domingo, 10 de maio de 2009

A Bela Loucura Humana - Barbet 03/02/2009


AH! A grande loucura humana que habita cada um,
Levando-nos ao delírio inconsequente,
Escondida por trás de algum demente,
Quieta, sorrateira, insistente.

Adormecida em escritos, música, o que for,
Espreita a espera de um momento,
Qual vigilante embusteiro,
Para tomar conta sorrateira.

A bela loucura que nos fascina,
E nos coloca à beira do precipício,
Aflige a alma acostumada
Resignada à vida costumeira.

A mesma loucura que impulsiona o idealista,
O artista, eu e você,
Na dor mais atroz da inconsistência
Vislumbrando uma sutil pertinência.

Bendita loucura que coloca,
A comida na mesa do menor,
A possibilidade diante do pior,
A dignidade tão necessária.

Sejamos Todos loucos!
Por justiça, caráter, dignidade,
Atravessemos as barreiras da normalidade,
Sejamos humanos, por favor.

* * *

Sylvia - Minha mãe querida meu amor eterno - Barbet


Meu respeito e amor a todas as mães do planeta pela sua sublime missão.

CORDÃO UMBILICAL – O PARLAMENTO EUROPEU - Laerte Braga


O grande problema da Europa, em plena decadência, é que não houve o chamado processo de castração. Corte do cordão umbilical. Ainda se imaginam nos tempos da rainha Vitória ou do imperador Bonaparte. A decisão do Parlamento da Comunidade Européia de censurar o governo do presidente Hugo Chávez da Venezuela e “recomendar” a adoção de algumas atitudes, é típica desse quadro de falta de amadurecimento emocional coletivo.


Obama começa a entrar nessa também. De “recomendar” a outros países o que devem fazer. E a conversa é a de sempre. Direitos humanos, democracia, um cardápio que se repete exaustivamente desde tempos imemoriais. Os donos do porrete “aconselhando” os que vão ser “porretados”. E historicamente têm sido “porretados”.

A grande aposta de Obama quando chama Lula de “o cara” é jogar todas as fichas em José Serra, na pior das hipóteses num tresloucado como Aécio Neves. Sabe que as eleições acontecem no Brasil no próximo ano e conta com um governo dócil e prestativo, capaz de aplicar as “recomendações” que, naturalmente, irão desembocar em golpes ou tentativas de golpes contra governos que não acatam “recomendações” e “conselhos”. Ainda sobrevivem muitos “dráculas” patriotas sedentos de sangue nos carros da FOLHA DE SÃO PAULO.

Um século ou pouco mais a Europa vira museu e Sílvio Berlusconi vai ser boneco de cera. “Aqui nesse império o sol não se punha” dirá um guia a um incrédulo estudante, incapaz de imaginar que nos domínios da Grã Bretanha, a essa altura pequena Bretanha, que de fato o sol não se punha.

Não há diferença alguma entre qualquer governante inglês ou integrante do Parlamento da Comunidade Européia – o nome é pomposo – e Francis Drake, pirata preferido de sua majestade a dita rainha Vitória. Virou “sir” e ganhou assento à Câmara dos Lordes.

Acreditam que seja possível “recomendar” e “aconselhar” a governos que se opõem aos interesses econômicos fétidos – como diz Chávez –.

O rei da Espanha deve estar esbravejando com sua espada e seu uniforme, pronto para desembarcar em Caracas e gritar “cala-te já”. Vem de bengala. Bengala mental bem entendido.

E apostar no Brasil com José Serra ou nas galáxias siderais com Aécio é apostar na velha e surrada frase de Nixon – “para onde for o Brasil se inclina a América Latina”. Já não é mais assim. O presidente do Paraguai, país vítima de um genocídio “patriótico", numa guerra financiada pela coroa inglesa em nome de seus interesses, deles, disse não a Lula no caso de Itaipu.

O presidente da Venezuela se junta a outros presidentes latino-americanos e mandando as “recomendações” e “conselhos” às favas, prepara o seu país para assumir o controle absoluto de todos os negócios da principal riqueza do povo venezuelano, o petróleo.

Não sei se a coroa espanhola dispõe de mais algum Pizarro. Chávez coloca na cadeia generais corruptos – Baduel – e provoca o pedido de exílio de um ex-prefeito que quis aproveitar os cofres públicos para coisa bem pior que os congressistas brasileiros e ex-congressistas também, falo das passagens aéreas para “meu filho conhecer a Disneylândia e melhor se ilustrar em história contemporânea”.

Pateta.

Os tempos hoje são de Homer Simpson.

O modelo político brasileiro está esgotado e os novos tempos e transformações na América Latina, particularmente na América do Sul estão a indicar que o Brasil precisa recuperar o sentido e a direção dessas mudanças, perdidas lá no golpe militar de 1964. Foi quando militares “nacionalistas e patriotas” financiados pelos norte-americanos assumiram o governo e implantaram um regime perverso, cruel e corrupto em nome dessa democracia e desses direitos humanos.

Fizeram como fazem hoje os sionistas de Israel com os palestinos. Câmaras de tortura, seqüestros, assassinatos, estupros, esses pratos preparados por mestres cucas da “liberdade” dos bancos, dos empresários FIESP/DASLU – sonegadores – e dos latifundiários que associados a banqueiros trasladam jornalistas para a farsa de um “terrorismo” que é deles, nos constantes massacres contra trabalhadores.

Aí, no meio desse amontoado de fatos Chávez vira um monstro e um ditador. E Obama assume o controle da General Mortos/Motors, passa uma parte a um sindicato pelego e corta direitos de trabalhadores, em nome do emprego, da estabilidade econômica e dos novos tempos.

Nos cantos de cá, diante da crise a Mercedes Benz – financiadora da Operação Bandeirantes – anuncia que vai reduzir a produção diante da crise. Mas a verba da GLOBO essa está garantida.

Inúmeros civis foram mortos por uma “recomendação” de direitos humanos no Afeganistão. Chegou pelos céus em forma de bombas e Obama já disse que “houve sim algumas mortes, mas estão exagerando”. São os olhos azuis falando. Ou o “moreninho” segundo Belusconi. Queimado de praia.

Em Israel, estado terrorista, corretores de imóveis anunciam a venda de lotes de terras tomadas a palestinos em nome da legítima defesa. E o terrorista é o presidente do Irã.

Lula deve abrir os olhos antes que o Parlamento Europeu lhe dê o título de “sir” ou qualquer coisa assim. Se isso acontecer Gilmar Mendes um dos mais qualificados funcionários dos donos (só recebe pela porta dos fundos) e remunera seus pares em fraudes montadas com dinheiro público, todos de notável saber jurídico e ilibada reputação, mas repito, se acontecer, Gilmar vai lá e dá um passa fora no presidente e ainda estende o tapete na hora de Serra subir a rampa.

FHC não. Esse chega guiado por anjos do Senado. Vão ser escolhidos a dedo por sua filha. A funcionária que recebia sem trabalhar, inclusive horas extras e agora pediu demissão por se sentir indignada com a crítica. Vem num avião celestial que nem aquele ministro que tem o sobrenome de Direito e faz parte da STF DANTAS INCORPORATION LTD.

A moça anda de liteira no vizinho país São Paulo. Fala a mesma língua e faz fronteira com o Brasil, mas é propriedade tucana/FIESP/DASLU.

Salada mista? Metralhadora giratória? Tiro para todos os lados?

Nada disso. Cada fato desses se encadeia num todo e o presidente da Venezuela sabe disso quando afirma que a OEA – Organização dos Estados Americanos – não tem mais sentido. E que a Europa exala um cheiro podre. É mofo dos tempos de Dom João Banana renascido em gente como Berlusconi.

E terrorista é Battisti. E culpado disso tudo é Protógenes.

Parlamento de empoados bolorentos.


sábado, 9 de maio de 2009

E A CRISE COMO VAI? - Onildo Braz


Não há como negar, que o mundo em que vivemos está mergulhado em uma grande crise ética, moral, espiritual, política, econômica, religiosa...
Querendo ou não isto aponta para o fim de todas as coisas. Já se pode ouvir o clamor da humanidade por um salvador da pátria, o que a Bíblia chama de anticristo. II Tess. 2

Na verdade, isso é apenas a ponta de um grande “Iceberg” que se inicia com a frustração do “sonho americano” que se apoiou em um tripé: contentamento, prosperidade, e existência livre de problemas. Lamentavelmente esse ideal capitalista,contaminou o mundo, e porque não dizer, a inúmeros púlpitos do nosso tempo, ao ponto de ignorarem a afirmação de Jesus: “No mundo tereis aflições.”


Um fato é óbvio, “crises” sempre existiram na história, e como tudo que é humano passaram:


· No século XVIII com o advento da revolução industrial, a Inglaterra se viu mergulhada no desemprego, o que gerou mendigos itinerantes, corrupção, violência, inúmeros viciados.
· O E.U.A. na década de 30 viveu um quadro idêntico com a chamada depressão de 30, onde uma onda de quebradeira atingiu as bolsas, o que provocou inúmeros desempregos, e conseqüentemente a proliferação da miséria.
· O Brasil em um período do Governo Vargas e depois nas décadas de 80 e 90 com o descontrole da inflação, também viveu quadro semelhante.

Entretanto, enquanto elas não passam, surgem diversos questionamentos, entre eles: Como superar crises? É possível vivenciar a fé num quadro de aparente derrota e sem nenhuma expectativa de mudança?


Querido irmão deixa eu lhe dar uma boa notícia:

· “O Justo vive pela fé.” Hb 10:38 e Rm.1:17.
· “A graça de Deus nos basta”. Isto é, nos é suficiente. II Co.12:9.
· “A bondade e a misericórdia do Senhor nos cerca todos os dias”. Sl 23:6.
· “Não devemos agir como os que não têm esperança”. Rm.4:18.
· “Os que dobram os joelhos vêem a esperança ressuscitar.” Lm. 3:29.


É interessante ressaltar que muitas de nossas queixas, são pelos supérfluos, conseqüentemente, não nos damos conta do indispensável, que é a vida, a saúde e a paz, o resto, como afirma o homem do interior, "agente se ajeita".


Dostoievski – romancista e teatrólogo russo declarou:


“A vida é felicidade; cada minuto pode ser uma eternidade de felicidade (...) a vida está em todo lugar, em nós mesmos, não no exterior.”


O apóstolo Paulo escreveu em I Tm.6:7-12.


“Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço. E em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.”



Querido leitor, finalizamos nosso pensamento com a frase:


“Dinheiro produz conforto; só em Jesus é possível vivenciar felicidade.”



Graça e paz!

Saiba mais lendo o blog – pronildobraz.blogspot.com

A “Ópera Beijing” Tikuna - Terra Sem Males


Foi realizado, na Terra Indígena Belém do Solimões, Amazonas, entre os dia 1º e 4 de maio, o II Festival de Música Indígena Tikuna, que teve, nessa edição, a participação de índios das etnias Kokama e Kanamari. Ao ar livre, quarenta e cinco grupos indígenas apresentaram suas músicas e danças, realçando a beleza e a riqueza da sua cultura. Os cenários móveis, os figurinos e adereços eram confeccionados com produtos exclusivos da floresta, como a palmeira Manicária, existente nas várzeas da Amazônia, e o Tururi, material extraído da árvore Ubuçu, que é transformado em tecido semelhante ao algodão cru.

As músicas são marcadas pelo ritmo de tambores e diversas flautas, ora como se fossem libretos - textos teatrais, ora recitadas - parte em que o intérprete faz um meio termo, entre o cantar e o recitar. Os cantores, com suas caras pintadas, lembravam, nos primeiros momentos, os “jing” e os “chou”, personagens cômicos da Ópera de Beijing. A contribuir para a verossimilhança, o canto das mulheres, que variavam do “suave baixo” ao “grave alto”, com notas agudas, como na Ópera Chinesa.

Mas o Festival não foi apenas música. Foi, também, a oportunidade para que os Tikuna voltassem celebrar o “Ritual da Moça Nova”, esquecido por longos anos, em decorrência da repressão promovida, especialmente pela igrejas evangélicas, que atuavam naquela comunidade. Achavam aqueles missionários, que a fantasia do “Oma”, macaco de pênis alongado que, para aquela comunidade, representa a força dos ventos, era uma expressão imoral. Para Pedro Inácio, membro permanente do Conselho-Geral de Caciques Tikuna, os tempos mudaram: “Hoje estamos aqui, expressando a nossa cultura, em uma festa promovida pela Igreja Católica, sem nenhuma repressão”.

Foto: Eleonora Dias
Há três anos trabalhando na Comunidade Belém de Solimões, o Frei Paolo, incentivador das tradições daqueles povos indígenas, criou, naquela comunidade, uma escola de música, como forma de prevenir o uso do álcool, largamente disseminados pelos “patrões”, entre os indígenas que trabalhavam nas usinas alcooleiras ali instaladas, como forma de manter o controle sobre os mesmos. Tal procedimento foi relatado, na década de 50, pelo etnólogo alemão, Kurt Nimuendaju, que morou com aqueles índios, durante alguns anos.

O sucesso do Festival, de acordo com Pedro Inácio é fruto do trabalho do Frei Paolo junto à comunidade Tikuna. Prova foi o comparecimento de comunidades distantes, que enfrentaram distâncias de até 12 horas de viagem, via fluvial, para participar do evento. Para ele, o intercâmbio durante o Festival, mais que tudo, representa o fortalecimento da cultura. “Esse festival é muito importante para os jovens, que já não são criados dentro da nossa cultura, e também para aqueles que já esqueceram dela”, afirmou o cacique.

Ao final de quatro dias de Festival, foram anunciados os vencedores. Em primeiro lugar, o grupo da Comunidade São Francisco de Assis, seguidos pela Comunidade de Ourique e Comunidade Ene'pu, campeã do festival do ano anterior. Foram premiados também, o melhor arranjo musical, o melhor intérprete e o melhor figurino, que ficaram, respectivamente, para a Comunidade Umariaçu II, Comunidade Emaú e Comunidade Cajari. O Festival teve o apoio da Fundação Nacional do Índio e do Governo do Amazonas.

A índia que virou universitária - Terra Sem Males


Leonarda realizou o sonho de entrar numa universidade através de um programa para estudantes indígenas

Entrar na faculdade muda a vida de qualquer menina. Afinal, é quando se começa a estudar para ter uma profissão e se conhece um monte de gente. Mas para Leonarda Costa, 22 anos, a mudança foi ainda maior! Diferentemente de suas colegas de classe, que vêem de cursinhos pré-vestibulares e do 3° ano do ensino médio, a garota veio de uma tribo indígena!

Leo atualmente mora em Brasília, mas nasceu em uma aldeia pataxó que fica na região sul da Bahia. Ela viveu lá até ir para a universidade. Na tribo da garota, moram aproximadamente dez famílias. As casas são de barro e não existe luz elétrica nem hospital. Agora a indígena estuda em uma das maiores universidades do país, mora em uma cidade com mais de 2 milhões de pessoas e tem acesso fácil não só à eletricidade, mas também a internet, shoppings e cinemas. De quebra, virou dona de casa. Antes, ela morava em uma casa de cinco cômodos com os pais e os dois irmãos. Agora, mora sozinha e tem que se sustentar: paga aluguel, comida, luz, água...

Leonarda está cursando o quarto ano de nutrição na Universidade de Brasília (UnB) e conseguiu a vaga através de um programa para estudantes indígenas - uma parceria entre a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a instituição. Ela recebe uma bolsa de R$ 900 por mês e uma passagem por ano para visitar os pais. Como qualquer garota, Leonarda teve dúvidas na época de escolher que curso prestar no vestibular e levou bomba. "Sempre foi um sonho ter uma formação acadêmica. Fiz dois vestibulares para universidades da minha região, mas não fui aprovada. Minha vida virou uma tristeza", desabafa. A virada dessa história veio com a parceria. Na UnB, há vagas reservadas para indígenas. O vestibular para eles é diferente: só tem questões de português, matemática, literatura e redação. Os cursos ofertados também são limitados. Os indígenas só podem fazer agronomia, enfermagem e obstetrícia, engenharia florestal e medicina.

Quando morava com os pais, a garota acordava cedo para estudar na escola de Cumuruxatiba, cidade onde fica sua aldeia. Lá ela estudou da 1a série ao 3o ano do ensino médio. Depois de ir à aula, a garota ajudava em uma pequena loja de alimentos que a família tinha ou ia à praia com as amigas. No lugar onde Leo nasceu, a alimentação é baseada na pesca e em raízes, como a mandioca. A maior parte da população da aldeia vive da venda de artesanato e mantém costumes, como danças típicas e pintura corporal.

Mas engana-se quem pensa que na aldeia da Leo os índios vivem nus ou dormem em ocas. A aldeia é bem simples e pequena, mas a proximidade com a cidade diminui o choque cultural. "Eu tinha acesso à internet quando ia para a cidade. Eu também me informava por jornais, revistas e livros. Não é como as pessoas pensam", diz. Mesmo assim, a menina se espantou quando chegou a Brasília: nunca tinha visto tanta diferença social. "Aqui todo mundo tem carro, vai a lugares caros!", diz. Na tribo dela, há um cacique, que é quem toma as decisões, mas as diferenças hierárquicas acabam nisso.

O bacana do convênio da UnB com a Funai é que o indígena aprende uma profissão e volta para aplicá-la em sua comunidade. "Os índios, como todos os outros, têm que ter a chance de estudar, pois assim podemos contribuir para nossa comunidade", filosofa. A instituição é responsável por esse retorno e paga os salários dos profissionais. No caso da Leo, a escolha da profissão foi baseada justamente na volta à sua aldeia. "Além de eu me identificar com o curso, vi uma oportunidade de trabalhar para ajudar as pessoas da minha aldeia a comer melhor", conta.

Hoje, Leonarda praticamente vive na universidade. A garota prefere andar com outros indígenas porque, entre eles, rolam menos diferenças. Mas, quando os colegas sabem de onde ela é, sempre querem saber como era a vida da Leo na aldeia. Ela responde às perguntas sem problemas. Preconceito? Por mais estranho que pareça, ele parte de alguns professores. "Eles insinuam que acham errado alguns alunos terem entrado por outros vestibulares", explica. A garota sente muita dificuldade em algumas matérias, como química, mas compensa a dificuldade estudando muito. "Estudo nos intervalos e à noite."

Leonarda é a primeira representante da sua aldeia a se formar em um curso universitário. A menina lida bem com essa grande responsabilidade, mas ainda sofre por algumas coisas. "Sinto falta da comida da minha mãe, de ter meus pais sempre por perto." Sorte que essa sensação logo passa quando ela lembra que logo poderá ajudar a sua família.


Evento Ditadura Militar no Brasil - Vanderley Caixe


Evento Ditadura Militar no Brasil - dia 22 de maio de 2009 às 19,00 - Auditório do Instituto Sedes Sapientiae - rua Ministro Godoy 1484 - bairro Perdizes - SP

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NOTA PÚBLICA - Nota sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes (CPT Assessoria de Comunicação) - Vanderley Caixe

Nota Pública sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes.

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente
do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.



No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados
de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do
Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações
ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por
repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações
ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais
repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do
procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o
repasse de dinheiro público a entidades que "invadem" propriedades
públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado
automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de
recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a
ações sobre conflitos fundiários.

Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que
necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos
responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em
1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO),
(1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do
Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem
terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado
julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano
de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.

Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e
quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com
efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a
morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23
os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até
hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e
condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso.
Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da
prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.

Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo
tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o
conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem
terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do
presidente do STF, "faltam só dois anos para o fim do governo Lula"...
e não se pode esperar, "pois estamos falando de mortes" nos parece ser
a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes,
são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo
se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do
campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas
contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?



Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em
cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje
abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus
assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de
diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de
educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro
não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao
agronegócio e às suas entidades de classe.



Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos
trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos
direitos constitucionais.



O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado
está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um
representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios.
Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o
"progresso", embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de
terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra
em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara
aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras
exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um
direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário,
na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para
atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou
omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a
veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande
latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias,
inclusive de tentativa de corrupção.



O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas
esferas do poder: "Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito,
mas engolem um camelo" (MT 23,23-24).



Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de
juízes como Gilmar Mendes!



Goiânia, 6 de março de 2009.





Dom Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges

Presidente da Comissão Pastoral da Terra





Maiores informações:

Assessoria de Comunicação - Secretaria Nacional da CPT
Fone: 62 4008-6406/ 6412 / 6400
www.cptnacional.org.br

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Meu Poeta - Barbet


Meu Poeta
Barbet
09/02/09

Deslizava suavemente
em paralelas traçadas,
Num ir e vir repetidos
muitas coisas colocava.

Eu o observava.

Seu olhar seguia perdido
por entre idéias vagas,
Mas derramava nas pautas
O que o coração abundava.

Não mais era dono de si,
A alma ali comandava!
O lápis abedecia servil
Ao belo senhor das palavras.

No peito um sentimento escondido,
traduzido pelos sentidos,
Pensado e refletido,
sua mão habilidosa ajeitava.

Num transe quase perfeito,
Sorria, chorava sem jeito,
Um sonho quase desfeito,
Se não fosse um pesadelo.

Por fim já satisfeito,
Revisava a escrita atento,
Percebendo que foi mais além,
do que pretendia a contento.

Meu poeta é assim mesmo,
Encanta por saber dar,
Ele se alimenta dos sonhos,
Para da realidade falar.

Ele adoça meus dias,
Enche de música minha vida,
Colore meus horizontes,
Faz-me sempre acreditar.

Meu poeta é assim mesmo.

Poema dedicado

* * *

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A REFORMA POLÍTICA – O ESTATUTO DO “CLUBE” - Laerte Braga

Você não começa uma casa pelo telhado. Pelo menos é o que aprendemos desde meninos nas escolas. Há uma ordem natural para se fazer uma casa. Você não reforma um prédio com as estruturas podres. Ele vai cair. Não há como fazer árvore corroída por cupins e morta dar frutos. Ou flores.

As instituições no Brasil estão falidas. É uma conseqüência dentre outros fatores da ditadura militar. Da nossa história de 509 anos. Houve um corte brutal e estúpido no processo político nacional, previsível se olhado com atenção outro processo, maior, mais amplo, o histórico.



A conversa fiada que a História está morta serviu apenas para exibir a nova ordem política econômica, no duro mesmo a grande desordem da globalização. Ou os novos adjetivos dos senhores do mundo.



Reformar o quê? Sequer tivemos uma Assembléia Nacional Constituinte. Mas um Congresso Nacional Constituinte. E um golpe dentro de um outro processo, esse fictício, o da redemocratização. O tal “Centrão”.



A História do Brasil parece que vem a galopes e não difere da outros povos tanto latino-americanos, como de países de outros cantos do mundo. Às vezes o galope é interrompido por uma pedra.



Tanto pode ser um estado novo fascista com Getúlio Vargas. Como um estado novo fascista com os militares, o de 1964. A diferença? O de Vargas não era udenista. Só isso. E de repente a vocação para acreditar em milagreiros e um bêbado corrupto chamado Jânio Quadros eleito presidente da República.



O poder no Brasil sempre foi das elites. E mesmo quando o presidente era Vargas, no período de 1951 até seu suicídio em 1954, ou João Goulart, entre 1961 e 1964. A diferença estava na sensibilidade de Vargas – nesse período – e de Jango diante da realidade social do País. Eram reformistas. E numa época em que reformas significavam avanços.



Hoje os donos se apropriaram da palavra para transformá-la em instrumento de perpetuação no poder.



Lista fechada é isso. Um jeito de manter todo e qualquer Sarney da vida seja de que partido for, eternamente, no poder. O argumento de consciência partidária, de voto partidário não se presta a um País onde os partidos carecem do que defendem ao falar em reforma política – consciência partidária –. São instrumentos de lideranças aqui e ali, um clube de amigos e inimigos cordiais.



É como a disputa entre dois jogadores pela posição de titular. Tanto faz que seja para a lateral esquerda ou para a lateral direita, ou ainda para o meio.



São todos excelências.



A construção da democracia no Brasil não passa por reformas como a proposta ao Congresso Nacional.



Imagine uma lista fechada do partido controlado por Edir Macedo e seus sicários? Ou por Michel Temer? Ou por FHC? Ou por qualquer desses caciques petistas perdidos no ideário de esquerda isso, esquerda aquilo e até não tanto esquerda assim isso, não tanto esquerda assim aquilo.



Lula disse a jornalistas que para governar teve que passar por cima do PT.



Todos eles passam por cima do povo.



Não há um processo político de formação. É de alienação, de culto à personalidade. De lideranças carcomidas e repletas de plásticas, botox, estica aqui e estica ali que geram figuras como Gilmar Mendes e transformam um sujeito desses em ministro do suposto Supremo Tribunal Federal, na prática STF DANTAS INCORPORATION LTD.



Discutindo por dentro, ou seja, estritamente o mérito dessa ou daquela reforma, o financiamento público de campanhas aliado a um programa de debates e ampla participação popular é correto.



O modelo montado e calcado em cima das estruturas partidárias vigentes é a ressurreição das capitanias hereditárias.



Somos um País de corporações. Que sequer segmentos são. Estamentos isso sim. À parte do todo. Um conglomerado em que amigos e inimigos cordiais repartem o poder. O governo Lula aos trancos e barrancos – mais barrancos que trancos – começou a traçar aqui e ali um pálido retrato para dar ao Brasil uma cara. Mas não conseguiu fugir dos limites do clube.



E já existe a ameaça de um novo Jânio, o governador de São Paulo José Serra. Ou um novo Collor, o governador de Minas Gerais Aécio Neves.



Somos um País transformado pela mídia num grande espetáculo onde uma cantora que mal saber cantarolar vira capa de revista e promove noite de autógrafos para o gáudio de todos os que se encantam com o modelo sanduíche com molho escorrendo por todos os cantos da boca e nem temos John Wayne para limpar essa boca com as costas da mão.



A proposta de reforma política com lista fechada vem embrulhada em modernidade, expressão que os donos adoram e traz dentro da caixa todo o repertório de múmias de cada um dos estados brasileiros na esteira do sonho de poder perpétuo de pai para filho.



Por aqui os donos fretam um avião levam repórteres dos principais meios de comunicação do País para anunciar ao cidadão comum (o que Bonner chama de Homer Simpson) a ação “terrorista” de trabalhadores rurais sem terra, enquanto promovem um massacre.



E o presidente da tal corte suprema ameaça chamar o presidente da República “às falas”. Seus interesses e os interesses que representa são contrariados.



Temos um preso político – refugiado – Cesare Battisti –. O embaixador de um governo de fancaria, o do Itália, entra pela porta dos fundos do presidente dessa tal corte e põe e dispõe. Sabe-se lá o que, mas não é tão difícil assim adivinhar sendo Gilmar Mendes quem é.



O presidente do Congresso não tem a menor idéia de quantos diretores existem na casa que preside e que chamam de Câmara Alta, embora esteja por lá desde tempos imemoriais. O da Câmara, a quem chamam de representação popular, não tem a menor idéia do que fazer com a turma dos castelos de viagens ao redor do mundo.



O da República equilibra-se aqui e ali para segurar as pontas e pontos, os nós do governo anterior, um caos absoluto, na tentativa de minimamente avançar um ou outro passo e o faz aos trancos aqui, mas nem tanto ali.



Não tem como reformar uma casa cujos alicerces estão tomados por cupins.



É que nem espingarda de cano torto. Você faz que vai eliminar o bandido e acerta cá embaixo no povo. Tipo assim os israelenses fazem com palestinos em câmaras de tortura. Ou os norte-americanos com civis afegãos em nome de combater o terrorismo.



Aí é um corre corre por conta de uma gripe suína que enche as burras de dois laboratórios enquanto milhões morrem na África. Fome, abandono total, a malária permanece impávida e altaneira até que GLAXO, ou ROCHE tenham cumprido as metas do balanço e possam avançar mais um pouco.



Nessa proposta o cidadão passa ao largo, não há progresso algum e muito menos consolidação da democracia.



É só um jeito de continuar a jogar o jogo sempre com o mesmo time. É lógico, eles não perdem nada, quem perde é sempre a classe trabalhadora.



Estão é fingindo que reformam o estatuto do grande clube de amigos e inimigos cordiais para manter a todos no status de excelências.

ONU questiona delegação do Brasil sobre muro em favela - Cassio Lopes

Qui, 07 Mai, 08h51
O governo viveu um constrangimento ontem na Organização das Nações Unidas (ONU) ao tentar defender seus programas sociais, enquanto o Brasil era acusado de ser um "país da impunidade".

Os peritos da entidade criticaram a corrupção, a falta de acesso da população à Justiça e ainda denunciaram a construção de muros separando as favelas no Rio dos demais bairros. "Estão fazendo muros entre favelas e bairros ricos. O que está sendo feito contra esses projetos?", questionou o perito da ONU Alvaro Tirado Mejiam, perante a delegação brasileira, durante sabatina para avaliar os programas sociais no País. Para Mejiam, com a construção de um muro em favelas no Rio, o Brasil está iniciando uma "discriminação geográfica".


No total, 11 favelas devem ser cercadas por muros no Rio até o fim do ano. A primeira delas seria a Dona Marta, supostamente com o objetivo de frear sua expansão. A pergunta gerou desconforto na delegação e o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, prometeu que traria para hoje uma resposta sobre a iniciativa do governo Sérgio Cabral (PMDB). Vannucchi reconheceu que o muro "não é uma boa ideia" e que representa uma limitação aos direitos humanos da população mais pobre. Mas foi cauteloso. "O Brasil não constrói muros em favelas. Não conheço os detalhes. Não sei se está em um terreno público ou privado."
Ele admitiu ter ficado surpreso com o questionamento durante a sabatina, além de perceber que a questão gerava uma atenção internacional além do que o governo previa. "Estamos mais preocupados com a questão de segurança pública", disse. Mesmo assim, Vannucchi rejeitou a atribuição de excessiva importância ao muro, como se fosse equivalente ao que divide a fronteira entre EUA e México, ou ao que separa israelenses e palestinos. "Não é a criação de um muro emblemático, como o Muro de Berlim", argumentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Índios invadem prédio da Funasa em São Paulo - Terra Sem Males


Os indígenas desocuparam na noite desta quarta-feira o prédio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em São Paulo após dois dias protesto. Eles deixaram o local e foram para a rua, onde pretendem permanecer acampados até a fundação se posicione sobre os questionamentos feitos à atual gestão da regional paulista.

Nós vamos permanecer na rua [Bento Freitas], ficar aqui acampados sem colchão. A gente não quer entrar em conflito com ninguém porque aqui é um lugar público", afirmou o cacique Carã.

Os índios reivindicam a saída do coordenador da fundação em São Paulo, Raze Rezek. Segundo lideranças indígenas que estão no local, eles reivindicam uma atuação mais eficiente da Funasa no Estado e afirmam que a gestão de Rezek é considerada insatisfatória.

Hoje à tarde, o presidente nacional da Funasa, Danilo Forte, disse que o movimento contrário à atual gestão da regional é político e só iria tomar uma decisão sobre a entrega do cargo de Rezek após a desocupação do prédio.

No fim da tarde, a Funasa pediu à Justiça a reintegração de posse do prédio ocupado em São Paulo. O local estava ocupado por cerca de 30 índios desde ontem pela manhã. No começo da manifestação eram cerca de 30 indígenas. A decisão da fundação foi motivada pela resistência dos líderes indígenas em deixar o prédio.

Com o pedido de reintegração de posse e após uma reunião de quase quatro horas com representantes da Funasa, os índios decidiram deixaram o prédio sob protestos. Armados com arcos e flechas e com cocares, os índios fizeram um círculo no meio da rua e começaram a cantar.

O cacique Carã fez um apelo, chorando, para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro José Gomes Temporão (Saúde) recebam os índios em Brasília.

O chefe de gabinete da presidência da Funasa, Moisés Santos, disse que a demissão de Rezek não foi discutida na reunião com os líderes indígenas. Santos ressaltou que Forte já decidiu hoje que não vai demitir o coordenador de São Paulo. "Discutimos ações de saúde e saneamento nas aldeias. Todas as questões serão tratadas pela presidência em 15 dias", afirmou.

Segundo a Polícia Federal, a rua Bento Freitas, onde está localizado o prédio da Funasa, vai permanecer interditada enquanto os índios estiverem no local.


terça-feira, 5 de maio de 2009

coloque uma vela na janela às 19hs POR UMA NOVA LUZ NO JUDICIÁRIO. - Barbet


No Brasil inteiro: coloque uma vela na janela às 19hs POR UMA NOVA LUZ NO JUDICIÁRIO.

Em Brasília: ato público (vigília pacífica) em frente ao STF às 19hs. Leve sua vela.

Em São Paulo: em frente ao prédio do TRF3 (onde trabalha o Juiz Fausto De Sanctis)
Av. Paulista, 1842 - às 19:30.
Concentração às 19:00 em frente ao metrô Consolação (lado par). Leve sua vela.

Digite aqui o resto do post

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Os índios, hoje


Os índios, hoje Alguns indígenas brasileiros ainda vivem isolados e sem contato com o homem branco, mas boa parte deles está integrada à vida moderna

19 de abril é o Dia do Índio e, para comemorar a data, é comum que crianças pintem o rosto e façam enfeites que imitam cocares para colocar na cabeça. Esses são dois costumes conhecidos dos índios, mas eles têm muitos outros hábitos que estão se modificando ao longo do tempo. Vários, como tomar banho todos os dias, nós herdamos desses povos, assim como algumas palavras, como abacaxi e outras que dão nome a cidades por todo o Brasil, como Itacarambi e Itabirito.

Hoje, são 230 povos e, pelo menos a metade, vive quase que exclusivamente das fontes tradicionais (caça e pesca), como os Piripikura que vivem no Mato Grosso, enquanto outros já sabem usar computador, falam português e até atuam como políticos. Como você pode perceber, não dá para generalizar o modo de viver dos índios porque cada grupo vive de um jeito. Muitas pessoas se lamentam por pensarem que os indígenas estão perdendo sua cultura por ficarem cada vez mais parecidos com os homens brancos. Mas os indígenas se defendem e dizem que o modo de vida de toda sociedade se transforma com o passar do tempo e, com eles, não poderia ser diferente.

“As pessoas, normalmente, têm uma imagem do índio de 1500, da época da colonização, que vive na mata e é alheio às tecnologias. Na verdade, tudo caminhou, inclusive nas comunidades indígenas. A cultura é mutável mesmo, não é fixa”, explica Verônica Mendes Pereira, mestre em educação escolar indígena e professora do curso de licenciatura indígena da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – ela dá aula para os professores índios para que eles possam ensinar melhor aos seus alunos indiozinhos nas escolas.

DIFERENTE, MAS IGUAL

Hoje, existem muitos índios que vivem em casas que têm luz elétrica e som. Já somam 5 mil os índios matriculados em universidades, estudando Medicina e Direito, por exemplo, e 20 mil os professores indígenas que ensinam nas línguas que falam. “O que caracteriza ser índio ou não é o jeito de viver, que está muito ligado a símbolos: por exemplo, o jeito de eles explicarem como acontecem os fenômenos da natureza, como os trovões, a chuva...é tudo mitológico”, diz a professora.

Ela conta, ainda, que mitos não são mentirinhas, mas são as maneiras com que cada tribo explica o mundo, é a ciência delas. “Os Xacriabá não falam língua indígena, mas preservam o mito de Iaiá Cabocla, que é uma onça que protege o território, as crianças e a aldeia. Um índio não deixa de ser índio porque tem carro”, defende.

“Os índios mantêm um espírito de continuidade, voltam às suas terras para fazer seus rituais. Alguns ainda vivem caçando e pescando como fizeram na vinda dos portugueses, outros vivem de em contato com os brancos, mas preservam sua cultura. O contato com outras culturas leva à adaptação. Os brasileiros também vivem com uma série de criações dos europeus e norteamericanos” , diz o professor do Departamento de Antropologia da UFF - Universidade Federal Fluminense - Mércio Gomes, que também foi presidente da FUNAI – Fundação Nacional do Índio – de 2003 a 2007.

ESCOLA DE ÍNDIO

Aproximadamente, 0,5% da população brasileira é indígena, está distribuída em todos os estados do país com maior concentração no Norte. Existem 180 línguas diferentes e essa é apenas uma das características que diferencia um grupo dos outros.

De acordo com Verônica, a partir da legislação de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, os índios conquistaram seus direitos, o que colaborou para o aumento das populações. O professor Mércio discorda. Ele afirma que, mesmo antes dessa Constituição, o número de indígenas crescia e eles já tinham alguns direitos.

“A grande alegria para a nação brasileira é que passados 500 anos da chegada dos portugueses, os povos indígenas estão crescendo. Na década de 1970, eles pareciam entrar em extinção, porque eles morriam de varíola, tuberculose e sarampo. Com o tempo, os remédios foram chegando, algumas doenças acabaram, eles adquiriram imunidade e, hoje, eles crescem a 4% ao ano enquanto o Brasil cresce a menos de 2%”, conta o professor. A população era de 100 mil, em 1955, e, agora, eles são 500 mil. Em cinqüenta anos, eles quase quintuplicaram!

Uma vitória indiscutível da Constituição de 1988 é a escola indígena, um lugar de ensino onde os alunos e os professores são índios. Nelas, eles podem ensinar apenas na língua própria, em português, ou nos dois idiomas. Os professores que dão aula nesses colégios são preparados por outras pessoas que trabalham em universidades, como a Verônica.

A ideia é que a escola tenha “um pé dentro da aldeia e o outro fora dela”, o que significa que os estudantes aprendem conteúdos ligados à cultura deles, como na disciplina “o uso da terra” que ensina a composição do solo, o tipo de plantas que nasceram ali, quais os chás que podem ser feitos e para que eles servem. Ao mesmo tempo, estudam como o governo e a sociedade podem ajudá-los, que direitos eles têm, entre outras utilidades. Aliás, um problema comum aos índios é a demarcação de terras – espaço destinados para eles morarem.

POR QUE DIA 19 DE ABRIL?

A data foi criada no Brasil pelo presidente Getúlio Vargas, em 1943. A escolha foi uma homenagem ao I Congresso Indigenista Interamericano, um evento realizado no México, em 1940, que reuniu representantes de países da América para tomar decisões políticas importantes.

Os índios também foram convidados, mas ficaram desconfiados. A história de convivência entre homens brancos e índios não é pacífica, mas repleta de guerras. Depois de alguns dias, porém, os indígenas resolveram dar um voto de confiança e foram à reunião no dia 19 de abril.

De Olho Nos Povos Indígenas - Barbet


De Olho nos Povos Indígenas
Encare este desafio e descubra se as afirmações a seguir são verdadeiras ou falsas.

Novo Estatuto do Índio sai, mesmo? - Terra Sem Males


Há 18 longos anos o Estatuto do Índio (lei 6.001/73) aguarda por uma nova versão. Em muitos aspectos, o documento confronta a Constituição de 1988 e, por isso, vem provocando discussões* desde 1991, quando o primeiro projeto de lei para sua modificação chegou à Câmara dos Deputados**.

Até 1992, outras duas versões foram elaboradas e, dessa forma, foi criada uma Comissão Especial cujo relator, deputado Luciano Pizzatto, fez um novo texto chamado “substitutivo ao PL 2.057/91”, que foi a proposta pioneira a tramitar na Câmara. Aprovado em 1994 pela Comissão, o PL ficou parado na Mesa Diretora por conta de um recurso.

Mais uma vez o debate volta à cena. Segundo divulgou O Estado de São Paulo, um novo texto está em fase de finalização e será concluído ainda neste mês. Procurada até o fechamento deste texto, a assessoria da Funai não confirmou a informação.

Ainda de acordo com o diário, será retirada dos índios a condição de inimputáveis, o que significa que eles podem ser julgados como qualquer outro brasileiro caso o laudo antropológico encomendado pelo juiz – agora obrigatório - apontar que o indígena tem consciência do que fez. Até então, era considerado que, por terem outros valores, eles não tinham noção do que as leis brasileiras consideram como ilegal.

Outra modificação será em relação à mineração que será permitida em terras indígenas desde que assentida e com contrapartidas para compensar possíveis danos. Pelo antigo texto, a exploração do solo cabia apenas aos índios.

No que se refere à cultura, a lei em vigor reconhece a cultura indígena e estabelece que os índios devem ser integrados “à comunhão nacional” progressivamente. Na nova versão, a organização, valores e costumes deve ser respeitada e difundida.


Van Gogh foi assassinado por causa desse filme - Barbet



O cineasta Theo Van Gogh foi assassinado por causa desse filme, por um mulçumano, que em seguida o degolou e lhe cravou no peito uma carta em que anunciava sua próxima vítima: Ayaan Hirsi Ali, que...

Submission - o filme

Juntamente com Hirsi Ali, van Gogh foi o autor do filme com o título "Submissão" (uma referência inequívoca ao Islão, que significa literalmente submissão a Alá). É um filme sobre a situação da mulher nas sociedades islâmicas, abordando temas como os casamentos arranjados, a violência doméstica ou o incesto. Após a estreia do filme, Van Gogh e Hirsi Ali receberam ameaças de morte. O filme foi exibido na televisão holandesa em 2004.

Van Gogh foi assassinado na manhã de terça-Feira, 2 de Novembro de 2004, em Amsterdão, na esquina entre as ruas Linnaeusstraat e Mauritskade, uma zona de Amsterdã onde vivem muitos imigrantes. Foi esfaqueado e alvejado a tiro (7 tiros) e faleceu imediatamente. O alegado assassino foi detido pela polícia após perseguição e após ter sido alvejado numa perna. Era um jovem de 26 anos, de dupla nacionalidade (holandesa e marroquina), muçulmano. [1]

Na altura em que foi assassinado, Van Gogh trabalhava num filme chamado (0605) acerca do assassínio do político holandês Pim Fortuyn. Aliás, van Gogh foi assassinado a caminho do seu escritório, a fim de trabalhar na produção desse filme. Tal como Pim Fortuyn, van Gogh não era protegido por guarda-costas, apesar das ameaças de morte.

Em Julho de 2005, um tribunal holandês condenou Mohammed Bouyeri, o assassino de Van Gogh, a cadeia perpetua. Durante as sessões do julgamento, Bouyeri acabou por confessar a autoria do crime, afirmando que agiu em nome da sua religião e que voltaria a repetir o acto.[2]

Segundo o autor e colunista holandês Leon de Winter, o caso de Theo van Gogh é um resultado trágico do confronto cultural entre uma cultura holandesa tradicionalmente tolerante e liberal e o fluxo de imigração de zonas do mundo que não têm esse mesmo caracter. Van Gogh foi um símbolo da liberdade de expressão e do pensamento crítico, por vezes exacerbado, que são característicos de uma sociedade pluralista e moderna. Em forte contraste com este modelo estão os imigrantes do Magrebe, hoje um sector numeroso da sociedade holandesa, pouco habituados ao confronto de ideias e à crítica à religião (secularização).

domingo, 3 de maio de 2009

Delara Darabi foi enforcada -Terra Sem Males


O último diálogo de Delara Darabi, 23 anos, foi com a mãe.
Ocorreu na sexta-feira de manhã. Poucos minutos antes dela ser enforcada na prisão iraniana de Rasht.

A jovem pintora, — que negou ter matado a vítima e tinha a seu favor prova pericial a revelar que uma canhota não poderia ter sido a autora dos golpes mortais–, recebeu autorização para ligar para a sua mãe, pouco antes de subir ao patíbulo.

O telefonema era para poder se despedir da genitora, pois seria enforcada, segundo informou-lhe um dos carrascos.

Ao atender a chamada telefônica a mãe ouviu a voz desesperada da filha: - “Estão para me matar agora. Por favor me ajude. Fale a eles para não fazerem isso”.

Ao terminar a frase, a mãe pode perceber que o telefone foi arrancado da filha.

Na seqüência, o carrasco da sua filha avisou à atordoada mãe: - “ Mataremos a tua filha agora. Não existe mais nada que possa fazer para impedir”. Depois disso, o telefone foi desligado.

As autoridades iranianas tinham suspendido a execução da pena capital por dois meses: o enforcamento fora suspenso em 20 de abril passado. Puro engodo.Passados dez dias, ocorreu o “homicídio-legal”, ou seja, quando o próprio Estado mata uma pessoa.

O advogado Maohammad Mostafei, — que também defende a jornalista Roxana Saberi protestou por não ter sido informado sobre a execução. Frisou, também, não ter a família sido avisada.

Pano Rápido. Seguindo outros países como EUA, Israel e China,a República Islâmica do Irã negou-se, em Assembléia Geral das Nações Unidas, a assinar uma moratória sobre a pena de morte. Pela moratória, toda a execução de pena capital ficaria suspensa até que os estados-membros da ONU deliberassem, por meio de convenção, a respeito do tema.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


Ibope - Eduardo Guimarâes

Se eu fosse o presidente Lula, colocaria as barbas de molho no que tange aos institutos de pesquisa, porque, no ano que vêm, irão desempenhar a missão crucial de transmitir ao eleitorado a quantas anda a corrida eleitoral para os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e estadual, e o que relato a seguir mostrará que os institutos “da praça” são suspeitos.
http://edu.guim.blog.uol.com.br/

O blogueiro Ricardo Kotscho (linkado aqui neste blog) publicou, na última quarta-feira, detalhes de conversa que teve com Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope. A reprodução dessa conversa mostra comportamento para lá de partidário de quem dirige aquele instituto.

Notem que os dois maiores institutos de pesquisa do país (o próprio Ibope e o Datafolha, do grupo Folha) estão ligados à candidatura de José Serra à Presidência da República

Para ficarmos só no caso do Ibope, Montenegro, seu presidente, deu declarações absolutamente políticas a Kotscho. Declarações absurdamente facciosas e sem qualquer base científica. Reproduzo, a seguir, o relato do blogueiro sobre as declarações politiqueiras de Montenegro e, depois, teço meus comentários sobre elas.



* Dilma deve, num primeiro momento, manter os mesmos índices anteriores. A transferência de votos do presidente Lula para ela chegará mais adiante a um patamar de 15%. A partir daí, será difícil conquistar cada ponto a mais.

* O mesmo vale para qualquer outro candidato do governo na lista que será pesquisada para saber quem teria mais chances na eleição, caso Dilma seja obrigada a desistir da campanha, e Lula tenha que buscar outro nome. Tarso, Ciro, Palocci, Patrus, Haddad, qualquer um deles receberia o mesmo índice de transferência de votos e teria a mesma dificuldade para crescer a partir daí.

* A campanha de 2010 deverá mesmo ficar polarizada entre o candidato do governo e o candidato da oposição. Sem candidato, mais uma vez, o PMDB se dividiria meio a meio entre os dois lados da disputa. Ciro Gomes só seria candidato, em caso de desistência de Dilma, se for apoiado por Lula. Heloísa Helena e Cristovam Buarque desta vez não teriam espaço para suas candidaturas.

* O candidato da oposição será o tucano José Serra, do PSDB, que mantém seu amplo favoritismo na corrida presidencial e tem chances de vencer já no primeiro turno. As prévias do PSDB cobradas por Aécio Neves devem mesmo ficar para fevereiro, quando as pesquisas já devem apontar uma clara definição no quadro sucessário.

* A análise é a mesma feita antes das eleições municipais de 2008: assim como em 2002 era “a vez de Lula”, em 2010 será “a vez do Serra”, segundo Montenegro, e nada indica uma mudança brusca no cenário.

* Para ele, a “Era do PT” acabou no episódio do mensalão, que engoliu suas principais lideranças, embora o presidente Lula tenha mantido e até ampliado seu prestígio de lá para cá. Por isso, acredita que em 2010 não haverá nenhum nome do partido capaz de impedir a vitória de José Serra. Confrontado com os números das pesquisas em fevereiro de 2010, Aécio poderia escolher entre ser seu vice ou se candidatar ao Senado por Minas.

* Qualquer que seja o resultado da eleição e o efeito da crise econômica mundial no país, ele acredita que Lula deixará o Palácio do Planalto pela porta da frente, festejado pela população. “Ele já entrou para a História como um dos nossos três maiores presidentes da República, ao lado de Getúlio e Juscelino. Ninguém tem uma história igual à dele e a vida da maioria da população melhorou no governo do Lula, o país mudou”.



Até 2002, o Ibope tinha uma outra teoria político-eleitoral, de que Lula teria um “teto” de 30% do eleitorado que o impediria de chegar algum dia à Presidência da República. Essa teoria, veiculada pelo mesmo Montenegro, espalhou-se rapidamente e perdurou até que Lula a desmentisse elegendo-se com votação esmagadora sobre o mesmo José Serra.

Não há nada de científico na tese de Montenegro. Suas declarações são políticas. Está fazendo campanha para Serra valendo-se de profecias. Falta um ano e meio para a eleição presidencial. Tudo pode acontecer até lá. Até porque, a grande maioria do eleitorado ainda não tomou qualquer decisão eleitoral.

Os ataques incessantes da mídia a Lula e a Dilma Rousseff, a provável candidata do presidente à própria sucessão, revelam, inclusive, desespero de causa, com a divulgação de documentos falsos sobre a ministra, o que prova que a “certeza” da vitória do governador facistóide de São Paulo na eleição presidencial está muito longe de ser o o fato consumado que tentam criar.

Dizer que o PT acabou por causa do escândalo do mensalão é uma irresponsabilidade, partindo de alguém de quem se esperaria análise sóbria e científica dos fatos. Aliás, o crescimento do PT nas eleições municipais do ano passado desmoralizam completamente a tese delirante de Montenegro.

O presidente do Ibope se converteu em mero cabo eleitoral. Se fosse jornalista ou cientista político, tudo bem dar declarações como essa, ainda mais num cenário em que a imprensa se tornou um partido político. Só que ele dirige uma instituição da qual se exige total isenção política.

Como se não bastasse o Ibope, o Datafolha pertence à Folha de São Paulo, jornal que dispensa apresentações em termos de facciosismo político e sabugismo relativo a Serra.

Outro instituto de pesquisa de renome, o Sensus, faz pesquisas para a CNT (Confederação Nacional dos Transportes), dirigida por Clésio Andrade, político que já foi vice-governador ao lado do ex-governador tucano Eduardo Azeredo, outro que também dispensa apresentações por ter sido o precursor do uso dos favores de Marcos Valério.

Resta, de instituto de pesquisa renomado, o Vox Populi, que nos últimos anos saiu de cena por razões pouco explicadas.

Se o presidente Lula e seu partido não começarem a se mexer já, as pesquisas de intenção de voto serão usadas para tentar materializar essa absurda situação de fato consumado que Montenegro tenta criar.

Notem que ele antecipar que a divulgação da doença de Dilma Rousseff não mudará nada no cenário eleitoral é conduta de uma irresponsabilidade incompatível com alguém que dirige um instituto de pesquisas científicas. Ela pode, inclusive, ter sido prejudicada pela divulgação de sua doença. Montenegro pode estar certo, mas ele antecipa o que não se sabe cientificamente, ainda.

Mas o que o presidente da República e o PT podem fazer?, perguntarão vocês. É óbvio que podem – e devem – tratar não só de estimular a entrada em cena de algum instituto de pesquisa desvinculado de partidos (o Vox Populi?) como também de denunciar as ligações do Ibope e do Datafolha com o PSDB.

Quero lembrá-los de que, no fim de 2005, as pesquisas Ibope e Datafolha anunciavam sucessivas e pronunciadas quedas da popularidade de Lula “devido ao mensalão”. De repente, na mesma época, sai uma pesquisa CNT/Sensus que desmente os dois institutos e mostra a popularidade do presidente lá nas alturas. Meses depois, Lula se reelege com mais de 60% dos votos.

Contudo, dada a demora de Lula e de seu partido de rebaterem as acusações do PPS de que o governo federal pretenderia confiscar a poupança, vejo com preocupação a entrada explícita do Ibope na campanha eleitoral antecipada de José Serra, campanha que já conta com os maiores jornais, revistas e tevês do país.


O PRESIDENTE DO IRÃ - Laerte Braga


Com 110 pessoas em sua comitiva chega ao Brasil na quarta-feira o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. Vem a convite do governo do presidente Lula. A visita de Ahmadinejad desagrada a norte-americanos e a israelenses. O governo de Israel convocou o embaixador brasileiro para “explicar” o que isso significa.

Há anos atrás, poucos meses antes do golpe de 1964, o ministro Celso Furtado foi a Moscou negociar acordos comerciais com o governo da antiga União Soviética. O embaixador dos Estados Unidos na URSS deu uma bronca pública no brasileiro, alegando, entre outras coisas, que “você não tem nada o que fazer aqui”.

Furtado reagiu e assinou os acordos comerciais. Poucos meses depois os militares brasileiros e sua estranha vocação nacionalista para entregar o País derrubaram o governo de Goulart.

Permaneceram vinte anos no poder cometendo toda a sorte de abusos, corrupção e barbárie possíveis e não deram ao Brasil uma cara brasileira. O tal nacionalismo e a democracia deles foi a transformação do País em sub produto do imperialismo norte-americano. E são nacionalistas. Imagine se não fossem.

A revolução islâmica deu ao Irã a perspectiva de encontrar-se como país soberano, senhor de seu destino e não cabe julgar valores intrínsecos do islamismo, nem extrínsecos, do contrário se dá o direito de julgar o estranho prazer de norte-americanos por armas de fogo como distração e lazer no final de semana. E nos dias de semana um monte de corpos estendidos nas escolas em vários cantos do país.

No Brasil os militares, militares é bom não se esquecer, venderam a idéia de transformar o país numa potência sob todos os aspectos, nas se resignaram e assinaram todos os acordos propostos pelos EUA. Ou impostos. Depende da ótica de quem vê. O golpe foi fomentado, organizado e patrocinado pelos donos do mundo.

O Oriente Médio historicamente tem sido de suma importância para potências imperialistas. A Grã Bretanha, a França e agora os Estados Unidos. As constantes intervenções militares na região têm um único objetivo. Eliminar governos “inimigos” e controlar o petróleo.

O fim da Segunda Grande Guerra trouxe um ingrediente novo. O estado terrorista de Israel. De principal base militar do imperialismo norte-americano transformou-se em importante fator de decisão dos destinos dos Estados Unidos. Grupos sionistas constituem-se em lobbies de tal força que detêm o controle das políticas chaves no governo de Washington.

As intervenções norte-americanas no Irã começam em 1941 quando os aliados forçaram o xá a abdicar em favor de seu filho Mohammad Reza Pahlavi, no pressuposto que esse lhes seria mais favorável. E foi. Em 1953 a intervenção foi descarada e aberta quando o xá desentendeu-se com Mohammed Mossadegh, primeiro-ministro, que havia nacionalizado o petróleo no país. A Anglo-American Oil Company. Mossadegh foi deposto, o petróleo continuou com ingleses e norte-americanos e o regime de Reza Pahlavi transformou-se numa ditadura escancarada. Era dissimulada. Esse era o propósito real dos que o sustentavam.

Na ótica ocidental o xá modernizava o país. Na visão dos iranianos o xá entregava o país e esmagava religiosos e defensores da democracia. O conceito capitalista de modernizar é o de predação.

A revolução islâmica de Khomeyni trouxe o estado islâmico, mas o direito do povo escolher seus governantes. Foi-se o petróleo de norte-americanos e ingleses. A riqueza nacional passou a pertencer ao povo do Irã.

Desde o primeiro momento norte-americanos insuflaram a ditadura de Saddam Hussein, aliado de Washington à época. A guerra montada e financiada pelos norte-americanos contra o Irã custou milhões de vidas a iraquianos e iranianos. Foi ali que Saddam usou armas químicas e biológicas contra iranianos e fornecidas por seus aliados, os EUA.

Quando achou que poderia voar por conta própria teve as asas cortadas. As mesmas armas químicas e biológicas que já não existiam mais foram o pretexto para a invasão do Iraque no governo terrorista de George Bush.

Saddam, confiando nos EUA, tentou desenvolver um programa nuclear em seu país e as usinas foram bombardeadas por aviões de Israel.

O Irã é uma potência regional. Está situado estrategicamente no centro dos interesses dos norte-americanos e o programa nuclear desenvolvido pelo governo islâmico pode vir a ser o fator de desequilíbrio no Oriente Médio, onde até então Israel tem sido o braço terrorista dos EUA. As políticas de “salvação da democracia” cabem aos norte-americanos. Ou invadem e ocupam, ou compram governos (Arábia Saudita, Jordânia, Egito, Emirados Árabes, etc). O serviço sujo, o terrorismo fica para Israel (tem “tecnologia” de matar dois com um tiro).

A América Latina e particularmente a América do Sul vive um momento de extrema importância em sua história. Começa a perceber-se como bloco de grande força. Governos eleitos pelo voto popular como o do presidente Chávez na Venezuela, Morales na Bolívia, Corrêa no Equador, Lugo no Paraguai, Ortega na Nicarágua e agora El Salvador, transformam-se em pesadelos para os norte-americanos.

Já não é possível mais gritar “você não tem nada o que fazer aqui”.

O presidente Lula encarregou o embaixador Celso Amorim de dirigir e comandar a política externa brasileira. Um notável diplomata e desde a deposição de João Goulart é a primeira vez que o Brasil assume sua cara, suas feições e coloca-se como país soberano. As limitações decorrentes da política econômica de Lula têm sido sabiamente contornadas pelo chanceler Amorim. Os arroubos “modernistas” do PT em busca de cargos e outras coisas mais, da mesma forma, não impediram que o Brasil se transformasse num dos protagonistas principais no mundo de hoje.

O Brasil não tem que explicar nada a Israel sobre a visita do presidente do Irã. A constituição do Irã garante liberdade religiosa a judeus e cristãos. Muçulmanos são tratados como animais no estado terrorista de Israel.

Os EUA são hoje um império em franco declínio. Não significa que estejam batidos ou vencidos em suas políticas escravagistas mundo afora. Em termos de história o declínio de um império não é como um tombo de uma ex-BBB que vira manchete nacional na política de informação e comunicação para Homer Simpson.

A economia do país do negro de olhos azuis já não tem mais a força que tinha e o poder dos ianques está na força militar. A mesma que segundo a revista ÉPOCA – grupo GLOBO – mostra que soldados mulheres dos EUA são vítimas de assédio e estupro por parte de companheiros de farda quando no serviço militar no exterior. Típico de militares norte-americanos e israelenses.

As críticas corretas e precisas ao governo Lula não obscurecem a política externa desenvolvido pelo ministro Celso Amorim. Se na ótica do modelo político e econômico vigente Lula não mudou coisa alguma, mas conseguiu um assento de destaque junto ao resto do mundo, isso se deve menos à economia e mais ao trabalho de Amorim. Mata um leão por dia levando em conta os setores desvairados do governo e principalmente do partido do presidente e dos aliados. Foi a opção de Lula, um capitalismo brasileiro. Ou o neoliberalismo populista.

A visita de Mahmoud Ahmadinejad consolida a posição do Brasil no que chamam concerto das nações.

Se o alinhamento do Brasil não é absoluto com as posturas do Irã, reforça a posição de países como a Venezuela, a Bolívia, a Nicarágua, o Equador que hoje, ao lado da Rússia somam-se no apoio às pretensões iranianas em seu programa nuclear e na construção da nação islâmica democrática.

É uma nova realidade surgindo diante de um modelo estraçalhado pela sua própria gênese de barbárie. É uma luta que vem sendo travada e enormes são os obstáculos. Imensa é a força dos adversários, os donos dos arsenais nucleares.

Não existe atraso e nem volta a tempos medievais no Irã. Existe um novo Irã sendo moldado segundo a vontade de seu povo. Há quem acredite que hambúrguer seja símbolo de modernidade e cultue o semi deus McDonalds. O deus é o mercado.

Com todos os erros que possa ter cometido o presidente Mahmoud Ahmadinejad é a cara desse novo Irã. E certamente Lula haverá de compreender que é preciso avançar mais ainda e dar ao Brasil uma feição que até hoje não fomos capazes de dar. Mas que hoje se mostra possível, factível.

É lógico que os meios de comunicação – braços dos EUA, dos latifundiários, dos grandes empresários/sonegadores, banqueiros – vão tratar o iraniano como ameaça, vão dar destaque aos protestos de governos terroristas como o de Israel e falar das “preocupações” de Obama. Tentam vender esse bicho papão que William Bonner – a face mais visível desse modo mentiroso de ser – chama de Homer Simpson. São pagos para isso e como toda e qualquer elite econômica não têm pátria e nem escrúpulos. Têm interesses.

Mahmoud Ahmadinejad é um dos líderes desse novo mundo que começa a surgir. É natural que venha ao Brasil. Parte desse mundo. É um engano achar que o presidente do Irã vem tentar tirar uma lasquinha no prestígio internacional de Lula. Vem não. Entre os povos árabes Mahmoud Ahmadinejad é um “Lula” bem maior.

sábado, 2 de maio de 2009

LEITE DE VACA OU LEITE DA MÃE? - Rui Martins


Berna (Suiça) - Foi quase por acaso que descobri a notícia e aproveito para louvar o trabalho dos colegas da Agência Câmara e igualmente o governo responsável pela criação desse serviço, que permite-nos acompanhar o trâmite de projetos de leis ou emendas na Câmara. Existe um serviço similar de informação no Senado.

Acompanhei há alguns anos a luta que se travava, em Genebra, na Assembléia Mundial da Saúde, para se evitar que grandes multinacionais desistimulassem o uso do leite materno em favor do leite maternizado. O Brasil tinha ação de linha de frente e se contrapunha aos grupos que controlam o mercado do leite em pó para crianças principalmente em países menos desenvolvidos e conseguem convencer as mães, de maneira indireta, como proteção do busto feminino, comodidade e daí para frente, a usarem a mamadeira tão logo nasça o bebê. Em muitas maternidades, a mamãe recebe como presente todo um kit ou equipamento para amamentar seu bebê dessa maneira.

Em países desenvolvidos, os europeus e na Suíça por exemplo, essa ação de marketing ou de marqueteiros que chegam a agir em colaboração com maternidades é proibida. A Organização Mundial da Saúde nessa assembléia citada confirmou orientações já dadas pela Unicef em favor do aleitamento materno e recomendou aos países participantes a adoção de leis proibindo a amamentação por substitutivos maternizados, pelo menos até os seis meses do bebê.

Além de ser uma constatação científica que o leite materno protege o bebê de uma série de infecções e mesmo de doenças no futuro, esse incentivo ao aleitamento materno tem repercussões na própria economia do país, já que bebês mais sadios e menos propensos a doenças significam menos despesas com a saúde pública. Fala-se também que dar o seio ao bebê evita o câncer da mama, enquanto bebês alimentados com leite não materno têm propensão para a obesidade.

O ponto de vista brasileiro foi vencedor com o apoio de outros países e saiu derrotado o poderoso lobby dos produtores de leite maternizado, muito forte nos países asiáticos e africanos (onde já houve denúncias contra essas multinacionais, já que muitas mães preparavam as mamadeiras com água contaminada ou não fervida em lugar de amamentarem seus bebês com seus seios fartos) e dentro do Brasil.

No encontro que se seguiu, ainda na OMS, sobre a maneira ética de se aplicar a orientação dessa organização que zela pela saúde mundial e ligada à ONU, definiram-se modalidades de rótulos a serem colados nas embalagens dos produtos à venda, mas destinados a casos especiais de aleitamento e não recomendados aos bebês normais.

O Brasil tranformou, então, em lei um texto a ser impresso na parte frontal dos rótulos dos produtos destinados às crianças até três anos com os seguintes dizeres – “O Ministério da Saúde adverte: Este produto não deve ser usado para alimentar crianças menores de um ano de idade. O aleitamento materno evita infecções e alergias e é recomendado até os dois anos de idade ou mais."

Foi a lei 11.265/06 que, em maio do ano seguinte, atenuou a advertência, em certos produtos, substituindo a referência ao Ministério da Saúde pela expressão “Aviso importante”. Era de se esperar que o assunto estivesse terminado, por transformar em lei uma constatação científica capaz de beneficiar milhões de bebês brasileiros.

Ora, embora nos países como a Suíça, sede de uma conhecida e importante multinacional fabricante de leite em pó maternizado, nem se possa sonhar em reverter uma lei favorável ao aleitamento materno, isso ainda é possível no Brasil, onde os interesses comerciais se sobrepõem aos de saúde.

E, ainda no mesmo anos de 2006, surgiu uma proposta de substitutivo amenizando a advertência do rótulo, para que o uso da mamadeira pudesse ser mantido e assim garantir o escoamento da produção leiteira de origem bovina e sua transformação no leite em pó para amamentar bebês, que se pode comprar até em supermercados.

Excelente a posição da deputada Rita Camata que, em novembro do ano passado, num importante parecer da Comissão de Seguridade Social e Família rejeitou o substitutivo, mesmo porque nele está previsto se tirar a advertência e colocá-la com um texto bem mais ameno, num dos lados da embalagem, onde já não é tão visível.

Porém o lobby não descansou e agora um outro parecer, do deputado Colbert Martins (PMDB- Bahia) ( que não é meu parente), da Comissão de Justiça e Cidadania, aprovou o substitutivo que praticamente encobre a preocupação da OMS com a saúde das crianças. Comparem – o texto amenizado passará a ser o seguinte, se os deputados aceitarem as manobras do lobby contra o aleitamento materno: "Aviso importante: O aleitamento materno é insubstituível, evita infecções e alergias e é recomendado até os 2 (dois) anos de idade ou mais “.

O texto, transferido para a lateral da embalagem e provavelmente em letras minúsculas, perde sua objetividade e torna o aleitamento uma simples recomendação.

É assim que certos parlamentares constróem o futuro do nosso país.

Sobre o autor: Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor de O Dinheiro sujo da Corrupção, sobre a Suíça e Maluf. Criou os Brasileirinhos apátridas e propôs o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso.





OS CORDEIROS E A GRIPE SUÍNA - Laerte Braga

Não sei se Gilmar Mendes tem alguma coisa a ver com isso. Sei que o presidente da STF DANTAS INCORPORATION LTD ligou para a governadora do Pará e pediu a ela que tomasse providências enérgicas contra o MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra –. O “presidente” da empresa dita suprema corte tem negócios por lá em parceria com Daniel Dantas.

Sei também que o ministro Carlos Alberto Menezes “Direito” (cúmulo da esculhambação), funcionário qualificado da STF DANTAS INCORPORATION LTD e empregado de Gilmar Mendes no tal Instituto Brasiliense de Direito Público, desde os tempos de ministro – vá lá – do STJ – dito Superior Tribunal de Justiça – entrou na farra das passagens. As passagens em si existem em qualquer parlamento ou tribunal de qualquer país do mundo e se prestam a que parlamentares e juízes possam se movimentar no exercício de suas funções, ou para o melhor exercício dessas funções e, como gostam de dize, “em sendo necessário”.



O tal “Direito” – putzgrila é o fim – gostava de viajar de primeira classe, furar as filas de embarque em viagens para o exterior com a mulher, com toda a certeza no tal “em sendo necessário” e no regresso com a “missão cumprida” passava ao largo da Alfândega.



Tudo isso tem um nome segundo outro ministro Marco Aurélio Melo – liturgia –. A liturgia da tal suprema corte. Difere na forma, só na forma, na essência é a mesma coisa da liturgia do Comando Vermelho, ou do PCC. Aproxima-se da liturgia, por exemplo, de qualquer banco do mundo, ou laboratório especialista em produção de medicamentos contra gripes.



Nesse diapasão vivemos a temporada da gripe suína. Já tivemos aquela atribuída aos frangos e com certeza teremos a dos canários, dos urubus, a dos beija-flores, tudo na esteira dos cordeiros que William Bonner chama de Homer Simpson.



Corrida às farmácias. E a culpa é do México.



Com transformação do México em estado da federação norte-americana e o tal do NAFTA, tratado de livre comércio que envolve os EUA e o Canadá – o México repito é província, estado – os norte-americanos descobriram que poderiam despejar todos os dejetos industriais, químicos, nucleares, hospitalares no seu mais novo estado. Podiam criar um muro para evitar que mexicanos fossem lá perturbá-los e aproveitar alguns para serviços domésticos, ou funções outras que não aquelas compatíveis com os altos desígnios dos senhores do mundo.



Uma tal Smithfiel Foods mantém a 10 quilômetros da cidade de La Glória, um daqueles povoados onde ainda se toca La Malagueña uma criação de porcos das Granjas Carrol. Foi por ali nesse antro de progresso que se manifestaram pela primeira vez sintomas do que hoje com todas as letras se intimida como pandemia. E foi que um menino de 4 anos, Edgard Hernández contraiu o vírus. Vírus originário de suínos, os populares porcos, em ser humano, pelo menos em tese, mutações genéticas e pronto. Prato feito. Está na coluna de “decorrências previsíveis do progresso”



É só juntar as empresas do setor, os laboratórios que produzem os medicamentos para o combate a esse tipo de gripe e tirá-los da perspectiva de falência.



Uma boa verba publicitária e um ajuste com a Organização Mundial de Saúde, monitorada pelos grandes laboratórios e qualquer William Bonner da vida muda de expressão e assume ares de respeitabilidade e preocupação com o próximo – não tem a menor idéia do que seja isso, mas tem que representar – e coloca todos os cordeiros em fila indiana nem tanto na busca de proteção contra a tal gripe.



Fatura ainda a indústria de máscaras. Pandemia, tantos casos não sei onde, ameaça de morte de tantas pessoas e reflexo na economia, claro. As ações dos laboratórios GLAXO e ROCHE, ambos em baixa, disparam nas bolsas do mundo inteiro. Um médico que viveu semelhante situação na gripe aviária dá conta que passado o pânico forjado, montado, boa parte dos hospitais tiveram que jogar fora mais de 90% dos medicamentos estocados para o combate à gripe. Como não houve a tal pandemia, expirou a data de validade dos ditos medicamentos.



Um golpe desse porte nem Gilmar Mendes, ou Fernando Henrique Cardoso – apesar da familiaridade com porcos, ou porcarias, como a filha no Senado, recebendo sem trabalhar –.



É negócio de bilhões, de fazer inveja a qualquer quadrilha em qualquer canto do mundo.



Só não explicam que as tais Granjas Carroll produzem um milhão de porcos por ano e as fezes e urinas dos ditos são depositadas em tanques de oxidação, ao ar livre e ali vira uma espécie de moradia de moscas. Formam assim que nem nuvens de gafanhotos e depois vão se espalhando pelos quatro cantos dos quatro cantos do mundo.



Os moradores de La Glória uma cidade em nível inferior ao das granjas – solo –, recebe, de quebra, água poluída nos riachos e nos chamados lençóis freáticos. O subsolo está contaminado pelos tanques.



Denúncias? As mais diversas.



Providências. Paciência, alguém tem que pagar pelo “progresso”.



Nos EUA não querem saber das tais granjas. Os governos dos estados – esses com estrelas na bandeira do Tio Sam, o México ainda não alcançou esse galardão – da Virginia e da Carolina do Norte expulsaram a empresa de suas áreas que por conta do NAFTA, foram para o México em 1994. Atanásio Duran é o nome de um deputado que levou documentos desse fato ao Parlamento do extinto México – extinto como país livre e soberano.



Para ficar por aqui, sem considerar outras tantas questões, como a forma como os porcos são criados, a alimentação que recebem, hormônios, antibióticos, etc, tudo para estalar um lombo dourado e suculento no churrasco de domingo, ou do feriado, nos melhores restaurantes em criações de arte dos melhores chefes de cozinha, sem falar que a empresa mantém uma “fundação social” em La Glória, onde aplica uma miséria para disfarçar os crimes que comete.



Obama quando fala em Cuba, Venezuela, Bolívia, etc, fala em “esperamos gestos de boa vontade desses governos para conversarmos”. Quem disse que ele é negro no sentido histórico da palavra? Branco de olhos azuis.



Que gestos de boa vontade?



Pense bem. Um esforço assim de meia hora sem televisão. Que diferença tem o tratamento dispensado aos porcos em La Glória e aos humanos no resto do mundo pela indústria do progresso e dos avanços tecnológicos?



Entra aí a questão das pequenas propriedades rurais em que a criação de animais atende à demanda de cada uma das localidades e pessoas, lógico, mas não proporciona lucros fabulosos às grandes empresas à direita do deus MERCADO. Aí a reforma agrária é mal negócio. Para eles.



As gripes são reflexo do modelo, conseqüência do modelo – político e econômico – e uma especialista no assunto, Dona Miriam Leitão recebe para defender todas as porcarias necessárias aos porcos que comandam os “negócios” dos suínos animais.



É uma grande cadeia. Mas aquela onde deveriam estar os empresários do “progresso”, Gilmar Mendes, o tal “Direito” Daniel Dantas, todos à direita do deus MERCADO ou braços do esquema como a mídia, a grande mídia que vende a idéia de PANDEMIA.



Palavra trissílaba, mas com um efeito devastador para os cordeiros cá embaixo e altamente lucrativo por porcões lá de cima. Soa até assim que nem os Cavaleiros da Távola Redonda chegando para libertar o povo inglês oprimido e o diabo a quatro.



Só que isso é lenda, gostosa de se ler, de se ver, mas o tal “progresso” não. Não tem como um rei Artur arrancar a espada da pedra e Merlin preparar poções mágicas. Os laboratórios em associação com a agroindústria, o agro negócio, os bancos, as grandes corporações, a turma toda, empresários, latifundiários e banqueiros, sumiram com a espada, com a pedra, com tudo e tangem o rebanho de cordeiros no milagre da tecnologia, a tal televisão, entre nós com destaque para a REDE GLOBO e outras menores.

Ah! Tem um trem aí chamado peróxido de hidrogênio (água oxigenada), que mata qualquer vírus ou bactéria aeróbica. É só inalar. Oxiflower em um copo de água fervente, cobrir a cabeça, inalar o vapor e o vírus e liquidado. Pela manhã e à noite. Essa história que água oxigenada é só para tornar louras ou louros algumas mulheres e homens é conversa. Serve para outras coisas também.

E o vírus da gripe suína é muito mais fraco que alguns dos vírus de gripes que anualmente assolam as pessoas no mundo.

A velha fábula do lobo, no caso lobos e os cordeiros. Eles bebem a água limpa lá em cima e para devorarem os cá de baixo, dizem que quem bebe aqui embaixo está sujando a deles. Invertem até a lei da gravidade.

Culpa do Protógenes, do juiz De Sanctis, do MST. É possível que para uma averiguação in loco o ministro dito Direito viaje com a mulher na primeira classe para a eventualidade de qualquer ação na dita corte suprema por aqui em termos de gripe suína.



E tem um detalhe. A chancelaria do estado terrorista de Israel chamou o embaixador do Brasil naquele país criado em terras palestinas, para exigir explicações sobre a visita do presidente do Irã agora dia 6 de maio.

Deveríamos devolver o embaixador deles aqui. A palavra de ordem de Obama não é combater o terrorismo? Os caras assaltam, matam, torturam, estupram palestinos e ainda querem explicações da gente? Essa é a gripe nazi/sionista.

E nem pense que é brincadeira não, mas já criaram um game com o nome de swinefighter.com. Você mata os porcos voadores que rondam e ameaçam o planeta. O negócio consiste em aplicar injeções letais nos tais porcos. Mais ou menos como as injeções letais do tal “progresso” de fezes e urina de porcos.

Se o tal ministro “Direito” for o relator de algum caso relativo à gripe suína o parecer, ou relatório do tal ministro “Direito”, evidente, será OINC, OINC, OINC.

Como nos filmes de Miguel Aceves Mejia, cantando, eliminando bandidos e tudo em seu cavalo branco. Como te llamas? José. Bam, bum! Te llamavas. A diferença hoje é que as balas seriam de material extraído de pernis traseiros.

“Beijar teus lábios quisera/Malagueña minha amada...” Mas a máscara não deixa!

É o “progresso”.




"Lula. Mas o molusco" - Por Helena

"Lula. Mas o molusco"

"Conjunto Habitacional Lula." Esse era o nome original de um conjunto que seria entregue pelo governo do Amazonas a 206 famílias, na segunda-feira 27. Mas, um dia antes do evento, uma comissão da Presidência visitou o local e alertou: o nome do Presidente, ali, poderia pegar mal. Motivo: o próprio Lula (com Dilma Rousseff e o ministro das Cidades, Márcio Fortes) compareceria à inauguração e, segundo a legislação, é proibido dar nome de pessoa viva a bem público. O governo do Amazonas argumentou: o "Lula" da placa "não se referia ao presidente, mas, sim, ao molusco". Não colou. O conjunto foi rebatizado às pressas: virou "Cidadão IX".

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

Sintomas da Gripe Suína - Importante - Barbet






(*com informações das agências Reuters e Brasil)



O nome da gripe é Smithfield Foods? - por Bismarck Xerez


É a doença originada do agronegócio internacional
Eu sempre insisto aqui neste blog Diário Gauche que o nome que se dá a coisas, objetos, projetos, episódios e até a doenças é muito importante.


Vejam o caso dessa epidemia mundial de gripe viral. Estão chamando-a – de forma imprópria – de gripe suína. Nada mais ideológico. Nada mais acobertador da verdade.

O vírus dessa gripe se originou da combinação de múltiplos pedaços de ADN humanos, aviários e suínos. O resultado é um vírus oportunista que acomete animais imunodeprimidos, preferencialmente porcos criados comercialmente em situações inadequadas, não-naturais, intensivas, massivas, fruto de cruzamentos clonados e que se alimentam de rações de origem transgênica, vítimas de cargas extraordinárias de antibióticos, drogas do crescimento e bombas químicas visando a precocidade e o anabolismo animal.

Especulações científicas indicam que o vírus dessa gripe teve origem nas Granjas Carroll, no Estado mexicano de Vera Cruz. A granja de suínos pertence ao poderoso grupo norte-americano Smithfield Foods, cuja sede mundial fica no Estado de Virgínia (EUA).

A Smithfield Foods detém as marcas de alimentos industriais como Butterball, Farmland, John Morrell, Armour (que já teve frigorífico no RS e na Argentina), e Patrick Cudahy. Trata-se da maior empresa de clonagem e criação de suínos do mundo, com filiais em toda a América do Norte, na Europa e China.

Deste jeito, pode-se ver que não é possível continuar chamando a gripe de “suína”, pois trata-se de um vírus oportunista que apenas valeu-se de condições biológicas ótimas – propiciadas pela grande indústria de fármacos, de engenharia biogenética, dos oligopólios de alimentos e seus satélites de grãos e sementes. Todos esses setores contribuiram com uma parcela para criar essa pandemia mundial de gripe viral.

O nome da gripe, portanto, não é “suína”. O nome da gripe é: “gripe do agronegócio internacional” – que precisa responder judicialmente o quanto antes – urgentemente – pela sua ganância e irresponsabilidade com a saúde pública mundial.

Leia o dossiê sobre a transnacional http://www.foodandwaterwatch.org/food/factoryfarms/dairy-and-meat-factories/SmithfieldJan08.pdf (em inglês).




sexta-feira, 1 de maio de 2009

Se aproxima IV Cúpula Continental dos Povos Indígenas da América Latina - Terra Sem Males

Adital -
De 27 a 31 de Maio, a região de Puno, no Peru, vai ser o cenário de confluência para ideias, debates, alternativas, reivindicações e demais demandas que caminham em direção à consolidação dos direitos dos povos indígenas. Trata-se da IV Cúpula Continental de Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala que - nesta edição - vai incluir a I Cúpula das Mulheres, o II Encontro da Juventude e II Encontro da Infância Indígena.

Considerada anfitriã deste encontro está a Coordenação Andina de Organizações Indígenas. Conversamos com seu coordenador geral, Miguel Palacín Quispe, sobre os preparativos e sobre a importância do evento.
Adital - Como estão os preparativos para a IV Cúpula e quantas pessoas devem participar?

Miguel Palacín - Estamos na reta final. Já foram definidos os programas, tanto dos eventos anteriores - I Cúpula das Mulheres, o II Encontro da Juventude e II Encontro da Infância Indígena - como da própria IV Cúpula Continental de Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala. Há um grande entusiasmo nas organizações e também nas autoridades da Região de Puno. Calculamos que participarão aproximadamente cinco mil pessoas.


Adital - Direitos ancestrais, luta pelos territórios, respeitos aos direitos humanos, cumprimento de convênios. Às vésperas da IV Cúpula, vocês avaliam que houve alguns avanços nessas demandas?

Miguel Palacín - Há duas visões em torno desses temas. Por um lado, dos Estados, multinacionais e organismos financeiros internacionais, há uma agressão profunda aos direitos indígenas, à Mãe Terra e uma permanente violação dos direitos humanos.

Essa é nossa luta e nossa causa. Por outro lado, estão nossas organizações e nossa luta, que conseguiram a aprovação da Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas das Nações Unidas, a denuncia contra os Estados que fragilizam direitos e a visibilidade da luta comunal frente à invasão territorial e seus impactos. Estamos, então, em um momento crítico em que se resolverá se é a imposição externa ou o respeito a nossos direitos e os direitos humanos e o cumprimento das legislações.

Adital - Ainda assim, se vê que a organização dos povos indígenas ganha força em diferentes países. Vocês acreditam que é uma evolução natural dos movimentos indígenas organizados que já têm suas próprias vozes?

Miguel Palacín - A visibilidade das comunidades está se dando de maneira organizada, desde o nível local até contextos maiores - regional, nacional, subcontinental. O que nos diferencia, enquanto povos indígenas, de outros movimentos sociais é que somos vistos com naturalidade, com nossa própria simbologia, passando da resistência e flexibilização cultural à proposta e ao protagonismo, com nossas próprias autoridades e nossas próprias vozes.

Adital - Como vocês avaliam a atuação dos Estados em relação ao respeito dos direitos dos povos indígenas?

Miguel Palacín - Os Estados sempre foram agressores desde o momento em que se constituíram e não perderam essa característica. Como povos indígenas, não questionamos o Estado, e sim sua prática. Os Estados jamais outorgaram benefícios nem legislação a nosso favor mas mediaram a pressão e a mobilização. Esse é o Estado que queremos mudar.

Adital - Qual é a importância de realizar uma Cúpula de Mulheres dentro da IV Cúpula Continental dos Povos Indígenas?

Miguel Palacín - É sumamente importante porque, como povos indígenas, falamos de equilíbrio e no interior de nossas organizações é necessário fortalecer a presença das mulheres nos quadros de direção nacional e internacional para cumprir os princípios de equidade. Por isso, é importante a I Cúpula de Mulheres, para que, com voz própria, dentro e fora da organização, nossas irmãs tornem visíveis as nossas propostas.

Adital - Como se dá a integração das mulheres indígenas na América Latina?

Miguel Palacín - É um processo lento, mas muito comprometido. As mulheres são as que sofrem os maiores impactos das políticas neoliberais. E, quando cruzam uma fronteira, se deparam com o mesmo e daí surge a necessidade de se integrar. Por isso, as organizações com maior experiência dentro da CAOI são as que vêm trabalhando para integrar todas as demais organizações. E a Cúpula Continental será o melhor cenário para que nossas irmãs definam uma agenda e uma atuação política no continente.

Adital - Que contribuições poderá gerar a IV Cúpula a essas lutas históricas?

Miguel Palacín - A IV Cúpula será um passo decisivo no processo de articulação e construção coletiva de propostas do movimento indígena continental. E será, sobretudo, um aporte político e uma mensagem aos Estados, às instituições do mundo e aos povos, dado que discutiremos os temas globais a partir da nossa visão, cujos pilares são as mudanças climáticas, a transformação dos Estados e as alternativas frente à crise econômica, alimentar, ambiental e política. Será uma voz para levar nossas propostas a todo o mundo.