reagiram imediatamente, colocando a Irlanda de joelhos e cercando Portugal antes de assinalar os alvos na Bélgica e na Espanha. Quanto falta para que passem ao ataque? A margem de confiança que concedem aos diferentes países da zona euro já é insustentável: a Alemanha encontra compradores de seus bônus a uma média de 2,7%, enquanto que a Espanha os negocia no melhor dos casos em torno de 5% e Portugal a 6,7%. Os países endividados emprestam, pois, a taxas cada vez mais proibitivas e, se às vezes conseguem ganhar uns pontos, é só porque o Banco Central compra alguns bônus, coisa que não poderá durar muito tempo.
Na verdade, estamos assistindo a uma verdadeira guerra dos mercados contra os Estados. Quando a crise começou, apontei (“A vitória dos mercados financeiros”, El País, 08/05/2010) que os mercados iam submeter à prova a capacidade de resistência dos Estados e dos movimentos sociais, e quem em caso de uma debilidade comprovada dos europeus para definir uma estratégia progressista comum frente à crise, os investidores iam incrementar sua vantagem atacando frontalmente os Estados mais fracos. Objetivos: desregulamentar ainda mais os mercados internos e exigir mais privatizações. É exatamente o que está ocorrendo hoje. O que estamos vendo é uma contrarrevolução social “thatchero-reaganiana”. A questão é saber se as sociedades europeias vão aceitar isso. Neste contexto, o estatuto do euro é um teste definitivo: será, finalmente, posto a serviço da promoção de um modelo social sustentável ou se tornará o vetor da destruição dos restos do Estado de bem estar europeu?
A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político. Se as medidas técnicas adotadas não conseguirem resolver as dificuldades dos países europeus, veremos a divisão da zona do euro anunciada por Stiglitz? E qual será a forma dessa divisão? Uma zona reduzida a seis, sem a Espanha? Uma zona baseada no desacoplamento entre uma moeda única para o casal franco-alemão e alguns outros países, e uma moeda comum para o resto? Um retorno às moedas nacionais? E, neste caso, o que será do mercado único? Ouvimos todos os dias dirigentes políticos afirmarem que estas hipóteses são impensáveis: mas estamos seguros de que controlam os fluxos monetários? Não estão submetidos ao uníssono da Bolsa? Tudo pode ocorrer?
Na verdade, está em jogo o futuro do projeto europeu. As regras de funcionamento do euro previstas pelo Tratado de Lisboa entram cada vez mais em contradição flagrante com as divergências de desenvolvimento dos diversos países da zona. Nenhum governo se atreve, aparentemente, a colocar em dúvida os dogmas que sustentam o Pacto de Estabilidade, ainda que, na prática, ninguém os respeite. Mas, se queremos salvar o euro, é preciso flexibilizar essas regras. E talvez mudá-las. É vital estabelecer, daqui em diante, uma coordenação forte das políticas econômicas europeias, ainda que a Alemanha, tutora do Banco Central, não queira ouvir falar de um “governo econômico”. Aqui está o coração da batalha para a sobrevivência da zona euro e não nas medidas coercitivas previstas pelo acordo adotado em 28 de outubro, em Bruxelas.
Para relançar a Europa, essa coordenação deverá enfrentar pelo menos quatro grandes tarefas; 1) Uma proteção do espaço monetário europeu, regulando efetivamente, como foi previsto na reunião da UE de 18/05/10, os fundos de investimento alternativos e sobretudo os instrumentos ultraespeculativos (hedge funds, private equity, CDS). Isso supõe que se pode pedir explicações ao Reino Unido para que ponha fim à política desestabilizadora da City, principal praça especulativa mundial. 2) Uma mutualização das dívidas públicas europeias com a criação de “bônus europeus” para os países endividados que recorrerem ao fundo de resgate. Para evitar que aumente a desconfiança dos mercados, a Alemanha deve aceitar que a ativação do mecanismo de resgate seja, sob condições precisas, mecânico e não negociável a cada caso, como ocorre agora. 3) A realização de um empréstimo para financiar uma grande política pública europeia de crescimento, de criação de emprego e de pesquisa-inovação, o que supõe uma reforma dos estatutos do Banco Central. 4) Uma harmonização fiscal comum da zona do euro apoiada por um reforço dos fundos de coesão para os países em dificuldades.
Estas medidas teriam um efeito de arrasto prodigioso. Elas fariam os investidores refletir e criariam um impacto psicológico salvador para mobilizar os povos europeus. Na verdade, a escolha é simples: ou bem a Europa sairá desta crise reforçada e capaz de enfrentar a nova geopolítica da economia mundial opondo aos mercados um interesse geral europeu, baseado em estratégias cooperativas entre as nações europeias, ou bem, atolada em seus egoísmos nacionais, terminará ardendo em cinzas moribundas.
(*) Sami Nair é professor convidado da Universidade Pablo de Olavide, Sevilha. Publicado originalmente no jornal El País (16/12/2010)
Tradução: Katarina Peixoto/Carta Maior
Foto: "Não cabe aos trabalhadores pagar a crise dos especuladores": manifestação em França, Maio de 2010. Foto de Philippe BIDET, Phototèque du Mouvement Social