quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Participem da Manifestação Nacional Crueldade Nunca Mais - Os animais precisam da sua voz! - Evandro


DATA DA MANIFESTAÇÃO: 22 DE JANEIRO DE 2012 (DOMINGO) - HORÁRIO: 10h00
Todos juntos sairemos na luta pelo respeito aos animais. A manifestação acontecerá simultaneamente em várias cidades do Brasil.
CLIQUE AQUI para ver todas as cidades e locais confirmados.

REIVINDICAÇÃO:
PENALIZAÇÃO CORRETA E EFETIVA PARA QUEM COMETE CRUELDADES E MAUS TRATOS AOS ANIMAIS!OS ANIMAIS PEDEM JUSTIÇA!
A lei atual é branda e não pune devidamente quem comete crimes contra animais.
Esta manifestação é o início de uma série de ações para uma penalização correta contra a crueldade aos animais.
A petição oficial do movimento (abaixo assinado) tem por objetivo coletar 1 milhão e meio de assinaturas em todo país, e já está sendo elaborada.
Para assiná-la, cadastre seu e-mail no site www.crueldadenuncamais.com.br e aguarde nosso contato.
SUA PARTICIPAÇÃO É FUNDAMENTAL!
JUNTE-SE A NÓS E LUTE POR ELES!

NORMAS:
- A manifestação CRUELDADE NUNCA MAIS é um movimento PACÍFICO e respeitador das leis, idealizado e organizado pelos protetores de animais do Brasil, o qual será o início de uma série de ações que visam a penalização correta para crimes de maus tratos aos animais.
- Os animais não deverão ser levados à manifestação.
- Cada cidade organizará o formato da manifestação de acordo com as normas e condições locais.
- Os manifestantes deverão levar sacolinhas para a coleta do lixo.
- Os manifestantes poderão levar cartazes e faixas com as seguintes frases:

OS ANIMAIS PEDEM JUSTIÇA!
CRUELDADES CONTRA ANIMAIS: LEIS MAIS RÍGIDAS E CADEIA!
OS ANIMAIS NÃO VOTAM, MAS NÓS SIM!
CRIMES CONTRA ANIMAIS DEVEM SER PUNIDOS COM RIGOR!
CHEGA DE IMPUNIDADE PARA CRIMES CONTRA ANIMAIS!
BRASIL, MOSTRA A TUA CARA LIMPA DE CRUELDADE!
- As faixas deverão ter no máximo 2m de largura.
- Frases ofensivas e que incitam a violência não serão permitidas.


CLIQUE AQUI PARA VER AS DIRETRIZES ESTABELECIDAS PARA A MANIFESTAÇÃO DE SÃO PAULO - SP.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

[Carta O BERRO] O mundo do dinheiro e seus heróis. por Emir Sader - Vanderley Caixe

Emir Sader: O MUNDO DO DINHEIRO E SEUS HERÓIS

Por Emir Sader

Até certo momento, os ricos ou escondiam sua riqueza ou tratavam de passar despercebidos, como se não ficasse bem exibir riqueza em sociedades pobres e desiguais. Ou até, também, para escapar da Receita.

De repente, o mundo neoliberal - esse em que tudo vale pelo preço que tem, em que tudo tem preço, em que tudo se vende, tudo se compra – passou a exibir a riqueza como atestado de competência. Nos EUA, se deixou de falar de pobres, para falar de “fracassados”. Numa sociedade que se jacta de dar oportunidade para todos, numa “sociedade livre, aberta”, quem não deu certo economicamente é por incompetência ou por preguiça.

Ser rico é ter dado certo, é demonstrar capacidade para resolver problemas, ter criatividade, se dar bem na vida etc., etc. Até certo momento. as biografias que se publicavam eram de grandes personagens da historia universal – governantes, líderes populares, gênios musicais, detentores de grandes saberes. A partir do neoliberalismo, as biografias de maior sucesso passaram as ser as dos milhardários, que supostamente ensinam o caminho das pedras para os até ali menos afortunados.

Todos dizem que nasceram pobres, subiram na vida graças à tenacidade, à criatividade, ao trabalho duro, ao espírito de sacrifício. Tiveram tropeços, mas não desistiram, leram algum guru de autoajuda que os fez aumentarem sua autoestima, acreditarem mais em si mesmos, recomeçarem do zero, até chegarem ao sucesso indiscutível.

Seus livros se transformam em ‘best-sellers’, vendem rapidamente – até que vários deles caem em desgraça, porque flagrados em algum escândalo -, eles viajam o mundo dando entrevistas e vendendo seu saber que, se fosse seguido por seus leitores, produziria um mundo de ricos e de pessoas realizadas e felizes como eles.

Quem vai publicar um livro de um “fracassado”? Só mesmo se fosse para que as pessoas soubessem quais os caminhos errados, aqueles que não deveriam seguir, se querem ser ricos, bonitos e felizes. O mundo do trabalho, da fábrica, do sindicato, dos movimentos de bairro, das comunidades – mundo marginal e marginalizado.

Programas de televisão exaltam os ricos, os bem-sucedidos, as mulheres que exibem sua elegância, sua falta de pudor de gastar milhões na Daslu e nas viagens a Nova York e a Paris. Ninguém quer ver gente feia, pobre, desamparada, que só frequenta os noticiários policiais e de calamidades naturais. As telenovelas têm como cenários os luxuosos apartamentos da zona sul do Rio e dos jardins de São Paulo, com belas mulheres e homens que não trabalham, no máximo administram empresas de sucesso. Os pobres giram em torno deles – empregadas domésticas, entregadores de pizza, donos de botecos -, sempre como coadjuvantes do mundo dos ricos, que propõem o tipo de vida que as pessoas deveriam ter, se quiserem ser ricos, bonitos, felizes.

Esse mundo fictício esconde os verdadeiros mecanismos que geram a riqueza e a pobreza, os meios sociais – os bancos por um lado, as fábricas por outro – em que se geram a riqueza e a fortuna, a especulação e a expropriação do trabalho alheio. Em que estão os vilões e os heróis das nossas sociedades.”

FONTE: escrito por Saul Leblon no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=856).

[Carta O BERRO] El Pacto: Série argentina mostra como principais órgãos de comunicação do país usaam a ditadura para ficar com a Papel Prensa. - Vanderley Caixe

El Pacto: Série argentina mostra como principais órgãos de comunicação do país usaram a ditadura para ficar com a Papel Prensa -


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"El golpe cívico militar que se efectuó em 1976 tenía como objetivo cambiar el mapa económico argentino.

Repartir más entre los que más teníam.
Y terminar com la idea de um país más justo e inclusivo.

Para eso necesitaban desaparecer y asesinar a miles de personas, además de la apropriación de bebés y el robo de empresas.

Uno de los botines mas preciados fue la fábrica de papel celulosa que se venía desarrollando desde un tiempo antes.

Ese despojo fue organizado por la Junta Militar, en complicidad com los dueños de los diarios más importantes del país.

Esta serie se refiere a los hechos de ese caso."

Assim começa o 13º e último capítulo da série argentina El Pacto, que foi ao ar no último dezembro na TV argentina.

"El pacto" es la historia de una abogada especializada en delitos económicos que investiga un caso que cambiará su vida y la de su familia.

Lucía Córdova (Cecilia Roth) comienza a investigar el caso de la liquidación de una empresa con el fin de restablecerle a su anterior dueño las garantías del proceso judicial. Pero internándose en los avatares del caso y viendo los nombres que aparecen (todos importantes personajes históricos del pasado más reciente), se da cuenta que detrás de eso hay algo más grande, un delito mayor. Pronto, las víctimas de aquel despojo comienzan a interesarla en continuar y profundizar la investigación, llegando a inquietar al empresario más comprometido en la causa, que es el dueño de un diario muy importante quien cometió uno de los delitos más aberrantes: su complicidad con la dictadura para obtener una empresa.

"El pacto" es una serie de 13 capítulos, un thriller de suspenso cruzado por historias melodramáticas.

Este unitario es uno de los ganadores del concurso "Ficción para Todos", junto con "Maltratadas", "Historias de la primera vez" y "Vindica" (transmitidos también por América), y "Decisiones de vida", "Televisión por la inclusión", "Proyecto Aluvión", "Los sónicos" (emitidos por Canal 9) y El paraíso, con los cuales el Instituto Nacional de Ciencias y Artes Audiovisuales (INCAA) promueve la realización de programas para ser emitidos en alta definición.

La historia se centra en la venta de Papel prensa durante la última dictadura militar, y Mike Amigorena encarna a un controvertido personaje similar a Héctor Magnetto, CEO del Grupo Clarín. [Fonte]

Para assistir a todos os 13 capítulos do seriado em alta definição, clique aqui e vá ao site oficial de El Pacto.

Enquanto isso, ficamos no aguardo do prometido filme "O dia que durou 21 anos", realizado a partir de material da excelente série apresentada na TV Brasil no ano passado, que comentamos e publicamos aqui.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Bunker Roy: Aprendendo com um movimento pés descalços - Mon Poète

No Rajastão, na Índia, um professor extraordinário ensina pessoas (mulheres e homens) em comunidades rurais – muitas delas iletradas – como tornarem-se engenheiras de energia solar, artesãs, dentistas e médicas em seus próprios povoados. É a chamada Universidade Barefoot (Pés Descalços) e seu fundador, Bunker Roy, nos explica como ela funciona.

[Carta O BERRO] O imperialismo e o “anti-imperialismo” dos tolos - Vanderley Caixe

O imperialismo e o “anti-imperialismo” dos tolos
por James Petras
Um dos grandes paradoxos da história são os políticos imperialistas que apregoam estar empenhados numa grande cruzada humanitária, um "missão civilizadora" histórica destinada a libertar nações e povos, enquanto praticam as mais bárbaras conquistas, guerras destrutivas e banhos de sangue em grande escala de povos conquistados de que há memória histórica.
Na moderna era capitalista, as ideologias dos dominadores imperiais variaram ao longo do tempo, desde os primitivos apelos ao “direito” à riqueza, poder, colônias e grandeza até as afirmações posteriores de uma “missão civilizadora”. Mais recentemente os dominadores imperiais têm propalado justificações muito diversas, adaptadas a contextos, adversários, circunstâncias e públicos específicos.
Este ensaio estará concentrado na análise dos argumentos ideológicos contemporâneos do império estadunidense para legitimar guerras e sanções a fim de manter a dominação.
Contextualizando a ideologia imperial
A propaganda imperialista varia consoante seja dirigida contra um competidor pelo poder global ou como uma justificação para a aplicação de sanções ou ainda a entrada em guerra aberta contra um adversário sócio-político local ou regional.
Em relação a competidores imperiais estabelecidos (Europa) ou em ascensão na economia mundial (China), a propaganda imperial dos EUA variou ao longo do tempo. Antigamente, no século XIX, Washington proclamou a “Doutrina Monroe”, denunciando esforços europeus para colonizar a América Latina, privilegiando os seus próprios desígnios imperiais naquela região. No século XX, quando os decisores imperiais dos EUA estavam deslocando a Europa dos recursos primários baseados nas colônias no Oriente Médio e África, aproveitou-se de vários temas. Condenou “formas de dominação colonial” e promoveu transições “neo-coloniais” que acabaram com monopólios europeus e facilitaram a penetração corporativa de multinacionais estadunidenses. Isto ficou claramente evidente durante e após a IIa. Guerra Mundial, nos países petrolíferos do Oriente Médio.
Durante a década de 1950, quando os EUA assumiram o primado imperial e surgiu o nacionalismo anti-colonial, Washington forjou alianças com potências coloniais em declínio para combater um inimigo comum e incentivar poderes pós coloniais a combatê-lo. Mesmo com a recuperação económica pós IIa. Guerra Mundial, com o crescimento e unificação da Europa, ela ainda atuou em conjunto e sob a liderança dos EUA na repressão militar de insurgências e regimes nacionalistas. Quando se verificavam conflitos e competição entre os EUA e regimes, bancos e empresas europeias, os mass media (IMPRENSA) de cada região publicavam “descobertas de investigação” revelando as fraudes e malfeitorias dos seus competidores – e as agências reguladoras dos EUA impunham multas pesadas sobre os seus colegas europeus, fazendo vistas grossas à práticas semelhantes das firmas financeiras da Wall Street.
Em tempos recentes a maré ascendente do imperialismo militarista e das guerras coloniais alimentadas por procuradores israelenses no estado dos EUA levaram a algumas sérias divergências entre o imperialismo estadunidense e o europeu. Com a exceção da Inglaterra, a Europa assumiu um mínimo compromisso simbólico com as guerras dos EUA e a ocupação do Iraque e Afeganistão. A Alemanha e a França concentraram-se em expandir seus mercados de exportação e suas capacidades econômicas, deslocando os EUA em grandes mercados e locais com recursos. A convergência dos EUA e de impérios europeus levou à integração de instituições financeiras e às subsequentes crises e colapso comuns mas sem qualquer política coordenada de recuperação. Ideólogos dos EUA propagaram a ideia de uma “União Europeia em declínio e decadência”, ao passo que ideólogos europeus enfatizaram os fracassos dos “mercados livres” anglo-americanos e as fraudes da Wall Street.
Ideologia imperial, potências econômicas em ascensão e desafios nacionalistas
Há uma longa história de “anti-imperialismo” imperialista, condenações, revelações e indignações morais patrocinadas oficialmente dirigidas exclusivamente contra rivais imperialistas, potências emergentes ou simplesmente competidoras, as quais em alguns casos estão simplesmente a seguir as pegadas das potências imperiais estabelecidas.
No seu auge, os imperialistas ingleses justificavam sua pilhagem em escala mundial de três continentes perpetuando a "Lenda negra" da “crueldade excepcional” do império espanhol para com povos indígenas da América Latina, enquanto empenhava-se no maior e mais lucrativo tráfico africano de escravos. Enquanto os colonialistas espanhóis escravizavam os povos indígenas, os colonizadores anglo-americanos exterminavam-nos...
Na preparação para a IIa. Guerra Mundial, as potências imperiais europeias e dos EUA, enquanto exploravam colônias asiáticas condenavam a invasão e colonização da China pela potência imperial japonesa. O Japão, por sua vez, afirmava estar a liderar forças da Ásia no combate contra o imperialismo ocidental e projetava uma esfera de “co-prosperidade” pós colonial de parceiros asiáticos em pé de igualdade.
A utilização imperialista da retórica moral “antiimperialista” foi concebida para enfraquecer rivais e era destinada a diversos públicos. De fato, em momento algum a retórica antiimperialista serviu para “libertar” qualquer dos povos colonizados. Em quase todos os casos a potência imperial vitoriosa apenas substituía uma forma de domínio colonial ou neocolonial por outra.
O “antiimperialismo” dos imperialistas é destinado aos movimentos nacionalistas dos países colonizados e ao seu público interno. Imperialistas britânicos fomentaram levantamentos entre as elites agro-mineiras na América Latina prometendo “comércio livre” contra o domínio mercantilista espanhol; eles apoiaram a “autodeterminação” dos proprietários escravocratas de plantações de algodão nos Sul dos EUA contra a União; eles apoiaram as reivindicações territoriais dos líderes tribais iroqueses contra os revolucionários anticoloniais estadunidenses explorando agravos legítimos para fins imperiais.
Durante a IIa. Guerra Mundial, os imperialistas japoneses apoiaram um setor movimento nacionalista anticolonial na Índia contra o Império britânico. Os EUA condenaram o domínio colonial espanhol em Cuba e nas Filipinas e foram à guerra para “libertar” os povos oprimidos da tirania e ali permaneceram para impor um reino de terror, exploração e domínio colonial...
As potências coloniais procuram dividir os movimentos anticoloniais e criar futuros “dominadores clientes” quando e se tiverem êxito. A utilização da retórica antiimperialista foi concebida para atrair dois conjuntos de grupos. Um grupo conservador com interesses políticos e econômicos comuns com a potência imperial, os quais partilhavam a sua hostilidade para com nacionalistas revolucionários e que procuram acumular maior vantagem ligando as suas fortunas a uma potência imperial e ascensão. Um setor radical do movimento aliava-se taticamente com a potência imperial em ascensão, com a ideia de utilizá-la para assegurar recursos (armas, propaganda, veículos e ajuda financeira) e, uma vez assegurado o poder, descartá-lo. Na maioria dos casos, neste jogo de manipulação mútua entre império e nacionalistas, os primeiros venceram tanto antes como hoje.
A retórica imperialista “antiimperialista” era igualmente destinada ao público interno, especialmente em países como os EUA que valorizavam sua herança anticolonial do século XVIII. O objetivo era ampliar a base da construção do império para além dos empedernidos lealistas, militaristas e beneficiários corporativos do império. O seu apelo procura incluir liberais, pessoas humanitárias, intelectuais progressistas, moralistas religiosos e laicos e outros “formadores de opinião” que tivessem uma certa influência entre o público mais amplo, as pessoas que teriam de pagar com as suas vidas e dinheiro para impostos pelas guerras inter-imperialistas e coloniais.
Os porta-vozes oficiais do império publicitam atrocidades reais e falsificadas dos seus rivais imperiais e destacam os infortúnios das vítimas colonizadas. A elite corporativa e os militaristas empedernidos pedem ação militar para proteger a propriedade, ou tomar recursos estratégicos; as pessoas com sentimentos humanitários e progressistas denunciam os “crimes contra a humanidade” e refletem os apelos “a fazer algo concreto” para salvar as vítimas do genocídio. Setores da esquerda juntam-se ao coro, descobrindo um setor de vítimas que se ajusta à sua ideologia abstrata e pedem às potências imperiais para “armarem o povo para que se liberte” (sic).
Ao conceder apoio moral e um verniz de respeitabilidade à guerra imperial, com a deglutição da “guerra para salvar vítimas” os progressistas tornam-se o protótipo do “anti-imperialismo dos tolos”.
Tendo assegurado vasto apoio público na base do “antiimperialismo”, as potências imperialistas sentem-se livres para sacrificar vidas de cidadãos e o tesouro público, para prosseguir a guerra, alimentada pelo fervor moral de uma causa justiceira. Quando a carnificina se arrasta e as baixas crescem e o público aborrece-se com a guerra e o seu custo, o entusiasmo de progressistas e esquerdistas transforma-se em silêncio ou pior, hipocrisia moral com afirmações de que “a natureza da guerra mudou” ou “que isto não é a espécie de guerra que tínhamos em mente...”. Como se os feitores da guerra alguma vez pretendessem consultar os progressistas e a esquerda sobre como e porque deveriam empenhar-se em guerras imperiais!
No período contemporâneo as guerras imperiais “antiimperialistas” e a agressão foram grandemente ajudadas pela cumplicidade de “bases” bem financiadas chamadas “organizações não governamentais”(ONGs) as quais atuam na mobilização de movimentos populares que podem “convidar” à agressão imperial. (P. ex., é o que a AVAAZ esta fazendo na Síria – Nota da redecastorphoto)
Ao longo das últimas quatro décadas o imperialismo estadunidense fomentou pelo menos duas dúzias de movimentos “de base” que destruíram governos democráticos ou dizimaram estados de previdência colectivista ou provocaram grandes danos às economias de países alvos.
No Chile, durante os anos 1972-73 sob o governo eleito democraticamente de Salvador Allende, a CIA financiou a proporcionou apoio importante – via AFL-CIO – a proprietários privados de caminhões para paralisar o fluxo de bens e serviços. Também financiaram uma greve de um setor do sindicato de trabalhadores do cobre (na mina El Teniente) a fim de reduzir a produção de cobre e as exportações, na preparação para o golpe. Depois de os militares tomarem o poder vários responsáveis do sindicato democrata-cristão “da base” participaram no expurgo de ativistas de esquerda eleitos do sindicato. Não é preciso dizer que imediatamente os proprietários de caminhões e trabalhadores do cobre acabaram a greve, abandonaram suas exigências e a seguir perderam todos os direitos de negociação!
Na década de 1980 a CIA, através de canais do Vaticano, transferiu milhões de dólares para apoiar o “Sindicato Solidariedade” na Polónia, transformando num herói o líder dos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, Lech Walesa, o qual atuou como ponta de lança na greve geral para deitar abaixo o regime. Com o seu derrube também foram derrubadas a garantia de emprego, a segurança social e a militância sindical: os regimes neoliberais reduziram a força de trabalho em Gdansk em cinquenta por cento e finalmente encerraram o estaleiro, dando um pontapé em toda a força de trabalho.
Walesa aposentou-se com uma magnífica pensão presidencial, enquanto os seus antigos colegas de trabalho vagueavam nas ruas e os novos dominadores “independentes” da Polônia proporcionavam bases militares para a NATO e mercenários para guerras imperiais no Afeganistão e no Iraque.
Em 2002 a Casa Branca, a CIA, a AFL-CIO e ONGs, apoiadas por militares, homens de negócios e burocratas sindicais venezuelanos dirigiram um golpe “das bases” que derrubou o presidente Chavez democraticamente eleito. Em 48 horas uma mobilização autêntica com um milhão de pessoas dos pobres urbanos apoiados por militares constitucionalistas derrotou os ditadores apoiados pelos EUA e repôs Chávez no poder. Subsequentemente, executivos do petróleo dirigiram um lockout apoiado por várias ONGs financiadas pelos EUA. Eles foram derrotados pela tomada da indústria do petróleo pelos trabalhadores. O golpe fracassado e o lockout custaram à economia venezuelana bilhões de dólares em rendimento perdido e provocaram um declínio de dois algarismos no PIB.
Os EUA apoiaram “bases” de jihadistas armados para libertar a “Bósnia” e armaram as “bases” terroristas do Exército de Libertação do Kosovo para despedaçar a Iugoslávia. Quase toda a esquerda ocidental alegrou-se quando os EUA bombardearam Belgrado, degradaram a economia e afirmaram estar “respondendo a um genocídio”. O “livre e independente” Kosovo tornou-se um enorme mercado de escravas brancas, passou a abrigar a maior base militar dos Estados Unidos na Europa, com a mais elevada migração per capita de qualquer país da Europa.
A estratégia imperial das “bases” combina retórica humanitária, democrática e antiimperialista com ONGs pagas e treinadas, com blitzes de IMPRENSA para mobilizar a opinião pública ocidental e especialmente “prestigiosos críticos morais de esquerda” (caso típico da Anistia Internacional “Human Rights Watch”– Nota da redecastorphoto) por trás das suas tomadas de poder.
A consequência de movimentos imperiais promovidos a “anti-imperialistas”: Quem ganha e quem perde?
O registo histórico dos movimentos “de base” imperialistas promovidos a “antiimperialistas” e “pró democracia” é constantemente negativo. Vamos resumir brevemente os resultados. No Chile a greve “de base” dos proprietários de caminhões levou à brutal ditadura militar de Augusto Pinochet e a cerca de duas décadas de tortura, assassinatos, prisão e exílio forçados de centenas de milhares, à imposição de brutais “políticas de mercado livre” e à subordinação às políticas imperiais dos EUA. Em resumo, as corporações multinacionais do cobre estadunidenses e a oligarquia chilena foram os grandes vencedores e a massa da classe trabalhadora e os pobres urbanos e rurais os grandes perdedores.
Os EUA apoiaram “levantamentos da base” na Europa Oriental contra a dominação soviética levou à dominação estadunidense; à subordinação à OTAN ao invés do Pacto de Varsóvia; à transferência maciça de empresas públicas nacionais, bancos e imprensa para multinacionais ocidentais.
A privatização de empresas nacionais levou a níveis sem precedentes de desemprego com dois algarismos, disparo de rendas e o crescimento da pobreza entre pensionistas. As crises induziram a fuga de milhões dos trabalhadores mais educados e qualificados e à eliminação da saúde pública gratuita, da educação superior e estabelecimentos de férias para trabalhadores.
Nos estados hoje capitalistas da Europa Oriental e da URSS gangs criminosas altamente organizadas desenvolveram prostituição em grande escala e redes de droga; “empresários gangsters” estrangeiros e locais apresaram empresas públicas lucrativas e formaram uma nova classe de super oligarcas. Políticos de partidos eleitorais, pessoas de negócios locais e profissionais ligadas a “parceiros” ocidentais foram os vencedores socioeconômicos. Pensionistas, trabalhadores, agricultores coletivos, juventude desempregada foram os grandes perdedores juntamente com os anteriormente subsidiados artistas culturais. Bases militares na Europa Oriental tornaram-se a primeira linha do império para ataque militar à Rússia e o alvo de qualquer contra-ataque.
Se medirmos as consequências da mudança no poder imperial, é claro que os países da Europa Oriental tornaram-se ainda mais subservientes sob os EUA e a UE do que sob a Rússia. Crises financeiras induzidas pelo ocidente devastaram suas economias.
Tropas da Europa Oriental serviram em mais guerras imperiais sob a OTAN do que sob a influência soviética; a IMPRENSA e a cultura estão sob o controle comercial do ocidente. Acima de tudo, o grau de controle imperial sobre todos os setores econômicos excedeu de longe qualquer coisa que tenha existido sob os soviéticos. O movimento“de bases” na Europa Oriental teve êxito em aprofundar e estender o Império dos EUA; os advogados da paz, justiça social, independência nacional, de um renascimento cultural e bem-estar social com democracia foram os grandes perdedores.
Liberais ocidentais, progressistas e gente de esquerda que se apaixonou pelo “antiimperialismo” promovido pelos imperialistas são também grandes perdedores. Seu apoio ao ataque da OTAN à Iugoslávia levou ao despedaçar de um estado multinacional e à criação de enormes bases militares da OTAN e a um paraíso para traficantes de escravas no Kosovo. Seu apoio cego à promovida “libertação” imperial da Europa Oriental devastou o estado previdência, eliminando a pressão sobre os regimes ocidentais da necessidade de competir em disposições de bem-estar.
Os principais beneficiários dos avanços imperiais do ocidente via levantamentos “de base” foram as corporações multinacionais, Pentágono e os neoliberais do livre mercado de extrema direita. Quando todo o espectro político se move para a direita um setor da esquerda e progressistas finalmente salta para o comboio. Os moralistas de esquerda perderam credibilidade e apoio, seus movimentos de paz minguaram, suas “críticas morais” perderam ressonância. A esquerda e progressistas que foram a reboque dos “movimentos de base” apoiados pelo império, quer em nome do “anti-stalinismo”, “pró democracia” ou “antiimperialismo” nunca se empenharam em qualquer reflexão crítica; nenhum esforço para analisar as consequências negativas a longo prazo das suas posições em termos de perdas de bem-estar social, independência nacional ou dignidade pessoal.
A longa história da manipulação imperialista de narrativas “antiimperialistas” encontrou expressão virulenta nos dias de hoje. A Nova Guerra Fria lançada por Obama contra a China e a Rússia, a guerra quente que fermenta no Golfo sobre a alegada ameaça militar do Irã, a ameaça intervencionista contra “redes de droga” da Venezuela e o “banho de sangue” da Síria são parte integrante da utilização e abuso do “antiimperialismo” para promover um império em declínio.
Esperançosamente, os escritores de esquerda aprenderão com as ciladas ideológicas do passado e resistirão à tentação de terem acesso à IMPRENSA proporcionando uma “cobertura progressista” a dúbios “rebeldes” imperiais.
Já é tempo de distinguir entre movimentos antiimperialistas e pró democracia genuínos e aqueles promovidos por Washington, OTAN e a IMPRENSA.
30/Dezembro/2011

"Rumo ao abismo" - Laerte Braga

Quando se olha a História ao longo dos tempos é possível, até nos mais simples livros escolares, independente da convicção de um ou outro, identificar líderes que foram capazes de provocar mudanças extraordinárias na caminhada do ser humano.


É claro, que na perspectiva do processo histórico e suas condições objetivas, até porque Trotsky disse com propriedade que “as massas estão sempre à frente dos dirigentes”. A frase veio antes dos dirigentes descobrirem a mídia como fator de alienação, como anestesia. Basta olhar a chamada Primavera Árabe. Deu em que? Sem direção, sem caminhos definidos, em nenhum dos dois países onde os governantes foram derrubados por protestos populares, Tunísia e Egito, houve qualquer mudança.
A afirmação de Fidel Castro em seu primeiro pronunciamento no ano de 2012 fala em um robô para governar os EUA e numa marcha, que segundo o líder cubano, poderia ser chamada de inexorável para o abismo. Guerras insanas e degradação ambiental.
Afirmar que o capitalismo esgotou-se não significa estar afirmando que o capitalismo vai dar lugar a um modelo político e econômico diverso. O momento mostra a insânia capitalista, a voracidade capitalista num ataque de terra arrasada numa tentativa tanto de sobrevivência, como de “depois de mim o caos”.
Toynbee escreveu sobre esse caos. Segundo o notável historiador inglês o gasto excessivo e inacreditável com armas e o poder cada vez mais destruidor dessas armas, por si só indicava o caminho de uma guerra de destruição total. Foi mais além. Destruição seguida de uma retomada do puritanismo mais agudo que se possa imaginar.
Quem olha Obama, ou qualquer governante recente dos EUA, enxerga apenas uma figura minúscula aos olhos da História, um blefe, uma farsa, produto do marketing que permeia o mundo contemporâneo, do espetáculo que dá o norte de nossos dias.
Fidel é o último dos grandes líderes da História a sobreviver à mediocridade. Por essa razão capaz de enxergar para além do noticiário de todos os dias que a mídia despeja sobre o ser humano em forma de verdade, vendendo as mentiras do capitalismo.
As escavações feitas por arqueólogos em várias partes do mundo mostram uma riqueza transformadora – sem análise de mérito ou modelo – impressionante. Daqui a mil anos os arqueólogos do futuro irão se espantar apenas com as suntuosas sedes dos bancos e das grandes corporações.
É nessa fase do processo que se esvai o conceito de nação e nações. São substituídas por complexos formados pelo sistema financeiro, pelas grandes corporações e em países como o Brasil, também pelo latifúndio (o latifundiário é um sobrevivente da pré-história, bestial, animalesco e predador).
Não há um único país capitalista que seja governado segundo a vontade popular. Governos eleitos pelo voto, naquilo que conhecemos e chamamos de democracia, governam para clubes de amigos e inimigos cordiais (às vezes nem tanto).
O que é a junta militar que governa o Egito? Ou o governo da Grécia? Os índices de rejeição de Nicolas Sarkozy na França são os mais altos desde que assumiu o governo, mas a perspectiva de reeleição de Sarlozy ainda existe, é real.
O capitalismo vende crises porque necessita de crises para sobreviver. Guerreia, porque necessita das guerras para sobreviver. E cada vez mais.
O primado da boçalidade instala-se com todo o vigor possível, com todo os seus requintes tecnológicos de uma nova Idade Média. A Idade Média da Tecnologia.
Marchamos para um abismo sim. O diagnóstico de Fidel Castro é o diagnóstico preciso de um líder que foi capaz de numa minúscula ilha (território) desfechar um processo revolucionário que por mais que possa parecer inacreditável, atemoriza os senhores do mundo.
De quem enxerga a História e sabe entender e situar o seu processo. De quem os encontrou em Marx.
Um robô governaria os EUA sem os atropelos de um farsante como Barack Obama. Ou um louco como George Bush. A máquina de guerra, na contradição de 40 milhões de indigentes, é como uma besta fera alimentando-se do mundo em seu apetite insaciável de império que vive a decadência.
O que é a Europa Ocidental hoje? Um amontoado de bases militares dos EUA. Países colonizados pelo modelo e submetidos a governos minúsculos a partir de Washington. O que é a Rússia hoje? Um país devastado pelo capitalismo e todos os seus efeitos colaterais, submetido a uma ditadura disfarçada de um líder menor, Vladimir Putin. E atrás da Rússia todos os países da antiga União Soviética. E assim a África e a Ásia, sem falar no “milagre” capitalista da China.
O líder cubano Fidel Castro sugeriu nesta segunda-feira que um robô seria a melhor solução para substituir o presidente Barack Obama na Casa Branca, diante da ausência de ‘um candidato capaz de evitar uma guerra que acabe com a espécie humana’.
"Não é por acaso óbvio que o pior de tudo é a ausência na Casa Branca de um robô capaz de governar os Estados Unidos e impedir uma guerra que ponha fim à vida de nossa espécie?”
"Estou certo de que 90% dos americanos inscritos (para as eleições de novembro), especialmente os hispânicos, e o crescente número da classe média empobrecida, votariam no robô’.
Fidel Castro destacou que, para Obama, um bom articulador de palavras, imerso em sua busca desesperada pela reeleição, os sonhos de Martin Luther King distam mais anos-luz do que a Terra do planeta habitável mais próximo’.
"Pior ainda: qualquer dos congressistas republicanos presidenciáveis, ou um líder do (movimento republicano conservador) Tea Party carrega mais armas nucleares em suas costas do que idéias de paz em sua cabeça’.
“Os povos gostam do espetáculo. Através dele dominamos seu espírito e seu coração” – Luís XIV –
É o que faz o capitalismo nos dias de hoje. Um show de pirotecnia de bombas inteligentes matando centenas de milhares de líbios, afegãos, iraquianos, colombianos, assassinando mundo afora “inimigos de Estado”, enquanto milhões de postam em filas quilométricas pela última invenção do “gênio” morto precocemente, nos vários magazines desse espetáculo.
“Escolhido o papel, falta montar o espetáculo. Buscando inspiração nas técnicas teatrais ou cinematográficas, para melhor confundir a arte política e o artifício. Ajustando-se à mediapolítica, à política tal como a degradaram os mass media, a grande imprensa, o rádio e a televisão. Entregando-se à indústria do espetáculo político animado pelos compaign managers (Roger Gérard Schwartzenberg, O ESTADO ESPETÁCULO, 1978, DIFEL, RJ).
Se no Brasil tivemos FHC e seu espelho mágico, nos EUA existe Obama, como existiram Bush, Clinton, Reagan e outros, a perguntar se existe alguém maior que eles.
Existe. Fidel Castro. E não foram poucas as vezes que tentaram envenená-lo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

URINANDO SOBRE O MUNDO - Laerte Braga



Soldados da democracia cristã e ocidental aparecem num vídeo feito no Afeganistão urinando sobre corpos de supostos guerrilheiros talibãs mortos. São bestas/feras. No processo de transformação dos EUA em um grande complexo terrorista – a maioria do controle acionário é de sionistas – o episódio foi logo minimizado pela mídia de mercado e poucos veículos noticiaram o fato no Brasil.
O vídeo está disponível no Youtube e pode ser visto abaixo:

 O governo Bush terceirizou funções militares, tais como recrutamento, treinamento e ações de campo a empresas privadas. Serviços de inteligência são hoje praticamente controlados por essas empresas.
A guerra deixou de ser um negócio disfarçado para se transformar em alavanca do império em decadência.
Toda a indústria armamentista norte-americana é privada e hoje, na chamada nova estratégia de defesa do presidente Barack Obama (um Bush com jogo de cintura, cínico e perverso), esse tipo de negócio tende a prosperar com a fantástica tecnologia de destruição que os norte-americanos detêm e ampliam cada vez mais.
Em breve as bestas/feras que urinam sobre todo o mundo estarão portando armas nucleares de pequeno porte, mas de efeito devastador e carregadas em mochilas. Ao lado do chocolate, dos cigarros e dos enlatados. E lógico, dos chicletes. É indispensável ao jeito de ser boçal e arrogante dos norte-americanos.
A visita do presidente do Irã a países da América Latina não incluiu o Brasil. Ahmadinejad sondou o governo brasileiro sobre seu interesse em estar com Dilma Roussef. O ministro das Relações Exteriores não é mais Celso Amorim, mas atende pelo nome apropriado de Antônio Patriota. Faz parte da turma que se precisar tirar o sapato e cai de quatro para ser revistado em aeroportos dos EUA., tira e cai.
O governo Dilma conta jogar um jogo de nem faz e nem deixa de fazer em relação ao Irã de olho em eventuais benesses norte-americanas diante da crise econômica que afeta o mundo. Não passou ainda com intensidade pelo Brasil, mas já pode ser avistada em forma de tormenta vinda de outras partes do planeta. Como entreposto do capital internacional o Brasil cai na armadilha do capitalismo e é guardado como reserva para futuros saques.
A sorte da presidente é que a oposição é débil, composta de notórios corruptos comprometidos com o neoliberalismo de Washington e o populismo inaugurado na era Lula vai servir de rede para Dilma e seu PT cada vez mais PSDB por sua cúpula.
Esse jogo duplo, sem cara, começou com Lula, no acordo de livre comércio firmado com o governo de Israel. Isso significou abrir os portos brasileiros à ocupação sionista. A indústria bélica brasileira já é desses grupos.
Richards J. Roberts, prêmio Nobel de Medicina, em entrevista pública, entre outras coisas disparou contra a indústria farmacêutica.


 
“Os medicamentos que curam completamente não dão lucros.

“A pesquisa sobre a saúde humana não pode depender apenas de sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas, nem sempre é bom para as pessoas”

“Eu vi que em alguns casos, os cientistas que dependem de fundos privados descobriram um medicamento muito eficaz, que teria eliminado completamente uma doença ...

as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas
​​na cura, mas na obtenção de dinheiro, assim a investigação, de repente, foi desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, tornam isso sim, a doença crônica. Medicamentos que fazem sentir uma melhoria, mas que desaparece quando o doente pare de tomar a droga”

“Pararam investigações com antibióticos porque estavam a ser muito eficazes e os doentes ficaram completamente curados. Como novos antibióticos não foram desenvolvidos, os organismos infecciosos tornaram-se resistentes e a tuberculose hoje, que na minha infância tinha sido vencida, reaparece e matou no ano passado um milhão de pessoas

“Não fique muito animado: no nosso sistema, os políticos são meros empregados das grandes empresas, que investem o que é necessário para que os "seus filhos" se possam eleger, e se eles não são eleitos, compram aqueles que foram eleitos.
O dinheiro e as grandes empresas só estão interessados
​​
em multiplicar. Quase todos os políticos - e eu sei o que quero dizer, dependem descaradamente destas multinacionais farmacêuticas, que financiam as suas campanhas.
O resto são palavras...”

É óbvio que o modelo cubano afeta o capitalismo, amedronta essa estrutura cruel e boçal. Busca a cura e a despeito do bloqueio imposto pelos que urinam sobre o mundo e obtém resultados fantásticos.
Ralph Nader, precursor na luta pelos direitos do consumidor e depois pelos direitos fundamentais do cidadão, chegou a afirmar na década de 70 que a GOODYEAR poderia fabricar pneus com alta durabilidade, pelos menos dez mais que os atuais modelos, mas não se interessava, pois o lucro sumiria.
É por isso que a crise é de modelo. O capitalismo transforma o ser humano em “não pessoas”. A afirmação é de Noam Chomsky, judeu e notável professor dos EUA. Faz parte do um por cento de norte-americanos que consegue acreditar em vida inteligente para além e fora dos sanduíches da rede Mcdonalds acompanhados de Coca Cola.
O resto já nem acredita mais em Superman. A mediocridade que resulta da arrogância é tanta, que acham que Silvester Stalone mesmo resolve.
As coisas no Brasil andam em correntezas ou grandes pastos secos. O ministro Fernando Bezerra está sendo acusado de favorecer com verbas públicas o seu estado natal, Pernambuco. Não há uma linha sobre os recursos orçamentários para o combate a “desastres naturais” transferidos para a Fundação Roberto Marinho, laranja da quadrilha Marinho e que opera a lavagem de dinheiro das operações do grupo.
Nem Bezerra e nem Marinho são flores que possam ser cheiradas.
Protestos estudantis contra o aumento das tarifas de transportes coletivos urbanos em Vitória no Espírito Santo e Teresina, no Piauí, são reprimidos com a costumeira “gentileza” das polícias militares. Aberrações em qualquer democracia que se pretenda como tal, instrumentos de defesa das elites e forças corruptas, o que se vê, diariamente, até na mídia de mercado. Borduna, gás de pimenta, gás lacrimogênio, o de sempre. O governador do Piauí nem sei quem é, nem é necessário saber seu nome para saber que é como a maioria. Coronel político posto em cargo público a serviço de bancos, grandes corporações e latifúndio. O do Espírito Santo, ao contrário, chamam de Renato Casagrande. É governador nominal. Paulo Hartung governa de fato. Casagrande leva tranqüilo o troféu banana do ano até então em mãos de Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas.
Não apita nem sobre seu almoço. Pelo contrário, atende a apitos de Hartung. Como não usa “tigre”, vive fazendo flexões. O Espírito Santo, por suas características, inclusive dimensões territoriais, resta sendo a síntese explícita das máfias políticas que atuam no Brasil. Executivo, Legislativo e Judiciário.
Um desses “meganhas”, transformado em estudante (deve ter sido um esforço sobre humano), nas velhas táticas das ditaduras, colocou fogo num ônibus em Vitória e transformou estudantes em baderneiros. Casagrande se refugiou na despensa enquanto Hartung comandava a operação. Comeu latas de salsichas enquanto aguardava as ordens para voltar a ser objeto de decoração visível ao público.
Um PM (uai, esperava o que?) agrediu um estudante negro na USP. A universidade é controlada pela Polícia Militar (Polícia?) Pô meu! O governador do estado é um pastel de vento disfarçado, vem com a roupa da OPUS DEI, organização criminosa que opera nos porões e palácios do Vaticano.
Os modelos são desenhados pela DASLU e financiados pela FIESP.
A propósito de modelos, as FARCs-EP (FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS COLOMBIANAS-EXÉRCITO POPULAR) desenvolveram há décadas um projeto de casa popular (a sobrevivência na selva) que países como o Canadá aprimoraram. O projeto original era de 48 metros quadrados, com garantia de 20 anos contra qualquer problema comum a casas construídas por quadrilhas/empreiteiras. Podem se transformar em mansões se estendidas.
E não só no Canadá o projeto ganhou força, em vários outros países do mundo. Um prefeito de uma cidade atingida pelas águas disse que o difícil e atrair empreiteiras para obras de reconstrução, pois o lucro é pequeno.
Grande é a ganância, urinam sobre o mundo inteiro.
O vídeo de bestas/feras chamadas de mariners urinando sobre os corpos de supostos guerrilheiros talibãs é a definição pronta e acabada do que os EUA fazem sobre todo o mundo. Urinam montados em arsenais nucleares, sobre os quais querem o privilégio. O monopólio do terror.
Qualquer problema é só organizar uma carreata de integrantes do BBB – existe no mundo capitalista inteiro exatamente para isso – e pronto, tudo resolvido. Viram heróis.
É uma “mijada” e tanto. O corriqueiro do dia a dia sobre “não pessoas”.

MANIFESTO A NAÇÃO DA IGREJA CATOLICA CARISMATICA - Ir Alberto

A Igreja Catolica Carismática lançará no proximo dia 1 de Abril de 2012,a partir das 09.00 na Praça Batista Campos em Belem do Pará, com a presença das autoridades dos poderes legislativo, judiciário e executivo.
Entre os proposições, a mais importante é a PEC DA CELERIDADE, que determina que todos os projetos de lei com mais de dois de tramitação nas Casas Legislativas sejam decididos em Plebiscito, inaugurando assim em nosso pais a Democracia Direta como era em Atenas.
Leiam a meteria completa e podem dar sugestões.
Todas serão levadas em alto conceito e serão encaminhdas aos nossos senadores, deputados e vereadores. Ir alberto
IGREJA CATÓLICA CARISMÁTICA
CNPJ. 08,296,135-58
av. Bragança, q 140, nº 46b – parque verde – Belém – Pará
CEP . 66.633-520 –
tel. (91) 3226-5671 // 3224-6554// 88283605//91606915//81163445//82225983
MANIFESTO À NAÇÃO
AUTOR:IGREJA CATÓLICA CARISMATICA
Senhores Senadores e Deputados Federais.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Missa da Terra-sem-males - Vanderley Caixe

A Missa da Resistência Indígena - Missa da Terra sem Males
A Missa da Terra-sem-males começou a brotar sobre a pedra das ruínas de São Miguel, no Rio Grande do Sul. Terra de fronteira entre a América espanhola e portuguesa, estas duas Américas que são uma só. América dividida pelo fogo dos conquistadores.
O templo semidestruído de São Miguel é um monumento testemunho do massacre do Povo Guarani, testemunho da resistência e da grandeza dos Povos Indígenas de toda a América. As pedras escurecidas pelo fogo e pelos séculos narram com seu terrível silêncio a passagem dos bandeirantes, a devastadora passagem dos exércitos de Portugal e Espanha.
A própria História da Resistência dos Povos Indígenas aos conquistadores gestou no sangue esta Missa da Terra-sem-males. A marcha dos Povos Indígenas do Continente, buscando seu próprio rosto, sua identidade, arrancou dos massacres sepultados pela história oficial toda a força de sua esperança num Continente libertado.
Quem busca sua identidade volta-se necessariamente para o passado. Para extrair dele o metal das armas que empunhará na construção do futuro. Neste poema vulcânico, a América mergulha suas raízes na terra-mãe-ameríndia e retira dela a seiva elementar que nutre o sonho e a marcha de seus filhos.
A Missa da Terra-sem-males é uma missa de memória, remorso, denúncia e compromisso. Ela nos atira no rosto esta realidade fatal: de todos os continentes escravizados -Asia, Africa e América- a América e o único que não retornará a seus filhos. Não se trata de sonhar o impossível sonho de uma América puramente índia. Trata-se de constatar a inenarrável violência com que os conquistadores saquearam este Continente.
A Asia se levanta e seus filhos a terão um dia. Os povos negros da Africa reconquistam palmo a palmo o Continente devastado pelo colonialismo. A América, contudo, jamais retornará as mãos dos povos indígenas, sepultados pelos massacres de Cortez, Pizzarro, Valdívia, Raposo Tavares. Devorados pelas minas de Potosí, escravizados pelas bandeiras, exterminados em todo o Continente pela peste que o branco trouxe no sangue. Sem retórica, cabe dizer que os conquistadores Ingleses, Espanhois e Portugueses se lançaram sobre o Continente americano como uma malta de saqueadores, reduzindo a escombros tres impérios riquíssimos e exterminando, num espaço de quatro séculos, cerca de noventa milhões de índios.
A Missa da Terra-sem-males brotou em terra Guarani, o Povo-aliança da América India. No centro do Continente, os Guarani foram duplamente submetidos. O conquistador, português ou espanhol, converteu a terra guarani em campo de batalha até a destruição completa de tudo quanto representasse trabalho humano ou humana aspiração.
Contra toda a violência, contra todo o sangue derramado, o Povo Guarani foi capaz de sonhar a Terra-sem-males. Nao foi um "Ceu-sem-males", foi uma Terra-sem-males, a utopia possível. A utopia construída pela luta de todos os oprimidos. A pátria libertada de todos os homens.
Poderia ter sido um poema, uma cantata, mas nasceu missa. Porque é impossível separar a historia dos Povos Indígenas da América da presença da Igreja entre eles. A mesma Igreja que abencoou a espada dos conquistadores e sacramentou o massacre e o extermínio de povos inteiros, nesta missa se cobre de cinza e faz sua própria e profunda penitência. A penitência por si só não conduz a nada, nem sequer alivia a responsabilidade histórica que a Igreja assumiu ao lado do branco colonizador. Contudo, a História marcha e a Igreja mantém um laço profundo com os oprimidos da América. Que esta penitência contribua para que este laço se converta em compromisso com a marcha do Povo a caminho de sua libertação.
A Missa da Terra-sem-males so se apossará de toda a sue dimensão quando alcançar sua vestimenta continental. É profundamente significativo que ela tenha sido escrita em português, idioma deste Brasil-quase-continente, oprimido e instrumento de opressão, gigante e escravizado, historicamente empregado de seus irmãos, vítimas do mesmo saque, combatentes da mesma resistência.
A Missa da Terra-sem-males é uma convocação a todos os oprimidos da América que marcharam durante séculos e marcha hoje em busca da Terra-sem-males libertada.

Pedro TierraGoiânia, 8 de outubro de 1979
Texto da Missa da Terra sem Males

IR ALBERTO - Abrace esta causa


ABRACE ESTA CAUSA

Mande um e-mail para o seu senador www.senado.gov.br e outro para o seu deputado federal www.camara.gov.br solicitando seus empenhos na alocação de recursos no Orçamento Geral da União de 2.011 para implementação da Lei Federal nº 10.835/2004, Lei Eduardo Suplicy, pela qual todo brasiliero maior de 25 anos passa a ter direito de receber do Tesouro Nacional uma RENDA MINIMA mensal, capaz de lhe satisfazer as necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, vestuário, educação e lazer.
A partir de 2011, uma vez implementada esta Lei, não teremos mais sem teto, sem terra, sem alimentos, sem saúde, sem escola, sem vestuário. Mulher nenhuma precisará vender o corpo para comprar alimentos para o filho faminto e a violência será reduzida a níveis toleráveis . As penitenciárias, por falta de condenados, gradualmente serão transformadas em escolas. O trabalho da polícia e da justiça criminal terá um redução no mínimo de 95%, em razão da baixa criminalidade do país.
Os indios das nações galibis, palikurs e yanomanis viveram durante doze mil anos sem cometer um único pecado contra Deus ou um único crime contra a sociedade. Seus terrítórios eram TERRAS SEM MALES.
Ajude o Senador Eduardo Suplicy, a Barbet e o Ir Alberto a transformar a nossa idolatrada pátria brasileira em uma Terra Sem Males.
Visite o blog www.terrasemales.blogspot.com/ e conheça um pouco mais sobre as Terras Sem Males que existiram e que ainda existem no território brasileiro.
Ir Alberto


Seja favorável - PLC122 - Liguem 0800 61 22 11 - Ir Alberto


Pessoal liguem 0800 61 22 11 e deixem seu recado para os(as) senadores(as) que vocês conhecem desta lista abaixo, pedindo que votem favorável ao PLC 122 Lei Alexandre Ivo. Lei que criminaliza a homofobia no Brasil.
Vocês devem fazer o cadastro - É rápido
Eu Já fiz -

Fale qual motivo. Compartilhe conosco como foi a recepção no senado.

A comunidade LGBT ganhará a primeira lei no Congresso Nacional, e ninguém perderá nada.

Toni Reis
Presidente da ABGLT
PRESIDENTE: Senador Paulo Paim
(10)
VICE-PRESIDENTE: Senadora Ana Rita
(10)
Angela Portela(PT )
Eduardo Suplicy(PT )(21)(31)
Humberto Costa(PT )
Anibal Diniz(PT )(22)(32)(34)
Lídice da Mata(PSB )
Eunício Oliveira(PMDB )
Ricardo Ferraço(PMDB )
Cássio Cunha Lima(PSDB )(14)(30)
Cyro Miranda(PSDB )
José Agripino(DEM )
Vicentinho Alves
Randolfe Rodrigues(11 )
Ana Rita(PT )
Marta Suplicy(PT )
Paulo Paim(PT )
Wellington Dias(PT )
Cristovam Buarque(PDT )
Pedro Simon(PMDB )
Eduardo Amorim(PSC )(9)(20)
Garibaldi Alves(PMDB )
João Alberto Souza(25 )
Paulo Davim(PV )
Clovis Fecury(DEM )(26)
Mozarildo Cavalcanti(8)
Gim Argello(18)
Marinor Brito
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa - CDH
(1)(2)(3)(4)(5)(6)(7)
Senado Federal
Secretário: Altair Gonçalves Soares
Reunião: terças-feiras, às 12h Plenário nº 2 - ALA NILO COELHO
Tel. da Sala de Reuniao: 3303-2005
Telefones da Secretaria: 3303-4251/3303-2005
Fax: 3303-4646
E-Mail: scomcdh@senado.gov.br

Membros da Avaaz estão sendo torturados pelo regime monstruoso da Síria - Barbet


Para todos os membros do Conselho de Segurança da ONU e à Liga Árabe:
Clamamos aos senhores e senhoras que impeçam o terror na Síria, levando imediatamente pedidos contra o regime à Corte Penal Internacional. Tanto o Conselho de Direitos Humanos da ONU quanto o novo relatório da Avaaz encontraram evidências de que oficiais de alto escalão e forças de segurança de Assad cometeram crimes contra humanidade. Está na hora de impedir essa brutalidade mortal e proteger o povo sírio, que arrisca tudo para clamar pelos seus direitos e dignidade.
Você já é um apoiador da Avaaz? só precisa preencher seu email e clicar "Enviar"

Enviar
Primeira vez aqui? Por favor preencha o formulário.

[Carta O BERRO] O Sítio da Tortura - Vanderley Caixe


O sítio da tortura

Fonte: profdiafonso.blogspot.com

Na zona sul de São Paulo um sítio isolado guarda, esquecido, histórias de terror que podem ser a chave para entender um dos pontos mais obscuros da ditadura – os centros clandestinos de tortura. E a assombrosa colaboração civil.
Por Natalia Viana, da Pública, com Tony Chastinet e Luiz Malavolta
“Você está em poder do braço clandestino da repressão. Ninguém pode te tirar daqui”, é o que você ouve quando chega no sítio, depois de mais de uma hora metido no banco de trás do fusquinha com um capuz quente na cabeça, e a cabeça entre as pernas.
Você foi apanhado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, uma das mais movimentadas de São Paulo. Te enfiaram dentro do carro, dois homens grandes meteram o capuz. Então você é todo ouvidos e corpo, e cada balanço ou ruído vai se gravando na sua mente tão vivo que você se lembrará deles para o resto da vida.
Minutos depois, pegam a estrada. Tráfego intenso. Saem da cidade, estradinha de terra, passa um trem, devagar. Quando o carro finalmente estaciona, você ouve a frase de boas-vindas e, apavorado, consegue memorizar o chão de cimento, por onde é empurrado antes de ser arremessado por escada que leva a um lugar subterrâneo. Os seus algozes chamam aquilo de “buraco”, com razão. Não tijolos, nem paredes, o calor é forte e, cada vez que você apalpa à volta, caem blocos de terra molhada. O chão é lodoso. Seu cativeiro é úmido e infinito.

Quando te tiram a roupa – você vai ficar assim por muito tempo. Primeiro: o pau-de-arara. Trata-se de um invento simples, bem brasileiro. Uma barra de ferro apoiada sobre cavaletes, onde te penduram enrolado, pesando sobre os braços e pernas. Eles te batem, te chutam, dão choques elétricos; nada de maquininha de Tio Sam, são fios desencapados que chegam diretamente no sovaco, na barriga, na boca.
Se divertem com isso, assim como se divertiram desde sempre aqueles que têm o poder de torturar. Quando você fraqueja, te levam a outra sala – piso de taco – onde perguntam tudo o que sabe, que atordoado você tenta esconder. Eles não vão te deixar em paz.
Você se pergunta: por que está ali? É 1975. Já se passaram dez anos desde o golpe militar no Brasil. O novo governo dos milicos (general Ernesto Geisel) prometia uma volta pacífica à democracia, com um governo civil.
Depois de prender centenas de opositores, mandar milhares para o exílio e exterminar os grupos de resistência armada, a ditadura começava a querer ser vista como “ditabranda”. É claro que você não acreditava, mas estava em todos os jornais. De qualquer forma, você era conhecido publicamente, não devia temer. Jamais se envolveu na luta armada; advogado, comunista do Partidão (PCB), foi vereador e deputado federal, você sempre acreditou na política. Pela sua atuação, já havia sido preso. Mas torturado, jamais. Até o dia 1 de outubro de 1975.
Você já tinha ouvido falar nesse tipo de lugar. O chacoalhar do carro rumo à zona rural só confirmou que você iria sofrer mais – que iria morrer. Não estavam te levando para uma delegacia, onde bem ou mal alguém poderia te ver e se lembrar de você. Estava caindo nos braços clandestinos do horrendo regime militar.

Existiam dezenas de lugares como esse. Eram os centros clandestinos de tortura. Ao mesmo tempo em que o governo militar começava a falar em abertura, os milicos e policiais civis usaram esses lugares para seguir com seu velho método de fazer as coisas. Em meados da década de 70, o governo falava em acabar com as torturas, e os “teatrinhos” foram banidos: aquelas cenas de falso tiroteio armadas para encobrir a morte de gente que fora na verdade morta sob tortura (era assim que os policiais chamavam a encenação descarada).
Nos centros clandestinos, torturava-se em segredo, e não raro se sumia com os corpos. Muitos dos desaparecidos da ditadura brasileira passaram por eles.
Ali, fora do aparato oficial, podia-se massacrar ao ar livre. No seu caso, a tortura usava o que o sítio tinha a oferecer: as árvores, o açude, os dois lagos.
Segundo: a sufocação. Eles te levam para um córrego raso, com pedras no fundo. Ali, soltam água de uma espécie de reservatório e você é jogado para baixo, ralando nas pedras as feridas do corpo. Terceiro: a “piscina”, como eles chamam, na verdade um poço lamacento onde te afogam segurando sua cabeça. Quarto: a árvore. Pendurado pelos pés, você recebe socos, choque elétricos. Um químico é jogado sobre seu corpo, arde. Seus gritos se misturam ao de outras pessoas, que você ouve estarem sendo torturadas – homens, mulheres.
Um dia, te tiram dali, apressadamente. Dizem que seu sumiço foi denunciado no congresso nacional e na assembleia do Rio de Janeiro. Vão ter que te liberar. Seu martírio acaba numa casa, na periferia de uma cidade. Um médico o visita diariamente, para assegurar que você estará “apresentável” quando for solto. No dia 22 de outubro de 1975, finalmente você tira o capuz.
O seu nome é Affonso Celso Nogueira Monteiro. Em 2011, aos 89 anos, os olhos ainda ficarão opacos quando lembrar daqueles dias e o seu corpo, envelhecido, guardará ainda todas as marcas. Você é o único prisioneiro que saiu com vida da Fazenda 31 de Março – nome do sítio clandestino de tortura, uma homenagem à data do golpe militar de 1964.
Quarenta anos depois, a fazenda continuará lá, com a mesma cara, esquecida pelo tempo, escondida numa estrada de terra no bairro de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, bem na divisa com Itanhaém e Embu-Guaçu.

Muitos não tiveram a mesma sorte. Antônio Bicalho Lana e sua companheira Sônia Moraes, ambos da guerrilha Ação Libertadora Nacional (ALN), foram assassinados no sítio em 1973. Depois, foram levados até o bairro de Santo Amaro, onde se encenou um tiroteio – mais um dos “teatrinhos”. Foram enterrados em vala comum. Ali também mataram o líder estudantil Antonio Benetazzo, em 1972, preso na Vila Carrão, norte de São Paulo. A versão oficial, veja, é depois de preso ele teria se jogado sob as rodas de um caminhão. Foi enterrado como indigente.
Fagundes, o “pacificador”
O sítio 31 de março é a prova de que existia uma rede de locais clandestinos de tortura no Brasil nos anos 70. Mas, como grande parte da história da ditadura militar brasileira, jamais se investigou como e quando foram usados.
No Brasil, diferente de países vizinhos como Chile e Argentina, jamais um único militar foi punido pela tortura sistemática adotada pela ditadura. Naqueles países, lugares como esse viraram museus, memoriais às vítimas, marcos históricos para que o passado não volte.
Os sítios da tortura só eram possíveis por causa do apoio de civis, gente endinheirada que apoiava a ditadura e emprestava seu imóveis para a repressão. Nenhum deles jamais foi levado à justiça.
O “dono” do sítio 31 de Março era um empresário mineiro, Joaquim Rodrigues Fagundes. Acusado de grileiro, ele se apossou da terra nos primeiros anos da década de 70. Chegou tocando o terror: junto com capangas, exibiam armas de uso exclusivo das Forças Armadas, invadiam a casa de moradores, chegaram a surrar um deles para que “desse o fora”, como se dizia na época.
Fagundes se gabava de ser amigo do “pessoal do Doi-Codi”, a central mlitar que comandava a repressão. Seu caseiro na época, Alcides de Souza, reconheceu que ele emprestava o sítio para os milicos fazerem treinamento. “Tem vez que chegam aqui dois mil homens – acampam, correm pra cá, pra lá, dão tiros, cortam a mata”, disse.
Fagundes era dono da Transportes Rimet Ltd, na Moóca. Sua empresa não fazia muita coisa. Tinha um único cliente, a estatal Telesp – Telecomunicações de São Paulo, que na época controlada pelos militares do governo paulista. Ali na Mooca, era sempre visto acompanhado pelos bravos amigos de farda, como o coronel Erasmo Dias, conhecido por tere invadido a universidade católica (PUC) e metido ferro nos estudantes. Ele mesmo ia uma vez por semana até a sede do Doi-Codi, na rua Tutoia. “Ele tinha autoridade, andava com os milicos”, lembram os vizinhos.
Quando não tinha ninguém gemendo ou sufocando, a turminha de Fagundes usava o sítio para churrascos e almoços festivos. Vinham nomes como o mesmo Erasmo Dias, bem como o Coronel Brilhante Ustra, cujo comando do Doi-Codi foi marcado por mais de 500 denúncias de tortura, e o delegado da policia civil Sérgio Paranhos Fleury, que comandava esquadrões das morte antes da ditadura, e o massacre dos opositores depois. Só a nata da repressão. “O Fleury era amigão da gente” lembra Alcides, o caseiro.

A ajuda de Fagundes foi reconhecida. Em 30 de junho de 1977, recebeu a Ordem do Mérito do Pacificador, por “serviços prestado ao país”. O mineiro tinha tanto orgulho da sua ligação com o exército que, logo abaixo da placa com o nome da fazenda 31 de Março colocou outra, dizendo: “proprietário: pacificador Fagundes”.
jamais foi militar, jamais teve um cargo oficial. E jamais foi chamado a prestar contas pela sua atuação.
Pelo contrário. Em 1984, recebeu uma comenda do Exército, tornando-se, oficialmente, “comendador”, título que consta ainda hoje na sua lápide no Cemitério da Quarta Parada, zona leste de São Paulo. O país agradece.