quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
“VIVA A VIDA MARIA” - Laerte Braga
Milhões de cidadãos egípcios, homens e mulheres vão às ruas na capital Cairo e nas principais cidades do país, exigir a saída de um ditador cruel (existe ditador que não seja cruel?) e corrupto (existe ditador que não seja corrupto?). Hosni Mubarak o nome do general que ocupa o governo há 30 anos eleito em pleitos onde os principais partidos de oposição estão impedidos de concorrer.
Há pobreza, desemprego, barbárie policial (não é privilégio deles, existe no mundo inteiro) e cumplicidade dos militares com a ditadura (é outra característica dos “defensores da pátria” em todos os cantos do mundo, não têm compromisso nenhum com democracia, direitos humanos, liberdade, com o ser humano, são boçais em sua maioria por natureza).
Hosni Mubarak tem bilhões de dólares em bancos instalados em paraísos fiscais, estava preparando seu filho Gamal para sucedê-lo em setembro e não quer deixar o poder. A despeito das declarações públicas de figuras do governo dos EUA, inclusive do presidente branco (disfarçado de negro) Barack Obama, a favor das reivindicações populares, Mubarak é o principal aliado dos norte-americanos na região (ao lado da Arábia Saudita) e na prática, Obama fala uma coisa e Hilary Clinton, sua secretária de Estado faz outra.
Negociam uma saída que permita aos Estados Unidos manter o controle do Egito.
O povo? Que se lasque. Onde já se viu cidadãos comuns escravizados pela “globalitarização” imposta pelo conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A reivindicar direitos?
Pedro Bial, apresentador do programa Big Brother Brasil, décima primeira edição, irritou-se quando uma das participantes negava-se a conceder favores sexuais (digamos assim) a outro participante e que estava à busca de tais prazeres.
Os índices de audiência do programa (a praga existe no mundo inteiro) estão aquém do esperado, logo o faturamento está menor, e em sua irritação, dirigiu-se à moça determinando que ela “facilitasse as coisas” e proclamou a uma de suas heroínas – “viva a vida Maria –.
Em meio a essa ordem do cafetão do programa, o diretor Boninho (gosta de jogar água suja em mulheres que julga vadias e passam à frente de seu apartamento) esmurra a porta para exigir melhor “performance” dos enclausurados no que chamam a “casa mais famosa do Brasil”.
Na prática, na cabeça de Boninho, Bial, dos diretores da REDE GLOBO, quando alguém se sujeita a participar do programa tem que se sujeitar também a toda a sorte de cretinices e bandalheiras do programa.
“Viva a vida Maria”. Com certeza, como todo cafetão, tem um percentual na história e bem maior que o de Maria.
O que os participantes do programa não percebem é que são mortos vivos num contexto em que a televisão busca transformar seres humanos em robôs, em peças de uma engrenagem podre. Exibi-lo em jaulas através da telinha.
A um ponto tal que ex-BBB virou profissão.
Uma das razões da explosão de Pedro Bial foi o conhecimento que Maria em outras épocas fora garota de programa e um a mais, um a menos não significaria nada para ela, mas pontos preciosos na audiência do programa, do monte de telespectadores anestesiados no papel de voyeur, sob o estímulo do espetáculo degradante que a mídia privada promove em todos os cantos do mundo.
Não há moralismo nenhum nisso. Uma prostituta da Vila Mimosa no Rio, ou qualquer Vila Mimosa em qualquer canto do país terá muito mais consciência de si que Maria e dignidade que Pedro Bial. Não tem nenhuma, nem sabe o que é isso.
Barack Obama é um desses grandes engodos da história. Demagogo, vendeu a ilusão de mudanças políticas em seu país, quando na prática segue a mesma política terrorista de George Bush, ou de qualquer Ronald Reagan (sabe-se hoje que não governava nada, esteve com Alzheimer a maior parte dos seus oito anos de governo).
Se os egípcios, em sua esmagadora maioria, são muçulmanos, paciência. Aos olhos dos grandes muçulmanos são sub-gente, contrariam interesses das potências imperiais (na verdade uma só, as outras são adereços, colônias cercadas de bases militares do eufemismo que o terrorismo encontrou para “defender a liberdade”, OTAN – Organização do Tratado Atlântico Norte.)
Essa visão de sub-gente se estende a todos os povos da África, da Ásia, a latino-americanos. Tanto faz que seja o cidadão egípcio revoltado com as humilhações a que é submetido por um governo ditatorial e corrupto, ou a completa degradação da condição de humano no segundo maior tentáculo dos donos, a mídia privada.
O primeiro tentáculo são os arsenais da estupidez nuclear e das armas químicas e biológicas com que “libertam” países como Afeganistão, o Iraque, assassinam palestinos, controlam a Colombia (o tráfico de drogas é favorecido pela ação dos norte-americanos na Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe é um dos principais integrantes de cartéis de traficantes).
No dia 23 de fevereiro o chanceler brasileiro Antônio Patriota vai se encontrar com a secretária de Estado Hilary Clinton. O encontro será em Washington e Patriota vai ouvir de Hilary que o Brasil só terá um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas se for um aliado incondicional dos EUA. Caso contrário, bye bye.
Patriota tem feito declarações contraditórias, algumas, como a que condenou o voto brasileiro no caso do Irã ainda no governo Lula (foi reprimido por isso, mas no governo anterior). A posição do governo brasileiro na crise egípcia foi omisso e irresponsável, contrário aos compromissos assumidos em campanha pela presidente Dilma Roussef.
A não ser que aconteça alguma surpresa, estamos passando do papel de protagonistas para o de coadjuvantes e Dilma deixando de ser Roussef e virando Serra. Dilma Serra, por mais histéricos que fiquem petistas incapazes de enxergar além do próprio nariz, ou do cargo que ocupam.
E falo do campo da política externa. No âmbito interno está retirando do baú o projeto (que Lula mandou arquivar) de privatização através de parcerias público/privado dos hospitais universitários em todo o País.
De todas essas situações e mais algumas resta uma constatação. Povos, cidadãos, seres humanos são adereços nesse jogo sórdido do capitalismo. E governantes são seres amorais a serviço de uma ordem mundial que mantém campos de concentração como a prisão de Guantánamo e se calam diante da barbárie de ditaduras como a de Mubarak.
Os cidadãos de Israel, boa parte, à revelia dos seus governos nazi/sionistas, começam a perceber que só a paz e o reconhecimento do Estado Palestino vai lhes conferir segurança e criar condições de estabilidade política no Oriente Médio.
Já saem às ruas para protestar contra o nazi/sionismo. Estão cansados de assistir seus filhos morrerem em guerras estúpidas promovidas por governos estúpidos para garantir o petróleo da grande potência terrorista, os EUA.
Na Toscana, Itália, onde mulheres pretendem protestar contra Sílvio Berlusconi (patrão de Gilmar Mendes e Cesar Peluso) despejando milhares de camisinhas à porta do palácio do governo, mas na Toscana se canta uma canção assim.
“E la vida non è la morte/e la morte non è la vida/la canzone è giá finita” (“E a vida não é a morte/ e a morte não é a vida/e acabou a cantiga”).
Ou, como define Melhor Fernandes.
“Fiquem tranqüilas as autoridades.
No Brasil jamais haverá epidemia de cólera.
“Nosso povo morre é de passividade.”
“Viva a vida Maria”. Você não tem nada a ver com a dor e o sofrimento dos egípcios, nem é muçulmana (quem sabe da igreja de Macedo, se assim o for, fique mais tranqüila ainda, basta dar dez por cento ao chefe, ela aprova e garante o reino dos céus).
Siga os conselhos do cafetão. Você vai ser chamada de heroína.
Já os corpos estendidos nas praças do Cairo serão definidos como “radicais intransigentes”, “terroristas” e eles contam que você vai acreditar nisso, afinal, segundo William Bonner, o “o nosso telespectador é como Homer Simpson”. Um idiota.
O único projeto de Obama que não deu certo foram as cantadas em Angelina Jolie. Segundo jornalistas norte-americanos já passaram de dez e a atriz responde simplesmente não.
O resto é jogo de cena e os egípcios se não “entenderem” a importância de se submeter, paciência, vão pagar o preço da democracia na teoria de Madeleine Albright. No mercado do terrorismo norte-americano são duzentas mil crianças mortas à míngua como conseqüência de um bloqueio econômico ao Iraque, isso no governo Clinton.
“Viva a vida Maria”. No final quem sabe Maria ganha um milhão.
Wael Ghonim, um jovem executivo do Google no país, criador da página do Facebook que ajudou a promover as manifestações contra o regime de Mubarak, passou uma semana preso. - BBT
A cena que complicou a vida de Mubarak
Ao sair, deu a entrevista que reproduzo parcialmente acima.
Ghonim chorou ao ver as fotos dos que morreram nos protestos.
Ao impacto da entrevista é atribuído o número recorde de manifestantes que foram às ruas do país ontem, quando tudo indicava que Mubarak ainda tinha chances de ficar no poder até o fim de seu mandato.
Aqui uma reportagem do jornal espanhol Público a respeito.
Ao sair, deu a entrevista que reproduzo parcialmente acima.
Ghonim chorou ao ver as fotos dos que morreram nos protestos.
Ao impacto da entrevista é atribuído o número recorde de manifestantes que foram às ruas do país ontem, quando tudo indicava que Mubarak ainda tinha chances de ficar no poder até o fim de seu mandato.
Aqui uma reportagem do jornal espanhol Público a respeito.
[Carta O BERRO] Rede McDonald's é multada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por exploração do trabalho infantil e descumprimento de leis trabalhistas - Vanderley-Revista
Por Altamiro Borges
Por descumprir acordos trabalhistas, a poderosa rede de fast food McDonald's será obrigada a destinar R$ 11,7 milhões, nos próximos nove anos, à promoção de campanhas publicitárias contra o trabalho infantil. A punição foi aplicada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e passou a valer a partir de janeiro. A multinacional estadunidense ainda deverá doar outros R$ 1,5 milhão à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para a aquisição de equipamentos de reabilitação física.
A decisão representa um duro golpe na imagem do McDonald's. Entre as irregularidades, o MPT listou a ausência da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e da emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), alimentação inadequada e a falta de vestiários. Em algumas franquias, o expediente ultrapassava o limite legal de duas horas extras diárias e os funcionários não tinham descanso semanal previsto em lei. O McDonald's também é acusado de dificultar a sindicalização dos trabalhadores.
Abusos na multinacional são antigos
As primeiras denúncias por descumprimento de acordos coletivos foram feitas pelo Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação de São Paulo), em 1995. A batalha jurídica foi prolongada e dura, mas agora deu seus frutos. "Foi uma vitória. As empresas têm de cumprir as leis trabalhistas e, se não estiverem dispostas a respeitar os direitos dos trabalhadores, devem ser punidas", disse o presidente da entidade, Francisco Calasans.
Numa reportagem de dezembro passado, a própria revista Época lembrou que os abusos trabalhistas na rede são antigos. "Em 2008, o MPT e o McDonald's firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), estabelecendo prazos para a adequação das condições de trabalho dos empregados da rede. Recentemente, ao constatar que os itens do TAC não estavam sendo cumpridos, o MPT ameaçou aplicar multa milionária à rede. O acordo da campanha publicitária e da doação à USP serviu para evitar a multa. Ele não desobriga o McDonald's a encontrar soluções para os problemas trabalhistas listados na Ação Civil Pública original".
Postado por Miro às 11:07 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
McDonald's é multado em R$ 13,2 milhões
Por descumprir acordos trabalhistas, a poderosa rede de fast food McDonald's será obrigada a destinar R$ 11,7 milhões, nos próximos nove anos, à promoção de campanhas publicitárias contra o trabalho infantil. A punição foi aplicada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e passou a valer a partir de janeiro. A multinacional estadunidense ainda deverá doar outros R$ 1,5 milhão à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para a aquisição de equipamentos de reabilitação física.
A decisão representa um duro golpe na imagem do McDonald's. Entre as irregularidades, o MPT listou a ausência da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e da emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), alimentação inadequada e a falta de vestiários. Em algumas franquias, o expediente ultrapassava o limite legal de duas horas extras diárias e os funcionários não tinham descanso semanal previsto em lei. O McDonald's também é acusado de dificultar a sindicalização dos trabalhadores.
Abusos na multinacional são antigos
As primeiras denúncias por descumprimento de acordos coletivos foram feitas pelo Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação de São Paulo), em 1995. A batalha jurídica foi prolongada e dura, mas agora deu seus frutos. "Foi uma vitória. As empresas têm de cumprir as leis trabalhistas e, se não estiverem dispostas a respeitar os direitos dos trabalhadores, devem ser punidas", disse o presidente da entidade, Francisco Calasans.
Numa reportagem de dezembro passado, a própria revista Época lembrou que os abusos trabalhistas na rede são antigos. "Em 2008, o MPT e o McDonald's firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), estabelecendo prazos para a adequação das condições de trabalho dos empregados da rede. Recentemente, ao constatar que os itens do TAC não estavam sendo cumpridos, o MPT ameaçou aplicar multa milionária à rede. O acordo da campanha publicitária e da doação à USP serviu para evitar a multa. Ele não desobriga o McDonald's a encontrar soluções para os problemas trabalhistas listados na Ação Civil Pública original".
Postado por Miro às 11:07 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif http://img2.blogblog.com/img/icon18_edit_allbkg.gif
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
McDonald's é multado em R$ 13,2 milhões
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Carta do Povo Kaiowá e Guarani à Presidenta Dilma Rousseff - Barbet
A questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar.
Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra, da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Presidenta Dilma, roubaram nossa mãe. A maltrataram, sangraram suas veias, rasgaram sua pele, quebraram seus ossos... rios, peixes, árvores, animais e aves... Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. Para nós isso é destruição, é matança, é crueldade. Sem nossa mãe terra sagrada, nós também estamos morrendo aos poucos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossos terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.
No final do ano passado nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. Agora, estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. Esperamos que não seja um prêmio de consolação, com o sabor amargo de uma cesta básica, sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta, especialmente na reconquista de nossas terras. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades, para os acampamentos, para os confinamentos, para os refúgios, para as retomadas... Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos.
Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por último o ex-presidente Lula, prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat, considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo.
Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Sem nossos tekohá, a violência vai aumentar, vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Acreditamos que não. Por isso, lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito.
Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani
Dourados, 31 janeiro de 2011
(Envolverde/Brasil de Fato)
Que bom que a senhora assumiu a presidência do Brasil. É a primeira mãe que assume essa responsabilidade e poder. Mas nós Guarani Kaiowá queremos lembrar que para nós a primeira mãe é a mãe terra, da qual fazemos parte e que nos sustentou há milhares de anos. Presidenta Dilma, roubaram nossa mãe. A maltrataram, sangraram suas veias, rasgaram sua pele, quebraram seus ossos... rios, peixes, árvores, animais e aves... Tudo foi sacrificado em nome do que chamam de progresso. Para nós isso é destruição, é matança, é crueldade. Sem nossa mãe terra sagrada, nós também estamos morrendo aos poucos. Por isso estamos fazendo esse apelo no começo de seu governo. Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossos terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais.
No final do ano passado nossa organização Aty Guasu recebeu um prêmio. Um prêmio de reconhecimento de nossa luta. Agora, estamos repassando esse prêmio para as comunidades do nosso povo. Esperamos que não seja um prêmio de consolação, com o sabor amargo de uma cesta básica, sem a qual hoje não conseguimos sobreviver. O Prêmio de Direitos Humanos para nós significa uma força para continuarmos nossa luta, especialmente na reconquista de nossas terras. Vamos carregar a estatueta para todas as comunidades, para os acampamentos, para os confinamentos, para os refúgios, para as retomadas... Vamos fazer dela o símbolo de nossa luta e de nossos direitos.
Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por último o ex-presidente Lula, prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Kaiowá e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro. Precisamos nossas terras para começar a resolver a situação que é tão grave que a procuradora Deborah Duprat, considerou que Dourados talvez seja a situação mais grave de uma comunidade indígena no mundo.
Sem as nossas terras sagradas estamos condenados. Sem nossos tekohá, a violência vai aumentar, vamos ficar ainda mais dependentes e fracos. Será que a senhora como mãe e presidente quer que nosso povo vai morrendo à míngua?. Acreditamos que não. Por isso, lhe dirigimos esse apelo exigindo nosso direito.
Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani
Dourados, 31 janeiro de 2011
(Envolverde/Brasil de Fato)
Polícia já ocupa as nove favelas do Complexo do São Carlos - BBT
A Polícia Militar informou , às 8h30 da manhã deste domingo (6), que as nove favelas do Complexo do São Carlos estão ocupadas pelos agentes. São Carlos, Zinco, Querosene, Mineira e Coroa foram invadidos pelo Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Já Fallet, Fogueteiro, Prazeres e Escondidinho estão dominadas pelo BPChoque (Batalhão de Polícia de Choque).
Até o momento, a ocupação da polícia é pacífica, nenhum tiro foi disparado e ninguém foi preso. Moradores circulam normalmente pelas ruas das favelas. Nas próximas horas, os policiais devem começar o trabalho de revista nas casas, atrás de armas, drogas e traficantes.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
MILITARES DISFARÇADOS EM CIVIS MASSACRAM O POVO EGÍPCIO NAS RUAS - Laerte Braga
É uma farsa a neutralidade dos militares egípcios. A ponderável parcela corrompida pelo governo de Hosni Mubarak e atendendo aos interesses de Washington está nas ruas massacrando civis que protestam contra a ditadura. Há um bloqueio sistemático dos meios de comunicação e mesmo canais nos EUA e na Europa ou em países como o Brasil escondem a real dimensão da tragédia.
Há mais de 500 mortos e três mil feridos.
O presidente branco (disfarçado de negro) Barack Obama está procurando ganhar tempo e evitar a queda de Mubarak, ou mudanças mais acentuadas no Egito e para isso conta com apoio de seus aliados na região, o governo nazi/sionista de Israel.
As declarações do primeiro-ministro inglês, Cameron, que as “políticas de integração de culturas diferentes fracassou na Europa”, reflete a discriminação contra o povo árabe em particular os muçulmanos.
Foram feitas diante dos principais líderes europeus em Berlim e fazem parte do plano geral que sustenta a ditadura no Egito, na Jordânia, na Arábia Saudita, no Iêmen, na Argélia e garantem o petróleo.
As preocupações de Obama com o povo egípcio são falsas, parte do jogo político cínico e imperialista dos EUA. Nos bastidores o presidente dos EUA negocia uma “transição segura” para manter intacto o aparelho repressor naquele país e dessa maneira garantidos os “negócios” dos EUA.
Há um clima de terror no Cairo e nas maiores cidades do Egito. O aparelho repressivo do governo Mubarak funciona a todo vapor e de forma cruel e sangrenta. Ao contrário, a Fraternidade Muçulmana, principal grupo islâmico de oposição, tem procurado manter o caráter pacífico das manifestações.
Não há exagero em dizer que há um banho de sangue no Egito. Militares leais a Mubarak e a Washington, orientados inclusive por agentes da MOSSAD – ato de traição – agem impunemente a mando do ditador.
A repressão a jornalistas egípcios e estrangeiros é de tal ordem que boa parte começa a encontrar dificuldades agudas para veicular simples noticiários em torno dos acontecimentos, circular dentro do país. Há jornalistas presos. Os estrangeiros são aconselhados a deixar o país depois de intimidados e os egípcios simplesmente torturados e assassinados pelos militares e policiais.
A brutalidade dessas forças repressivas supera o que se possa imaginar e tenta de todas as formas garantir o governo corrupto e ditatorial de Hosni Mubarak, o principal aliado dos norte-americanos no mundo árabe.
Não existe no Corão uma só palavra que incite à violência ou ao ódio, mas tão somente à resistência aos povos bárbaros, chamados de infiéis.
Quando os muçulmanos deixaram a parte que ocupavam da Europa os templos cristãos estavam intactos. Quando os cristãos deixaram o mundo muçulmano toda a cultura tinha sido destruída.
A explosão num gasoduto que abastece a Jordânia e Israel é uma reação natural e lógica tal a intransigência e a estupidez do regime em aceitar seu fim. É um sinal que o Egito poderá se transformar no palco de uma guerra civil a curto prazo, já que alguns setores das forças armadas se mostram sensíveis aos protestos populares. Oficiais considerados “suspeitos” estão detidos em quartéis ou em prisão domiciliar.
Toda a boçalidade ditatorial foi liberada por um tirano sem entranhas, Hosni Mubarak, contra o povo egípcio. Homens, mulheres, jovens e idosos estão sendo massacrados em cada canto do país onde pontifique uma só ação de protesto.
A radicalização do conflito só interessa aos EUA e ao governo de Israel (milhares de israelenses têm protestado contra o governo nazi/sionista do país) e pode servir de pretexto para uma futura ocupação de áreas consideradas estratégicas nos países árabes em processo de levante contra seus governos ditatoriais, como está acontecendo no Egito.
As declarações do primeiro-ministro inglês (comandado por controle remoto em Washington) são sintomáticas.
É preciso revelar ao mundo a real dimensão dos fatos que estão acontecendo no Egito, a barbárie contra um povo que exige apenas que um ditador corrupto sai do governo e eleições livres e gerais sejam realizadas de imediato.
Nem Mubarak, nem Obama, nem Israel, nem a maioria dos militares egípcios têm compromisso com o Egito e seu povo, mas tão somente com “negócios” e para isso não hesitam em promover o massacre que acontece longe dos olhos do mundo pela censura que impede a jornalistas de trabalhar livremente no país e pela autocensura da mídia podre e privada em países ocidentais, o Brasil inclusive.
O povo árabe precisa da solidariedade de todo o mundo para enfrentar EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A e seus tentáculos.
Grupos muçulmanos advertiram que a “paciência está se esgotando e as nações do ocidente não se mostram preocupadas com a dor e o sofrimento dos egípcios, mas apenas com seus interesses.”
A luta do povo egípcio é a luta dos povos latinos.
As sombras e trevas não chegam do Islã, mas do terrorismo capitalista.
Há mais de 500 mortos e três mil feridos.
O presidente branco (disfarçado de negro) Barack Obama está procurando ganhar tempo e evitar a queda de Mubarak, ou mudanças mais acentuadas no Egito e para isso conta com apoio de seus aliados na região, o governo nazi/sionista de Israel.
As declarações do primeiro-ministro inglês, Cameron, que as “políticas de integração de culturas diferentes fracassou na Europa”, reflete a discriminação contra o povo árabe em particular os muçulmanos.
Foram feitas diante dos principais líderes europeus em Berlim e fazem parte do plano geral que sustenta a ditadura no Egito, na Jordânia, na Arábia Saudita, no Iêmen, na Argélia e garantem o petróleo.
As preocupações de Obama com o povo egípcio são falsas, parte do jogo político cínico e imperialista dos EUA. Nos bastidores o presidente dos EUA negocia uma “transição segura” para manter intacto o aparelho repressor naquele país e dessa maneira garantidos os “negócios” dos EUA.
Há um clima de terror no Cairo e nas maiores cidades do Egito. O aparelho repressivo do governo Mubarak funciona a todo vapor e de forma cruel e sangrenta. Ao contrário, a Fraternidade Muçulmana, principal grupo islâmico de oposição, tem procurado manter o caráter pacífico das manifestações.
Não há exagero em dizer que há um banho de sangue no Egito. Militares leais a Mubarak e a Washington, orientados inclusive por agentes da MOSSAD – ato de traição – agem impunemente a mando do ditador.
A repressão a jornalistas egípcios e estrangeiros é de tal ordem que boa parte começa a encontrar dificuldades agudas para veicular simples noticiários em torno dos acontecimentos, circular dentro do país. Há jornalistas presos. Os estrangeiros são aconselhados a deixar o país depois de intimidados e os egípcios simplesmente torturados e assassinados pelos militares e policiais.
A brutalidade dessas forças repressivas supera o que se possa imaginar e tenta de todas as formas garantir o governo corrupto e ditatorial de Hosni Mubarak, o principal aliado dos norte-americanos no mundo árabe.
Não existe no Corão uma só palavra que incite à violência ou ao ódio, mas tão somente à resistência aos povos bárbaros, chamados de infiéis.
Quando os muçulmanos deixaram a parte que ocupavam da Europa os templos cristãos estavam intactos. Quando os cristãos deixaram o mundo muçulmano toda a cultura tinha sido destruída.
A explosão num gasoduto que abastece a Jordânia e Israel é uma reação natural e lógica tal a intransigência e a estupidez do regime em aceitar seu fim. É um sinal que o Egito poderá se transformar no palco de uma guerra civil a curto prazo, já que alguns setores das forças armadas se mostram sensíveis aos protestos populares. Oficiais considerados “suspeitos” estão detidos em quartéis ou em prisão domiciliar.
Toda a boçalidade ditatorial foi liberada por um tirano sem entranhas, Hosni Mubarak, contra o povo egípcio. Homens, mulheres, jovens e idosos estão sendo massacrados em cada canto do país onde pontifique uma só ação de protesto.
A radicalização do conflito só interessa aos EUA e ao governo de Israel (milhares de israelenses têm protestado contra o governo nazi/sionista do país) e pode servir de pretexto para uma futura ocupação de áreas consideradas estratégicas nos países árabes em processo de levante contra seus governos ditatoriais, como está acontecendo no Egito.
As declarações do primeiro-ministro inglês (comandado por controle remoto em Washington) são sintomáticas.
É preciso revelar ao mundo a real dimensão dos fatos que estão acontecendo no Egito, a barbárie contra um povo que exige apenas que um ditador corrupto sai do governo e eleições livres e gerais sejam realizadas de imediato.
Nem Mubarak, nem Obama, nem Israel, nem a maioria dos militares egípcios têm compromisso com o Egito e seu povo, mas tão somente com “negócios” e para isso não hesitam em promover o massacre que acontece longe dos olhos do mundo pela censura que impede a jornalistas de trabalhar livremente no país e pela autocensura da mídia podre e privada em países ocidentais, o Brasil inclusive.
O povo árabe precisa da solidariedade de todo o mundo para enfrentar EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A e seus tentáculos.
Grupos muçulmanos advertiram que a “paciência está se esgotando e as nações do ocidente não se mostram preocupadas com a dor e o sofrimento dos egípcios, mas apenas com seus interesses.”
A luta do povo egípcio é a luta dos povos latinos.
As sombras e trevas não chegam do Islã, mas do terrorismo capitalista.
O esporte mais tradicional dos Estados Unidos, o futebol americano, está sendo disputado por um jeito no mínimo curiosa na terra do Tio Sam. Ao invés dos tradicionais uniformes, as mulheres estão disputando o campeonato feminino trajando apenas calcinha e sutiã, para alegria dos marmanjos. A decisão deste curioso campeonato acontece no intervalo da final do Super Bowl, campeonato masculino do esporte - Barbet
O Partido Comunista Egípcio está na luta para derrotar a ditadura. - BBT
03 Fevereiro 2011
Classificado em Internacional - Comunistas
Crédito: 2.bp.blogspot.com
"Revolução para a satisfação plena e inteira das reivindicações populares"
Continuaremos até vermos cumpridas as demandas populares!!!
A hora da verdade se aproxima. Chegou o momento decisivo para as forças do povo egípcio. A necessidade de derrotar o regime de Mubarak fez com que a tirania e seus mestres estrangeiros se curvassem, em resultado da revolução popular permanente e do aumento dos protestos em todas as partes do Egito.
Hoje, milhões de pessoas exigem a saída de Mubarak, dando fim às conspirações do ditador e de sua quadrilha Alhadwin, fortalecendo e elevando a revolução.
Crédito: 3.bp.blogspot.com
O acordo para formar um comitê recebe a confiança do povo e dos manifestantes. A confiança depositada é crucial para a conquista das demandas da revolução política, econômica e social. Para isso, enfatizamos a questão da base Amtalib, aprovada pelas forças nacionais, e defendemos o proposto no parlamento:
1. Supressão de Mubarak como presidente e a formação de um conselho presidencial para um período transitório de duração limitada.
2. Formar um governo de coalizão que assuma a gestão do país durante esse período transitório.
3. Conclamar uma assembleia constituinte, eleita, para escrever uma nova constituição, baseando-a no princípio da soberania da nação e assegurando a devolução do poder no marco de um Estado civil, democrático e justo.
4. Julgamento dos responsáveis pelas centenas de mortos, feridos, mártires revolucionários e vítima da opressão, assim como o processo judicial dos responsáveis por saquear as riquezas do povo egípcio.
Crédito: 4.bp.blogspot.com
Viva a Revolução! Viva o povo egípcio!
http://www.solidnet.org/index.php/egypt-egyptian-communist-party/1073-cp-of-egypt-la-revolution-se-poursuit-jusqua-la-realisation-des-revendications-populaires-fr-ar
Tradução: Maria Fernanda M. Scelza
Postado do www.pcb.org.br
Classificado em Internacional - Comunistas
Crédito: 2.bp.blogspot.com
"Revolução para a satisfação plena e inteira das reivindicações populares"
Continuaremos até vermos cumpridas as demandas populares!!!
A hora da verdade se aproxima. Chegou o momento decisivo para as forças do povo egípcio. A necessidade de derrotar o regime de Mubarak fez com que a tirania e seus mestres estrangeiros se curvassem, em resultado da revolução popular permanente e do aumento dos protestos em todas as partes do Egito.
Hoje, milhões de pessoas exigem a saída de Mubarak, dando fim às conspirações do ditador e de sua quadrilha Alhadwin, fortalecendo e elevando a revolução.
Crédito: 3.bp.blogspot.com
O acordo para formar um comitê recebe a confiança do povo e dos manifestantes. A confiança depositada é crucial para a conquista das demandas da revolução política, econômica e social. Para isso, enfatizamos a questão da base Amtalib, aprovada pelas forças nacionais, e defendemos o proposto no parlamento:
1. Supressão de Mubarak como presidente e a formação de um conselho presidencial para um período transitório de duração limitada.
2. Formar um governo de coalizão que assuma a gestão do país durante esse período transitório.
3. Conclamar uma assembleia constituinte, eleita, para escrever uma nova constituição, baseando-a no princípio da soberania da nação e assegurando a devolução do poder no marco de um Estado civil, democrático e justo.
4. Julgamento dos responsáveis pelas centenas de mortos, feridos, mártires revolucionários e vítima da opressão, assim como o processo judicial dos responsáveis por saquear as riquezas do povo egípcio.
Crédito: 4.bp.blogspot.com
Viva a Revolução! Viva o povo egípcio!
http://www.solidnet.org/index.php/egypt-egyptian-communist-party/1073-cp-of-egypt-la-revolution-se-poursuit-jusqua-la-realisation-des-revendications-populaires-fr-ar
Tradução: Maria Fernanda M. Scelza
Postado do www.pcb.org.br
EGITO – O DILEMA DO CONGLOMERADO EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A - Laerte Braga
Norberto Bobbio, o célebre cientista político italiano, em seu DICIONÁRIO DE POLÍTICA (Editora UnB, 2002) afirma que o “estado contemporâneo” define as chamadas “liberdades fundamentais”, como “tutela das liberdades burguesas. Liberdade pessoal, política e econômica”. Na visão de Bobbio esse conceito forma “um dique contra a intervenção do Estado”.
Por outro lado, segundo o mesmo Bobbio, “direitos sociais representam o direito de participação no poder político e na distribuição da riqueza social produzida. A forma do Estado oscila, assim, entre a liberdade e a participação”.
É a visão de um cientista (colaboraram na obra Nicola Matteucci e GianFranco Pasquinho) que freqüentou o espectro político da direita em seu país, a Itália. O que Bobbio chama de “direitos sociais”, na visão dele, incorpora-se ao que define como “Estado Contemporâneo”.
O ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, num dos mais célebres discursos que pronunciou (Roosevelt foi eleito em quatro pleitos sucessivos e só após sua morte a lei nos EUA foi modificada permitindo apenas uma reeleição) fala dos direitos fundamentais para que se possa construir a nação de forma justa para todos os seus. Educação, saúde, moradia, emprego, segurança, cita a expressão dignidade referindo-se ao ser humano. Os EUA, Roosevelt foi eleito a primeira vez em 1932 e os norte-americanos ainda juntavam o que pode ser salvo dos escombros da crise de 1929.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, subscrita entre outros pelo Brasil, EUA, assegura os direitos básicos das pessoas.
Não há exagero e nem é uma expressão de linguagem referir-se aos EUA e a Israel como conglomerados terroristas. Um general norte-americano, escapa-me o nome, fala que “terrorista é quem perde”.
O mundo neoliberal é o fim do conceito de nação. Povo, território, língua, tradições, soberania e governo, em linhas gerais. O deus mercado introduziu o mundo dos conglomerados. Das grandes empresas, do terrorismo que se vê em Guantánamo, na farsa das armas químicas e biológicas no Iraque (para justificar o controle do petróleo).
Essa forma de ver o mundo pode ser entendida na frase de Madeleine Albright, secretária de Estado do governo Clinton, quando respondia a um repórter sobre o custo em vidas do bloqueio imposto ao Iraque por seu país. Duzentas mil crianças mortas à míngua de alimentos, remédios, condições primeiras de vida no geral.
“É o preço que se paga pela democracia”.
Albright enterrou ali outro conceito, o que afirma a democracia como sendo “o governo do povo, pelo povo e para o povo”. E os direitos humanos.
Uma GENERAL MOTORS vale mais que qualquer vida humana, que milhões de vidas humanas. E assim o que Eisenhower, ex-presidente dos EUA e comandante aliado na IIª Grande Guerra, chamou de “complexo militar e industrial”, referindo-se ao que Jânio Quadros, entre nós, chamaria de “forças ocultas (a diferença entre o norte-americano e o brasileiro está só no teor alcoólico).
Foi no rastro dessas constatações que Guy Debort, em A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO (Editora Contraponto, 1997), conclui que há dois séculos se faz a mesma e “apavorante pergunta”. “Como fazer para que os pobres trabalhem quando a ilusão é desenganada e a força se desagrega?”
“Se o mundo pode enfim proclamar-se oficialmente unificado, é porque essa fusão já se realizara na realidade econômico-política do mundo inteiro. Foi também porque a situação à qual universalmente chegou o poder separado era tão grave, que esse mundo sentiu a necessidade de se unificar rapidamente, de participar de um bloco único da mesma organização consensual do mercado mundial, falsificado e garantido pelo espetáculo.”
“E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado” (Feuerbach, prefácio à segunda edição de A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO).
O espetáculo é cruel, perverso, se sustenta em vários tentáculos, dois dos quais, decisivos. A mídia como fator de alienação, de desconstrução do ser e sua coisificação. Os arsenais nucleares, químicos e biológicos, o poder do terror infundido nas guerras da “democracia”.
“O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não vivo” (Debort).
Os egípcios acordaram. Ao cabo de trinta anos de ditadura com todos os ingredientes boçais de uma ditadura, os egípcios, como os tunisianos, os argelinos, os jordanianos, os iemenitas, despertaram.
O povo de Israel começa a despertar do terror do governo nazi/sionista que dirige o país. Mais de vinte mil manifestantes saíram às ruas para protestar contra a decisão do parlamento, de investigar organizações que defendem os direitos humanos. Direitos humanos em Israel excluem os palestinos, muçulmanos de um modo geral, num preconceito que se estende à mentira tornada sagrada de povo eleito. Ungido.
As ditaduras em países como o Egito foram e são sustentadas pelos norte-americanos. Petróleo e o controle do Oriente Médio, estratégico para os interesses da potência/conglomerado terrorista.
Obama não é diferente de Bush e nem é negro. É apenas disfarce.
Nos primeiros momentos da revolta popular contra o ditador Hosni Mubarak a secretária Hilary Clinton falou em “estabilidade na região”. Riscos de mudanças graves com a saída de Mubarak. Num dado momento o “presidente” virou ditador diante do inevitável.
A repressão, não teve como a mídia esconder, alcançou jornalistas estrangeiros e se deu a partir da polícia (sempre) do ditador. Mortos, milhares de feridos, a declaração patética de um sanguinário governante, Mubarak, que “estou farto de poder. Não saio para evitar o caos”.
A crise histérica do primeiro-ministro nazi/sionista de Israel Benjamin Netanyahu tentando vincular o Irã à revolta no Egito, advertindo o mundo para a possibilidade de uma revolução islâmica no Egito. Ora, 90% da população egípicia é formada por mulçumanos e seus partidos políticos foram proscritos pelo ditador de joelhos diante dos EUA e de Israel.
Quem se dedicar a pesquisar o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, vai encontrar recomendação de Maomé no sentido da paz e da misericórdia, como da necessidade de luta se essa se fizer necessária.
O deputado Kadima Meir Sheetrit, israelense e opositor do terrorismo, disse que a decisão do parlamento de “investigar” organizações de direitos humanos no país “é ofensiva perigosa para o Estado de Israel... e faz do país um dos estados das trevas”.
Hagai Elad, diretor executivo da Associação pelos Direitos Civis afirmou: “Os milhares de pessoas que aqui estão entendem que nossa democracia necessita de proteção contra aqueles que a querem destruir. Somos os porta-vozes de uma voz clara em defesa dos direitos humanos e da democracia e contra o racismo, o macartismo. Continuaremos a lutar pelos valores democráticos, liberdade de expressão, direitos iguais para os cidadãos e fim da ocupação."
O povo de Israel está acordando.
A reação do povo egípcio a um regime ditatorial, submisso a interesses de potência estrangeira (é sempre fácil comprar ditadores, Mubarak não é exceção, até porque é general também cheio de medalhinhas no peito) era previsível.
Não há como manter caladas milhões de vozes submetidas ao terror. Sejam egípcios, sejam israelenses indignados com o genocídio praticado contra palestinos.
O dilema de Obama, seria o de qualquer outro presidente, Obama é igual a Bush na essência, difere no estilo, é como imaginar um Oriente Médio controlado pela vontade popular, ao arrepio da mentira tornada sagrada da “democracia” norte-americana.
A verdade absoluta do mundo dos conglomerados. Bancos, latifundiários e empresários. E a corte burocrática arrastando-se no entorno.
Imposta a ferro e fogo e a um espetáculo aviltante no tentáculo mídia.
A História não se faz num dia. É passo a passo. O capitalismo e o império norte-americano encontraram o clássico beco sem saída. Quanto tempo vai durar a agonia são outros quinhentos.
Mas é a agonia.
O problema no Egito é simples. Fora Mubark, eleições gerais com participação dos partidos muçulmanos. O Egito para os egípcios.
A propósito, a exceção do manifesto temor do embaixador do Brasil no Cairo com a situação dos brasileiros que lá estão (“estamos vivendo um regime sem leis, a polícia não permitiu à embaixada ajudar os brasileiros”), o Itamaraty não disse uma palavra sobre o assunto que não seja algo vazio e sem sentido.
Há um mês e meio atrás não era assim, o Brasil havia deixado de ser coadjuvante, era protagonista.
É o tal pragmatismo econômico do Estado economicista de Dilma Roussef. O risco é sair uma nota conjunta Brasil/EUA, quer dizer, EUA/Brasil.
Por outro lado, segundo o mesmo Bobbio, “direitos sociais representam o direito de participação no poder político e na distribuição da riqueza social produzida. A forma do Estado oscila, assim, entre a liberdade e a participação”.
É a visão de um cientista (colaboraram na obra Nicola Matteucci e GianFranco Pasquinho) que freqüentou o espectro político da direita em seu país, a Itália. O que Bobbio chama de “direitos sociais”, na visão dele, incorpora-se ao que define como “Estado Contemporâneo”.
O ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, num dos mais célebres discursos que pronunciou (Roosevelt foi eleito em quatro pleitos sucessivos e só após sua morte a lei nos EUA foi modificada permitindo apenas uma reeleição) fala dos direitos fundamentais para que se possa construir a nação de forma justa para todos os seus. Educação, saúde, moradia, emprego, segurança, cita a expressão dignidade referindo-se ao ser humano. Os EUA, Roosevelt foi eleito a primeira vez em 1932 e os norte-americanos ainda juntavam o que pode ser salvo dos escombros da crise de 1929.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, subscrita entre outros pelo Brasil, EUA, assegura os direitos básicos das pessoas.
Não há exagero e nem é uma expressão de linguagem referir-se aos EUA e a Israel como conglomerados terroristas. Um general norte-americano, escapa-me o nome, fala que “terrorista é quem perde”.
O mundo neoliberal é o fim do conceito de nação. Povo, território, língua, tradições, soberania e governo, em linhas gerais. O deus mercado introduziu o mundo dos conglomerados. Das grandes empresas, do terrorismo que se vê em Guantánamo, na farsa das armas químicas e biológicas no Iraque (para justificar o controle do petróleo).
Essa forma de ver o mundo pode ser entendida na frase de Madeleine Albright, secretária de Estado do governo Clinton, quando respondia a um repórter sobre o custo em vidas do bloqueio imposto ao Iraque por seu país. Duzentas mil crianças mortas à míngua de alimentos, remédios, condições primeiras de vida no geral.
“É o preço que se paga pela democracia”.
Albright enterrou ali outro conceito, o que afirma a democracia como sendo “o governo do povo, pelo povo e para o povo”. E os direitos humanos.
Uma GENERAL MOTORS vale mais que qualquer vida humana, que milhões de vidas humanas. E assim o que Eisenhower, ex-presidente dos EUA e comandante aliado na IIª Grande Guerra, chamou de “complexo militar e industrial”, referindo-se ao que Jânio Quadros, entre nós, chamaria de “forças ocultas (a diferença entre o norte-americano e o brasileiro está só no teor alcoólico).
Foi no rastro dessas constatações que Guy Debort, em A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO (Editora Contraponto, 1997), conclui que há dois séculos se faz a mesma e “apavorante pergunta”. “Como fazer para que os pobres trabalhem quando a ilusão é desenganada e a força se desagrega?”
“Se o mundo pode enfim proclamar-se oficialmente unificado, é porque essa fusão já se realizara na realidade econômico-política do mundo inteiro. Foi também porque a situação à qual universalmente chegou o poder separado era tão grave, que esse mundo sentiu a necessidade de se unificar rapidamente, de participar de um bloco único da mesma organização consensual do mercado mundial, falsificado e garantido pelo espetáculo.”
“E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado” (Feuerbach, prefácio à segunda edição de A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO).
O espetáculo é cruel, perverso, se sustenta em vários tentáculos, dois dos quais, decisivos. A mídia como fator de alienação, de desconstrução do ser e sua coisificação. Os arsenais nucleares, químicos e biológicos, o poder do terror infundido nas guerras da “democracia”.
“O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não vivo” (Debort).
Os egípcios acordaram. Ao cabo de trinta anos de ditadura com todos os ingredientes boçais de uma ditadura, os egípcios, como os tunisianos, os argelinos, os jordanianos, os iemenitas, despertaram.
O povo de Israel começa a despertar do terror do governo nazi/sionista que dirige o país. Mais de vinte mil manifestantes saíram às ruas para protestar contra a decisão do parlamento, de investigar organizações que defendem os direitos humanos. Direitos humanos em Israel excluem os palestinos, muçulmanos de um modo geral, num preconceito que se estende à mentira tornada sagrada de povo eleito. Ungido.
As ditaduras em países como o Egito foram e são sustentadas pelos norte-americanos. Petróleo e o controle do Oriente Médio, estratégico para os interesses da potência/conglomerado terrorista.
Obama não é diferente de Bush e nem é negro. É apenas disfarce.
Nos primeiros momentos da revolta popular contra o ditador Hosni Mubarak a secretária Hilary Clinton falou em “estabilidade na região”. Riscos de mudanças graves com a saída de Mubarak. Num dado momento o “presidente” virou ditador diante do inevitável.
A repressão, não teve como a mídia esconder, alcançou jornalistas estrangeiros e se deu a partir da polícia (sempre) do ditador. Mortos, milhares de feridos, a declaração patética de um sanguinário governante, Mubarak, que “estou farto de poder. Não saio para evitar o caos”.
A crise histérica do primeiro-ministro nazi/sionista de Israel Benjamin Netanyahu tentando vincular o Irã à revolta no Egito, advertindo o mundo para a possibilidade de uma revolução islâmica no Egito. Ora, 90% da população egípicia é formada por mulçumanos e seus partidos políticos foram proscritos pelo ditador de joelhos diante dos EUA e de Israel.
Quem se dedicar a pesquisar o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, vai encontrar recomendação de Maomé no sentido da paz e da misericórdia, como da necessidade de luta se essa se fizer necessária.
O deputado Kadima Meir Sheetrit, israelense e opositor do terrorismo, disse que a decisão do parlamento de “investigar” organizações de direitos humanos no país “é ofensiva perigosa para o Estado de Israel... e faz do país um dos estados das trevas”.
Hagai Elad, diretor executivo da Associação pelos Direitos Civis afirmou: “Os milhares de pessoas que aqui estão entendem que nossa democracia necessita de proteção contra aqueles que a querem destruir. Somos os porta-vozes de uma voz clara em defesa dos direitos humanos e da democracia e contra o racismo, o macartismo. Continuaremos a lutar pelos valores democráticos, liberdade de expressão, direitos iguais para os cidadãos e fim da ocupação."
O povo de Israel está acordando.
A reação do povo egípcio a um regime ditatorial, submisso a interesses de potência estrangeira (é sempre fácil comprar ditadores, Mubarak não é exceção, até porque é general também cheio de medalhinhas no peito) era previsível.
Não há como manter caladas milhões de vozes submetidas ao terror. Sejam egípcios, sejam israelenses indignados com o genocídio praticado contra palestinos.
O dilema de Obama, seria o de qualquer outro presidente, Obama é igual a Bush na essência, difere no estilo, é como imaginar um Oriente Médio controlado pela vontade popular, ao arrepio da mentira tornada sagrada da “democracia” norte-americana.
A verdade absoluta do mundo dos conglomerados. Bancos, latifundiários e empresários. E a corte burocrática arrastando-se no entorno.
Imposta a ferro e fogo e a um espetáculo aviltante no tentáculo mídia.
A História não se faz num dia. É passo a passo. O capitalismo e o império norte-americano encontraram o clássico beco sem saída. Quanto tempo vai durar a agonia são outros quinhentos.
Mas é a agonia.
O problema no Egito é simples. Fora Mubark, eleições gerais com participação dos partidos muçulmanos. O Egito para os egípcios.
A propósito, a exceção do manifesto temor do embaixador do Brasil no Cairo com a situação dos brasileiros que lá estão (“estamos vivendo um regime sem leis, a polícia não permitiu à embaixada ajudar os brasileiros”), o Itamaraty não disse uma palavra sobre o assunto que não seja algo vazio e sem sentido.
Há um mês e meio atrás não era assim, o Brasil havia deixado de ser coadjuvante, era protagonista.
É o tal pragmatismo econômico do Estado economicista de Dilma Roussef. O risco é sair uma nota conjunta Brasil/EUA, quer dizer, EUA/Brasil.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Al-Qaeda's unfinished work - KARACHI - Prior to September 11, al-Qaeda was widely viewed in intelligence circles as a group of mercenaries or mafia, not as a sophisticated organization capable of orchestrating such large attacks as those on the United States. - Vanderley-Revista
KARACHI. Antes do 11/9, a al-Qaeda era vista, nos círculos de inteligência, como grupo de mercenários, ou máfia, sem a organização sofisticada necessária para organizar grandes ataques como os que atingiram os EUA. Hoje, apesar do que já se sabe sobre as capacidades da al-Qaeda, ainda paira denso mistério sobre sua verdadeira natureza e intenções.
Investigações intensivas em que esse jornal trabalhou durante vários meses, com discussões que incluíram oficiais da inteligência e fontes direta e indiretamente ligadas à al-Qaeda, mostram que nem Iraque, nem Afeganistão, nem Paquistão, nem qualquer outro país do mundo, só os EUA, cultivam tal obsessão monomaníaca em relação à al-Qaeda. O que só se explica se se conhecem os grandes planos da al-Qaeda.
Entra em cena Osama bin Laden
Com quase 1,90m de altura, rico e tratado como membro da família real, Osama bin Laden passou a ser considerado “jovem rebelde” na Arábia Saudita onde nasceu, quando se manifestou contra o rei e o reino, por terem permitido que exércitos ocidentais usassem o território saudita depois da 1ª Guerra do Golfo. Sua família – de alto prestígio e influente no mundo dos negócios – recebeu instruções para convencê-lo a comparecer pessoalmente ante o rei Fahd e suplicar o perdão real. Importantes membros da família real, entre os quais os príncipes Turki e Abdullah, esforçaram-se muito para remendar a situação, sem sucesso.
Foi o começo das muitas interpretações erradas sobre bin Laden e seu grupo. Começou a aparecer como dissidente saudita nos relatórios da inteligência dos EUA, que combatera bravamente no Afeganistão contra os soviéticos nos 1980s e se convertera depois em problema político para a Arábia Saudita.
Os ataques da al-Qaeda contra embaixadas dos EUA na África em 1998 acionaram as percepções dos EUA, que rapidamente concluíram que surgira uma nova aliança do terror no mundo, de olhos postos nos interesses dos EUA. O 11/9 confirmou aquelas piores suspeitas, de forma absolutamente contundente.
Mesmo assim, os políticos nos EUA sabiam praticamente nada sobre as ideias da al-Qaeda, apesar dos milhões de dólares e incontáveis horas de trabalho consumidos e das muitas redes de contraterrorismo que se construíram no mundo.
A evolução da Al-Qaeda
As sementes do que viria a ser o pensamento da al-Qaeda foram plantadas durante a Jihad de uma década contra a ocupação soviética do Afeganistão nos anos 1980s. Os árabes que jorravam no país para unir forças à resistência afegã dividiam-se em dois grandes grupos – ou se uniam aos iemenitas ou se uniam aos egípcios.
Os zelotes religiosos, que partiram para o Afeganistão inspirados pelos clérigos locais juntaram-se aos iemenitas. Treinamento duro, exercícios militares exaustivos, diários, mesmo em tempo de combate, cozinhar a própria comida, dormir imediatamente depois da isha (as últimas orações do dia). Quando a Jihad afegã se aproximava do fim, nos últimos anos da década dos 1980s, esses jihadistas voltaram aos países de origem. Os que não quiseram voltar para as famílias misturaram-se à população afegã ou viajaram para o Paquistão, onde muitos deles casaram e constituíram família. Nos círculos da al-Qaeda eram chamados dravesh – “despreocupados”.
No campo dos egípcios reuniram-se os mais extremamente motivados politicamente e ideologicamente. Embora muitos deles pertencessem à Fraternidade Muçulmana, estavam descontentes com a organização, que insistia na vida eleitoral e nos processos democráticos para mudar a sociedade. A Jihad afegã serviu como poderoso caldo de cultura e substância de coesão para homens desse tipo, muitos dos quais com formação acadêmica, médicos, engenheiros etc. Muitos, também, eram ex-homens do exército egípcio, associados ao movimento egípcio clandestino Jamaatul Jihad, do Dr. Ayman al-Zawahiri (hoje representante de bin Laden) . Esse grupo foi responsável pelo assassinato do presidente Anwar Sadat em 1981, depois de Sadat ter assinado um acordo de paz com Israel em Camp David. Num ponto, contudo, todos concordavam: a causa da desgraça dos árabes eram os EUA e seus governos-aliados, governos-fantoches no Oriente Médio.
Esse campo egípcio era comandado por bin Laden e Zawahiri. À noite, depois da isha, dedicavam-se a longas discussões de problemas contemporâneos no mundo árabe. Lição que os líderes nunca pararam de repetir e que muitos levaram de volta para casa, foi que todos deveriam investir recursos nos exércitos nacionais de seus países, e cultivar ideologicamente os mais inteligentes.
Em meados dos anos 1990s, quando o presidente do Afeganistão professor Burhanuddin Rabbani e seu poderoso ministro da Defesa Ahmed Shah Masoud, autorizaram bin Laden a mudar-se do Sudão para o Afeganistão, o campo egípcio deslocou muitos membros de sua comunidade estratégica em todo o mundo para o Afeganistão, para estruturar e dirigir maaskars (campos de treinamento) locais onde se ensinariam estratégias para a luta futura.
Quando os Talibã emergiram como força no Afeganistão, em meados dos anos 1990s, o campo egípcio já tinha delineadas suas estratégias, as principais das quais são:
– Criticar governos muçulmanos corruptos e despóticos e defini-los como alvos, o que destruirá a imagem deles aos olhos do homem comum – ponto de intersecção entre o Estado, os governantes e a nação. E
– Focar-se no papel dos EUA (que apoiam Israel e todos os tiranos em países do Oriente Médio) e esclarecer essas evidências, o mais possível, para todos.
Os ataques de 1998 às embaixadas dos EUA em Dar es Salaam, Tanzania, e Nairobi, Kenya, foram o começo – como agora se sabe – da ofensiva da al-Qaeda contra os interesses dos EUA. Como retaliação, os EUA lançaram mísseis cruzadores sobre Kandahar e Khost no Afeganistão. Imediatamente, a al-Qaeda constituiu uma força tarefa especial para planejar os ataques do 11/9.
O plano exigiu três anos, mas as discussões continuaram depois do 11/9, entre membros do campo egípcio – que então já eram membros comandantes da al-Qaeda – sobre planos mais amplos, para por de joelhos a única superpotência mundial.
Antes do dia 7/10/2001, quando os EUA invadiram o Afeganistão em retaliação contra os ataques de 11/9, praticamente todos os cérebros da al-Qaeda já haviam deixado o país. Suas missões envolviam vários alvos:
– Educar ideologicamente ‘caras novas’ das comunidades estratégicas, como nas forças armadas e nos círculos de inteligência.
– Arregimentar novos recrutas e criar novas células.
– Cada nova célula teria a tarefa de levantar seus próprios recursos e esboçar um plano. Mas só uma delas implementaria o plano. As demais serviriam como cortina de fumaça para “confundir” as agências de segurança.
Regimes muçulmanos, como alvos
Depois do 11/9, os governos muçulmanos passaram a trabalhar mais ativamente contra a al-Qaeda, e só no Paquistão foram presos mais de 400 militantes. O mesmo aconteceu no Egito, na Síria, na Jordânia, no Iêmen, em Tunis e na Arábia Saudita. Mas nem assim a al-Qaeda lançou qualquer discurso contra governos muçulmanos, até que houve sinais claros de que os EUA atacariam o Iraque.
A colaboração entre governos muçulmanos e os EUA, contra o Iraque, foi considerado momento perfeito para incendiar o ressentimento das massas contra seus respectivos governos que se ligassem em aliança estratégica com os EUA contra países muçulmanos.
Pouco depois de os EUA invadirem o Afeganistão, bin Laden distribuiu a primeira gravação na qual fala contra o governo saudita. “Vocês são fantoches dos EUA e seus pais foram fantoches da Grã-Bretanha. Vocês ajudam os EUA a atacar um país muçulmano e seus pais se rebelaram contra o califato para facilitar a expansão do império britânico no Oriente Médio”.
Nos poucos meses seguintes, Zawahiri falou pela primeira vez contra o presidente general Pervez Musharraf no Paquistão e disse ao povo que derrubasse do poder “o mais íntimo aliado muçulmano dos EUA, em todo o mundo”. Imediatamente depois, grupos pró-al-Qaeda foram estimulados promover ataques na Arábia Saudita e no Paquistão.
Nunca houve razão para a al-Qaeda envolver-se no Iraque. A estratégia na qual trabalharam por mais de uma década jamais sugeriu que enfrentariam o inimigo em campo de batalha. Seu único objetivo é manter ocupado o inimigo, enquanto organizam a resposta muçulmana, de tal modo que, quando outra vez atacarem os EUA, não estarão isolados, não será ataque isolado, e mudarão a história do mundo em maior escala do que no 11/9: o projeto da al-Qaeda é desaparecer nas sombras e deixar que as massas muçulmanas iradas decidam o curso do mundo.
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/GA05Ak03.html
Investigações intensivas em que esse jornal trabalhou durante vários meses, com discussões que incluíram oficiais da inteligência e fontes direta e indiretamente ligadas à al-Qaeda, mostram que nem Iraque, nem Afeganistão, nem Paquistão, nem qualquer outro país do mundo, só os EUA, cultivam tal obsessão monomaníaca em relação à al-Qaeda. O que só se explica se se conhecem os grandes planos da al-Qaeda.
Entra em cena Osama bin Laden
Com quase 1,90m de altura, rico e tratado como membro da família real, Osama bin Laden passou a ser considerado “jovem rebelde” na Arábia Saudita onde nasceu, quando se manifestou contra o rei e o reino, por terem permitido que exércitos ocidentais usassem o território saudita depois da 1ª Guerra do Golfo. Sua família – de alto prestígio e influente no mundo dos negócios – recebeu instruções para convencê-lo a comparecer pessoalmente ante o rei Fahd e suplicar o perdão real. Importantes membros da família real, entre os quais os príncipes Turki e Abdullah, esforçaram-se muito para remendar a situação, sem sucesso.
Foi o começo das muitas interpretações erradas sobre bin Laden e seu grupo. Começou a aparecer como dissidente saudita nos relatórios da inteligência dos EUA, que combatera bravamente no Afeganistão contra os soviéticos nos 1980s e se convertera depois em problema político para a Arábia Saudita.
Os ataques da al-Qaeda contra embaixadas dos EUA na África em 1998 acionaram as percepções dos EUA, que rapidamente concluíram que surgira uma nova aliança do terror no mundo, de olhos postos nos interesses dos EUA. O 11/9 confirmou aquelas piores suspeitas, de forma absolutamente contundente.
Mesmo assim, os políticos nos EUA sabiam praticamente nada sobre as ideias da al-Qaeda, apesar dos milhões de dólares e incontáveis horas de trabalho consumidos e das muitas redes de contraterrorismo que se construíram no mundo.
A evolução da Al-Qaeda
As sementes do que viria a ser o pensamento da al-Qaeda foram plantadas durante a Jihad de uma década contra a ocupação soviética do Afeganistão nos anos 1980s. Os árabes que jorravam no país para unir forças à resistência afegã dividiam-se em dois grandes grupos – ou se uniam aos iemenitas ou se uniam aos egípcios.
Os zelotes religiosos, que partiram para o Afeganistão inspirados pelos clérigos locais juntaram-se aos iemenitas. Treinamento duro, exercícios militares exaustivos, diários, mesmo em tempo de combate, cozinhar a própria comida, dormir imediatamente depois da isha (as últimas orações do dia). Quando a Jihad afegã se aproximava do fim, nos últimos anos da década dos 1980s, esses jihadistas voltaram aos países de origem. Os que não quiseram voltar para as famílias misturaram-se à população afegã ou viajaram para o Paquistão, onde muitos deles casaram e constituíram família. Nos círculos da al-Qaeda eram chamados dravesh – “despreocupados”.
No campo dos egípcios reuniram-se os mais extremamente motivados politicamente e ideologicamente. Embora muitos deles pertencessem à Fraternidade Muçulmana, estavam descontentes com a organização, que insistia na vida eleitoral e nos processos democráticos para mudar a sociedade. A Jihad afegã serviu como poderoso caldo de cultura e substância de coesão para homens desse tipo, muitos dos quais com formação acadêmica, médicos, engenheiros etc. Muitos, também, eram ex-homens do exército egípcio, associados ao movimento egípcio clandestino Jamaatul Jihad, do Dr. Ayman al-Zawahiri (hoje representante de bin Laden) . Esse grupo foi responsável pelo assassinato do presidente Anwar Sadat em 1981, depois de Sadat ter assinado um acordo de paz com Israel em Camp David. Num ponto, contudo, todos concordavam: a causa da desgraça dos árabes eram os EUA e seus governos-aliados, governos-fantoches no Oriente Médio.
Esse campo egípcio era comandado por bin Laden e Zawahiri. À noite, depois da isha, dedicavam-se a longas discussões de problemas contemporâneos no mundo árabe. Lição que os líderes nunca pararam de repetir e que muitos levaram de volta para casa, foi que todos deveriam investir recursos nos exércitos nacionais de seus países, e cultivar ideologicamente os mais inteligentes.
Em meados dos anos 1990s, quando o presidente do Afeganistão professor Burhanuddin Rabbani e seu poderoso ministro da Defesa Ahmed Shah Masoud, autorizaram bin Laden a mudar-se do Sudão para o Afeganistão, o campo egípcio deslocou muitos membros de sua comunidade estratégica em todo o mundo para o Afeganistão, para estruturar e dirigir maaskars (campos de treinamento) locais onde se ensinariam estratégias para a luta futura.
Quando os Talibã emergiram como força no Afeganistão, em meados dos anos 1990s, o campo egípcio já tinha delineadas suas estratégias, as principais das quais são:
– Criticar governos muçulmanos corruptos e despóticos e defini-los como alvos, o que destruirá a imagem deles aos olhos do homem comum – ponto de intersecção entre o Estado, os governantes e a nação. E
– Focar-se no papel dos EUA (que apoiam Israel e todos os tiranos em países do Oriente Médio) e esclarecer essas evidências, o mais possível, para todos.
Os ataques de 1998 às embaixadas dos EUA em Dar es Salaam, Tanzania, e Nairobi, Kenya, foram o começo – como agora se sabe – da ofensiva da al-Qaeda contra os interesses dos EUA. Como retaliação, os EUA lançaram mísseis cruzadores sobre Kandahar e Khost no Afeganistão. Imediatamente, a al-Qaeda constituiu uma força tarefa especial para planejar os ataques do 11/9.
O plano exigiu três anos, mas as discussões continuaram depois do 11/9, entre membros do campo egípcio – que então já eram membros comandantes da al-Qaeda – sobre planos mais amplos, para por de joelhos a única superpotência mundial.
Antes do dia 7/10/2001, quando os EUA invadiram o Afeganistão em retaliação contra os ataques de 11/9, praticamente todos os cérebros da al-Qaeda já haviam deixado o país. Suas missões envolviam vários alvos:
– Educar ideologicamente ‘caras novas’ das comunidades estratégicas, como nas forças armadas e nos círculos de inteligência.
– Arregimentar novos recrutas e criar novas células.
– Cada nova célula teria a tarefa de levantar seus próprios recursos e esboçar um plano. Mas só uma delas implementaria o plano. As demais serviriam como cortina de fumaça para “confundir” as agências de segurança.
Regimes muçulmanos, como alvos
Depois do 11/9, os governos muçulmanos passaram a trabalhar mais ativamente contra a al-Qaeda, e só no Paquistão foram presos mais de 400 militantes. O mesmo aconteceu no Egito, na Síria, na Jordânia, no Iêmen, em Tunis e na Arábia Saudita. Mas nem assim a al-Qaeda lançou qualquer discurso contra governos muçulmanos, até que houve sinais claros de que os EUA atacariam o Iraque.
A colaboração entre governos muçulmanos e os EUA, contra o Iraque, foi considerado momento perfeito para incendiar o ressentimento das massas contra seus respectivos governos que se ligassem em aliança estratégica com os EUA contra países muçulmanos.
Pouco depois de os EUA invadirem o Afeganistão, bin Laden distribuiu a primeira gravação na qual fala contra o governo saudita. “Vocês são fantoches dos EUA e seus pais foram fantoches da Grã-Bretanha. Vocês ajudam os EUA a atacar um país muçulmano e seus pais se rebelaram contra o califato para facilitar a expansão do império britânico no Oriente Médio”.
Nos poucos meses seguintes, Zawahiri falou pela primeira vez contra o presidente general Pervez Musharraf no Paquistão e disse ao povo que derrubasse do poder “o mais íntimo aliado muçulmano dos EUA, em todo o mundo”. Imediatamente depois, grupos pró-al-Qaeda foram estimulados promover ataques na Arábia Saudita e no Paquistão.
Nunca houve razão para a al-Qaeda envolver-se no Iraque. A estratégia na qual trabalharam por mais de uma década jamais sugeriu que enfrentariam o inimigo em campo de batalha. Seu único objetivo é manter ocupado o inimigo, enquanto organizam a resposta muçulmana, de tal modo que, quando outra vez atacarem os EUA, não estarão isolados, não será ataque isolado, e mudarão a história do mundo em maior escala do que no 11/9: o projeto da al-Qaeda é desaparecer nas sombras e deixar que as massas muçulmanas iradas decidam o curso do mundo.
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/GA05Ak03.html
[Carta O BERRO] "Egito: Os militantes esperam nas coxias" (Syed Saleem Shahzad, Asia Times Online, 1/2/2011 [traduzido]) /e " O trabalho não terminado da Al-Qaeda" - Vanderley-Revista
Os militantes esperam nas coxias
Syed Saleem Shahzad
1/2/2011, Syed Saleem Shahzad, Asia Times Onlin
Militants
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
wait in the wings
Syed Saleem Shahzad é editor-chefe da sucursal de Asia Times Online no Paquistão
“Mártires são necessários para eventos, e eventos são necessários para revoluções. E sem revoluções não há avanço” disse hoje o destacado analista político paquistanês Farrukh Saleem no The News International. “Há revolução quando o descontentamento público leva ao rompimento da ordem estabelecida. As revoluções são espontâneas, com raízes em áreas política e economicamente desassistidas. As revoluções começam fora dos centros de poder, em áreas nas quais o mando do Estado seja fraco; depois, as revoluções movem-se na direção do centro do poder.”
Os milhares de militantes foram cercados e caçados entre o final dos anos 1990s e o início de 2001 por Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência, que essa semana foi nomeado vice-presidente. Se o aparelho de segurança do governo Mubarak entrar em colapso, aqueles militantes bem podem ter o que dizer sobre a direção para a qual o país deve andar.
A maioria dos militantes pertencem ao grupo al-Gamaa al-Islamiyya e a inúmeras organizações clandestinas que brotaram durante e depois da Jihad afegã contra a União Soviética. Promoveram muita agitação no Egito ao longo dos anos 1980s e 1990s, quando sequestros e ataques a turistas e contra as forças de segurança eram rotina.
A maioria dos grupos foi brutalmente dizimada pelos serviços de segurança; centenas de militantes foram executados, milhares metidos em prisões e vários milhares foram libertados depois de cenas de arrependimento e confissões públicas, obrigados, mesmo assim a apresentar-se regularmente às autoridades policiais para controle.
Esses militantes, com possivelmente centenas de outros que escaparam das prisões nos últimos dias, estão agora misturados à multidão pelas praças, com as forças de segurança obrigadas a enfrentar o que muito provavelmente é o maior desafio que jamais enfrentaram no Egito.
Durante o fim de semana, pela primeira vez desde o início das manifestações, semana passada, apareceu um primeiro sinal de atividade dos militantes islâmicos nas ruas, quando pelo menos quatro prisões foram atacadas e centenas de militantes islâmicos presos foram libertados. É amostra clara da vulnerabilidade de um aparato de segurança conhecido pela brutalidade.
O exemplo do Paquistão
No início dos anos 2000s no Paquistão, o regime o ex-presidente general Pervez Musharraf atacou duramente organizações militantes como Sepah-e-Sahabah, Harkatul Mujahideen, Laskhar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammad. E tomaram-se medidas estritas para evitar que os membros desses grupos se unissem a grupos ligados à al-Qaeda.
Apesar disso, o início de atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais do país mobilizou imediatamente aqueles militantes, e não houve mecanismos das estratégias de contraterrorismo que os detivesse e, sim, eles logo apareceram aliados à al-Qaeda para lutar contra oestablishment.
No Iêmen, o quadro é semelhante. As operações anti-al-Qaeda no início dos anos 2000s praticamente eliminaram a al-Qaeda no país. Mas imediatamente depois que alguns líderes militantes iemenitas escaparam da cadeia, começou a haver atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais – e essa ação despertou muitas células de militantes adormecidas em todo o Iêmen.
O Egito tem longa história de militância política de resistência, por mais que tenha permanecido adormecida há muitos anos.
Emergiram facções militantes imediatamente depois do assassinato de Hasan al-Banna, fundador da Fraternidade Muçulmana, em 1948. O golpe militar e a consequente chegada ao poder do general Gamal Abdel Nasser em 1956, auxiliado por militares ligados à Fraternidade Muçulmana, reunificou a Fraternidade por algum tempo, a qual então se havia dividido em pelo menos três facções.
Depois, as diferenças que começaram a brotar entre Nasser e a Fraternidade levaram a longo período de repressão, que durou até meados dos anos 1960s, quando a Fraternidade desistiu oficialmente da militância armada e abraçou as vias democráticas.
No início dos anos 1970s, a Fraternidade Muçulmana e grupos de militância islâmica pareciam relíquias de museu, mas voltaram à vida no final dos anos 1970s e, no início dos anos 1980s já estavam capacitados para, sob o comando de Ayman al-Zawahiri, planejar um golpe de Estado. O golpe falhou por vários motivos, mas os militantes conseguiram assassinar o presidente Anwar Sadat em 1981.
Estudo atento da história da militância islâmica no Egito mostra que, embora tenha sido esmagada várias vezes, ela sempre renasce, mesmo que depois de muito tempo.
Depois do assassinato de al-Banna, os movimentos militantes surgiram como reação ao crime. Do final dos anos 1950s até os 1960s, a militância assumiu traços de fundamentalismo extremamente ideológico e declarou que o Egito seria sociedade de hereges. Foi o início de uma rebelião, mas foi controlada até meados de 1970s, quando o reatamento de relações diplomáticas entre Egito e Israel deu novo alento aos militantes, ação que culminou com o assassinato de Sadat.
A Jihad afegã nos anos 1980s deu nova dimensão à militância islâmica, que trabalhou por uma revolução islâmica no Egito. Mas no início dos anos 2000s, as autoridades outra vez retomaram o controle.
Agora, aí estão os protestos de massa gigantes no Egito, e a militância pode renascer – dessa vez, com outra dimensão: nos palcos de guerra do Afeganistão e do Iraque, as guerrilhas são lideradas pelo campo egípcio controlado pela al-Qaeda, e o levante nas ruas do mundo árabe pode garantir popularidade sem precedentes ao radicalismo. (Ver “Al-Qaeda's unfinished work” [O trabalho não concluído da Al-Qaeda], 1/2/2011, Asia Times Online, em tradução).
http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/02/os-militantes-esperam-nas-coxias.html
Syed Saleem Shahzad
1/2/2011, Syed Saleem Shahzad, Asia Times Onlin
Militants
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vuduwait in the wings
Syed Saleem Shahzad é editor-chefe da sucursal de Asia Times Online no Paquistão
ISLAMABAD. Não há força de oposição no Egito, ainda que se considere a Fraternidade Muçulmana, suficientemente organizada, nesse ponto, para assumir o poder no caso de as manifestações públicas em marcha nas principais cidades do Egito levar ao fim do governo de Hosni Mubarak e à queda do presidente.
Até agora, os protestos não apresentaram demandas estruturadas, além de clamarem pela queda de Mubarak, 83, há 30 anos no poder.
Um dos coringas do drama que se desenrola no Egito – onde um milhão de manifestantes tomam as ruas do Cairo hoje – são os cerca de 15 mil ex-militantes que foram libertados pelas cortes nos últimos dez anos, mas permanecem nas listas de observação dos serviços de segurança e agências de inteligência egípcios. “Mártires são necessários para eventos, e eventos são necessários para revoluções. E sem revoluções não há avanço” disse hoje o destacado analista político paquistanês Farrukh Saleem no The News International. “Há revolução quando o descontentamento público leva ao rompimento da ordem estabelecida. As revoluções são espontâneas, com raízes em áreas política e economicamente desassistidas. As revoluções começam fora dos centros de poder, em áreas nas quais o mando do Estado seja fraco; depois, as revoluções movem-se na direção do centro do poder.”
Os milhares de militantes foram cercados e caçados entre o final dos anos 1990s e o início de 2001 por Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência, que essa semana foi nomeado vice-presidente. Se o aparelho de segurança do governo Mubarak entrar em colapso, aqueles militantes bem podem ter o que dizer sobre a direção para a qual o país deve andar.
A maioria dos militantes pertencem ao grupo al-Gamaa al-Islamiyya e a inúmeras organizações clandestinas que brotaram durante e depois da Jihad afegã contra a União Soviética. Promoveram muita agitação no Egito ao longo dos anos 1980s e 1990s, quando sequestros e ataques a turistas e contra as forças de segurança eram rotina.
A maioria dos grupos foi brutalmente dizimada pelos serviços de segurança; centenas de militantes foram executados, milhares metidos em prisões e vários milhares foram libertados depois de cenas de arrependimento e confissões públicas, obrigados, mesmo assim a apresentar-se regularmente às autoridades policiais para controle.
Esses militantes, com possivelmente centenas de outros que escaparam das prisões nos últimos dias, estão agora misturados à multidão pelas praças, com as forças de segurança obrigadas a enfrentar o que muito provavelmente é o maior desafio que jamais enfrentaram no Egito.
Durante o fim de semana, pela primeira vez desde o início das manifestações, semana passada, apareceu um primeiro sinal de atividade dos militantes islâmicos nas ruas, quando pelo menos quatro prisões foram atacadas e centenas de militantes islâmicos presos foram libertados. É amostra clara da vulnerabilidade de um aparato de segurança conhecido pela brutalidade.
O exemplo do Paquistão
No início dos anos 2000s no Paquistão, o regime o ex-presidente general Pervez Musharraf atacou duramente organizações militantes como Sepah-e-Sahabah, Harkatul Mujahideen, Laskhar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammad. E tomaram-se medidas estritas para evitar que os membros desses grupos se unissem a grupos ligados à al-Qaeda.
Apesar disso, o início de atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais do país mobilizou imediatamente aqueles militantes, e não houve mecanismos das estratégias de contraterrorismo que os detivesse e, sim, eles logo apareceram aliados à al-Qaeda para lutar contra oestablishment.
No Iêmen, o quadro é semelhante. As operações anti-al-Qaeda no início dos anos 2000s praticamente eliminaram a al-Qaeda no país. Mas imediatamente depois que alguns líderes militantes iemenitas escaparam da cadeia, começou a haver atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais – e essa ação despertou muitas células de militantes adormecidas em todo o Iêmen.
O Egito tem longa história de militância política de resistência, por mais que tenha permanecido adormecida há muitos anos.
Emergiram facções militantes imediatamente depois do assassinato de Hasan al-Banna, fundador da Fraternidade Muçulmana, em 1948. O golpe militar e a consequente chegada ao poder do general Gamal Abdel Nasser em 1956, auxiliado por militares ligados à Fraternidade Muçulmana, reunificou a Fraternidade por algum tempo, a qual então se havia dividido em pelo menos três facções.
Depois, as diferenças que começaram a brotar entre Nasser e a Fraternidade levaram a longo período de repressão, que durou até meados dos anos 1960s, quando a Fraternidade desistiu oficialmente da militância armada e abraçou as vias democráticas.
No início dos anos 1970s, a Fraternidade Muçulmana e grupos de militância islâmica pareciam relíquias de museu, mas voltaram à vida no final dos anos 1970s e, no início dos anos 1980s já estavam capacitados para, sob o comando de Ayman al-Zawahiri, planejar um golpe de Estado. O golpe falhou por vários motivos, mas os militantes conseguiram assassinar o presidente Anwar Sadat em 1981.
Estudo atento da história da militância islâmica no Egito mostra que, embora tenha sido esmagada várias vezes, ela sempre renasce, mesmo que depois de muito tempo.
Depois do assassinato de al-Banna, os movimentos militantes surgiram como reação ao crime. Do final dos anos 1950s até os 1960s, a militância assumiu traços de fundamentalismo extremamente ideológico e declarou que o Egito seria sociedade de hereges. Foi o início de uma rebelião, mas foi controlada até meados de 1970s, quando o reatamento de relações diplomáticas entre Egito e Israel deu novo alento aos militantes, ação que culminou com o assassinato de Sadat.
A Jihad afegã nos anos 1980s deu nova dimensão à militância islâmica, que trabalhou por uma revolução islâmica no Egito. Mas no início dos anos 2000s, as autoridades outra vez retomaram o controle.
Agora, aí estão os protestos de massa gigantes no Egito, e a militância pode renascer – dessa vez, com outra dimensão: nos palcos de guerra do Afeganistão e do Iraque, as guerrilhas são lideradas pelo campo egípcio controlado pela al-Qaeda, e o levante nas ruas do mundo árabe pode garantir popularidade sem precedentes ao radicalismo. (Ver “Al-Qaeda's unfinished work” [O trabalho não concluído da Al-Qaeda], 1/2/2011, Asia Times Online, em tradução).
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HOSNI MUBARAK – ACABOU - Laerte Braga
Mubarak era um dos comandantes da força aérea egípcia na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os radares do Egito eram fixos e voltados para Israel. Os comandantes, entre eles Mubarak, não foram capazes de perceber a manobra dos militares de Israel. Como os radares não cobriam 360 graus, os aviões israelenses contornaram-nos e destruíram toda a aviação egípcia em terra.
Nos planos do então presidente Gamal Abdel Nasser um ataque aéreo a Israel equilibraria a guerra e permitiria às forças de seu país e da Jordânia ocuparem parte do território inimigo e principalmente toda a cidade de Jerusalém.
Deu tudo errado. Em seis dias as tropas de Israel sob o comando do nazi/sionista Moshe Dayan tomaram inclusive o canal de Suez.
Nasser foi um dos principais líderes do que se conhecia como países do Terceiro Mundo e desenvolvia intensa colaboração política e econômica com a antiga União Soviética. A monumental represa de Assuan foi construída com financiamento e participação direta de técnicos soviéticos.
Tentou de todas as formas unir os governos do Oriente Médio e chegou a criar a REPÚBLICA ÁRABE UNIDA (Egito e Síria) para enfrentar o que pressentiu desde o primeiro momento. O expansionismo israelense.
Foi Nasser que à frente de um movimento militar – era coronel – derrubou a monarquia no país.
Mubarak virou vice-presidente de Anwar El Sadat, sucessor de Nasser (o presidente morreu no exercício do governo). Sadat foi o responsável pela retomada do canal de Suez na guerra do Yom Kyppur e, na euforia da primeira vitória seus generais cometeram erros primários permitindo ao comandante israelense Ariel Sharon cercar as forças egípcias e alcançar um acordo de paz. Se a guerra prosseguisse teriam perdido Suez outra vez.
A entrada em cena dos EUA se deu após Sadat negociar a devolução do Sinai ao Egito e aceitar um acordo de paz com Israel. O presidente rompeu os acordos com a União Soviética, expulsou os técnicos daquela nação e começa aí a história do Egito como aliado dos EUA.
Num outro momento, no final da década de 50, franceses e ingleses tentaram se contrapor à nacionalização do Canal de Suez e sem o apoio dos EUA (de olho na perspectiva de negócios futuros que acabaram se materializando) saíram do Egito. Naquele momento ingleses e franceses começaram a perceber que não eram mais um império e dependiam, como dependem visceralmente dos EUA (no caso da França, a ascensão de De Gaulle após a queda de René Coty e a fuga do primeiro-ministro de extrema direita George Bidault para o Brasil, a guerra da Argélia, esse país permaneceu durante o período em que foi governado pelo general – Charles Andre Joseph Marie De Gaulle – longe da OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE).
Sadat foi assassinado por um militar muçulmano durante um desfile em comemoração à recuperação de Suez e do Sinai. O general Anwar El Sadat, logo após o acordo mediado pelos EUA visitou Israel duas vezes e encontrou-se com o primeiro-ministro Menaguem Begin (Einstein e todas as pessoas bem informadas o consideravam terrorista, foi responsável pela explosão de um hotel antes da criação de Israel matando centenas de pessoas).
A vitória na verdade, era outra baita derrota e Hosni Mubarak, o então vice-presidente, em 1971, assume o governo.
A perspectiva de eleições livres e gerais no Egito assustava aos norte-americanos, a Israel e aos donos do poder no pós-Nasser. Em eleições regionais os partidos islâmicos haviam ganho com larga maioria. Por isso Mubarak os tornou proscritos.
O regime de Hosni Mubarak é de barbárie pura e absoluta. De subserviência total aos interesses norte-americanos e colaboração estreita com Israel, inclusive contra palestinos (muitos foram expulsos de campos de refugiados no país, como na Jordânia, outro aliado de Israel).
O descontentamento popular vem de longa data. A revolta na Tunísia serviu para acender o rastilho da indignação dos egípcios contra um governo totalitário, corrupto e que transformou o país numa colônia de interesses dos EUA e de Israel.
Os serviços secretos egípcios trabalham em estreita colaboração com a MOSSAD – organização terrorista que Israel chama de serviço de inteligência –.
Mubarak acabou. Só fica no poder se os militares promoverem um massacre para que isso se torne possível.
O que acontece neste momento no Cairo é uma tentativa de ceder os anéis e salvar os dedos, tudo mediado e dirigido pelos EUA e por Israel, no receio de perder o mais importante aliado na região. Isso poderia significa a curto prazo mudanças na Jordânia (já existem protestos no país), na Arábia Saudita, outros aliados norte-americanos.
O de buscar um governo que pareça restabelecer a democracia, só pareça, mas mantenha intactos os laços com o governo terrorista de Israel.
O grande vencedor dessa encrenca toda é o Irã. A revolução islâmica se sustenta em eleições livres, diretas e ampla participação popular nas questões de governo, a despeito do noticiário contrário da mídia podre e venal do Ocidente.
O longo período de aliança com os EUA transformou o Egito em potência militar quase equivalente a Israel (só não dispõe de armas nucleares como o estado sionista). A idéia de um governo popular que ponha fim à subserviência em relação aos EUA aterroriza Washington. E deixa Tel Aviv de orelhas em pé, temerosos, ambos, que uma espécie de efeito dominó mude a correlação de forças no Oriente Médio.
Não importa que isso não aconteça agora, cedo ou tarde acontecerá.
A luta contra Mubarak diz respeito a todos os povos muçulmanos e do Oriente Médio. O ditador acabou. Milhões de egípcios estão nas ruas exigindo o fim do regime opressivo e colonizado.
E um detalhe sintomático que os EUA estão procurando alternativas confiáveis para suceder Mubarak. A REDE GLOBO, no Brasil, até as 18 horas de segunda-feira e em seus noticiários (no caso do Egito o que for autorizado pelo Departamento de Estado), referia-se a Mubarak como “presidente”. A partir daquele horário virou ditador. É outro sintoma. Foi jogado às feras.
Qualquer que seja a solução que encontrem EUA e Israel sabem que a revolta árabe, do povo muçulmano irá prosseguir. Até que haja uma solução digna para as questões que dizem respeito aos países e povos da região e principalmente para os palestinos. Saqueados, torturados, violados em seus direitos pelo estado terrorista de Israel, parte do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.
O maior e mais perigoso conglomerado de violência e barbárie em todo o mundo.
Tony Blair apareceu para falar sobre o assunto e buscar a paz? Claro, é o boy da Casa Branca que afirmou ser indispensável a guerra contra o Iraque para destruir armas químicas e biológicas que não existiam (ele mesmo admitiu isso há meses atrás).
Hosni Mubarak acabou. Não tem mais serventia para seus patrões. Se ficar vai ser por conta da barbárie, o mais lógico, no entanto, é que vá viver num paraíso qualquer cercado de um harém, como acontece com o regime brutal da Arábia Saudita.
Comandante militar de fancaria, medalha por tortura, assassinato a sangue frio, traição, tal e qual qualquer militar em qualquer ditadura, inclusive a que nos escravizou no Brasil de 1964 a 1984. Não foi capaz de perceber a fragilidade do sistema de radares de sua força e nem levantou vôo.
Massacrou seu povo por trinta anos.
Loucuras de Amy Winehouse no RJ - Muitas celebridades foram ao show de Amy e os fãs estavam ansiosos, principalmente porque a artista já faltou a espetáculos. A garota pobre do subúrbio britânico que encontrou a fama demonstra que quer voltar para o eixo, mas ainda gera polêmicas. O show foi curto e, em alguns momentos, a cantora enrolou o público. Veja alguns flagrantes feitos pelo público.- BBT
A PROPÓSITO DA CARTA DE DILMA - Laerte Braga
Não houve nem precipitação, tampouco fazer o jogo da direita ao criticar a carta enviada pela presidente Dilma Roussef ao presidente da Itália, a propósito do caso Cesare Battisti.
O fato da presidente da República pertencer a um partido supostamente comprometido com lutas populares e ter sucedido a um governo – Lula – que malgrado as críticas possíveis e passíveis, superou obstáculos e dificuldades os mais variados, bombas de efeito retardado deixadas pelo governo FHC, é preciso enxergar além de um outro fato, ver o todo, o conjunto.
A carta de Dilma foi resultado de uma discussão ampla sobre o assunto – a extradição de Cesare Battisti – e foi sim um ato de submissão, qualquer que tenha a expressão usada ou o “STF DECIDIR”, ou o “STF MANIFESTAR-SE”.
A corte dita suprema já se manifestou em julgamento anterior e como bem alertou o ministro Marco Aurélio Mello, a competência é do presidente da República. A de extraditar ou não.
Dilma Roussef teve conhecimento da decisão do então presidente Lula e apoiou-a. Mesmo porque fez parte do seu governo até a desincompatibilização para candidatar-se à presidente.
O assunto Battisti virou preocupação dentro do governo federal, o atual, seja pela reação do governo italiano, da carta do presidente da Itália ou pela descabida e lamentável atitude do presidente do STF o ministro Cesar Peluso. Ato contínuo ao decreto de Lula deveria ter sido expedido o alvará de soltura, ou mandado de soltura de Battisti e o ministro iria fazê-lo, cientificou o ex-presidente disso, até que contatado por Gilmar Mendes e o embaixador italiano resolveu participar, dar a partida nessa farsa de tentar um confronto com o Executivo.
A visão pragmática de Dilma levou-a em reuniões com assessores a lamentar o fato num primeiro momento, para em seguida, reclamar, notem bem RECLAMAR da “tardia decisão de Lula que teria deixado a bomba em suas mãos”.
Os que tiverem boa memória hão de lembrar-se de uma reprimenda do ex-presidente ao seu ministro da Fazenda, Guido Manteca – que permanece no cargo – dias antes da posse de Dilma. Manteca anunciou cortes no orçamento e paralisação e suspensão de algumas obras previstas. A reprimenda de Lula foi para lembrar ao ministro que ainda era ele o presidente da República e não havia autorizado nada daquilo que Manteca falara.
Este fato serve para ilustrar a campanha sórdida desfechada por figuras como Marco Aurélio Garcia (pelego petista) contra os ministros Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães. E coincidentemente parte dos documentos revelados pelo WIKILEAKS mostram Garcia íntimo dos embaixadores dos EUA, funcionando como uma espécie de consultor.
A luta interna que precedeu a posse de Dilma tinha objetivos claros como manter Jobim na Defesa, afastar Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães. O chanceler e o ministro, apesar de todo o esforço de Marco Aurélio Garcia para destruir, construíram uma política externa que transformou o Brasil em protagonista da história que vivemos nos dias atuais.
Neste momento o que poderíamos chamar de lado pragmático do governo Dilma, os que pensam e transformam a economia em fator principal deixando de lado o político, os compromissos de mudanças, fizeram ver a presidente que era necessário entender que se preciso for “sacrificar” Battisti para evitar um confronto com o Judiciário, que Battisti seja sacrificado.
Apostam em convencer ministros do STF a reiterar a competência final do presidente para extraditar ou não, no que estaria convalidado um ato de Lula e isenta Dilma de qualquer responsabilidade no processo.
É evidente que o ex-presidente Lula não vai falar sobre o assunto. Tomou o bonde errado e começa a amargar o abandono de alguns “companheiros” ávidos, sempre, de poder, cargos para ser mais franco.
Vai até o fim da linha, ou enquanto suportar e isso é dele, ninguém pode marcar data para suportar ou não suportar.
As concessões feitas no governo Lula, vamos admitir, por conseqüência das bombas de efeito retardado deixadas pelo governo FHC foram superadas com êxito. O papel da presidente Dilma seria o de buscar caminhos de mudanças estruturais e avanços efetivos em todas as áreas, mantendo o Brasil, acima de tudo, como o que assumia posição de destaque no primeiro plano mundial, deixava de ser coadjuvante.
O governo da Itália enfrenta uma grave crise. O primeiro-ministro é um banqueiro repulsivo por si e por tudo, precisa exibir um escalpo para suportar pressões entre elas a de evitar que a crise arraste o país a uma situação de desemprego elevado, de quebradeira em alguns setores, enfim, esse momento vivido pelo mundo neoliberal.
A carta de Dilma se insere nesse contexto.
As pressões para entregar Battisti não são apenas da Itália. Diplomatas norte-americanos já “aconselharam” o Brasil a ser “livrar” desse problema.
A mídia privada brasileira é cúmplice dessa ordem mundial. Faz o jogo dos interesses internacionais, dos grandes conglomerados.
O latifúndio aqui não está sendo aquinhoado pelo DEM, mas por trabalhos do líder do PT deputado Vacarezza (semente terminal), pelo deputado do PC do B Aldo Rebelo (código florestal).
Patrulhar críticas ao governo Dilma tentando rotulá-las de “fazer o jogo da direita, do PIG” é tão somente agarrar-se a achegos num governo que vive uma disputa interna intensa, da qual a presidente não está dando conta, e na qual as forças à direita começam a triunfar.
Ou não perceber todo esse jogo.
É claro que algumas reações ao artigo que escrevi são leais e refletem aspirações de companheiros e camaradas íntegros.
“Lula elege até um poste” foi uma frase do ex-ministro da ditadura Delfim Neto.
Dilma, evidente, não é Lula. Mas é produto dos resultados do governo Lula e dos compromissos assumidos em praça pública quando da campanha eleitoral. Isso está longe do aparelhamento do Estado, ou da doação de partes do Estado a “aliados” que nada têm a ver com os compromissos de avanços políticos, econômicos e sociais.
Não passam nem pelo latifúndio, nem pelos bancos, muito menos, noutra ponta, pelo peleguismo de grupos sindicais.
A política de alianças pode implicar em concessões, evidente, mas nunca em realmente cair de quatro e a expressão não significa nenhuma ofensa à condição de mulher da presidente, pois é usual até em conversas informais, corriqueiras.
O que se pretendeu com a carta, reitero, onde a expressão DECIDIR, ou MANIFESTAR-SE é submissão, o ato final é privativo do presidente, ou da presidente, foi apenas jogar o problema para a frente e em qualquer situação, atribuí-lo a Lula.
Se for o caso de extraditar Battisti uma capitulação e uma traição sem tamanho, embora ache isso difícil, tudo bem (mas não impossível, depende de como vai ser encaminhado). Caso contrário, para o governo da Itália a presidente vai dar de ombros e dizer que o problema foi criado por Lula.
Foi isso que ela fez.
A carta poderia, tranquilamente ter reafirmado os laços que unem Brasil e Itália, mas ao mesmo tempo a soberania do Brasil sobre a matéria, tanto quanto lamentar, no mínimo, a interferência do governo italiano em questões internas do Brasil. O envolvimento de dois lamentáveis ministros do STF no assunto, à revelia, rasgando a constituição.
Ou tentando rasgar.
Por fim, se qualquer crítica a Dilma, dura ou não, for vista como “equívoco”, “conclusão apressada”, expondo o crítico a execrações quaisquer que sejam elas, aí some qualquer prurido ou chance de debate político sério no Brasil.
E é aí que vamos cair nas mãos da direita.
Dilma não é Lula, repito, mas os compromissos assumidos e o respeito devido a Lula transcendem a jogos e disputas por cargos, vantagens, por aparelhar o Estado num burocratismo economicista que não vai nos levar a lugar algum, a não ser abrir espaços para figuras como Aécio Neves, loucos travestidos de políticos sérios.
Entramos num jogo de clube de amigos e inimigos cordiais.
Vale lembrar as declarações de Marco Aurélio Garcia em 2000, quando do Congresso do PT em Belo Horizonte e as reivindicações de um amplo debate político sobre programa, etc.
“A minha base me obedece e não quer saber disso, Nem entende disso”.
Tomara que o governo Dilma não mergulhe no economicismo burocrático desse jogo dito institucional (mas eu duvido, vai cair direitinho, está caindo, nessa armadilha).
A certeza que essa luta não vai ser ganha nesse plano.
E como disse, se criticar Dilma for sacrilégio, que ela seja ungida papisa. A infalível
O fato da presidente da República pertencer a um partido supostamente comprometido com lutas populares e ter sucedido a um governo – Lula – que malgrado as críticas possíveis e passíveis, superou obstáculos e dificuldades os mais variados, bombas de efeito retardado deixadas pelo governo FHC, é preciso enxergar além de um outro fato, ver o todo, o conjunto.
A carta de Dilma foi resultado de uma discussão ampla sobre o assunto – a extradição de Cesare Battisti – e foi sim um ato de submissão, qualquer que tenha a expressão usada ou o “STF DECIDIR”, ou o “STF MANIFESTAR-SE”.
A corte dita suprema já se manifestou em julgamento anterior e como bem alertou o ministro Marco Aurélio Mello, a competência é do presidente da República. A de extraditar ou não.
Dilma Roussef teve conhecimento da decisão do então presidente Lula e apoiou-a. Mesmo porque fez parte do seu governo até a desincompatibilização para candidatar-se à presidente.
O assunto Battisti virou preocupação dentro do governo federal, o atual, seja pela reação do governo italiano, da carta do presidente da Itália ou pela descabida e lamentável atitude do presidente do STF o ministro Cesar Peluso. Ato contínuo ao decreto de Lula deveria ter sido expedido o alvará de soltura, ou mandado de soltura de Battisti e o ministro iria fazê-lo, cientificou o ex-presidente disso, até que contatado por Gilmar Mendes e o embaixador italiano resolveu participar, dar a partida nessa farsa de tentar um confronto com o Executivo.
A visão pragmática de Dilma levou-a em reuniões com assessores a lamentar o fato num primeiro momento, para em seguida, reclamar, notem bem RECLAMAR da “tardia decisão de Lula que teria deixado a bomba em suas mãos”.
Os que tiverem boa memória hão de lembrar-se de uma reprimenda do ex-presidente ao seu ministro da Fazenda, Guido Manteca – que permanece no cargo – dias antes da posse de Dilma. Manteca anunciou cortes no orçamento e paralisação e suspensão de algumas obras previstas. A reprimenda de Lula foi para lembrar ao ministro que ainda era ele o presidente da República e não havia autorizado nada daquilo que Manteca falara.
Este fato serve para ilustrar a campanha sórdida desfechada por figuras como Marco Aurélio Garcia (pelego petista) contra os ministros Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães. E coincidentemente parte dos documentos revelados pelo WIKILEAKS mostram Garcia íntimo dos embaixadores dos EUA, funcionando como uma espécie de consultor.
A luta interna que precedeu a posse de Dilma tinha objetivos claros como manter Jobim na Defesa, afastar Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães. O chanceler e o ministro, apesar de todo o esforço de Marco Aurélio Garcia para destruir, construíram uma política externa que transformou o Brasil em protagonista da história que vivemos nos dias atuais.
Neste momento o que poderíamos chamar de lado pragmático do governo Dilma, os que pensam e transformam a economia em fator principal deixando de lado o político, os compromissos de mudanças, fizeram ver a presidente que era necessário entender que se preciso for “sacrificar” Battisti para evitar um confronto com o Judiciário, que Battisti seja sacrificado.
Apostam em convencer ministros do STF a reiterar a competência final do presidente para extraditar ou não, no que estaria convalidado um ato de Lula e isenta Dilma de qualquer responsabilidade no processo.
É evidente que o ex-presidente Lula não vai falar sobre o assunto. Tomou o bonde errado e começa a amargar o abandono de alguns “companheiros” ávidos, sempre, de poder, cargos para ser mais franco.
Vai até o fim da linha, ou enquanto suportar e isso é dele, ninguém pode marcar data para suportar ou não suportar.
As concessões feitas no governo Lula, vamos admitir, por conseqüência das bombas de efeito retardado deixadas pelo governo FHC foram superadas com êxito. O papel da presidente Dilma seria o de buscar caminhos de mudanças estruturais e avanços efetivos em todas as áreas, mantendo o Brasil, acima de tudo, como o que assumia posição de destaque no primeiro plano mundial, deixava de ser coadjuvante.
O governo da Itália enfrenta uma grave crise. O primeiro-ministro é um banqueiro repulsivo por si e por tudo, precisa exibir um escalpo para suportar pressões entre elas a de evitar que a crise arraste o país a uma situação de desemprego elevado, de quebradeira em alguns setores, enfim, esse momento vivido pelo mundo neoliberal.
A carta de Dilma se insere nesse contexto.
As pressões para entregar Battisti não são apenas da Itália. Diplomatas norte-americanos já “aconselharam” o Brasil a ser “livrar” desse problema.
A mídia privada brasileira é cúmplice dessa ordem mundial. Faz o jogo dos interesses internacionais, dos grandes conglomerados.
O latifúndio aqui não está sendo aquinhoado pelo DEM, mas por trabalhos do líder do PT deputado Vacarezza (semente terminal), pelo deputado do PC do B Aldo Rebelo (código florestal).
Patrulhar críticas ao governo Dilma tentando rotulá-las de “fazer o jogo da direita, do PIG” é tão somente agarrar-se a achegos num governo que vive uma disputa interna intensa, da qual a presidente não está dando conta, e na qual as forças à direita começam a triunfar.
Ou não perceber todo esse jogo.
É claro que algumas reações ao artigo que escrevi são leais e refletem aspirações de companheiros e camaradas íntegros.
“Lula elege até um poste” foi uma frase do ex-ministro da ditadura Delfim Neto.
Dilma, evidente, não é Lula. Mas é produto dos resultados do governo Lula e dos compromissos assumidos em praça pública quando da campanha eleitoral. Isso está longe do aparelhamento do Estado, ou da doação de partes do Estado a “aliados” que nada têm a ver com os compromissos de avanços políticos, econômicos e sociais.
Não passam nem pelo latifúndio, nem pelos bancos, muito menos, noutra ponta, pelo peleguismo de grupos sindicais.
A política de alianças pode implicar em concessões, evidente, mas nunca em realmente cair de quatro e a expressão não significa nenhuma ofensa à condição de mulher da presidente, pois é usual até em conversas informais, corriqueiras.
O que se pretendeu com a carta, reitero, onde a expressão DECIDIR, ou MANIFESTAR-SE é submissão, o ato final é privativo do presidente, ou da presidente, foi apenas jogar o problema para a frente e em qualquer situação, atribuí-lo a Lula.
Se for o caso de extraditar Battisti uma capitulação e uma traição sem tamanho, embora ache isso difícil, tudo bem (mas não impossível, depende de como vai ser encaminhado). Caso contrário, para o governo da Itália a presidente vai dar de ombros e dizer que o problema foi criado por Lula.
Foi isso que ela fez.
A carta poderia, tranquilamente ter reafirmado os laços que unem Brasil e Itália, mas ao mesmo tempo a soberania do Brasil sobre a matéria, tanto quanto lamentar, no mínimo, a interferência do governo italiano em questões internas do Brasil. O envolvimento de dois lamentáveis ministros do STF no assunto, à revelia, rasgando a constituição.
Ou tentando rasgar.
Por fim, se qualquer crítica a Dilma, dura ou não, for vista como “equívoco”, “conclusão apressada”, expondo o crítico a execrações quaisquer que sejam elas, aí some qualquer prurido ou chance de debate político sério no Brasil.
E é aí que vamos cair nas mãos da direita.
Dilma não é Lula, repito, mas os compromissos assumidos e o respeito devido a Lula transcendem a jogos e disputas por cargos, vantagens, por aparelhar o Estado num burocratismo economicista que não vai nos levar a lugar algum, a não ser abrir espaços para figuras como Aécio Neves, loucos travestidos de políticos sérios.
Entramos num jogo de clube de amigos e inimigos cordiais.
Vale lembrar as declarações de Marco Aurélio Garcia em 2000, quando do Congresso do PT em Belo Horizonte e as reivindicações de um amplo debate político sobre programa, etc.
“A minha base me obedece e não quer saber disso, Nem entende disso”.
Tomara que o governo Dilma não mergulhe no economicismo burocrático desse jogo dito institucional (mas eu duvido, vai cair direitinho, está caindo, nessa armadilha).
A certeza que essa luta não vai ser ganha nesse plano.
E como disse, se criticar Dilma for sacrilégio, que ela seja ungida papisa. A infalível
domingo, 30 de janeiro de 2011
Irã executa cidadã holandesa por tráfico - BBT
Uma mulher de 46 anos, cidadã holandesa mas com família no Irã, foi executada neste sábado por enforcamento, depois de ser considerada culpada por tráfico de drogas, segundo autoridades iranianas.
Zahra Bahrami ficou presa durante um ano, depois de participar de um protesto contra o governo iraniano em 2009, durante uma visita à sua família.
De acordo com a promotoria de Teerã, durante uma busca em sua casa, as autoridades encontraram 450 gramas de cocaína e 420 gramas de ópio.
A promotoria acrescentou que Bahrami era integrante de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas que traficava cocaína para o Irã usando ligações com holandeses.
A execução de Bahrami na manhã deste sábado eleva o número de execuções registradas este ano no Irã para 66, de acordo com informações da imprensa.
Autoridades da Holanda afirmaram que estão extremamente preocupadas com o caso de Bahrami.
Choque
As autoridades holandesas afirmaram que não tiveram acesso a Bahrami, pois o governo do Irã não reconhece a dupla cidadania.
Um porta-voz do Ministério do Exterior holandês afirmou que ainda não pode confirmar a morte de Bahrami, pois ainda não recebeu informações das autoridades iranianas.
O advogado de Bahrami, Jinoos Sharif, disse ao grupo de defesa dos direitos humanos de Nova York, International Campaign for Human Rights in Iran, que ficou chocado com a execução.
“Estou perplexo pela forma que a sentença da minha cliente foi dada enquanto as acusações de segurança ainda não tinham sido analisadas”, afirmou.
A filha de Bahrami disse ao grupo ativista de Nova York que as acusações contra sua mãe foram fabricadas.
“Ela nem mesmo fuma cigarros… Como pode alguém que participa de manifestações (depois) das eleições (que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad) e coloca a vida em risco, participar de ações como estas, contra o próprio país?”, afirmou Banafsheh Nayebpour.
Zahra Bahrami ficou presa durante um ano, depois de participar de um protesto contra o governo iraniano em 2009, durante uma visita à sua família.
De acordo com a promotoria de Teerã, durante uma busca em sua casa, as autoridades encontraram 450 gramas de cocaína e 420 gramas de ópio.
A promotoria acrescentou que Bahrami era integrante de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas que traficava cocaína para o Irã usando ligações com holandeses.
A execução de Bahrami na manhã deste sábado eleva o número de execuções registradas este ano no Irã para 66, de acordo com informações da imprensa.
Autoridades da Holanda afirmaram que estão extremamente preocupadas com o caso de Bahrami.
Choque
As autoridades holandesas afirmaram que não tiveram acesso a Bahrami, pois o governo do Irã não reconhece a dupla cidadania.
Um porta-voz do Ministério do Exterior holandês afirmou que ainda não pode confirmar a morte de Bahrami, pois ainda não recebeu informações das autoridades iranianas.
O advogado de Bahrami, Jinoos Sharif, disse ao grupo de defesa dos direitos humanos de Nova York, International Campaign for Human Rights in Iran, que ficou chocado com a execução.
“Estou perplexo pela forma que a sentença da minha cliente foi dada enquanto as acusações de segurança ainda não tinham sido analisadas”, afirmou.
A filha de Bahrami disse ao grupo ativista de Nova York que as acusações contra sua mãe foram fabricadas.
“Ela nem mesmo fuma cigarros… Como pode alguém que participa de manifestações (depois) das eleições (que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad) e coloca a vida em risco, participar de ações como estas, contra o próprio país?”, afirmou Banafsheh Nayebpour.
[Carta O BERRO] Brevíssima história de 40 anos de políticas neoliberais - Vanderley-Revista
Brevíssima história de 40 anos de políticas neoliberais
Por Marshall Auerback - de Washington
It's a new deal
Um assíduo leitor de New Deal 2.0 faz uma aguda questão:
“Há uma questão que nunca consigo responder. Muitos especialistas dizem que a ideologia neoliberal iniciou nos anos 80 com Reagan, Thatcher e a Escola de Chicago. Mas sigo sem entender o que tornou possível esse giro na economia política. Que elementos, que novas forças nos anos 80 podem explicar essa mudança ideológica e as desigualdades que a seguiram?”
Todos esses temas são muito dignos de exploração e eu, quero dizer desde logo, não posso fazer justiça a eles com uma resposta de duas linhas. É melhor recomendar o soberbo livro de Yves Smith, Econned. O livro proporciona uma excelente explicação histórica do modo como algumas teorias infundadas, mas amplamente aceitas, levaram à execução de políticas que geraram o atual estado de coisas. Também ilumina a capacidade dessas filosofias para ressuscitar mesmo quando se acumulam provas conclusivas contra elas. Documenta não só a crescente degradação dos economistas profissionais neoclássicos (e sua concomitante tendência a reduzir a soma da experiência humana a uma série de equações matemáticas), mas também a maneira pela qual fundações muito bem financiadas subvencionaram universidades e think tanks que, por sua vez, legitimaram e validaram essas filosofias charlatanescas.
A ideia de que governos democraticamente eleitos devem servir-se de políticas fiscais discricionárias para contraestabilizar as flutuações do ciclo do gasto público chegou a ser visto como algo muito próximo ao socialismo. Os poderes que tomam decisões políticas foram postos gradualmente nas mãos de um corpo de tecnocratas neoliberais que pontificavam sobre as limitações dos governos e reforçavam as posições fiscalmente pró-cíclicas, ou seja: reforçavam a contração discricionária quando os estabilizadores automáticos levavam a grandes déficits orçamentários como resultado da frágil demanda não-pública.
Essa mudança em nossas políticas públicas foi acompanhada por um processo de tomada de controle dos juristas em uma longa marcha através do poder Judiciário. Foi um esforço patrocinado pelas grandes empresas, centrado exclusivamente no tema da desregulação, e culminou com um esforço titânico para revogar as reformas do New Deal, limitar o poder dos sindicatos e do próprio governo (salvo em matéria de Defesa, cabe assinalar, que organizou seu próprio e formidável exército de lobistas).
Responder a questão colocada por nosso leitor passa por reconhecer que este foi um processo que durou décadas e que veio acompanhado de enormes somas de dinheiro e de vasto exército de forças empresariais, jurídicas e políticas, empenhado em frustrar qualquer alternativa progressista. O processo inteiro ocorreu em um período de aproximadamente 40 anos. Flexibilização da regulação e da supervisão; uma crescente desigualdade que levou às famílias a se endividar para manter o nível de gasto; cobiça e exuberância irracional e liquidez global excessiva: todos esses são sintomas do mesmo problema.
Mas como tudo começou? A análise que o grande economista Hyman Minsky realizou no final de sua vida é particularmente potente, porque permite ver essas mudanças a partir de uma vasta perspectiva histórica. Minsky chamou a situação de saída da II Guerra Mundial de “capitalismo paternalista”. Ela se caracterizava por um “enorme Tesouro público” (cujo custo equivalia a 5% do PIB) dotado de um orçamento que oscilava contraciclicamente a fim de estabilizar a renda, o emprego e os fluxos de lucros; um Banco Central ao estilo de um “enorme banco” que mantinha baixas as taxas de juros e intervinha como emprestador último de recursos; uma ampla variedade de garantias estatais (seguro de depósitos, respaldo público implícito ao grosso das hipotecas); programas de bem estar social (Seguridade Social, ajuda às famílias com filhos dependentes, ajuda médica); estreita supervisão e regulação das instituições financeiras; e um leque de programas públicos para promover a melhoria da renda e a igualdade de riqueza (tributação progressiva, leis de salário mínimo, proteção para o trabalho sindicalmente organizado, maior acesso à educação e à habitação para pessoas de baixa renda).
Além disso, o Estado jogava um papel importante em matéria de financiamento e refinanciamento (por exemplo, a corporação pública para financiar a reforma de imóveis e a corporação pública para o crédito destinado à compra de imóveis) e na criação de um mercado hipotecário moderno para a compra de imóveis (baseado em um empréstimo de tipo fixo amortizável em 30 anos), sustentado por empresas patrocinadas pelo Estado. Minsky reconheceu papel desempenhado pela Grande Depressão e pela II Guerra Mundial na criação de bases para a estabilidade financeira. Nas palavras de Randy Wray:
“A Depressão pulverizou e expulsou o grosso dos ativos e passivos financeiros: isso permitiu às empresas e às famílias saírem com pouca dívida privada. O ciclópico gasto público durante a II Guerra Mundial criou poupança e lucro no setor privado, enchendo os livros de contabilidade com dívida saneada do Tesouro (60% do PIB, imediatamente depois da II Guerra). A criação de uma classe média, assim como o baby boom, mantiveram alta a demanda de consumo e alimentaram um rápido crescimento do gasto público dos estados federados e dos municípios em infraestrutura e em serviços públicos demandados pelos consumidores metropolitanos.
A elevada demanda dos entes públicos e dos consumidores trouxe por sua vez consigo a possibilidade de se cobrir o grosso das necessidades das empresas para financiar o gasto interno, incluindo os investimentos. Assim, durante as primeiras décadas que se seguiram à Segunda Guerra, o capital financeiro desempenhou um papel muito menor. A lembrança da Grande Depressão gerou relutância em relação ao endividamento. Os sindicatos pressionavam e, frequentemente, obtinham mais e mais compensações, o que permitiu o crescimento dos níveis de vida, financiados em sua maior parte somente com a renda dos trabalhadores.”
Na década de 1970 tudo isso começou a mudar, como é bem explicado em Econned. O gasto público começou a crescer mais lentamente que o PIB; os salários ajustados à inflação se estancaram a medida que os sindicatos perdiam poder; a desigualdade começou a crescer e as taxas de pobreza deixaram de cair; as taxas de desemprego dispararam; e o crescimento econômico começou a desacelerar.
Nos anos 70 assistimos também aos primeiros esforços sustentados para fugir das restrições impostas pelo New Deal, a medida que as finanças respondiam para aproveitar as oportunidades. Com o desastroso experimento monetarista de Volcker (1979-82), muitos dos velhos vestígios do sistema bancário estabelecido pelo New Deal foram arrasados.
O rito de inovações se acelerou a medida que foram se adotando muitas práticas financeiras novas para proteger as instituições do risco da taxa de juros. A despeito de todas as apologias feitas sobre os anos de Volcker a frente da Federal Reserve, o certo é que suas políticas de juros altos assentaram as bases do atual sistema financeiro baseado no mercado, incluídas a titulação hipotecária, a inovação financeira na forma de derivativos para cobrir o risco das taxas de juros, assim como muitos dos veículos financeiros “extra contábeis” que proliferaram nas duas últimas décadas. Legislou-se para criar um tratamento fiscal muito mais favorável aos juros, o que, por sua vez, estimulou as compras alavancadas para substituir ativos por dívida (como a tomada de controle empresarial financiada com dívida que seria servida pelos futuros fluxos de receita da empresa assim controlada).
Os excedentes orçamentários dos anos Clinton – outro exemplo de ascendência de uma filosofia neoliberal que fugiu da política tributária e determinou a primazia da política monetária – restringiram a demanda agregada, encolheram as receitas e criaram uma maior dependência da dívida privada como meio de sustentar o crescimento e as receitas. Esse foi claramente facilitado por inovações que ampliaram o acesso ao crédito e mudaram os critérios das empresas e dos lares para definir o nível de endividamento prudente. O consumo conduzia o timão e a economia voltou finalmente aos rendimentos dos anos 60. Regressou o crescimento robusto, agora alimentado pelo déficit do gasto privado, não pelo crescimento do gasto público e da receita privada. Tudo isso levou ao que Minsky chamou de capitalismo dos gestores do dinheiro.
Esse é o contexto histórico básico que veio se desenvolvendo nos últimos 40 anos. E essa é, provavelmente, uma resposta que vai mais além do que nosso amável leitor queria, mas sua questão não é daquelas que possa ser respondida laconicamente.
Marshall Auerback é analista econômico, pesquisador do Roosevelt Institute, colaborador da New Economic Perspectives e da NewDeal 2.0.
Tradução para SinPermiso: Casiopea Altisench
Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto
Enviado pelo Correio da Cidadania
Por Marshall Auerback - de Washington
It's a new deal
Um assíduo leitor de New Deal 2.0 faz uma aguda questão:
“Há uma questão que nunca consigo responder. Muitos especialistas dizem que a ideologia neoliberal iniciou nos anos 80 com Reagan, Thatcher e a Escola de Chicago. Mas sigo sem entender o que tornou possível esse giro na economia política. Que elementos, que novas forças nos anos 80 podem explicar essa mudança ideológica e as desigualdades que a seguiram?”
Todos esses temas são muito dignos de exploração e eu, quero dizer desde logo, não posso fazer justiça a eles com uma resposta de duas linhas. É melhor recomendar o soberbo livro de Yves Smith, Econned. O livro proporciona uma excelente explicação histórica do modo como algumas teorias infundadas, mas amplamente aceitas, levaram à execução de políticas que geraram o atual estado de coisas. Também ilumina a capacidade dessas filosofias para ressuscitar mesmo quando se acumulam provas conclusivas contra elas. Documenta não só a crescente degradação dos economistas profissionais neoclássicos (e sua concomitante tendência a reduzir a soma da experiência humana a uma série de equações matemáticas), mas também a maneira pela qual fundações muito bem financiadas subvencionaram universidades e think tanks que, por sua vez, legitimaram e validaram essas filosofias charlatanescas.
A ideia de que governos democraticamente eleitos devem servir-se de políticas fiscais discricionárias para contraestabilizar as flutuações do ciclo do gasto público chegou a ser visto como algo muito próximo ao socialismo. Os poderes que tomam decisões políticas foram postos gradualmente nas mãos de um corpo de tecnocratas neoliberais que pontificavam sobre as limitações dos governos e reforçavam as posições fiscalmente pró-cíclicas, ou seja: reforçavam a contração discricionária quando os estabilizadores automáticos levavam a grandes déficits orçamentários como resultado da frágil demanda não-pública.
Essa mudança em nossas políticas públicas foi acompanhada por um processo de tomada de controle dos juristas em uma longa marcha através do poder Judiciário. Foi um esforço patrocinado pelas grandes empresas, centrado exclusivamente no tema da desregulação, e culminou com um esforço titânico para revogar as reformas do New Deal, limitar o poder dos sindicatos e do próprio governo (salvo em matéria de Defesa, cabe assinalar, que organizou seu próprio e formidável exército de lobistas).
Responder a questão colocada por nosso leitor passa por reconhecer que este foi um processo que durou décadas e que veio acompanhado de enormes somas de dinheiro e de vasto exército de forças empresariais, jurídicas e políticas, empenhado em frustrar qualquer alternativa progressista. O processo inteiro ocorreu em um período de aproximadamente 40 anos. Flexibilização da regulação e da supervisão; uma crescente desigualdade que levou às famílias a se endividar para manter o nível de gasto; cobiça e exuberância irracional e liquidez global excessiva: todos esses são sintomas do mesmo problema.
Mas como tudo começou? A análise que o grande economista Hyman Minsky realizou no final de sua vida é particularmente potente, porque permite ver essas mudanças a partir de uma vasta perspectiva histórica. Minsky chamou a situação de saída da II Guerra Mundial de “capitalismo paternalista”. Ela se caracterizava por um “enorme Tesouro público” (cujo custo equivalia a 5% do PIB) dotado de um orçamento que oscilava contraciclicamente a fim de estabilizar a renda, o emprego e os fluxos de lucros; um Banco Central ao estilo de um “enorme banco” que mantinha baixas as taxas de juros e intervinha como emprestador último de recursos; uma ampla variedade de garantias estatais (seguro de depósitos, respaldo público implícito ao grosso das hipotecas); programas de bem estar social (Seguridade Social, ajuda às famílias com filhos dependentes, ajuda médica); estreita supervisão e regulação das instituições financeiras; e um leque de programas públicos para promover a melhoria da renda e a igualdade de riqueza (tributação progressiva, leis de salário mínimo, proteção para o trabalho sindicalmente organizado, maior acesso à educação e à habitação para pessoas de baixa renda).
Além disso, o Estado jogava um papel importante em matéria de financiamento e refinanciamento (por exemplo, a corporação pública para financiar a reforma de imóveis e a corporação pública para o crédito destinado à compra de imóveis) e na criação de um mercado hipotecário moderno para a compra de imóveis (baseado em um empréstimo de tipo fixo amortizável em 30 anos), sustentado por empresas patrocinadas pelo Estado. Minsky reconheceu papel desempenhado pela Grande Depressão e pela II Guerra Mundial na criação de bases para a estabilidade financeira. Nas palavras de Randy Wray:
“A Depressão pulverizou e expulsou o grosso dos ativos e passivos financeiros: isso permitiu às empresas e às famílias saírem com pouca dívida privada. O ciclópico gasto público durante a II Guerra Mundial criou poupança e lucro no setor privado, enchendo os livros de contabilidade com dívida saneada do Tesouro (60% do PIB, imediatamente depois da II Guerra). A criação de uma classe média, assim como o baby boom, mantiveram alta a demanda de consumo e alimentaram um rápido crescimento do gasto público dos estados federados e dos municípios em infraestrutura e em serviços públicos demandados pelos consumidores metropolitanos.
A elevada demanda dos entes públicos e dos consumidores trouxe por sua vez consigo a possibilidade de se cobrir o grosso das necessidades das empresas para financiar o gasto interno, incluindo os investimentos. Assim, durante as primeiras décadas que se seguiram à Segunda Guerra, o capital financeiro desempenhou um papel muito menor. A lembrança da Grande Depressão gerou relutância em relação ao endividamento. Os sindicatos pressionavam e, frequentemente, obtinham mais e mais compensações, o que permitiu o crescimento dos níveis de vida, financiados em sua maior parte somente com a renda dos trabalhadores.”
Na década de 1970 tudo isso começou a mudar, como é bem explicado em Econned. O gasto público começou a crescer mais lentamente que o PIB; os salários ajustados à inflação se estancaram a medida que os sindicatos perdiam poder; a desigualdade começou a crescer e as taxas de pobreza deixaram de cair; as taxas de desemprego dispararam; e o crescimento econômico começou a desacelerar.
Nos anos 70 assistimos também aos primeiros esforços sustentados para fugir das restrições impostas pelo New Deal, a medida que as finanças respondiam para aproveitar as oportunidades. Com o desastroso experimento monetarista de Volcker (1979-82), muitos dos velhos vestígios do sistema bancário estabelecido pelo New Deal foram arrasados.
O rito de inovações se acelerou a medida que foram se adotando muitas práticas financeiras novas para proteger as instituições do risco da taxa de juros. A despeito de todas as apologias feitas sobre os anos de Volcker a frente da Federal Reserve, o certo é que suas políticas de juros altos assentaram as bases do atual sistema financeiro baseado no mercado, incluídas a titulação hipotecária, a inovação financeira na forma de derivativos para cobrir o risco das taxas de juros, assim como muitos dos veículos financeiros “extra contábeis” que proliferaram nas duas últimas décadas. Legislou-se para criar um tratamento fiscal muito mais favorável aos juros, o que, por sua vez, estimulou as compras alavancadas para substituir ativos por dívida (como a tomada de controle empresarial financiada com dívida que seria servida pelos futuros fluxos de receita da empresa assim controlada).
Os excedentes orçamentários dos anos Clinton – outro exemplo de ascendência de uma filosofia neoliberal que fugiu da política tributária e determinou a primazia da política monetária – restringiram a demanda agregada, encolheram as receitas e criaram uma maior dependência da dívida privada como meio de sustentar o crescimento e as receitas. Esse foi claramente facilitado por inovações que ampliaram o acesso ao crédito e mudaram os critérios das empresas e dos lares para definir o nível de endividamento prudente. O consumo conduzia o timão e a economia voltou finalmente aos rendimentos dos anos 60. Regressou o crescimento robusto, agora alimentado pelo déficit do gasto privado, não pelo crescimento do gasto público e da receita privada. Tudo isso levou ao que Minsky chamou de capitalismo dos gestores do dinheiro.
Esse é o contexto histórico básico que veio se desenvolvendo nos últimos 40 anos. E essa é, provavelmente, uma resposta que vai mais além do que nosso amável leitor queria, mas sua questão não é daquelas que possa ser respondida laconicamente.
Marshall Auerback é analista econômico, pesquisador do Roosevelt Institute, colaborador da New Economic Perspectives e da NewDeal 2.0.
Tradução para SinPermiso: Casiopea Altisench
Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto
Enviado pelo Correio da Cidadania
[Carta O BERRO] A história não se julga nos tribunais, ela ela á sempre matéria de historiadores. Uma carta de Cesare Battisti - Vanderley-Revista
Uma carta de Cesare Battisti: serA história não se julga nos tribunais, ela á sempre matéria de historiadores
Desde o ano 2000 estamos assistindo à impiedosa tentativa do Estado italiano enterrar definitivamente a tragédia dos anos de chumbo, jogando na prisão e levando à morte o bode expiatório Cesare Battisti. Por Cesare Battisti
Caros companheiros(as), há meia hora, nesta terça, antes da visita dos companheiros decidi escrever um recado para todos vocês que participam dessa luta em meu favor. Resultado: pouco tempo para escrever algo vigoroso; cabeça cheia de insultos grifados de uma cela a outra; e o espírito fica longe: palavras que não se deixam prender e, enfim, o recado é para já.
Tem-se dito e escrito tanto sobre esse “Caso Battisti” que já não sei mais distinguir direitinho o eu do outro. Aquele Battisti surgido do nada e jogado pela mídia como pasto para gado. Mas essas são só palavras, vazias como as cabeças desses mercenários que costumam facilmente trocar a pistola com a caneta e até uma cadeira no Congresso. No entanto, os companheiros/as de luta, assim, todos/as aqueles que ainda sabem ler atrás da “notícia”, vocês sabem quem é quem, qual a minha história e também a manipulação descarada que está servindo a interesses políticos e pessoais, de carreira e de mercado: em 2004, depois de 14 anos de asilo, a França de Sarkozi me vendeu à Itália de Berlusconi em troca do trem-bala [comboio de grande velocidade] de Lyon-Turin. Desde o ano 2000 estamos assistindo à impiedosa tentativa do Estado italiano enterrar definitivamente a tragédia dos anos de chumbo, jogando na prisão e levando à morte o bode expiatório Cesare Battisti.
Entre centenas de refugiados dos anos 70 que se encontram em vários países do mundo, não fui escolhido eu por acaso nem pela importância do papel de militante, mas pela imagem pública que eu tinha enquanto escritor, o que me dava o acesso à grande mídia para denunciar os crimes de Estado naquela época e os atuais…
Eis que de repente há tantas coisas por dizer que eu não sei mais me orientar! Pela rua, claro, só a rua vai me dirigir até vocês. Na rua comecei mil anos atrás e nela continuo; nela mesmo onde será praticamente impossível evitar-nos. E então falo, falo de homens e de mulheres, de companheiros(as), de sonhos e de Estados (esses também ficam no caminho, de ladinho). Falo sobre minha vida que não conheceu hinos, nem infância, mas que em troco tive o mundo todo para brincar com outra música que não essas fanfarras de botas.
Contudo, parece quase que estou falando como homem livre, não é? Porém, estou preso. Vai fazer quatro anos no próximo março. Ainda assim, essas cariátides da reação não conseguiram me pegar em tempo. Quase três anos se passaram (antes de eu ser preso), de rua a outra, nesse tempo conheci o país, cheirei o povo, me misturei a ele, ao ponto de quase esquecer o hálito fedorento dos cães de caça. Ainda estou preso, está certo, mas isso não me impede de sentir lá fora vossos corações batendo pela liberdade.
Talvez eu tinha que falar-lhes algo mais sobre esta perseguição sem fim, dar-lhes algumas dicas de como driblar a matilha. Mas acabei por pintar-lhes um abraço sincero e libertário. É o que conta.
Cesare Battisti, 18 de janeiro de 2011
Leia aqui para saber mais sobre o caso de Cesare Battisti.
Desde o ano 2000 estamos assistindo à impiedosa tentativa do Estado italiano enterrar definitivamente a tragédia dos anos de chumbo, jogando na prisão e levando à morte o bode expiatório Cesare Battisti. Por Cesare Battisti
Caros companheiros(as), há meia hora, nesta terça, antes da visita dos companheiros decidi escrever um recado para todos vocês que participam dessa luta em meu favor. Resultado: pouco tempo para escrever algo vigoroso; cabeça cheia de insultos grifados de uma cela a outra; e o espírito fica longe: palavras que não se deixam prender e, enfim, o recado é para já.
Tem-se dito e escrito tanto sobre esse “Caso Battisti” que já não sei mais distinguir direitinho o eu do outro. Aquele Battisti surgido do nada e jogado pela mídia como pasto para gado. Mas essas são só palavras, vazias como as cabeças desses mercenários que costumam facilmente trocar a pistola com a caneta e até uma cadeira no Congresso. No entanto, os companheiros/as de luta, assim, todos/as aqueles que ainda sabem ler atrás da “notícia”, vocês sabem quem é quem, qual a minha história e também a manipulação descarada que está servindo a interesses políticos e pessoais, de carreira e de mercado: em 2004, depois de 14 anos de asilo, a França de Sarkozi me vendeu à Itália de Berlusconi em troca do trem-bala [comboio de grande velocidade] de Lyon-Turin. Desde o ano 2000 estamos assistindo à impiedosa tentativa do Estado italiano enterrar definitivamente a tragédia dos anos de chumbo, jogando na prisão e levando à morte o bode expiatório Cesare Battisti.
Entre centenas de refugiados dos anos 70 que se encontram em vários países do mundo, não fui escolhido eu por acaso nem pela importância do papel de militante, mas pela imagem pública que eu tinha enquanto escritor, o que me dava o acesso à grande mídia para denunciar os crimes de Estado naquela época e os atuais…
Eis que de repente há tantas coisas por dizer que eu não sei mais me orientar! Pela rua, claro, só a rua vai me dirigir até vocês. Na rua comecei mil anos atrás e nela continuo; nela mesmo onde será praticamente impossível evitar-nos. E então falo, falo de homens e de mulheres, de companheiros(as), de sonhos e de Estados (esses também ficam no caminho, de ladinho). Falo sobre minha vida que não conheceu hinos, nem infância, mas que em troco tive o mundo todo para brincar com outra música que não essas fanfarras de botas.
Contudo, parece quase que estou falando como homem livre, não é? Porém, estou preso. Vai fazer quatro anos no próximo março. Ainda assim, essas cariátides da reação não conseguiram me pegar em tempo. Quase três anos se passaram (antes de eu ser preso), de rua a outra, nesse tempo conheci o país, cheirei o povo, me misturei a ele, ao ponto de quase esquecer o hálito fedorento dos cães de caça. Ainda estou preso, está certo, mas isso não me impede de sentir lá fora vossos corações batendo pela liberdade.
Talvez eu tinha que falar-lhes algo mais sobre esta perseguição sem fim, dar-lhes algumas dicas de como driblar a matilha. Mas acabei por pintar-lhes um abraço sincero e libertário. É o que conta.
Cesare Battisti, 18 de janeiro de 2011
Leia aqui para saber mais sobre o caso de Cesare Battisti.
[Carta O BERRO] BBB......por Luiz Fernando Verissímo. - Vanderley-Revista
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o "BBB" ( LEIA COM ATENÇÃO, EM RESPEITO À SUA FAMÍLIA )
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima terceira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE..
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça,
cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.
Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? HERÓIS ?
São esses nossos exemplos de HERÓIS ?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo,
o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia,
alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar.... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... ,telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rio$$$$$ de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade
AMIGO
A LEI BRASILEIRA AUTORIZA ESSAS BESTIALIDADES, MAS O SEU LAR É INVIOLÁVEL DESLIGUE SUA TV NA HORA QUE ANUNCIAREM O PROGRAMA, E DESSA FORMA
A AUDIÊNCIA VAI CONTINUAR EM QUEDA LIVRE ( JÁ É A MENOR DE TODAS AS EDIÇÕES)
E OS PATROCINADORES TIRARÃO O PROGRAMA DO AR.
BRASIL...! Acima de tudo...!!!
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